Leandro Mazzini , Jornal do Brasil
Brasília. Não são só obras inacabadas e fraudes em programas e repasses do governo para prefeituras que permeiam o assustador relatório trimestral do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre corrupção. Nas auditorias dos últimos três meses, o tribunal encontrou sérias irregularidades, como uma conta bilionárias de taxas não recolhidas ao erário pela Empresa de Infra-Estrutura Aeroportuária, a Infraero - vinculada ao Ministério da Defesa. E pagamentos de pensões suspeitas pelo Ministério dos Transportes.
Esses casos figuram no relatório trimestral do TCU como agravantes e envolvem mais de R$ 1 bilhão. Não por acaso, o presidente do TCU, ministro Walton Alencar, em entrevista ao JB, disse que o foco das investigações atuais estão nesses dois órgãos do governo.
Uma auditoria na Coordenação-Geral de Recursos Humanos do Ministério dos Transportes constatou pagamento indevido de pensões a pessoas já falecidas no valor estimado em R$ 35,7 milhões. Três funcionários do departamento de recursos humanos foram multados em R$ 20 mil. Na Infraero, o caso é mais grave. Envolve o recolhimento de taxas de pouso, permanência de aviões no pátio e auxílio à navegação. O tribunal descobriu que 90% da dívida tarifária das empresas com o governo, no total de R$ 1,7 bilhão, vêm dessas tarifas.
- Hoje, no Brasil, temos que estar atentos às grandes causas - justifica o presidente do tribunal. - Se o TCU pretender investigar cada convênio de R$ 50 mil, não terá condições de apurar os grandes casos.
A preocupação do ministro Walton tem motivos óbvios, tanto pelo vultosos valores nesses dois casos quanto pela origem do problema, que poderia ser sanado com um trabalho simples. Nos Transportes, por exemplo, o relatório indicou ausência de recadastramento anual dos servidores inativos e pensionistas do ministério. E pagamento de pensão a menores sem a devida comprovação da dependência econômica.
Na auditoria feita na Infraero a fim de avaliar o sistema informatizado referente ao processo de arrecadação de receitas, os fiscais descobriram gargalos na gestão que são de envergonhar o setor. Há falhas no controle da tarifa de embarque, acompanhamento deficiente sobre a concessão de áreas comerciais - os aluguéis - e ausência de auditorias nos sistemas de arrecadação nos terminais de carga. Esses setores, já havia denunciado o ex-presidente da estatal, o brigadeiro José Carlos Pereira, são as maiores dores de cabeça da Infraero.
- Há contratos ridículos de aluguéis de balcões de check-in, em grandes aeroportos, no valor de R$ 50 - disse Pereira a interlocutores antes de deixar o cargo há mais de um mês. - Há problemas também nos aluguéis nos terminais de cargas, com valores irrisórios.
O TCU já estava acompanhando esses casos e as auditorias foram reforçadas a pedido do novo presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi. O tribunal também acompanha as novas obras nos aeroportos do país a cargo da estatal, principalmente no caso de Congonhas, a prioridade.
- Nosso desafio é conseguir realizar o trabalho de fiscalização de uma forma rápida e próxima ao momento em que os recursos foram repassados - observou Walton Alencar, ao comentar também as auditorias sobre repasses de verbas.
A diretoria financeira da Infraero informou que a dívida citada é referente a companhias que estão em processo de recuperação judicial e de falência. São elas, a Varig, a Transbrasil e a Vasp, segundo a estatal. O Ministério dos Transportes informou que o próprio órgão já havia detectado as falhas nas pensões. O recadastramento de pessoal, iniciado há um ano, termina no mês que vem. Cinco mil aposentadorias foram invalidadas,gerando uma economia de R$ 4,5 milhões para a União.
Brasília. Não são só obras inacabadas e fraudes em programas e repasses do governo para prefeituras que permeiam o assustador relatório trimestral do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre corrupção. Nas auditorias dos últimos três meses, o tribunal encontrou sérias irregularidades, como uma conta bilionárias de taxas não recolhidas ao erário pela Empresa de Infra-Estrutura Aeroportuária, a Infraero - vinculada ao Ministério da Defesa. E pagamentos de pensões suspeitas pelo Ministério dos Transportes.
Esses casos figuram no relatório trimestral do TCU como agravantes e envolvem mais de R$ 1 bilhão. Não por acaso, o presidente do TCU, ministro Walton Alencar, em entrevista ao JB, disse que o foco das investigações atuais estão nesses dois órgãos do governo.
Uma auditoria na Coordenação-Geral de Recursos Humanos do Ministério dos Transportes constatou pagamento indevido de pensões a pessoas já falecidas no valor estimado em R$ 35,7 milhões. Três funcionários do departamento de recursos humanos foram multados em R$ 20 mil. Na Infraero, o caso é mais grave. Envolve o recolhimento de taxas de pouso, permanência de aviões no pátio e auxílio à navegação. O tribunal descobriu que 90% da dívida tarifária das empresas com o governo, no total de R$ 1,7 bilhão, vêm dessas tarifas.
- Hoje, no Brasil, temos que estar atentos às grandes causas - justifica o presidente do tribunal. - Se o TCU pretender investigar cada convênio de R$ 50 mil, não terá condições de apurar os grandes casos.
A preocupação do ministro Walton tem motivos óbvios, tanto pelo vultosos valores nesses dois casos quanto pela origem do problema, que poderia ser sanado com um trabalho simples. Nos Transportes, por exemplo, o relatório indicou ausência de recadastramento anual dos servidores inativos e pensionistas do ministério. E pagamento de pensão a menores sem a devida comprovação da dependência econômica.
Na auditoria feita na Infraero a fim de avaliar o sistema informatizado referente ao processo de arrecadação de receitas, os fiscais descobriram gargalos na gestão que são de envergonhar o setor. Há falhas no controle da tarifa de embarque, acompanhamento deficiente sobre a concessão de áreas comerciais - os aluguéis - e ausência de auditorias nos sistemas de arrecadação nos terminais de carga. Esses setores, já havia denunciado o ex-presidente da estatal, o brigadeiro José Carlos Pereira, são as maiores dores de cabeça da Infraero.
- Há contratos ridículos de aluguéis de balcões de check-in, em grandes aeroportos, no valor de R$ 50 - disse Pereira a interlocutores antes de deixar o cargo há mais de um mês. - Há problemas também nos aluguéis nos terminais de cargas, com valores irrisórios.
O TCU já estava acompanhando esses casos e as auditorias foram reforçadas a pedido do novo presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi. O tribunal também acompanha as novas obras nos aeroportos do país a cargo da estatal, principalmente no caso de Congonhas, a prioridade.
- Nosso desafio é conseguir realizar o trabalho de fiscalização de uma forma rápida e próxima ao momento em que os recursos foram repassados - observou Walton Alencar, ao comentar também as auditorias sobre repasses de verbas.
A diretoria financeira da Infraero informou que a dívida citada é referente a companhias que estão em processo de recuperação judicial e de falência. São elas, a Varig, a Transbrasil e a Vasp, segundo a estatal. O Ministério dos Transportes informou que o próprio órgão já havia detectado as falhas nas pensões. O recadastramento de pessoal, iniciado há um ano, termina no mês que vem. Cinco mil aposentadorias foram invalidadas,gerando uma economia de R$ 4,5 milhões para a União.