quarta-feira, março 26, 2008

Não há o que comemorar

Adelson Elias Vasconcellos

Quais são, dentre tantas, as tarefas básicas que o Estado deve prestar aos cidadãos ? São indispensáveis a educação, a saúde, a infra-estrutura (aí se alojando água, luz, saneamento, transportes, estradas) e segurança.

O governo que oferecer isto aos seus cidadãos terá, assim, cumprido, sua missão ? Certamente, não. O governo deve ainda criar um saudável clima para os negócios, para que empresas invistam em produção de bens e serviços, os quais gerarão emprego, renda, e os necessários impostos para que os postulados básicos de seu dever possam cumprir-se sem sustos.

Analise-se uma a uma qualquer da tarefas listadas lá em cima, e vocês perceberão que o governo do Luiz Inácio, apesar de cinco anos no poder, não conseguiu avançar um milímetro sequer. Até pelo contrário: não são poucos os passos para atrás que têm sido dados.

Desde que assumiu, preocupou-se em destruir a imagem do governo FHC. Assim, repetiu à exaustão ter recebido o país falido. Há poucos dias até o Delfim Neto, ministro da ditadura, andou falando tal asneira.

O que importa não é ficar aqui repetindo o arsenal de mentiras de que Lula lançou mão para desmerecer o governo anterior. Várias vezes afirmei que Lula, fosse menos açodado, mais humilde e menos cretino, deveria era agradecer a Deus todos os dias que FHC o tenha antecedido na presidência e ter se dedicado a fazer o trabalho que o país precisava. Recebeu um país melhor, mais ordenado econômica e institucionalmente, deixou um leque de programas sociais muito bem estruturado, com um invejável cadastro de famílias pobres, com endereço, nome e número de filhos. Recebeu o país ainda com vários projetos bem estruturados e encaminhados como o de energia, por exemplo, por conta do apagão de 2001, e sem inflação e com contas públicas equilibradas.

A partir daí, tivesse Lula real interesse em avançar, por certo teria sentado no primeiro dia na cadeira presidencial já de posse de um projeto de governo. Dado que FHC lhe permitiu um período de transição, entre a eleição e a posse, Lula poderia ter administrado os problemas do país desde o primeiro dia.

Hoje, vê-se que não havia projeto de governo coisíssima nenhuma, havia era projeto de poder. E durante estes cinco anos outra não tem sido a baliza que norteia as ações do governo federal. Assim, suas missões básicas representam um rotundo fracasso de gestão pública.

Não fosse a profusão de chuvas a reabastecer o reservatórios das hidrelétricas durante todo este verão de 2008, e por certo estaríamos diante de apagões elétricos em várias partes do país. Este governo não acrescentou um quilowatt de energia à capacidade já instalada de quando assumiu. Quem aí esqueceu do apagão aéreo e suas 350 vítimas ? As estradas ? Lastimáveis. Na educação é possível perceber o fracasso face ao baixo nível verificado nos exames de avaliação de ensino que o Ministério da Educação tem feito periodicamente. Resultados que demonstram vertiginosa queda na já incipiente qualidade do que se ensina e do que se aprende. Aliás, tais exames nem foram implantados pelo governo atual, e sim, pelo anterior. Na economia, bem, sequer precisou mexer nos fundamentos básicos que sustentam nossa estabilidade econômica. Mas também não acrescentou nada a não ser demagogia ordinária, discurso demagógico e auto-promoção hipócrita. Todo o estofo desta auto-promoção se sustenta no volumoso gasto com publicidade, festa e solenidades de lançamentos.

Quanto à saúde, a dengue aí está, a falência do sistema hospitalar enfatiza ainda mais o desmonte que foi feito no que havia do bom e correto antes de Lula assumir, a tuberculose e febre amarela ainda nos assustam, e no saneamento básico, seria melhor esquecer. E do ponto de vista institucional, tristemente devemos reconhecer que foi onde mais perdemos terreno. A mistura imoral de assuntos de Estado com interesses mesquinhos de governo, transforma cada dia mais nosso Poder Público numa imensa cloaca a céu aberto.

Agora reparem o que se passa à nossa volta: quando o aprendiz de feiticeiro, Hugo Chavez, não quis renovar a licença de um canal de televisão, e também nos dias que antecederam um plebiscito que, fosse o governo vencedor, tornaria Chavez um governante permanente, parte da população e a grande maioria dos estudantes foram para as ruas protestar e fazer barulho. Na Bolívia, a oposição exige do governo Moralez a mediação da Igreja e de uma comissão internacional para evitar que ele instale no país um regime de exceção. Hoje, na Argentina, por se oporem as decisões da presidente Cristina Kirchner, o panelaço voltou com toda a força. Até no Chile, a população se revoltou e protestou contra o arrocho nas aposentadorias. Aqui, a população morre à mingua nas portas dos hospitais por falta de atendimento e fica tudo por isso mesmo !

Ou seja, mesmo nos países em que o esquerdismo capenga e obsoleto vai conquistando espaço e fazendo festa, a população ainda se sente no direito de protestar e fazer barulho. Não porque os governos lhes concedam tal direito, mas porque o ser humano não abre mão de suas liberdades. É porssio que toda a ditadura que as esquerdas representam em tom absoluto, invariavelmente, tem prazo de validade. No Brasil, este governo faz o que bem entende e ninguém reclama. E olhem que por aqui o que não faltam são escândalos de roubo e corrupção, e ausência do Estado no cumprimento de suas obrigações básicas. Mas parece que a anestesia de um bolsa-família é suficiente para manter todo mundo no cabresto. O povo esquece o quanto foi e é explorado e vilipendiado na sua dignidade, nos seus direitos por um Estado imoral e perdulário. Onde está nossa classe média para se indispor de continuar sustentando um Estado gigolô, enquanto a elite econômica continua sendo agraciada com bolsa BNDES ou vantagens para ganhos financeiros exorbitantes? A distribuição de renda de que canta marra o Luiz Inácio deveria ter sido feita do alto da pirâmide para a sua base, e não começando no meio dela como se tem feito. Isto não se chama distribuição, se chama confisco e extorsão. Além de burra, é a forma mais injusta de se praticar justiça social.

Portanto, não há o que se comemorar. Quando um governo faz festa com um crescimento econômico que representou a penúltima colocação dentre os 39 principais países emergentes, é porque a degradação desta gente já os fez cegos permanentes.

Quanto a popularidade alta junto ao povo, é bom lembrar que, na Alemanha Nazista, Hitler era glorificado como um deus, louvado como o Führer, o enviado dos céus para a salvação dos homens. Deu no que deu... Portanto, não se precisa exaltar tanto a tal sabedoria popular. A história está cheia de exemplos de seus erros, e erros que provocaram milhões de mortes...

Sob Lula, dengue matou mais do que no ciclo FHC

Josias de Souza, Folha online
  • Sob Lula, dengue matou mais do que no ciclo FHC
  • Em oito anos de tucanato, mosquito causou 209 mortes
  • Em cinco anos de petismo, doença aniquilou 325 vidas
  • Em 2002, na epidemia de Serra, morreram 150 doentes
  • Em 2007, Temporão arrostou um recorde de 158 óbitos


Os dados são oficiais. Colecionou-os a pasta da Saúde. Encontram-se disponíveis no sítio que o ministério mantém na internet. As estatísticas demonstram que o governo Lula candidata-se à desmoralização se insistir no debate que transporta a crise da dengue da seara técnica para o campo político.

O Aedes aegypti produziu na era Lula 116 cadáveres a mais do que no ciclo FHC. Nos primeiros cinco anos de governo petista (2003-2007), 325 pessoas morreram de dengue em todo país. Um número que supera em 55,5% as 209 mortes notificadas pela rede hospitalar nos oito anos de gestão tucana (1995-2002).

Considerando-se os 13 anos dos dois presidentes, chega-se a um morticínio de 534 brasileiros. Adicionando-se à conta os 48 mortos oficiais já contabilizados na epidemia que infelicita o Rio nesse primeiro trimestre de 2008, chega-se a 582 mortos. Daria para lotar, com sobras, três aeronaves como o Airbus A320 da TAM, que transportou para o esquife os 186 passageiros da tragédia de Congonhas, ocorrida em julho do ano passado.

Os números demonstram, com frieza tumular, que, em vez de brincar de esconde-esconde, as autoridades das três esferas de governo –federal, municipal e estadual—deveriam estar discutindo o que fazer para vencer o mosquito. Um inseto que, em pleno século 21, em reaparições cíclicas, vem prevalecendo vergonhosamente sobre o Estado e sobre uma sociedade que, desinformada, dá de ombros para os cuidados mais comezinhos.

As estatísticas não socorrem José Gomes Temporão (PMDB). Empenhado em acomodar sobre os ombros do prefeito Cesar Maia (DEM) toda a responsabilidade pela epidemia carioca, o ministro convive com um recorde incômodo. A dengue matou, em 2007, 158 pessoas. Um recorde. Oito a mais do que os 150 pacientes que o mosquito vitimara em 2002, quando respondia pelo ministério o tucano José Serra, hoje governador de São Paulo.

A julgar pelos dados do ano passado, a encrenca do Rio pode ser considerada como uma tragédia anunciada. Temporão ascendeu à Esplanada em 19 de março de 2007. Sete meses depois, já havia percebido que arrastara para sua biografia uma epidemia de dengue maior do que aquela que orna o currículo de Serra.

"Em outubro de 2007, em Belo Horizonte (MG), eu alertei que o Brasil tinha um quadro de epidemia de dengue e mostrei preocupação especial com o Rio de Janeiro", disse, nesta segunda-feira (24), um Temporão que reincidia na tática de realçar as responsabilidades do ‘demo’ Cesar Maia. "Em todo o país, nós conseguimos baixar os índices da doença [nos primeiros meses de 2008], e só no Rio houve crescimento. Todo o esforço que o governo federal poderia ter feito, fez."

Visto pelo ângulo da execução orçamentária, Temporão não parece ter feito “todo o esforço”, como diz. Segundo levantamento produzido pelo sítio Contas Abertas, a pasta da Saúde aplicou em 2007, o ano do recorde de 158 mortos, apenas 55% dos R$ 68,1 milhões inseridos no Orçamento da União para ações de vigilância, prevenção e controle da malária e da dengue.

De resto, o “alerta” que o ministro diz ter feito há cinco meses, em Belo Horizonte, não soou compatível com a dimensão do problema que se avolumava nos computadores do sua pasta. Levado à internet só no mês passado, o flagelo de 2007, é, ainda hoje, uma espécie de epidemia oculta.

Inspirando-se no Lula de 2002, que usara os 150 cadáveres daquele ano para vergastar Serra na campanha presidencial, Temporão talvez tivesse levado ao trombone, com maior intensidade, os 158 corpos de 2007.

Tudo considerado, a epidemia do Rio vai ganhando contornos de um filme sem mocinhos. Temporão acusa Cesar Maia de, entre outros pecados, ter desmobilizado as equipes de saúde da família do município e de manter uma rede de atenção primária de “baixa qualidade”. O monturo de corpos, que se avoluma na capital carioca, escala as manchetes como uma evidência de que a prefeitura pode ter cometido estes e até outros pecados.

Mas o ministro tampouco vai à foto em posição confortável. Só nesta segunda-feira, depois de ter sido fustigado por Lula, Temporão realizou a primeira reunião do que denominou de “gabinete de crise”. Em entrevista, propalou algo que a torcida do Flamengo já não ignora: o número de mortos no Rio está “completamente fora do que nós consideramos que seria razoável.”

Companheiro de partido do ministro, Sérgio Cabral, governador do Rio, inaugurou três tendas para administrar soro nos doentes de dengue. A providência chega às portas de abril, mês em que o ciclo da dengue costuma ser cadente.

"O trabalho preventivo é um trabalho tipicamente municipal”, disse Cabral, como que lavando as mãos. “Não é normal que um Estado abra centros de hidratação e coloque 1.200 homens dos bombeiros no combate à dengue" nessa época, reconheceu. "O normal é o trabalho preventivo, durante o ano inteiro."

Direto do sarcófago

por Rodrigo Constantino, site Diego Casagrande

O artigo do presidente do Ipea Márcio Pochman, no jornal Valor de quinta-feira (20/03/08), foi realmente um show de horrores. É tanta besteira que mal sei por onde começar as críticas. Normalmente, nem vale a pena perder tempo com isso, mas nesse caso creio se tratar de uma exceção, por dois motivos: a elevada posição do autor, dirigindo um importante órgão de pesquisas econômicas do governo; o fato de estas falácias contidas no artigo serem repetidas ad nauseam pela esquerda, desinformando os leigos no assunto. Faz-se necessário expor, portanto, a mentalidade absurda presente no texto.

Logo no começo, o autor tenta colocar no mesmo saco podre o capitalismo e o comunismo: “Sabe-se, contudo, que simultaneamente ao desarranjo do império soviético, o centro da nata do capitalismo mundial convive com sinais de perda de influência no novo cenário econômico internacional”. O que Pochman quer dizer com isso? Será que ele está tentando afirmar que o capitalismo e seu grande ícone, os Estados Unidos, fracassaram tanto quando a União Soviética fracassou? Isso foi alguma piada sutil que eu não consegui entender? A economia americana ainda responde por cerca de um quarto do PIB mundial. Poderia alguém no cargo ocupado por Pochman ignorar este fato?

O economista tenta explicar: “Nos dias de hoje, a China já responde por um quarto da produção mundial de máquinas de lavar, um terço da de televisores, dois quintos da de microondas, metade da de câmeras, dois terços da de foto copiadoras e 90% da de brinquedos eletrônicos”. Ótimo! Eis a maravilha do mundo globalizado: cada um pode focar naquilo que possui vantagem comparativa. Os Estados Unidos viraram uma economia basicamente de serviços, enquanto a China se transformou na indústria mundial, principalmente de produtos mais simples, por enquanto. Todos ganham com essas mudanças.

Mas Pochman parece ter entendido tudo errado sobre as causas do recente sucesso chinês: “De posse de duas a cada três gruas do mundo, o país do meio na Ásia constrói a base material mais moderna da atualidade, reinventando o sistema econômico com inovação e padrão tripartite de gestão da produção (empresa, sindicato e Estado)”. A China não reinventou nada, ela apenas permitiu um funcionamento mais livre do mercado. Com suas zonas livres, menor intervenção estatal, capital estrangeiro abundante e o direito de propriedade melhor estabelecido, o país conseguiu retirar milhões da miséria, uma herança socialista. A China está melhorando a despeito do Estado, não por causa dele. Pelo contrário: ainda há intervenção demais, como no caso do setor financeiro. Isso prejudica o país, diferente do que Pochman acha. Isso sem falar da completa falta de liberdade em diversos campos, pois não devemos esquecer que a China convive em uma ditadura.

As pérolas continuam: “O desarranjo imposto pelas administrações recentes nos Estados Unidos somente consegue ser superado pelo largo fracasso do modelo neoliberal defendido pelos organismos multilaterais e aceito passivamente por diversos governos latino-americanos e caribenhos”. Não obstante ser muito cedo para falar em “desarranjo americano”, de onde será que Pochman tirou esta idéia maluca de que o neoliberalismo falhou na América Latina? Ele simplesmente nunca nos deu o ar de sua graça! Os países que abraçaram o liberalismo – ou um grau mais elevado de liberdade – prosperaram, enquanto a América Latina fracassou justamente por se afastar deste modelo, mantendo um governo inchado, gestor de empresas, interventor ao extremo na economia. Como pode alguém que comanda o Ipea inverter tanto a realidade dessa forma?

Mas o economista não parece satisfeito, e continua cavando mais fundo no buraco: “O resultado hoje é reconhecido: abertura comercial, privatização e internacionalização da produção não permitiram expansão sustentada do crescimento, tampouco transferência tecnológica e expansão social”. Desde quando abertura comercial e privatização prejudicam algum país? Não existem casos deste tipo! Podemos analisar os casos do Chile, Irlanda, Espanha, Austrália, Nova Zelândia, Islândia, todos eles são exemplos de sucesso das reformas liberais, que Pochman tanto condena. O governo brasileiro, por exemplo, continua dono de várias estatais sem sentido, como o Banco do Brasil e a Petrobrás, e nossa abertura comercial foi muito tímida. Não foi a globalização que falhou: foi a sua falta!

Mas para quem pensa que viu absurdo suficiente, está enganado: “O projeto de país circunscreveu ao primitivismo do combate à inflação, acreditando que, por conseqüência, o crescimento econômico se sustentaria por si próprio”. Pochman, recentemente, reclamou que o presidente Lula foca demais na inflação. Será possível que ainda exista economista que acredita na falsa dicotomia de mais inflação, mais emprego? Não foi suficiente observar que os países com maiores taxas sustentáveis de crescimento foram justamente os países com menor índice de inflação? O que Pochman está sugerindo? Que o país aceite conviver com um pouco mais de inflação, para gerar um crescimento artificial? Inflação, como bem sabem os brasileiros, é o imposto mais perverso que existe, pois ataca diretamente os mais pobres. Com amigos como Pochman, os pobres brasileiros não precisam de inimigos!

As idéias do presidente do Ipea parecem surgir direto de um sarcófago. São tão ultrapassadas, tão absurdas, tão refutadas pela lógica econômica e pelas evidências empíricas, que espanta ainda serem levadas a sério nesse país. Mas, caso fossem apenas motivo de piada, como deveriam ser, aí sim o tal neoliberalismo teria chegado ao país, e com certeza a realidade seria muito diferente. Seria muito melhor!

Alterar sem mudar nada

Adelson Elias Vasconcellos

Quando dona Dilma anunciou toda faceira que o Luiz inácio iria congelar a assinaturas MPs, e que a oposição podia voltar a “negociar” com os governistas, que o Luiz Inácio sabe que o Legislativo precisava cumprir seu papel, etc., etc., e etc., avisei aqui: não dá pra confiar. É conversa mole para aplicar mais uma gravata no adversário.

Ontem, reunindo seu Conselho Político, lá vem o dito cujo e declara que, alterações são aceitas desde que não prejudiquem a governabilidade, mais um montão de eteceteras. E deu um recado para os governistas para que fiquem do lado do governo.

E hoje, vai e despacha mais uma medida provisória e sobre um tema que mereceria, no mínimo, um debato amplo de parte da sociedade. Com a medida se permitirá a regularização fundiária de terras na Amazônia para áreas de até 1.500 hectares. Confesso que ainda não li a tal MP e, para o bem da Amazônia, espero que nela não se tenha incluído nenhuma cretinice.

Porém, é no mínimo uma insensibilidade tratar de tema tão delicado através de medida provisória, o que vem corroborar que a tal promessa era para cair no vazio, e tentar conter o ímpeto dos oposicionistas de obstruírem votações no parlamento. Alegou o senhor Luiz Inácio que só assinou a MP a pedido dos parlamentares que representam a região. Peraí: mas não dava para os “parlamentares”terem proposto um projeto de lei para ser discutido por todos os demais parlamentares que representam o Brasil? Acaso a Amazônia é propriedade exclusiva de uns poucos ? Qual a posição dos ministérios que são diretamente envolvidos com a questão amazônica , ambiental e de agricultura em relação ao que se está regulando ? E quando a MP chegar ao Congresso, os demais “parlamentares” poderão debater, emendar, propor, modificar aquilo que foi assinado hoje, ou um bate papo de líderes na do cafezinho, tornará lei um monstro que sequer foi analisado pelo Congresso como corporação única?

E fiquem certo que, eles,os governistas, farão “pequenas” alterações no texto que regula a edição de medidas provisórias, mas sem alterarem a essência e sem colocar freios nesta ação totalitária de se governar o país sem o Legislativo.

Quanto a MP do dia, voltaremos a tratar desta questão. A experiência tem mostrado que, sempre que o governo toca em assuntos do “patrimônio” da Nação, invariavelmente, se produz estercos com muito mal cheiro.

Com IOF, bancos aumentam juros para clientes

Jornal do Brasil

As taxas médias de juros praticadas nas operações de crédito no sistema financeiro apresentaram um modesto aumento de 0,1% em fevereiro, atingindo 37,4% anuais, depois da forte alta de 3,5% apurada no mês anterior. Entretanto, houve um recuo de 1,9% se comparar com igual mês do ano passado, de acordo com a nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro, divulgada ontem pelo Banco Central.

A taxa do cheque especial subiu e voltou aos patamares registrados há dois anos. A elevação foi de 0,5 ponto percentual, para 146% ao ano em fevereiro, a maior porcentagem desde março de 2006, quando estava em 146,4% ao ano.

O cheque especial é uma das modalidades que fazem parte do crédito pessoal, que no mês passado chegou a 49% ao ano, contra 48,8% do mês anterior.

O chefe do departamento econômico da autoridade monetária, Altamir Lopes, disse que o juro subiu ainda sob o efeito do aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) – de 1,5% para 3,38%, ao ano, em operações de crédito – em janeiro e do aumento do spread bancário – a diferença entra a taxa de captação de dinheiro dos bancos e o juro cobrado dos clientes. O número subiu 0,3 ponto percentual para 26 pontos percentuais, em média.

Ele acredita, entretanto, que a taxa deve parar de subir em março em relação ao mês anterior.

– O aumento de fevereiro foi quase uma estabilidade e foi devido à elevação do spread – disse. – A minha impressão é de que, passado o momento inicial da assimilação das medidas tributárias (incidência do IOF) as taxas vão estabilizar. Os dados preliminares de março já mostram isso, de uma certa acomodação do crescimento das taxas de juros.

Para Alencar, taxa é crime
O vice-presidente José Alencar criticou ontem a alta taxa de juros cobrada aos consumidores brasileiros. Alencar disse que os cidadãos pagam "taxas de juros despropositadas" e que, em geral, não têm familiaridade com os números. Para ele, assim, é fundamental alertar para os perigos de pegar dinheiro emprestado ou fazer financiamentos. Ele aproveitou ainda para defender a redução da taxa Selic, que está em 11,25%.

– Nós precisamos alertar ao consumidor porque ele pode estar entrando em alguma coisa que ele não conhece tendo em vista as taxas de juros despropositadas que lhe são cobradas – disse Alencar.

Em seguida, o vice-presidente voltou a reclamar da Selic:

– O consumidor é incauto. Ele compra um bem sem saber a taxa de juros que vai pagar, sem saber a encrenca em que está entrando. Uma taxa de juros ao mês de 5% é igual a 80% ao ano. Uma taxa de juros de 8% ao mês é igual a 150% ao ano. Tudo isso é um crime. Temos de reduzir os juros básicos. (V.M)

***** COMENTANDO A NOTICIA: Vejam como são as coisas no Brasil: a sociedade se mobilizou e acabou pressionando o Senado a derrubar a CPMF. Até porque, conforme se vê em números oficiais, o dinheiro ir para Saúde não foi, e os excedentes de arrecadação de impostos, anualmente, têm batido recordes e mais recordes. Referente a 2007, o excedente é 50% superior ao total arrecadado com a CPMF. Portanto, não faria falta.

O governo do José Inácio, em represália à vontade popular, aplicou um canetação elevando alíquotas em quantidade suficiente para cobrir o buraco. Dentre outras coisas, a elevação da IOF que, agora, os bancos estão repassando para seus clientes.

Ou seja, porque o povo não quis pagar mais CPMF, o governo o obriga a pagar, via indireta. Isto é que é respeito à democracia !!!

Saldo comercial pode cair à metade

Nilson Brandão Junior, Estadão

Bancos revêem as previsões, que se aproximam dos US$ 20 bilhões

O saldo comercial brasileiro deste ano poderá ser metade do que foi no ano passado. Com o expressivo crescimento das importações, bancos e instituições de economia já estão revisando para baixo suas previsões de superávit para 2008. As estimativas, que rondavam a casa dos US$ 30 bilhões até semanas atrás, já caminham para um patamar mais próximo dos US$ 20 bilhões. Em 2007, a diferença entre as exportações e as importações brasileiras somou US$ 40 bilhões.

Caso o valor se confirme, será o menor saldo comercial desde 2003, ano em que, influenciado pela forte desvalorização cambial, o superávit foi de US$ 24,8 bilhões. Na prática, o Brasil passou seis anos com déficits na balança comercial, de 1995 a 2000. Neste ano, uma forte desvalorização do real, em janeiro, acabou ajudando a reverter a curva de sucessivos saldos negativos nos anos seguintes. Já no ano seguinte, o superávit foi de US$ 2,7 bilhões, resultado que em 2002 saltou para US$ 13,1 bilhões.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, conta que as revisões estão sendo motivadas pelos resultados que "vieram muitos ruins nestes dois meses e meio do ano". O superávit acumulado de primeiro de janeiro a meados de março foi de US$ 2,194 bilhões. No mesmo período do ano passado o valor era de US$ 6,404 bilhões. Vale explica que a projeção da consultoria era de US$ 28 bilhões e já estava com "viés de baixa" nas últimas semanas.

"As importações estão crescendo muito mais do que as exportações. O câmbio está muito baixo e as empresas estão recorrendo a compras no exterior. E o crescimento das importações está sendo generalizado, em várias categorias de produtos. Avança em todos os setores", explica o vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

De forma geral, o mercado vinha esperando um saldo comercial em torno de US$ 30 bilhões para este ano. A barreira dos US$ 20 bilhões seria batida apenas no ano que vem. Mas a velocidade das importações provavelmente vai antecipar a chegada a esse patamar. O economista do Morgan Stanley, Marcelo Carvalho, já vinha trabalhando com esta possibilidade desde o fim do ano passado. "Continuamos prevendo balança de US$ 20 bilhões este ano, mas uma extrapolação simples das tendências recentes sugeriria um saldo comercial ainda menor", disse o economista.

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto chegou a estimar, recentemente, que o superávit da balança chegaria a US$ 15 bilhões, resultado de importações crescendo 35% e exportações apenas 10%. Ele projeta que, neste caso, o déficit em conta corrente atingiria US$ 15 bilhões e que isso não seria "problema nenhum". "Como o Brasil está crescendo robustamente, acho que vamos ter um crescimento da importação, o que é muito bom." A Rosemberg&Associados reduziu as projeções de saldo e elevou as de déficit em conta corrente.

A economista da Rosemberg&Associados, Thais Marzola Zara conta que trabalhava com uma perspectiva de superávit da balança comercial de US$ 30 bilhões, montante que foi ajustado para US$ 25 bilhões. Mesmo assim, ela reconhece que um saldo de US$ 20 bilhões é factível para este ano. "Se o preço das commodities cair um pouco e as importações forem um pouco mais fortes, pode-se chegar a este valor", afirmou. Como resultado principalmente do menor saldo comercial, a Rosemberg&Associados ampliou de US$ 9 bilhões para US$ 16 bilhões sua estimativa para o déficit em conta corrente.

Colaborou Ricardo Leopoldo

Vai tudo bem, obrigado!

Por Arlindo Montenegro, Alerta Total
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Um amigo, que gerenciava uma multinacional em sua pátria antes da tomada de poder pelos comunistas e foi obrigado a retirar-se com dois filhos menores, com uma mão na frente e outra atrás, deixando o patrimônio moral, material e afetivo lá em Angola, mandou-me um destes pps que circulam pela internet, intitulado “Consertando o Mundo”.

Um cientista, aporrinhado pelo filho menor rasga um mapa e manda o menino “consertar o mundo”, pensando ocupá-lo por um bom tempo. Em minutos a criança diz: “Pai, acabei”. O cientista olha e vê o mapa montado e correto. “Como você conseguiu?” “Foi fácil, eu não sabia como consertar o mundo, mas sabia como era o homem que estava do outro lado: consertei o homem, consertei o mundo.”

O diacho é que cada homem é diferente e nenhuma civilização, nem mesmo a cristã deu jeito de unificar e isolar a bestialidade. Fico pensando nas inteligências, nos homens de visão, nas pessoas conscientes que atentam para o que ocorre aqui, no quintal da nossa casa: hábitos, modismos, alardes, contas a pagar, cartões de crédito, pão e feijão mais caro cada dia, emprego mais difícil e pretensões de consertar o nosso mundo limitado, pior ainda.

Na década de 1960, ouvi de um casal de intelectuais formados pelo ITA e USP, que a ONU seria o governo mundial, num mundo pacificado. Na ignorância juvenil, fiquei admirado, perplexo até! Um governo lá tão longe, ia dar as cartas por aqui? Chego à velhice ouvindo os repetecos e alarde sobre ideologias, crenças, poder, controles e partidos. E percebendo que os partidos, são blocos monolíticos e impermeáveis onde imperam “donos” que parecem ouvir somente a própria voz e os louvores dos filiados mais próximos. Que nenhum partido se dá ao trabalho de montar um plano estratégico fundado no bem comum e na soberania pátria, muito menos polemizar racionalmente para escolher e divulgar caminhos diferentes, inovadores . Que isto, incluindo esta página, parece mais conversa pra boi dormir.

O painel que utilizo como mapa mental mostra que os controladores do mundo fundaram um clube com o nome de Diálogo Interamericano, que pariu o Foro de São Paulo, que elegeu o Presidente Lula e mais recentemente os presidentes da Venezuela, da Argentina, do Peru, da Nicarágua, da Bolívia...

E que as farc participam do Foro São Paulo, treinam o MST e todos juntos aplaudem e ajudam a nova e mais poderosa força armada guerrilheira do Brasil (Revista Isto É, 26/Mar/08), a LIGA DOS CAMPONESES POBRES, atuante em Rondônia, Minas Gerais e no Pará, com conhecimento das Forças Armadas há mais de um ano, com o silêncio da imprensa até agora, com o beneplácito do governo que na linha do seu partido, o PT, reconhece os narcotraficantes seqüestradores das FARC, como “força insurgente”, gente fina, que luta para dominar a Colômbia e destituir o governante eleito e aprovado por 85 ou mais por cento da população daquele país. Tudo isto contra o capitalismo e o império americano que subsidia a Venezuela com a compra do petróleo, dólares que financiam as pretensões da revolução bolivariana, pese a miséria do povo, aprovada por Fidel Castro, amigo particular do Presidente Lula e dos que o cercam.

Tudo isto me faz pensar como um desvairado nas possibilidades futuras dos que vão integrar uma América Latina com nova divisão territorial, novas fronteiras, novos países limitados por biomas e culturas locais diferenciadas: Amazônia em sua integridade, Chaco e Pantanal em sua integridade, Pampas em sua integridade, Cerrado com todas as riquezas minerais intocadas. Com a facilidade que as oligarquias locais dominantes já estão desde a fundação do Brasil, prontinhas para servir aos colonizadores, garantindo seu churrasco, peixada, uísque e meninas de programa, preferencialmente menores de idade.

Grana e organizações aéticas, ignorantes e de cabresto, não faltam. Violência drogada, não falta. Drogas submetendo a juventude, anulando o espírito crítico e vontade, não faltam. Desinformação estratégica local e importada, não falta. Veículos de divulgação e propaganda permanente, não faltam. A costura deste admirável mundo novo vem sendo feita pelos controladores das finanças mundiais há mais de meio século.

Isto soa como teoria da conspiração! É apenas construção de mente ociosa!Por favor, deletem. O país nunca antes jamais em tempo algum “se beneficiou-se”nem “beneficiou” tantos em tão pouco tempo... A dívida externa está paga... Podemos “atrevessá” sem arranhão a quebradeira dos EUA... O Produto Interno (dos) Brutos está crescendo... Tem crédito nos bancos pra quem quiser... A educação vai bem, a saúde vai bem... O mundo tem conserto... o homem... sei não!

E você vai bem?

Em apoio a agropecuários, argentinos fazem panelaço

Agência Efe

Setor agropecuário anunciou que continuará em greve por tempo indeterminado contra aumento de impostos

BUENOS AIRES - Centenas de pessoas saíram nesta terça-feira, 25, às ruas de Buenos Aires batendo panelas e frigideiras contra a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner. A manifestação ocorreu poucas horas depois da líder argentina anunciar que não negociará com os produtores agropecuários.

As quatro maiores associações do setor agropecuário anunciaram nesta terça-feira que continuarão "por tempo indeterminado" a greve que já dura 15 dias. O motivo da paralisação são os recentes aumentos nas retenções sobre as exportações de produtos agrícolas.

Em zonas centrais da capital, como nos bairros residenciais Barrio Norte e Recoleta, centenas de moradores aderiram ao "panelaço", fecharam o trânsito e gritaram palavras de ordem contra a governante, enquanto outros acompanharam o protesto de suas sacadas.

Batendo panelas nas ruas de Barrio Norte, Naná, de 56 anos, e Jorge, de 60, disseram à Agência Efe que o protesto é uma maneira "pacífica" de demonstrar a "inconformidade" dos argentinos com o Governo. Os dois também lamentaram o fato de a presidente estar "provocando uma divisão na sociedade argentina".

"Não sabemos o que vamos conseguir com isto, mas os 'panelaços' já derrubaram um presidente", lembraram eles, em alusão à renúncia de Fernando de la Rua, em 2001.

Já Andrea Palomas, de 42 anos, saiu às ruas para protestar "contra a política agropecuária" que está acabando com o campo. "A presidente quis pôr o campo contra a cidade, mas nós, na cidade, estamos do mesmo lado que o campo", disse.

Por sua vez, Ingrid, de 26 anos, declarou que saiu para "protestar por tudo o que está ruim", "porque não é possível que as pessoas vivam sem dinheiro".
Cristina, que completou recentemente cem dias de mandato, anunciou que não cederá à "extorsão" dos produtores agropecuários. Dentro do país, milhares de produtores agropecuários apóiam o piquete convocado pelas quatro patronais do setor bloqueando estradas e promovendo paralisações.

Apoio ao governo
Em resposta às manifestações, o ex-presidente da Argentina e marido de Cristina, Néstor Kirchner (2003-2007) convocou para quinta-feira, em Buenos Aires, um ato em apoio ao Governo e em repúdio à greve dos agropecuários, disse à imprensa o prefeito da localidade de Florencio Varela, Julio Pereyra.

Depois de uma reunião com Kirchner, Pereyra confirmou a convocação para o ato, que terá Cristina como oradora.

Além do "panelaço" em diferentes bairros de Buenos Aires, protestos similares também foram registrados em algumas das principais cidades do interior do país, como Córdoba, Rosário, Tucumán e Mar del Plata.

Na contramão da ética

Paulo Nathanael Pereira de Souza (*), Jornal do Brasil

Os governos chamados populistas, que são uma versão decadentista das esquerdas em refluxo em todo o mundo, assumiram como estratégia de chegada e de manutenção do poder, um tipo de ética, que tem feito Aristóteles virar-se no túmulo.

Trata-se de praticar uma inversão da regra de ouro do comportamento humano, que sempre se estribou no princípio, segundo o qual, os fins não justificam os meios. Sobre essa base, sólida como o Pão de Açúcar, construíram-se as regras mais civilizadas do convívio e das organizações sociais. Toda a estrutura legal dos povos, seja na preservação da vida e da integridade das pessoas, seja no respeito aos limites relativos à prática da liberdade individual, apoiou-se nesse valor moral, que, como axioma que é, mereceu o respeito universal, sem necessidade de demonstrações sobre sua sacralidade.

No plano político, as democracias sempre se identificaram com o Estado de direito. Como dizia Francisco Nitti, ele próprio um socialista dos anos 30: "A democracia, sempre diversa em cada época e cada país, é a forma de governo em que todos os cidadãos, sem distinção de nascimento e de riqueza, gozam na lei dos mesmos direitos políticos e civis".

O respeito à lei é a pedra de toque da ética nas democracias. Em razão disso é que, no capítulo das liberdades e dos direitos individuais e sociais, constantes das Constituições dos países livres, a expressão que mais se encontra no texto é "nos termos da lei". Até porque a lei é a forma positiva e expressa dos princípios éticos assecuratórios da liberdade e da incolumidade das pessoas.

O que assusta, hoje, é a facilidade com que governos e forças políticas encasteladas no poder agem, sem o menor escrúpulo em relação à ética. Seu conceito sobre as ações desenvolvidas, já não leva em conta o fato de os fins não justificarem os meios. Ao contrário, são sempre os fins que justificam os meios, ainda quando estes sejam ilegais e, portanto, estejam na contramão da ética.

E por que o fazem? Porque no seu ideário político os fins, que se baseiam, não na legalidade objetiva, mas numa legitimidade subjetiva, inocentam plenamente os meios usados, ainda quando agridem a lei e a ética.

Veja-se o caso brasileiro: minorias ideológicas travestidas de justiçadores sociais invadem propriedades agrícolas e urbanas, ocupam-nas, depredam-nas, arrasam-nas ao arrepio da ordem e da lei, sob o argumento de que estão a fazer justiça. Trata-se de uma justiça feita pelas próprias mãos, a mais primitiva e injusta forma de promover justiça, porque antecede os comportamentos civilizados. E o que é mais para lamentar, contando não raro com o apoio ativo ou passivo de autoridades, que pavimentam seus sucessos através da inversão da ética procedimental.

O pior disso tudo é que, perdidas as referências dos fins harmonizados com os meios e obtidas todas as licenças para a prática dos meios impróprios que se justificam pelos fins, o caos se instala no seio das sociedades, a ponto de se tolerarem todos os abusos, praticados em nome do que, cada qual, a seu talante, considerar um direito seu ou de seus sequazes. Esse talvez seja o maior perigo a pairar sobre as práticas políticas contemporâneas, nestes tempos tão difíceis de serem explicados pelas ciências sociais, nem sempre tão científicas quanto o nome parece indicar.

O problema se mostra tão mais grave, quanto se sabe que até nas nações milenares, como o Reino Unido, esse abalo no entendimento da ética já se vem tornando uma prática comezinha. Informam os noticiários que a esposa do presidente da Câmara dos Comuns britânica pagou uma fortuna de libras em taxis, como parte da conta de despesas da Presidência ocupada por Michael Martin, algo parecido com os nossos cartões corporativos, um político escocês populista advindo da militância do justicialismo social anglo-escocês.

Tal como ocorre por aqui, o assunto está fervendo por lá. E o que explica a globalidade desses maus comportamentos? Nada mais, nada menos do que a difusão dessa moral negativa, segundo a qual, os fins justificam os meios.

(*) Presidente do Conselho Diretor do Ciee Nacional e do Conselho de Administração do Ciee/SP