Adelson Elias Vasconcellos
É impressionante como o PT no governo se utiliza do aparato investigativo da Polícia Federal para triturar adversários. É claro que seja quem for, quem transgredir a lei, deve responder por isso. No caso específico, políticos da oposição ou do governo, tendo em vista que a PF não é propriedade do PT, e sim do Estado brasileiro, o tratamento deveria em tese ser igualitário.
Infelizmente, os fatos tem comprovado o contrário. Há uma imensa dificuldade da PF atingir os companheiros, muito embora o que não faltem são evidências fortes de crimes por eles cometidos. Há pouco dias, comentamos aqui o caso reportagem da TV Globo sobre a cobrança descarada de propina em um hospital público no Rio de Janeiro. Todas as empresas envolvidas, tem contratos com órgãos estaduais e federais, e o vídeo não deixa dúvidas de que se comportam de maneira tão natural que, corromper servidores, parece-lhes algo rotineiro, natural. Ou, como disse um deles “...é a ética do mercado...”
Outro que balança, balança mas parece ser impossível de atingi-lo é o governador do DF, Agnelo Queiroz. Fosse quando ministro dos Esportes, ou mesmo no comando do Executivo da capital federal, são abundantes as acusações, indícios, testemunhos do comportamento delinquente do companheiro. Mesmo que ele esteja envolvido com Carlinhos Cachoeira, a gente só ouve vazamentos da ligação do ainda senador Demóstenes Torres. E tudo corre seguindo o mesmo script da ação que derrubou José Roberto Arruda.
Casos recentes também de desvios, irregularidades, tráfico de influência e corrupção, como as construtoras envolvidas com o governo do Rio de Janeiro, a ministra Ideli Salvatti – as lanchas e a doação de dinheiro para campanha pelo mesmo fornecedor -, o ministro Guido Mantega e o tenebroso caso da Casa da Moeda, a propina paga a assessor do ministro Padilha, da Saúde, as tais consultorias fantasmas de Fernando Pimentel, da Indústria e Comércio, são alguns dos fatos recentes que deveriam e mereceriam de parte da PF atuação mais rigorosa. Porém, tais casos só se tornaram públicos graças ao trabalho da imprensa independente.
Porém, a imprensa rendida ao partido só tem tratado do caso Demóstenes, e parte dela já se dedica a utilizar este escândalo como motivo para empurrar o Mensalão petista para às calendas. Contudo, um caso nada tem a ver com outro. E o mensalão, vergonhosamente, vem se arrastando há tanto tempo que, alguns dos crimes até já prescreveram, e o restante corre o risco de acabarem prescritos também.
O estratagema que se emprega é alegar que o caso dos Correios, em que aparece um funcionário recebendo ter mil reais e o embolsando, foi montado pela turma do Carlinhos Cachoeira.
Ou esta gente perdeu o senso do ridículo, ou o juízo por completo. Primeiro, que a gravação foi feita por um empresário que não mantém ligação alguma com Cachoeira. Segundo, o escândalo só estourou, de fato, a partir do ex-deputado Roberto Jefferson que resolveu por a boca no trombone. Onde, então, a ligação entre Mensalão e o empresário goiano, Carlinhos Cachoeira?
Mais: tanto a Polícia Federal quando o Ministério Público tiveram tempo mais do que suficiente em relação ao Mensalão, depois do escândalo explodido, para investigarem o caso. Encerrado o inquérito, foi oferecida a denúncia que, aceita pela Procuradoria da República, foi encaminhada ao STF que lhe deu prosseguimento, tornando os envolvidos em réus.
Em momento algum surgiu a menor ligação do caso Mensalão com as armações de Carlinhos Cachoeira. Por conta do que agora se quer utilizar um caso para retardar o prosseguimento do outro?
Infelizmente para o Brasil, e diria, para a vitória da decência como valor maior, os dois processos caíram em mãos de Lewandovski sobre o qual pairam minhas dúvidas quanto a sua capacidade de decidir, mas esta é uma opinião pessoal. Todavia, considerando tudo que está em jogo, considerando, ainda, a enorme expectativa da sociedade, DUVIDO que o Supremo Tribunal Federal vá se prestar a jogar no lixo sua própria história, dando campo para que se realize a palhaçada de deixar de punir exemplarmente aquela corja de bandidos arrolados no Mensalão.
E não se trata, portanto, unicamente de fazer vingar o estado de direito democrático, mas de se dar um enorme avanço para um futuro melhor para o próprio país. Por mais pressão e jogo sujo que esta turma que gira em torno do PT e do próprio José Dirceu possam fazer, está na hora do Brasil acabar com aquele sorriso de mafioso e arrogante que o chefe da quadrilha vem carregando há tempo com a certeza quase absoluta de que não será punido.
Assim, que o resto da imprensa independente e honesta que ainda resta no país faça o trabalho de pressão e cobrança. Esta quadrilha não pode permanecer mais tempo impune. Não se pode pretender que a cachoeira de lama do caso Cachoeira/Demóstenes, apague a clareza dos crimes e criminosos do mensalão, como a turma dos companheiros e seus capangas da imprensa se esforçam em querer vingar.
É claro que Dirceu, seus capangas de Mensalão e seus vassalos da imprensa menor, festejam a mais não poder a queda de oposicionista que pregava a moral certa, mas se comportava com a moral errada. Apesar da alegria destes delinquentes, o país não pode aceitar a vigarice que tentam emplacar de que todos são iguais e que o crime de um arrefece a punição merecida dos crimes de muitos.
Encerro lembrando uma das famosas frases síntese do mestre Millôr, cuja inteligência vai nos fazer muita falta:
“Pode ser que um dia se passe mesmo o Brasil a limpo. Até agora a quadrilha política fez do Brasil apenas papel higiênico”.
Perfeito!!!



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