quarta-feira, março 26, 2008

Não há o que comemorar

Adelson Elias Vasconcellos

Quais são, dentre tantas, as tarefas básicas que o Estado deve prestar aos cidadãos ? São indispensáveis a educação, a saúde, a infra-estrutura (aí se alojando água, luz, saneamento, transportes, estradas) e segurança.

O governo que oferecer isto aos seus cidadãos terá, assim, cumprido, sua missão ? Certamente, não. O governo deve ainda criar um saudável clima para os negócios, para que empresas invistam em produção de bens e serviços, os quais gerarão emprego, renda, e os necessários impostos para que os postulados básicos de seu dever possam cumprir-se sem sustos.

Analise-se uma a uma qualquer da tarefas listadas lá em cima, e vocês perceberão que o governo do Luiz Inácio, apesar de cinco anos no poder, não conseguiu avançar um milímetro sequer. Até pelo contrário: não são poucos os passos para atrás que têm sido dados.

Desde que assumiu, preocupou-se em destruir a imagem do governo FHC. Assim, repetiu à exaustão ter recebido o país falido. Há poucos dias até o Delfim Neto, ministro da ditadura, andou falando tal asneira.

O que importa não é ficar aqui repetindo o arsenal de mentiras de que Lula lançou mão para desmerecer o governo anterior. Várias vezes afirmei que Lula, fosse menos açodado, mais humilde e menos cretino, deveria era agradecer a Deus todos os dias que FHC o tenha antecedido na presidência e ter se dedicado a fazer o trabalho que o país precisava. Recebeu um país melhor, mais ordenado econômica e institucionalmente, deixou um leque de programas sociais muito bem estruturado, com um invejável cadastro de famílias pobres, com endereço, nome e número de filhos. Recebeu o país ainda com vários projetos bem estruturados e encaminhados como o de energia, por exemplo, por conta do apagão de 2001, e sem inflação e com contas públicas equilibradas.

A partir daí, tivesse Lula real interesse em avançar, por certo teria sentado no primeiro dia na cadeira presidencial já de posse de um projeto de governo. Dado que FHC lhe permitiu um período de transição, entre a eleição e a posse, Lula poderia ter administrado os problemas do país desde o primeiro dia.

Hoje, vê-se que não havia projeto de governo coisíssima nenhuma, havia era projeto de poder. E durante estes cinco anos outra não tem sido a baliza que norteia as ações do governo federal. Assim, suas missões básicas representam um rotundo fracasso de gestão pública.

Não fosse a profusão de chuvas a reabastecer o reservatórios das hidrelétricas durante todo este verão de 2008, e por certo estaríamos diante de apagões elétricos em várias partes do país. Este governo não acrescentou um quilowatt de energia à capacidade já instalada de quando assumiu. Quem aí esqueceu do apagão aéreo e suas 350 vítimas ? As estradas ? Lastimáveis. Na educação é possível perceber o fracasso face ao baixo nível verificado nos exames de avaliação de ensino que o Ministério da Educação tem feito periodicamente. Resultados que demonstram vertiginosa queda na já incipiente qualidade do que se ensina e do que se aprende. Aliás, tais exames nem foram implantados pelo governo atual, e sim, pelo anterior. Na economia, bem, sequer precisou mexer nos fundamentos básicos que sustentam nossa estabilidade econômica. Mas também não acrescentou nada a não ser demagogia ordinária, discurso demagógico e auto-promoção hipócrita. Todo o estofo desta auto-promoção se sustenta no volumoso gasto com publicidade, festa e solenidades de lançamentos.

Quanto à saúde, a dengue aí está, a falência do sistema hospitalar enfatiza ainda mais o desmonte que foi feito no que havia do bom e correto antes de Lula assumir, a tuberculose e febre amarela ainda nos assustam, e no saneamento básico, seria melhor esquecer. E do ponto de vista institucional, tristemente devemos reconhecer que foi onde mais perdemos terreno. A mistura imoral de assuntos de Estado com interesses mesquinhos de governo, transforma cada dia mais nosso Poder Público numa imensa cloaca a céu aberto.

Agora reparem o que se passa à nossa volta: quando o aprendiz de feiticeiro, Hugo Chavez, não quis renovar a licença de um canal de televisão, e também nos dias que antecederam um plebiscito que, fosse o governo vencedor, tornaria Chavez um governante permanente, parte da população e a grande maioria dos estudantes foram para as ruas protestar e fazer barulho. Na Bolívia, a oposição exige do governo Moralez a mediação da Igreja e de uma comissão internacional para evitar que ele instale no país um regime de exceção. Hoje, na Argentina, por se oporem as decisões da presidente Cristina Kirchner, o panelaço voltou com toda a força. Até no Chile, a população se revoltou e protestou contra o arrocho nas aposentadorias. Aqui, a população morre à mingua nas portas dos hospitais por falta de atendimento e fica tudo por isso mesmo !

Ou seja, mesmo nos países em que o esquerdismo capenga e obsoleto vai conquistando espaço e fazendo festa, a população ainda se sente no direito de protestar e fazer barulho. Não porque os governos lhes concedam tal direito, mas porque o ser humano não abre mão de suas liberdades. É porssio que toda a ditadura que as esquerdas representam em tom absoluto, invariavelmente, tem prazo de validade. No Brasil, este governo faz o que bem entende e ninguém reclama. E olhem que por aqui o que não faltam são escândalos de roubo e corrupção, e ausência do Estado no cumprimento de suas obrigações básicas. Mas parece que a anestesia de um bolsa-família é suficiente para manter todo mundo no cabresto. O povo esquece o quanto foi e é explorado e vilipendiado na sua dignidade, nos seus direitos por um Estado imoral e perdulário. Onde está nossa classe média para se indispor de continuar sustentando um Estado gigolô, enquanto a elite econômica continua sendo agraciada com bolsa BNDES ou vantagens para ganhos financeiros exorbitantes? A distribuição de renda de que canta marra o Luiz Inácio deveria ter sido feita do alto da pirâmide para a sua base, e não começando no meio dela como se tem feito. Isto não se chama distribuição, se chama confisco e extorsão. Além de burra, é a forma mais injusta de se praticar justiça social.

Portanto, não há o que se comemorar. Quando um governo faz festa com um crescimento econômico que representou a penúltima colocação dentre os 39 principais países emergentes, é porque a degradação desta gente já os fez cegos permanentes.

Quanto a popularidade alta junto ao povo, é bom lembrar que, na Alemanha Nazista, Hitler era glorificado como um deus, louvado como o Führer, o enviado dos céus para a salvação dos homens. Deu no que deu... Portanto, não se precisa exaltar tanto a tal sabedoria popular. A história está cheia de exemplos de seus erros, e erros que provocaram milhões de mortes...