Adelson Elias Vasconcellos
As leituras desta edição mostram um fiapo do fiasco que tem sido o governo Lula seja na condução do tal PAC – verdadeira pilantragem embutida na publicidade mentirosa do caça-votos – seja na má gestão da coisa pública. O ralo pelo qual escorregam milhões de reais em desvarios e ostentação, parece não ter limites. Tal “virtude” não é exclusiva apenas do Poder Executivo. O talento para rasgar dinheiro público em inutilidades acha-se presente em todos os níveis do Poder.
Mas é no Executivo, certamente, que o rasgo atinge proporções gigantescas.
O aparelhamento do Estado e o seu gigantismo crescente, ações implementadas com muito vigor pelo atual governo, tiram da população mais pobre os recursos necessários para qualificar os serviços que a ela são oferecidos. De nada vale distribuir bolsas famílias a mãos cheias se, na hora da necessidade, o pobre morre nas portas dos hospitais públicos antes mesmo de serem atendidos. Ou, mesmo aqueles que neles conseguem vaga, precisam esperar uma eternidade para a realização de exames que lhes indicará o tratamento mais adequado.
Há muito tempo que acuso o absurdo das pesquisas de avaliação sobre o governo: atualmente 77 % da população aprovam o governo Lula, mas os serviços são reprovados por mais de 50% daquele total. Ora, a responsabilidade é de quem pela má qualidade dos serviços públicos? É como se Lula estivesse alheio ao governo. Ora Lula é o GOVERNO, e o governo é comandado por ele, segundo suas diretrizes. O resultado de um governo ser mal avaliado enquanto seu condutor, ao contrário, recebe maciça aprovação, é demonstrativo dos absurdos que nos assaltam.
Portanto, tentando ser informativo, reunimos nesta edição, algumas preciosas informações que contrariam a publicidade oficial, e mostram o quanto o Brasil está distante do imaginário oficial. Pena que a população, dopada pelo assistencialismo, não dê ouvidos à razão e prefere agir como a eleitora alagoana que afirma, sem pestanejar, que votará em Fernando Collor, mesmo ele “roubando”.
Como afirmamos lá atrás, isto é prova indiscutível do por quê da nossa degradação política que, inevitavelmente, acaba se espalhando por toda a sociedade.
Quem assistiu ao programa “Fantástico” da Globo, há tres domingos atrás, deve ter se surpreendido com a reportagem levada ao ar sobre a pirataria e seus malefícios para a economia do país. Para uns a reportagem pode ter escandalizado, para outros, não valeu a menor preocupação. Porém, deveria aquela reportagem ter servido para indignar a todos, porque a não ser os espertalhões, todos os demais, consumidores principalmente., são prejudicados. E que se note: a pirataria atinge as proporções absurdas no Brasil por conta do desinteresse do Governo em, primeiro, fiscalizar e, segundo, em proteger as empresas nacionais e os empregos que elas poderiam gerar. Afora, claro, seu próprio caixa.
E por que a pirataria atingiu níveis alarmantes em nosso meio? Porque os produtos nacionais, devidamente legalizados, face o Custo Brasil, acabam tendo seus preços inflacionados, fora, muitas vezes, do poder de compra dos trabalhadores brasileiros. Porém, quantos milhões de empregos estamos gerando lá fora, e quantos postos de trabalho estão sendo fechados aqui dentro, por conta da pirataria? E já nem se diga dos imensos prejuízos e danos à saúde no caso da falsificação de medicamentos e até de óculos de grau!!!
E o governo Lula ao invés de coibir a ação dos larápios, acaba mesmo é beneficiando-os, pelo desinteresse em fiscalizá-los e puni-los.
Também no campo dos investimentos públicos, sabe-se que o Brasil poderia estar crescendo bem mais elevados do que os que se tem registrado nos últimos anos. Porém, são imensos os obstáculos para que tal aconteça, a tal ponto de que se poder afirmar, com tranquilidade, que o país cresce... apesar do governo que tem.
Assim, também, pode-se aferir se os investimentos em educação estão sendo bem aplicados ou não. A forma de se avaliar são os exames internacionais, o PISA e neles, bem... a posição brasileira neste ranking é vexatória, tanto quanto vexatória é a nossa posição no ranking do analfabetismo que, apenas tomando-se por medida a América do Sul, temos uma das taxas mais altas.
Claro que os indicadores oficiais são incontestáveis. Mas, nem por isso, a candidata governista se esmera em exibi-los. Prefere a maquiagem, a manipulação, no sentido de apresentar como competente, uma gestão pública de ridícula atuação.
Olha, não é de hoje que se alerta nossos governantes sobre a necessidade de estancar as despesas correntes. O momento é muito propício para isso. O crescimento constante da arrecadação permite que o governo brasileiro possa produzir uma alavancagem nos investimentos em infra-estrutura, tão necessários para permitir que tenhamos, em futuro próximo, crescimentos em índices maiores que os atuais. Isto é indispensável, porquanto basta que se tenha ligeira aceleração nos índices, e lá vai o Banco Central elevar as taxas de juros para conter o crescimento, ou frear seu ritmo por falta justamente das condições mínimas necessárias para a sustentabilidade de índices mais elevados. É até incrível que nossas autoridades não se deem conta de fato tão simples: investir em infra-estrutura, assim como em educação, atrai novos investimentos, desta vez que gerarão emprego e renda, dando o retorno multiplicado ao que, no presente, se poderia aplicar em estradas, portos e aeroportos, hidrovias além, é claro, de uma necessária desburocratização na área tributária, por adoção de mecanismos simples e eficazes. Mas qual? Esta gente o menos olha é o benefício geral do país, não desgrudam os olhos do pleito mais próximo e, assim, conduzem as políticas públicas pensando apenas em seu futuro político.
Olhando sob tal prisma, é injustificável um presidente da república e seu ministro da fazenda virem a público cantar marra afirmando que a carga tributária não é elevada, que poderia até ser maior. Olha, convenhamos: ninguém se prestaria em reclamar por pagar mais impostos, desde que tivesse o competente retorno em serviços públicos de qualidade. Quem, a não ser políticos em campanha eleitoral, é capaz de se dizer satisfeito com o que temos em matéria de educação, segurança pública, saúde e infraestrutura?
Assim, pela precariedade com que somos servidos qualquer imposto que se pague é muito.Um exemplo desta sandice é o que se viu no campo da informática: enquanto computadores pessoais foram considerados artigos de luxo, sua aquisição era permitida apenas para poucos. No momento em que se aplicou um choque de realidade com desonerações tributárias, hoje ele está ao alcance de toda a população. Outro exemplo é o telefone: enquanto foi estatal, era artigo de luxo. Privatizada as telecomunicações, temos, só em celulares, cerca de 190 milhões de linhas, praticamente uma linha por habitante.
A propósito: recomendo que leiam o artigo do Carlos Sardenberg, publicado na Folha de São Paulo e aqui reproduzido sob o título UMA AMEAÇA: TENTE ABRIR UMA EMPRESA”. Ali se estampa muito bem a distância que separa o Brasil do mundo civilizado.
Retomando, vemos, agora, o governo Lula investindo milhões para reestruturar novas estatais que, como já aconteceu no passado, servirão apenas para cabide de emprego, oferecerão serviços ridículos sem proveito algum para a sociedade e a custo que, se aplicado em outras áreas bem carentes, significariam melhoria na qualidade de vida de TODA a população, e não apenas de alguns poucos deslumbrados.
E, apesar da escassez destes investimentos, apesar da precariedade dos serviços públicos, apesar da imensa herança maldita que será transmitida a quem ocupar o planalto a partir de janeiro de 2011, a população parece preferir que haja continuidade desta política vesga e ultrapassada. Prefiro ver este quadro pela janela da desinformação, da má formação educacional e do uso descarado dos recursos e da máquina pública para a continuidade de um projeto que é apenas de poder, e nunca de país.
Neste sentido, dentre as inúmeras maneiras desonestas de que se vale o governo Lula para impor seu projeto de poder, nas leituras de hoje temos dois exemplos: um, o uso da máquina contra o que ele, governo, entende ser inimigo. A Vale que o diga. E a outra, é falsear e manipular dados de realizações que não fez, ou se apropriar da obra alheia como sendo costumeiro. E não adianta esbravejarem: aí está o site do Contas Abertas, desmascarando, todos os dias, as inúmeras mentiras contadas pelo atual governo sobre seus feitos que não passam de farsas montadas – e caras, dado que o que se gasta (ou se torra) em verbas de publicidade oficial - para tentar se mostrar mais do que é. E, a julgar pelo andar da carruagem, neste campo, ao menos, tem-se sido de uma eficiência impressionante.
Cedo ou tarde, o brasileiro médio se aperceberá do engodo que lhe está sendo administrado. É de se esperar que não seja tarde demais. E é por isso que não importo com que o vier acontecer em 3 de outubro próximo. O tempo, melhor do que tudo, se encarregará de contar a verdadeira história do Brasil neste período de Lula no governo. E aí não haverá propaganda suficiente para impedir que as máscaras sejam arrancadas de vez.


