sábado, março 10, 2007

O ponto G: as galhofas presidenciais. Parte 2

Adelson Elias Vasconcellos

Lula, pelas companhia latinas de botequim com quem gosta de conviver, parece entender ou achar que todos os governantes do mundo se nivelam por um nível moral parecido ao seu, rasteiro, vulgar e ordinário. Acabou produzindo algo mais deprimente (ou no mesmo baixo nível), do que aquele cometido no meio semana, no re-re-lançamento do programa contra a AIDS.

Sendo assim, diante de Bush e comitiva, numa cerimônia transmitida por tevê para os Estados Unidos, o tupiniquim não se conteve em seu deslumbramento, e proferiu um discurso acompanhado de atitudes que, no conjunto, alguém lá fora, de juízo e caráter reto, o tomarão a conta de um embriagado. No Estadão deste sábado, temos um pedaço do vexame de Lula, indecoroso, inconveniente, imoral, deselegante, a tudo isto ainda se poderia adicionar as pitadas inseparáveis de ignorância, falta de decoro e de respeito para com o visitante e sua comitiva, num estilo bufão meio canastrão, de baixo nível, na reles ordinária atitude tragicômica de um indivíduo de muito má formação, em todos os sentidos possíveis que esta má formação puder abrigar.

Leiam um trecho da reportagem do Estadão: “Sexo, jogos, divertimento - ou melhor, ponto G, truques de baralho e noites de Oscar. Não, não era um encontro de amigos em hotel de turismo. Era o presidente Lula brincando, misturando política externa e conversa de botequim, no encontro entre ele, seu convidado George W. Bush e a imprensa, ontem à tarde, no Hilton.Qual Mike Tyson, ele jogou pesado já ao entrar no palco: “Puxa, tem mais jornalista aqui do que em premiação de Oscar”. Passado o tempo de risos da platéia, completou: “É claro que quem está dando os prêmios não é tão bonito...” Não demorou para que voltasse a fazer menção ao sexo. Dois dias depois de ensinar ao País que “sexo é uma coisa da qual quase todo mundo gosta”, Lula insistiu com seu parceiro americano quanto à urgência de chegarem logo “ao ponto G” do entendimento sobre a Rodada Doha. Para dizer que a conversa tem progredido, recorreu, sem inibição, à imagem do orgasmo feminino: “Estamos andando com muita solidez para encontrar o chamado ponto G e para fazermos alguma coisa”. Bush, atento ao fone de ouvido, riu ao ouvi-lo. O público americano, não. Esse trecho da conversa foi omitido na TV daquele país pelo tradutor que apresentava o diálogo ao vivo.

Claro que houve e haverá público para aplaudir e achar graça de figuras grotescas de tão má conduta. Bush, por educado que é, até riu. Mas sua comitiva não.

Palhaços fazem rir a qualquer tipo de público. Faz parte de sua atuação. Muitas vezes, são pagos e sua atuação é profissional. Porém, saídos do picadeiro, retomam às suas personalidades naturais, e no mais das vezes, são pessoas até muito sérias, em nada a lembrar suas atuações no palco. Porém, quando alguém que enverga a faixa presidencial de uma nação, a atuação de picadeiro tem que ficar restrita ao seu círculo mais íntimo, quase familiar. Desempenhar este papel ridículo de natureza circense diante do mundo, é jogar no constrangimento toda uma nação.Ter senso humor não precisa necessariamente fazer-nos transmissores de baixarias. E de tudo o que já se disse, fica a impressão de que de fato Lula ainda é pequeno demais para o cargo que ostenta. Seu comportamento de hoje perante o presidente americano é sintomático de um certo deslumbramento por estar diante do homem mais poderoso do mundo, ou pelo menos diante do presidente da nação mais poderosa do mundo. Este deslumbramento infantil poderia ficar apenas no sentimento interior de Lula. Mas não: fez questão de demonstrar sua pequenez de homem deseducado, de representante legítimo de um país de quinta categoria. Não precisaria Bush ter dito absolutamente nada. Apenas o comportamento despropositado de Lula seria suficiente para perceber-se sua inferioridade levada ao extremo na falta de cultura, na ausência de educação e de decoro, como que a dizer ao mundo todo que os brasileiros são um povo primitivo e ignorante. Esta foi a imagem transmitida. Para Lula talvez o momento tenha sido de êxtase puro, talvez ele tenha atingido seu ponto “G” num gozo imortal. Para nós brasileiros, contudo, ficou o papel de envergonhados por sermos representados por uma figurinha tão patética, ridícula e indecente. Merecíamos mais, com certeza. O fato de sermos um povo pobre, não é aval para sermos um povo primitivo e imoral. Educação, afinal, se permite ter até um analfabeto, quanto mais um presidente da república que, ao invés de se portar à altura do momento e do cargo, prefere partir para a leviandade, para o repulsivo, com gracinhas que fazem qualquer palhaço chorar. Chorar de vergonha.

Talvez para o palhaço do Planalto, o tal ponto “G” aplicado num picadeiro faça rir. Mas para um presidente da república, numa cerimônia formal, diante de visitantes, com transmissão internacional pela tevê, a palhaçada teve o dom de mostrar que o nosso palhaço não sabe fazer graça alguma. Pareceu vulgar, imaturo e desrespeitoso. Claro que a mídia local (apenas uma parte dela), a vendida e subserviente, que acha que educação é frescura, a verborragia fecal do presidente foi divertida. Afinal, como tem gosto para tudo, tem gente que come merda e ainda se lambuza. Porque não haveria de os puxa-sacos de plantão para aplaudirem discursos ordinários!

Então ficamos assim: cada um escolhe o palhaço que quiser. De minha parte, prefiro aquele que apenas me faça rir. Os que me fazem chorar de vergonha, é melhor ignorá-los, antes que a gente desaprenda o real significado da palavra “educação”. Como disse, posso ser pobre, mas me dou o direito de ao menos ser educado e não ordinário e vulgar. É uma escolha, sei. Pode até parecer pedante, mas ainda assim uma escolha. Pelo menos é uma forma de evitar o ridículo e o baixo nível moral. E, para isso, não precisa usar camisinha. Precisa ter caráter. Ou não.

O ponto G: as galhofas presidenciais. Parte 1

Adelson Elias Vasconcellos

Existem coisas que você pode fazer na vida, sempre que lhe der vontade.e ninguém tem nada com isso. São opções que você faz, por sua livre e espontânea vontade, muito embora, as circunstâncias possam inclinar você a decidir ou não por esta ou aquela escolha.

Quando o ser humano cresce e amadurece, a primeira coisa que ele aprende é que a infância ficou para trás. Que “certas criancices” não pegam bem para um homem adulto. Da mesma forma, em relação à adolescência. Certas conversas que entre garotos de 14, 15 anos, dez anos depois parecerão ridículas, e a tal ponto que muitas vezes você mesmo se pegará dizendo “como fui ridículo, meu Deus !”.

Porém, nem todos os adultos se dão conta disto. E continuam ridículos vida afora, fazendo palhaçadas sem se aperceberem do quão medíocres, e quase sempre inconvenientes, acabam se tornando. Enquanto se é um zé-ninguém, até que são “suportáveis”. Porém, se o acaso da vida os tornar algo maior, então esta falta de maturidade acaba sendo ainda mais ridícula do que o normal.

Tais pensamentos me vieram nesta semana quando, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o presidente Lula aproveitou para relançar um programa de combate à AIDS. Aliás, Lula é mesmo um festeiro. Festeja até pedra lançado ao rio. Comemora até o buraco tapada de uma estrada de terra do interior. Até aí, tudo bem. Mesmo que esta seja a terceira versão de um mesmo programa, isto não o impediu de repetir no discurso as mesmas baboseiras de sempre, eivadas de arrogância, de chute na memória e na história, além da má intencionada ignorância do que foi feito antes.

Lula, a certa altura do discurso, produziu duas lulices que, convenhamos, o melhor seria que ficasse de boca fechada. A primeira genial descoberta presidencial foi saber da existência de massa encefálica no seu cérebro. Reunindo-se toda a coletânea de sandices e asneiras produzidas por Lula desde janeiro de 2003, convenhamos que esta é uma descoberta e tanto. Imaginávamos pelo repertório produzido, que em lugar de massa encefálica houvesse outros conteúdos. Mas Lula nunca se contém em pronunciar uma asneira isolada. Precisa tornar o discurso ainda mais imbecil e imoral. Vai daí que resolveu que o governo deve ensinar sexo nas escolas, já que não consegue ensinar às crianças português e matemática, talvez quem sabe uma sacanagem...

Claro que para um débil mental dizer asneiras leva-se à conta de sua precariedade mental. Mas, em sendo a figura um presidente da república, que deveria ao menos manter certo decoro com o cargo que ocupa e ostenta, há de ser no mínimo uma desmoralização total. Para um presidente, que admite ser a violência uma questão de “sobrevivência”, que burramente insiste em culpar a criminalidade pela “pobreza”, e não pelo instinto maldoso do criminoso e a falta de punição exemplar, pôr-se a declarar que se precisa ensinar sexo para os jovens, e que isto apenas seria suficiente para, com o uso da camisinha, evitar-se a AIDS, chega a ser deprimente. E o que é pior: chamou a todos nós, moralistas, incluindo aí a Igreja Católica, de hipócritas por não discutirmos o assunto abertamente. Ora, faça-me o favor: maior abertura para se falar em sexo, só se agora começarem a praticá-lo em praça pública, a céu aberto e explicitamente ! Fosse há quarenta, cinqüenta anos atrás, até que faria sentido! Menos nos tempos atuais.

Reafirmamos o que comentamos no meio da semana: ao senhor Lula da Silva falta competência moral e de caráter para chamar a quem quer que seja de hipócrita, da mesma forma que não lhe cabe, como governante, intrometer-se em assuntos que são sim de foro íntimo de qualquer cidadão. Compete ao governo programas de prevenção, de orientação, de informação. Mas foge da alçada do Estado, seja ele governado por quem quer que seja, intrometer-se na educação sexual que cada pai e cada mãe entendam fornecer aos seus filhos. E mais vedado ainda à alçada de Lula presidente, querer incentivar o sexo com sua imoralidade e falta de escrúpulos.

TOQUEDEPRIMA...

Evo for export

O Brasil será um dos mercados do licor Akullico e da cachaça Pachamama, fabricados com folha de coca por uma empresa da Bolívia.

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O governador Maggi e o Dia da mulher
Da coluna Painel da Folha de S.Paulo


"Blairo Maggi (PR-MT) exonerou sua mulher, Terezinha, da Secretaria de Assistência Social. Não foi, porém, ato contra o nepotismo. O governador saiu de férias, levando Terezinha. A mulher do vice assumirá a pasta até a volta da titular.

"Maggi defende o emprego da mulher: "Imagine passar o dia envolvido em problemas e deixar a esposa sem fazer nada em casa. Faço o que com ela? Ela precisa de ocupação"."

COMENTANDO A NOTÍCIA: O Governador Maggi, assim como o vício secular de todos os políticos brasileiros, é achar que, por ele ter sido eleito, a sociedade tem obrigação para com restante de sua família. Assim, dê-lhe nepotismo imoral e indecoroso. Depois, na maior cara de pau vem se justificar dizendo que sua esposa precisa de ocupação. Ótimo, governador, acredito mesmo que em suas empresas, ela bem que poderia zelar pelo patrimônio da família, não teria problema nenhum lá para conceder-lhe ocupação já que este é um problema seu. Porém, às custas da sociedade, “encostá-la” numa função da qual escorrem recursos públicos, é no mínimo indecente, imoral e condenável. Acredito mesmo que sua esposa poderia muito bem exercer qualquer cargo, mas em suas empresas e às suas custas, governador !!!!

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O Governo prepara arrastão tributário
Do Jornal do Brasil:

"Diante da dificuldade para recuperar R$ 400 bilhões devidos à União, o governo quer aprovar um projeto que lhe garanta o direito de executar os devedores sem autorização prévia da Justiça. A idéia é conceder ao Fisco poder para, por exemplo, penhorar conta corrente de pessoas físicas e o faturamento de empresas a fim de realizar o acerto de contas. As duas medidas são adotadas depois de tentativas fracassadas de acordo e de recebimento dos débitos."

COMENTANDO A NOTICIA: É de se esperar que esta sede por dinheiro não acabe atropelando direitos e garantias individuais, previstos na legislação do País. Nenhum poder deve ir além da competência de atuação do agente público. Se o Estado quer recuperar o que lhe é devido, que o faça dentro dos critério de decência. Portanto, que juridicamente acione os devedores a pagarem. Há leis em quantidade que podem ser acionadas para permitir ao governo receber, pelo caminho da Justiça, aquilo que lhe é devido. Mas que não se instaure regime de terror e de usurpação dos direitos que os indivíduos têm assegurado. Temo não ser este o pensamento e a intenção vigentes na pretensão governamental de conceder poderes especiais além do legal permitido ao fisco para cobrança de tributos.

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Cunha Lima nos passos de Aécio
Radar, Veja online

Aécio Neves não é mais o único governador que tem o costume de se esbaldar pelas noites cariocas. Agora, o mineiro tem um seguidor. Cássio Cunha Lima, governador da Paraíba, passou a madrugada de sexta-feira para sábado se divertindo no botequim Jobi, em pleno Baixo Leblon. Saiu de lá quase às seis horas da manhã.

COMENTANDO A NOTICIA: Mas de qualquer forma seria interessante verificar que caixa anda bancando estas “noitadas”. Com a palavra, o TCU...

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Presente de grego

Dois dias antes de queimar Nelson Jobim no fumo grosso, o presidente Lula enviou-lhe de presente uma caixa de charutos cubanos. Jobim já os experimentou. Não contêm cianureto. São puros Cohiba.

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Ministro anuncia R$ 2,1 bi para obras hídricas
Fonte: Agência Brasil

O governo federal vai investir R$ 2,164 bilhões em obras de infra-estrutura hídrica neste ano. Desse total, R$ 730 milhões serão para obras de revitalização e integração do Rio São Francisco. A informação é do ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, que se reuniu hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar dessas obras.

Brito explicou que R$ 483 milhões serão aplicados nas obras de transposição do São Francisco e R$ 247 milhões na revitalização do rio, que compreenderá saneamento básico para as cidades que despejam esgoto no rio, replantio da mata ciliar e recuperação das nascentes em Minas Gerais.

O Brasil assinará nova proposta com o Banco Mundial de US$ 200 milhões, dentro do Proágua, para a construção de adutoras e barragens em todo o País. Segundo o ministro, várias adutoras serão construídas no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco para distribuição das águas do São Francisco a 391 cidades dos quatro Estados.

Além dos investimentos no São Francisco, o governo aplicará também em revitalização do Rio Parnaíba (R$ 102 milhões), integração de bacias hidrográficas (R$ 837 milhões), abastecimento de água em regiões metropolitanas e no Nordeste (R$ 486 milhões) e irrigação (R$ 493 milhões).

O ministro informou ainda que nesta quinta-feira o presidente Lula irá conversar com ministros sobre a construção da ferrovia Transnordestina e investimentos em portos.

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Não há consenso no governo sobre Angra 3, diz ministra
Fonte: BBC Brasil

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse nesta quarta-feira que não há consenso dentro do governo brasileiro sobre a conclusão da usina nuclear de Angra 3.

"Tem um estudo que foi feito, mas não há consenso dentro do governo. Inclusive a postura do ministério do Meio Ambiente é contrária à Angra 3", disse a ministra, que participou de um almoço com o presidente boliviano, Evo Morales, no Itamaraty, em Brasília.

Ela também negou que haja algum prazo para a conclusão da obra. Perguntada se a decisão sobre o futuro de Angra 3 será tomada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ainda sem data, Marina disse: "Não tem que sair em 15 dias."

Programa nuclear brasileiro
Havia a expectativa de que o assunto fosse tratado na reunião do CNPE no dia 31 de janeiro, mas o encontro acabou sendo adiado.

Recentemente, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também havia reconhecido a falta de consenso dentro do governo sobre a retomada de Angra 3, com diferença de opiniões entre os ministérios do Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia.

A retomada de Angra 3 é crucial dentro do planejamento do programa nuclear brasileiro.

Angra 3 seria a primeira das sete usinas previstas dentro do Plano Nacional de Energia Nuclear, que pretende aumentar a participação da energia nuclear na matriz energética brasileira dos atuais 1% para até 5% nos próximos anos.

Zé Trindade do Planalto

Reinaldo Azevedo

É evidente que ninguém corre risco apostando que Lula vai falar alguma batatada, mas existe certo decoro até para a besteira, convenham comigo. Ao se referir ao Ponto G, o homem chegou a gesticular. Sorriu com expressão marota. Sabia estar sendo inconveniente, impróprio, indecoroso — refiro-me, vejam só, ao decoro do cargo. George W. Bush esboçou um sorriso. Os americanos ficaram sérios. A brasileirada riu de seu presidente picaresco. Uma TV dos EUA que fazia tradução simultânea preferiu poupar os telespectadores e preservar Lula de si mesmo: ignorou a referência. Sabem como são os americanos... Fizeram aquele paiseco porque são idiotas e puritanos. Tivessem a nossa picardia e o nosso veneno, seriam felizes como nós. Viveriam o nosso clima de chanchada.
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A bobagem entra para a já gigantesca lista dos lulismos. Eu mesmo, num post abaixo, dei tratamento um tanto galhofeiro à coisa. Mas é evidente que tem seu lado melancólico. Mais do que Lula, é o Brasil que tem uma sorte imensa. Coube-lhe ser governado pelo Apedeuta num período raro de estabilidade da economia mundial — único, já se cansou de dizer, no pós-guerra. Por mais que o PT e seu chefão tentem atrapalhar, as coisas insistem em se conservar ao menos no nível da mediocridade. É claro que Lula não é irrelevante. Mas não consegue ser tão nefasto quanto poderia ou sugerem as suas palavras.
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Escrevi certa feita que o Apedeuta lembra a lendária figura de Zé Trindade (1915-1990), comediante baiano que fez sucesso no período de ouro das chanchadas. Se tingir os cabelos — afinal, suas cãs são mesmo inúteis — e raspar a barba, fica igualzinho. Era do tipo baixote, folgazão, preguiçoso, que sempre se dava bem na base do truque. E tinha dois bordões: “Meu negócio é mulher” (que ele pronunciava “mulhé”) e “Com licença da má palavra”.
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Ao menos pedia licença. Zé Trindade para a Presidência!

A “Síndrome Da China”

por Augusto de Franco, Blog Diego Casagrande
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Escrevi outro dia que as elites brasileiras são as grandes responsáveis pelo retrocesso democrático que vivemos no Brasil. Duas semanas depois um jornalista da CBN me perguntou no ar: “Mas quem são essas elites?”. Respondi que são todas as elites: as econômicas, as políticas e as sociais. Examinemos o comportamento das primeiras.
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Quem são elas? Ora, são as mesmas que admiram a China pelo atual milagre do crescimento do PIB sem se preocuparem com o fato de que se trata de uma ditadura. São as mesmas que criticam o Brasil por não ter uma expansão econômica semelhante, mas não querem nem saber se o IDH chinês é duas vezes pior do que o brasileiro.
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São as mesmas que não estão nem aí para os métodos empregados pelos autocratas chineses, que escolheram a dedo a minoria que se beneficiaria do milagre (com salários de 30 dólares) e quem continuaria no século 17, excluído desse nascente capitalismo de Estado selvagem. E o problema não é que essa parcela majoritária da população chinesa (cerca de 80%) continue excluída em virtude do processo econômico e, sim, que ela foi condenada – por força de decisão política – a permanecer excluída.
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Será que nossas elites gostariam de aplicar o mesmo modelo no Brasil? Escolheríamos São Paulo como nossa Xangai e ao resto caberia financiar o crescimento recorde.
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Os jornais noticiam agora que a China vai destinar, somente neste ano, 45 bilhões de dólares para gastos militares. Diga-se o que se quiser dizer, na prática, isso significa retomar aquele tipo de corrida armamentista, do qual nos imaginávamos livres desde meados dos anos 1990. Ou seja, a despeito de terem os mesmos olhos puxados, o caminho da ditadura militar chinesa para o futuro não é exatamente igual ao japonês, baseado em economia e tecnologia.
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Na China não existe a noção de direito. Nem mesmo o direito mais básico de ir e vir é reconhecido pelo Estado partidário-militar. Se a polícia pegar um pobre camponês de Gangou olhando distraidamente as vitrines de uma rua em Beijing, Deus o livre! Mas o que importa isso diante de um crescimento de 10%, não é mesmo?
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Na China não existem políticas públicas, somente programas estatais. Mas é possível que nossas elites não vejam a diferença entre as duas coisas porquanto não percebem que o Estado chinês é – rigorosamente falando – uma instituição privada.
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Na China não existe sequer o conceito de meio ambiente. Continuam queimando toda matéria orgânica que vêem pela frente sem qualquer preocupação com coisas “ocidentais” como poluição. Assim como poluem a natureza, poluem também a política e a sociedade.
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E daí? Eles têm a sua própria cultura, proclama a velha antropologia de esquerda. E nossas elites econômicas, incapazes de pensar alguma coisa substantiva quando o assunto não é economia, devem assentir: é, isso explica tudo! Os motivos das nossas elites para aprovar a China de hoje são basicamente os mesmos que levaram as elites econômicas alemãs de outrora a se empolgarem com os planos de Hitler. Vislumbraram ganhos em escala. Alguns até financiaram muitas das barbaridades nazistas: Ig-Farben, Siemens, Krupp, Bayer e tantos outros devem ter avaliado que seria bom para os negócios.
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Hoje, no Brasil, o financismo também não se recusa a financiar – por enquanto indiretamente – o esquerdismo, desde que seja bom para os negócios. A “síndrome da China” explica porque as elites econômicas brasileiras resolveram fingir que não estão vendo a escalada do banditismo de Estado promovida pelo governo Lula e pelo PT. Se imaginam que podem ganhar mais com o PAC, todo apoio à Lula.
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A “síndrome da China” é um nome para a irresponsabilidade de um setor da sociedade perante o conjunto da sociedade. Depois de tanta conversa sobre responsabilidade social (vista ainda, em grande parte, como marketing), continua faltando, aos nossos empresários, responsabilidade política.
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Felizmente, estão ocorrendo mudanças promissoras no seio do empresariado. Mas os que vêem que tudo isso é insustentável ainda são minoria. Os que percebem que não haverá desenvolvimento sem ambiente político democrático favorável à expansão do empreendedorismo, da criatividade, da inovação e do protagonismo de localidades e setores, ainda são vistos como sonhadores, nefelibatas, gente que não entendeu que – na selva do mercado que a maioria das elites econômicas julga ser o mundo – o que conta realmente é crescer, crescer, crescer e se apropriar de fatias cada vez maiores da riqueza produzida.
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É essa “realpolitik econômica” irresponsável que explica, em parte, porque um irresponsável, apesar de ter feito tudo o que fez, ainda continue nos governando.
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O curioso é o fato da maioria de nossas elites econômicas se contentarem com tão pouco, considerando que no governo Lula, pelo segundo ano consecutivo, o Brasil só tenha crescido mais do que o Haiti em toda a América Latina. Por isso que – como frisei – a “síndrome da China” é uma explicação parcial. O comportamento das nossas elites econômicas, conquanto tenha muito peso, não é tão decisivo quanto a postura de nossas elites políticas e sociais, como veremos em próximos artigos.

O escândalo do PAN

Editorial da Folha de S. Paulo
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Pisou na bola o presidente Lula ao defender anteontem, em pleno Maracanã, os desembolsos extras da União com as obras dos Jogos Pan-Americanos. É "hipocrisia", disse, discutir se a decisão de sediar o evento foi oportuna e se os gastos decorrentes são razoáveis.
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Tais perguntas, cuja pertinência não precisa ser demonstrada, tornam-se obrigatórias quando se verifica que os custos do Pan já excedem em 684% o orçamento de 2002, quando o Rio apresentou sua candidatura. Os R$ 409 milhões então previstos deram um salto óctuplo e se converteram em R$ 3,2 bilhões -dos quais a metade coube à União.
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Um timoneiro consciencioso, como deveria ser o primeiro mandatário, em vez de apenas assinar cheques em branco, deveria debruçar-se sobre alguns dos gastos e mandar investigá-los. Como explicar, por exemplo, que a reforma do Maracanã, orçada em 2005 em R$ 75 milhões, já tenha consumido R$ 232 milhões? É dinheiro o suficiente para erguer estádios moderníssimos. O de Leipzig, usado na Copa da Alemanha de 2006, saiu por R$ 244 milhões.
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Mesmo que as obras no Rio não escondam nenhuma malfeitoria, devem ser cuidadosamente estudadas, a fim de que erros tão grotescos de planejamento não voltem a repetir-se. Na melhor hipótese, R$ 3,2 bilhões por um estádio novo, outro reformado, uma vila olímpica e pouco mais é um preço extorsivo.
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Se há uma virtude no desastre pan-americano, é que ele serve de alerta para que o Brasil repense sua oferta de sediar a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. Ao contrário do que diz Lula, não há hipocrisia em preterir gastos supérfluos, em especial quando octuplicam misteriosamente.

Antiamericanismo sem lastro

Editorial do Estadão
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O que mais chama a atenção nos protestos que precederam o desembarque do presidente George W. Bush em São Paulo é o primarismo do antiamericanismo embutido nesses ataques. Expressões de repúdio ao seu desempenho como líder da mais inspiradora nação democrática do mundo ele as faz por merecer, por uma profusão de motivos tidos e sabidos. Vão desde a ab-rogação de consagrados direitos civis em seu país e a inédita concentração de poderes na Casa Branca à adoção rotineira da tortura como recurso legítimo na sua propalada “guerra ao terror”, numa afronta sem precedentes às convenções internacionais sobre tratamento de prisioneiros, de que os Estados Unidos são signatários. Em virtude desse calamitoso retrospecto, que pode ser destilado numa só palavra - Iraque -, hoje em dia mais de 2/3 dos seus compatriotas condenam o seu governo, nascido, de resto, de uma grossa fraude eleitoral no Estado dirigido por seu irmão.
Mas quando um punhado de gatos-pingados - cerca de 50 militantes do PSOL - se junta no gramado diante do Congresso, tendo como madrinha a fanatizada ex-senadora Heloísa Helena, para queimar Bush em efígie, o que gostariam de incinerar, na realidade, seria a bandeira das estrelas e listras. A substituição é eloqüente. Bush pode ser detestado por muitos daqueles brasileiros interessados em política internacional - eles próprios uma parcela insignificante da população. Mas não existe no País nada parecido com um arraigado sentimento antiamericano, pela razão elementar de que, ao longo da história, Brasil e Estados Unidos nunca tiveram problemas suficientemente impactantes para atiçar no povo um sentimento de antipatia, muito menos de hostilidade, à potência do Norte. Tampouco a cultura de massa brasileira abriga preconceitos contra os Estados Unidos. Se algo se pode dizer com segurança a respeito é que se trata do contrário - há muito.
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Pode exasperar o duro tratamento que os concidadãos que migraram clandestinamente para os EUA recebem das polícias locais, quando apanhados, ou as inexplicáveis recusas de concessão de vistos temporários a outros nacionais, até quando convidados por organismos internacionais ali sediados. Mas ninguém em sã consciência acusará os americanos, nem mesmo as suas autoridades, de nutrir preconceitos antibrasileiros. De novo é o caso de dizer que, se algo prevalece, é o contrário. E poucos hão de ser os lugares no mundo em que um americano se sinta tão bem como aqui. O Brasil definitivamente não é um dos países com os quais os EUA compartilham um passado conturbado por disputas e desavenças, nem tem, diferentemente do México, uma relação de amor e rancor com los gringos. “Só na América Latina o antiamericanismo figura como alicerce estrutural do pensamento de esquerda”, escreveu ontem no Estado o sociólogo Demétrio Magnoli. No Brasil, nem tanto.
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Comparado com os vizinhos, e em proporção às populações dos seus países, o País decerto divide com o Chile a condição de ser o mais filoamericano. Imagine-se o fracasso de público que seria em São Paulo um comício contra o “Império”, como o que será protagonizado sábado em Buenos Aires pelo presidente venezuelano Hugo Chávez e o seu cliente oportunista Néstor Kirchner. Em que pesem as mazelas sociais brasileiras, é improvável que pudessem ser exploradas no País por um tipo como Chávez para fomentar o ódio aos Estados Unidos. Prova disso é a preocupação de Lula em distinguir nitidamente as suas relações pessoais com Bush dos trejeitos terceiro-mundistas da política comercial do Itamaraty, que o governo nega que se devam a um viés antiamericano, do gênero bolivariano. Restam os carbonários de sempre: as viúvas do guevarismo da UNE e do PT radical, o filochavista João Pedro Stédile, que comunga com o caudilho da aversão à “democracia burguesa” e comanda as ações do MST e da Via Campesina.
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Quando se quer indispor a sociedade brasileira com os Estados Unidos, tudo é pretexto - até a cooperação entre Brasília e Washington na área do biocombustível. Para os seus detratores, o aumento da produção brasileira de etanol de cana, no quadro desse acordo, diminuirá a oferta de alimentos. Esses grupos fazem barulho e provocam distúrbios. Mas a sua influência na ordem das coisas é desprezível.

TOQUEDEPRIMA...

Caixa arrecada R$ 1 bi com loterias em 2007
Fonte: INVERTIA

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quinta-feira que atingiu a arrecadação história de R$ 1 bilhão com loterias federais nos primeiros 66 dias deste ano. Em janeiro, foram ganhos R$ 545,8 milhões em vendas.

No mês passado, as loterias arrecadaram R$ 345 milhões. O mês de março, em apenas sete dias, chegou à marca dos R$ 125,4 milhões.

Em comparação ao mesmo período do ano passado, a Caixa registrou um aumento de 40% nas arrecadações.

Mega-SenaA Caixa arrecadou R$ 40,9 milhões com o concurso 847 da Mega-Sena. A marca superou as expectativas, que previam arrecadação de R$ 40 milhões. A quantidade de bilhetes foi de cerca de 10 milhões.

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Serra propõe a Bush fundo de pesquisa com recursos da taxação do etanol brasileiro
Reinaldo Azevedo

Bush, Lula e Serra almoçaram juntos hoje. O governador de São Paulo fez uma proposta ao presidente americano: a criação de um fundo, com a participação dos dois países, para a pesquisa do etanol e seu impacto na economia. Como não há a perspectiva de que os EUA suspendam a taxação do álcool brasileiro, parte dos recursos desse fundo viria justamente dos impostos recolhidos pelos americanos. Seria algo mais do que um mero protocolo com juras de colaboração mútua. Não foi um proposta tirada da manga do colete. O governo federal sabia da sugestão e aprovou a sua apresentação.

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Empurra com a barriga
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A Anatel estendeu para 24 e não mais 18 meses o prazo para entrada em vigor da portabilidade nas teles fixas e celulares.
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Segundo pesquisa do Yankee Group, quase metade dos clientes tocaria de operadora hoje se pudesse carregar o número do telefone.

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Febraban cria padrão para encerramento de conta

A Febraban ( Federação Brasileira de Bancos) encaminhou a todos os bancos a nova sistemática para o encerramento de contas correntes. O novo processo foi desenvolvido em conjunto com os próprios bancos e pelo Banco Central.

De acordo com o novo procedimento, o cancelamento da conta pode ser solicitado pelo próprio cliente, em carta ou por formulário de encerramento. Os bancos terão até 30 dias para processar o cancelamento da conta.

Além disso, o banco deve aceitar o cancelamento mesmo com a existência de cheques sustados, revogados ou cancelados.

O cliente, por sua vez, deverá devolver todas as folhas de cheque, além de manter saldo suficiente para a quitação de débitos com taxas, tributos, débitos automáticos, encargos financeiros, entre outros, que deverão ser comunicados pelo banco.

De acordo com o comunicado da Febraban, o banco também pode ter a iniciativa de cancelar a conta, devendo avisar o cliente com antecedência de 30 dias.

Os bancos passarão a comunicar os clientes quando as contas permancerem sem movimento por um período superior a 90 dias e, passados seis meses de inatividade, a conta poderá ser cancelada, encerrando a cobrança de tarifas.

"Com tal medida, a Febraban espera contribuir, de forma relevante, para a construção e manutenção de um mercado financeiro ético, saudável e seguro, essencial a toda a coletividade, pautado, em especial, na boa-fé como marca característica dos relacionamentos entre o sistema bancário e seus clientes e usuários", finaliza a Febraban.

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Ainda a Secom
Reinaldo Azevedo

Se Franklin Martins realmente aceitar o cargo de secretário de Comunicação e Imprensa do governo Lula, teremos uma situação interessante. Um assessor direto do presidente — que deve, entre outras atribuições, zelar pelo direito à informação e à opinião — será parte de um processo que diz respeito justamente à imprensa. Martins processa Diogo Mainardi porque não gostou de um texto escrito pelo colunista da Veja. No artigo, Diogo aponta a proximidade do então comentarista de política do Jornal Nacional com o governo Lula. Martins foi demitido da Globo em maio do ano passado e contratado pela Band em seguida. A Band é proprietária da Rede 21, que passou a se chamar PlayTV depois que Fábio Luiz da Silva — o Lulinha, filho de Lulão — assumiu o controle de quase toda a programação. Hoje, a bilionária verba publicitária do governo — aquela que tornou notório Luiz Gushiken, lembram-se? — está sob os cuidados de Luiz Dulci, secretário-geral da Presidência. Com a nomeação de Franklin, o dinheiro, que interessa diretamente às televisões, voltaria para a Secretaria de Comunicação.

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Bancos crescendo
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Os ativos dos 50 maiores bancos brasileiros cresceram 20,5% em 2006, para R$ 1,7 milhão, segundo levantamento do Banco Central (BC) divulgado ontem.
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O ranking traz Banco do Brasil (BB) na liderança. Bradesco em segundo lugar, seguido de Caixa Econômica Federal e Itaú.
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O ABN Amro apresentou a maior evolução no ano, passando a ocupar a quinta posição.

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Secretários apóiam regulamentação de greves no setor público

Em reunião realizada nesta sexta-feira (09.03) em Brasília, secretários de 24 Estados manifestaram apoio a projeto do governo federal de regulamentar as greves. O encontro com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, debateu a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) sobre os limites às paralisações no serviço público e a possibilidade de encaminhá-la ao Congresso.
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“A idéia não é cercear o direito à greve. Devemos estabelecer limites para que a população não seja prejudicada”, afirmou Geraldo de Vitto, secretário de administração do Estado de Mato Grosso e presidente Conselho Nacional dos Secretários de Estado de Administração.
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Vitto defendeu a tese de que nenhuma categoria deve ser excluída do projeto. “Se o contador entrar de greve, não posso rodar a folha de pagamento e isso prejudica toda a população”, exemplificou.
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Paulo Bernardo reagiu positivamente à reunião, ele afirmou que o apoio dos Estados é fundamental. Contudo, acredita ser difícil a aprovação da PEC, devido à pressão dos sindicatos contrários à regulamentação.