Várias vezes já dissemos que o que o governo fez com VARIG foi uma ação nefasta e mal cheirosa. Se o critério fosse apenas o de resguardar a instituição BNDES para que não investisse dinheiro público na iniciativa privada para salvar empresas à beira da falência, ainda assim, no caso da empresa aérea, tinha obrigação este ou qualquer outro governo que salvaguardar uma empresa quase centenária, uma das poucas empresas com respeito e credibilidades internacionais, e que atua num setor estratégico.
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Deveria mas não fez. Ao não fazer, permitiu que mais de 5.000 profissionais com excelente formação e treinamento fossem, simplesmente abandonados por interesses suspeitos, espúrios e de imperdoável incompetência.
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Várias vezes lembramos que, dentre as razões rasteiras usadas pelo governo Lula para não socorrer a companhia aérea que sempre esteve ao lado do esporte e da cultura com exemplar participação e patrocínio, estava o interesse econômico. Levada à justiça, o governo federal foi condenado a indenizar a VARIG em 4,0 bilhões de reais, frutos de pacotes econômicos que destruíram o equilíbrio financeiro da empresa. Ainda assim, negou em pagar.
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Depois, podendo socorrer a VARIG já agonizante com aportes do BNDES uma vez mais Lula deu às costas e negou o socorro necessário.
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O resto da história é de conhecimento público. Porém, é de se questionar qual a verdadeira razão para Lula negar o apoio do BNDES no caso da VARIG ? Serão razões econômicas? Parece-nos que não. Porque este mesmo governo, por este mesmo BNDES tem sido pródigo em “outros” socorros, verdadeiros lesa-pátria. Talvez um dia a opinião pública brasileira seja contemplada com a verdade pela insistente, equivocada e mal-intencionada negativa de Lula em permitir que o BNDES acudisse a VARIG em sua crise e morte.
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Alegou-se questões técnicas. Mas isso, como veremos mais adiante, além de total idiotia, é uma mentira deslavada e inconseqüente. O BNDES, como se sabe, já acudiu muita empresa em dificuldades até maiores que a vivida pela VARIG, e tem sido pródiga em abrir seu caixa sob condições pra lá de “tecnicamente” equivocadas.
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Nem os apelos de grande parte da opinião pública foi capaz de sensibilizar Lula e seus cãezinhos amestrados do BNDES. Uma pesquisa espontânea divulgada pelo jornal "O Globo", na qual se manifestaram 25.570 leitores, mostra que nem a manipulação dos fatos encontra suporte para o assassinato econômico programado: 63,94% responderam que "o governo não podia deixar a mais importante empresa aérea do Brasil quebrar", enquanto apenas 36,6% subscreveram a capciosa resposta "o dinheiro público não deve ser usado para socorrer empresas privadas mal-geridas".
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Abandonada e levada ao desespero, a Varig tentou agarrar-se a um salva-vidas, enquanto o governo fez jogo duro, como se nunca tivesse aberto os cofres do BNDES para injetar recursos em empresas privadas em crise, como a alemã Volkswagen, que acaba de receber R$ 497,1 milhões para preservar empregos, enquanto anunciava a demissão de 5.773 empregados.
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No caso das montadoras, que já se beneficiam de generosas renúncias fiscais em suas exportações, o BNDES não faz cerimônia. Só a Volks recebeu R$ 3,730 bilhões nos últimos dez anos. No ano passado, obteve R$ 934 milhões de um total de R$ 1,956 bilhão repassados nos três anos do governo Lula, isso enquanto a indústria festeja recordes na produção de automóveis. Nunca esquecendo que no casos dos empregados das montadoras, eles formam uma imensa legião de simpatizantes a Lula, ali nasceu seu curral eleitoral, e ficaria mal diante de seus “eleitores” negar socorro às montadoras.
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E para não se dizer que o governo Lula tenha feitos “negócios amigos” apenas com as montadoras, relatamos um outro caso em que é vergonhoso o papel desempenhado pelo BNDES. A AES recebeu US$ 1,2 bilhão para ajudar na compra da Eletropaulo. Não pagou e o governo, ao invés de exigir a empresa de volta, fez exatamente o que os caloteiros norte-americanos queriam, conforme noticia Wagner Gomes, em "O Globo" de 19 de setembro de 2003. Fechou um acordo pelo qual o BNDES trocou US$ 600 milhões da dívida por uma parceria com a multinacional em uma "sociedade de propósito específico, a Novacom. O controle acionário ficou com a AES e o BNDES com 50% das ações, menos uma.
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Parte dos outros US$ 600 milhões ficou para ser refinanciada: A AES comprometeu-se a pagar à vista US$ 60 milhões no fechamento do contrato, convertendo US$ 540 milhões em debêntures, dando como garantia as ações da Eletropaulo na Novacom. Pelo acordo, se a AES depositasse os US$ 60 milhões (5% do total devido) US$ 118 milhões referentes aos juros da dívida seriam PERDOADOS.
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Não bastasse o assalto praticado pelo governo do amigo Evo Morales, da Bolívia, em invadir e tomar as instalações da Petrobrás com força militar, o governo Lula não apenas reconheceu o “direito” à ação descabida e desproposital, como também, em momento algum, exigiu a indenização que lhe era devida. Não satisfeito, Lula ainda abriu em condições bastante camaradas, uma linha de crédito via BNDES em favor do governo boliviano para obras de infra-estrutura, condições tão especiais que são muito melhores das que o próprio BNDES oferecem para as empresas brasileiras dentro do país.
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É vergonhoso ? É patético ? Ambas, para não se dizer outra coisa, como por exemplo, escandolosamente indecente e imoral. A história de favorecimentos do BNDES às montadoras até poderia ser compreensível, se o governo Lula não tivesse, proposital e calculadamente, permitido a quebra da VARIG e o desemprego de mais de 5.000 profissionais qualificados. Vejamos: no Globo On Line há uma extensa lista de “benefícios” que nos dão em que pensar. Cinqüenta anos depois do início da produção de carros no Brasil, o país continua investindo mais no setor automotivo do que em modernos meios de transporte de massa. Em três anos e meio de gestão, o governo Lula deu mais crédito para as montadoras de veículos do que aplicou em metrô.
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Do início de 2003 até junho passado, as contratações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) para o setor automotivo somaram R$ 7,58 bilhões. O montante é mais de quatro vezes maior do que os gastos orçamentários com custeio e investimentos em metrô (R$ 1,4 bilhão) somados aos desembolsos do banco estatal para o transporte metroviário no mesmo período (R$ 366 milhões).
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Em 20 anos, o BNDES liberou R$ 3,8 bilhões para os metrôs do Rio e de São Paulo, as duas cidades mais importantes do país e que diariamente enfrentam quilômetros de engarrafamentos. Só no ano passado, as contratações de empréstimos do banco estatal para fabricantes de veículos e peças - setor dominado por multinacionais - chegaram a quase o mesmo valor (R$ 3,7 bilhões). Há casos extremos como o da Volkswagen, que em 2005 conseguiu um financiamento de R$ 660 milhões do BNDES, quase dez vezes maior que todos os desembolsos no período para os metrôs do país (R$ 70,2 milhões).
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O BNDES não tem nenhuma restrição orçamentária, política ou operacional para a concessão de financiamentos a projetos metroviários. Pelo contrário, as condições são as mais favoráveis. Mas esses são investimentos complexos, de infra-estrutura, não podem ser comparados com os de empresas produtoras de bens duráveis e exportadoras - justifica o gerente da área social do banco, Charles Marot. E por que então negou recursos à VARIG, em volume bem menor do que ao que se destinou à Volks ? Além disto, as vantagens que o BNDES abre ao sistema metroviário, não encontra, por outro lado, o correspondente respaldo administrativo quando este se encontra sob a batuta do poder público.
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A experiência do metrô do Rio contrasta com a da maior parte das empresas do país, que têm prejuízos todos os anos e precisam da injeção constante de recursos públicos para continuar funcionando. O serviço é o único do Brasil que foi privatizado e que tem, inclusive, ações negociadas na Bovespa, com direito a lucros aos acionistas.
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A privatização aconteceu em 1997, quando um consórcio liderado pelo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, arrematou em leilão por R$ 291 milhões o direito de explorar o serviço por 20 anos. Deste total, 30% foram pagos à vista e cerca da metade do valor ainda está sendo amortizada.
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Na Bovespa, a empresa aparece como Opportrans, uma mistura de Opportunity com Cometrans, companhia privada do metrô de Buenos Aires também integrante do consórcio. Hoje, o Opportunity não aparece mais diretamente entre os controladores. Agora, Daniel Dantas é representado pelo Grupo Sorocaba.
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A Opportrans assumiu a administração e o controle das operações do metrô, em abril de 1998, mas as expansões da rede continuaram a cargo do Governo do Estado, por meio da Rio Trilhos.
Até
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O governo Lula deve uma explicação à sociedade brasileira sobre a maneira parcial com que conduz as orientações de liberação de recursos promovidas pelo BNDES. No caso da VARIG já se vê a ação dolosa e imoral, que por outro lado não encontra paralelo para alguns “clientes” especiais nos quais, como vimos o BNDES capitulou seu interesse econômico em troca não se sabe de que favores.
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A insistência em manter sob sua guarda o sistema metroviário no qual são injetados bilhões de reais também não encontra paralelo nem tampouco justificativa técnica. Só é possível entender como a necessidade de assegurar cabides de empregos para a manutenção de currais eleitorais além, é claro, da manutenção do podre sistema sindical brasileiro, que no caso da VARIG, a CUT, por sinal, se manteve distante e num silêncio criminoso e traiçoeiro, muito embora este capacho do governo tem outras razões orçamentárias para manter o distanciamento.
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Esquece, acaso, o governo federal que cada centavo utilizado para cobertura nos prejuízos proporcionados por sua má gerência são custeados pelo contribuinte ? Os prejuízos advindos do roubo das unidades da Petrobrás se convertem em bofetadas à própria soberania do país ? E que contratos imorais como o que se fez com a AES acabam em danos irreversíveis ao interesse de se preservar a própria instituição BNDES ?
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Provavelmente, tais ações todas com a conivência e consentimento do governo federal, principalmente no caso da VARIG, a responsabilidade do presidente da república não poderá ser esquecida. Podendo agir, acovardou-se, omitiu-se, fugiu de sua responsabilidade.
Aliás, Senhor Lula, toda vez que vossa excelência acomodar-se em seus assentos de luxo no avião presidencial de milhões de dólares, seria bom recordar-se do desespero de mais cinco mil brasileiros que o senhor por sua incompetência e má vontade desempregou. Faça sua propaganda eleitoral mentirosa e asquerosa na tevê o quanto quiser ao peso de milhões de reais. Mas este crime, estará indelevelmente grudado em sua biografia canalha. A que interesses se atendeu ? Não sabemos, mas com certeza nenhum deles, seja no caso da VARIG, seja na desapropriação ilegal e indevida das instalações da Petrobrás na Bolívia, sob seu consentimento descarado, nenhum estará associado ao interesse brasileiro, sepultado por sua hipocrisia. Um dia, queira você ou não, o destino vai lhe cobrar por seu crime.
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Aliás, seria oportuno e útil Lula conhecer um pouco melhor a biografia de Getúlio Vargas, a quem tenta grotescamente comparar-se. Apesar de ditador, jamais agiu contra o interesse nacional, jamais traiu as cores do país que ele amou. A ele, a VARIG muito deve por seu crescimento.
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E toda vez, Senhor Lula, que se recolher ao seu leito e antes de adormecer, traga à consciência (se ainda a tiver) a frase dolorosa de uma brasileira que você premeditadamente desempregou. Para ela e todos os que você colocou no olho da rua, assim como para os que tiveram o apoio e patrocínio da VARIG ao longo de sua história nas atividades culturais e esportivas, bem como a todos os brasileiros que se orgulhavam da companhia brasileira com reconhecimento internacional por sua excelência de serviços, você deve uma explicação convincente e um formal pedido de desculpas:
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"Sei o preço que estou pagando, mas prefiro lutar a ficar em casa rezando ou torcendo por alguma solução milagrosa."
(Ane Elisabeth Horst, comissária da Varig há 20 anos).