quinta-feira, março 06, 2008

O cinismo e a hipocrisia desta gente rasteira não têm limites

Adelson Elias Vasconcellos

Vamos lá: primeiro, a Venezuela afirma que não fechará as fronteiras, mas seus batalhões e parte da Força Aérea se moveram em direção à fronteira. Na escola de gente decente como se chama a ação venezuelana, intimidação ? Ameaça de conflito armado ? Ameaça de agressão bélica ao país vizinho ? E, em que finito momento a Colômbia tocou em um fio de cabelo de algum venezuelano ? O assunto, por acaso, não envolve apenas Colômbia e Equador? Quem chamou Chavez a meter o bedelho onde não foi chamado ?

Já o presidente do Equador, Rafael Correa, tão logo foi anunciada a morte do guerrilheiro e terrorista Raúl Reyes, nada fez como também sequer se importou com o fato, não tem o direito de chamar quem quer que seja de canalha. A começar que ele só assumiu a reação arrebatada quando “muy amigos” o “incentivaram” a faze-lo. Segundo, porque o exército colombiano abateu terroristas seus, e sem colocar em risco nenhum cidadão equatoriano. Terceiro, porque ficou claro nos documentos em poder de Raúl Reyes e seu bando que o governo equatoriano estava dando abrigo a terroristas responsáveis por centenas de crimes, como assassinatos, depredação, seqüestros, cárcere privado, contra o país vizinho. Assim, ou seu país foi invadido por terroristas e criminosos sob seu consentimento, o que vale por agressão a um país democrático e com um governo legalmente estabelecido como a Colômbia, ou ele é aquilo que é, um canalha perfeito. Falta ao presidente do Equador moral para se indispor com o presidente Uribe.

Vamos repetir: em momento algum, a ação colombiana colocou em risco nenhum cidadão equatoriano. Quanto mais, mover alguma palha contra a Venezuela. Simplesmente perseguiu e abateu terrorista e criminosos fugidos de seu país para o país vizinho, Equador, sem que este país esboçasse um único gesto de contrariedade, enquanto os terroristas estiveram em suas fronteiras. Até pelo contrário, acolheu-os e com eles firmou “parcerias”.

De parte do Brasil, o ministro Celso Amorin JAMAIS poderá negar aos EUA o direito que este país tem de se envolver em conflitos que ocorrerem no continente americano, primeiro por ser membro permanente da OEA, portanto, pode votar sobre todas as questões que ali se debater. Segundo, porque tem interesses econômicos na região, e em todos os países os EUA comparecem com empresas e investimentos, além de cidadãos seus que vivem e moram por aqui. Por que então não haveria de envolver-se ? E, por fim, a não se admitir a intromissão dos EUA, muito menos se deve admitir a intromissão de Chavez, que, aliás, outra coisa não tem feito senão intrometer-se em assuntos internos dos outros, e até o de envolver-se em eleições livres, inclusive abastecendo o caixinha de candidatos que lhe sejam simpáticos, tal como ocorreu recentemente na Argentina, quando a então candidata e atual presidente, Cristina Kirchner, recebeu duas malas lotadas de dólares. E isto não é boato, é fato e todos sabem. Portanto, o ministro Amorin perdeu um boa chance de ficar de boca fechada para não dizer tolices.

E quanto a declaração do presidente do Equador de que a Colômbia não quer a paz, é pura delinqüência. O que mais a Colômbia, e não é de agora, é de há muitos anos, é paz. O que não será possível se vizinhos comandados por governantes deprimentes como Rafael Correa e Hugo Chavez ficarem dando guarida e apoio para terroristas e criminosos fugidos de seu território.

Para encerrar: o ministro Celso Amorin foi indagado sobre sua posição quanto a declaração de Rafael Correa, em Brasília, de que o Brasil poderia ter a presença dos guerrilheiros da FARC. O que o ministro respondeu ? Que confiava no Exército e este assegurara de que não havia, no norte do país, a presença de terroristas colombianos das FARC’s. Seria oportuno que o ministro Celso Amorin visitasse alguns acampamentos do MST. Tem guerrilheiro falando espanhol, e dando aulas de guerrilhas para os sem-terra. É só bater um papinho com o Stédile, ministro. Não precisa ser a turma do Exército... Afinal, a última coisa que um guerrilheiro faria seria montar um acampamento em frente de um quartel, não é mesmo ?

Pelo menos esta crise serviu para despertar em alguns órgãos de imprensa para uma realidade existente no continente sul-americano, e para a qual muitos até hoje torceram o nariz e ignoraram: é que as FARC’s não ´são apenas terroristas a cometerem crimes bárbaros na Colômbia. Eles são, também, aliados políticos de todos os partidos de esquerdas do continente, e todos juntos compõem o Foro de São Paulo fundado por Lula e o ditador criminoso Fidel Castro. E mais, que Lula, já sob o mandato presidencial, compareceu ao Congresso do tal Foro para congratular-se com os companheiros pelas conquistas políticas obtidas em diferentes países da região, a saber, dentre outros, Venezuela, Bolívia, Argentina, Equador, Nicarágua e ... Brasil. Sim, eles estão no meio de nós. E basta que se lance um ligeiro olhar para o quadro político-institucional brasileiro e se perceberá as digitais desta “boa” gente. Daí, porque o deputado José Genoino (PT-SP), que integra o "baixo clero" da Câmara desde o seu envolvimento no escândalo do mensalão, saiu ontem das sombras para defender a "legitimidade" dos narcoterroristas das Farc, cujo vice-bandidão Raúl Reyes foi morto por forças militares colombianas na floresta equatoriana, onde mantinha uma base. Entre outras sandices, Genoino - que fez parte da guerrilha no Alto Araguaia, insurgindo-se contra a ditadura militar brasileira - acha também que o bandidos das Farc, por "guerrilheiros", têm o direito de "transitar livremente" nas fronteiras dos países da Amazônia. E assim também compreende-se o total silencio de Lula e de Celso Amorin em relação aos terroristas. Afinal, não são todos sócios do mesmo clube ?

Equador,Colômbia e Venzuela: faces do conflito

Crise 1 - Venezuela não fechará a fronteira com a Colômbia
AFP

A fronteira entre Colômbia e Venezuela, de 2,2 mil km de comprimento, não foi e nem será fechada em conseqüência do conflito diplomático entre Caracas, Bogotá e Quito, afirmou o ministro venezuelano da Defesa, Gustavo Rangel.

Apesar das afirmações do ministro, a Força Armada da Venezuela iniciou hoje uma mobilização de dez batalhões na fronteira com a Colômbia, cumprindo ordens do presidente Hugo Chávez.

"Nós não recebemos nenhuma instrução para fechar a fronteira", disse o ministro em uma entrevista coletiva. "O presidente (Hugo Chávez) deu instruções? Alguém ouviu uma orden do presidente Chávez de fechar a fronteira?, questionou Rangel.

"Como esta ordem não foi dada, esta ordem não se cumpre", completou. O ministro disse que a ordem de Chávez foi deslocar para a zona de fronteira com a Colômbia 10 batalhões e que estas instruções já foram cumpridas.


Crise 2 - Amorim: EUA não devem se envolver em conflito latino
Jeferson Ribeiro, Redação Terra

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta tarde que o conflito entre Colômbia e Equador está circunscrito à região e não deve ter dimensões maiores, envolvendo os Estados Unidos, por exemplo. O ministro frisou ainda que é fundamental que a Organização dos Estados Americanos (OEA) tome uma posição ainda hoje e crie uma comissão de investigação para analisar o tema.

"Acho que isso aqui é um problema sul-americano e latino americano. Claro que fazemos parte da OEA e, apesar dos Estados Unidos participar, temos que manter essa questão no plano latino-americano e evitar que haja uma polarização na região", salientou ao ser questionado sobre as declarações de apoio à Colômbia dadas pelo presidente George Bush ontem.

Amorim disse que se a OEA não tomar uma decisão hoje pode haver o acirramento dos ânimos e outras instâncias da diplomacia poderão ter que atuar. Um exemplo é a reunião do Grupo do Rio, que começa amanhã em Santo Domingo, na República Dominicana. A grupo reúne chanceleres de todos os países latino-americanos e pode se tornar fundamental para um acordo pacífico entre Equador e Colômbia.

"A credibilidade da OEA está em jogo. Ela precisa se manifestar rapidamente, criando a comissão de investigação para examinar todos os fatos em relação essa incursão da Colômbia no Equador", afirmou.

Amorim rechaçou também a idéia de que o Brasil está ameaçado com um conflito armado entre os dois países, mas reiterou que isso traria prejuízos para o desenvolvimento da região como bloco econômico.

O ministro disse também que o encontro entre o presidente Lula com o presidente do Equador, Rafael Correa, demonstra que o Brasil está tentando alcançar uma solução pacífica para a crise. Segundo Amorim, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, já manifestou interesse de vir ao Brasil e Lula está disposto a recebê-lo assim que for possível. Amorim negou que o Brasil esteja trabalhando para isolar a Colômbia.

"O presidente Lula me disse Lula que também está interessado em receber Uribe, que já demonstrou interesse em vir ao Brasil, mas ainda não sabe quando", afirmou.

Crise 3 - "Eles não querem a paz", diz Correa sobre Colômbia
Jeferson Ribeiro

Depois de se reunir com o presidente Lula por cerca de uma hora, o presidente do Equador, Rafael Correa, voltou a criticar a Colômbia ao dizer que o país vizinho não reconheceu seu erro e tem construído "mentiras" contra seu governo. "Eles não querem a paz", disse hoje o presidente do Equador.

Correa voltou a dizer que seu país irá até as últimas conseqüencias para defender a soberania, após a crise diplomática desencadeada por uma ação militar da Colômbia em território equatoriano no último sábado que culminou na morte do líder das Farc, Raúl Reyes.

Correa continuou a argumentar que é preciso uma condenação em organismos internacionais contra a Colômbia para que não se repitam invasões em outros países da América Latina.

Ao término do encontro com Lula, Correa queria conceder uma entrevista à imprensa brasileira. Porém, conseguiu apenas o apoio do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorin, que ficou ao seu lado durante uma declaração breve aos jornalistas. Correa deixou claro que o objetivo de sua visita aos países da América Latina é reunir forças políticas e isolar a Colômbia.

"É a hora da união latino-americana. Confiamos nessa comunidade. Queremos que se condene o agressor (o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe) para que nunca mais um presidente tome um atitude como essa na América Latina. Se aceitarmos como argumento o que a Colômbia usou para invadir nosso país, todas as nações poderão bombardear uns aos outros. Podemos bombardear Bogotá com argumento de que há terroristas lá", disse Correa.

O presidente Equatoriano começou seu giro pelos países da América do Sul na tarde terça, no Peru, e depois do Brasil segue viagem para a Venezuela, onde se encontrará com o presidente Hugo Chávez. Correa ainda pretende ir ao Panamá, Nicarágua e República Dominicana, antes de retornar ao Equador.

O presidente equatoriano disse que confia na comunidade internacional e nos organismos unilateriais, e por isso espera que eles dêem uma "resposta rápida", e pediu que a Organização dos Estados Americanos (OEA) forme uma comissão de investigaçãopara mostrar como se deu a invasão colombiana ao Equador.

Repetindo a ameaça que fez ontem, o mandatário do Equador assinalou que poderá entrar em guerra com a Colômbia. "Não vamos permitir este ultraje à nossa soberania, e vamos até as últimas conseqüências. Somos soberanos. Trabalharemos com a comunidade internacional. Mas trabalhermos sobretudo com as nossas próprias forças. Nao permitiremos um ultraje ao nosso governo", afirmou Correa.

Ele agradeceu ao opoio do Brasil e de seu "amigo" Lula e disse que Amorin soube condenar sem ressalvas a invasão da Colômbia ao território equatoriano."

Redação Terra
No próximo post comentaremos as notícias acima.

Bate-boca de fuzuê de boteco

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Na cadência em que encrespa a troca de desaforos entre o presidente Lula e seu antecessor e desafeto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso os próximos capítulos do bate-boca deverão passar pelo juizado de menores e advertir os desatentos para retirar as senhoras da sala da TV e enxotar as crianças para o mais longe possível. Sem que se entenda o motivo, Lula mistura no mesmo tacho os auto-elogios com a recaída na exasperação da língua solta. Pisou na bola murcha do chulo, da qualificação severa do Aurélio, quando prometeu uma roda de porrada aos arrelientos desafetos.

E empurrou FH para o palco para recitar o troco com trechos de irada veemência, em que sobrou moeda. O ex-presidente dedica seu tempo às palestras muito bem remuneradas pelos quatro cantos do mundo e procura manter o laço frouxo com seu partido e aliados.

Ora, a CPI dos Cartões brotou no terreno adubado das denúncias de despesas indefensáveis de ministros e secretários para pagar contas de free shops e o aluguel de carro de luxo com motorista para passear em dias de folga. Se o governo não acode para apagar o foco de incêndio, a CPI dos Cartões seria instalada na quentura de fim de mundo. Mas, se está mesmo mordendo os dedos até arrancar sangue e pedaços de unha para o gol que empate o jogo com o seu antecessor, o próprio e principal alvo dá a fórmula simples e direta: "Todos os documentos pertinentes, deste e dos governos anteriores, estão nas mãos do próprio governo. Bastaria investigar, denunciar, punir e pronto".

Se a pinimba de Lula fosse apenas com seu inimigo número 1, dava para entender. Mas a metralha dispara para todos os lados e atinge os três poderes. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio Mello, não pode ser acusado de poupar palavras nem de amortecer as críticas no revide aos reparos às suas decisões. No último pito ao governo, advertiu sobre a ilegalidade do anunciado propósito de aumentar os gastos com programas sociais neste ano eleitoral. A resposta de Lula vai além do destampatório para atolar na chulice de mandar o presidente do STF "meter o nariz apenas nas coisas dele" para não ficar dizendo sandices e renunciar à toga, disputar um mandato político para "falar as bobagens que quiser".

Ora, a quem aproveita a desatinada abertura de frentes de atrito no segundo ano do mandato da reeleição e com eleições para prefeitos e vereadores?

Lula não pretende calar opositores com ameaças não se sabe de quê. E, ao contrário, se o bom senso aconselha aos governantes manter o relacionamento respeitoso e cortês com o Judiciário e o Legislativo, este é o pior momento para as provocações da insensatez.

A CPI dos Cartões vai começar com um monte de denúncias a investigar. Se a folgada maioria governista, com 16 das 24 vagas da CPI, assegura o controle das decisões, o palco com ampla cobertura de TVs, a começar pela TV Senado, da mídia com a carga cerrada de jornais e revistas, é o espaço perfeito para as evoluções do bloco da oratória oposicionista.

Ninguém segura CPI se ela bate no ponto vulnerável da denúncia de roubalheira envolvendo o elenco do primeiro time do governo.

Os lançadores de foguetes e uma ação imbecil do PT

Adelson Elias Vasconcellos

A crise entre Equador e Colômbia acabou me obrigando a por de lado um assunto que merece a máxima atenção de todos quantos desejam um Brasil legitimamente democrático,calcado em valores morais elevados,principalmente de parte do Poder Público.

Vocês devem lembrar que, no dia em o governo do Luiz Inácio lançou o tal Territórios da Cidadania, imediatamente foi criticado pelo ministro Marco Aurélio do STF. Aliás, oportunamente, o ministro lembrou que, estando no poder desde 2003,o governo deixou apenas para 2008 o lançamento do programa, o que poderia caracterizar sim um programa eleitoreiro, mais um dentre tantos promovidos pelo governo e, claro, às custas do contribuinte que continua sem segurança, sem estradas, sem educação, sem saúde, sem nada do que ele deveria por direito seu e dever do governo ser entregue em troca do sustento de uma máquina paquidérmica instalada no Estado Brasileiro.

Porém, o tal do Luiz Inácio não gostou da crítica, direito que cabe a qualquer cidadão brasileiro deva-se dizer, principalmente que o sustentam com o peso dos impostos que lhes são extorquidos. Além disto, o ministro afirmou que aquela era sua opinião, mas que o assunto seria ainda apreciado, à luz do aparato legal existente no país, pelos demais ministros do Judiciário, já que a oposição, imediatamente, pediu a inconstitucionalidade do programa.

Na verdade, o governo Lula tem sido mais produtivo do que a base da Nasa nos Estados Unidos: a cada dois, três meses, temos assistido em espetáculos com grande pompa e circunstância, o lançamento de programas e mais programas, lembrando muitas vezes aquilo que os militares praticaram ao longo dos mais de 20 anos de ditadura militar instalada em 1964. Rigorosamente, analisando programa a programa, a maioria não passa de, ou um enorme jogo de cena de marketing político-eleitoreiro, ou de uma longa fieira de cartas de boas intenções. Basta lembrar, por exemplo, que, em termos de segurança pública, este governo já lançou 4 “grandes” programas, e nem por isso a criminalidade no país sofreu alguma redução, até pelo contrário. Vejam também o que se fez com o tal pac: foi um tal de pac aqui, pac acolá, a se perder de vista. E o que se viu? No campo da infra-estrutura – energia,portos, rodovias, aeroportos – praticamente 90% de tudo o que foi anunciado ou já estava em andamento, vindo de governos passados, ou o governo Lula os recebeu ainda na fase de projetos, porque de original mesmo, o pac da infra-estrutura não trouxe nada de novo. Apenas se juntou obras e projetos num grande “programa” de marketing político. Só isso. Ah, é bom que se diga: no campo da energia elétrica, por exemplo, este governo ainda não conseguiu acrescentar um miserável quilowat a mais na nossa capacidade de geração desde 2003. Mas a cantilena publicitária está lá, para que o Luiz Inácio seja aplaudido pelas massas.

Da mesma forma, no campo dos programas sociais. Vocês leram o artigo que reproduzimos aqui do Ali Kammel, de O Globo (clique aqui ). O truque que o Luiz Inácio se utilizou para bancar-se como o “pai dos pobres” foi fundir num único programa aqueles já existentes, a maioria dos quais implementados no governo FHC, mudar-lhes o nome para BOLSA FAMÍLIA, e jogar muita publicidade. Claro que ele cuidou para que o programa levasse em conta dois aspectos importantes para seu interesse pessoal: primeiro, que fossem afastadas as “amarras” ou as condições básicas que definiam quem deveria receber a ajuda financeira federal. Com isso, estava aberta a porteira para o programas fazer o maior número de abrigados possível. Segundo, cuidou para que o programa não tivesse portas de saída. Uma vez no programa, dificilmente o indivíduo se sentiria estimulado a dele sair. Ou seja, criou-se a eterna dependência do estado paternalista. Nada mais eleitoreiro do que isso. Com tais cuidados, e calcando-se sobre uma imensa máquina de propaganda, o programa tornou-se o carro chefe da propaganda eleitoreira, tanto que graças ao Bolsa Família pode posar com índices de popularidade de que desfruta, acima de 60%, enquanto o próprio governo do qual é o mandatário, mal cruza a linha de 5% de confiança da população. Nada mais paradoxal do que isto, mas também o fenômeno está perfeitamente justificado olhando-se para a realidade do país.

Portanto, se o BOLSA FAMÍLIA fosse um programa social na acepção da palavra, deveria abrigar em suas linhas mestras não apenas a ajuda financeira, mas também a necessária orientação para as famílias poderem encontrar os caminhos para que elas pudesse não mais serem dependentes do Estado. Deveria oferecer cursos de aprimoramento profissional, cursos de orientação em planejamento familiar, melhorar a qualidade de vida nos bairros em que as famílias moram, oferecendo tudo aquilo que é dever do Estado, e direito dos indivíduos. Mas aí, claro, o Luiz Inácio perderia a metade boa (e que realmente interessa) para alardear-se em novos lançamentos de programas mirabolantes.

Reparem que o tal “territórios” foi lançado em ano eleitoral, e mesmo que a lei nada dissesse em contrário, a forma como o programa foi lançado é no mínimo imoral. A lembrar: no final do ano passado, quando se discutia a renovação da cobrança da CPMF várias vezes alertamos que, as razões que levavam o governo a se digladiar e até a chantagear a sociedade brasileira em prol da CPMF, nada tinha de “social” ou de “saúde pública”. Os previstos 40 bilhões de reais anuais iriam sim destinar-se a abastecer todo o aparato oficial com vistas as eleições municipais a serem realizadas neste ano. Até porque, apesar do governo Lula estar arrecadando desde 2003 a CPMF, nem por isso a saúde pública melhorou, até pelo contrário, piorou vergonhosamente. Então, o problema da saúde no Brasil nunca foi falta de verbas, foi capacidade de gestão. Aí estão os escândalos dos Sanguessugas e dos Vampiros, apenas para ficarmos em dois exemplos, demonstrando o quanto de dinheiro público foi para o ralo e que poderiam, se aplicados e gerenciados com competência, ter melhorado a saúde pública dos brasileiros.

Ao perder a CPMF, o governo do Luiz Inácio precisava e ainda precisa de bons apelos nas urnas. Os petistas sabem que dificilmente farão o sucessor de Lula, muito embora 2010 esteja muito longe, e não se pode fazer pouco da capacidade desta gente de “criar” climas e destruir reputações de gente inocente. Deste modo, para eles as eleições municipais são estrategicamente importantes para seu projeto de poder, garantindo o retorno à presidência mais adiante, em 2014, por exemplo. Tanto que é assim, que até agora, e apesar da na eleição de 2006 Lula ter prometido que acabaria com o instituto da reeleição para os cargos executivos, até este momento não se viu um único movimento nesta direção. E é justamente por isso que não se pode descartar que eles ainda sonham em um terceiro mandato. Mas, para que isto seja possível, as eleições em 2008 são vitais, e é por isso que os programas, sejam sérios ou não, mas alicerçados em campanhas de marketing vistosas e vitoriosas, precisam aplainar as resistências para criar o clima do terceiro mandato. Com esta gente nunca é demais colocar as barbas de molho. Afinal, os petistas já provaram que escrúpulos e ética é algo que eles definitivamente não possuem.

Assim, a crítica do ministro Marco Aurélio ganha corpo e sentido. Aliás, temos visto que o governo Lula já colocou o Congresso a cabresto, e apesar de algumas encenações dos partidos de oposição, Lula pode conseguir o que bem entende. A chave do cofre ainda está em suas mãos... Portanto...

Visto sob tal ângulo, não surpreende nem um pouco que agora a bancada petista se dedique a tentar colocar o Poder Judiciário debaixo do chinelo, para que ele se torne tão submisso quanto interessa ao Executivo. Pura coação. Muito embora saibamos que o ministro Marco Aurélio é independente o suficiente para não se subverter aos caprichos de chinocas destrambelhadas.

E é bom lembrar que a ameaça de ação do PT contra o o ministro Marco Aurélio se fundamenta numa balela intrigante. O que os valentes dizem ou se justificam para interpor a ação? Segundo a Lei Orgânica da Magistratura, está dito “Art. 36 - É vedado ao magistrado: (...) III - manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério"
Ora, volte-se o relógio do tempo ao momento em que o ministro fez sua crítica: nada havia de processo pendente de julgamento. Deste modo, a opinião do ministro foi legítima, tão legítima quanto sua crítica, porque o tal Território da Cidadania é sim um programa eleitoreiro e feito ao arrepio da lei. Compete aos partidos de oposição tentar barra-lo. E note-se: não se trata de prejudicar o povo não. Tudo o que está previsto no tal programa pode ser incluído no Bolsa Família, aliás já deveria até ter sido feito. E se alguém esqueceu de faze-lo deveria ter sido incluído nos diferentes pacs que o governo Lula lançou. Porque, convenhamos, o que o país precisa não é de mais lançadores de foguetes, e sim de realizações concretas no campo da educação, do saneamento básico, da energia, dos transportes, da segurança pública, e para isto já há programas demais. Falta tira-los do papel. E para isso, não é de propaganda que este governo precisa, e sim de capacidade gerencial para realiza-los. A propósito: por onde andará o ministro das tais ações de longo prazo ? .

Os carinhos de Lula

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

A recepção em Brasília, à beira do Lago Sul, na mansão do empresário paulista Rudi Bonfiglioli, líder do grupo do Banco Auxiliar de São Paulo, parecia festa das Mil e Uma Noites. Champanhe francês, vinhos magníficos, empresários, políticos, jornalistas e o poder, a começar do presidente João Batista Figueiredo.

Onze da noite, em torno da piscina, um grupo conversava. Chega o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Luiz Eulálio Bueno Vidigal Filho, cumprimenta o general Danilo Venturini, chefe do Gabinete Militar da presidência da República:

- General, tenho uma idéia que gostaria de levar ao governo. Já que o governo não está dando dinheiro aos empresários, pelo menos poderia dar carinho. Gestos de carinho. Por exemplo: nas viagens ao exterior, o presidente poderia convidar alguns empresários para irem no avião dele.

O empresário
O general ficou calado, ouvindo. Luiz Eulálio foi em frente:

- Agora mesmo, o presidente está preparando sua viagem à Alemanha. Poderia convidar dois empresários para irem no seu avião. Seria um carinho.

- Quais empresários, por exemplo?

- O Bardella e eu.

Calado estava, calado o general continuou. Pasmo de espanto, Cláudio Bardella nada disse. Os demais empresários, políticos e jornalistas apenas sorriram. Do silêncio e do carinho.

O ministro
Lula também gosta de "dar carinho". Para o povão, o Bolsa Família, mais do que justo, justíssimo: R$ 12 bilhões este ano, uma ninharia diante dos R$ 20 bilhões de lucros líquidos que garantiu, no ano passado, apenas aos quatro maiores bancos, e sobretudo diante dos devastadores R$ 160 bilhões de juros que pagou aos banqueiros e repetirá neste ano.

Para o Congresso, é conhecido o velho carinho de Lula: "300 picaretas na Câmara" e o Senado não servem pra nada. Agora, Lula resolveu "dar carinho" também ao Judiciário. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (e membro do Supremo), o veterano e respeitado ministro Marco Aurélio Mello, lembrou que os comícios nos estados, em ano eleitoral, para lançamento do programa Territórios da Cidadania (R$ 11 bilhões distribuídos a mil municípios escolhidos a dedo), são proibidos pela Lei Eleitoral. Lula escoiceou.

O tribunal
"É preciso perguntar a quem falou essa sandice (sic), se ele quer ser ministro ou político. Se quer ser político, renuncie lá e se candidate a um cargo para dizer as bobagens (sic) que quiser. Meta o nariz nas coisas dele e não nas coisas dos outros". (E ainda, hilariamente, comia os "ss"). Aurélio: "Sandice: necedade, parvoice, insensatez, tolice". "Necedade: ignorância crassa, estupidez, inépcia". "Parvoice: demência".

O ministro continua estupefacto com o tom de Lula, relembra o que manda a Lei Eleitoral e confessa que ficou "surpreso com o azedume". Também ele viu na TV o discurso de Aracaju e por isso relevou, deixou pra lá: mais uma vez Lula não sabia o que estava falando. No palanque, Lula estava vermelho, olhos injetados, rosto empapuçado, bem ao lado do "compadre Deda", governador de Sergipe, velho "companheiro de copo e de bar", como na canção de Vicente Celestino. Em Garanhuns, em Jaguaquara, "carinho de jegue é coice".

Gabeira
Até que enfim apareceu um candidato a prefeito do Rio, que merece, honra e dignifica um voto: Fernando Gabeira. Os partidos que devem apóia-lo não podem deixar o Rio condenado a afundar-se ainda mais nos desvarios mussolínicos de César Maia, que renunciou e não avisou.

Também não pode a cidade ser afrontada pelos sacos de dinheiro (lembram-se do Maracanã?) do falso "bispo" Macedo, proprietário de dois candidatos: o sobrinho "bispinho" Crivela e Wagner Montes. O PT no Rio não tem voto, pode lançar qualquer um só para encher o tempo de TV.

As grandes cidades do mundo, Nova York, Paris, Londres, Berlim, já sabem que um prefeito ruim é muito pior do que um governador e um presidente ruins. A população acorda, vive, dorme sujeita à competência ou demência do prefeito. Se é um insensato ou um corrupto, a cidade está frita. O verão está indo embora meio tosco, mas nos deixa esta bela notícia.

Palocci
Palocci, o inadequado, foi afinal denunciado pelo procurador geral da República por haver violado o sigilio bancário do caseiro Francenildo, que cometeu o "crime" de testemunhar suas tórridas tardes de amor. Palocci fingia de varão da República irritantemente escorado numa palavra: "adequado". Tudo para ele era "adequado" ou "não adequado". Não era "adequado" abandonar o gabinete às 18 horas para ir à farra.

Dilma
Escalada candidata do PT em 2010, a ministra Dilma já foi à feira:

"O que não dá mais é o País viver de abobrinha".

Muito gentil a competente e séria ministra. Ela chama os escândalos do mensalão, dos vampiros, dos sanguessugas, dos cartões "incorporativos", etc., de abobrinhas. Ministra, são jacas imensas, rotundos pepinos.

O que se espera do Brasil

Editorial do Estadão

Todos os governos sul-americanos condenaram, com maior ou menor ênfase, a invasão do território equatoriano por forças militares colombianas. Não podia ser diferente, diante de uma clara violação do direito internacional. O presidente Rafael Correa já iniciou uma rodada de visitas a seus colegas latino-americanos - estará hoje em Brasília - para pedir-lhes apoio para a condenação da Colômbia na reunião de emergência convocada pela Organização dos Estados Americanos para examinar a crise. Também isso é procedimento de praxe nesses casos.

Mas o problema não é simples como pode parecer à primeira vista. A incursão colombiana não pode ser caracterizada como um ato gratuito e imotivado de agressão. Os governos do Equador e da Venezuela têm dado, abertamente, proteção a uma quadrilha de traficantes de cocaína e seqüestradores de vítimas inocentes, que pretende ser reconhecida como uma guerrilha ideológica que luta contra um regime político, por acaso democrático. Se os países da região decidirem isolar política e economicamente a Colômbia, terão dado uma inestimável ajuda aos inimigos da democracia naquele país - e no continente.O chanceler Celso Amorim, em nome do governo brasileiro, considerou insuficiente o pedido de desculpas encaminhado pelo presidente Álvaro Uribe ao governo equatoriano e sugeriu que seja feito outro, acompanhado do compromisso formal de que não se repetirá a invasão do território do Equador. Hoje, o presidente brasileiro terá a oportunidade de fazer ao presidente Rafael Correa uma exigência igualmente enérgica e justa: a de que o governo equatoriano assuma o compromisso solene de não permitir a instalação de acampamentos e o trânsito de narcoguerrilheiros das Farc em seu território. Se esse tipo de exigência não for feito a Correa e estendido ao caudilho Hugo Chávez - que é quem está fazendo rufar os tambores da guerra -, estará configurada uma falta de isenção que certamente comprometerá os interesses brasileiros na região, no curto e no longo prazos.

Pois o fato é que as Farc têm usado o território do Equador e da Venezuela para seus negócios sinistros, sem que os governos desses países movam uma palha para coibir os narcoguerrilheiros. As Farc tentaram fazer o mesmo no Brasil e foram repelidas. E, no Equador, nem sempre elas tiveram trânsito livre. Em janeiro de 2004, por exemplo, o líder Simón Trinidad foi detido e deportado pelas autoridades equatorianas. Mas o governo era outro.

Rafael Correa e Hugo Chávez têm indisfarçáveis simpatias pelas Farc. Consideram esse grupo terrorista parte do projeto geopolítico "bolivariano". Chávez, segundo documentos apreendidos no computador de Raúl Reyes - morto na operação militar de sábado -, tem também outras razões para gostar das Farc. Numa mensagem enviada ao Secretariado da organização, Reyes relata que Chávez se mostrou agradecido pelos US$ 105 mil que recebeu das Farc quando estava preso em 1992, depois de uma fracassada e sangrenta tentativa de golpe de Estado na Venezuela. Outro documento revela que Chávez forneceu US$ 300 milhões às Farc. Hugo Chávez e Raúl Reyes, aliás, se conheceram pessoalmente numa reunião do Foro de São Paulo, a entidade organizada por Luiz Inácio Lula da Silva para o congraçamento dos movimentos esquerdistas do continente.

Outro documento encontrado com Reyes também deixa muito mal o governo de Rafael Correa. Descreve um encontro com o ministro da Segurança Interna do Equador, Gustavo Larrea - por alcunha, Juan. O ministro - entre outras coisas - manifestou o interesse de Rafael Correa em "oficializar as relações com a direção das Farc", a disposição de coordenar a ajuda aos moradores da zona fronteiriça e de mudar os comandantes das forças públicas que tivessem "comportamento hostil".Essas atividades configuram uma violação da lei internacional, tão ou mais grave que a invasão do Equador. Em países com tradição de asilo a perseguidos políticos, o abrigo a terroristas não é admitido. A França, por exemplo, deporta para a Espanha os militantes da ETA que encontra em seu território. E existem pelo menos três resoluções da ONU que caracterizam como ato de agressão o abrigo, a instigação, a ajuda e o consentimento de um Estado, dentro de seu território, de forças irregulares que praticam ações terroristas em território alheio.

Permita que eu entenda

por Ralph J. Hofmann, site Diego Casagrande

Estou tentando entender algo e espero que pessoas mais sábias que eu possam me orientar.

Ante a revolta da firma Chávez & Correa ante a morte pela violência, de um homem que há trinta anos vive pela violência, armado, em pleno tiroteio na floresta, cercado de seus comandados igualmente armados devo entender que não obstante o presidente da Colômbia ter sido devidamente e democraticamente eleito qualquer aventureiro pode estabelecer um governo próprio desde que possua armas e homens para tal?

Então devo entender que aqueles que há alguns anos derrubaram Chávez do governo se tivessem mais algumas armas e aviões de combate estariam perfeitamente justificados em fazê-lo.

E que todos os países que protestaram contra a derrubada de Chávez naquela ocasião não deviam tê-lo feito, muito menos ser castigados por fazê-lo assim como neste caso o governo Colombiano não poderia ter abatido Raul Reyes?

E que na realidade a intercessão de organismos mundiais a favor dos reféns colombianos não passa de uma ingerência exógena num assunto das FARC, que por estar de posse dos seqüestrados pode fazer o que quiser com eles, pois tem as armas e estrutura para fazê-lo.

Por tanto, se os donos de terra invadidos pelo MST, os donos de centro de pesquisa idem, tiverem as armas poderão tranqüilamente abrir fogo contra os invasores, desde que tenham força para fazê-lo?

E que se um policial lhe parar para multá-lo, desde que você tenha mais força que ele você pode tranqüilamente abatê-lo, pois Chávez & Correa defenderão seu direito, desde que você tenha a força?

Por favor, esclareçam-me. Estão em jogo séculos de desenvolvimento humano. Que a força esteja convosco.

A guerrilha acabou de pijama e cueca

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Dias depois da Passeata dos 100 Mil, Nelson Rodrigues escreveu que a revolução sonhada pelos jovens rebeldes de 1968 acabara no momento em que, atendendo a uma ordem do líder Vladimir Palmeira, os manifestantes se sentaram no chão da Cinelândia. Nessa posição, ninguém derruba nenhum governo, ironizou o grande cronista. Não existe revolucionário sentado.

Nem guerrilheiro de pijama, imaginou-se até sábado passado. Por mais de 50 anos, no imaginário popular, um guerreiro da selva só dormia - se é que dormia - de farda, coturno, quepe, trabuco na cintura e uma granada ao alcance da mão. Não foi assim que Fidel Castro varou as perigosas madrugadas em Sierra Maestra? Não foi com esse figurino de soldado universal que Che Guevara atravessou insone as últimas noites nos grotões da Bolívia?

As fotos de Raúl Reyes sugeriam que o nº 2 das Farc pertencia a essa linhagem de combatentes em tempo integral. Aparecia sempre enfiado num uniforme com bolsos suficientes para acomodar toda a pólvora de um paiol. E a expressão feroz denunciava um homem em vigília permanente, pronto para combates matutinos, vespertinos ou noturnos. Engano, soube-se neste 1º de março, quando Reyes foi morto durante um ataque aéreo das Forças Armadas colombianas.

No instante em que o primeiro petardo caiu sobre o acampamento montado pelas Farc no Equador, a dois quilômetros da fronteira, o chefão dormia. De pijama. Perto dele, ressonavam 15 guerrilheiros. "Em trajes menores", registrou polidamente a imprensa. Tradução: dormiam de cuecas. Pena que não se tenha conferido a devida relevância ao que parece um detalhe, mas é bem mais que isso.

Ganharam espaço muito maior a violação territorial praticada pelo governo Álvaro Uribe, a indignação do equatoriano Rafael Correa, a cólera de Hugo Chávez, o uivo dos ventos da guerra. Cronistas bolivarianos evocaram a indumentária da turma, mas para sublinhar a crueldade dos atacantes: além de desarmadas, as vítimas usavam pijama e cuecas.

Estavam assim por se sentirem em casa, como qualquer civil no recesso do lar. Durante o dia, ex-comunistas reduzidos a narcotraficantes praticam atos terroristas na Colômbia - uniformizados. À noite, em segurança nos domínios de amigos como Rafael Correa e Hugo Chávez, dormem mais à vontade. Os dois acham que as Farc são "um exército insurgente". Mas pode entrar sem pedir licença. Violação só existe se os invasores forem militares da Colômbia.

"O Brasil pode - e deve - ser neutro em conflitos entre países", resumiu na Folha de S. Paulo o jornalista Clovis Rossi. "Mas não pode - nem deve - ser neutro entre o governo colombiano (legítimo) e as Farc (um grupo delinqüente)".

É isso.

Algozes de si mesmos

José Pessoa Generoso, site Diego Casagrande

Enquanto a sociedade não se desvencilhar das amarras do politicamente correto e de um desvio ideológico construído por décadas, ela será alvo de si mesma. Difícil compreender? Vou dar um só exemplo para a questão. Os fatos:

Tivemos há algumas semanas atrás bloqueios em rodovias do MS por parte de integrantes do MST. Eram contrários à troca do presidente do INCRA, Luiz Carlos Bonelli, que está sob graves acusações de desvio de dinheiro público. As lideranças do MST alegam que o processo de assentamento irá atrasar com a mudança no INCRA. O senador Valter Pereira está indicando para o cargo o professor Flodoaldo Alencar, notório participante de organizações cooperativistas.Algumas perguntas e respostas óbvias:

Alguém já viu algum produtor rural fazendo piquete pela mudança do ministro da agricultura? Nunca.

Eles queriam terra, financiamento ou assistência técnica? De maneira nenhuma, simplesmente protestando contra a troca de um cargo que está sendo ocupado por uma pessoa no mínimo suspeita.

Isto é motivo para infringir o direito de ir e vir dos cidadãos que trafegam nas rodovias? Penso que não.

Um chefe de órgão público que está com graves acusações de desvio de dinheiro deve ser mantido no cargo, seguindo no comando das verbas? Espero que não.

O médico veterinário e professor Flodoaldo Alencar, que é especialista em cooperativismo, tem credenciais para assumir o INCRA? Todas. A reforma agrária deveria ter sido feita desde o início por técnicos e pessoas da área rural e não por oportunistas ou malucos ideológicos.

O processo de assentamento será atrasado por isso? Penso que não. E se este atraso representar menos desvio (leia-se “roubo”) de dinheiro público, então ele será necessário.

Então vamos ao filtro:

As lideranças do MST têm uma estreita ligação com alguns chefes do INCRA. É através do INCRA que se procedem as desapropriações, indenizações aos proprietários rurais e todo dinheiro canalizado para reforma agrária. Um presidente que não faça parte da turminha dessas lideranças dificilmente vai facilitar algum tipo de desvio de recurso.

Já houve algum desvio da reforma agrária? Na CPMI da Terra, que talvez não tenha sido tão noticiada haja vista a quantidade de CPIs que tivemos nos últimos anos, (procurem na Internet o artigo “Podridão agrária” de Xico Graziano), falava-se em somas milionárias. 41 milhões por um ralo, 18 milhões por outro e por aí vai. São assombrosos os valores que saíram do erário público e misteriosamente sumiram no caminho.

O que estas lideranças que vislumbram um rio de dinheiro via INCRA então fazem quando se sentem ameaçadas? Mobilizam a massa ignara às estradas. De duas formas: ou influenciam incutindo insegurança quanto à obtenção dos lotes ou simplesmente chantageiam os que lá não forem protestar. No atual caso do MS até o recurso das cestas básicas estava sendo usado como meio de manipular as pessoas. Tal fato é, no mínimo, um descalabro.

Aí entra a minha afirmativa do primeiro parágrafo: A opinião pública em geral, mesmo cansada dos diversos atos do MST, ainda pensa em se tratar de algo justo e procedente, por ainda considerar que os sem-terra são pobres trabalhadores rurais lutando por melhores condições. Não percebem que estão sendo vítimas de uma grossa picaretagem capitaneada por alguns espertalhões que usam uma massa de manobra que, na amplitude das pessoas cadastradas, muito pouco tem de trabalhador rural.

No fim acabam endossando um golpe no qual as vítimas são elas próprias, via impostos, é claro. Ou o dinheiro público para reforma agrária tem outra origem?

A reforma agrária não é mais necessária. Os verdadeiros sem-terra já foram assentados há muito tempo. Um “sem-terra” hoje é como um “sem-fábrica”, um “sem-padaria”, um “sem-apartamento na praia”, e por aí vai. Ou seja, qualquer um pode se classificar como um “sem-alguma coisa” e isto não é mais do que normal.Há sim os “sem-emprego” ou “sem-renda”. Pessoas pobres que, iludidas, se encaminham para os barracos de lona; e os “sem-vergonha”, as lideranças que se utilizam dessa massa de manobra para auferirem dividendos. O modelo de reforma agrária que aí está apenas condena os “sem-emprego” a se manterem na miséria e na dependência estatal.

Há ainda um bom número de pequenos oportunistas que possuem renda e moradia, mas engrossam as fileiras do movimento simplesmente no intuito de pegar cestas básicas e de conseguir um lote para em seguida comercializá-lo ou até trocá-lo por qualquer coisa. Vale até carro velho ou casa na cidade.

O Brasil fez a maior reforma agrária do mundo. Entre o governo Sarney e FHC estima-se que já foram distribuídos mais de 26 milhões de hectares. É uma área maior que o estado de São Paulo. Somente nos 8 anos do governo FHC o gasto orçamentário do INCRA chegou, em valores atualizados, a 20 bilhões (isto mesmo, bilhões!) de reais. Os resultados em termos de produtividade e emancipação das famílias assentadas como todos sabem são pífios.O associativismo e o cooperativismo conduzidos por pessoas sérias, com aptidão rural e em parceria com o agronegócio seriam opções sensatas para a viabilidade econômica dos assentamentos.

Não é pecado almejar um pedaço de terra para si. Acontece que este movimento que encabeça isso já provocou conflitos e achaques demais à República e aos cofres públicos para ficar impune e ainda posar de bem-feitor social. Eu que cresci em casa de BNH, nunca vi meu pai promover invasão ou fazer piquetes enquanto esperava sua casa. Vi sim ele pagar religiosamente suas prestações da casa própria, fato que muitas vezes não se dá com os assentados.Que se abram linhas de crédito em algum Banco da Terra para aquisição de lotes rurais conjuntos, mas que não se permitam os ataques à democracia, ao Estado de Direito e, sobretudo, aos cofres públicos por essa horda de falsos líderes que dissimuladamente advogam em causa própria.

A bem pensar, ostentam o vermelho socialista nas bandeiras, mas nos recônditos dos seus lares preferem mesmo o verde, não o dos campos, mas sim o das cédulas.