quarta-feira, dezembro 13, 2006

O pacote "Conceição"

Por Carlos Chagas, publicado nna Tribuna da Imprensa
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BRASÍLIA - E o pacote destinado a proporcionar o crescimento econômico de pelo menos 5%, ano que vem? Por enquanto é o "pacote Conceição", aquele que, se subiu, ninguém sabe, ninguém viu. O prazo ainda corre, o presidente Lula prometeu as mudanças econômicas para o final do ano. Como faltam duas semanas e dois dias, não há que descrer de mais essa promessa, apesar dos precedentes.
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Do que se duvida é se o governo anunciará mesmo iniciativas de vulto ou se atenderá apenas às anacrônicas sugestões de parte das elites, como a reforma trabalhista destinada a suprimir os direitos sociais que sobraram e se penalizará ainda mais os trabalhadores e os aposentados com a "reforma" da Previdência Social. O presidente Lula jura que não, mas a pressão é grande.
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Taxar os lucros da especulação financeira ninguém pensa, na equipe econômica. Muito menos restringir o envio de recursos para o exterior. Sequer diminuir as alíquotas do superávit primário. Obrigar os investidores estrangeiros a deixar seus investimentos no Brasil por um prazo mínimo, acabando com o capital-motel? Limitar a farra dos juros cobrados pelos bancos aos correntistas? Negativo, também.
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Em suma, e salvo prova em contrário, a reforma econômica não tocará nem de leve nos privilégios, mas ainda sobraria uma saída: diminuir impostos. Alguém se anima a esperar quais, sejam federais, estaduais e municipais?
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O novo ministro
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Espera-se para hoje, em despacho de Márcio Thomaz Bastos com o presidente Lula, o anúncio de quem será o novo ministro da Justiça. Sepúlveda Pertence e Tarso Genro são hipóteses concretas, mas há quem, no Palácio do Planalto, aposte numa surpresa. Antônio Carlos Biscaia e Sigmaringa Seixas estariam no perfil, até porque são do PT, mas contra eles levanta-se o fantasma da derrota eleitoral em outubro passado. Denise Frossard seria sonho de noite de verão, mesmo pertencendo ao PSB, partido aliado do governo. Assim como Nelson Jobim, do PMDB.
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Uma coisa é certa: apesar de filiações partidárias, o Ministério da Justiça faz parte da quota pessoal do presidente da República. Perto dele, a coalizão não chegará.
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Há quem suponha, também, para janeiro, a criação do Ministério da Segurança Pública, que centralizaria a Polícia Federal e outros órgãos mais diretamente ligados ao setor. Ficaria o Ministério da Justiça com a tarefa maior da coordenação política. Como tudo são especulações, melhor aguardar.
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Pagou vexame
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O mundo inteiro escreve e fala sobre a morte do general Augusto Pinochet. Tudo o que era para ser dito já foi, nos últimos dias, contra e a favor.
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Do fundo da memória, porém, emerge um detalhe desconhecido. Em março de 1974 tomava posse o quarto general-presidente brasileiro, Ernesto Geisel. Convidado, antes de deixar Santiago o ditador chileno declarou que vinha ao Brasil para assistir "à mudança de guarda" no país irmão. Pegou mal, mas ficou pior quando chegou a Brasília. Um dos grandes hotéis da época, o Eron, foi colocado à disposição dele. O elevador externo, todo envidraçado, propicia aos hóspedes singular visão da capital federal, mas foi estranhamente envolto por pesadas cortinas. O argumento era de que um hipotético atirador poderia atingi-lo, do outro lado da Esplanada dos Ministérios.
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A comitiva de montes de carros de segurança chegou ao hotel e Pinochet, em farda de gala, desce e, imediatamente, perfila-se e bate continência. Para quem? Para um cidadão que o aguardava, fardado de almirante-general-brigadeiro, cheio de alabartes, medalhas, túnica vermelha e quepe emplumado.
Era o porteiro...
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Renan na frente
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Assessores especiais de Renan Calheiros costumam, todas as noites, entrar no gabinete do presidente do Senado para o relatório das possibilidades da reeleição. Checam e rechecam o voto dos senadores presentes na casa, envolvem os indecisos e indicam a Renan quem ele deve convidar, no dia seguinte, para uma conversa descompromissada, uma visita pessoal e até um jantar. O mapa, repassado a cada 24 horas, indica sensível vantagem para Renan, até com algumas surpresas: tem tucanos voando para a sua candidatura, assim como o apoio dos três senadores do PDT vai sendo assegurado.
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No PT são poucas as resistências e o fogo, nos últimos dias, concentra-se sobre os chamados dissidentes do PMDB.
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Continuando as coisas como vão, o senador pelas Alagoas pode considerar-se vitorioso, inclusive com o voto do novo companheiro, o ex-presidente Fernando Collor.

Os pobres do judiciário

Por Ralph J. Hofmann, publicado no Prosa & Política
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Em dado momento no fim da década de oitenta percebi que meu salário, não obstante as correções de dois em dois ou três em três meses cada vez comprava menos, ao fim de cada período a manutenção de nossa situação se tornava crítica. Uma pane séria no carro, um cabeçote estragado no indispensável videocassete (cinema era atividade reservada apenas para as crianças) e ficávamos em situação comprometedora. Isso ao menos se quiséssemos manter filhos em escolas particulares, adquirir revistas vitais como a Veja ou Isto É ou Nova para as mulheres da família.
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No fim daquele ano tive um momento em que quase joguei tudo às favas. Eu sempre defendera o objetivo de que minha família tendo imigrado três vezes entre 1933 e 1948 devíamos aprofundar as raízes brasileiras dos meus filhos. Naquele momento considerei abandonar emprego, vender casa e me aventurar para o exterior.
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Ao levar a lista de compras de material escolar para o ano seguinte, enquanto as vendedoras preenchiam a lista, fiz o que sempre fazia nessa oportunidade. Peguei um ou dois livros para mim. Lembro-me até hoje que um deles era “A Ascensão e Queda das Grandes Nações” de Joseph Kennedy.
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Somadas as compras para três crianças, ouvindo o valor, murchei e devolvi às prateleiras minhas escolhas. Naquele momento descobri até que ponto haviam murchado minhas opções ante a inflação galopante do Brasil. E para uma pessoa com meu tipo de criação, não comprar livros era uma contração violenta dos meus horizontes.
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Constatei que, ao ser admitido na empresa onde eu trabalhava eu ganhava um poder de compra que chamarei de 3.500 merrecas (já que minha memória não acompanha as moedas que tivemos). Naquele momento, nos pontos mais baixos entre uma correção e outra, não obstante promoções e aumentos ditos reais, em certos momentos eu não ganhava nem 1.000 merrecas de poder aquisitivo. .Poucos anos depois veio o Plano Real, e ao menos o galope do aumento de preços diminui, certas coisas se mantém estáveis ou flutuam sazonalmente outras se reduziram imensamente em termos de poder aquisitivo, tais como eletrodomésticos e bens eletrônicos.
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A verdade é que em nenhum momento temos tido uma inflação sequer próxima aos 30 porcento ao ano, desde a implantação do Plano Real.
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E é isso que torna abusivos aumentos auto-concedidos de setores do poder público. Não é o teto salarial que me apavora. O que me apavora é que as pretensões do judiciário representam um aumento superior a 30%. Sobre que período? Sob que justificativa.
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Se os cavalheiros do judiciário (e quem sabe do legislativo) querem ser magnatas, por favor, que dispam a toga, abram um supermercado no primeiro ano, no segundo ano dois, e sucessivamente outros supermercados. Que tenham lucro, que ganhem muito mais do que 24.500 reais, que estarão construindo o Brasil.
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Ao entrarem para uma carreira pública deveriam saber que estariam sempre ganhando mais do que a média dos meros mortais de seu mesmo nível etário. E o mereceriam pela responsabilidade que assumiam, e pelos dotes intelectuais que lhes permitiram passar por concursos públicos. Mas ninguém lhes garantiu um Mercedes –Benz novo à porta todos os anos.
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Mas o colega de faculdade que abriu uma banca de advocacia e acumulou clientes e causas, criou uma reputação, e que não terá uma pensão no valor integral de seus ganhos quando se aposentar obedece regras de mercado. Com ou sem tabela precisa mostrar resultados. Senão passa fome. E pelo seu trabalho muitos, não todos, chegam ao Mercedes-Benz novo à porta. É a recompensa do risco assumido.
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Os cavalheiros do judiciário receberam cedo uma compensação. Um excelente salário, excepcional para o país, excelente mesmo no exterior, estabilidade e uma bela pensão.
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Já o abuso de uma capacidade de auto conceder-se aumentos sem a justificativa de uma inflação ou de um aumento excepcional de produtividade é absurdo, é abusivo e francamente coloca em dúvida qualquer direito ao respeito que deveríamos ter pela toga.

O monstro do La Moneda

Por Sebastião Nery, para a Tribuna da Imprensa
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Além, pouco além de Viña Del Mar, a caminho da Isla Negra, sobre cujas rochas batidas pelo Pacífico está ancorada, como um poema, a mítica casa-caravela, hoje museu, do gordo e eterno Pablo Neruda, o jovem motorista que me levava de Santiago, em abril último, falava constrangido:
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- O senhor entenda. Quando os militares deram o golpe e mataram o presidente Allende, em 11 de setembro de 73, eu tinha 3 anos. O que sei é o que me contaram. Mas Pinochet não fez e não faria tudo aquilo sozinho. Foi ajudado pelos outros generais. Os militares, as policias, aqui no Chile, sempre foram muito arrogantes, duros, violentos. Basta pôr uma farda e pensam que são donos do país e de tudo. E nesses anos foram.
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A surpresa é que, depois, ficamos sabendo que Pinochet não era apenas assassino. Era também ladrão. Aí, não. Além de ser, como o povo chamava, "o monstro do La Moneda", ele roubou milhões de dólares e mandou para os Estados Unidos. Violências outros também fizeram. Mas, além de assassinar, ele roubou. Ladrão, não!
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Chile
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O espanto do motorista era uma aula de história. O Chile é um cavalo com um herói em cima e imensas espadas na mão. Estão em todas as praças e avenidas: os que o invadiram em nome da Espanha, os que comandaram as guerras da independência, até os índios que resistiram aos massacres brancos.
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E sempre havia um padre. O governador Martin Garcia de Loyola, sobrinho de Santo Inácio, fundador da Companhia de Jesus, morreu no Natal de 1598, atacado por 300 índios montados. Seus soldados pularam em um rio, onde morreram afogados ou assassinados. O provincial dos franciscanos, frei Melchor de Arteaga, ainda conseguiu dar um tiro de arcabuz, mas foi morto.
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Aventureiros, padres, prisioneiros do Peru mandados cumprir pena nos quartéis do Chile ("a última e mais pobre colônia que teve a Espanha") acabavam servindo aos Exércitos e "foi sobre essas bases que começou a história do Chile", diz o historiador Armando de Ramon: "História de Chile".
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Allende
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Derrotados os espanhóis, apareceram os ingleses. O porto de Valparaiso mais parece uma praça de guerra da Marinha, construída pelos ingleses: o Forte Naval, o Arsenal da Marinha, a Escola Naval, o monumento à Marinha. O país é todo assim, cheio de fortes e monumentos aos heróis acavalados.
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Essa beligerante história, diferente por exemplo da do Brasil, com todas as nossas violências históricas, é que explica Pinochet e a hoje indisfarçada vergonha do Chile. Havia um tumular silêncio sobre ele. Estava vivo, preso em casa em Santiago, e todo mundo fazia de conta que já estava morto e enterrado.
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Os militares chilenos não mataram apenas 3 mil civis, a maioria jovens. Mataram-se também entre eles. O general Schneider, o general Prats, tantos outros oficiais, foram assassinados sem fazer nada. Só porque eram adversários. O pai da presidente Bachelet, general da Força Aérea, foi torturado e morreu na cadeia só porque participava do governo Allende.
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Allende foi bombardeado e massacrado dentro do Palácio La Moneda para servir de exemplo, para os generais mostrarem quem eles eram e o que queriam. Mas hoje quem está em estátua de bronze, em frente ao palácio, não é Pinochet, o "monstro do La Moneda". É Allende, o "mártir do Chile livre".
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Bachelet
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Daí a lição histórica da eleição de Michelle Bachelet. O pai, general morto pela ditadura, a mãe e ela, aos 22 anos, presas, torturadas e expulsas do país. Foi para a Alemanha, voltou, continuou resistindo no seu Partido Socialista, tocou guitarra, formou-se em medicina, estudou no Colégio Interamericano de Defesa, nos Estados Unidos, tornou-se ministra da Saúde e da Defesa e foi eleita presidente derrotando os discípulos de Pinochet. O presidente no Chile tem mais poderes do que no Brasil. A Câmara tem 120 deputados, o Senado 47 senadores. O país é dividido em 14 regiões, comandadas por "intendentes" nomeados pela presidente da República.
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Há mais 50 províncias, cada uma governada por um governador, também nomeado pelo presidente da República. E 341 municípios, com prefeitos e Câmaras de Vereadores eleitos diretamente pelo povo.
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O machismo no país é muito forte. No Chile, 46,7% das mulheres não trabalham. (Na Argentina e Uruguai, 75% trabalham.) O militarismo também. A "Lei do Cobre" destina para as Forças Armadas 10% dos recursos gerados pelo cobre. Há um projeto para acabar com isso. Apoiado pela presidente.
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"Concertação"
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O Chile deu um belo exemplo de talento político. A oposição aprendeu que é melhor fazer concessões no Congresso do que morrer na cadeia. Os partidos Socialista, Democrata Cristão, Comunista e Social Democrata, que se guerreavam antes de 73, abrindo caminho para as empresas multinacionais e os EUA financiarem o golpe de Pinochet, viram que a salvação era a união.
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Criaram a "Concertação", a partir da aliança dos democratas cristãos e socialistas, afastaram os militares e, desde 90, já elegeram dois presidentes democratas cristãos e dois socialistas. Ricardo Lagos, socialista, foi o anterior. Saiu com 75% de aprovação. Agora, a Bachelet, também socialista, também está com 75%. Os partidos dos filhos de Pinochet vêm perdendo todas.

Militantes de esquerda reagem à fala de Lula

Publicado na Tribuna da Imprensa
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SÃO PAULO - Velhos militantes da esquerda, com décadas de atuação em movimentos sociais e partidos ligados ao pensamento de personagens como Karl Marx e Friedrich Engels, reagiram com indignação à afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segundo a qual uma pessoa idosa que se mantém de esquerda "está com problemas".
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A declaração, feita segunda-feira durante entrega do prêmio dos 30 anos da revista "IstoÉ", de acordo com Lula, simbolizava a caminhada para o centro, com o passar da idade, de esquerdistas e direitistas. Militante histórico do PT, hoje no PSOL, o professor Plínio de Arruda Sampaio, ironizou, do alto de seus 76 anos, o comentário do presidente. "O fato de uma pessoa ficar velha não quer dizer que se tornou velhaca", afirmou Plínio, que fez em vários momentos severas críticas a Lula e seu grupo, por discordar de sua linha ideológica.
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Ex-professor de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e também militante histórico do PT, o sociólogo Francisco de Oliveira, de 73 anos, mais conhecido como Chico de Oliveira, também criticou a declaração de Lula. "Continuo de esquerda, apesar da idade, e não me considero nem um pouco ultrapassado. A frase é típica do 'camaleonismo' do presidente, que diz o que cada platéia quer ouvir, mas é um sinal de indigência cultural", comentou ele, que está rompido com o partido.
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Experiência
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O escritor e jornalista Jacob Gorender, um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), de 83 anos, na militância desde os 14, se disse surpreso com o comentário. "A idade não torna as pessoas moderadas, ao contrário do que a fala sugere. O que diferencia um militante de mais idade de um jovem é a experiência", afirmou.
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Deputado pelo Partido Verde (PV) e guerrilheiro na década de 1970, Fernando Gabeira também ironizou o teor da declaração do presidente. "Só se ele estiver se referindo a Fidel Castro, que está doente e já na casa dos 80 anos", disse Gabeira, numa referência ao presidente de Cuba.
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Lugar-comum
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Apesar da ironia, Gabeira afirmou que tem havido, nos últimos anos, um enfraquecimento tanto das idéias de extrema-esquerda quanto das de extrema-direita. "A fala do presidente é, mais uma vez, uma sucessão de lugares-comuns e frases feitas", analisou o deputado.
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Na verdade, embora procurasse parecer original, Lula repetiu pensamento corriqueiro entre a militância política, que diz que os homens são incendiários aos 18 anos e bombeiros aos 30.

Crítica militante

por Ipojuca Pontes, no Blog Diego Casagrande
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A chamada crítica cinematográfica atuante nos segundos cadernos da grande mídia é, toda ela, salvo exceção, conivente com o processo de espoliação que faz do recurso público uma cornucópia insondável para o desfrute da casta que “pratica” cinema no Brasil. De ordinário, o crítico, militante vermelho ou inocente útil, finge ignorar que a atividade subtrai anualmente mais de meio bilhão de reais do erário nacional, sem nenhum retorno econômico, um acinte para o País cuja população pobre vive no desamparo, muitas vezes à céu aberto, enfrentando problemas elementares de saúde, educação, subnutrição e desemprego (enquanto Cacá Diegues, o Sinhozinho do cinema, faz filmes de R$ 10 milhões com o dinheiro das estatais).
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Só para exemplificar: no exame das relações do cinema com a miséria, cito o caso da doméstica Severina Belisário, moradora da periferia da Mata Atlântica (Xerém), que foi autuada por cortar árvores e transformá-las em lenha para cozinhar o feijão. Na delegacia, interrogada sobre o motivo que a levara ao ato criminoso de causar dano ao meio ambiente, a mulher foi objetiva: “E eu ia cozinhar com quê? Não sou rica para comprar por R$ 33,00, toda semana, um botijão de gás!”. De fato, o gás fornecido pela Petrobras é um dos mais caros do continente e, como se sabe, a empresa não subsidia consumidores de baixa ou nenhuma renda.
.Na mesma linha de aberração, sabe-se que 35% dos trabalhadores residentes nos longínquos subúrbios das principais metrópoles do País estão acordando duas horas mais cedo para ir a pé ao trabalho, em razão dos elevados preços das passagens dos transportes coletivos – estes, por sua vez, ocasionados pelos sucessivos aumentos de preços do óleo diesel e da gasolina determinados pela poderosa estatal.
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Sim, não há dúvida: a Petrobras é uma espécie de Robin Hood às avessas – ela tira dos pobres para privilegiar os mais ricos. Com efeito, explorando a população indigente, a trilionária empresa pública prodigaliza milhões de reais para a produção de filmes insolventes, cuja preocupação básica é fazer a lavagem cerebral do espectador indefeso. Como não existe almoço grátis, a estatal do petróleo, hoje acusada de agir como instrumento de aliciamento político, abastece firme a cornucópia perversa, cujos beneficiários se dizem empenhados na busca da “identidade nacional” e na “denúncia das desigualdades sociais”- claro está, com o dinheiro do consumidor explorado.
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A crítica de cinema no Brasil é, em geral, feita por gente transitória, inculta, politiqueira ou de má fé. Gente que desconhece os rudimentos de economia, teoria do conhecimento ou teoria política, estética, história - até mesmo história da arte e do próprio cinema. Suas opiniões são moduladas, via Internet, nos trololós críticos publicados no New York Times, Washington Post ou Le Monde. Quase nenhum faz assinatura de revistas estrangeiras especializadas.
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Tem ainda os que são safos e defendem teses ao cabo dos estreitos cursos de comunicação da USP ou da UFF (especializados em promover os rescaldos da “estética da fome”, a charlatanice da “desconstrução” e o círculo vicioso do estruturalismo retardatário), ambas a estabelecer como norma o desprezo à busca da diferenciação entre a verdade e a mentira na esfera do conhecimento. (Nos templos do pensamento único os mentores de tais cursos imaginam que, assim procedendo, estão promovendo a criação de um “senso comum transformador”).
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No plano ideológico, essa gente, pela incapacidade de pensar por conta própria e para servir às idéias dominantes nas “editorias culturais”, nitidamente esquerdistas, se estreita na ratoeira do nacionalismo (“último refúgio dos canalhas”) vulgar, na intolerância djanovista aos filmes de mercado (americanos) e na cartilha cultural do “politicamente correto” – os três estandartes do engajamento militante (Maliciosos, os “trouxas” pensam em ganhar, assim, de uma só vez, o respeito dos caciques do cinema novo, de pesquisadores da famigerada USP e, contraditoriamente, passagens e estadias para os lançamentos internacionais promovidos pelas “majors”).
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Por que escrevo sobre assunto tão desprezível quanto inútil? Bem, é que o crítico de cinema do Estadão, o sr. Luiz Orocchio Zanin, a pretexto de comentar as peripécias do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a própria cidadela da propaganda comunista bem abastecida pelos cofres públicos, sem exame mais profundo da questão a não ser os ditados pela subserviência ideológica, retorna ao velho lengalenga de acusar “os efeitos do furacão Collor-Ipojuca Pontes” sobre o parasitário cinema estatal, na certa por ter sido fechada (em 1990) a Embrafilme, reconhecido antro de fraudes e safadezas.
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Ao que tudo indica, o sr. Zanin deve pertencer ao grupo dos “safos” e, por isso, prefere atacar os que repudiam a distorcida interferência do Estado no cinema em vez de procurar entender os mecanismos que fazem do povo brasileiro carne disforme a ser triturada pela ação do governo, responsável, em larga escala, pela permissividade reinante.
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Estou a fim de aprofundar a questão e quero mostrar porque o sr. Zanin, a pretexto de defender a imagem santificada do sanguinário Guevara, detonou “A Cidade Perdida”, o belo filme de Andy Garcia. No seu arrazoado, a demonstrar ignorância ou má fé sectária, o militante do pensamento único escamoteia o fato de que o “Che” matou friamente, de arma em punho, alguns dos 55 detentos de La Cabana, a masmorra que o guerrilheiro fanático dirigiu em Havana após a fuga de Fulgêncio Batista, em 1959.
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Resultado: como resposta, longe da lengalenga da crítica e das intenções cubanófilas dos cineastas abastecidos com a grana fácil da Petrobras, o grande público, salvo exceção, ignora o cinema parasita do Estado – uma entidade, fora do gueto, absolutamente descartável.

A fábrica da inveja

por Rodrigo Constantino, no Blog Diego Casagrande
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A lei moral de que o justo é tirar de cada um de acordo com sua habilidade e dar para cada um de acordo com sua necessidade corrompeu milhões de corações ao longo dos anos, e ainda o faz. No entanto, nada poderia ser mais imoral, injusto e ineficaz que este conceito. A novelista Ayn Rand fez um dos melhores retratos das conseqüências dessa máxima colocada em prática, no seu livro Atlas Shrugged, assim como expôs com perfeição os reais motivadores de seus defensores.
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Na ficção, infelizmente nada distante da realidade de muitos, uma fábrica de motores decidiu votar um plano onde todos os funcionários iriam trabalhar de acordo com suas habilidades, mas o pagamento seria de acordo com as necessidades. Falaram que o plano objetivava um nobre ideal de justiça. Era chegada a hora de acabar com a ganância individual, com a busca pelo lucro, com a competição selvagem. Todos os trabalhadores seriam uma grande família, e o bem coletivo seria colocado à frente dos interesses particulares.
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Um ex-operário relata como o plano funcionou. Tente colocar água num tanque onde há um duto no fundo drenando o líquido mais rápido do que você é capaz de enchê-lo, e quanto mais você joga água dentro, maior fica o duto. Quanto mais você trabalha, mais é demandado de você, até que suas horas trabalhadas multiplicam-se para que seu vizinho tenha sua refeição diária, a esposa dele tenha a operação necessária, sua mãe tenha a cadeira de rodas, o tio dele tenha a camiseta, o sobrinho a escola etc. Até pelo bebê que ainda não veio, por todos à sua volta, mais e mais é demandado de você, sempre em nome da “família”. A cada um pela necessidade, de cada um pela habilidade.
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Foi necessário apenas uma reunião para perceberem que todos haviam se transformado em vagabundos pedindo esmolas, pois ninguém poderia reclamar um pagamento justo, não havia direitos e salários, seu trabalho não lhe pertencia, mas sim à “família”, e nada era devido em troca, sendo o único direito sobre ela a “necessidade”. Cada um tinha que demandar tudo, alegar misérias, pois suas misérias, não seu trabalho, tinham tornado-se a moeda de troca. Ninguém podia mais nada. Afinal, ninguém era pago pelo trabalho, pelo valor gerado, mas apenas de acordo com a “necessidade”. Em pouco tempo, sendo a necessidade algo subjetivo, todos passam a necessitar de tudo, e a “família” experimenta enorme crescimento de ressentimento mútuo, trapaças, mentiras. A cirurgia da mãe do vizinho passa a ser vista com desconfiança, pois seu trabalho que paga a conta. Cada nova demanda através do apelo de “necessidade” gera mais intrigas e brigas.
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Bebês foram o único item de produção em alta, pois ninguém tinha que se preocupar com os custos dos cuidados de um filho, já que a conta recaía sobre a “família”. Além disso, não havia muito o que fazer, pois a diversão era vista como algo totalmente supérfluo, um dos primeiros itens a ser cortado em nome da “necessidade” de todos. A diversão passa a ser vista quase como um pecado. Um dos meios mais fáceis de se conseguir um aumento no pagamento era justamente pedir uma permissão para ter filhos ou alegar alguma doença grave. .Não há meio mais seguro de destruir um homem que forçá-lo a um mecanismo de incentivo onde seu objetivo passa a ser não fazer o seu melhor, onde sua luta é por fazer um trabalho ruim, dia após dia. Isso irá acabar com ele mais rápido que qualquer bebida ou o ócio. A acusação mais temida era a de ser mais habilidoso que o demonstrado, pois sua habilidade era como uma hipoteca que os outros tinham sobre você. Mas para que alguém iria querer ser mais habilidoso, se seus ganhos estavam limitados pela “necessidade”, e suas habilidades significariam apenas mais trabalho pesado para que outros ficassem com os benefícios?
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A explicação dos motivos que levaram tal plano a ser aprovado está na passagem em que o ex-operário diz que não havia um único homem votando que não pensasse que sob tais regras poderia avançar sobre os lucros de outros homens mais habilidosos que ele. Não havia alguém rico ou esperto o suficiente que não achasse que alguém seria mais rico ou mais esperto, e que tal plano daria a ele uma parcela de sua maior fortuna ou cérebro. O trabalhador que gostava da idéia de que sua “necessidade” lhe daria o direito a ter o carro que seu chefe tinha, esquecia que todos os vagabundos do mundo poderiam demandar aquilo que ele tinha conquistado pelo seu trabalho. Este era o verdadeiro motivo para a aprovação deste plano igualitário, mas ninguém gostava de refletir sobre o assunto, e quanto menos gostavam da idéia, mais alto gritavam sobre o amor pelo bem geral.
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A fábrica continuou perdendo os melhores homens, pois os habilidosos “egoístas” fugiam como podiam para lugares onde pudessem trabalhar pelos seus próprios interesses, sem terem o fardo de sustentar os parasitas. Em pouco tempo, não havia mais nada além dos homens “necessitados”, pois não tinha um único homem de habilidade. E a fábrica teve que começar a apelar para as suas necessidades tentando não perder todos os seus clientes, pois seus produtos não mais eram competitivos ou eficientes. Mas qual o bem que faz aos passageiros de um avião um motor que falha em pleno vôo? Se o produto for comprado não pelo seu mérito, mas por causa da necessidade dos empregados da fábrica ineficiente, seria isso correto, bom ou a coisa moral a ser feita pelo dono da empresa aérea? Se um cirurgião compra um equipamento não pela sua qualidade, mas pela necessidade dos funcionários do produtor, seria isso correto com seu paciente?
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No entanto, é esta a lei moral pregada por vários líderes, intelectuais e filósofos do mundo. A cada um pela necessidade, de cada um pela capacidade. A fábrica da inveja, na brilhante novela de Ayn Rand, faliu, virou uma fábrica de miséria, assim como os países socialistas que tentaram adotar a mesma máxima de vida.

Coalizão ainda precisa de ajustes

Por Tales Faria, Informe JB
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não anunciou os nomes que farão parte do seu segundo mandato. E parece não ter pressa para isso. Aos colaboradores mais próximos tem dito que, antes de começar a dividir os nacos de poder do seu segundo mandato, precisa acertar os ponteiros com os partidos que farão parte da coalizão.
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Para o presidente, acertar a relação com os partidos, no momento, é o mais importante. Lula sabe o quanto é ruim ter um Congresso como o que está aí, sem a menor afinidade com o Palácio do Planalto, onde aliados e traidores se confundem.
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Quarta-feira, na primeira reunião do Conselho Político criado para aprimorar a relação política entre os partidos aliados no segundo mandato, Lula dirá o que espera de cada legenda. Deixará claro que saberá ser generoso com todos, na medida em que os partidos saibam ser fiéis.
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E, para mostrar que não aceitará demonstrações de força entre os aliados, aproveitará o primeiro encontro para dar um pito no PT. Dirá ao partido que no governo de coalizão não há espaço para brilhos individuais. É um por todos, todos por um.

A educação está morrendo

por Timothy Halem Nery, economista, no Blog Diego Casagrande
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Como pode grande parte das escolas públicas de ensino fundamental e médio terem alcançado o péssimo nível de qualidade retratado atualmente? Essa é uma pergunta que me faço desde março de 2005, quando tive minha primeira experiência em sala de aula, como orientador de projetos sobre empreendedorismo. .É importante esclarecer que o péssimo nível de qualidade se refere ao grau de conhecimento, a disposição e o respeito dos alunos. Sem contar a falta de cuidado com o patrimônio público. Obviamente existem exceções. Na realidade que vivenciei, aproximadamente 25% dos estudantes estavam realmente interessados em estudar. O quadro é assustador! Sem exageros.
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A primeira resposta para a pergunta inicial está baseada no total desconhecimento por parte das autoridades e da sociedade sobre o que ocorre dentro das escolas, no dia-a-dia. Aliás, desconhecimento que está presente em todos os grandes problemas do Brasil. Inércia! Até parece que está tudo bem.
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Apenas para exemplificar: nas 7ª e 8ª séries os alunos engatinham na Matemática, em História sabem apenas quem descobriu o Brasil, e assassinam a Língua Portuguesa sem piedade. “Enchergar”, “nogenta”, “encomodar”, entre outras, fazem parte do vocabulário. E a sociedade pagando.
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Além disso, muitos se julgam no direito de destruir as instalações das escolas. Banheiros depredados, portas arrombadas, ventiladores de teto jogados no chão, classes e cadeiras quebradas e paredes pichadas fazem parte do cenário de horror. E a sociedade pagando.
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Também existe o problema da falta de respeito com colegas, funcionários, professores e direção da escola. Os alunos respondem, enfrentam e desafiam. Não estudam e querem (e conseguem) passar de ano. Os pais acreditam que os filhos são “anjos”, e desconfiam das capacidades dos profissionais. Muitos desses profissionais já “jogaram a toalha”. E a sociedade pagando.
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No entanto, o que mais assusta não é esse quadro apavorante. A meu ver, o pior de todos os prejuízos é o fato de que muitos jovens, empenhados em aprender e conquistar algo através dos estudos, estão sendo condenados à mediocridade pelos maus colegas, pelo modelo que joga todos na “vala comum” e pela própria sociedade, pois essa fecha os olhos para tal problema.
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Enquanto não houver um sistema que proporcione reais oportunidades para aqueles que acreditam na escola e que se esforçam para vencer suas dificuldades pessoais, a tal “inclusão” continuará sendo na prática “exclusão”. .Semana passada peguei duas folhas de ofício e escrevi a seguinte pergunta: “O que é possível fazer para melhorar o desempenho dos alunos na escola?”. Estavam na sala-de-aula 25 estudantes, entre 14 e 16 anos de idade.
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Automaticamente as folhas seguiram caminhos distintos, uma entre os mais e a outra entre os menos interessados. As respostas foram esclarecedoras. Sete delas citavam a necessidade de mais disciplina, respeito e punição aos bagunceiros. As restantes sugeriam mais açúcar na merenda, menor número de aulas, professores “mais legais”, música no intervalo, entre outras “prioridades”..Só não enxerga quem não quer. A vida é feita de escolhas. E cada um deve ser responsável pelas conseqüências das suas escolhas. No momento em que um grupo de alunos escolhe não estudar, e assim prejudica os demais, alguém deve intervir para solucionar o problema. Sim, isso é um problema.
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O Estado, assim como os profissionais da área, têm obrigação de entender que na sala-de-aula não existem apenas “anjinhos”. Também devem perceber que existe uma distância significativa entre as teorias difundidas no meio acadêmico e a realidade das escolas. Os reflexos negativos das políticas adotadas nessa área já podem ser vistos nitidamente. O mercado de trabalho emite sinais constantes de escassez de mão-de-obra qualificada; os vestibulares e concursos públicos expõem o despreparo dos candidatos; até mesmo os resultados eleitorais podem estar relacionados aos níveis de educação da população. E a sociedade pagando.

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IBGE: Municípios gastam, em média, 3% do orçamento com assistência social
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A Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC) do IBGE constatou que os municípios brasileiros gastavam em 2005, em média, R$ 950 mil com assistência social. Isso representa apenas 3,1% do seus orçamentos. A MUNIC também constatou que as atividades de Assistência Social ocupavam 140 mil pessoas nas prefeituras brasileiras, e que o atendimento sociofamiliar era o serviço social realizado pelo maior número de municípios.
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Outro dado da pesquisa do IBGE: quase 52% dos gestores municipais da área de assistência social tinham nível superior ou pós-graduação, e na maioria dos municípios, os órgãos por eles geridos tinham telefone, computador e acesso à internet. Em mais de 97% dos municípios brasileiros a assistência social era regulamentada pela lei orgânica, e os conselhos municipais de assistência social eram paritários.
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O levantamento foi realizado através de questionários respondidos pelas prefeituras dos 5.564 municípios brasileiros, em um convênio com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
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Governo anuncia descentralização de controle aéreo
Da FolhaNews
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A Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou nesta quinta-feira que vai descentralizar o controle do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta 1), com sede em Brasília. O controle dos vôos será dividido com São Paulo e Rio para desafogar os trabalhos do centro, que responde por 80% do tráfego aéreo brasileiro.
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Segundo o comandante, o processo de descentralização estará concluído entre seis e oito meses. "Se colocarmos em São Paulo e no Rio uma parcela deste controle, vamos desafogar o sistema", disse Bueno.
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O centro de controle paulista deve ter o número de equipamentos duplicado para que possa absorver o trabalho do Cindacta 1 em momentos de emergência.
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A descentralização é parte de uma série de medidas que o governo pretende adotar para resolver a crise no tráfego aéreo. Na última terça-feira, uma pane no equipamento de comunicação entre controladores e pilotos causou centenas de atrasos em pousos e decolagens em todo o país. Passageiros foram obrigados a passar a noite em aeroportos e tiveram seus cancelados.
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Governo e centrais não acham equilíbrio sobre mínimo
Da FolhaNews
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O governo e as centrais sindicais não conseguiram chegar nesta tarde a um "ponto de equilíbrio" em relação ao valor do salário mínimo que irá vigorar no que vem e à correção da tabela do Imposto de Renda. Por essa razão, uma nova reunião foi marcada para a próxima semana (dia 14). "É necessário um processo de maturação para encontrar um ponto de equilíbrio, que é o que a União possa pagar e também possa atender aos trabalhadores", disse o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que acompanhado de quatro outros ministro participou de reunião com as centrais sindicais.
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A posição do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é elevar o mínimo de R$ 350 para R$ 367 (4,86%) (INPC mais PIB per capita). No entanto, na proposta orçamentária enviada para o Congresso Nacional em agosto, o valor previsto era R$ 375 (7,14%). Isso porque o governo esperava que a inflação e o crescimento da economia fossem maiores. Já as centrais querem R$ 420 (20%) e a tabela do IR corrigida em 7,7%.
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"Temos que ter um ponto de equilíbrio. Ninguém está falando de arrocho ou de diminuir poder aquisitivo. O que estamos fazendo é uma proposta que indica uma elevação real. Porém, ela não pode crescer muito porque ela vai impactar a Previdência e teremos menos recursos para disponibilizar para investimentos", defendeu Mantega.
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Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, Mantega "está sozinho" dentro do governo ao defender esse valor. Participaram da reunião de hoje, além de Marinho e Mantega, os ministros Nelson Machado (Previdência), Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Dulci (Secretaria Geral) e representantes das centrais sindicais.
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Nenhuma proposta foi discutida na reunião de hoje. Na próxima semana, o governo deverá apresentar qual o impacto dos reajustes para as contas públicas. No caso da Previdência, é de R$ 109 milhões a cada R$ 1 de aumento (a partir de abril). No entanto, o mínimo impacta em outras contas do governo, como salário desemprego e Loas (Lei Orgânica de Assistência Social). "O governo tem preocupação em valorizar o poder aquisitivo do salário mínimo e também discutir o Imposto de Renda. Mas isso é parte de um conjunto de política para ter equilíbrio nas contas públicas, controlar a inflação e valorizar o mínimo", disse o ministro Paulo Bernardo.
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Uruguai diz que Brasil mostra pouca liderança no Mercosul
Reuters
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O ministro da Economia do Uruguai, Danilo Astori, disse nesta quinta-feira que o Brasil mostrou pouca liderança dentro do Mercosul para conseguir acordos comerciais com outros blocos ou para resolver conflitos internos.O Mercosul, do qual fazem parte também Argentina, Paraguai e Venezuela, sofre com constantes atritos entre seus membros, principalmente por conflitos comerciais e diferenças econômicas.
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"O líder natural desta região, sobretudo no aspecto econômico, é o Brasil, e acho que essa liderança não tem estado presente de forma significativa na condução do bloco, na concepção que acreditamos que deveria ter, que é de região aberta ao mundo", disse Astori a jornalistas.
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"Há 11 anos estamos tentando um acordo com a União Européia que não avançou, o que se deve, claro, aos interesses que os europeus defendem, mas também à orientação que temos dado à política de inserção internacional", completou.
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Astori comentou ainda a falta de participação do Brasil no conflito entre Montevidéu e Buenos Aires por uma fábrica de celulose, que está sendo construída na costa uruguaia de um rio na fronteira entre os dois países e à qual a Argentina impõe resistências por questões ambientais.
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Uruguai e Paraguai, os menores membros do Mercosul, reclamam com freqüência à Argentina e ao Brasil para que sejam adotadas medidas com o objetivo de reduzir as diferenças internas e ameaçam tentar acordos bilaterais fora do bloco.
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O ministro uruguaio disse que na próxima reunião insistirá na flexibilização das normas do Mercosul que impedem a concretização desse tipo de tratado.
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"Para superar os problemas do Mercosul (é preciso) conseguir a flexibilidade da parte de nossos membros para permitir que os membros menores busquem através de acordos bilaterais melhorar sua inserção fora da região", disse Astori.

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“Indulto de Natal” é retirado da pauta
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Os líderes dos principais partidos na Câmara dos Deputados retiraram da pauta de votação o polêmico projeto que iria conceder uma espécie de “anistia” para os deputados acusados nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas. Se a proposta passasse, os processos só voltariam a andar em 2007 com pedido específico da parte do presidente da Casa ou através de representação de algum partido baseado em novas denúncias.
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A regra atual determina que, se um parlamentar renuncia para fugir de um processo e volta ao Congresso reeleito, qualquer parlamentar pode pedir a reabertura do processo. O projeto retirado da pauta beneficiaria parlamentares como Paulo Rocha (PT-PA), Valdemar Costa Neto (PL-SP), Pedro Henry (PP-MT), João Magalhães (PMDB-MG) e Marcondes Gadelha (PSB-PB).
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Majestade do Funk?
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O Rei Roberto Carlos, quem diria, agora corre o risco de virar majestade do funk. O cantor repetiu, animadamente, o refrão 'ela dança, eu danço' durante a gravação do especial para a TV Globo gravado esta semana na casa de shows Claro Hall, no Rio, e que vai ao ar no dia 16.
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O funkeiro MC Leozinho, em dueto com Roberto Calos, fez a platéia de 3 mil pessoas se sacudir ao som de “Ela só Pensa em Beijar”.
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Presidente da Anac diz que situação nos aeroportos só será “ideal” em março
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Mais um balde de água fria nos passageiros que sofrem com o apagão aéreo. O presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, afirmou que a situação nos aeroportos do país só se tornará “ideal” em março do ano que vem.
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“Na entrada do ano, entram os controladores formados em novembro. Estamos em uma situação boa e podemos com certeza, a partir de fevereiro e março, estar em uma situação ideal”, disse Zuanazzi a jornalistas. Atualmente, o centro de controle aéreo Cindacta 1, em Brasília, conta com 188 controladores, número que deve ser ampliado para 210 até fevereiro.
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Sobre o comentário do ministro da Defesa, Waldir Pires, de que é preciso ter fé, o presidente da Anac fez questão de frisar que não custa pedir uma ajuda divina. “Sempre é bom rezar para tudo”, disse.
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Esperar na fila do banco, só por 20 minutos
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Vinte bancos com agências no Rio receberam ordem judicial para cumprir a lei que determina que cada cliente seja atendido em, no máximo, 20 minutos nos dias úteis e em meia hora em véspera e no dia seguinte a feriados. A decisão da Justiça Federal acatou liminar obtida em ação civil pública dos Ministérios Públicos Federal e do Estado do Rio de Janeiro e terá de ser cumprida no prazo de dez dias a contar da intimação, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

A ação, de autoria do procurador da República Claudio Gheventer e do promotor de Justiça Rodrigo Terra, tramita na 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Os bancos foram obrigados a contar com pessoal suficiente nos caixas para que o atendimento seja efetivado no tempo definido na lei.

A Justiça determinou ainda que haja um controle por parte do cliente, com a utilização de senhas numéricas (com nome e número do banco, data e horário de chegada do cliente e rubrica de um bancário). O atendimento a idosos, gestantes, pessoas com deficiência e com crianças de colo deve oferecer, além da senha, no mínimo 15 assentos ergometricamente corretos.

"Apesar de a lei estar em vigor desde 2003, os bancos não cumprem suas determinações. Espero que, com esta ação, as instituições financeiras passem a respeitar a legislação e os consumidores. Para tanto, é fundamental que os usuários tenham ciência desta decisão, para que possam exigir e fiscalizar seu cumprimento", afirma Gheventer.

A partir da decisão judicial, os bancos terão de afixar, na entrada de cada agência, um cartaz informando a escala de trabalho nos caixas. Se os bancos não cumprirem as determinações da Justiça, será cobrada uma multa diária de R$ 5 mil para cada um. Estão sendo intimados Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, ABN Amro Real, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste do Brasil, Banespa Santander, Banrisul, Nossa Caixa, Sudameris Brasil, Santander Brasil, Banco Mercantil do Brasil, HSBC, Unibanco, Safra, Bankboston, BBV, Citibank e Banco Rural.

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Todo poder aos partidos
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A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) defende uma tese para “destravar” o governo Lula: entregar integralmente os ministérios, de “porteira fechada”, aos partidos de seus titulares. Ela avalia que resultou desastroso o modelo implantado pelo antecessor José Dirceu, em que só o ministro era produto de indicação partidária. Dilma tem dito no Palácio do Planalto que os partidos devem responder pelo desempenho dos ministros que indicarem.
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Governo Lula só usou 37% da verba para controle de vôos
Jornal do Brasil
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O governo deixou de liberar, neste ano, 63% da verba que seria destinada pela Aeronáutica à compra de equipamentos para modernizar o sistema de controle de vôos do País. Os números contradizem Waldir Pires. O ministro da Defesa tem insistido que o orçamento vem sendo executado de "maneira satisfatória". Segundo pesquisa feita no Siaf (Sistema de Acompanhamento Financeiro), dos R$ 531,49 milhões previstos em 2006 para o setor, só R$ 200,6 milhões foram liberados.
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- Se o governo contingência, não adianta constar do Orçamento - disse a consultora Márcia Rodrigues.
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O orçamento total do ministério da Aeronáutica para 2006 era de R$ 1,36 bilhão. Desses, o governo liberou R$ 555,2 milhões. O restante, R$ 804,8 milhões, está contingenciado. Significa que até agora só foram liberados 40% do orçamento, a maior parte para pagar despesas correntes, como compra de material de consumo, terceirização de pessoal e de material de equipamentos de dados.
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Um controlador, que preferiu não se identificar, disse que a realidade não coincide com as afirmações do deputado. Segundo ele, algumas freqüências de rádio, especialmente que atendem à região Amazônica, são antigas e precisam ser substituídas. Ele teria testemunhado ocasiões em que as freqüências saíram do ar e os controladores perderam as aeronaves. Garante que, mesmo modernos, os Cindactas não têm equipamentos reserva.
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- As freqüências próximas à Amazônia têm muitos problemas - disse. - Além disso, é preciso urgentemente equipamentos de comunicação para reserva.
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Chávez mudará conceito de propriedade na Venezuela
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Na reforma constitucional que pretende promover na Venezuela, o presidente reeleito Hugo Chávez promete alterar os conceitos de “propriedade coletiva” e “propriedade social”. Avisa que só vai aceitar a propriedade privada “com exceções”. A informação é do deputado governista Carlos Escarrá, que deve conduzir a comissão responsável pela reforma. “Vamos passar de uma economia neoliberal para uma economia social”, adianta Escarrá.
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Ele avisa que as mudanças também incluirão a substituição do conceito de “livre concorrência” por “concorrência justa”, bem como o aumento da regulamentação sobre “monopólios, usura e preços”. Escarrá é ex-ministro do Supremo Tribunal de Justiça venezuelano.
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"Se seguirem esta linha, as reformas devem aumentar o peso do Estado na economia venezuelana. Seriam classificadas como propriedades coletivas as administradas por cooperativas. As sociais seriam, por exemplo, empresas que recebem ajuda do governo ou fazem parcerias com o Estado em projetos produtivos que gerem benefícios sociais. Haveria exceções no respeito à propriedade individual, já que o Estado poderia expropriar empresas quando julgasse ser de 'interesse social'", comenta a Agência AFP.
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"Uma pessoa pode ter três casas se quiser, desde que elas sejam obtidas sem ajuda do Estado, com seu próprio esforço", apregoa o deputado Escarrá.
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Brasil - O mapa (parcial) da corrupção
Radar On-Line – Revista Veja
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A Jordânia vai sediar na semana que vem o primeiro encontro dos mais de 80 países que ratificaram a convenção da ONU contra a corrupção, que está completando um ano. Cada país vai apresentar um balanço dos casos de corrupção e do que fez para endurecer o combate ao roubo de dinheiro público ao longo deste ano. O balanço do Brasil nesta área está a cargo da Controladoria-Geral da União (CGU), que apresenta amanhã em Brasília um relatório sobre o que será exposto no encontro em Amã. Se fosse para valer, o relatório da CGU iria fazer tremer o próprio Palácio do Planalto. Não será o caso.
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Alemães criam "camisinha em spray" para todos os tamanhos
Do G1, com informações da Reuters
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As horas passadas questionando os céus e as mulheres se tamanho realmente é ou não documento podem não deixar de existir tão cedo. Mas cientistas alemães afirmam que podem aliviar os problemas de “auto-confiança” masculina com uma nova invenção: uma camisinha em spray, que serve, confortavelmente, qualquer tamanho de pênis.
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“Estamos falando muito sério”, diz Jan Vinzenz Krause, do Instituto de Pesquisa de Preservativos, na Alemanha. “Estamos tentando desenvolver a camisinha perfeita para homens, que serve qualquer tamanho”, garante.
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A novidade funciona assim: logo antes de “entrar em ação”, o homem precisa inserir seu pênis em uma lata; depois, aperta um botão que vai espirrar borracha por todos os lados e cobrir o órgão totalmente. “É como um lava-rápido”, diz Krause. Todo o “processo” deve demorar cinco segundos.
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O alemão ainda garante que a nova camisinha pode ser mais segura que as comuns, porque, por servir perfeitamente, não escorrega.
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Os sprays de camisinha deverão ser comercializados com borrachas de diversas espessuras e cores, e devem chegar ao mercado em 2008.
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Empate nominal
Eduardo Graeff
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Faz uns dias postei duas notas comparando o crescimento do produto bruto do Brasil com o da América Latina e do mundo. Acabei de atualizar a planilha que linkei àquelas notas, incluindo a revisão da projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2006 que o IPEA acaba de divulgar, para 2,8%. Isso só acentua o que já dava para perceber antes dessa revisão: o crescimento do PIB no primeiro mandato de Lula e no primeiro mandato de FHC fica rigorosamente empatado em 2,6%. Empatado em termos nominais. Se levar em conta que FHC tirou o país da hiperinflação e enfrentou uma crise financeira externa atrás da outra, enquanto Lula pegou o país estabilizado e o mundo com céu de brigadeiro, FHC ganha disparado.