quinta-feira, março 06, 2008

Equador,Colômbia e Venzuela: faces do conflito

Crise 1 - Venezuela não fechará a fronteira com a Colômbia
AFP

A fronteira entre Colômbia e Venezuela, de 2,2 mil km de comprimento, não foi e nem será fechada em conseqüência do conflito diplomático entre Caracas, Bogotá e Quito, afirmou o ministro venezuelano da Defesa, Gustavo Rangel.

Apesar das afirmações do ministro, a Força Armada da Venezuela iniciou hoje uma mobilização de dez batalhões na fronteira com a Colômbia, cumprindo ordens do presidente Hugo Chávez.

"Nós não recebemos nenhuma instrução para fechar a fronteira", disse o ministro em uma entrevista coletiva. "O presidente (Hugo Chávez) deu instruções? Alguém ouviu uma orden do presidente Chávez de fechar a fronteira?, questionou Rangel.

"Como esta ordem não foi dada, esta ordem não se cumpre", completou. O ministro disse que a ordem de Chávez foi deslocar para a zona de fronteira com a Colômbia 10 batalhões e que estas instruções já foram cumpridas.


Crise 2 - Amorim: EUA não devem se envolver em conflito latino
Jeferson Ribeiro, Redação Terra

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta tarde que o conflito entre Colômbia e Equador está circunscrito à região e não deve ter dimensões maiores, envolvendo os Estados Unidos, por exemplo. O ministro frisou ainda que é fundamental que a Organização dos Estados Americanos (OEA) tome uma posição ainda hoje e crie uma comissão de investigação para analisar o tema.

"Acho que isso aqui é um problema sul-americano e latino americano. Claro que fazemos parte da OEA e, apesar dos Estados Unidos participar, temos que manter essa questão no plano latino-americano e evitar que haja uma polarização na região", salientou ao ser questionado sobre as declarações de apoio à Colômbia dadas pelo presidente George Bush ontem.

Amorim disse que se a OEA não tomar uma decisão hoje pode haver o acirramento dos ânimos e outras instâncias da diplomacia poderão ter que atuar. Um exemplo é a reunião do Grupo do Rio, que começa amanhã em Santo Domingo, na República Dominicana. A grupo reúne chanceleres de todos os países latino-americanos e pode se tornar fundamental para um acordo pacífico entre Equador e Colômbia.

"A credibilidade da OEA está em jogo. Ela precisa se manifestar rapidamente, criando a comissão de investigação para examinar todos os fatos em relação essa incursão da Colômbia no Equador", afirmou.

Amorim rechaçou também a idéia de que o Brasil está ameaçado com um conflito armado entre os dois países, mas reiterou que isso traria prejuízos para o desenvolvimento da região como bloco econômico.

O ministro disse também que o encontro entre o presidente Lula com o presidente do Equador, Rafael Correa, demonstra que o Brasil está tentando alcançar uma solução pacífica para a crise. Segundo Amorim, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, já manifestou interesse de vir ao Brasil e Lula está disposto a recebê-lo assim que for possível. Amorim negou que o Brasil esteja trabalhando para isolar a Colômbia.

"O presidente Lula me disse Lula que também está interessado em receber Uribe, que já demonstrou interesse em vir ao Brasil, mas ainda não sabe quando", afirmou.

Crise 3 - "Eles não querem a paz", diz Correa sobre Colômbia
Jeferson Ribeiro

Depois de se reunir com o presidente Lula por cerca de uma hora, o presidente do Equador, Rafael Correa, voltou a criticar a Colômbia ao dizer que o país vizinho não reconheceu seu erro e tem construído "mentiras" contra seu governo. "Eles não querem a paz", disse hoje o presidente do Equador.

Correa voltou a dizer que seu país irá até as últimas conseqüencias para defender a soberania, após a crise diplomática desencadeada por uma ação militar da Colômbia em território equatoriano no último sábado que culminou na morte do líder das Farc, Raúl Reyes.

Correa continuou a argumentar que é preciso uma condenação em organismos internacionais contra a Colômbia para que não se repitam invasões em outros países da América Latina.

Ao término do encontro com Lula, Correa queria conceder uma entrevista à imprensa brasileira. Porém, conseguiu apenas o apoio do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorin, que ficou ao seu lado durante uma declaração breve aos jornalistas. Correa deixou claro que o objetivo de sua visita aos países da América Latina é reunir forças políticas e isolar a Colômbia.

"É a hora da união latino-americana. Confiamos nessa comunidade. Queremos que se condene o agressor (o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe) para que nunca mais um presidente tome um atitude como essa na América Latina. Se aceitarmos como argumento o que a Colômbia usou para invadir nosso país, todas as nações poderão bombardear uns aos outros. Podemos bombardear Bogotá com argumento de que há terroristas lá", disse Correa.

O presidente Equatoriano começou seu giro pelos países da América do Sul na tarde terça, no Peru, e depois do Brasil segue viagem para a Venezuela, onde se encontrará com o presidente Hugo Chávez. Correa ainda pretende ir ao Panamá, Nicarágua e República Dominicana, antes de retornar ao Equador.

O presidente equatoriano disse que confia na comunidade internacional e nos organismos unilateriais, e por isso espera que eles dêem uma "resposta rápida", e pediu que a Organização dos Estados Americanos (OEA) forme uma comissão de investigaçãopara mostrar como se deu a invasão colombiana ao Equador.

Repetindo a ameaça que fez ontem, o mandatário do Equador assinalou que poderá entrar em guerra com a Colômbia. "Não vamos permitir este ultraje à nossa soberania, e vamos até as últimas conseqüências. Somos soberanos. Trabalharemos com a comunidade internacional. Mas trabalhermos sobretudo com as nossas próprias forças. Nao permitiremos um ultraje ao nosso governo", afirmou Correa.

Ele agradeceu ao opoio do Brasil e de seu "amigo" Lula e disse que Amorin soube condenar sem ressalvas a invasão da Colômbia ao território equatoriano."

Redação Terra
No próximo post comentaremos as notícias acima.