quarta-feira, abril 17, 2013

BC volta a subir o juro após quase dois anos; Selic vai a 7,5% ao ano


O Estado de São Paulo

Comitê de Política Monetária elevou a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual; decisão não foi unânime

SÃO PAULO - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou o juro básico da economia em 0,25 ponto porcentual, para 7,5% ao ano, encerrando um período de quase dois anos sem elevação. A decisão não foi unânime: seis dos integrantes do colegiado votaram a favor da alta e dois votaram pela manutenção da taxa em 7,25% ao ano.

No comunicado (veja a íntegra abaixo), o Copom justifica a decisão pelo "nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços". O colegiado avalia que esses fatores "contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária". O Copom, contudo, fala em cautela para administração da política monetária, em função "das incertezas internas e, principalmente, externas".

Em julho de 2011 a Selic teve o seu último aumento, passando de 12,25% para 12,50%. Desde então, o BC vinha reduzindo ou mantendo a taxa, a qual remunera os títulos públicos federais e é referência para os investimentos em renda fixa. A Selic também afeta o custo do crédito para empresas e consumidores.

O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 28 e 29 de maio. A ata da reunião desta quarta-feira será apresentada pelo BC na quinta-feira da próxima semana, dia 25.

Em março, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) bateu em 6,59% em 12 meses, furando o teto da meta de 6,50%, o que reforçou a pressão de economistas e do mercado para que o BC elevasse os juros. Nos últimos dias, as apostas se intensificaram no mercado financeiro após as declarações do presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O presidente do BC, em evento no Rio neste mês, declarou que "não há nem haverá tolerância com a inflação". "Estamos neste momento monitorando atentamente todos os indicadores e, obviamente, no futuro, vamos tomar decisões sobre o melhor curso para a política monetária", afirmou. No mesmo dia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, em entrevista exclusiva ao Broadcast que, se for preciso elevar os juros, "não é um necessário um tiro de canhão, pode ser de metralhadora".

E a presidente Dilma endossou o coro nesta segunda-feira. "Não fazemos concessão à inflação e sempre combatemos e combateremos a inflação, principalmente pelo mal que causa para trabalhadores e empresários. Corrói as rendas. Não abriremos mão desse controle", afirmou, durante seminário sobre os dez anos de governo do PT no País.

Confira a íntegra do comunicado:
O Copom decidiu elevar a taxa Selic para 7,50% a.a., sem viés, por seis votos a favor e dois votos pela manutenção da taxa Selic em 7,25% a.a.

O Comitê avalia que o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária. Por outro lado, o Copom pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela.

Votaram pela elevação da taxa Selic para 7,50% a.a. os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. Votaram pela manutenção da taxa Selic em 7,25% a.a. os seguintes membros do Comitê: Aldo Luiz Mendes e Luiz Awazu Pereira da Silva.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É claro que 0,25 não fará nem cócegas  na inflação, dada suas características atuais. Porém, a elevação vale mais como sinal de que o Banco Central está disposto, a de fato, trazer a inflação para baixo.

Contudo, o sinal é fraco e indica de que poderá ser elevada proximamente. No comunicado, o BC fala em administração "com cautela", o que significa que nem o Comitê de Política Monetária está inteiramente convencido sobre a resistência da inflação atual. Acham alguns de que se trata de um efeito de curto prazo. A conferir.


A economia no divã e os desafios do governo Dilma


Adelson Elias Vasconcellos

É claro que o tomate virou a piada da semana em que o país soube que a meta de inflação havia sido suplantada. Porém, e isto também ficou claro, o tomate não foi o vilão isolado. Conforme alertamos aqui em outras vezes, os serviços, mais do que os alimentos, estão inflacionados e inflacionando-se há bem mais tempo e muito acima da meta de 6,5%. 

O governo Dilma e sua equipe econômica ainda não se deram conta de que a raiz desta elevação de preços acima do previsto, se encontra na ponta conhecida como demanda. E a gente fica com esta certeza, a de que o governo não logrou traçar o diagnóstico preciso sobre a inflação, analisando-se as diferentes micro medidas  que vem sendo editadas. Todas, sem exceção, incentivam mais consumo, muito embora o mercado interno não produza suficiente quantidade para atender esta demanda.  Como, por outro lado, o governo Dilma tem criado barreiras à importação, havendo mais procura do que oferta, os preços tendem a se elevar.

Vejam o seguinte: de um lado, o governo pratica,, já há alguns anos,  aumentos reais do salário mínimo.  Durante um tempo, estes aumentos de renda encontraram nos importados o equilíbrio necessário para fazer frente à demanda. Os importados, por sua vez, encontravam no câmbio supervalorizado da moeda local o paraíso perfeito para deitarem e rolarem. E por que o câmbio os favorecia? Porque os juros internos – a SELIC – eram os maiores do mundo, servia como atrativo fatal para a enxurrada de dólares que se internavam  em busca de ganhos fáceis. E eram fáceis. 

Porém, esta fonte secou um pouquinho quando o governo Dilma fez cair os juros e o ingresso de dólares, em consequência, refluiu. Não que tenham deixado cem por cento de lado a atração pelo mercado financeiro brasileiro: temos ainda os juros altos, o quarto maior índice do mundo. Porém, o governo passou a tributar o capital motel, como ficaram conhecidos estes dólares internados, e isto reduziu a rentabilidade.  Consequência imediata: o dólar que chegou a cair para a faixa de 1,50 a 1,60, hoje gira em torno de R$ 2,00.

De outro lado, querendo dar um empurrão no PIB , que vem se arrastando há dois anos, o governo começou a praticar desonerações tributárias pontuais, com o propósito de incentivar o consumo. E, para não perder totalmente o controle, praticou um desconto nas tarifas de energia  e segurou os preços dos combustíveis.  Todas estas medidas agravaram o excesso de demanda, provocando alta dos preços. Além disto, seca no nordeste, e chuvas no sul, provocaram quedas na produção de alimentos, tornando pior o cenário que já era ruim. 

Claro que há solução para os dois desafios que o governo enfrenta: de um lado, para crescer precisaremos aumentar os investimentos, principalmente em infraestrutura e bens de capital. Na infraestrutura há enorme dependência dos marcos regulatórios e, neste sentido, o governo parece não conseguir se livrar de sua maldição ideológica de ojeriza ao capital privado e ao lucro. De outro,  apesar da queda da SELIC, os juros no Brasil ainda são altos quando comparados aos parceiros dos BRICS e aos países desenvolvidos. Sobre este tipo de investimento ainda pesam a burocracia infernal e a carga tributária. 

Na medida em que o governo vai abrindo o leque de desonerações, é natural que ele espere queda na arrecadação. Como as despesas correntes continuam altas e em elevação, o modo de fechar as contas é a redução dos investimentos públicos.  Assim, pelo que se vê, o gargalo para o crescimento do país permanecerá produzindo taxas de crescimento do PIB muito aquém do que podemos obter. E, o nó do custo Brasil, associado as dificuldades da infraestrutura, permanecerá travando os investimentos em bens de capital. 

Do lado da inflação as perspectivas também não são animadoras. Com o baixo crescimento da indústria, quando não experimentamos queda na produção, o país continuará dependente das importações  para controlar a inflação, ou se verá o saldo da balança comercial despencar drasticamente, o que implicará em déficits crescentes no balanço de pagamentos. 

Como o governo está focado em vencer as eleições de 2014, não é de se esperar que venha adotar medidas extremas para vencer os desafios do crescimento baixo e inflação alta. Vai tentar levar no berro, empurrando o quanto puder o problema pra ser enfrentado apenas em 2015. E, independente de ser governo atual ou alguém da oposição, lá na frente vai encontrar uma economia completamente desarranjada, quando não também  uma situação fiscal preocupante e precária.

Assim, a conclusão a que se chega diante do atual cenário, é de que o poste de Lula periga terminar seu mandato em verdadeiro curto circuito. Nem fez luz tampouco aponta um brilho no fim do túnel. 

Era para ser um governo de continuidade em muitas áreas e de reformas em outras. Não fez nem uma coisa nem outra. Continua enredado no improviso e na falta de um bom plano de voo. Parece que o único plano que funciona neste governo é o de marketing.  Neste, os bilhões investidos (ou torrados) farão enorme diferença na hora de contar os votos em 2014. Palmas para João Santana, o guru dos petistas, e o verdadeiro estrategista do governo Dilma.

Comemora-se o pleno emprego, o que aqui já comprovamos ser falso. Não há pleno emprego no Brasil quando cerca de 60 milhões de pessoas, em idade economicamente ativa, se encontram  fora do mercado de trabalho. Este dado não é chutometria,  é oficial e apurado pelo IBGE. Como também a tal sensação de bem estar que tanto comemoram os petistas, é mais falsa ainda, já  que encastelada apenas em programas de renda do próprio governo. São pessoas dependentes da ajuda paternalista do Estado,  estagnadas no seu próprio progresso individual, uma vez faltarem as portas de saídas destes programas que se dizem “sociais” para permitir a total emancipação do cidadão. E atenção: hoje cerca de 25% da população brasileira vive nesta situação. 

Portanto, tal situação exigiria que o PIB crescesse bem mais, justamente para oferecer perspectivas a este contingente de pessoas fora do mercado de trabalho ou para fugirem ou desvencilhar-se da ajuda paternalista, já muitos destes 60 milhões,  também, pertencem ao exército de beneficiários dos programas de renda. Em muitos casos, nem se trata de “renda complementar”, mas de ser  a única fonte de renda que os ajuda a sobreviverem.  

E, do lado da inflação, se nada for feito para trazer a taxa para o centro de meta,  fixada em 4,5% e  que ainda é muito alta, já deveria ter recuado para algo em torno de 2 a 2,5%,  serão estes milhões que mais sofrerão porque verão sua capacidade de compra sensivelmente reduzida. 

Para a sorte de dona Dilma e seu projeto único de reeleição,  há tempo para recuperação. Basta ter coragem de fazer agora o que é certo, sem medo de provocar algum aborrecimento à sua massa eleitoral. Afinal de contas, as más escolhas destes últimos dois anos, algum preço hão de cobrar para a correção da rota. É preferível que isto ocorra agora, e não em outubro de 2014. 

De certa forma, nesta segunda feira, o governo reconheceu, se bem que por linhas transversas, que não conseguirá cumprir nem as promessas do começo do ano, e nem as da semana passada do sempre otimista Mantega: o salário mínimo, antes previsto para valer R$ 729,20 a partir de janeiro de 2014, já foi reduzido para R$ 719,48. Ou seja, é o próprio governo dizendo: não acreditem em mim. 

Fica para amanhã o comentário que desejaríamos fazer sobre a nova promessa milagreira de dona Dilma que, em Porto Alegre, avisou aos navegantes a pretensão de, até 2022, dobrar  a renda per capita dos brasileiros. Também gostaria de tratar de outra preocupação que começa a tirar o sono de alguns: a expansão monetária desenfreada com o abandono das regras básicas da responsabilidade fiscal.

 Não fosse patética a afirmação, a de dobrar o PIB em menos de 10 anos, e partindo do cenário atual, a gente até que poderia contar como a piada do mandato. O diabo é que a concorrência com outras afirmações do gênero é muito forte.  

Dilma, os juros e a vigarices históricas.


Adelson Elias Vasconcellos

O grande problema de certas “otoridades” é se acharem. Pensam que, por estarem sentadinhos com suas bordas bundas numa cadeira especial, que representa algum carguinho de droga na vida pública, podem agredir a história, os fatos, a lógicas e o bom senso. Foi o que fez a dona soberana, em cerimônia do PT em Minas Gerais, ao se referir aos juros.

Dilma acha que pode comparar medidas tomadas na revolução de 30, com as que se tomam nos tempos atuais. Besteirol genuinamente de esquerda.

Várias vezes denunciei aqui a grande farsa montada por Lula para comparar-se a FHC, sua obsessão em vida. Queria comparar seus números com os do governo anterior. E por que a comparação é falsa e cretina? Simplesmente porque se deveria comparar o Brasil que FHC recebeu, com o Brasil que Lula recebeu. E sem fantasias nem manipulações estatísticas. 

Veríamos que, muito dos indicadores sociais, por exemplo, começaram a evoluir no país a partir de FHC, e não de Lula como se tenta mentir ao país. Iríamos constatar que a verdadeira estabilidade econômica é conquista de antes de Lula, e não depois dele.

Poderíamos, deste modo, comparar a dose de antibióticos ministradas a quem padece de infecção grave, com os antigripais, ambas com o propósito de baixar a febre do paciente...

Assim é o caso dos juros. Não se pode comparar os juros que eram praticados num país com inflação de 80% ao mês, com lós que se praticam num mesmo país, mas com inflação na casa de 6%.  São momentos totalmente diferentes, com situações totalmente diversas.  É fácil para o cretino se julgar superior com a casa arrumada pelo outro, enquanto este encontrou tudo por fazer. 

E não apenas os momentos históricos são distintos no Brasil, como também o eram no mundo.  Enquanto a economia mundial crescia na média de 2,0% ao tempo de FHC, no período Lula a média foi acima de 5,0%. 

Assim, esta comparação feita por Dilma é estúpida e descabida. A grande verdade é que, com a casa arrumada, o Brasil da soberana não cresce e sustenta uma inflação que, para os tempos atuais é ruim. E não se venha culpar a crise internacional. Os BRICS e alguns países da América do Sul crescem mais do que Brasil e com inflação e juros menores. E isto é  um fato indiscutível.

De volta aos juros. Dilma, até se defendendo de provável elevação de juros em seu governo, afirmou:  "jamais voltaremos a ter aqueles juros de 12%, 15%".

Bem, como respeito à história é um valor que a presidente parece não nutrir, não custa lembrar que Lula, logo ao assumir em janeiro de 2003, elevou a SELIC para 26,32%, e a manteve acima de dos tais 15% praticamente durante todo o seu primeiro mandato.  

E dona Dilma, como não poderia deixar de acontecer, quando fala de improviso, deu uma bela escorregada no discurso, ao afirmar, categórica, que “"A inflação foi uma conquista desses dez anos de governo". Acho que ela quis dizer o contrário, não é mesmo?   E não adiantar acusar a imprensa de novo por manipulação em sua fala. Também esta afirmação, como ocorrera em Dubai, África do Sul, foi gravada.  Quanto ao “controle” da inflação, bem, aí a senhora presidente exagerou na dose: a última inflação fora de controle no Brasil foi às vésperas do Plano Real lá pelos idos de 1994, quando ultrapassou os 46,5%.  Apenas para registrar o tamanho da mentira de Dilma, a exemplo de Lula e demais petistas, em 1993, antes do Plano Real,  o IPCA havia registrado alta de 2.477,15%. Já em 1995,  o IPCA apresentou um valor de 22,41% e este valor foi caindo até chegar ao recorde de 1,66% em 1998.

 Mesmo assim, esta vigarice presidencial, inaugurada por Lula, de achar que o controle da inflação foi uma conquista exclusiva “destes dez anos”, contraria a própria Dilma em seus primeiros dias de reinado,  ao reconhecer que as bases da estabilidade econômica foram plantadas por Fernando Henrique. Coube ao Lula, devidamente orientado por Antonio Palocci,  dar continuidade ao vinha dando certo e produzindo resultados benéficos para os brasileiros.

Dilma sabe que, no fundo, principalmente em encontros partidários, fazer afagos ao sentimento de roubo da história que   os petistas adoram alimentar. Mas sabe, também, que quem tirou o país do buraco, dando à sua economia uma gestão de modernidade, com reformas profundas e sem temer o custo político que teve que pagar, foi FHC. Como, ainda, conhece bem as ações terroristas praticados pelo PT oposição, quando jamais estendeu a mão para ninguém, e nunca mediu esforços para sabotar todos os governantes que o antecederam no poder. 

Dilma pode mentir à vontade para seus correligionários, pode deturpar os fatos e distorcer a história a exaustão. Afinal, encontra-se entre iguais. Mas pode sequer pretender que o restante do país pratique um apagão mental e enterre as verdades de quem fez o quê.  Há quem acredite na mistificação, mas nem todos são tolos e idiotas como ela desejaria e seus partidários políticos tentam imaginar. 

 Elevando pouco ou muito a taxa Selic, o fato que a inflação está aí, aos olhos de todo mundo. Não adianta a dona Dilma espernear  porque a imprensa noticia e os analistas criticam a atuação do governo diante do problema. Este discurso vazio e desconectado com a realidade não fará os preços caírem e a inflação sumir por encanto.  Um governante deve enfrentar os problemas com desprendimento, e não com miopia ou criticando aqueles que lhes apontam os erros. 

Portanto, dona Dilma chega de conversa mole: faça o que deve ser feito, mas faça certo, do contrário, não adiantar  esbravejar contra as críticas. Elas vão acontecer se o governo ou for omisso, ou adotar medidas sem produzir os resultados desejados. E, por favor, converse com os economistas que a cercam: a estabilidade econômica não se restringe apenas em controlar a inflação conforme foi dito em seu discurso, ok?  

Brasil é país com pior retorno dos impostos, diz IBPT


Beatriz Olivon
Exame.com

Entre os 30 países de maior carga tributária do mundo, Brasil é o que oferece o menor retorno em serviços públicos de qualidade, segundo estudo do IBPT

Divulgação/EXAME.com
 Impostômetro: 
Brasil perde para os países vizinhos Uruguai e Argentina

São Paulo - Dentre os 30 países com as maiores cargas tributárias do mundo, o Brasil segue sendo o último colocado quanto a oferta de serviços públicos de qualidade à população, segundo o Estudo sobre a Carga Tributária/PIB X IDH elaborado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). É a quarta vez consecutiva que o Brasil ocupa a última posição. 

Estados Unidos, Austrália e Coreia do Sul ocupam as primeiras posições do ranking, respectivamente. O Brasil perde para os países vizinhos Uruguai e Argentina, segundo o estudo. 

Para calcular o  Índice de Retorno De Bem Estar à Sociedade (IRBES), o IBPT utiliza dois parâmetros: A Carga Tributária (arrecadação em relação ao PIB), obtida junto à OCDE, referente ao ano de 2011 (última atualização) e também o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para o ano de 2012.

Veja a tabela completa: 

Ranking 30 países de maior tributação
IRBES
Resultado ano anterior
Estados Unidos
165,78
Austrália
164,53
Coreia do Sul
162,48
Japão
160,78
Irlanda
160,43
Suíça
159,83
Canadá
156,79
Nova Zelândia
156,66
Israel
154,01
10º
Espanha
153,89
Eslováquia
153,28
11º
Grécia
152,22
12º
Uruguai
151,06
13º
Islândia
150,61
14º
Alemanha
150,54
15º
República Tcheca
148,61
16º
Reino Unido
148,55
18º
Eslovênia
148,5
17º
Luxemburgo
146,71
19º
Noruega
146,5
20º
Argentina
145,41
21º
Hungria
144,58
22º
Áustria
142,66
23º
Suécia
141,15
24º
Bélgica
140,65
27º
Itália
140,55
26º
Finlândia
140,91
25º
França
140,08
29º
Dinamarca
139,84
28º
Brasil
135,63
30º


Cala-te, boca


Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

1 - Do ex-presidente Lula, citado pela colunista Mônica Bérgamo, sobre o então candidato a ministro do Supremo Luiz Fux: uma pessoa que tem ao mesmo tempo o apoio de Delfim Netto e João Pedro Stedile não merece confiança.

Fux, que chegou ao Supremo pelas mãos da presidente Dilma, não é o único que tem ao mesmo tempo o apoio de Delfim Netto e João Pedro Stedile. O todo-poderoso ministro da ditadura militar e o todo-poderoso comandante do Movimento dos Sem-Terra dão apoio ao mesmo tempo também a Dilma. E a Lula.

2 - Está para começar uma ampla ofensiva publicitária do PT, comandada pelo marqueteiro de Lula e Dilma, João Santana, em favor do financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais. Objetivo: juntar um milhão e meio de assinaturas numa proposta que proíba pessoas e empresas de contribuir para campanhas eleitorais. O financiamento privado de campanhas eleitorais seria crime inafiançável - mais grave, portanto, do que homicídio. Slogan da campanha: "É dinheiro sujo". 

Pois é: a campanha eleitoral de Dilma Rousseff, do PT, custou oficialmente R$ 177 milhões, obtidos por doações de pessoas e empresas privadas. Os acusados do Mensalão tentaram desqualificar seus crimes dizendo que tudo era apenas caixa 2 - ou seja, além de receber o tal dinheiro sujo, ainda deram um jeito de não contabilizá-lo. O tesoureiro Delúbio Soares disse que o PT usou "recursos não contabilizados". O presidente Lula, naquela famosa entrevista em Paris, disse que o PT, seu partido, tinha operado uma caixa 2. Inafiançável!

Seu dinheiro
As informações de Lula e do PT revelam muito sobre a política brasileira. Mas não mostram exatamente quais as vantagens que o partido levará com o tal financiamento público de campanha. É simples: pelo sistema, cada partido recebe do Tesouro uma determinada quantia por voto conquistado nas últimas eleições. O PT e o PMDB, os maiores partidos, receberão as maiores quantias. 

A história de que financiamento público evita a corrupção não se sustenta: na Alemanha, onde há financiamento público, e onde a Polícia é excelente, o primeiro-ministro Helmut Kohl caiu quando se apurou que, além do financiamento público, ele costumava também arrecadar ilegalmente dinheiro particular. 

A propósito, o caro leitor está disposto a pagar a campanha dos candidatos?

Questão de status
As empresas de Eike Batista perdem valor em bolsa, pedem apoio ao Governo Federal (já tomaram mais de R$ 11 bilhões e querem porque querem que a Petrobras viabilize outro empreendimento, o Porto do Açu), demitem: a OSX despediu 15% de seus funcionários, a OGX demitiu há pouco seu presidente e 30 empregados, principalmente na área financeira. Crise? Crise para os demitidos; talvez para o caro leitor, que será chamado, via Tesouro e estatais, para ajudar a pagar os prejuízos. Para o comando da empresa, o mundo é belo.

Nesta semana, a OGX anunciou um aumento de 66% nos pagamentos de Eike Batista e de outros quatro diretores. O custo total passa de R$ 7,4 milhões, em 2012, para R$ 12,3 milhões neste ano. E isso numa só empresa: em todas as outras do grupo os diretores (e Eike) têm bons salários, como se houvesse lucro. De certa forma, há: o Governo financia o lucro dos "empresários privados".

Tomate é no prato
Não se impressione com os preços do tomate - seja em alta, seja em baixa. O preço do tomate oscilou devido a fatores climáticos, excesso de calor e tempestades, e rapidamente voltará aos níveis normais, ou próximo disso. É até provável que os preços fiquem abaixo dos habituais, já que muitos agricultores, estimulados pela alta de agora, resolvam plantar mais, aumentando a oferta. A mesma coisa acontece com a farinha de mandioca e com o feijão carioquinha. Porém, se a alta do tomate não é inflação, mas variação ocasional de preços, outros fatores sérios geram pressões inflacionárias muito fortes: gastos excessivos dos governos, investimentos baixos (ou seja, falta de mercadorias na praça, o que provoca a alta de preços), uma certa despreocupação com despesas oficiais. 

É a Norte-Sul que só tem custos e não rende nada, porque não fica pronta; é a transposição do São Francisco, atrasadíssima; são os gargalos de infraestrutura, que aumentam os custos. E como age o Governo? Atrasado: primeiro, assiste ao congestionamento dos portos; depois, cobra soluções. Isso joga a inflação para cima.

O Homem de La Mancha
O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014 já foi enviado pelo Governo ao Congresso. O quadro que traça é o sonho de qualquer planejador: a economia vai crescer 3,5% em 2013 e 4,5% em 2014; a inflação será de 5,4% em 2013, cairá para 4,5% em 2014. Não lembra o início da música-tema de O Homem de la Mancha, na magnífica versão de Chico Buarque e Ruy Guerra? 

Cantemos juntos: "Sonhar/ mais um sonho impossível".

É minha lei, é minha questão
Como comenta o jornalista gaúcho Gilberto Simões Pires, em seu blog Ponto Crítico (www.pontocritico.com), "em matéria de economia, o Governo Dilma - petista adotou uma péssima estratégia: em time que está perdendo não se mexe".

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br

O ministro comunista-carreirista, que se diz 'nacionalista', dá entrevista vexame, justifica o escândalo do Engenhão, não fala sobre o outro, do Maracanã.


Helio Fernandes
Tribuna da Imprensa


A Fifa é arrogante, prepotente e insolente. Mas as autoridades que representam (?) o Brasil e negociam com ela, no mínimo subservientes. Desde que o secretário-geral Jerome Valke agrediu o Brasil e os brasileiros com aquela frase que nem quero repetir, deveria ser proibido de voltar ao Brasil. O senhor Blatter que viesse ou mandasse alguém, mas não aquele.

Com a nossa submissão e omissão diante de tudo o que a Fifa vai mandando ou determinando, a vergonha vai aumentando, as exigências, fora de qualquer compreensão. Não tendo sido proibido ou expulso, Valke (a mando de Blatter e dele mesmo) vai tripudiando. Exige que se retire do estádio de Brasília o nome de Mané Garrincha. Sabendo que ele é sem dúvida o ídolo popular maior do nosso futebol, quiseram atingir os torcedores de todos os clubes que têm Mané Garrincha como referência e admiração maior.

O ministro não tocou no assunto, tratar do nome de um estádio foge à responsabilidade ou à altura do interesse ministerial. Também desconheceu completamente da proibição das baianas venderem acarajé, outra humilhação da Fifa. Novamente: um ministro de Estado, e ainda mais da sua altura e autoridade, tratar de acarajé? Fica para outra alçada.

Mesmo discordando duramente do ministro (Aldo Rebelo, quem teria tanta complacência?), assistindo sua entrevista, considerei que os grandes escândalos, todos ou principalmente os relacionados com os bilhões e bilhões desperdiçados em estádios “elefantes brancos” (desculpem), seriam fuzilados por Sua Excelência.

Mas a frustração, a decepção, a omissão não demoraram. O ministro não tratou do estádio Mané Garrincha e da proibição da venda de acarajé, por serem menores. Fugiu do confronto sobre a mais espantosa questão do superfaturamento dos estádios, logicamente por serem maiores. E não só fugiu de condenar os crimes financeiros, como defendeu e justificou quase todos eles. Incrível mas rigorosamente verdadeiro. Esqueceu que o Engenhão, orçado inicialmente em 60 milhões, ficou em 380 milhões. Textual do ministro: “É um absurdo condenar o Engenhão, ali foram disputados grandes clássicos, uma satisfação para os torcedores”.

Nem uma palavra a respeito do risco de vida imposto a esses torcedores, que não sabiam que poderia haver uma tragédia com ventos de 63 quilômetros por hora, que tentaram aumentar para 115. Também não fez restrições ao prefeito Eduardo Paes, que engavetou o contrato com a empreiteira durante cinco anos, para que houvesse a prescrição da garantia. E a sua irresponsabilidade livrasse a empreiteira da responsabilidade.

Sobre o Maracanã o mesmo comportamento. Não criticou o gasto de 1 bilhão e 200 milhões nas duas últimas reformas. Quase um bilhão na obra para a Copa do Mundo. Não falou sobre a destruição dos estádios Julio Delamare (natação) nem o Celio de Barros, esses pelo menos não pedido ou exigidos pela Fifa. Decisão lamentável de Sergio Cabral.

Aldo Rebelo não falou dos 400 milhões para o estádio do Corinthians, que virão do generoso BNDES. Banco do Brasil e Caixa Econômica examinaram o financiamento, que foi recusado. Também não negou ou confirmou o que todos já sabem: depois da Copa do Mundo (2014), o estádio terá que fazer novas obras para a Olimpíada (2016).

PS – Em suma: não há suma para a participação do ministro, a não ser quando seu interesse pessoal e carreirista está em jogo.

PS2 – Quando Fernando Gabeira, com um grito, derrubou Severino Cavalcanti da presidência da Câmara Federal, Aldo Rebelo pulou o alambrado, já estava substituindo Severino no terceiro cargo mais importante da República.

PS3 – Seu camarada Orlando Silva era ministro do Esporte, foi flagrado em graves irregularidades, teve que sair, Aldo Rebelo nem teve que pular o alambrado, já estava do lado de lá, assumiu.

PS4 – E esse Ministério está acima de demissão. Como demitir um ministro do Esporte às vésperas da Copa das Confederações, da Copa do Mundo, da Olimpíada? Tudo isso acaba no fim de 2016, início de 2017.

PS5 - Doutor Aldo pode ficar até 2018/19, com Dona Dilma. Com ligeira saída em 2014 (deixando outro camarada guardando o lugar) para se reeleger deputado. Embora não tenha muito voto. Em 2010 quase não consegue o mandato.

PS6 – Se o ministro inocentou (e aplaudiu indiretamente) Cesar Maia, Paes e Cabral, quem defenderá o interesse nacional?

PS7 – E se acobertura do Maracanã desabar a sobre a cabeça de 79 mil pessoas? Como lembrou o Eliel, a empreiteira do Maracanã e a mesma do Engenhão. Aldo Rebelo, Cesar Maia, Sergio Cabral, Eduardo Paes não gostam de esportes. Ao contrário deste repórter, que escreve sobre os mais diversos assuntos, denunciava a corrupção da construção do estádio, mas não deixava de frequentá-lo desde o início e depois com os filhos de Fernando Gasparian e Rubens Paiva, e lógico, também com os meus.

NA VENEZUELA, O CHAVISMO VENCEU MAS SE ENFRAQUECEU
Escrevendo uma semana antes, disse aqui que o Madruga ganharia fácil, mas não conseguiria governar. Não foi tão fácil, embora em nenhum momento Capriles tivesse ameaçado Maduro . Pode se dizer que o chavismo venceu sem Chávez e sem esperança. O que fazer agora?

Ontem, segunda-feira eu comentava a afirmação de Maduro: “Vou reduzir a inflação a menos de 10 por cento”. Exagero. Pelas estimativas, deve estar acima de 25 por cento, como produzir quase um milagre? Falam muito em “acordo Maduro-Capriles”, o que não agradaria aos dois lados. O que fazer?

MERCADANTE ACREDITA NOVAMENTE EM LULA
Nem é novidade, revelei o fato há 10 anos na Tribuna impressa. Mercadante, eleito senador, a alegria era do seu suplente, que “sabia” que Mercadante seria ministro da Fazenda. Não foi, mais tarde conseguiu ser líder do governo. Irritado, revoltado, desanimado e desalentado, pediu demissão “irrevogável”. Lula não aceitou e ainda tripudiou.

Ficou no ostracismo “chapa branca”, não se elegeu mais nada. “Recuperado” por Dona Dilma, volta a acreditar que será candidato ao governo de São Paulo, 14 anos depois da primeira ilusão. Não será. Veto também para Dona Marta. Lula tem outros planos e nomes.

PS- Nascido em 13 de maio (vai fazer 59 anos), Mercadante continua escravo de lula, apesar de alforriado por Dona Dilma. Como é homem, não pode nem esperar uma “Lei do Ventre Livre” política e eleitoral, tão mistificadora quanto a outra.

Por que o superávit primário é necessário


O Estado de S.Paulo

No momento em que se analisa a possibilidade de reduzir para menos de 2% do produto interno bruto (PIB) o superávit primário das contas públicas, é necessário examinar, de um lado, o que significa essa reserva e, do outro, a grande necessidade dela no contexto econômico brasileiro.

A necessidade de um superávit primário tem origem no fato de o Brasil apresentar um déficit nas contas públicas do governo central (isto é, governo federal, Banco Central e Previdência Social) decorrente de despesas, inclusive juros, superiores às receitas auferidas nessas contas.

Cumpre notar que, em comparação com outros países, o déficit brasileiro é pequeno, mas não se deve ter ilusões, pois temos uma carga tributária já muito elevada, em especial em relação à dos demais países emergentes, e não se pode aumentá-la para reduzir o desequilíbrio das contas públicas.

Além disso, nas contas públicas não estão incluídos importantes desembolsos do Tesouro para bancos públicos (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), que, seguramente, já deveriam ter entrado nas contas do governo central.

O mecanismo atual de transferência de recursos para os bancos públicos se assemelha a uma prática já condenada no passado, conhecida como "conta movimento", que o Tesouro Nacional tinha no Banco do Brasil.

Para cobrir o déficit em suas contas o governo dispõe de três opções principais.

Uma delas consiste no aumento da quantidade de moeda em circulação - o que tem um aspecto negativo, pois eleva as pressões inflacionárias. Outra é vender ativos do Banco Central, por exemplo, reservas internacionais. Uma terceira é tomar dinheiro emprestado, sob as mais diversas formas, tanto no mercado financeiro nacional como no internacional.

Nos últimos anos, tomar recursos externos foi a forma mais utilizada pelo Tesouro Nacional, que se aproveitou da redução dos juros e de um melhor conceito do Brasil no exterior. Essa política foi facilitada pela queda generalizada dos rendimentos dos títulos emitidos nos países industrializados, de tal sorte que os investidores internacionais encontraram no Brasil uma remuneração mais alta para seus ativos. Mas podemos considerar que, no momento, essa é a pior solução para cobrir nosso déficit nominal.

Porém, dada a memória da inflação, o Brasil ainda não dá suficiente atenção ao custo do dinheiro.

Governo afrouxa controle sobre gastos públicos para 2013 e 2014


Gustavo Patu
Folha de São Paulo

A dois dias da definição da nova taxa de juros do Banco Central, o governo abriu caminho para um afrouxamento sem precedentes da política de controle de gastos públicos adotada desde 1999.

Segundo regras propostas ontem pela Fazenda e pelo Planejamento, as metas fiscais deste ano e do próximo --de eleições para presidente e governadores-- poderão ser reduzidas em algo como 70%.

Dito de outra maneira, se todas as antigas e novas brechas legais forem utilizadas, o saldo obrigatório das contas federais, estaduais e municipais cairá de 3,1% para o equivalente a 0,9% do PIB.

Numa hipótese extrema, os números podem cair ainda mais se, somados, os governos regionais passarem a gastar mais do que arrecadam --o que não acontece há 15 anos, mas não é impossível.

O cumprimento integral da meta tem sido citado nos documentos do BC como variável-chave para o controle do consumo e da inflação e, consequentemente, para a decisão de quando e em quanto elevar os juros. Em tese, quanto menos controle e menos economia, maior a necessidade de elevar a taxa.

As metas foram descumpridas em três dos últimos quatro anos, mas sem ficar abaixo dos 2% do PIB.

A principal inovação agora é o fim da obrigação do governo federal de garantir números projetados para Estados e municípios, o que possibilita gastar até R$ 47 bilhões mais já durante este ano.

Até então, se o desempenho dos governos regionais ficasse abaixo do previsto, a União teria de compensar a diferença com um aperto adicional em suas contas, assegurando a meta total.

INFRAESTRUTURA
Em janeiro, a Folha antecipou que a mudança estava em estudo no governo. A medida, agora submetida ao Congresso, tenta incentivar os investimentos em infraestrutura dos Estados, que têm recebido recursos do BNDES.

Conforme a Folha noticiou, a expansão dos gastos em 2012 já resultou no menor superavit primário --a parcela do Orçamento poupada para o abatimento da dívida pública- estadual desde 1999.

Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, não está definido se a brecha será usada e em que proporções: tudo dependerá da necessidade de estímulo da economia. "Se for necessário, é importante haver essa possibilidade", disse, com ênfase na última palavra.

As possibilidades são mais amplas. Em 2014, o governo federal poderá reduzir seu superavit em até R$ 67 bilhões, referentes ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e a desonerações.

Incluída no projeto de LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), a norma não especifica como o número deve ser calculado. Ou seja, o abatimento pode se basear em estimativas do montante das desonerações, sem a prometida expansão do investimento.

Embora os resultados das contas públicas tenham se tornado praticamente imprevisíveis, Augustin defendeu a permanência das metas oficiais como forma de sinalizar que as ampliações de gastos privilegiam o investimento, e não o custeio.

Danilo Bandeira/Editoria de arte/Folhapress



‘Investimento vai bombar em 2014’, diz Mantega


Josias de Souza

Na primeira reunião dos ministros de Dilma, em 2011, 
Mantega previra PIB médio de 5,9% até 2014

Admirador da ideia de que é possível tratar o imponderável com precisão, o ministro Guido Mantega (Fazenda) aproveita a atmosfera de dúvida que a inflação propicia para prever, com extraordinária dose de certeza, dias muito promissores. “A economia está num momento de transição”, diz ele. “Um programa de infraestrutura, como o que lançamos em 2012, demora a ter efeito. O investimento vai começar a bombar mesmo em 2014.”

Mantega propagou seu otimismo em relação ao ano eleitoral numa entrevista aos repórteres Raquel Landim e João Villaverde. Está disponível aqui. Insinuou que a carestia dos alimentos e dos serviços não é o bicho-papão que muitos pintam. “O que está na boca do povo é o tomate, não a inflação”, afirma. Para ele, “a inflação recente não é uma questão estrutural, mas pontual.”

No acumulado de 12 meses, a inflação estourou o teto da meta oficial em março. Nada que tire o sono de Mantega. “Vamos cumprir a meta neste ano.” Sim, o Banco Central talvez tenha que elevar a taxa Selic, o ministro admite. Dosagem leve, ele dá a entender, “porque a política monetária está mais eficiente.”. Tão eficiente que, se for mesmo necessário elevar os juros, “não é necessário um tiro de canhão. Pode ser um tiro de metralhadora.”

Evocando “projeções do mercado”, Mantega declara que o PIB crescerá de 3% a 3,5% em 2013. Nessa matéria, o ministro vem se revelando um bruxo em litígio com a realidade. Na primeira reunião ministerial do governo Dilma, realizada em janeiro de 2011, Mantega expôs aos colegas de Esplanada os objetivos econômicos da nova administração.

De 2011 a 2014, o Brasil cresceria uma média de 5,9% ao ano, estimou o titular da Fazenda. Em 2011, entregou 2,7%. Em 2012, 0,9%. A média de crescimento do primeiro biênio de Dilma foi de irrisória: 1,8%. Como se vê, a intimidade do ministro com os búzios é igual à do repórter com Sharon Stone. Nenhuma. 

Vão reproduzidas abaixo algumas declarações extraídas da entrevista:


- O fantasma da inflação: “O que está na boca do povo é o tomate, não a inflação. O comportamento dos preços neste começo de ano tem sido parecido com o dos últimos oito anos. Tivemos choques nos preços das commodities, o que não nos deixa tristes, já que somos grandes exportadores de produtos básicos, mas é claro que há reflexo na inflação. No ano passado, tivemos nos Estados Unidos e no Brasil uma seca. Além disso, fizemos uma desvalorização cambial, que também é inflacionária, tendo efeito de algo como 0,4 ou 0,5 ponto porcentual no IPCA. Se somarmos as coisas, veremos que a inflação recente não é uma questão estrutural, mas pontual. […] Vamos cumprir a meta neste ano.”

- Além dos alimentos, os serviços: “Essa alta nos preços dos serviços ocorre por conta do bom momento. A massa salarial está subindo, portanto, o poder aquisitivo da população aumenta. No caso dos bens industriais, se o produtor nacional aumenta o preço, o consumidor compra o importado. Mas com os serviços isso não é possível. Com o tempo, a concorrência se implanta, porque, se o corte de cabelo começa a ficar muito caro, logo alguém aparece fazendo o mesmo e cobrando menos. Mas, em março, os serviços não foram os vilões.”

- Os juros: “Não há necessidade de voltar [aos patamares do passado], porque a política monetária está mais eficiente e a economia já desindexou um pouco. […] O Brasil é um País mais normal hoje. Isso significa que, se precisar [subir os juros], não é necessário um tiro de canhão. Pode ser um tiro de metralhadora.”

- Os empregos: “Não vamos jogar fora o maior avanço recente, que é não ter desempregados. Esse problema do aumento do custo da mão de obra tem de ser enfrentado com velocidade na qualificação da mão de obra. Até, se for o caso, deveria vir mão de obra de fora para essa transição. Também rebatemos essa questão com a desoneração da folha, que contrabalança o aumento do salário real em condições de pleno emprego. Nos países com desemprego alto, o salário é mais baixo, mas não tem mercado. Qual é a vantagem? Acho um absurdo pensar que isso é uma vantagem. A população está muito satisfeita.”

- O intervencionismo estatal: “A pior coisa é ficar inerte, assistindo uma economia se degringolar. Não posso pensar: ‘Oh, que beleza, está valorizando o câmbio’, ou ‘Oh, que beleza, deixa o pessoal fazer arbitragem’. Aí explode a indústria. Se não tivéssemos tomado essas medidas para o setor automotivo, seríamos engolidos pelos importadores. Nas crises passadas, a indústria e o comércio eram destruídos e havia desemprego em massa. Nada disso aconteceu desta vez. A indústria cai uma hora, depois sobe, mas é assim mesmo. Agora serão necessárias menos medidas. O que vai continuar é o programa de desoneração.”

- Medidas de estímulo X Inércia do PIB: “O que nos pegou de surpresa foi o agravamento da crise europeia, e as medidas que tomamos ainda vão levar um tempo para surtir efeito. Você reduz os juros e ele tem efeito dali a dez meses. Não vamos esquecer que o juro vinha caindo lentamente e só foi atingir o atual patamar de 7,25% ao ano em outubro do ano passado. Há um paradoxo na economia brasileira no caso dos juros e do câmbio. Vivemos muito tempo com juros altos, e a economia ficou viciada. Mesmo o setor produtivo tem uma parte do seu rendimento que é atrelado ao mercado financeiro, como uma forma de se defender. Mesmo as empresas que passaram a vida toda pedindo para cortar o juro, perdem, num primeiro momento, quando isso acontece. […] A economia está num momento de transição. Um programa de infraestrutura, como o que lançamos em 2012, demora a ter efeito. O investimento vai começar a bombar mesmo em 2014.

Eu tive um sonho


Rodrigo Constantino
O Globo

Adormeci e comecei a sonhar. Sonhei que o espírito de Thatcher havia reencarnado na presidente brasileira. Imediatamente, ela fez uma coletiva de imprensa para anunciar, sem rodeios, que era uma liberal convicta, defensora das liberdades individuais e do livre mercado.

O grande inimigo era o coletivismo, a ideia de que a “sociedade”, esse ente abstrato, é mais importante do que indivíduos de carne e osso, transformados, em todo regime socialista, em meios sacrificáveis para o “bem geral”. Seu foco seria, a partir de agora, preservar a liberdade no âmbito individual, com sua concomitante responsabilidade.

O “Estado Babá” seria coisa do passado. O paternalismo daria lugar a um modelo com ampla liberdade, onde cada um assume as rédeas da própria vida e arca com os riscos de suas escolhas. A Anvisa, por exemplo, teria seu poder arbitrário drasticamente reduzido. O poder seria transferido para cada um de nós.

Uma guerra foi declarada contra as máfias sindicais, que mantinham o povo refém de suas ameaças e greves. Em vez de recuar na primeira tentativa tímida de reformar os portos, ela enfrentava os sindicatos e abria as fronteiras para a concorrência, beneficiando milhões de consumidores.

A inflação seria outro alvo prioritário. Ameaçando sair de controle, ela seria combatida com uma forte redução dos gastos públicos, assim como da farra creditícia dos bancos estatais. O espírito de Thatcher focava nas próximas gerações, não nas próximas eleições.

A presidente sabia que o setor privado é infinitamente mais produtivo e eficiente. Os mecanismos de incentivo fazem toda a diferença. A busca pelo lucro é uma força propulsora sem igual para a inovação e excelência. Foi anunciada a retomada de um amplo programa de privatizações, começando pela Petrobras, cujas ações seriam pulverizadas, e cada brasileiro receberia a sua parcela de fato.

Poucos anos após essa medida, a Petrobras não precisava mais importar gasolina, o país era autossuficiente e tinha combustível mais barato. Os cofres públicos ficaram abarrotados com tantos impostos pagos pela maior lucratividade, e sobravam recursos para segurança e infraestrutura. A empresa deixara de ser cabide de empregos para aliados políticos.

A presidente repetia que o país precisava de mais milionários e mais bancarrotas. O mercado deve funcionar sem tanta intervenção estatal. O governo não usaria mais o BNDES como hospital de empresas, nem para selecionar os “campeões nacionais”. Quem planejou mal e investiu errado tinha que ir à falência mesmo. Faz parte do capitalismo. Mesmo se tiver X no nome da empresa!

A postura geopolítica mudara radicalmente também. Era chegada a hora de não ser mais negligente com governos vizinhos que burlavam acordos e contratos. Os interesses partidários e ideológicos dariam lugar aos verdadeiros interesses do povo brasileiro.

Os “bolivarianos” não teriam mais no governo brasileiro um cúmplice de seus projetos socialistas fracassados. Afinal, a presidente, graças ao espírito de Thatcher, havia aprendido que o problema do socialismo é que você eventualmente acaba com o dinheiro dos outros. Como ele não é capaz de criar riqueza, as punições impostas a quem efetivamente produz acabam afugentando os responsáveis pelo progresso da nação.

Quando os jornalistas a chamaram de “presidenta” e tentaram associar sua coragem ao fato de ela ser uma mulher, a presidente interrompeu, rejeitando o uso da cartada sexual. O que importa é o mérito, não o gênero ou a cor da pele. Ela estava cansada da “marcha das minorias oprimidas”, sedentas por poder. Até porque seu novo espírito era o de uma filha de quitandeiro humilde, que nunca precisou usar isso para chegar ao poder.

Eu já tinha um largo sorriso estampado no rosto durante esse sonho, quando uma voz começou a invadi-lo. No começo, era um som baixo e incompreensível, mas aos poucos ele foi aumentando e se tornando mais nítido. Por fim, percebi do que se tratava: um discurso na TV da presidente Dilma.

Ela estava justificando o baixo crescimento, a alta inflação, a desistência da reforma dos portos, a falta de eficiência da Petrobras, a ampliação das cotas raciais, o aumento do programa de esmolas estatais para os mais pobres, o resgate de grandes empresas quase falidas. O sorriso logo de desfez, e uma lágrima escorreu pelos meus olhos.

Aquilo era apenas um sonho. Thatcher estava morta, e seu espírito nunca nos deu o ar de sua graça. Como eu desejei regressar àquele sonho! Restava-me lutar para transformá-lo em realidade. Algum dia...