quinta-feira, setembro 06, 2007

Faltava o Bolsa Eleitor? Não falta mais.

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Em 2008, o Brasil terá nova rodada de eleições, desta vez as municipais. Prevendo isto, e conforme até se lê nos relatórios e discursos feitos no 3º Congresso do PT, o objetivo do governo Lula e seu partido é arrebanhar o maior número possível de prefeituras para o PT e a cambada que se alinha a ele. Seria o marco inicial para promover as mudanças “revolucionárias” que vai na mente dos seus principais dirigentes. Daí, Lula imaginou que poderia criar uma bolsa para “favorecer” que, nas eleições municipais, se conquistasse o maior número possível de eleitores. Então, ampliou o limite dos beneficiados pelo Bolsa Família de 15 para 17 anos. Brincando, brincando, por baixo, ganhará mais 1,7 milhões de novos “simpatizantes”. Claro que Lula cuidou do detalhe de deixar a bolsa bem embaladinha, por conta de um “programa social”. Compreendo...

O fato é que o Bolsa Família, conforme demonstramos nesta semana em um artigo específico, é de fato um programa assistencialista. Agora, está claro, tornou-se um programa eleitoreiro. Reparem: já eram 47,0 milhões de beneficiados que agora serão, provavelmente, 50,0 milhões. Serão 50,0 milhões de votos a sustentar e manter inalterado o curral eleitoral de Lula. Melhor, impossível. E, quanto mais se analisa em profundidade o Bolsa Família, mais nos convencemos de que, por detrás da aparente “ajuda” aos pobres, no fundo o que esconde é o abastecimento do estoque de votos nas urnas. Não por outra razão, é onde Lula concentra atualmente seu maior eleitorado.

Os motivos para apontar este programa como eleitoreiro são diversos. A Corregedoria Geral da União – CGU, numa investigação realizada em cerca de 120 municípios, constatou irregularidades em 90%, ou seja, 108 municípios apresentou alguma espécie de irregularidade no pagamento/recebimento do Bolsa Família.

Nesta semana, no artigo que publicamos, demonstramos os problemas de desnutrição em crianças beneficiadas pelo programa. E deixamos claro em um artigo do site Contas Abertas, que a unificação do PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil com o Bolsa Família se tornou danosa para o primeiro, tanto que a curva de queda nos índices de trabalho infantil pararam de cair após dez anos seguidos de redução, e passaram a ser ascendentes, chegando no ano passado a ultrapassar a barreira dos 10%.

Tudo isto é demonstrativo de que o Bolsa Família tem problemas que devem merecer melhor atenção. E diante do fato concreto, não há discurso nem retórica imbecil capaz de mistificar a porcaria em pérola de primeira qualidade.

Nesta semana, Lula timidamente comemorou um estudo que apontava a queda da pobreza no país em cerca de 50% no período de 1990/2005. Entende-se a razão de pouco entusiasmo: é que o estudo não escondeu um dado que Lula adoraria não ter sido divulgado. Ocorre que a queda maior se deu no governo de FHC, com a implantação do Plano Real. No artigo “Se eles tivessem caráter”, de 31.08.2007, escrevemos: “(...) o Brasil reduziu a metade o seu índice de pobreza. No período de 1990 a 2005 saímos de 8,8 para 4,2, uma redução em 4,6 pontos. Porém deste total, a ONU calculou em 3,3 pontos como ocorridos durante o período de implantação do Plano Real, entre 1993 e 1995. O restante. 1,3 pontos se deu por conta dos programas sociais implantados no país, também iniciados no período do governo FHC(...)”.

Fico claro porque Lula não soltou tantos rojões. Primeiro, porque o relatório além de ser amplamente favorável à FHC quanto à redução da pobreza, demonstra que o impacto maior na redução da pobreza se deve muito mais a se ter acabado com a inflação e promover uma rede proteção social aos moldes do que Fernando Henrique fez, do que simplesmente o Estado despejar bilhões de reais sem cobrar nenhuma reciprocidade. Vejam os números: a redução da pobreza feita por Lula com seu decantado Bolsa Família sequer é metade da que promoveu FHC. E isto diz tudo.

Mas tem mais: a Organização Mundial da Saúde aponta que a atual epidemia de dengue no Brasil ocorre com maior freqüência em áreas de pouco ou nenhuma infra-estrutura. O que demonstra que o Bolsa Família não está se fazendo acompanhar de ações públicas que possam efetivamente melhorar a qualidade de vida das pessoas. E isto não é apenas nos grotões, se dá nas áreas urbanas, onde se concentra o maior número de beneficiados pelo Bolsa Família.

Em 2006, publicamos também um outro artigo onde enumeramos uma série de ações públicas que se precisavam fazer para tornar o Bolsa Família realmente um programa social de amplo espectro: urbanização de favelas, saneamento básico, amplo programa de habitação popular, todos eles movimentos capazes de gerar de emprego e renda, porque no fundo da pobreza o que se vê é justamente a falta de empregos, ou sub-empregos. Só que a falta de emprego é sintoma da falta de investimentos produtivos, os quais, por sua vez, dependem de carga tributária, segurança jurídica, burocracia, infra-estrutura dentre outros fatores. Após quatro anos, o que o governo Lula nestes setores tem a oferecer ou apresentar ? É tão “zero” as realizações nestes campos, que o tal do Primeiro Emprego, programa “revolucionário” apresentado nas eleições de 2002 acaba de ser definitivamente enterrado. Na verdade já nasceu morto, porém seu cadáver ainda procurava por uma cova para desaparecer. Acharam.

Portanto, ampliar o benefício para os jovens de 16 e 17 anos não tornará o programa melhor. Pelo contrário. Metade dos jovens no continente, Brasil inclusive, conforme dados da ONU, ou está desempregada, ou trabalha na informalidade. No Brasil, sabemos que jovens entre 16 e 28 anos, não consegue emprego. Como emprego não é coisa que caia do céu simplesmente, se não houver incentivo a abertura de novas empresas e ampliação das já existentes, não há como os empregos serem gerados.

Deste modo, ampliar o Bolsa Família é, definitivamente, mudar o foco do programa de “social” para “eleitoreiro”. Lula precisa entender uma coisa: o que o jovem quer é oportunidade, é trabalho, é tornar-se cidadão, é ser útil para si próprio, é ter e obter uma profissão. É isto que o enche de orgulho, que faz aumentar sua auto-estima. E oportunidade não significa a esmola de uns trocados dados pelo Estado.

Tornar milhões de pessoas clientes cativas do Estado por uns míseros trocados, negando-lhe o trabalho para sustentarem-se por si mesmos, é, antes de tudo, o assassinato de sua cidadania, revestindo seu caráter com o manto clientelista de um Estado que, ao mesmo que lhe entrega a esmola, com a outra mão cobra-lhe a retribuição com o voto na urna. E isto, é a pior degradação que se pode conduzir qualquer ser humano, seja ele jovem ou velho.

Sabedoria Dakota

por Ralph J. Hofmann, site Diego Casagrande

Os sábios índios Dakota têm um provérbio que é passado de geração em geração:“Ao descobrir-se que está cavalgando um cavalo morto, é aconselhável desmontar.”
É variante de um provérbio inglês que diz: “Quando você descobrir quem está enterrado, pare de cavar a cova”.

Porém, o PT e o governo, num pioneirismo inabalável, acharam vinte e poucas estratégias mais adequadas:

1. Comprar um chicote mais resistente;
2. Trocar de cavalheiro;
3. Convocar um comitê para examinar o cavalo;
4. Viajar a outros países e ver como outras culturas cavalgam;
5. Baixar os padrões para poder incluir cavalos mortos (evitando discriminação ou marginalização do cavalo);
6. Reclassificando o cavalo na categoria “vitalidade comprometida”;
7. Terceirizando para cavalheiros contratados que cavalgarão o cavalo;
8. Colocando nos arreios vários cavalos mortos para ver se juntos são mais velozes;
9. Aumentando os recursos para treinar/melhorar o desempenho de cavalos mortos;
10. Efetuando um estudo de produtividade para ver se cavalheiros mais leves melhorarão o desempenho do cavalo morto;
11. Decretando que, o cavalo, se não for branco, ao ser treinado e capacitado contribuirá mais para a economia do que um cavalo vivo, necessariamente consumidor;
12. Reescrevendo os padrões de desempenho para todos os cavalos para poder acomodar os cavalos mortos;
13. Promovendo o cavalo a uma posição de supervisão;
14. Verificando se o cavalo não saiu simplesmente para pastar;
15. Promovendo um congresso sobre o assunto;
16. Convidando um colega para almoçar no Piantella para discutir o assunto;
17. Dar um pontapé no cavalo para ver se realmente não está vivo;
18. Convocar o embaixador da Síria para dizer se não será por acaso um camelo;
19. Dedicar um dia feriado ao cavalo e erigir uma estátua;
20. Fazer uma emenda constitucional defendendo o direito do cavalo morto ao desempenho de suas funções;
21. Chamar o assador oficial da nação para churrasquear o cavalo;
22. Inaugurar um aeroporto com o nome do animal;
23. Culpar o FMI pela morte do cavalo.

Lula conseguiu: o Brasil alcançou o Haiti

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Lembram nos anos 2004 e 2005 em que o Brasil só conseguia crescer mais do que o Haiti no continente sul-americano? Acredito que Lula deva ter ficado com raiva em razão do Haiti conseguir tamanha façanha: ser pior ainda que o Brasil, e por dois anos consecutivos.

Pois então, Lula, seus problemas acabaram: estamos iguais ao Haiti, Etiópia, Sri Lanka e Paquistão. Que belas companhias, hein? De fato, desta vez você se superou. Parabéns.

Relatório anual do instituto de economia canadense Fraser, divulgado nesta quarta-feira, classificou o Brasil em 101º lugar no ranking que avalia a liberdade econômica em 141 países. Na mesma posição estão Haiti, Etiópia, Sri Lanka e Paquistão. O instituto analisou quatro aspectos das economias nacionais para fazer a classificação. São eles: liberdade pessoal de escolha, intercâmbio voluntário, liberdade para competir e segurança da propriedade privada.

O Brasil obteve sua nota mais baixa nos indicadores de regulamentação de crédito, trabalho e negócios: 4,3, numa escala de zero a dez. Com a nota final 6, o país caiu da 85º posição, conseguida em 2004, para a 101º.

Os primeiros colocados do ranking são Hong Kong, Cingapura, Nova Zelândia, Suíça e Estados Unidos. O país da América Latina mais bem classificado é o México, que está na 44ª posição. Em último lugar vem o Zimbabue.

De fato, não é possível transformar um país em tão pouco tempo. Lula precisou um mandato e mais um pouco para fazer o Brasil, como “nunca dantez na história”, estar lado a lado com países como os acima. Mediocridade, sem dúvida, não é para qualquer um. É preciso ter muita competência para exercê-la com tremendo sucesso.

A reportagem é da BBC Brasil.

Brasil cai e fica em 101º em ranking de liberdade econômica
BBC Brasil

Hong Kong encabeça a lista dos que têm mais liberdade econômica

O Brasil ficou em 101º lugar num ranking que mede o grau de liberdade econômica em 141 países, dividindo a colocação com países como Haiti, Etiópia, Sri Lanka e Paquistão.

O relatório anual, compilado pelo Fraser Institute, do Canadá, se baseou em dados de 2005, considerando quatro aspectos para avaliar os países: a liberdade pessoal de escolha, o intercâmbio voluntário, a liberdade para competir e a segurança da propriedade privada.
Liberdade Econômica
1 - Hong Kong
2 - Cingapura
3 - Nova Zelândia
4 - Suíça
5 - Estados Unidos
101 - Brasil
135 - Venezuela
141 – Zimbábue

The Fraser Institute
A partir destes conceitos, 42 componentes são usados para se chegar ao índice final. A nota mais baixa do Brasil foi no indicador de regulamentação do crédito, do trabalho e dos negócios: 4,3, numa escala de zero a dez.

A nota final do país foi 6, um pouco acima da obtida em 2004. Mesmo assim, o Brasil caiu da 85ª posição para a 101ª.

'Menos barreiras e impostos'
Para conseguir um alto índice de liberdade econômica, os países precisam promover um ambiente financeiro estável, em que a propriedade privada é protegida, respeitar contratos, reduzir barreiras ao comércio nacional e internacional e manter os impostos baixos.

No topo do ranking estão Hong Kong, Cingapura, Nova Zelândia, Suíça e Estados Unidos, enquanto o Zimbábue ocupa o último lugar da lista, precedido por Mianmar, República Democrática do Congo e Angola.

Entre economias emergentes, a China ficou em 86º lugar, a Índia em 69º, a Rússia em 112º.

Na América Latina, o México ficou na 44ª posição e a Argentina, na 124ª.

Mianmar (140º) e Venezuela (135º) são os únicos países não-africanos entre os dez piores colocados.

Os países que tiveram uma melhoria mais evidente no índice de liberdade econômica, com uma alta de pelo menos três pontos desde 1980, foram Hungria, Peru, Uganda, Gana e Israel.

A kriptonita do superpresidente

Augusto Nunes , Jornal do Brasil

A vaia está para Lula como a kriptonita para o Super-Homem. Exposto ao toque da pedra verde, o herói invencível, vindo de lonjuras cósmicas para garantir a vitória do Bem, perde os superpoderes, e assume a expressão abobalhada de um pugilista no segundo seguinte ao nocaute. Exposto ao som de apupos, o presidente incomparável, enviado pela Divina Providência para salvar o Brasil, perde a pose e o prumo.

Pode perder a voz, como ocorreu no Maracanã. Pela primeira vez na história dos Jogos Pan-Americanos, o discurso de abertura não foi feito pelo presidente do país anfitrião. Pode perder o siso, informou semanas mais tarde a vaia sofrida em Campos. Desta vez, Lula não afundou na mudez. Talvez estimulado pelo pito dado nos estudantes hostis pelo governador Sérgio Cabral, decidiu revidar com um improviso. Mas não falou coisa com coisa.

"Você não deve ficar bravo, Sérgio", começou, no tom de voz do avô benevolente com netos malcriados. Olhando para o governador do Rio, mirou na testa dos rebelados. "Jovens são assim mesmo", condescendeu. "Eles ainda não têm consciência política". O que restara do juízo implodido sugeriu-lhe mudar prontamente de rumo: essa linha de raciocínio poderia conduzir o orador à desqualificação de uma faixa etária historicamente simpática ao PT e a seu pastor.

Com a cabeça em tumulto, Lula saiu da estrada pelo primeiro atalho que vislumbrou, sinalizado pelos narizes vermelhos usados pelos manifestantes. Desembocou num picadeiro de circo. "Vocês deveriam tratar com mais respeito os palhaços", mudou de rota o presidente. "Eles fazem a felicidade das crianças". O delirante discurso improvisado em Campos adverte: a vaia é a kriptonita do superpresidente.

Afastado da pedra, o Super-Homem costuma demonstrar que se recuperou do transe com incursões por paragens siderais. Afastado da vaia, Lula gosta de anunciar que teve alta com sobrevôos na estratosfera. O herói americano faz acrobacias aéreas tranqüilizadoras: ele está pronto para voltar a Metrópolis. O herói pernambucano faz piruetas retóricas perturbadoras: ele parece disposto a ficar por lá. Distante do país que governa.

O discurso na convenção do PT mostrou um presidente a muitos anos-luz do Brasil real. "Nenhum partido tem mais autoridade moral, ética e política que o PT", bradou para a platéia atulhada de mensaleiros, gatunos, comerciantes eleitorais. "Nenhum petista deve ter vergonha de usar a estrela no peito", ensinou aos 900 participantes do encontro. Devem é defender todos os companheiros, sobretudo os fora-da-lei.

A histórica decisão do Supremo Tribunal Federal, que transformou em réus os integrantes da quadrilha denunciada pelo procurador-geral, não afetou o olhar misericordioso do presidente. "Ninguém foi condenado", repetiu. "E somente esses companheiros, nem eu e nem vocês, sabemos o que aconteceu". Sabemos, disse Lula. Habituadas a defender o idioma das agressões presidenciais, as redações deduziram que o verbo na primeira pessoa do plural fora apenas mais um pontapé na gramática. Pode ter sido um lapso revelador. Faz de conta que o dono do time bandalho nunca soube de nada. Agora sabe de tudo. Banca o cego por esperteza.

"Quando Lula fala, o mundo inteiro se ilumina", jura a filósofa petista Marilena Chauí. Pelo menos o país que pensa escurece. Milhões de brasileiros ficam pálidos de espanto. Outros tantos, vermelhos de vergonha.

Império das circunstâncias

Wilson Figueiredo, Jornal do Brasil

Pela veemência, não há a menor hipótese de Lula vir a ser candidato ao terceiro mandato. Quando nada, por não existir tal coisa. Mesmo que o povo venha às ruas lhe pedir. Mas não é por esse lado e, sim, por estar determinado a resistir, de olho na sua biografia. O tom enfático se deve, provavelmente, à oportunidade de amortecer a repercussão consagradora que envolveu o Supremo Tribunal Federal pela denúncia dos 40 suspeitos. A entrevista ao Estado de São Paulo no domingo passado protegeu dos respingos do mensalão a imagem presidencial.

A interferência de Lula não tem a ver apenas com o adiantamento da sucessão, mas com as inconveniências da candidatura tratada por fora do que está na lei e, principalmente, do que não está escrito. Uma das razões é a carência de oportunidade, três anos e um mês antes do comparecimento do eleitor às urnas. Lula se apresenta no perfil democrático, com discreto charme liberal (que lhe cai mal), para a classe média vê-lo com bons olhos. Nada de pobres contra ricos nem, principalmente, o contrário. O melhor desempenho de Lula com jornalistas foi no Estadão.

Mas a obsessão presidencial não se conteve e, mesmo não sendo artigo do dia, ele falou de Constituinte exclusiva e reforma política, tão imprevisíveis quanto pintura de casa. Prazos e custos vão pelos ares.

A reforma política e a Constituinte exclusiva não são exigência da situação nacional, que ninguém se arrisca a dizer como ficará até a sucessão. Já se firmou a convicção de que tudo de ruim que se vê e se prevê não pode ser debitado ao governo Lula. Não foi ele quem deixou o Brasil assim, mas foi este Brasil - de condições operacionais desastrosas - que o elegeu. Nas três derrotas anteriores, as condições nacionais ainda não estavam no ponto exato de elegê-lo. Lula soube esperar. E agora?

Dependendo do imprevisível, nada impede que a idéia do terceiro mandato prevaleça por imperativo das circunstâncias. Será a saída de emergência, se o caminho percorrido for bloqueado por deslizamento de pedras, terra e reputações. A profusão de legendas partidárias coligadas terá do governo favores decisivos para se manter em torno da candidatura presidencial única. A de Lula valerá pela soma de todas as outras, e ainda sobrará um vice a negociar com o PMDB. O homem irá para o livro de recordes como o pretendente que mais eleições presidenciais disputou na última (até aqui, bem entendido) reencarnação da democracia no Brasil. Somando umas e outras, seis ao todo.

Pode ser que, até lá, o Brasil se torne outro, para melhor ou para pior. Ou fique na mesma. A recusa prévia do terceiro mandato exclui solução que não seja democrática. O brasileiro está, visivelmente, gostando de democracia. Lula também. Alguns, os pobres, por motivo de sobrevivência da espécie. Outros, os ricos, pelas razões de sempre. A classe média se desacomodou, e é nela que a oposição apostará suas esperanças murchas. O PAC já estará estourando as estatísticas de produção e consumo? Por onde andará a crise com que sonham os pessimistas para os quais, quanto pior, pior mesmo?

Não foi de Lula a mão que plantou as condições que amadurecem, e sim elas que, ainda verdes, o elegeram e reelegeram. As condições objetivas e subjetivas para a candidatura independem dele. Os candidatos põem e as circunstâncias dispõem. Conversar e desconversar é oficio dos políticos.

Importação da China dispara 54%

Denise Chrispim Marin

País desbanca o Mercosul e torna-se o segundo maior fornecedor de produtos para o Brasil, atrás apenas dos EUA

A China ultrapassou o Mercosul e consolidou-se como o segundo maior fornecedor de produtos para o Brasil, depois dos Estados Unidos, na lista de importação por país individual. De janeiro a agosto deste ano, produtores chineses embarcaram para o mercado brasileiro US$ 7,579 bilhões, conforme os números da balança comercial do período, divulgada ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Esse valor representou um aumento de 54,4% em relação a igual período de 2006. Também respondeu por 10,1% do total de bens comprado pelo Brasil no exterior.

O desempenho contribuiu para consolidar a Ásia como líder entre os blocos de origem das importações brasileiras, com US$ 18,604 bilhões no período.Entre janeiro e agosto, o total de importações brasileiras bateu um novo recorde e alcançou US$ 74,921 bilhões. Essa cifra superou em 27,8% a de igual período de 2006. Com taxa de crescimento menor, de 15,9%, as exportações igualmente foram as maiores da história e totalizaram US$ 102,434 bilhões.

Segundo o secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat, as exportações superaram US$ 100 bilhões dois dias antes do fim de agosto. Em sintonia com as previsões, o saldo comercial continuou a diminuir - chegou a US$ 27,513 bilhões, US$ 2,234 bilhões a menos que em igual período de 2006.

O comércio com a China, entretanto, foi uma mola excepcional para o incremento das importações brasileiras. Sua vice-liderança entre os fornecedores individuais repetiu-se nos últimos três meses e mostram que dificilmente a China perderá sua atual posição.

Os dados dos sete primeiros meses do ano - período para o qual há números mais detalhados - indicam também que, entre os dez principais itens de importação da China, não figuram os que mais causam gritaria na concorrência nacional, como calçados, têxteis e brinquedos. Essa lista destaca o peso dos insumos para o setor de informática, aparelhos de telefonia, geradores e aparelhos domésticos.

Na comparação entre países individuais, os EUA continuam a liderar a lista dos fornecedores de produtos ao Brasil. Com participação de 16,2% na pauta importadora do País até agosto, os EUA foram a origem de US$ 12,131 bilhões em bens importados. Entretanto, o conjunto das importações provenientes do Mercosul alcançou US$ 7,245 bilhões no período - US$ 334 milhões menos que a China.

Somente a Argentina, que despencou da segunda para a terceira posição em janeiro passado e assim se manteve, embarcou US$ 6,520 bilhões ao Brasil entre janeiro e agosto.

CPMF: R$ 33,5 bilhões arrecadados serviram para pagar juros e dívida

Mariana Braga, Do Contas Abertas

Já parou para pensar para onde vão aqueles aparentemente insignificantes 0,38% que você paga cada vez que saca dinheiro ou faz alguma compra? Criada em 1996 como fonte exclusiva de financiamento do setor da saúde, a CPMF acabou se desvirtuando ao longo dos anos e serve cada vez mais para atender as estratégias econômicas do governo. Desde a sua implementação, além de passar do estágio de provisório para aparentemente “interminável”, do ponto de vista dos cidadãos, o imposto perdeu sua função inicial e passou a contribuir inclusive para o superávit primário. Para se ter uma idéia, na última década, R$ 33,5 bilhões arrecadados com a CPMF foram desviados de sua função.
O valor corresponde a 18% do total arrecadado no período (R$ 185,9 bilhões) que deveria contribuir exclusivamente com políticas de saúde, previdência social e com o Fundo de Combate a Erradicação da Pobreza (integrado posteriormente às finalidades do tributo). Os dados são de um levantamento do Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal (Unafisco), divulgado este mês. O desvio de recursos da CPMF, segundo o estudo, é resultado da Desvinculação de Receitas da União (DRU), criada com o intuito de facilitar os esforços fiscais da equipe econômica, garantindo a saúde da balança fiscal no final do ano.

Esse mecanismo permite ao Executivo realocar 20% do orçamento, inclusive o destinado às políticas de seguridade social (com exceção do Fundo de Combate à Pobreza). Dessa maneira a administração fica livre para aplicar como preferir esses recursos, inclusive na composição do superávit primário. Só no ano passado, 17,7% do total arrecadado, ou seja, R$ 5,7 bilhões, ficaram retidos no caixa no Tesouro Nacional. A quantia que ficou intacta nos cofres arcaria com o dobro dos investimentos da Pasta da Saúde em 2006 (sem considerar os restos a pagar pagos). No período, a saúde recebeu apenas 40% dos recursos provenientes da CPMF, que anualmente perde cerca de 20% da quantia arrecadada para o orçamento fiscal.

O empresário do setor de informática, Marcelo Macedo, diz indignado que já perdeu as contas de quanto sua empresa tem que pagar anualmente de CPMF, tamanho o volume de dinheiro gasto com o tributo. Segundo ele, o imposto pesa no bolso dos empresários, que diariamente precisam fazer dezenas de movimentações, para pagar contas e funcionários. “A quantidade de movimentações que fazemos é grande, e a quantia de CPMF paga por tais transações acaba sendo significativa no balanço do fim de mês. Até na hora de pagar outros tributos, a CPMF é descontada. É um imposto sobre outro imposto, um absurdo”, reclama.

Para Macedo, o que mais incomoda é ter que arcar com a taxação, sem ver o retorno futuro do “investimento”. “Pagaria com todo o prazer se visse o retorno disso para os cidadãos. Mas o que acontece é que esse dinheiro acaba servindo para engordar a máquina do governo, que não pára de aumentar seus gastos”, critica. Diante da quantidade de taxas impostas às empresas no Brasil, Macedo planeja inclusive criar um blog na Internet para o “empresário herói”. “Só assim mesmo para ser empresário hoje no Brasil e ter que enfrentar tamanha burocracia”, diz.

Para o economista e professor da Universidade de Brasília, Evilásio Salvador, a CPMF deveria ser uma contribuição residual, com fim fiscalizatório e não arrecadatório, como vem sendo tratada. Segundo ele, o tributo deveria servir como uma espécie de ferramenta que permitisse ao governo se certificar de que a movimentação financeira do contribuinte está de acordo com a sua evolução patrimonial declarada no imposto de renda. Para tal, a alíquota teria que ser simbólica e não tão expressiva como é atualmente, o que prejudica sobretudo as pessoas de baixa renda.

O economista explica que o grande problema atual da CPMF é o seu caráter enganador. “Todo mundo pensa que está contribuindo com políticas sociais do governo, enquanto que, na verdade, parte da arrecadação serve para pagar juros da dívida”, critica. Isso sem contar que ela possui um caráter indireto e regressivo, ou seja, ao incidir sobre o consumo, acaba pesando mais no bolso dos que ganham menos.

“Para o trabalhador assalariado, o efeito acaba sendo perverso, já que o mais pobre, proporcionalmente a sua renda, acaba pagando mais”, salienta Salvador. Para se ter uma idéia, atualmente o brasileiro que ganha até dois salários mínimos perde 45,8% de sua renda com o pagamento de impostos indiretos. Considerando pessoas de maior poder aquisitivo, com renda superior a 30 salários mínimos, essa proporção cai drasticamente para 16,4%.

Como solução para o atual problema gerado em torno da CPMF, o economista defende o fim da Desvinculação de Receitas da União, sobretudo sobre os tributos da Seguridade Social. Além disso seria necessário promover uma ampla reforma tributária no país, já que, ao reduzir a alíquota do imposto sobre a movimentação financeira, o governo teria que encontrar outros meios para compensar o rombo de cerca de R$ 30 bilhões nas receitas anuais provenientes do imposto. “É preciso rever toda a estrutura do sistema tributário brasileiro. No entanto, falta vontade política para isso”, conclui Salvador.

Arrecadação sustentaria ministério
A contribuição sobre a movimentação financeira no Brasil, desde que foi implantada já arrecadou R$ 201,2 bilhões. Só no ano passado, a CPMF gerou aos cofres públicos R$ 32,9 bilhões em receita, o que daria para arcar com o orçamento global do Ministério da Educação em 2006. No primeiro quadrimestre deste ano, R$ 11,5 bilhões provenientes do tributo já entraram nos cofres públicos. Do montante arrecadado até esta semana, apenas R$ 7,3 bilhões contribuíram para ações ligadas à saúde (desconsiderando o pagamento de restos a pagar).

Este ano, a previsão do governo é de que R$ 35 bilhões sejam arrecadados até dezembro com o tributo. Para se ter uma idéia, a quantia é equivalente ao total de despesas previstas para o Ministério do Trabalho e Emprego até dezembro de 2007. Desses, a estimativa do governo é de que R$ 23,3 bilhões sejam destinados à saúde e à previdência social.

CPMF pagou R$ 4,5 bilhões ao Bolsa Família em 2007

Mariana Braga, Do Contas Abertas
.
A queda de braço entre governo e oposição pela Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) será acirrada. Tanto a oposição quanto entidades da sociedade civil prometem pressionar para que a taxa seja extinta, ou ao menos, para que a alíquota seja reduzida a patamares simbólicos com intuito fiscalizador. Isso porque a contribuição que pesa no bolso do brasileiro a cada vez que ele faz uma movimentação financeira parece não ter cumprido com sua função primordial, de garantir recursos e melhorias à saúde no país.

Além da parcela realocada para outras áreas por meio da Desvinculação de Receitas da União (DRU), quase R$ 7 bilhões permanecem disponíveis nos cofres sem utilização. Só este ano, R$ 15,4 bilhões em recursos provenientes da CPMF foram aplicados. Da parcela da arrecadação destinada ao Fundo Nacional de Combate à Pobreza, praticamente a totalidade, R$ 4,5 bilhões, serviu para arcar com as transferências de renda do Bolsa Família, carro chefe do atual governo. Do montante destinado à saúde, uma parte ainda serve para pagar viagens, festividades, material de copa e cozinha, entre outros. A última emenda constitucional, aprovada em 2003, determinou que a CPMF continuaria valendo até o fim deste ano. Com a proximidade da data limite e o medo do poder público de perder o reforço no caixa, o governo vem trabalhando para aprovar no Congresso a prorrogação de sua cobrança até 2011. Uma moeda de barganha que o governo certamente usará a seu favor será o fato da arrecadação contribuir com o principal programa social do mandato petista. A oposição rejeita a idéia. Uma contraproposta, que já tramita no Congresso, é menos radical e sugere a redução gradual da alíquota já a partir de 2008, mudança esta que, por sua vez, não é vista com bons olhos pelo Executivo.

Apesar do futuro da taxa ainda não estar decidido, na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2008, o governo parece já cantar vitória antes da hora. O texto, implicitamente, prevê a prorrogação da receita, que só este ano, até agora, já gerou R$ 20,4 bilhões ao caixa da União. No anexo da LDO 2008 que trata das metas fiscais para o exercício, a arrecadação gerada por meio da CPMF aparece como receita praticamente garantida para o fechamento do balanço financeiro.

Desde que foi criada, a CPMF já rendeu aos cofres públicos mais de R$ 200 bilhões, de acordo com a própria Receita Federal. O dinheiro deveria contribuir exclusivamente com políticas de saúde, previdência social e com o Fundo de Combate a Erradicação da Pobreza (integrado posteriormente às finalidades do tributo). No entanto, não é isso que vem acontecendo.

Do total arrecadado até hoje, desde que a CPMF foi criada em 1996, mais de R$ 33,5 bilhões acabaram desviados de sua função, por meio da Desvinculação de Receitas da União (DRU), que permite ao Executivo realocar 20% do orçamento, inclusive o destinado às políticas de seguridade social (com exceção do Fundo de Combate à Pobreza). O dado é de um levantamento do Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal (Unafisco). A parcela remanejada equivale a mais da metade do total de gastos previstos para o Ministério da Saúde este ano.

Isso sem contar os quase R$ 6,8 bilhões oriundos da taxa que acumulam nos cofres da Secretaria do Tesouro Nacional. A parcela bloqueada em caixa equivale a todo o orçamento previsto para os Ministérios do Meio Ambiente, da Cultura e do Desenvolvimento Agrário juntos, em todo o ano de 2007. Parado, o dinheiro serve apenas para engordar as reservas e contribuir com o superávit primário no fim do ano.

De acordo com informações da Secretaria do Tesouro Nacional, o órgão só libera os recursos mediante solicitação dos Ministérios beneficiados pela verba oriunda da CPMF, que devem definir anualmente a programação de resgate do dinheiro. Se existe disponibilidade, segundo o Tesouro, é porque não houve a solicitação.
Despesas curiosas
Do que sobra da arrecadação, boa parte dos recursos acaba tendo um destino um tanto curioso e muitas vezes aparentemente desvinculada diretamente de melhorias para a saúde no Brasil, função esta que foi utilizada como principal argumento para a criação da taxa. Para se ter uma idéia, só este ano, cerca de R$ 15 milhões provenientes da arrecadação serviram para pagar serviços de limpeza, conservação e vigilância ostensiva. Outros R$ 500 mil arcaram com o pagamento de passagens e diárias de funcionários.

De janeiro para cá, R$ 2,4 milhões foram gastos com a aquisição de material de copa, cozinha, cama e mesa. Exemplo disso foi uma compra feita pela Universidade Federal Fluminense, em março deste ano. Cerca de R$ 2 mil oriundos da taxa sobre a movimentação financeira serviram para a compra de utensílios para cozinha. Na lista de compras, estavam incluídos talheres, pratos, frigideira, jarra, panela de pressão, porta-guardanapo, entre outros itens dignos de um banquete. O Contas Abertas entrou em contato com a instituição que até o fechamento da matéria não explicou para que o material foi destinado.

Já o Hospital de Clínicas de Portos Alegre utilizou uma parcela da verba arrecadada com a CPMF para a compra de brinquedos e uniforme para jardinagem. Documento do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) emitido no mês de abril demonstra que R$ 12,6 mil foram gastos com a compra de 213 itens classificados como “material educativo e esportivo”. Bonecas, jogos de dominó, bichos de fazenda, memória, quebra-cabeça, bolas e até ambulância de mentirinha foram adquiridos com o montante.

Outros R$ 615,00 serviram para a compra de uma "jardineira" para um operador de moto-serra, acrescida de capacete com protetor facial e auricular. De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital, os brinquedos servem para uma área reservada à terapia lúdica desenvolvida com os pacientes que estão em tratamento. Além disso, o hospital também possui uma ampla área verde, e o uniforme adquirido com recursos da arrecadação serve para os jardineiros que cuidam da manutenção do local.

De acordo com informações da Secretaria do Tesouro Nacional, a princípio, não existe irregularidades nesse tipo de despesa, já que a utilização dos recursos oriundos da CPMF está prevista em orçamento e precisa passar pela aprovação do Congresso Nacional. Até dezembro, o governo prevê arrecadar cerca de R$ 35 bilhões só com a contribuição. Para se ter uma idéia, a quantia é equivalente ao total de despesas previstas para o Ministério do Trabalho e Emprego este ano. Desses, a estimativa do governo é de que R$ 23,3 bilhões sejam destinados à saúde e à previdência social.

Um Brinde ao Acaso

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, Blog do Noblat

Nosso país deve muito ao acaso. Cabral, querem nos fazer crer, veio bater aqui por acaso. Procurava as Índias, não tinha a menor idéia de nossa existência, e o sensacional acaso das calmarias o trouxe até nossas praias. Há belos mapas anteriores à missa em Porto Seguro onde o Brasil aparece, mas isso é um detalhe, foi o acaso que nos descobriu.

Mais tarde, Napoleão Bonaparte cismou que ia ser dono do mundo. Invadia os países dos outros com a maior naturalidade e lá colocava a penca de irmãos que tinha, como reis. Se não tinha irmãos disponíveis, ia de marechais mesmo. Pois bem, cismou com o pequenino Portugal que, por acaso, tinha uma bela e próspera colônia a seu dispor. Que fez o Príncipe Regente que, por acaso, reinava em nome de sua mãe, D.Maria I, a Louca? Correu para cá com toda a corte, isso em 1808.

Mais uma vez, o acaso veio em nosso socorro. Napoleão tantas fez que perdeu todas, e a Europa reuniu-se em Viena para retomar seus reinos e recolocar tudo nos seus devidos lugares. No caso de Portugal, só queriam reconhecer Lisboa como capital a ser restaurada; D.João, por acaso já apaixonado pelo Brasil, agiu rápido e, em 1815, elevou o Brasil a Reino Unido aos de Portugal e Algarves. De colônia à sede de um Reino, não fosse a ambição desmedida do grande general e ao vitorioso inverno russo, isto é, ao acaso, não teríamos dado esse pulo tão cedo.

Passam-se sete anos; o bravo e mal-interpretado D.João VI já regressara a Portugal. Deixara o belo e animadíssimo filho Pedro aqui, não sem antes lhe dizer que não bobeasse, qualquer coisa, tomasse a coroa para si antes que outro aventureiro o fizesse. Sabia das coisas esse pai. Logo que a ocasião se apresentou, D. Pedro que, por acaso, passava pelas margens do Ipiranga, em São Paulo, recebe notícias adversas vindas de Portugal; logo se lembrou das palavras do pai e deu o célebre grito. Dizem que sua parada naquelas plagas se deveu a um infeliz acaso. Sabe-se lá. O fato é que o Ipiranga entrou, por acaso, em nosso hino.

Em 1889, o ambiente político estava complicado. Questões militares mal resolvidas eram responsáveis por tumultos e conspirações. Republicanos do Rio e de São Paulo, e alguns oficiais do Exército, resolveram que na próxima reunião da Assembléia Geral, que se daria a 20 de novembro, proclamariam a República. Mas quis o acaso que boatos infundados, dando conta da prisão imediata do marechal Deodoro da Fonseca e do tenente-coronel Benjamin Constant, precipitassem os acontecimentos. O Marechal Deodoro se aproveita do acaso e já no dia 15 de novembro, é instaurado o novo regime.

O tempo passa, corre até. Houve quem dissesse que é o senhor da razão. Parece ser. O acaso não nos abandona, disso a História recente é testemunha.

Mais um exemplo: o Brasil acaba de passar por um de seus mais belos momentos, a aceitação da denúncia contra os membros da Sofisticada Organização Criminosa que pretendeu nos acorrentar a um Brasil pequeno e medíocre, para todo o sempre. O Supremo Tribunal Federal mostrou-se em toda a sua glória: inteligente, articulado, brilhante. Ficamos todos, os brasileiros de bem, absolutamente entusiasmados com a decisão do STF.

Mas, lá estava o acaso de olho no Brasil. Dois ministros, distraídos, para aliviar a tensão de ouvir por horas a fio a lista de crimes e criminosos, resolveram trocar e-mails e um fotógrafo ágil, profissional de primeira linha, fotografou as telas dos computadores dos Meritíssimos. O assunto é do interesse dos brasileiros, a sessão era pública, o jornalista cumpria seu dever e o acaso mais uma vez veio em nosso auxílio: ficamos sabendo como pensavam e agiam pelo menos dois ministros do STF, a ministra Carmen e o ministro Lewandowski.

O ministro Lewandowski parece que não se satisfez com esse acaso e provocou outro. Foi jantar no Expand Wine Bar by Piantella. Esse bar, descrito nos guias turísticos como um dos lugares românticos da noite brasiliense, tem um jardim, com mesas também. Nosso ministro resolve que ali era um local apropriado para bater um papo de 10 minutos ao celular e contar todas as desventuras que sofreu no julgamento. Ele e seus pares, coitados, ficaram com a faca afiada da Imprensa Má e Cruel em seus pescoços! Por isso, e só por isso, ‘não amaciaram para o Dirceu’.

Que baita acaso, hein? Num dos domínios de um dos maiores amigos de José Dirceu, esse bar com nome nova-iorquino, muito bem freqüentado pelos habitantes da Capital Federal, foi o local escolhido por Sua Excelência para fazer confissões bombásticas pelo celular. A jornalista da Folha de São Paulo, que estava sentada no jardim, ouviu toda a conversa e dela fez o uso que o acaso pretendia que fizesse.

Que faz o presidente Lula enquanto o Brasil assiste a tudo isso? Nada. Enquanto prestávamos atenção no que se passava no Supremo, o presidente fazia uma declaração espantosa, vinda de um nordestino, de um homem que vai ao Nordeste com a mesma facilidade com que vamos à esquina. Declara, abro aspas: “Alguém cometeu um erro contra nosso caju em um momento da história”. Li várias vezes. Não conseguia atinar com o erro. Depois me lembrei que o presidente Lula não é deste mundo; é natural que não conhecesse o caju.

Não vou aqui perder meu tempo, e o de vocês, enumerando todas as coisas que se pode fazer com essa fruta tão nordestina que até lembra as cores e o cheiro do Nordeste. Lembro apenas que, por acaso, além da célebre batida de caju, existe também o vinho de caju; com ele podemos então, já que o acaso fez com que o presidente Lula a essa fruta fosse apresentado no mesmo dia em que a SOC foi transformada em ré, fazer um brinde ao acaso que nos uniu: À Imprensa!, na figura deste blog.

Aos copos, pois, e um brinde ao acaso!

TOQUEDEPRIMA...

***** Lula, o poderoso burguês

A casa do presidente Lula no sofisticado condomínio Iporanga, tem 1.200 m2 de área construída. Será vizinho do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos e do ex-ministro de FHC Luís Carlos Mendonça de Barros. No Guarujá, ele comprou um apartamento pela cooperativa habitacional Bancoop, do Sindicato dos Bancários do deputado Ricardo Berzoini, acusada de fraude, superfaturamento, apropriação indébita e formação de quadrilha.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: E é este camarada que adora criticar as “zelite”? Ele pode ser tudo, mas para quem “pode” bancar a construção de uma residência em condomínio de alto padrão, com área construída de 1.200 m², a gente chama de quê? Elite classe média ?

***** Corte de Versalhes

O quebra-quebra deve ser geral na casa de Luís LI: a Presidência da República vai gastar R$ 93 mil em copos e taças de cristal para vinho, licor, conhaque, champanhe e whisky, e 360 pratos rasos com ramos de café.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Haja CPMF para bancar tanto esbanjamento !!! Em tempo: dentre as últimas compras há coisas inacreditáveis. Por exemplo, e a Presidência da República como sempre marcou presença. O órgão adquiriu duas televisões de plasma de 42 polegadas que custaram R$ 3,8 mil cada uma, ou seja, R$ 7,6 mil no total. A qualidade do som e da imagem não vai ser um problema, já que os aparelhos possuem high definition (alta definição), som surround, closed caption, tela com revestimento anti-reflexo, alto falante embutido, redutor de ruídos para imagens em movimento, entre outras finalidades.

Tudo de última qualidade para que os assessores especiais do Planalto possam acompanhar tranqüilamente as notícias sobre a crise aérea nos telejornais. Agora só vão faltar as cortinas, para que ninguém mais seja flagrado em situações constrangedoras ao assistir as novidades nas novas telonas de plasma.

***** Ministros usam o social para defender a CPMF
Veja online

Os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, defenderam nesta terça-feira a manutenção da cobrança da CPMF. Em audiência pública na comissão especial da Câmara que discute a prorrogação da cobrança do imposto, os ministros usaram os programas sociais do governo Lula para justificar a necessidade de manter a CPMF -- segundo eles, acabar com a CPMF tornaria inviável a manutenção de ações como o Bolsa Família.

O governo pressiona o Congresso e tenta aprovar o mais rápido possível a prorrogação da cobrança, sem qualquer redução de alíquota. Na audiência desta terça, o governo mostrou que não vai abrir mão do imposto do cheque -- e usou a grande bandeira do governo Lula, o programa Bolsa Família, para tentar convencer os parlamentares sobre a necessidade de manter a CPMF intacta. Segundo Ananias, a CPMF financia 79% de todo o programa Bolsa Família.

Mantega usou esse dado para reforçar a pressão pela prorrogação do imposto. "A discussão é sobre qual modelo de estado que queremos: um estado que faz programas sociais e combate a pobreza ou que deixe o mercado fazer isso; um estado que faz investimentos ou um estado que deixe o mercado fazer isso. Nosso governo acredita que o estado deve fazer programas sociais para reduzir mais rapidamente a pobreza e a desigualdade", afirmou ele aos parlamentares.

Mantega fez questão de vincular a arrecadação com a CPMF à manutenção de programas sociais. "Se o governo abrir mão de uma parcela ou da totalidade da CPMF, nós seríamos obrigados a suprimir parte das despesas, que são todas prioritárias. Isso também dificultaria o atingimento da meta fiscal", afirmou. O ministro da Fazenda disse ainda que o aumento previsto na arrecadação do governo para 2008 (12,2%) não é "exagerado" e que o governo não tem dinheiro sobrando.

***** Dieese: salário mínimo deveria valer R$ 1.733,28
Fonte: Redação Terra

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo deveria ser atualmente de R$ 1.733,88. O instituto de pesquisa divulgou o valor, nesta terça-feira, utilizando a prerrogativa da Constituição de que o mínimo deveria ser suficiente para cobrir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Na pesquisa do instituto no mês de julho, o valor do salário mínimo para cobrir as despesas do brasileiro deveria ter sido de R$ 1.688,35. Hoje, o mínimo vale R$ 380 no País.

O Dieese divulgou também que o valor da cesta básica subiu nas 16 capitais pesquisadas pelo instituto, de julho para agosto. As variações mais altas foram registradas em Natal (9,62%), Fortaleza (8,18%) e Belo Horizonte (8,14%).

De janeiro a agosto o Dieese afirma que também houve aumento no valor da cesta básica nas 16 capitais pesquisadas.

***** Presidente da Anac diz que não se sente pressionado a deixar cargo

O presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, afirmou que não se sente pressionado a deixar o cargo na agência. Indagado sobre o processo de troca de diretores, com a indicação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, Zuanazzi disse que isso nada tem a ver com ele. "Quem indica diretores é o presidente da República e é o Senado quem sabatina. Do ponto de vista das relações institucionais não me sinto pressionado por ninguém", declarou Zuanazzi.

***** A conta é nossa

Os escândalos no governo petista no Pará não têm fim. Acusada de fechar convênio milionário com o Aero Clube de Belém para beneficiar o namorado Mário Nery Costa, a governadora Ana Júlia Carepa contratou a cunhada Claúdia Nery Costa para uma boquinha no Detran. É o nepotismo, de novo.

***** OAB condena "super-trem da alegria" na Câmara

O Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) decidiu condenar a proposta que tramita no Congresso criando o chamado "super-trem da alegria". A emenda quer efetivar 260 mil funcionários que entraram no serviço público sem concurso.

"A PEC sob análise constitui clara violação de preceitos constitucionais intangíveis, notadamente dos princípios da moralidade, da igualdade e do livre e amplo acesso aos cargos públicos", afirmou o presidente da Comissão de Estudos Constitucionais, Valmir Pontes.

***** Morre na Itália o tenor Luciano Pavarotti

Luciano Pavarotti, 71 anos, um dos mais famosos tenores italianos, acaba de morrer em sua casa de Módena, no norte da Itália. Foi vítima de um câncer no páncreas descoberto há um ano. A estrela da ópera italiana estava inconsciente e seus rins pararam de funcionar, informou a emissora TV Antenna Uno de Modena, cidade natal do tenor. O estado de saúde do cantor era "muito grave". Pavarotti, que recebera alta do hospital no dia 25 de agosto, após passar por exames e receber tratamento durante mais de duas semanas, estava em casa na companhia de familiares e de amigos próximos, segundo a emissora.