terça-feira, setembro 04, 2007

O Bolsa Família serve para que mesmo ?

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Não se trata de discutir-se a importância do Bolsa Família como programa social, porque afinal, desde que o governo FHC criou os programas sociais que, mais tarde, Lula juntou num único, é visível a diminuição da miséria em muitas áreas no país.

No nascedouro dos programas, o governo de Fernando Henrique tinha em mente atacar cada dificuldade das famílias pobres com um programa específico, para os quais exigia-se pré-pré-requisitos que, no médio prazo, fariam com que muitas famílias até pudessem aos poucos irem saindo de cada um dos programas isoladamente. Assim, o Bolsa Escola, por exemplo, teve o dom de colocar praticamente 98% das crianças em idade escolar nas escolas. Já não importam as condições das escolas, porque aí já teríamos outro programa, o FUNDEF especificamente para cuidar disto. De outro lado, havia o PETI, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, cujos resultados foram elogiados e premiados pela UNESCO.

Pois bem, a partir do momento em que o governo Lula adotou apenas um programa, no lugar dos 5 existentes, o fez sob a justificativa de que seria melhor e mais produtivo ter um único programa com um só cadastro. E aí a coisa começou a perder a utilidade real. Em reportagem da Folha de São Paulo, foi apresentada uma demonstração de que, no plano da saúde das famílias beneficiadas, o Bolsa Família perde eficácia. Leiam:

(...)“Eficácia do Bolsa Família na saúde é colocada em dúvida

O Bolsa Família ainda não está tendo efeito positivo na melhoria das condições nutricionais e de vacinação das crianças de famílias que recebem o benefício do governo federal.
Essa é a principal conclusão de dois estudos divulgados pelo Cedeplar (Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional), da UFMG, que está avaliando para o MDS (Ministério de Desenvolvimento Social) os impactos do programa.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores Mônica Andrade, Flávia Chein, Rafael Ribas e Laeticia de Souza compararam famílias pobres que estavam recebendo o benefício em 2005 com as também pobres fora do programa.
No caso da imunização, o trabalho mostra que 24% das famílias atendidas não estava com a vacinação de crianças de zero a seis anos em dia, embora essa seja uma das condições para que recebam o benefício.
O mesmo aconteceu com a condição nutricional das crianças de seis meses a cinco anos. Levando em conta a estatura e a idade, 14% das crianças de famílias pobres beneficiadas apresentavam desnutrição(...).”

Percebam que uma das condições básicas exigidas no Bolsa Escola era justamente a de que os filhos deveriam estar matriculados e com freqüência mínima, além da exibição da carteira de vacinação destas crianças. Representa dizer que se, os índices não estão sendo obtidos, é porque o programa Bolsa Família é menos exigente naa apresentação dos pré-requisitos, o que de certo descaracterizaria o próprio programa com o status de “social”. Mas não é apenas no plano da saúde que o programa é posto em dúvida. Também o trabalho infantil cujos índices vinham caindo ano após ano, a partir de 2005, a curva passou a ser ascendente. Para tanto vamos nos valer do estudo feito pelo site Contas Abertas, onde em artigo de Caroline Bellaguarda, fica demonstrado que a unificação do PETI com o Bolsa Família, acabou sendo prejudicial à eficiência do próprio programa. Este artigo é publicado na íntegra no post seguinte. Mas vale transcrever aqui um trecho do citado artigo.

“(...) Criado, em 1996, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), previa um auxílio financeiro a todas as famílias com crianças de 7 a 15 anos submetidas a atividades perigosas, insalubres e degradantes, no intuito de tirá-las dessa situação. No entanto, em 2006, o programa acabou sendo parcialmente incorporado ao Bolsa Família, fazendo com que pessoas que antes recebiam os dois benefícios, passassem a receber uma ajuda única proveniente do programa de transferência que é carro chefe das políticas sociais do atual governo.
A intenção foi melhorar a gestão dos recursos, agilizar o processo de transferência de renda às famílias cadastradas, universalizar o acesso de crianças e adolescentes às ações sócio-educativas, além de evitar possíveis sobreposições de pagamentos. No entanto, um estudo realizado a pedido do FNPETI aponta que ao se adotar apenas o critério de renda perde-se o foco, que antes era exclusivamente de combate ao trabalho infantil. De acordo com a pesquisa os fatores que levam a submissão de crianças e jovens ao trabalho não se limitam à baixa renda. Integrantes do fórum são unânimes ao considerar que falta compromisso do Bolsa Família com o combate à exploração de mão-de-obra infanto-juvenil (...).”


Ora, a falta de vacinação, a presença da desnutrição e o aumento considerável do trabalho infantil dizem o quê? Dizem que o Bolsa Família está ainda longe de atingir os objetivos como programa social. E é justamente disso que tratam as críticas que a ele são feitas, sempre no terreno do social.

Há questão de 15 dias atrás o governo informou que um em cada quatro brasileiros acha-se atendido pelo Bolsa Família, ou cerca de 47,0 milhões de brasileiros. Na mesma data, o senhor Luiz Inácio anunciou que o programa será estendido para atender jovens até 17 anos. Ora, não nos parece que a ampliação seja agora tão necessária. O que nos parece premente e indispensável é corrigir as rotas e o foco para que o programa atinja os objetivos como política social sobre o total dos que já são beneficiados. Ampliar para jovens até 17 anos, é abrir um precedente perigoso de se criar uma dependência clientelista que em nada resolverá nem o problema do jovem nem a falta de foco que já ocorre atualmente. Inexoravelmente, caminhamos para o total desvirtuamento do Bolsa Família como programa focado no social, para cairmos no pantanoso terreno do programa eleitoreiro.

Reparem no seguinte detalhe: de acordo com os números do próprio governo, as populações dos estados nordestinos são as que possuem maior número de beneficiados. Assim temos: Piauí, 49,80%; Maranhão, 48,8%; Paraíba, 47,0%; Alagoas, 46,0%; Ceará, 42,0%; Pernambuco, 41,0%; Bahia, 39,0%; e Rio Grande do Norte, 33,0%. Ora, não é difícil se imaginar que a simples ampliação para jovens de 15 a 17 anos, nestes estados, provocará uma dependência ampla demais de suas populações em relação ao governo federal.

Se os indicadores de eficiência do Bolsa Família estão a desejar, representa dizer que esta dependência tende a se tornar permanente, caracterizando assim o programa não mais como social, e sim como eleitoreiro.

No curto prazo isto rende ao governo os votos nas urnas, mas, por outro lado, a população pobre, e é isto que interessa, acabará entronizada numa pobreza permanente, uma vez que não está agregado ao programa nenhuma forma de incentivar as pessoas a deixarem de ser “clientes” do Estado. Um exemplo é o caso do PETI: antes, mesmo que a família deixasse de receber o benefício, ainda assim esta seria atingida por outro, como o Bolsa Escola. Ou seja, dava para a pessoa ir saindo de um programa, sem perder parte da renda advinda dos demais programas, ao passo que atualmente, é na base do tudo ou nada.

Porém, é preciso ficar claro que a melhor forma de minorar a pobreza é o progresso econômico do país, ou de uma determinada região. Se não houver incentivos para que ele se dê, a pobreza tende a se tonar permanente. E este “incentivo” passa, obrigatoriamente, por reformas, como a tributária, por exemplo, com redução da carga de impostos para atração de investimentos. A pergunta é: terá o governo Lula interesse político em promover estas mudanças?

Integração prejudica combate ao trabalho infantil

Caroline Bellaguarda, site Contas Abertas

Integrantes do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) demonstram preocupação quanto à efetividade das ações de combate ao trabalho infantil, desde que o programa federal voltado exclusivamente ao tema foi integrado ao Bolsa Família (PBF). Para os membros do fórum, a unificação eliminou os incentivos para a retirada das crianças do trabalho ao adotar a renda como principal critério e acabou reduzindo o foco no problema que atinge milhares de crianças no Brasil.

Criado, em 1996, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), previa um auxílio financeiro a todas as famílias com crianças de 7 a 15 anos submetidas a atividades perigosas, insalubres e degradantes, no intuito de tirá-las dessa situação. No entanto, em 2006, o programa acabou sendo parcialmente incorporado ao Bolsa Família, fazendo com que pessoas que antes recebiam os dois benefícios, passassem a receber uma ajuda única proveniente do programa de transferência que é carro chefe das políticas sociais do atual governo.

A intenção foi melhorar a gestão dos recursos, agilizar o processo de transferência de renda às famílias cadastradas, universalizar o acesso de crianças e adolescentes às ações sócio-educativas, além de evitar possíveis sobreposições de pagamentos. No entanto, um estudo realizado a pedido do FNPETI aponta que ao se adotar apenas o critério de renda perde-se o foco, que antes era exclusivamente de combate ao trabalho infantil. De acordo com a pesquisa os fatores que levam a submissão de crianças e jovens ao trabalho não se limitam à baixa renda. Integrantes do fórum são unânimes ao considerar que falta compromisso do Bolsa Família com o combate à exploração de mão-de-obra infanto-juvenil.

A Secretária Executiva do FNPETI, Isa Oliveira, alerta para a diferença entres os programas: “A nossa crítica é relacionada aos focos de ambos. O PETI retira a criança do trabalho infantil usando estratégias como a bolsa e o pré-requisito de estar na escola. Já a identidade do programa Bolsa Família é de combate à pobreza, cujo pré-requisito exigido ao participante é estar em dia com a escola e com a saúde. A questão é que o trabalho infantil vai além da pobreza, é uma questão cultural, familiar e de ineficiência no setor educacional”. Segundo Isa, a falta de atratividade na escola faz com que o aluno saia para trabalhar. “Claro que é importante uma família ter uma renda suficiente para cuidar dos filhos e não depender deles. No entanto, infelizmente, ainda existe no Brasil uma sociedade que acha que pobre tem mais é que trabalhar mesmo”, explica. De acordo com os integrantes do fórum, com a unificação, muitas famílias retiraram as crianças dos programas governamentais e essas, conseqüentemente, acabaram retornando ao trabalho. O motivo do êxodo, segundo essas famílias, teria sido a redução dos benefícios, desde a integração do PETI com o Bolsa Família.

A Secretária Nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Ana Lígia Gomes, rebate as críticas à unificação dos dois programas. Segundo a secretária, a junção não prejudicou os beneficiados. Aqueles que antes recebiam dos dois programas passarão a receber um valor maior apenas do Bolsa Família, de maneira compensatória. A secretária de assistência social acredita que no âmbito da gestão a integração trouxe benefícios como transparência, controle e melhor execução orçamentária. “Hoje 70% das famílias do PETI recebem pelo Bolsa Família, o que representa 880 mil crianças”, argumenta Ana Lígia. Ela destaca que agora é preciso acertar o foco, ter um sistema concreto para aferir as condicionalidades, como a presença na Jornada Ampliada – programa que busca a ampliação da jornada escolar, de tal forma que as crianças não tenham tempo para trabalhar. “Um grande problema é a dificuldade de identificar as crianças e alguns municípios não colaboram”, reclamou.

Outras situações ilustradas pelo fórum como “falta de compromisso” chamaram a atenção de Ana Lígia. A secretária executiva do FNPETI destaca que equipamentos como caixas de engraxate têm sido adquiridos com recursos do Bolsa Família. Além disso, Isa ressalta que a comunicação entre a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania do próprio MDS, responsável pelo PBF, e os gestores estaduais e municipais do programa, não prioriza o combate ao trabalho infantil.

De acordo com o entendimento do fórum, as famílias recebem o auxílio, mas o encaram como ‘extra’ e por isso os filhos continuam trabalhando. “Acredito que as chances do PETI dar certo eram bem maiores antes dessa integração”, destaca Isa. Para ela, a população acaba fazendo uma leitura própria do que quer com relação aos programas sociais, o que muitas vezes vai de encontro ao que a ação governamental realmente se propõe a atingir.

As falhas na Jornada Ampliada, segundo a secretária executiva do fórum, também ilustram o ‘descaso’ com trabalho infantil. Ana Lígia Gomes diz que há uma certa desordem nessas atividades e chegou a anunciar um programa governamental – “Mais Educação” - para ampliar o tempo da criança aos cuidados da área de educação.

Diante das críticas apontadas pelo Fórum, a representante do MDS já se colocou em contato com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. O objetivo é determinar, como condições para a doação de crédito às famílias na área rural, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), o direito à educação e a não-permanência no trabalho infantil.

PETI e Bolsa Família
Com relação à execução orçamentária dos programas, o fórum não fez queixas. “A Assistência Social prometeu que este ano não haverá contingenciamento na rubrica do PETI. Tem-se uma boa dotação autorizada, porém cabe à competência técnica aplicar bem a verba liberada”, afirmou a secretária executiva. Para este ano, estão autorizados R$ 376,9 milhões para o PETI. Desse total, foram pagos R$ 159,6 milhões até o último dia 18. No ano passado, o programa teve R$ 359,6 milhões para aplicar, porém gastou 72% da quantia.

Para o Bolsa Família, são R$ 8,8 bilhões a serem pagos em auxílios este ano. Até agora, já saíram dos cofres públicos cerca de R$ 5 bilhões. Em 2006 o orçamento liberado foi um pouco maior que o deste ano, com R$ 8,9 bilhões e desses, o programa pagou 91%. Ainda assim a procuradora do trabalho Eliane Araque afirma que apesar da questão do combate ao trabalho infantil ser anunciada como prioritária pelo governo federal, “essa prioridade não vem se sobressaindo, nem mesmo no próprio MDS”.

Atualmente só podem participar do PETI famílias cuja renda per capita mensal é superior a R$ 120. O benefício do programa para residentes na área urbana (capitais, regiões metropolitanas e municípios com mais de 250 mil habitantes) equivale a uma bolsa mensal no valor de R$ 40 por criança. Já para os residentes na área rural, a bolsa é R$ 25. O programa destina ainda, via Fundo Nacional de Assistência Social ao Fundo Municipal/Estadual de Assistência Social, recursos à Jornada Ampliada, sendo R$ 20 a crianças e adolescentes de áreas rurais e R$ 10 aos de áreas urbanas.

Os valores pagos pelo Programa Bolsa Família variam de R$ 18,00 (situação de pobreza) a R$ 112,00 (situação de extrema pobreza), de acordo com a renda mensal por pessoa da família e o número de crianças, de gestantes e desnutridos. No caso de famílias que migraram de programas remanescentes, como o PETI, o valor do benefício pode ser maior, tendo como base o valor recebido anteriormente.

TOQUEDEPRIMA...

***** O preço de isolar Lula

O desfile de Sete de Setembro custará aos cofres públicos 41% a mais do que no ano passado. O aumento nos gastos se dá, entre outras razões, porque o governo decidiu ampliar a extensão das grades de isolamento na Esplanada dos Ministérios. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi vaiado em eventos públicos.

***** Bloco de Esquerda quer Ciro presidente
Da Folha de S. Paulo

Embora chamando de "desserviço" a decisão do PT de anunciar candidatura própria em 2010, PSB, PC do B e PDT oficializaram ontem em São Paulo o "Bloco de Esquerda" e ameaçaram lançar o ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) como candidato à Presidência. A coalizão (que inclui ainda PMN, PRB e PHS) será testada em 2008 com vistas a 2010.

Recebido aos gritos de "Bloco de Esquerda é solução; Ciro Gomes presidente da Nação", o ex-ministro disse estar certo de que o PT lançará candidato à sucessão de Lula: "Nós, como avaliadores da vida, temos certeza que o PT terá seu candidato. Não me surpreende".

***** O inchaço do serviço público federal

O serviço público federal poderá contratar, ano que vem, por concurso, até 56.348 novos funcionários nos três poderes e no Ministério Público da União. Quando todas essas novas contratações estiverem efetivadas, elas causarão aos cofres públicos um custo adicional de R$ 3,498 bilhões por ano.

A maior parte das mais de 56 mil vagas ficará com o Executivo, 40 mil. Do total autorizado para os três Poderes, pouco mais da metade — 28.969 vagas — são cargos novos, criados por meio de projetos de lei nos últimos anos. Os demais postos são para reposição de servidores aposentados e demitidos, e troca de terceirizados por concursados, como determinou o Tribunal de Contas da União (TCU). Ano que vem serão substituídos pouco mais de 11 mil terceirizados.

O ritmo crescente de contratações de servidores ocorre desde 2003 e faz parte da política do governo petista de reforçar a máquina pública. Em 2007, das 46.652 vagas autorizadas pelo Orçamento, 60% (28.727) foram destinadas apenas para o Executivo. Até setembro, de acordo com dados do Ministério do Planejamento, já haviam sido autorizados concursos para preencher 13.280 destas vagas. Até o final do ano, novos concursos deverão ser autorizados.

***** Empresas estrangeiras podem voar menos para cá

Um relatório da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), que representa as principais empresas aéreas do mundo, põe em xeque as condições de segurança do controle de tráfego aéreo do Brasil, e afirma que a crise do setor ainda vai demorar. O texto indica que companhias estrangeiras podem vir a reduzir os vôos para o Brasil devido a problemas na infra-estrutura aeroportuária e deficiências no sistema de controle da Aeronáutica.

***** Aliados desconfiam que o PT terá candidato em 2010

Partidos da coligação governista estão cautelosos com a resolução do PT que diz que a legenda quer dirigir a sucessão de Lula em 2010, mas admite a possibilidade de a legenda apoiar um candidato de outra sigla. A resolução foi aprovada no 3 Congresso Nacional do Partido, no fim de semana, em São Paulo.

Para aliados, a decisão é dúbia e está mais próxima de um jogo de cena para manter a governabilidade até o fim do mandato de Lula do que de uma verdadeira intenção de abrir mão da candidatura própria.

— Esta é uma decisão dúbia. Fica transparente que o PT vai ter candidato, mas deve apresentar o nome aos partidos que apóiam o governo. Acho muito difícil o PT não ter candidato — advertiu Renato Rabelo, presidente do PCdoB, aliado histórico do PT e que não tem, a princípio, candidato a presidente.

***** Exigência de antecedentes criminais

O PSL questionou ao Tribunal Superior Eleitoral a exigência de antecedentes criminais para candidatos eleitos tomarem posse. Assinada pelo delegado nacional do partido, José Geraldo Forte, a consulta considera que "o princípio da moralidade é intrínseco à administração pública". Para o PSL, candidatos deveriam proceder como juízes e promotores, que têm a vida pregressa analisada antes de assumirem as suas funções. O partido sugere a exigência de antecedentes criminais para vereador, deputado estadual, deputado federal e senador, no legislativo, e prefeito, vice-prefeito, governador, vice-governador, presidente e vice-presidente, no executivo.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Vou um pouco mais longe: a exigência ser condição indispensável para qualquer um candidatar-se a qualquer cargo público, eletivo ou concursado. É inadmissível obrigar a sociedade a sustentar criminoso, seja ele de que espécie ou grau for.

***** Cresce alcoolismo entre as mulheres, diz jornal
Redação Terra

O número de mulheres que sofrem de alcoolismo subiu de uma para cada três homens. Há 20 anos, esse número estava em uma para dez. De acordo com a Folha de S.Paulo, o número de dependentes do sexo feminino que procuram tratamento em São Paulo cresceu 78%.

Dados obtidos pelo jornal junto à Secretaria Estadual da Saúde mostram que o número de mulheres dependentes nos Centros de Atenção Psicossocial saiu de 17.816, em 2004, para 31.674 no último ano.

A justificativa para o aumento, conforme especialistas ouvidos pela publicação seria a mudança no estilo de vida das mulheres, com o aumento do estresse e da sobrecarga de trabalho.

O atendimento ambulatorial por conta do álcool, no caso das mulheres, teria chegado à quarta posição no ranking, perdendo para motivos relacionados à gravidez ou parto; em segundo lugar viriam as doenças circulatórias; e, em terceiro, as respiratórias.

***** Celso de Mello e o julgamento do mensalão
De O Estado de S.Paulo

O mensalão, segundo José Celso de Mello Filho, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), é uma manifestação patológica.

“Preocupam-me os elementos probatórios, os elementos informativos fornecidos pelo Ministério Público Federal, de que se teria formado nos mais altos níveis da Presidência da República, no gabinete civil da Presidência da República, um grupo criminoso para a prática de atos de uma indignidade absoluta”, assinala o decano do STF, há 18 anos na corte máxima do Judiciário.

Celso de Mello recebeu a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra os 40 do mensalão, inclusive José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil no primeiro governo Lula, agora réu por quadrilha e corrupção ativa.

O ministro falou ao Estado sobre o julgamento que durou 5 dias. Criticou o foro privilegiado, razão pela qual o processo do mensalão foi parar no STF. “Nossa maior clientela em matéria penal reside no Congresso Nacional, nos membros da Câmara e do Senado.

Cide: arrecadação não melhoras as estradas

Mariana Braga, Do Contas Abertas

Cada vez que um carro é abastecido, embora muitos não saibam, parte do dinheiro que poderia contribuir para colocar uns litros a mais no tanque acaba escoando para os cofres do governo, em forma de contribuição obrigatória paga sobre o combustível. Pouco conhecida pelo cidadão comum, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) é um incômodo que passa despercebido no bolso dos mais desavisados. No entanto sua aplicação - ou melhor, falta dela - acaba incomodando nas estradas. Desde que foi criada, a CIDE já arrecadou para os cofres federais R$ R$ 43,3 bilhões. Desses, pelo menos 40% foram desviados de sua função.

Como se não bastasse o alto custo da gasolina, sempre que abastece o veículo, o motorista paga R$ 0,28 por litro, de taxa ao poder público. Isso significa que, por um tanque cheio de um carro popular, lá se vão cerca de R$ 14 reais só de "imposto", o que poderia render mais cinco litros de combustível para rodar nas cidades ou estradas. Se o veículo for a diesel, o “prejuízo” acaba saindo mais em conta, apenas R$ 0,07 por litro para engordar as receitas arrecadadas com a CIDE.

Criada em dezembro de 2001, a CIDE tinha por finalidade principal melhorar a deplorável situação das rodovias federais. Os recursos arrecadados seriam usados, exclusivamente, para o financiamento de programas de infra-estrutura de transportes, para o financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás, e para o pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, de gás natural e de derivados de petróleo.

No entanto, na prática a história é um pouco diferente. Do montante total arrecadado até agora com a contribuição, apenas R$ 25,8 bilhões (60%) foram efetivamente aplicados em melhorias para os cidadãos. Desses, segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), cerca de R$ 17 bilhões contribuíram com o setor. Isso porque 20% das receitas provenientes da taxa são redirecionadas para outras finalidades pelo mecanismo da DRU (Desvinculação das Receitas da União). Como se não bastasse isso, outros R$ 9,6 bilhões provenientes da CIDE permanecem parados em caixa, no intuito de fazer inchar o superávit do governo no fim do ano.

Só em 2007, a arrecadação de recursos com a taxa paga sobre os combustíveis já gerou R$ 3,9 bilhões de incremento nas contas do governo. Desse total, no entanto, só R$ 2,7 bilhões foram efetivamente aplicados. A verba teve destinação diversa, servindo, inclusive, para a compra de material de limpeza e cozinha, aquisição de imóveis, diárias e passagens para funcionários, como consta no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) . Isso porque em dezembro de 2003, o Supremo Tribunal Federal determinou que os recursos da CIDE não poderiam ser desviados de suas finalidades constitucionais.

Do montante arrecadado até agora, em 2007, R$ 1,6 bilhão contribuiu com ações coordenadas pelo Ministério dos Transportes. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), concluída em 2005, apontou que o governo federal havia desviado 41% da arrecadação da CIDE, entre 2003 e 2004, para o pagamento de salários de cargos comissionados, diárias e alimentação de servidores, em vez de investir as verbas na recuperação da infra-estrutura viária do país. De lá para cá, pelo jeito, muita coisa continua parecida. O Contas Abertas entrou em contato com o Ministério dos Transportes, para saber o porquê de uma parcela da CIDE permanecer guardada nos cofres federais, ao invés de ser aplicada na melhoria do setor. A assessoria de comunicação do órgão informou que a gestão da receita gerada com a contribuição sobre os combustíveis era responsabilidade do Ministério do Planejamento. Este por sua vez, informou, por meio de sua assessoria, que só a Fazenda poderia se pronunciar sobre o assunto. Até o fechamento da matéria, o Ministério da Fazenda não se manifestou sobre a questão.

Falta de investimentos nas estradas
O vice-presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), explica que a entidade sempre foi favorável à manutenção da contribuição, no entanto, acabou sendo pega de surpresa ao se dar conta de que grande parte do dinheiro não está sendo aplicada em melhorias para o setor. “Concordamos com a CIDE, mas não no sentido de prendê-la em caixa para contribuir com o superavit primário. É preciso reinvestir a receita arrecadada na infra-estrutura de transporte do país, o que traria benefício para todos, tanto ao cidadão quanto ao próprio governo”, reivindica.

Enquanto a taxa serve para suprir as políticas fiscais do governo, a situação das rodovias brasileiras está cada vez pior. Segundo levantamento realizado em 2006 pela CNT, 75,0% (63.294 km) da malha rodoviária brasileira apresenta algum tipo de deficiência. Quase 55% das estradas possuem pavimentação regular, ruim ou péssima, enquanto que cerca de 10.000 km dos trechos apresentam afundamentos, ondulações ou buracos. Isso sem contar que 70,3% das rodovias não estão sinalizadas de maneira adequada.

“Tivemos há pouco tempo a Operação Tapa-Buracos que foi de caráter emergencial, mas não trouxe um resultado efetivo para o problema”, ressalta o representante da CNT. Com a volta das chuvas de inverno boa parte das rodovias que foram “remendadas” durante a operação de emergência já estão danificadas. Segundo Gibson, diante do volume de recursos gastos na ocasião o certo teria sido recuperar as estradas e não apenas fazer reparos que já estão danificados com a chegada das chuvas.

A CNT estima que seriam necessários R$ 20 bilhões para recuperar plenamente as estradas brasileiras, ou seja, metade do montante total até hoje arrecadado pela CIDE. Para a correta conservação e manutenção da malha rodoviária, segundo o órgão, investimentos da ordem de R$ 1 bilhão por ano, já seriam suficientes para amenizar o problema. “Para que isso ocorra, é necessário a aplicação de recursos da CIDE em investimento efetivo em obras rodoviárias e não no custeio, além de recursos oriundos do orçamento da União”, conclui a pesquisa.

A má qualidade das estradas acaba prejudicando não só o motorista, mas a economia brasileira como um todo, já que toda atividade depende do bom funcionamento dos setor. Segundo Gibson, hoje os custos de transporte no Brasil estão em patamares acima do normal pela falta de condições mínimas de operação, o que significa estradas mal cuidadas, portos sem capacidade para receber grandes embarcações e ferrovias esquecidas.

Estudos encomendados pelo próprio Ministério dos Transportes, na época da criação da CIDE, indicavam que motoristas economizariam cerca de 25% no consumo de combustível, caso as estradas passassem a ser bem conservadas. “Isso sem contar a economia em termos de manutenção do veículo e até mesmo a redução de acidentes, o que é mais importante”, destaca Gibson.

O vice-presidente da CNT diz estar entusiasmado com as promessas do PAC para o setor de transportes, no entanto, lamenta que os projetos até agora não saíram do papel. “Não adianta só anunciar os investimentos, precisamos vê-los sendo colocados em prática realmente”, reclama. Segundo Gibson, os recursos precisam ser injetados no setor de maneira contínua e não apenas em situações emergenciais.

Desde o início desta semana, 15 equipes de pesquisadores da CNT estão espalhadas pelo Brasil analisando a situação atual das estradas. A Pesquisa Rodoviária 2007 avaliará cerca de 87.000 km de rodovias brasileiras no intuito de contribuir com o governo no direcionamento dos investimentos voltados para o transporte rodoviário.

Onde via traição, Lula agora vê exemplo de ética

Josias de Souza

* Lula em 18 de agosto de 2005, auge do mensalão: “Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, eu me sinto traído. Traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento. Estou indignado pelas revelações que aparecem a cada dia, e que chocam o país.”

* Lula neste sábado, 1º de setembro de 2007, no 3º Congresso do PT: “É verdade que podemos ter cometido erros [...]. Mas ninguém nesse país tem mais moral e ética do que nós.”

* Lula em 18 de agosto de 2005: “O PT deve pedir desculpas [ao país] por seus erros.”

* Lula em 1º de setembro de 2007: “Não temos de quê nos envergonhar. Não tenham medo de ser petistas, de andar com a estrela no peito. O PT é um dos grandes responsáveis pelos passos largos do Brasil rumo à dignidade.”

Como se vê, o Lula de hoje é bem diferente do Lula de dois anos e treze dias atrás. Em tese, teria até mais razões para cobrar dos “traidores” um “pedido de desculpas”. Afinal, há quatro dias o STF converteu em ação penal a denúncia contra os 40 integrantes da “quadrilha” do mensalão.

Onde Lula vê “erros”, o Supremo enxerga indícios de crimes. Onde o presidente observa “moral” e ética”, o tribunal procura corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato, gestão temerária e evasão de divisas.

O discurso do presidente à militância petista durou 57 minutos e 25 segundos. Não pronunciou uma mísera palavra de reprimenda. Foi, segundo a interpretação do sítio do PT um “discurso para lavar a alma petista e elevar auto-estima.”

Só não lavou a imundície concentrada na processo que tramita no STF. Mas quem se importa? José Dirceu, o ex-técnico do time, brindado com duas imputações –corrupção ativa e formação de quadrilha—, acha que Lula expressou o sentimento dos delegados” presentes ao 3º Congresso petista.

Para o ex-chefão da Casa Civil, “o partido já fez a autocrítica”. Voltar ao tema do mensalão é, na opinião de Dirceu, “um desvio de foco” que só interessa à direita. O PT, disse ele, “se renova, assume novas bandeiras.” Bandeiras tão oportunas e modernizantes quanto a reestatização da Cia. Vale do Rio Doce.

De resto, o petismo cobra do Ministério Público agilidade na denúncia do mensalão mineiro. Bom, muito bom, ótimo. Mas desnecessário. O procurador-geral Antonio Fernando de Souza está na bica de levar o tucano Eduardo Azeredo ao STF. Aparentemente, não precisa de estímulos externos.

Engraçado mesmo vai ser ouvir o petismo cobrando do tucanato a punição de Azeredo. O ex-governador mineiro alega que, a exemplo de Lula, “não sabia” que o gestor de suas arcas eleitorais, Cláudio Mourão, servira-se de verbas sujas coletadas por Marcos Valério. Uma desculpa esfarrapada. Só é aceitável se analisada segundo os padrões éticos e morais do PT.

TOQUEDEPRIMA...

***** Brasil pode se tornar vítima do "sucesso" da economia, diz Financial Times

A edição desta segunda-feira do jornal britânico Financial Times alerta que a economia brasileira pode se tornar vítima de seu próprio "sucesso". Segundo o jornal, o País pode sofrer com a supervalorização do real em conseqüência do aumento das exportações e da perda de competitividade dos setores não-exportadores. "Até uma década atrás, se os mercados internacionais de crédito se resfriavam, o Brasil estava entre os primeiros a ficar gripado", mas "hoje, o Brasil está fortemente protegido por grandes reservas internacionais, uma dívida externa baixa e superávits saudáveis em conta corrente", diz a matéria.

O jornal compara à situação atual do Brasil à da Holanda nos anos 1970, "quando as exportações do recém-descoberto gás natural elevaram tanto o valor da moeda que destruíram a competitividade em todo o resto da economia", no que ficou conhecido nos livros de economia como "o Mal Holandês".

***** Balança comercial tem queda de 7,5% de janeiro a agosto

O superávit da balança comercial brasileira nos primeiros oito meses do ano, registrado em US$ 27,513 bilhões, é 7,5% inferior ao verificado no mesmo período do ano passado (US$ 29,747 bilhões). Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que divulgou os dados, o resultado foi influenciado pelas importações, que têm crescido em um ritmo mais acelerado do que as exportações.

No acumulado dos últimos 12 meses o resultado também é negativo (US$ 44,224), o que representa uma queda de 4,3% em relação ao período anterior, de setembro de 2005 a agosto de 2006. De setembro de 2006 a agosto de 2007, as exportações somaram US$ 151,862 bilhões e as importações US$ 107,638 bilhões.

Nos primeiros oito meses do ano, as exportações somam US$ 102,434 bilhões e as importações, US$ 74,921 bilhões - crescimentos de 15,9% e 27,8%, respectivamente. Em agosto, as vendas para o exterior totalizaram US$ 15,101 bilhões, enquanto as compras de produtos importados somaram US$ 11,566 bilhões no mês passado – as duas marcas são recordes em um único mês.

***** Alagoas: crianças trabalham em matadouros

A Procuradoria-Geral do Trabalho em Alagoas vai entrar com ação para suspender o trabalho em matadouros públicos de sete municípios alagoanos. Os nomes dos estabelecimentos ainda não foram divulgados, mas o procurador Luciano Carlesso constatou trabalho sem proteção e roupas adequadas, contato direto com fezes e sangue de bois e porcos no chão de cimento, e crianças e adolescentes processando carne a R$ 8 por dia, sem qualquer proteção. A maioria nos abatedouros trabalha agachada. Muitos afastam as fezes dos animais com a mesma faca que cortam a carne.

***** José Dirceu: "Brasil precisa regular a mídia"

"Nós temos que regular a mídia no Brasil." A declaração partiu de ninguém menos que o ex-homem-forte de Lula José Dirceu, acusado de comandar o maior esquema de corrupção da história brasileira. O petista pediu mais repressão à liberdade de imprensa ao ser questionado sobre o vazamento de pareceres de ministros do STF no julgamento das denúncias do mensalão, na semana passada.

Ele afirmou que o Brasil é um dos últimos países do mundo sem a regulação, que chegou a ser cogitado em projetos do seu governo, mas que acabou arquivado diante da pressão da sociedade. "Essa discussão mais cedo ou mais tarde o Brasil vai ter que fazer", defendeu o ex-ministro.

Dirceu mais uma vez disse que é inocente, e tentou desqualificar as denúncias que pesam contra ele. "A palavra do Roberto Jefferson é zero, não vale nada. Veja a história dele, os antecedentes dele", rebateu.

O ex-ministro reconheceu que seu partido tem o desejo de criar uma assembléia constituinte, porém só em 2014. "É para depois de 2010, não tem nada a ver com a eleição presidencial, já vai ter um outro presidente", prometeu.

***** Promotor que matou é afastado em SP

O Conselho Nacional do Ministério Público, em Brasília, decidiu por unanimidade, afastar o promotor Thales Ferri Schoedl, suspendendo decisão do Órgão Especial do Ministério Público de São Paulo reconduzindo-o ao cargo com salário de R$10,5 mil. Schoedl matou a tiros o jogador de basquete Diogo Modazez, em dezembro de 2004, em Bertioga (SP). O promotor estava em estágio probatório no MP e ganhou no Tribunal de Justiça o direito de receber salário, sem trabalhar. Dia 29, ganhou a batalha no Órgão Especial do MP em São Paulo: voltou ao trabalho, mas pediu transferência. Hoje, a decisão foi suspensa por liminar. Schoedl foi afastado do cargo, que lhe garantiria foro especial. Cabe recurso.

***** Advogados públicos podem decretar greve

Os advogados públicos federais podem confirmar hoje a deflagração de greve por tempo indeterminado, em assembléias em Brasília e nos estados. Na última assembléia, dia 28, já havia sido aprovado o indicativo de greve caso a medida provisória com o reajuste da Polícia Federal fosse publicada sem o cumprimento do acordo feito pelo governo com o Forum Nacional da Advocacia Federal. Sexta (31), foi publicada a MP, sem previsão de reestruturação salarial para os Advogados Públicos Federais.Nas assembléias programadas para hoje, os membros das carreiras da AGU irão apenas referendar a decisão pela greve a partir de amanhã. Outras instâncias, como os tribunais superiores, serão comunicadas sobre a deflagração da greve.

***** BH: déjà vu no lixão

A prefeitura de Belo Horizonte vai realizar licitação para continuar o serviço de coleta e tratamento de lixo do município. Mas segundo o edital, só uma empresa pode vencer a concorrência: a empreiteira Queiroz Galvão. Um dos pré-requisitos para participar da concorrência é ter um aterro operante dentro do perímetro de 30 km da cidade. A Queiroz Galvão tem o único aterro funcional no município. A empreiteira nega qualquer conhecimento de fraude na licitação do lixo em BH. Mas não é a primeira vez que a Queiroz Galvão participa de processo de licitação suspeito: em 1999, o grupo adquiriu terreno no município de Santana do Paraíso (MG). Dois anos depois, a prefeitura do município vizinho de Ipatinga publicou edital de licitação do serviço de exploração de aterro sanitário que, naturalmente, foi vencido pela Queiroz Galvão em 2002.

***** CPI do Senado investiga fraude na Infraero

A CPI do Apagão Aéreo do Senado toma depoimento, na terça-feira (4), de três servidores da Infraero acusados de fraudar processo de aquisição de um software de gerenciamento de publicidade em 65 aeroportos: Fernando de Almeida, Márcia Chaves e Mariângela Russo. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), relator da comissão, deverá detalhar a participação dos funcionários na compra efetivada sem licitação. Baseando-se em depoimentos de especialistas em aviação ouvidos pela CPI, Demóstenes já chegou a declarar que o software fornecido pela empresa FS3 Comunicação e Sistemas à Infraero por R$ 26 milhões, não poderia custar mais do que R$ 3 milhões. Na quarta-feira (5), prestam esclarecimentos os servidores da estatal Tércio Ivan de Barros, Roberto Spinelli Júnior e José Welington Moura. Os três também são investigados por supostas irregularidades no processo de aquisição do software.A pedido da Controladoria Geral da União, a Infraero afastou, em maio deste ano, Tércio Ivan de Barros, Mariângela Russo e Roberto Spinelli Júnior com a finalidade de garantir a qualidade da sindicância realizada pela estatal sobre a compra do software da FS3. Pelo mesmo motivo, Wellington Moura, Márcia Chaves e Fernando Brendaglia, também foram afastados anteriormente.

Linguagem para embalagem

Ubiratan Iorio, economista, Jornal do Brasil

O método mais sutil e eficiente, fartamente utilizado por regimes totalitários de todos os matizes, para cooptar um povo e moldá-lo a objetivos políticos predefinidos é o controle do vocabulário. Exemplo atual é a inoculação subliminar, pelos sectários de Gramsci - Il Gobbo - de uma linguagem-embalagem para adornar, com fitas "politicamente corretas", caixas de conteúdo literalmante vazio.

Esse vocabulário - que o ex-ministro petista Nilmário Miranda tentou tornar obrigatório com uma absurda cartilha paga com o nosso dinheiro - taramelado ininterruptamente em bares, reuniões de artistas e "intelectuais", passeatas, "atos", "abraços", universidades e assembléias de todos os tipos, lido, ouvido e visto incessantemente, acaba criando em suas vítimas o hábito de não pensar, substituindo a lógica pelos chavões e palavras de ordem. Multidões passam a se comportar como autômatos, marionetes, fantoches e bonifrates, escravas de um algoritmo, mas sem raciocínio, lógica e vontade própria. Isto serve bem à "Causa".

A massificação calculada de palavras doninhas (mamíferos que sugam o interior dos ovos com um minúsculo furo, deixando-os aparentemente intactos), como as batizou o economista e cartunista Scott Adams, demarca uma conveniente área cinzenta entre o bom comportamento moral (o socialismo, naturalmente) e a delinqüência (a liberal-democracia). A senha maga tem seis letras: é a palavra "social", que, quando pronunciada e confirmada, assegura conduto sem patrulhamento a conselhos e assembléias, reuniões e debates, com a cumplicidade da mídia da insídia.

O dialeto injetado em milhões de marionetes, bombardeado diariamente e papagueado por apresentadores de TV e repórteres, ao ser progressivamente absorvido pela maioria das pessoas, transforma-se em prática consuetudinária, que exigirá muitos anos para ser desmascarada em sua farsa.

Quem não usa as expressões mágicas é carimbado como politicamente incorreto e acossado, a ponto de desejar enfiar-se em um buraco e chorar lágrimas de chafariz. Eis alguns exemplos desses verbetes, em ordem alfabética: afro-descendente, aquecimento global, articulação, cadeirante, cidadania, comunidade, consciência (ecológica, política), conservador, cotas, deficiente (visual, auditivo), desigualdades, desmonte do Estado, direitos (civis, humanos, de minorias, sociais), discriminação, dominação, elites, entidades, exclusão, função social da terra, grande capital, grande mídia, história (de vida), Império, inclusão, inconsciente coletivo, justiça social, libertação, mãe-terra, mesa de negociações, minorias étnicas, mobilização, modelo (perverso, concentrador), movimentos sociais, mudanças, opção (sexual, pelos pobres), parceria, patrimônio público, políticas (afirmativas, públicas), potência hegemônica, preconceito, privataria, progressista, projeto de país, reforma agrária, relação, responsabilidade social, soberania, sociedade (civil organizada), sucateamento (da universidade pública). E há muitos outros, Madonna mia!

Assim, ser contra cotas em universidades garante o carimbo de conservador; opor-se ao matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, de preconceituoso; ser a favor da exigência de diploma superior para o presidente do país (já que se requer o de curso médio para um gari), de elitista ou dondoca; sustentar que a função social da terra é uma completa tolice, de servo dos latifundiários... As doninhas jamais o perdoarão e o precipitarão nos abismos tenebrosos e lôbregos do Tártaro, para padecer em eterno choro e ranger de dentes.

Por isso, não há oposição efetivamente liberal-conservadora no Brasil e oscilamos entre PT e PSDB, ou seja, entre o apetite e a apetência... Automatizada, a maioria das pessoas passou a não ter opinião própria, e muitas das que a têm, sendo implacavelmente policiadas pelas doninhas, receiam cair em desgraça e entram no jogo. Pobre país.

Plano do governo prevê alta da carga tributária

Do G1, em São Paulo

Governo entrega plano ao Congresso nesta sexta-feira.
Carga tributária menor, somente em 2011.


O Plano Plurianual (PPA) 2008-2011, que o governo entrega nesta sexta-feira (31) ao Congresso, prevê uma nova alta da carga tributária nos próximos anos do governo Lula, segundo informações da Agência Brasil.

Segundo as projeções do PPA, após se elevar para 24,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008, a carga deverá cair para 24,8% em 2009, voltará a ser de 24,9% em 2010 para só em 2011 chegar a 24,7% do PIB. O número não considera os tributos cobrados por estados e municípios, o que eleva a carga para quase 35% do PIB em 2006 (último dado).

Segundo o secretário-executivo do ministério do Planejamento, João Bernardo Bringel, a carga só não terá maior redução por causa da arrecadação previdenciária. O PPA estima que a arrecadação do INSS subirá de 5,7% do PIB em 2008 para 6,7% do PIB em 2011. Bringel explica essa elevação pelo aumento no volume de contribuições.

"Haverá mais formalização de empregos e aumento da massa salarial. Por isso, a arrecadação previdenciária distorce a carga agregada", disse.

Orçamento
O PPA prevê despesas de R$ 3,526 trilhões para o orçamento dos próximos quatro anos. O texto será entregue juntamente com o projeto de Lei Orçamentária para 2008 pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ao presidente do Senado, Renan Calheiros, e tem o slogan “Desenvolvimento com Inclusão Social e Educação de Qualidade”.

"Em 2011, o Brasil será um país com mais inclusão, com uma estrutura de renda melhor e, principalmente, com maior acesso à educação", disse ontem (30) Paulo Bernardo.

Do total de gastos previstos, 28% serão destinados à área social, na qual se enquadram, por exemplo, os programas de educação e de saúde; outros 20% irão para a infra-estrutura, que corresponde a energia, transporte, saneamento, urbanismo e comunicações; e 36% serão investidos no setor produtivo, que inclui o desenvolvimento e a agricultura.

PAC
Grande parte do PPA a ser proposto pelo governo dará ênfase aos projetos incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que tem metas até 2010, quando termina o atual governo. Por isso, o PPA prevê dispêndios de R$ 389,4 bilhões com projetos de infra-estrutura. Desse total, 75% serão destinados à área de energia. O setor de transportes ficará com 14%, saneamento, 5%; urbanismo, 4% e comunicações, 2%.

Paulo Bernardo informou ainda que a educação, cujo orçamento previsto é de R$ 163 bilhões, será uma das principais metas do plano. O governo incluiu no PPA o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que pretende qualificar a educação básica, reduzir a taxa de analfabetismo, ampliar a rede de escolas técnicas federais e democratizar o acesso ao ensino superior.

Outra estratégia de desenvolvimento do PPA é a agenda social, que envolve o programa Bolsa Família, a política nacional de juventude, as políticas de apoio à criança e ao adolescente, às questões de raça, gênero, cultura e reforma agrária.

Entenda
A elaboração do Plano Plurianual está na Constituição e vale tanto para o governo federal quanto para os estaduais. O plano deve estabelecer as diretrizes, os objetivos e as metas da administração pública para os investimentos e definir os programas a serem tocados. Ele vale para o segundo ano de um mandato e entra pelo primeiro ano do governo seguinte.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: É impressionante: enquanto os serviços públicos se deterioram cada vez mais, a carga tributária não para de subir. Será que precisaremos pagar 100% para termos saúde decente, infra-estrutura moderna, segurança mínima e educação de qualidade ?

Mais: o governo que já contratou 230,0 mil novos funcionários, reserva para o ano que vem outras 60 mil novas contratações. Se tanta gente qualificasse o serviço que retorna à sociedade, ainda se compreenderia. Põem, o que vemos é justamente ao contrário, quanta mais gente pior fica.

Na semana passada declarou Lula: “A gente jamais poderia cumprir as metas do milênio no que diz respeito à questão ambiental se não tivéssemos coragem contra as críticas de que cada funcionário que a gente contrata, que diz que a gente está inchando a máquina. Na verdade, é preciso contratar”

O preocupante é que Lula parece ignorar que grande parte destas contratações não foi feita diretamente para os serviços que o governo prestar. Apesar desta quantidade incrível de novas contratações, perguntamos: como vai a saúde? Como vai a segurança? E a qualidade do ensino, melhorou ou piorou? Qual o estado das rodovias federais?

E mais preocupante é quando o presidente “acha” que não i tal “inchaço”. Apenas para constar: somente para o seu já lotado Gabinete Pessoal, em 21/08/07, foram criados 21 novos cargos a saber: 18 cargos de DAS 5 com salário de 8.400 reais por mês cada = gasto de R$ 151.200,00 por mês e mais 3 cargos de DAS 6 com salário de 10.448 reais por mês cada = gasto de R$ 31.334,00 por mês. Total de 21 cargos com gasto mensal de R$ 182.534,00 fora todos os outros cargos que já existiam no Gabinete Pessoal do Presidente LULA.

Quando se perde a noção do ridículo, fica, de fato, muito difícil para o país sair do marasmo e avançar.

Após fracasso, governo sepulta Primeiro Emprego

Gustavo Patu, da Folha de S.Paulo

Após quatro anos de fracassos sucessivos, o programa Primeiro Emprego, uma das principais bandeiras da campanha eleitoral de 2002, será sepultado oficialmente pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. O programa, que dá vantagens a empresas que ofereçam vagas a jovens de 16 a 24 anos, foi excluído do projeto do PPA (Plano Plurianual) 2008-2011, que irá hoje ao Congresso. Como o PPA orienta os Orçamentos a cada quadriênio, não haverá mais verba para o Primeiro Emprego a partir de 2008.

Segundo o Ministério do Planejamento, o governo concluiu que o diagnóstico que embasava o programa, segundo o qual as empresas não contratam iniciantes por falta de incentivo, estava errado. "Num segundo momento, vimos que o problema era a qualificação dos jovens", disse o secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos, Afonso Oliveira.

Concebido para ser o segundo programa social mais importante do governo --atrás só do também extinto Fome Zero, substituído pelo Bolsa Família-- e apresentado como principal iniciativa contra o desemprego, o Primeiro Emprego foi lançado em junho de 2003. "Estamos dando, hoje, um passo excepcional para resolver um dos problemas mais graves que o Brasil vive", discursou Lula no Planalto, na época.

O interesse das empresas, porém, ficou abaixo das expectativas do governo. Em março de 2004, o sistema eletrônico de acompanhamento dos gastos federais registrava um único beneficiário, um jovem contratado como copeiro por um restaurante de Salvador.

Quando lançado, o programa previa criar até 260 mil vagas por ano, mas, até o ano passado, o total não passava de 15 mil.

Ao longo do primeiro mandato, o marketing do programa foi sendo reduzido, assim como suas verbas orçamentárias. De R$ 188 milhões em 2004, são apenas R$ 130 milhões neste ano, dos quais apenas R$ 20 milhões foram efetivamente pagos até agora. O governo nunca chegou a gastar metade dos recursos destinados ao Primeiro Emprego a cada ano.

Na tentativa de salvar o programa, foram promovidas alterações nas regras, a partir de reivindicações das empresas. Foi abandonada a principal exigência aos empregadores: o compromisso de não demitirem funcionários pelo período mínimo de 12 meses a contar da adesão ao programa. Os subsídios também subiram, e hoje os empresários fazem jus a R$ 1.500 anuais por vaga criada.

No PPA 2008-2011, as iniciativas para o público do Primeiro Emprego foram agrupadas no Projovem, que, segundo o projeto, receberá R$ 7,4 bilhões no período e beneficiará 6 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. Na tradição da administração federal, as verbas previstas nos PPAs são de execução ainda mais incerta que as dos Orçamentos anuais.

Juristas condenam impensadamente o Supremo

Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa

Alegando parcialidade, jogam a liberdade contra a "privacidade"

Inacreditável como as pessoas se expõem. O chamado jurista Dalmo Dallari criticou o Supremo, achou que não podia ter aceito as acusações contra os responsabilizados pelo mensalão. E disse textualmente: "O tribunal não tinha provas, julgou como quis". Primeiro que o Supremo não julgou ninguém. O procurador geral fez a denúncia depois de um trabalho exaustivo, completo e competente.

Em cima desse trabalho, o relator sorteado, ministro Joaquim Barbosa, trabalhou durante mais de 2 anos, de maio de 2005 a agosto de 2007, agora, quando apresentou o processo ao Supremo.

Disse que Antonio Fernando, o procurador geral, fez trabalho exaustivo. Pois do relator, Joaquim Barbosa, é obrigatório reconhecer e dizer que fez trabalho minucioso. Não deixou nenhum ponto vazio, preencheu tudo o que era possível preencher para facilitar a apreciação dos ministros.

O relator, usando da palavra, horas e horas durante 5 dias, várias vezes interrompia a leitura para deixar bem claro: "Em cima disto, haverá o contraditório, a procura de provas, a comprovação do que foi apresentado pelo procurador geral".

Os 9 ministros que ACOMPANHARAM o voto do relator não deixaram de chamar a atenção: "Este não é um julgamento, é o pedido para que o Supremo RECEBA ou RECUSE a denúncia, aí então haverá o julgamento". Ninguém tentou enganar ninguém, impingir a opinião pública, a idéia de que 40 ACUSADOS estavam sendo julgados sem PROVAS, apenas com INDÍCIOS.

Os ministros (pelo plenário) não seriam, nem individual nem coletivamente, levianos e irresponsáveis a ponto de confundir indícios com provas, responsabilizar 40 pessoas por indícios e não pelas provas.

Alguns ministros foram até DIDÁTICOS nas explicações, votavam: "ACOMPANHO o relator, mas em muitos pontos quero ver as provas". Isso é julgar por indícios, como disse Dalmo Dallari?

Muitos, ressaltamos, também de forma até acintosa e ruidosa se dirigindo ao procurador geral: "Sua excelência terá que provar tudo, não pode esquecer por um instante que CABE A ELE FAZER A PROVA DA ACUSAÇÃO. Pela Constituição, os réus não têm que PROVAR A INOCÊNCIA, É O PROCURADOR QUE TEM QUE COMPROVAR A CULPA".

Alguma dúvida sobre a intenção dos ministros? E como chamar a audiência de JULGAMENTO, quando todos sabiam que se tratava de dar continuidade ao processo ou interrompê-lo.

Pelo volume de dinheiro que movimentavam. Pelo Poder que ostentavam. Pela importância que exibiam. Pelas somas que desviaram. Pelas fortunas que levavam. Pelas quantias que sonegavam. Pela fortuna que armazenavam. Pelas dedicações que compravam. O que fazer, no entendimento do jurista Dalmo Dallari?

Recusar as denúncias, considerar que eram inocentíssimos e que nunca utilizaram bem público no interesse pessoal? É o autor da acusação, com montanhas de provas, Roberto Jefferson, como duvidar dele? Deputado importante e presidente de partido (o PTB), na denúncia deixou claro: "Serei o primeiro a ser cassado, mas não posso deixar de contar o que sei". E aconteceu, foi um dos primeiros a receber a cassação.

PS - Dalmo Dallari está sendo injusto até com aqueles que no seu entendimento estão sendo julgados apenas por indícios. Sem o recebimento da denúncia, não seriam julgados, sobraria a dúvida. Sendo julgados E SEM PROVAS, facilmente comprovarão que são inocentes

TOQUEDEPRIMA...

***** Falando demais

Declaração de Luiz Fernando Corrêa, novo diretor-geral da Polícia Federal:

Se a Polícia Federal tiver uma prova robusta, não tem pressão política que consiga debilitá-la. (...) Pressão política se rebate com rigor técnico e profissionalismo.”

Sabendo-se que o senhor Correa é petista, seria importante que o novo diretor da PF primeiro mostrasse serviço para depois a gente poder avaliar. Porque, cá pra nós, esta declaração de sobre “pressão política, dita assim, sem mais nem porquê, é papo furado.

***** Lula, o novo rico

A casa comprada por Lula junto à cooperativa habitacional Bancoop, no Guarujá (SP), fica no condomínio Iporanga, onde veraneiam o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e a viúva do ex-ministro de FHC Sérgio Motta. Não custam menos de R$ 2 milhões, cada. O presidente e a mulher, d. Marisa, passaram boa parte das férias do verão passado na casa de Bastos, nesse condomínio de classe média alta, quando decidiram comprar o imóvel.

***** É mais perigoso voar no Brasil
Da Folha de S.Paulo

O Brasil teve, no ano passado, 3,5 vezes mais acidentes do que a média mundial e o controle de tráfego aéreo compromete a segurança dos vôos, afirma relatório da Iata (sigla em inglês para Associação Internacional em Transporte Aéreo) a que a Folha teve acesso.

O documento foi encaminhado ao Ministério da Defesa, às companhias e ao Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias) sobre a situação do transporte aéreo no país.

A Iata é uma associação internacional de companhias aéreas sem fins lucrativos que reúne 244 membros -elas representam 94% do transporte aéreo regular internacional.

O país teve uma média de 2,25 acidentes por milhão de trechos voados, diz o relatório. A média mundial foi de 0,65 e a da América Latina, de 1,80.

***** Estudo questiona eficácia do Bolsa Família na Saúde

O Bolsa Família não alcançou melhorias das condições nutricionais e de vacinação das crianças de famílias assistidas pelo governo federal. É o que apontam dois estudos divulgados pelo Cedeplar (Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional), da UFMG, que está avaliando para o MDS (Ministério de Desenvolvimento Social) os impactos do programa.

Os pesquisadores compararam famílias pobres que estavam recebendo o benefício em 2005 com as também pobres fora do programa. O trabalho aponta que 24% das atendidas não estava com a vacinação de crianças de zero a seis anos em dia, embora essa seja uma das condições para que recebam o benefício.

Já em relação à condição nutricional das crianças de seis meses a cinco anos, o estudo aponta que 14% das crianças das famílias assistidas apresentavam desnutrição. Os pesquisadores concluíram que os percentuais não se alteram quando comparados aos das famílias não atendidas pelo Bolsa Família. Dados do próprio Ministério do Desenvolvimento Social de julho de 2007 mostram que apenas 42% das 11 milhões de famílias beneficiadas estavam sendo acompanhadas nas condicionalidades de saúde. Nessas famílias vivem 51% das crianças que deveriam ser assistidas.

***** Uso da capacidade instalada da indústria aumenta para 82,6% em julho, diz CNI
Valor Online

O nível de utilização da capacidade da indústria brasileira ficou em 82,6% em julho, em termos dessazonalizados. Os dados constam da pesquisa Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada hoje. Em junho, esse indicador correspondeu a 82,2%. Em julho de 2006, a indústria usava 80,7% da capacidade instalada.

Sem considerar ajustes sazonais, o indicador da CNI apontou uso de 82,5% da capacidade instalada da indústria de transformação nacional no sétimo mês de 2007, com alta frente a junho deste ano (82,4%). Em julho do ano passado, este mesmo indicador estava em 80,5%.

O crescimento reflete maior ocupação dos setores de calçados e couros, edição e impressão e veículos automotores na passagem de junho para o mês seguinte. Em relação a julho de 2006, a maioria dos setores ampliou o uso da capacidade fabril. No acumulado do ano, o nível de utilização da capacidade ficou 1,8 ponto percentual acima da média registrada no mesmo período do ano passado.

***** Governo descumpre meta estabelecida no PAC

O governo federal já descumpriu metas de gastos com pessoal que estabeleceu no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em janeiro deste ano. No lançamento do programa, o presidente Lula encaminhou ao Congresso um projeto de lei que limitava em 1,5% ao ano, acrescido da variação da inflação, o aumento que os três Poderes da União poderiam conceder a seus servidores.

No Orçamento de 2008, as despesas com pessoal no próximo ano terão aumento nominal de 10,1% e aumento real de 5,9% (ou seja, descontada a inflação prevista de 4%), o que representa um aumento três vezes superior ao previsto pelo PAC.

O aumento das despesas dos Poderes com o funcionalismo (5,9%, em termos reais) é superior ao crescimento da economia, projetado em 5% para o ano que vem. Dessa forma, os gastos passarão de 4,69% do PIB (Produto Interno Bruto) este para 4,74% do PIB em 2008. Em termos absolutos, os vencimentos dos servidores da União subirão de R$ 118,1 bilhões para R$ 130,0 bilhões em 2008. Pelo estabelecido no PAC, este valor não poderia superar a marca de R$ 124,7 bilhões.

***** O dinheiro da Marcha das Margaridas
Reinaldo Azevedo

Lembram-se daquela Marcha das Margaridas? No dia 22 de agosto, Lula participou da solenidade e fez mais um de seus discursos contra as elites. O governo também negou que tivesse dado dinheiro para o evento. Não deu? Abaixo, segue a liberação do recurso, que está no Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal):
Detalhes do Convênio UF: DF Município: BRASILIA
Detalhes do Convênio
Número do Convênio SIAFI: 592729
Nº Original: 20002157200700040
Objeto do Convênio: Apoio a Marcha das Margaridas
Orgão Superior(Descrição-Código): PRESIDENCIA DA REPUBLICA
Concedente(Descrição-Código): SECRETARIA ESP. DE POLITICAS PARA AS MULHERES
Convenente(Descrição-Código): CONFEDERACAO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA
Valor Convênio: 114.008,16
Valor Liberado: 114.008,16
Publicação: 31/07/2007
Início da Vigência: 30/07/2007
Fim da Vigência: 30/01/2008
Valor Contrapartida: 16.000,00
Data Última Liberação: 01/08/2007
Valor Última Liberação: 114.008,16