quarta-feira, abril 17, 2013

A culpa não é do mensageiro. Inflação está alta, preocupa


Míriam Leitão
O Globo

A tendência do governo é sempre não gostar de ouvir a má notícia e acusar o mensageiro. Hoje, a presidente Dilma criticou o "pessimismo de plantão". Não tem nada disso, os dados estão aí. A inflação estourou o teto da meta, o que é preocupante. E o governo, durante muito tempo, deu sinais ambíguos; o discurso incoerente passava a ideia de que não estava comprometido com o combate à inflação. Nos últimos dias, porém, a fala do ministro da Fazenda e do presidente do BC ficou até um pouco mais coerente.

A presidente Dilma quer que a gente ignore o problema da inflação porque a incomoda? Ou prefere atuar, como presidente, deixando que o BC faça seu trabalho, orientando suas autoridades na área fiscal para fazerem a outra parte do trabalho de combate à inflação?

A culpa é de quem dá a notícia? Ao darem a informação, comentá-la, analistas e jornalistas estão alertando para que os riscos não se repitam.

A presidente diz que não há hipótese de o Brasil não crescer. Também acho que há possibilidade de avançar mais do que no ano passado, mas não há garantia de crescimento forte. Hoje mesmo, o FMI o revisou para 3% - não é um número brilhante depois de dois anos de crescimento baixo.

Tem de ficar claro que não são os analistas que são pessimistas, eles apenas alertam para a evolução dos fatos em determinada direção, se o governo não tomar as medidas certas.

Não adianta ficar brigando com o mensageiro. É uma atitude ruim que não combina nem com o fato de que ela preside um governo que tem respeitado a liberdade de imprensa, ao contrário de alguns dos nossos vizinhos.

Hoje, então, o BC vai tomar a decisão sobre os juros. Nos últimos dias, felizmente, o ministro da Fazenda deixou claro que a decisão pertence ao Copom.