SÃO PAULO - Pesquisa Datafolha divulgada ontem pela TV Globo revela estabilidade na disputa presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu um ponto e chegou aos 51%. No levantamento anterior, tinha 50%. Seu principal oponente, Geraldo Alckmin (PSDB), manteve os mesmos 27% registrados na semana passada. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.A menos de um mês das eleições, a candidata do PSOL, senadora Heloísa Helena, repetiu a mesma tendência de queda verificada a partir da pesquisa do último dia 29 de agosto. Na ocasião, Heloísa Helena baixou de 11% para 10%. Na pesquisa divulgada ontem, a senadora do PSOL perdeu mais um, chegando agora a 9% das intenções de voto. O candidato do PDT, Cristovam Buarque, e Ana Maria Rangel (PRP) ficaram com 1%.
Luciano Bivar (PSL), José Maria Eymael (PSDC) e Rui Pimenta (PCO) não alcançaram 1%. Eleitores indecisos são 6% e votos brancos e nulos atingiram 4%.. Apesar de os dados apresentados indicarem a vitória de Lula em primeiro turno, o Datafolha fez a simulação entre os dois principais concorrentes em um eventual segundo turno. Mais uma vez, o quadro é de estabilidade. Tanto o presidente e candidato à reeleição pelo PT quanto Alckmin mantiveram os mesmos índices registrados no levantamento anterior. Lula permanece com 55% e Alckmin com 37%. A diferença entre os dois é de 18 pontos, segundo o instituto.
O Datafolha também avaliou o desempenho dos quase quatro anos do governo Lula. A gestão petista foi considerada ótima e boa por 48%; regular por 33% e ruim ou péssima pelos outros eleitores pesquisados. A pesquisa foi realizada entre segunda-feira e ontem e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral. Foram ouvidos 7.724 eleitores em 349 cidades. É a quarta de uma série iniciada no dia 8 do mês passado pelo Instituto Datafolha.
(Publicado na Tribuna da Imprensa)
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COMENTANDO A NOTÍCIA:
Continuo a ler alguns amigos "precavidos" em relação às pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial, por causa do plebiscito do desarmamento. Mas aquela era uma situação específica que a diferencia da amplitude de uma eleição presidencial.
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Torcer para haver mudanças no cenário eleitoral? Ótimo, sou indutor de que se deva apostar numa provável vitória. Candidato algum deve desistir por antecipação baseado apenas em pesquisas, por se assim fosse, não precisaria haver eleições. Bastavam algumas pesquisas e pronto: ficava mais fácil e mais barato. Só que a todos é dado o direito de votar, e até em frente a urna você pode migrar seus votos para outros candidatos. Assim, independente de pesquisa, todos devem mostrar seus currículos e suas propostas. O povo, soberanamente, decide. Então qual a finalidade da pesquisa ? Apenas a de informação. Jamais deve induzir alguém escolher tal ou qual candidato apenas por estar favorito ou não.
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Mas quem viaja pelo Brasil sabe que, fora dos grandes centros, a informação é praticamente o que se vê na tevê aberta, diga-se TV Globo, a situação é completamente diferente. E em eleição corre-se menos riscos de se errar a escolha, quanto maior for nossa informação sobre os candidatos. Neste tópico, no Brasil, o risco de se errar é enorme, justamente, porque a informação ainda é um privilégio de poucos, quando deveria ser um direito de todos.
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E não se enganem: Lula é favorito e vencer no primeiro turno, muito por conta desta desinformação. Claro que ela apenas não forma o eixo de todas as razões do favoritismo. Mas ilustra bem que o povo é soberano para escolher, mas também pode ser induzido a errar. E por favor não ignorem o fato de que Lula está cuidando de um eleitorado que com ele se identifica muito mais do que a gente imagina: gosta de futebol, de uma cerveja ou uma cachaça de quando em sempre, não é muito afeito a trabalhar muito, não gosta de ler, não faz e nunca fez questão de estudar, ou são analfabetos ou perto disto, querem vencer na vida com o menor esforço possível. Para atingir esta camada da população, o assistencialismo conta e conta muito. Basta vermos o governo Lula o que faz em relação aos pobres e miseráveis e ver o que os "coronéis" do nordeste sempre fizeram !
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Não dá para nos iludirmos. Precisamos tirar desta eleição a leitura real do que é o Brasil, e com inteligência buscar caminhos para evitar que Lula possa permanecer além da conta. Do contrário, iremos acumular fracassos atrás de fracassos. Já disse antes e repito agora: o melhor desta eleição é que Lula herdará sua própria herança maldita, e ela, se sabe, não é boa, nem para ele, muito menos para o país. Porém, todos os seus inúmeros erros serão possíveis de corrigir e recuperar o país para um destino digno e próspero.
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Vai dar muito trabalho ? Sim. Vamos ter que pagar um alto custo por causa dele ? Sim, e muito maior do que imaginamos. A única coisa que podemos fazer enquanto ele estiver no poder é evitar que ele divida ainda mais a nação. Nos encaminhamos rapidamente para uma desagregação social sem precedentes em nossa história. E este tumor, amigos, é que é um prejuízo dificílimo de recuperar.
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Basta que se analise a Alemanha desde 1920 até agora, basta que se analise o que foi o Iraque com Saddam e o que é até hoje, e basta que se faça o mesmo em relação à antiga URSS. Quando uma nação começa a se fragmentar, ela perde sua identidade e perde, também, os valores que a construíram. Recuperar este prejuízo não se consegue em uns poucos anos. São gerações que pagarão por esta desgraça, e isto se conseguirem, mesmo que fragmentado, manterem sua unidade. Esta herança de Lula e PT, será um tumor de difícil, longo e penoso tratamento. E enquanto ele estiver no poder, esta terá que ser nossa luta, nosso ponto de resistência.
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Que a estratégia política do PSDB/PFL de longo prazo, para desaguar em 2010, possam produzir os resultados calculados. Mas até lá, há que se cuidar para o Brasil permanecer Brasil, e que nós sejamos ainda uma única e grande nação. Se nos descuidarmos, a fragmentação será inevitável. Este é meu único temor. Muito mais pelas companhias que o cercam, Lula trabalha nesta fragmentação o tempo todo. Entendem ser esta um estratégia de perpetuação no poder. Porém, vou um pouco mais longe pelas conseqüências que nesta estratégia se embutem; um nação dividida entre pobres e ignorantes de um lado, e outra culta mais próspera de outro. No meio disto, o fanatismo doentio misturando a miserabilidade com uma contra cultura ideológica. Acreditem, este quadro me mete medo sim, porque o mundo já o assistiu dolorosamente na Alemanha de Hitler.
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Mas ainda, sobre esta fragmentação, ainda iremos abordar mais adiante. O que é importante, por ora, é saber que as pesquisas também podem errar. Elas apontam uma tendência dentro de um universo inferior a 1,0% do universo eleitoral. E não dá para se declarar Lula como vencedor até a contagem final de votos. E digo isto com a convicção de que há um enorme contingente de pessoas indignadas no Brasil. Indignadas pelos escândalos, pelo alto grau de imoralidade reinante no meio político brasileiro. Inúmeras categorias de profissionais, de atividades econômicas e de classes sociais sentem-se desapontadas com o governo Lula. Isto é evidente. Como também há uma imensa massa silenciosa pronta para descarregar esta indignação na eleição.
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Ninguém pode aceitar a noção de que todos os brasileiros são inimigos da ética, do trabalho, da decência. Muitos há que não aceitam a degradação da classe como algo normal, natural, apesar do PT e Lula proclamarem isto à exaustão. Muitos que são beneficiários dos programas assistenciais também se revoltam com tanta lama, corrupção, enriquecimento ilícito. Já disse inúmeras vezes que, diante do pesquisador, muito se sentem constrangidos em dizer que não votam em Lula por medo de perderem seu benefício. Muitos há que até evitam um pesquisador. Lula é favorito? Sim, mas nada indique que deva vencer apenas por isso. Há muitos fatores que podem mostrar um resultado final diferente, mesmo que historicamente a probabilidade disto acontecer seja praticamente nulo. Mesmo em eleições presidenciais, os institutos de pesquisas cometem erros de avaliação. E nesta eleição quem é capaz de prever que isto não possa acontecer ?