quinta-feira, setembro 06, 2012

Poupança atrai alta renda na transição dos investimentos


Valor

A realidade de juros historicamente baixos de 7,5% ainda não comoveu os investidores, que mal moveram suas aplicações. Alguns lances tornaram-se perceptíveis em um mercado imobilista, em fase de transição. No primeiro semestre, o crescimento do saldo em cadernetas de poupança com valores superiores a R$ 10 mil foi de R$ 31 bilhões dos R$ 449 bilhões depositados em junho, segundo censo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A regra de remuneração da caderneta mudou, mas enquanto 300 mil novos clientes, chamados genericamente de alta renda pelos bancos, iam para a poupança, contas de R$ 100 a R$ 10 mil perderam mais de 1 milhão de clientes.

A queda dos juros tornou evidente para os investidores o custo da tributação. Como as alíquotas variam segundo o prazo da aplicação, o aplicador parece começar a dar preferência para as alternativas mais simples, já que apenas os ganhos com o imposto menor não compensam os riscos de alongar as aplicações em instrumentos mais complexos.

Outra forte indicação da busca por aplicações conservadoras e sem o custo do Imposto de Renda é o crescimento expressivo de 40% de clientes que passaram a investir em Letras de Crédito Imobiliário (LCI), títulos que, como a poupança, são isentos do IR.

O emagrecimento dos ganhos nas aplicações conservadoras, como os fundos DI, não foi ainda motivo suficiente para que o investidor migrasse em direção ao risco das aplicações de renda variável. O número de pessoas físicas na bolsa caiu 3% entre julho de 2011, pouco antes do início dos cortes de juros, e julho deste ano, para 579,3 mil. A fatia desses investidores no volume negociado - que já chegou, nos melhores momentos, a um terço do total - passou de 11,95% para 10,15%. No setor de fundos, não se viu sinal de migração. Entre julho de 2011 e julho deste ano, a parcela das carteiras de ações no patrimônio líquido total da indústria permaneceu ao redor dos 9%.

Não há uma explicação única para o imobilismo. As frustrações recentes com a bolsa são um dos motivos. Outro é a busca, em um primeiro momento, por opções mais rentáveis dentro do próprio universo da renda fixa. E um terceiro é a prudência diante de mudanças que podem não perdurar.

Foco no pré-sal abate produção de petróleo


Denise Luna
Folha de São Paulo

A descoberta do pré-sal jogou um holofote em cima da Petrobras para o mundo, mas atrapalhou o desenvolvimento de outros campos.

A avaliação é de especialistas no setor, que vêm percebendo um declínio acima do esperado na produção da empresa nas áreas fora da cobiçada região.

A alardeada autossuficiência atingida em 2006 já foi perdida e, pela primeira vez em 13 anos, a companhia registrou prejuízo.

Segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura, neste ano a produção deverá ser menor do que a de 2011, situação que não ocorria desde 2007, quando a empresa produziu mil barris a menos do que no ano anterior.

Plataformas com capacidade para 180 mil barris diários hoje produzem apenas 70 mil b/d, e a empresa precisa de mais empregados do que as suas principais concorrentes para produzir um barril de petróleo.
Em meio à estagnação da produção, a estatal tem sido obrigada a importar derivados de petróleo para suprir o mercado interno.

A medida é reflexo da falta de refinarias, afirma o ex-diretor de Exploração e Produção da estatal, Wagner Freire.

Segundo ele, o deficit da balança comercial brasileira do setor (a diferença entre o que o país exporta e o que importa de derivados de petróleo mais o gás boliviano) ficará negativo em cerca de US$ 8 bilhões neste ano -ou seja, o Brasil vai comprar mais que vender.

Em 2011, esse deficit foi de US$ 5,5 bilhões.

A empresa tem importado principalmente diesel, cujo abastecimento chegou a ficar comprometido nas últimas semanas de agosto.

Para evitar a falta do produto, a ANP (Agência Nacional do Petróleo) teve que interceder e orquestrar um acordo entre distribuidores e a estatal, para afinar a oferta com a demanda.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress
Números da Petrobras

Ícone da Petrobras, plataforma P-50 extrai mais água que óleo


Denise Luna
Folha de São Paulo

O foco da Petrobras no pré-sal nos últimos anos fez a empresa deixar de investir em áreas importantes na bacia de Campos e deve levar à primeira queda de produção desde 2007.

Segundo especialistas, os investimentos na bacia de Campos poderiam ajudar a empresa a aumentar sua produção e, com isso, reduzir as perdas com importações de derivados de petróleo.

No segundo trimestre, a empresa registrou o primeiro prejuízo em 13 anos, de R$ 1,3 bilhão.

Símbolo da autossuficiência em 2006, a plataforma P-50 hoje produz mais água do que óleo. Inaugurada com pompa e circunstância pelo então presidente Lula na bacia de Campos, tem capacidade para 180 mil barris diários, mas extrai apenas 70 mil. O resto é água.

A Folha apurou que o mesmo ocorre em campos como Marlim, que produz 210 mil b/d contra o potencial de 600 mil b/d, e Roncador, que em 2009, no auge, produzia 460 mil b/d e em três anos caiu para 269 mil.

"O declínio foi muito rápido. A produção caiu 27% desde 2009. O auge durou muito pouco, não teve o acompanhamento necessário", disse uma fonte da indústria.

De acordo com o consultor Wagner Freire, ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobras (década de 1980), faltaram investimentos.

"É normal um grande volume de água no campo, por isso tem que investir para produzir o máximo possível de óleo. Mas a Petrobras investiu muito mal, o pré-sal não é essa maravilha toda."

Dados divulgados ontem pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) mostram que a produção do pré-sal atingiu 172,8 mil b/d de petróleo em julho, volume recorde, porém apenas 3% maior do que a melhor marca anterior, de dezembro de 2011.

O volume corresponde a menos de 10% da produção total de petróleo no Brasil, que em julho foi de 2,023 milhões b/d, 2,6% a menos do que há um ano.

PROCESSO NATURAL
A Petrobras confirmou que a produção da P-50 gira em torno dos 70 mil barris, mas disse que isso é parte do processo natural de produção.

"Os volumes produzidos de óleo e água variam ao longo do tempo, ficando a soma desses volumes limitada pela capacidade de projeto da plataforma."

"Os poços da P-50, atualmente, apresentam produção líquida de óleo próxima de 70 mil barris por dia, com permanente ação visando identificação de oportunidades que levem ao aumento da fração líquida de óleo produzida", afirmou em nota.

Editoria de Arte/Folhapress
ANO DE BAIXA 
A produção da Petrobras, em milhões de barris diários de petróleo

Por que esses são os cinco países mais competitivos do mundo?


Beatriz Olivon
Exame.com  

Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta Brasil no 48º lugar em ranking dominado por Suíça e Cingapura

Competitividade

Davos - Suíça

São Paulo – Há quatro anos a Suíça é apontada como o país com as melhores condições de competitividade do mundo pelo Relatório de Competitividade Global 2012-2013, do Fórum Econômico Mundial. Cingapura também manteve a segunda posição. Mas o que faz esses países serem líderes em competitividade e oBrasil amargar o 48º lugar?

O ranking do relatório é baseado no Índice de Competitividade Global. São abordados 12 pontos: instituições, infraestrutura, ambiente macroeconômico, saúde e educação primária (no mesmo tópico), educação superior e capacitação (no mesmo tópico), eficiência no mercado de bens, eficiência no mercado de trabalho, desenvolvimento do mercado financeiro, prontidão tecnológica, tamanho de mercado, sofisticação de negócios e inovação.

Nessa edição do relatório, o Brasil subiu cinco posições no ranking, passando de 53º para 48º, ainda distante dos líderes. 

Clique nas fotos ao lado e veja porque Suíça, Cingapura e outros foram considerados os países mais competitivos do mundo.

1. Suíça

Zurich

A Suíça manteve a primeira posição no ranking. A inovação e a eficiência do mercado de trabalho são as forças mais notáveis do país, segundo o estudo, assim como a sofisticação do seu setor de negócios. 
O relatório também destaca as instituições de pesquisa científica do país e a forte colaboração entre os segmentos acadêmico e de negócios. “Muito das pesquisas é traduzido em produtos e os processos são reforçados por forte proteção à propriedade intelectual”, afirma o estudo. O nível de patentes per capita da Suíça é o segundo do mundo. 

As empresas públicas e privadas são adaptadas às novas tecnologias e o mercado de trabalho equilibra direitos aos trabalhadores com os interesses dos empregadores, segundo o relatório.  A infraestrutura do país é a 5ª melhor do mundo. A eficácia e transparência das instituições públicas também ocupa o 5º lugar. O ambiente macroeconômico é o 8º mais estável no mundo. 

O relatório afirma que, para o país manter sua capacidade de inovação será necessário impulsionar a inscrição nas universidades, que está atrás da de muitos países com alta inovação. 

2. Cingapura

Cingapura

O país ficou entre os três primeiros em sete das 12 categorias, mantendo-se no segundo lugar geral. Suas instituições públicas e privadas apareceram como as melhores do mundo pelo quinto ano seguido. O país também aparece em primeiro lugar quando o assunto é eficiência nos mercados de bens e de trabalho – e ocupa o segundo lugar em termos de desenvolvimento do mercado financeiro. 

A infraestrutura é a segunda melhor do mundo, com destaque para “excelentes” estradas, portos e facilidades no transporte aéreo, segundo o relatório. A competitividade é reforçada pelo forte foco na educação. 

3. Finlândia

Turku

A Finlândia subiu da 4ª para a 3ª posição graças a pequenas melhorias em várias áreas, segundo o estudo. Assim como outros da região, o país registra instituições que funcionam bem e são transparentes (2ª colocada na categoria). As instituições privadas (3ª) estão entre as mais éticas 

O país ocupa a posição mais alta quanto a saúde e educação. O foco na educação nas últimas décadas formou mão de obra com capacidade para se adaptar rapidamente a um ambiente em constante mudança, além de elevar o nível de tecnologia e inovação, segundo o relatório. 

O país é o segundo mais inovador da Europa, atrás apenas da Suíça. Um dos pontos sensíveis é a capacidade do país de adotar as últimas tecnologias, segmento no qual o país é o 25º do mundo. O ambiente macroeconômico não é dos melhores, mas até está bem se comparado a outras economias da União Europeia. 

4. Suécia

Estocolmo

A Suécia, por sua vez, caiu da terceira para a 4ª posição. Assim como a Suíça, o país dá ênfase à inovação. A qualidade das instituições públicas é muito elevada, com altíssimo nível de eficiência, confiança e transparência. As instituições privadas também foram muito bem avaliadas, com empresas que demonstram elevado  “comportamento ético”, segundo o relatório. 

A força adicional inclui bens e mercado financeiro, que são muito eficientes. O relatório afirma que o mercado de trabalho poderia ser mais flexível – nessa categoria ele ocupa o 92º lugar.

O país desenvolveu uma cultura de negócios sofisticada, segundo o relatório, a 5º mais competitiva do mundo, como resultado do forte foco em educação e alto nível de prontidão tecnológica. Em inovação, o país é o quarto do mundo. O ambiente macroeconômico é estável.

Apesar dos resultados positivos, o relatório observou uma deterioração na estrutura institucional nos últimos três anos. 

5. Holanda

Porto de Roterdam

A Holanda passou do 7º para o 5º lugar, reflexo do contínuo fortalecimento de sua capacidade inovadora e da alta eficiência e estabilidade de seu mercado financeiro, segundo o relatório. Os negócios são considerados sofisticados (4º no mundo), inovadores (9º) e o país aproveita novas tecnologias para aumentar sua produtividade. 

O “excelente” sistema educacional, segundo o relatório, e a eficiência dos mercados são o suporte dos negócios. A qualidade de sua infraestrutura está entre as melhores do mundo.Apesar de o país ter registrado déficit fiscal nos últimos anos, seu ambiente macroeconômico é mais estável que o de outras avançadas economias, segundo o relatório. 

48. Brasil

São Paulo

O Brasil subiu cinco posições e chegou ao 48º lugar, impulsionado pelas melhorias em sua condição macroeconômica, apesar da alta inflação, segundo o relatório.

A sofisticada comunidade de negócios brasileira aproveita os benefícios de um dos maiores mercados internos do mundo. Mas, apesar das facilidades, há desafios, segundo o relatório,  como a confiança nos políticos, que continua baixa (a 121º do mundo), a eficiência do governo (a 111ª) a excessiva regulamentação do governo (144º) e o desperdício de recursos (135º). 

A infraestrutura de transportes e a qualidade da educação também podem melhorar, segundo o material. O procedimento e o tempo para iniciar um negócio também são dos mais elevados, segundo o relatório, e os impostos são vistos como muito elevados e com efeitos distorcidos.

Efeito estatístico faz Brasil avançar em ranking dos países mais competitivos


Veja online
Com Agência Estado

Retirada do 'spread bancário' do cálculo faz país saltar 53 posições no critério "macroeconômico"; como resultado, Brasil sobe 5 postos no cômputo geral

(Germano Luders) 
Política, eficiência governamental, 
carga tributária, educação e infraestrutura: pontos fracos 

Ainda que entre os 50 mais competitivos, Brasil faz feio e ocupa o fim da fila: a 48ª posição

Graças a uma combinação de fatores fortuitos e estatísticos, o Brasil entrou, pela primeira vez, para a lista dos 50 países mais competitivos do mundo, aponta o Relatório Global de Competitividade divulgado nesta quarta-feira pelo Fórum Econômico Mundial. Para chegar à 48ª posição desta edição do ranking, o país subiu cinco lugares desde o ano passado.

A melhora relativa no ambiente macroeconômico, haja vista que os países desenvolvidos passam por estagnação ou recessão, e o efeito estatístico da retirada do item "spread bancário" do cálculo explicam o modesto avanço. O Brasil, no entanto, continua com índices vergonhosos em eficiência da gestão pública, confiança na classe política, qualidade da educação, infraestrutura de transportes e carga tributária. Em inovação, a economia doméstica conseguiu andar para trás.

Líderes – No topo do ranking, pelo quarto ano consecutivo, está a Suíça. Cingapura ficou em segundo lugar, seguido por Finlândia, Suécia, Holanda e Alemanha. Já os Estados Unidos caíram da quinta posição que ocupavam em 2011 para o sétimo lugar. Em oitavo, nono e décimo lugares ficaram Reino Unido, Hong Kong e Japão, respectivamente.

De acordo com o responsável pela análise dos dados brasileiros, Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, o ranking foi afetado pela incerteza crescente advinda da crise na Europa, da vulnerabilidade norte-americana e da desaceleração da China. A Fundação coordena a coleta e a análise de dados brasileiros.

Acaso e efeito estatístico – 
A melhor avaliação sobre a macroeconomia nacional ajudou a melhorar a posição relativa do país no ranking. Neste ano, o Brasil subiu 53 posições no critério "ambiente macroeconômico", saindo da 115ª colocação em 2011 para a 62ª. O salto, segundo a Fundação Dom Cabral, pode ser consequência da exclusão do indicador "spread bancário" – a diferença entre a taxa média de juros para captação de recursos e a taxa de empréstimo aos clientes finais – do estudo deste ano. O indicador costuma ser "problemático" para o país, de acordo com a Fundação, mas foi retirado da análise de 2012 por ser considerado ruim para comparar o grau de eficiência bancária nos diversos países.

Arruda explica que as medidas tomadas pelo governo Dilma Rousseff de redução da taxa básica de juros e consequente na queda dos juros bancários teriam impacto positivo para a colocação do país no ranking, mas não conseguiriam fazer com que o "ambiente macroeconômico" subisse tantas posições.
Além da macroeconomia, o "uso de tecnologias de informação e comunicação" também ajudou a tornar o país mais competitivo, de acordo com o relatório do Fórum Econômico Mundial. O indicador sobre "sofisticação dos negócios", apesar de ter caído dois pontos de 2011 para 2012, ainda é positivo: o Brasil ficou em 33º lugar.

Pontos fracos – 
Do outro lado, os níveis de "confiança nos políticos" e "eficiência das políticas de governo" colocam o país em 121ª e 111ª posição, respectivamente. O Brasil também fica mal posicionado na avaliação da "qualidade da infraestrutura de transportes" (79ª posição), da "qualidade da educação" (116ª posição) e do "volume de taxação como limitador ao trabalho e investimentos" (144ª posição).

No pilar "inovação", o Brasil caiu da 44ª para 49ª posição. O resultado, avalia Arruda, está ligado à falta de mão de obra qualificada.

O relatório é feito com dados estatísticos nacionais e internacionais, além de pesquisa de opinião feita com executivos. Em 2012, o estudo analisou a competitividade de 144 países.

Brasil foi única economia dos Brics a avançar em ranking de competitividade, diz pesquisa


BBC Brasil

Brasil voltou a subir cinco posições no ranking e ultrapassou África do Sul entre os Brics

O Brasil foi a única economia do chamado bloco dos Brics (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que cresceu no Relatório de Competitividade Global 2012-2013, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial.

O país teve um aumento de cinco posições em relação ao ano anterior, passando para a 48ª colocação e ultrapassou a África do Sul, assumindo a segunda posição entre os Brics. Em 2011, o Brasil também já havia subido no ranking na mesma proporção em relação a 2010, passando da 58ª para a 53ª colocação.
Apesar de ter caído três posições na classificação geral, a China, que ocupa a 29ª colocação, ainda lidera o grupo. Os demais países do grupo também registraram quedas em relação ao ano passado.

A Índia caiu três posições passando para 59ª colocação, a África do Sul passou da 50ª para a 52ª colocação e a Rússia desceu uma posição no ranking, passando para o 67º lugar.

O ranking de competitividade é elaborado a partir de pesquisas de opiniões e percepções com 14 mil empresários em 144 países no mundo.

Brasil
O relatório de Competitividade Global destaca que o Brasil aparece agora entre as 50 economias mais competitivas do ranking, e que a melhora de posição acontece "apesar do índice de inflação de quase 7%".

O estudo afirma que o Brasil melhorou nas suas condições macroeconômicas e tira proveito de ter o sétimo maior mercado interno do mundo.

O país também é elogiado por seu uso cada vez maior de tecnologias da informação e comunicação e no acesso a financiamentos para projetos de investimentos.

No entanto, o Brasil ocupa posições baixas na avaliação de empresários sobre eficiência do governo e confiança em políticos.

"Apesar destes pontos fortes, o país também enfrenta desafios importantes. A confiança em políticos é baixa (121º no ranking específico para o tema), assim como a eficiência do governo (111º), por causa de excesso de regulação governamental (144º) e desperdício em gastos (135º)."

"A qualidade da infraestrutura de transportes continua como um desafio de longo prazo que não foi abordado, e a qualidade da educação não condiz com a necessidade cada vez maior de força de trabalho qualificada."

Os esforços do Brasil para incentivar micro e pequenas empresas são reconhecidos, mas o país ainda é visto como um dos mais difíceis para novos empreendedores, com percepção de que os impostos são altos demais e provocam distorções na economia.

O relatório diz que algumas percepções dos empresários não refletem necessariamente a realidade brasileira.

Sobre competitividade sustentável, "o desempenho geral relativamente bom do Brasil mascara uma série de preocupações ambientais, como desmatamento da Amazônia, com o país registrando um dos maiores índices de desmatamento do mundo. E apesar de o Brasil demonstrar um desempenho geral razoável na área de sustentabilidade social, a desigualdade enorme do país segue preocupante".

América Latina
Na América Latina, o Chile, em 33º lugar, manteve a sua liderança mesmo tendo caído duas posições e vários países latino-americanos registram avanços, como o Panamá, que foi do 49º lugar para o 40º, o México, que foi do 58º para o 53º e o Peru, que passou da 67ª para a 61ª colocação.

Nas primeiras posições da tabela, pelo quarto ano consecutivo, a Suíça ocupou o primeiro lugar. E Cingapura permaneceu na segunda colocação. A Finlândia ultrapassou a Suécia, passando a ocupar o terceiro lugar.

O top ten do ranking traz ainda, por ordem, Holanda, Alemanha, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Hong Kong e Japão.

Ainda que tenha aumentado sua posição geral, os Estados Unidos seguem em queda, pelo quarto ano consecutivo, tendo perdido duas posições.

Sobre os Estados Unidos, o relatório cita o aumento das vulnerabilidades macroeconômicas e aspectos do ambiente institucional do país como fatores de preocupação na classe empresarial, particularmente a pouca confiança pública nos políticos e uma perceptível falta de eficiência do governo.

Mas o estudo indica ainda que o país permanece sendo uma potência global em termos de inovação e que seus mercados funcionam de forma eficaz.

Ranking da competitividade 2012-2013
1. Suíça (1º no ranking anterior)
2. Cingapura (2)
3. Finlândia (4)
4. Suécia (3)
5. Holanda (7)
6. Alemanha (6)
7. EUA (5)
8. Grã-Bretanha (10)
9. Hong Kong (11)
10. Japão (9)
29. China (26)
48. Brasil (53)
52. África do Sul (50)
59. Índia (56)
67. Rússia (66)

Anatel: proibir vendas é mais eficaz do que multar


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Lara Haje, Agência Câmara 

 "As empresas têm que resolver rapidamente os problemas com o celular de terceira geração, antes de começar a atuar na quarta geração", disse o presidente da agência, João Batista Rezende, em audiência pública sobre a qualidade do sinal de telefonia móvel.

Foto: AGÊNCIA BRASIL 

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Batista de Rezende, afirmou nesta quarta-feira 5 que a proibição de vendas de chips é medida mais eficaz do que a aplicação de multas pelos problemas da qualidade do serviço de telefonia celular. "As empresas têm que resolver rapidamente os problemas com o celular de terceira geração, antes de começar a atuar na quarta geração", disse, em audiência pública sobre a qualidade do sinal de telefonia móvel no País, promovida pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle.

Entre julho e agosto, a Anatel proibiu TIM, Claro e Oi de vender chips em vários estados do País por 11 dias, por conta do aumento das reclamações quanto à qualidade do serviço prestado. Em cada estado, a empresa com maior índice de reclamações foi proibida de comercializar chips. A agência liberou as vendas após as empreses terem apresentado plano de melhoria da qualidade e terem se comprometido a investir R$ 20 bilhões até 2014.

A agência anunciou que vai acompanhar a cada três meses, município por município, a evolução dos indicadores de qualidade do serviço e do plano de investimentos. Rezende se propôs voltar à comissão após a primeira avaliação da Anatel sobre a medida, que será feita daqui a dois meses.

Alta na indústria é concentrada em setores beneficiados


Valor

A esperada retomada da indústria neste segundo semestre começou em ritmo lento e concentrada no setor automobilístico. A produção industrial avançou 0,3% em julho, na comparação com junho, feitos os ajustes sazonais, segundo a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF). De acordo com cálculos realizados a pedido do Valor, o resultado de julho seria uma queda se fossem excluídos os setores mais beneficiados pelo governo.


O setor de veículos automotores cresceu 4,9% em relação a junho, feito o ajuste sazonal. Nas contas da MCM Consultores, com esse desempenho, o segmento contribuiu com um aumento de 0,6 ponto percentual do avanço de 0,3% da produção industrial no mês, informa o economista Leandro Padulla. A LCA Consultores estima que sem os resultados de automóveis e linha branca a produção teria caído 0,5% na mesma comparação.

Esse quadro mostra que a maior parte dos demais setores puxou a produção industrial para baixo. Apesar disso, o índice de difusão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi o maior desde agosto de 2011. Na passagem de junho para julho, a produção aumentou em 44,5% dos produtos pesquisados, e em 12 dos 27 ramos pesquisados. Os números do IBGE ainda mostram que a produção caiu mais em setores intensivos em exportação, prejudicados pela redução das vendas externas.

O resultado positivo de julho é o segundo consecutivo para a produção industrial. Em junho, o avanço dessazonalizado ante maio foi de 0,2%. Na comparação com julho de 2011, a produção industrial brasileira caiu 2,9% e, no acumulado do ano, a queda é de 3,7%.

"Os automóveis vêm puxando a recuperação. As principais medidas de incentivo à produção foram aplicadas a esse setor", diz Padulla. Ele acredita que o bom desempenho deve, a partir do próximo mês, ser refletido mais claramente em outros setores, trazendo números mais positivos para a indústria. Em julho, houve pequeno crescimento no setor químico e de borracha, e queda na metalurgia.

Flavio Combat, economista-chefe da corretora Concórdia, questiona a força do impulso dado pelo IPI. "Quando o IPI reduzido para automóveis for retirado, haverá uma reversão da tendência de expansão de vendas. Isso porque a produção e o consumo de bens duráveis vêm roubando uma fatia que cabia aos bens semiduráveis e não duráveis." A comparação dessazonalizada entre junho e julho mostrou um aumento de 0,8% na produção de bens de consumo duráveis e uma queda de 0,6% na produção de semi e não duráveis. A produção de bens intermediários cresceu 0,5% e a de bens de capital, 1%, na mesma comparação.

Padulla destaca que o resultado de bens de capital indica uma retomada dos investimentos. "Essa é a melhor notícia da pesquisa. O crescimento da produção de bens de capital ajuda a formação bruta de capital fixo, que veio fraca no PIB do segundo trimestre [queda de 0,7% na comparação dessazonalizada com o primeiro trimestre]."

Segundo cálculos de Padulla, o setor de linha branca, que também conta com a redução do IPI, contribuiu com uma queda de 0,06 ponto na produção industrial de julho ante junho, feitos os ajustes sazonais. No IBGE, que não faz ajuste sazonal para esse segmento, a avaliação é diferente. O setor ajudou a segurar o fraco crescimento da produção industrial em julho, diz André Luiz Macedo, gerente da coordenação de indústria do IBGE.

A respeito do setor mobiliário, que caiu 3,1% entre junho e julho, na série livre de influências sazonais, o especialista do IBGE destacou que o setor, que integra bens de capital e bens duráveis, teve contribuições diferentes em cada categoria de uso. "O mobiliário teve influência positiva para bens de capital, que são os móveis para escritório. Já nos móveis produzidos para o uso residencial o impacto foi negativo. O mobiliário residencial entra em bens de consumo duráveis e daí vem a queda do setor."

A queda da produção de alguns setores da indústria de transformação verificada na comparação com julho do ano passado já é reflexo da redução das exportações. Em agosto, houve recuo de 14,4% nos embarques brasileiros em relação a agosto de 2011. A queda do fluxo comercial com a Argentina, devido às políticas protecionistas do governo de Cristina Kirchner, tem pesado nesse resultado, que influencia diretamente as encomendas à indústria brasileira.

Segundo o IBGE, a produção industrial dos setores de alta intensidade exportadora - cujo coeficiente de exportação está acima da média nacional - foi 6,2% menor de janeiro a julho, na comparação com igual período de 2011. A retração é menos intensa entre os setores de baixa intensidade exportadora, nos quais se verifica um recuo de 1,7% da produção nessa mesma comparação.

As exportações de produtos metalúrgicos recuaram 26,9% entre os meses de agosto deste ano e de 2011. Já a produção do setor de metalurgia básica em julho, na comparação com julho de 2011, recuou 4,9%. Outro setor inserido nesse cenário é o de elétricos e eletrônicos, cuja média diária de exportações caiu 4,5% entre agosto de 2012 e igual mês de 2011. A produção de máquinas, aparelhos e materiais elétricos caiu 6,2% na comparação entre os meses de julho de 2012 e de 2011, e a produção de material eletrônico, 20% na mesma comparação.

"A Argentina é um parceiro importante, mas o fluxo comercial com o país caiu 10,7% entre agosto deste ano e agosto de 2011. A produção brasileira do setor de automóveis chegou a sentir essa freada nas exportações e acumulou estoques, mas os incentivos fiscais do governo ajudaram as vendas - e a produção vem retomando. Porém, o recuo no comércio com a Argentina continua impactando negativamente a produção de outros setores", avalia Mariana Hauer, economista do banco ABC Brasil.

Carros ficam mais caros em agosto, apesar de IPI menor


Daniela Amorim
Agência Estado 

Automóveis ficaram mais baratos logo após o corte do imposto, em vigor desde 23 de maio, mas já recuperaram parte da redução nos preços 

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou que os automóveis novos ficaram 0,34% mais caros em agosto, mesmo sob o regime de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Um levantamento da Agência Estado sobre os preços médios de veículos no mercado nacional apurados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) apontou que os automóveis ficaram mais baratos logo após a isenção de IPI, em vigor desde 23 de maio, mas recuperaram parte da redução nos preços em agosto. O fenômeno se repetiu em modelos das quatro montadoras pesquisadas: Fiat, Ford, GM-Chevrolet e Volkswagen.

O encarecimento do produto foi causado pelo aumento da demanda de consumidores gerado pelo próprio benefício do governo para estimular o setor, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas o aumento também já tinha sido constatado na porta de fábrica pela leitura de julho do Índice de Preços ao Produtor (IPP).

Segundo os dados da Fipe, um automóvel Fiat Palio Celebration 1.0 0km saía, em média, a R$ 26.998 em maio, antes da isenção do IPI, que só passou a vigorar no fim do mês. Em julho, o mesmo modelo custava R$ 25.054. Entretanto, em agosto, o preço subiu para R$ 25.477.

Em maio, um Ford KA 1.0 0km era vendido a R$ 26.397. Com a redução do imposto, o modelo passou a R$ 23.492 em julho, mas aumentou para R$ 24.009 em agosto.

O mesmo movimento ocorreu com o modelo Agile LT 1.4 0km da GM-Chevrolet, que custava R$ 37.540 em maio, caiu a R$ 35.433 em julho, mas teve ligeira recuperação para R$ 35.600 em agosto.

O Fox 1.0 0km da Volkswagen também custava mais em maio, R$ 32.423, baixou para R$ 30.115 em julho, mas aumentou para R$ 30.686 em agosto.

A Fipe presta serviço a 25 Unidades da Federação, fazendo o levantamento dos preços médios de veículos nas regiões para servir como base de cálculo na cobrança do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).

O economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), informou que os modelos usados na coleta do Índice de Preços ao Consumidor não captaram a alta divulgada pelo IBGE em agosto. "A taxa de FGV ficou em 0% para o mesmo período", disse Braz.

O pesquisador acredita que a alta possa estar relacionada com a chegada ao mercado dos modelos 2012/2013. "Contudo, não tenho certeza se é isso que está acontecendo", ponderou.

Entretanto, a série histórica do IBGE aponta para uma queda nos preços dos automóveis, tanto novos quanto usados, nesse mesmo período do ano passado. Em agosto de 2011, os preços dos carros novos recuaram 0,37%, enquanto os usados ficaram 0,61% mais baratos.

5 cidades onde os ônibus funcionam


Exame.com

Criação brasileira, o BRT - Bus Rapid Transit - é considerado um ônibus quase tão bom quanto um metrô, mas ainda é raro nas cidades do país, o que deve mudar com a Copa

Nem parece que é brasileiro

Curitiba

São Paulo – Como criação tipicamente brasileira, é estranho que tão poucas cidades do país – dá para contar nos dedos das mãos – tenham aderido ao BRT, o chamado Bus Rapid Transit, uma solução de transporte público inventada em Curitiba há quase 40 anos.

Quando criou o BRT, em 1974, o então prefeito da cidade, o arquiteto Jaime Lerner, provavelmente não imaginava que, décadas depois, 130 cidades do mundo estariam utilizando o sistema ou uma variação muito próxima dele, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

De maneira sintetizada, o BRT tenta colocar na superfície o que o metrô faz abaixo dela: regularidade, rapidez e conforto. Para isso, exige – em um plano ideal – faixas segregadas dos carros; paradas de ônibus que são como estações, com pagamento antecipado; pelo menos duas faixas para permitir ultrapassagens entre os ônibus; e coletivos articulados, que chegam a transportar até 270 pessoas, com controle mais estrito dos horários.

Embora com capacidade pouco inferior ao metrô, são tidos também como transporte coletivo de massa. 

O resultado é que, seja em São Paulo, no Rio ou Goiânia (onde são limitados, mas existem), os BRTs são muito melhor avaliados que os ônibus convencionais – tidos muitas vezes como um transporte sucateado, lento e desconfortável – e chegam a rivalizar com o metrô onde este existe. 

A seguir, conheça as cidades brasileiras que acordaram, antes das outras, para o papel do BRT na mobilidade urbana, embora a participação destes ainda seja pequena.

Trinta e oito anos após ser inventado, com uma Copa e Olimpíadas batendo às portas, o Brasil corre para recuperar o tempo perdido. Das 12 cidades do mundial de 2014, nove estão com projetos ou obras engatilhadas, segundo a NTU. 

Curitiba (PR) - 1974


 Se foi lá que tudo começou, é razoável que Curitiba mantenha hoje a maior malha de corredores BRT do Brasil: são 81 quilômetros em 6 eixos que ligam todas as áreas da cidade. Mais 10 quilômetros estão em obras. Desta lista, é a única que adota o sistema em larga escala. 

Se o BRT conseguiu acompanhar razoavelmente bem o crescimento de Curitiba e da frota de carros - não imune a críticas, claro - foi à base de investimentos que se mantêm até hoje. Quando nasceu, por exemplo, não havia as áreas de ultrapassagens nas estações, o que já foi feito em dois eixos.

Uma das evoluções introduzidas na década passada foram os semáforos inteligentes, que monitoram a aproximação dos coletivos e dão preferência a estes (abrindo um pouco mais cedo ou fechando um pouco mais tarde quando os detectam).

Enquanto muitas cidades olham os ônibus rápidos hoje, Curitiba mira o metrô, que será feito sob um dos eixos BRT. O presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Cunha elogia a iniciativa da capital paranaense em pensar o transporte metroviário a longo prazo. “O que resolve é a multimodalidade: não é o ônibus ou o trem que vão resolver sozinhos. Estamos falando ainda de bicicleta, do pedestre, do micro-ônibus, etc”, defende.

Goiânia (GO) - 1976


Nenhuma cidade entendeu tão rápido quanto Goiânia que o sistema projetado em Curitiba era uma maneira eficaz de transporte público de massa. Dois anos depois, o conceito de Jaime Lerner foi inaugurado em Goiânia, na Avenida Anhanguera.

Na imagem acima, ônibus da nova frota comprada no ano passado.

Apesar do pioneirismo (na reprodução), os 13,5 quilômetros do Eixo Anhanguera em Goiânia tem data para sumir do mapa: o BRT dará lugar a um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que tem que estar operacional até 2014. Mas não é que a cidade desistiu dos ônibus eficientes - outro corredor BRT será construído no eixo norte-sul da capital goiana.

O caso de Goiânia ilustra a importância em implementar o BRT de maneira completa. Segundo a Rede Metropolitana de Transporte Coletivo de Goiânia, o acúmulo de ônibus nas paradas – onde não há ultrapassagem e com um movimento que só aumentou nas últimas décadas - acaba limitando a velocidade média do corredor, que já foi melhor. Hoje é de 17km/h. O VLT poderá atingir um pouco mais: 24km/h. 

Uberlândia (MG) - 2006


Única cidade com menos de um milhão de habitantes com BRT, a mineira Uberlândia, com pouco mais de 600 mil pessoas, tem um corredor de 7,5 quilômetros na Avenida João Naves de Ávila há seis anos.
Levando o preceito de ser na superfície o que o metrô é abaixo da terra, até mesmo shopping em uma das estações o BRT de Uberlândia tem, o que deve soar familiar para moradores de São Paulo.

A imagem ao lado mostra uma das vantagens do sistema: a acessibilidade. Deficientes físicos adentram o coletivo tão rápido quanto os demais passageiros, já que as estações são elevadas. 

O corredor deu tão certo que o governo já tem mais quatro projetos aguardando verba do governo federal.

São Paulo (SP) - 2007


Dominante em Curitiba, o uso do BRT em São Paulo não chega nem perto de fazer cosquinha no metrô: os 9,7 quilômetros do primeiro transportam 81 mil pessoas diariamente, segundo a SPTrans, enquanto os 74 quilômetros do transporte subterrâneo dão conta de 4,5 milhões de viagens todos os dias. 

Mas quando se trata de avaliação, o único corredor BRT da cidade se sai até melhor. Na última pesquisa da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), 81% dos passageiros acham o Expresso Tiradentes excelente ou bom, índice que cai para 74% no metrô. Os ônibus convencionais ficaram com 40%.

O tempo de viagem entre o Terminal Sacomã e o Parque Dom Pedro II foi enormemente encurtado: caiu de 70 para 14 minutos, segundo a SPTrans.

Em relação ao BRT “ideal”, o Expresso Tiradente perde apenas porque foi construído em via elevada. “Deveria ser na (altura da) rua, porque tem vantagem do ponto de vista da acessibilidade. Mas em relação a velocidade, o benefício foi plenamente atingido”, afirma Otávio Cunha, da NTU.

Rio de Janeiro (RJ) - 2012


Como diz a máxima, quem ri por último, ri melhor. Quando se trata de BRT, o Rio de Janeiro pode ter chegado atrasado, mas saiu na frente na nova leva de munícipios onde o sistema está sendo implantado por causa da Copa. O Transoeste foi inaugurado em junho.

O Rio segue as regras dos BRTs, a mais importante delas sendo as vias com ultrapassagem, que permitem a existência de linhas expressas e semiexpressas. Quem quer ir de uma ponta a outra o pode fazer sem demoras.

Em pesquisa realizada pelo Instituto Mapear, a aprovação chegou a 90%, resultado de quem demorava até 2h30 no trajeto entre Santa Cruz e Barra da Tijuca e agora o faz em 40 minutos.

Dentro dos ônibus articulados, uma gravação informa a próxima estação de parada, como em metrôs. Os GPS nos ônibus permitem que se saiba quando chegarão às estações, como em outros BRTs desta galeria. Mas o governo precisará resolver os atropelamentos, que têm sido constantes.

Na capital carioca, mais três corredores estão em construção para serem inaugurados até o Mundial de 2014 e as Olimpíadas.

IPCA de agosto é o maior para o mês em 5 anos, diz IBGE


Exame.com
Daniela Amorim, da Agência Estado

Inflação foi a maior taxa para o mês desde 2007, quando ficou em 0,47%

Stock Exchange
IPCA: a taxa acumulada em 12 meses até agosto acelerou 
pelo segundo mês consecutivo, passando de 5,20% em julho para 5,24%

Rio de Janeiro - A inflação de 0,41% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto foi a maior taxa para o mês desde 2007, quando ficou em 0,47%, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já a taxa acumulada em 12 meses até agosto acelerou pelo segundo mês consecutivo, passando de 5,20% em julho para 5,24% no mês passado e afastando-se ainda mais do centro da meta estipulada pelo governo, de 4,5%. "Quando a gente vê a série, do ponto de vista de 12 meses, a taxa está subindo", ressaltou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

"As taxas de julho e agosto deste ano estão maiores do que nos mesmos meses do ano passado", acrescentou Eulina. Em 2011, o IPCA de julho tinha taxa de 0,16%, contra 0,43% no mesmo mês de 2012. Já em agosto do ano passado, o IPCA havia avançado 0,37%.

Após elevação de imposto, siderúrgicas puxam alta de 1,12% da Bovespa


Alessandra Taraborelli
Agência Estado

A elevação do Imposto de Importação para 100 produtos, anunciada na véspera pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu fôlego para a Bovespa hoje e deixou para segundo plano a tão esperada decisão do Banco Central Europeu (BCE), amanhã. O ganho da Bolsa foi puxado, principalmente, pelo setor siderúrgico, com destaque para as ações da Usiminas, e também por Vale e Petrobrás.

Com isso, o Ibovespa encerrou esta quarta-feira com valorização de 1,12%, aos 56.863,91 pontos. O ganho, porém, não anulou a perda no mês, que hoje ficou em 0,35%. No ano, a Bolsa tem alta acumulada de 0,19%. Na mínima, o índice ficou estável, aos 56.236 pontos e, na máxima atingiu 56.904 pontos (+1,19%). O giro financeiro ficou em R$ 5,620 bilhões. Os dados são preliminares.

Na terça-feira, o governo informou que entre os setores beneficiados pela elevação do Imposto de Importação estão siderurgia, petroquímica, química fina, medicamentos e bens de capital. Para o economista-chefe da Corretora Magliano, Henrique Kleine, a alta de hoje da Bolsa é atribuída a um conjunto de setores que foram favorecidos pela medida. “A cadeia da indústria foi beneficiada e o mercado ficou otimista e resolveu comprar. Os papéis estavam baratos demais. Agora, se é real ou não, só o tempo dirá”, disse,

Além desta notícia, as ações da Usiminas ainda foram favorecidas pela elevação da previsão do Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação a amortização) para 2013, para R$ 1,77 bilhão, pelo Itaú BBA. Esse valor corresponde a um crescimento de 28% em relação à previsão anterior.

As ações PNA e ON da Usiminas lideraram o primeiro e o segundo lugares de alta do índice, com ganhos de 17,97% e 9,44%, respectivamente. Na sequência, apareceu outra siderúrgica, a CSN ON, com valorização de 8,16%.

Vale também conseguiu fechar no azul hoje, mesmo com mais uma queda no preço do minério de ferro. O papel ON subiu 1,69% e o PNA, +1,37%. A cotação do minério de ferro na China voltou a recuar hoje, para US$ 86,7 a tonelada seca, conforme o The Steel Index (TSI), mas a queda foi pequena em relação aos US$ 86,9 registrados na véspera. Além disso, a companhia anunciou uma oferta de US$ 1,5 bilhão em bônus com cupom de 5,625% ao ano e vencimento em 2042. Os recursos captados têm propósitos corporativos em geral.

As ações da Petrobrás tiveram ganhos mais modestos. A ON +0,95% e a PN, +0,78%.

Já o lado negativo foi comandado pelos papéis do setor de construção. Rossi Residencial ON liderou as quedas do Ibovespa, -6,97%, seguida de MRV PN (-2,89%). Também figuraram entre os destaques de perdas Brookfield ON (-2,25%) e Gafisa ON (-2,25%).

Em Nova York, o índice Dow Jones registrou leve alta de 0,09%. Já o S&P 500 e o Nasdaq recuaram 0,11% e 0,19%.

ONS recorre a usinas a gás para afastar risco de apagão


Luís Bulcão 
Veja online

Medida foi necessária para manter níveis de reservatórios no Nordeste. Como geração com as térmicas é mais cara, consumidores vão sentir efeito na conta

 (Petrobras / Divulgação) 
Usina termelétrica da Petrobras em Arembepe, na Bahia, 
que usa óleo combustível como fonte´

"A chuva no Sul e no Sudeste ainda não veio como esperado. Os níveis (dos reservatórios) no período seco não estão como gostaríamos que estivessem", afirmou Hermes Chipp

O período de seca prolongado, causado pelo fenômeno climático El Niño, levou o Brasil a acionar as usinas térmicas a gás para que as metas dos níveis de reservatórios no Nordeste fossem cumpridas. De acordo com o diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, o país não corre risco de sofrer apagões, como ocorreu durante a crise de 2001 e 2002, porque o planejamento para os reservatórios é realizado com um ano de antecedência. No entanto, ele admite que o custo da utilização já comprovada de 2.500 megawatts provenientes das usinas complementares — uma fonte mais cara do que a energia hidrelétrica — deverá ser repassado ao consumidor.

Chipp, que na manhã desta quarta-feira participou do seminário Inserção de Novas Fontes renováveis e Redes Inteligentes no Planejamento Energético Nacional, organizado pela Coppe/UFRJ, afirmou que o período de seca no Nordeste seria naturalmente compensado pelas chuvas no Sul e no Sudeste. No entanto, devido ao fenômeno El Niño, a compensação está demorando a ocorrer.

"Estamos monitorando as configurações. A chuva no Sul e no Sudeste ainda não veio como esperado. Os níveis (dos reservatórios) no período seco não estão como gostaríamos que estivessem", afirmou. Segundo Chipp, o Brasil tem uma capacidade térmica que se aproxima a 15.000 megawatts — atualmente o país está utilizando 6.500 megawatts, incluindo a energia das usinas complementares e a das termonucleares de Angra 1 e Angra 2. As usinas a óleo ainda não precisaram ser acionadas. 

O diretor afirmou ainda que a variação de curto prazo no preço da energia ocasionado pelo fenômeno não deve afetar as projeções para diminuição na tarifa de energia esperada para ser anunciada pela presidente Dilma Rousseff na próxima semana. De acordo com Chipp, a utilização das térmicas vai depender dos níveis das reservas, que devem estar em 31% de sua capacidade no Nordeste, e 41% no Sudeste até o início do período úmido, que começa em novembro.

Anatel prepara novo regulamento para conta de celulares


Veja online
Com Agência Estado

Novas regras preveem um maior detalhamento dos serviços prestados pelas operadoras

(Antonio Cruz/ABr) 
João Barista de Rezende, presidente da Anatel 

A agência também estuda um outro regulamento para dar mais transparência aos combos de serviços oferecidos pelas teles, que abrangem telefonias móvel e fixa, internet banda larga e TV por assinatura

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, disse nesta quarta-feira que o órgão prepara um novo regulamento para dar mais transparência às contas de telefones celulares. Segundo ele, esse novo modelo, que ainda deverá passar por consulta pública, terá um maior detalhamento dos serviços prestados pelas operadoras. "Queremos melhorar a visualização que os usuários têm dos produtos contratados", afirmou ele, após participação em audiência pública na Câmara dos Deputados.

De acordo com o presidente da Anatel, a agência também estuda um outro regulamento para dar mais transparência aos chamados combos de serviços oferecidos pelas teles, que abrangem telefonias móvel e fixa, internet banda larga e TV por assinatura. No ano passado, a nova lei das telecomunicações abriu o mercado da TV paga para as operadoras de telefonia. "Estamos trabalhando em parceria com os serviços de proteção ao consumidor para encontrarmos a metodologia mais ideal para a formulação desses regulamentos", concluiu.

O deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) irá propor ao Tribunal de Contas da União (TCU) que realize uma auditoria sobre os procedimentos adotados pela Anatel para fiscalizar as empresas do setor de telecomunicações. Questionado sobre essa iniciativa do deputado, João Rezende afirmou que o órgão tem atuado com rigor e lembrou das medidas tomadas no fim de julho que proibiram a venda por 11 dias de novos chips de celulares e internet móvel pelas operadoras de pior serviço em cada Estado.

Brasileiras vendem óvulos e barrigas de aluguel a estrangeiros na internet


Ruth Costas
BBC Brasil 

Barrie e Tony Drewitt-Barlow e seus filhos: 
'nova família' com ajuda de doadora de óvulos brasileira

A compra e a venda de óvulos e sêmen e a prática de barriga de aluguel remunerada são ilegais no Brasil, mas isso não tem impedido que as brasileiras participem deste mercado que está em crescimento no mundo.

Muitas brasileiras têm oferecido seus serviços em sites internacionais e se dizem dispostas a viajar para países em que a prática é permitida, e algumas já moram no exterior.

Para se ter uma ideia de como funciona o movimentado - e polêmico - mercado internacional de barrigas de aluguel e doação de óvulos, basta visitar o sitesurrogatefinder.com (na tradução livre algo como "buscador de barriga de aluguel") e dar uma espiada nos perfis das centenas de mulheres, entre elas dezenas de brasileiras, que oferecem seus serviços por ali.

O site é uma mistura de Facebook com a página de compra e vendas Ebay. Mulheres com idades que variam de 20 a 45 anos montam seus perfis e colocam fotos de si mesmas, dos filhos e da família. O objetivo da apresentação, porém, obviamente não é fazer amigos, mas dar aos casais ou solteiros interessados nos serviços oferecidos ali uma amostra de seu fenótipo, perfil genético e, dependendo do caso, capacidade de gestação.

Algumas se oferecem para doar óvulos para mulheres inférteis ou casais homossexuais que querem realizar o sonho de ter um filho - prática que pode lhes render de US$ 8 mil (R$ 16,4 mil) a US$ 50 mil (R$ 102 mil). Outras estão dispostas a carregar bebês de outras mulheres - serviço pelo qual pode-se ganhar até US$ 100 mil nos EUA (R$ 204 mil).

Uma estudante brasileira da Universidade de Edimburgo, por exemplo, se diz disposta a doar óvulos para pagar o curso de pós-graduação que começará em setembro. Uma professora de inglês de Santa Catarina diz que precisa do dinheiro da doação para ajudar a sustentar a filha. E uma estudante de psicologia do Espírito Santo se oferece para carregar o filho de outra mulher porque o marido ficou desempregado.

Todas mencionam também uma razão altruísta para a oferta: a vontade de ajudar casais com problemas de fertilidade a realizar o sonho de ter filhos.

O mercado de gametas e barrigas de aluguel vem crescendo nos últimos anos em diversos países, impulsionado, do lado da demanda, por tendências sociais e demográficas - como o fenômeno da maternidade tardia e a oficialização de uniões civis homossexuais. Do lado da oferta, pelo desenvolvimento de novas técnicas de reprodução assistida.

Exemplo
O casal britânico formado pelos empresários milionários Barrie and Tony Drewitt-Barlow e seus cinco filhos são exemplo da "nova família" que essas novas tecnologias viabilizaram.


Novas técnicas de reprodução assistida permitem 
às mulheres terem filhos cada vez mais tarde

Em 1999, os dois viajaram para a Califórnia, onde a prática de barriga de aluguel e doação de óvulos remunerada é permitida e voltaram para casa, na Grã-Bretanha, com os gêmeos Saffron e Aspen. Depois disso, tiveram mais três filhos. E agora pensam em ter uma segunda menina (nos EUA é permitido escolher o sexo do bebê).

Barrie e Tony também têm uma clínica que ajuda outros casais a terem bebês com óvulos de estrangeiras e serviços de barriga de aluguel contratados no exterior - o British Surrogacy Centre.

Em entrevista à BBC Brasil, Barrie contou que as brasileiras são muito procuradas para as doações de gametas por terem "fama de bonitas" e porque, entre elas, é fácil encontrar um perfil procurado por casais inter-raciais estrangeiros. Por isso, segundo o empresário, sua agência teria "olheiros" que buscam doadoras no Brasil.

"Foi uma brasileira que doou o óvulo para que eu pudesse ter dois de meus filhos - o segundo casal de gêmeos", conta Barrie. "Nos últimos 12 meses, ajudamos 63 casais a terem filhos. Desses, 15 usaram doadoras brasileiras."

Para Artur Dzik, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, porém, a prática é preocupante. "Um esquema em que as brasileiras são aliciadas para prestar esse serviço em outros países poderia estar explorando a miséria e a necessidade dessas mulheres", acredita.

Brasil é o maior mercado consumidor de crack do mundo, aponta estudo


O Estado de São Paulo
Com informações Agência Brasil

País representa 20% do consumo mundial do crack; cocaína fumada (crack e oxi) já foi usada pelo menos uma vez por 2,6 milhões de brasileiros

JF Diorio/AE
Cerca de 4% da população adulta já 
experimentou cocaína alguma vez na vida

 O Brasil é o maior mercado mundial do crack e o segundo maior de cocaína, conforme resultado de pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os dados do estudo - que ouviu 4,6 mil pessoas com mais de 14 anos em 149 municípios do país – foram apresentados nesta quarta-feira, 5, na capital paulista.

Os resultados do estudo, que tem o nome de Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), apontam ainda que o Brasil representa 20% do consumo mundial do crack. A cocaína fumada (crack e oxi) já foi usada pelo menos uma vez por 2,6 milhões de brasileiros, representando 1,4% dos adultos. Os adolescentes que já experimentaram esse tipo da droga foram 150 mil, o equivalente a 1%.

De acordo com o relatório, cerca de 4% da população adulta brasileira, 6 milhões de pessoas, já experimentaram cocaína alguma vez na vida. Entre os adolescentes, jovens de 14 a 18 anos, 44 mil admitiram já ter usado a droga, o equivalente a 3% desse público. Em 2011, 2,6 milhões de adultos e 244 mil adolescentes usaram cocaína. 

O levantamento do Inpad revelou também que a cocaína usada via intranasal (cheirada) é a mais comum. Aproximadamente 5,6 milhões de pessoas já a experimentaram na vida e, somente no último ano, 2,3 milhões fizeram uso. Entre os adolescentes, o uso é menor, 316 mil experimentaram durante a vida e 226 mil usaram no último ano.

A pesquisa também comparou o consumo de cocaína nas regiões brasileiras em 2011. No Sudeste está concentrado o maior número de usuários, 46% deles. No Nordeste estão 27%, no Norte 10%, Centro-Oeste 10% e Sul 7%. Relatórios com resultado e metodologia estão na página do Inpad na internet.

Câmara aprova distinção entre usuários e traficantes de drogas


Evandro Éboli
O Globo

Texto polêmico considera usuário quem portar quantidade equivalente a cinco dias de consumo

BRASÍLIA - A Subcomissão Especial de Crimes e Penas da Câmara, vinculada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), aprovou no início da noite desta terça-feira alterações e inovações no Código Penal. Uma das principais novidades do texto, do relator Alessandro Molon (PT-RJ), foi o estabelecimento de critério para distinguir usuário de traficante de drogas. Quem portar quantidade de droga equivalente a cinco dias de consumo, será considerado usuário. Acima dessa quantidade, será enquadrado como traficante. Um dos modelos seguidos pelo relator, foi o de Portugal, onde o limite para usuário é de quantidade equivalente a dez dias. Usuário será aquele que a quantidade de droga apreendida corresponder ao consumo médio individual do período de cinco dias. A Anvisa será responsável por definir qual a quantidade de consumo diário

- Ainda assim, ficamos no meio caminho. Nem três dias, como defenderam algumas pessoas, e nem os dez dias da legislação portuguesa. Cinco dias considero de bom termo. O importante foi estabelecer um critério objetivo para essa distinção. A falta dessa distinção faz com que usuário pobre seja considerado traficante e traficante rico seja considerado usuário - disse Alessandro Molon.

O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira, que parabenizou Molon no final da sessão, entende que essa mudança na lei é importante para definição de critérios claros.

- É fundamental ter esse critério objetivo. Hoje, é muito subjetivo. É uma discussão muito bem-vinda - disse Marivaldo.

O texto de Molon ainda será apreciado pela CCJ e depois seguirá para o plenário.

Homens e mulheres não enxergam do mesmo jeito, diz estudo


Veja online

Cientistas afirmam que elas sabem diferenciar melhor os tons de cor, e eles, os objetos em movimento

(Thinkstock) 
Cientistas concluíram que homens e mulheres
não enxergam do mesmo jeito 

Homens e mulheres não enxergam do mesmo jeito, concluíram dois estudos conduzidos por cientistas americanos, publicados no periódico Biology of Sex Differences nesta terça-feira. Os resultados não são nenhuma surpresa para as mulheres que criticam seus parceiros por não combinarem corretamente as peças de roupa. Nem para os homens que se reclamam que suas namoradas ou mães não entendem a graça dos videogames.

Os estudos apontam que os homens têm uma tendência maior a prestar atenção em objetos em movimento. Já as mulheres conseguem observar melhor variações nas cores — o que pode explicar por que os homens acham que as amostras de cortina que elas querem comprar são todas iguais.

Os pesquisadores compararam a visão de dois grupos de homens e mulheres (um com 52 e outro com 58 participantes) acima de 16 anos – alunos e funcionários de escolas e faculdades. Todos tinham a visão cristalina e nenhum era daltônico – condição muito mais comum em homens. Segundo o estudo da Universidade da Cidade de Nova York, as diferenças não estão nos olhos, mas no funcionamento do cérebro.

Os cientistas mostraram a um grupo de 52 pessoas (36 mulheres e 16 homens) amostras de diferentes tons de uma mesma cor, como azul, azul celeste, azul marinho etc. Os resultados revelaram que os homens dispersavam mais a visão e precisavam de mais estímulos cerebrais para identificar as diferenças de tom. 

Os pesquisadores também aplicaram testes de movimento em 58 voluntários (37 mulheres e 21 homens). Eles mostraram uma tela na qual apareciam pequenas barras horizontais e verticais. As aparições eram aceleradas e aproximadas umas das outras, e os cientistas perguntavam aos voluntários quais eram os tipos de barras. Resultado: os homens revelaram maior capacidade para prestar atenção em objetos que se movimentam.

Testosterona — 
Os cientistas afirmam que as diferenças podem estar ligadas aos níveis de testosterona nos dois sexos. "Já as mudanças evolutivas que marcaram essas diferenças são menos claras", diz o cientista Israel Abramov, um dos autores dos estudos. Pesquisas anteriores já haviam apontado diferenças entre o olfato e audição de homens e mulheres.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Sex & vision I: Spatio-temporal resolution e Sex and vision II: color appearance of monochromatic lights
Onde foi divulgada: periódico Biology of Sex Differences
Quem fez: Israel Abramov, James Gordon, Olga Feldman e Alla Chavarga
Instituição: City University of New York
Dados de amostragem: 52 homens e mulheres no estudo I e 58 homens e mulheres no estudo II. Todos tinham mais de 16 anos e visão normal
Resultado: Visão de homens e mulheres é diferente. Mulheres prestam mais atenção em cores. Os homens, em objetos em movimento.