Wilson Figueiredo, Jornal do Brasil
Pela veemência, não há a menor hipótese de Lula vir a ser candidato ao terceiro mandato. Quando nada, por não existir tal coisa. Mesmo que o povo venha às ruas lhe pedir. Mas não é por esse lado e, sim, por estar determinado a resistir, de olho na sua biografia. O tom enfático se deve, provavelmente, à oportunidade de amortecer a repercussão consagradora que envolveu o Supremo Tribunal Federal pela denúncia dos 40 suspeitos. A entrevista ao Estado de São Paulo no domingo passado protegeu dos respingos do mensalão a imagem presidencial.
A interferência de Lula não tem a ver apenas com o adiantamento da sucessão, mas com as inconveniências da candidatura tratada por fora do que está na lei e, principalmente, do que não está escrito. Uma das razões é a carência de oportunidade, três anos e um mês antes do comparecimento do eleitor às urnas. Lula se apresenta no perfil democrático, com discreto charme liberal (que lhe cai mal), para a classe média vê-lo com bons olhos. Nada de pobres contra ricos nem, principalmente, o contrário. O melhor desempenho de Lula com jornalistas foi no Estadão.
Mas a obsessão presidencial não se conteve e, mesmo não sendo artigo do dia, ele falou de Constituinte exclusiva e reforma política, tão imprevisíveis quanto pintura de casa. Prazos e custos vão pelos ares.
A reforma política e a Constituinte exclusiva não são exigência da situação nacional, que ninguém se arrisca a dizer como ficará até a sucessão. Já se firmou a convicção de que tudo de ruim que se vê e se prevê não pode ser debitado ao governo Lula. Não foi ele quem deixou o Brasil assim, mas foi este Brasil - de condições operacionais desastrosas - que o elegeu. Nas três derrotas anteriores, as condições nacionais ainda não estavam no ponto exato de elegê-lo. Lula soube esperar. E agora?
Dependendo do imprevisível, nada impede que a idéia do terceiro mandato prevaleça por imperativo das circunstâncias. Será a saída de emergência, se o caminho percorrido for bloqueado por deslizamento de pedras, terra e reputações. A profusão de legendas partidárias coligadas terá do governo favores decisivos para se manter em torno da candidatura presidencial única. A de Lula valerá pela soma de todas as outras, e ainda sobrará um vice a negociar com o PMDB. O homem irá para o livro de recordes como o pretendente que mais eleições presidenciais disputou na última (até aqui, bem entendido) reencarnação da democracia no Brasil. Somando umas e outras, seis ao todo.
Pode ser que, até lá, o Brasil se torne outro, para melhor ou para pior. Ou fique na mesma. A recusa prévia do terceiro mandato exclui solução que não seja democrática. O brasileiro está, visivelmente, gostando de democracia. Lula também. Alguns, os pobres, por motivo de sobrevivência da espécie. Outros, os ricos, pelas razões de sempre. A classe média se desacomodou, e é nela que a oposição apostará suas esperanças murchas. O PAC já estará estourando as estatísticas de produção e consumo? Por onde andará a crise com que sonham os pessimistas para os quais, quanto pior, pior mesmo?
Não foi de Lula a mão que plantou as condições que amadurecem, e sim elas que, ainda verdes, o elegeram e reelegeram. As condições objetivas e subjetivas para a candidatura independem dele. Os candidatos põem e as circunstâncias dispõem. Conversar e desconversar é oficio dos políticos.
Pela veemência, não há a menor hipótese de Lula vir a ser candidato ao terceiro mandato. Quando nada, por não existir tal coisa. Mesmo que o povo venha às ruas lhe pedir. Mas não é por esse lado e, sim, por estar determinado a resistir, de olho na sua biografia. O tom enfático se deve, provavelmente, à oportunidade de amortecer a repercussão consagradora que envolveu o Supremo Tribunal Federal pela denúncia dos 40 suspeitos. A entrevista ao Estado de São Paulo no domingo passado protegeu dos respingos do mensalão a imagem presidencial.
A interferência de Lula não tem a ver apenas com o adiantamento da sucessão, mas com as inconveniências da candidatura tratada por fora do que está na lei e, principalmente, do que não está escrito. Uma das razões é a carência de oportunidade, três anos e um mês antes do comparecimento do eleitor às urnas. Lula se apresenta no perfil democrático, com discreto charme liberal (que lhe cai mal), para a classe média vê-lo com bons olhos. Nada de pobres contra ricos nem, principalmente, o contrário. O melhor desempenho de Lula com jornalistas foi no Estadão.
Mas a obsessão presidencial não se conteve e, mesmo não sendo artigo do dia, ele falou de Constituinte exclusiva e reforma política, tão imprevisíveis quanto pintura de casa. Prazos e custos vão pelos ares.
A reforma política e a Constituinte exclusiva não são exigência da situação nacional, que ninguém se arrisca a dizer como ficará até a sucessão. Já se firmou a convicção de que tudo de ruim que se vê e se prevê não pode ser debitado ao governo Lula. Não foi ele quem deixou o Brasil assim, mas foi este Brasil - de condições operacionais desastrosas - que o elegeu. Nas três derrotas anteriores, as condições nacionais ainda não estavam no ponto exato de elegê-lo. Lula soube esperar. E agora?
Dependendo do imprevisível, nada impede que a idéia do terceiro mandato prevaleça por imperativo das circunstâncias. Será a saída de emergência, se o caminho percorrido for bloqueado por deslizamento de pedras, terra e reputações. A profusão de legendas partidárias coligadas terá do governo favores decisivos para se manter em torno da candidatura presidencial única. A de Lula valerá pela soma de todas as outras, e ainda sobrará um vice a negociar com o PMDB. O homem irá para o livro de recordes como o pretendente que mais eleições presidenciais disputou na última (até aqui, bem entendido) reencarnação da democracia no Brasil. Somando umas e outras, seis ao todo.
Pode ser que, até lá, o Brasil se torne outro, para melhor ou para pior. Ou fique na mesma. A recusa prévia do terceiro mandato exclui solução que não seja democrática. O brasileiro está, visivelmente, gostando de democracia. Lula também. Alguns, os pobres, por motivo de sobrevivência da espécie. Outros, os ricos, pelas razões de sempre. A classe média se desacomodou, e é nela que a oposição apostará suas esperanças murchas. O PAC já estará estourando as estatísticas de produção e consumo? Por onde andará a crise com que sonham os pessimistas para os quais, quanto pior, pior mesmo?
Não foi de Lula a mão que plantou as condições que amadurecem, e sim elas que, ainda verdes, o elegeram e reelegeram. As condições objetivas e subjetivas para a candidatura independem dele. Os candidatos põem e as circunstâncias dispõem. Conversar e desconversar é oficio dos políticos.