quinta-feira, setembro 06, 2012

Efeito estatístico faz Brasil avançar em ranking dos países mais competitivos


Veja online
Com Agência Estado

Retirada do 'spread bancário' do cálculo faz país saltar 53 posições no critério "macroeconômico"; como resultado, Brasil sobe 5 postos no cômputo geral

(Germano Luders) 
Política, eficiência governamental, 
carga tributária, educação e infraestrutura: pontos fracos 

Ainda que entre os 50 mais competitivos, Brasil faz feio e ocupa o fim da fila: a 48ª posição

Graças a uma combinação de fatores fortuitos e estatísticos, o Brasil entrou, pela primeira vez, para a lista dos 50 países mais competitivos do mundo, aponta o Relatório Global de Competitividade divulgado nesta quarta-feira pelo Fórum Econômico Mundial. Para chegar à 48ª posição desta edição do ranking, o país subiu cinco lugares desde o ano passado.

A melhora relativa no ambiente macroeconômico, haja vista que os países desenvolvidos passam por estagnação ou recessão, e o efeito estatístico da retirada do item "spread bancário" do cálculo explicam o modesto avanço. O Brasil, no entanto, continua com índices vergonhosos em eficiência da gestão pública, confiança na classe política, qualidade da educação, infraestrutura de transportes e carga tributária. Em inovação, a economia doméstica conseguiu andar para trás.

Líderes – No topo do ranking, pelo quarto ano consecutivo, está a Suíça. Cingapura ficou em segundo lugar, seguido por Finlândia, Suécia, Holanda e Alemanha. Já os Estados Unidos caíram da quinta posição que ocupavam em 2011 para o sétimo lugar. Em oitavo, nono e décimo lugares ficaram Reino Unido, Hong Kong e Japão, respectivamente.

De acordo com o responsável pela análise dos dados brasileiros, Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, o ranking foi afetado pela incerteza crescente advinda da crise na Europa, da vulnerabilidade norte-americana e da desaceleração da China. A Fundação coordena a coleta e a análise de dados brasileiros.

Acaso e efeito estatístico – 
A melhor avaliação sobre a macroeconomia nacional ajudou a melhorar a posição relativa do país no ranking. Neste ano, o Brasil subiu 53 posições no critério "ambiente macroeconômico", saindo da 115ª colocação em 2011 para a 62ª. O salto, segundo a Fundação Dom Cabral, pode ser consequência da exclusão do indicador "spread bancário" – a diferença entre a taxa média de juros para captação de recursos e a taxa de empréstimo aos clientes finais – do estudo deste ano. O indicador costuma ser "problemático" para o país, de acordo com a Fundação, mas foi retirado da análise de 2012 por ser considerado ruim para comparar o grau de eficiência bancária nos diversos países.

Arruda explica que as medidas tomadas pelo governo Dilma Rousseff de redução da taxa básica de juros e consequente na queda dos juros bancários teriam impacto positivo para a colocação do país no ranking, mas não conseguiriam fazer com que o "ambiente macroeconômico" subisse tantas posições.
Além da macroeconomia, o "uso de tecnologias de informação e comunicação" também ajudou a tornar o país mais competitivo, de acordo com o relatório do Fórum Econômico Mundial. O indicador sobre "sofisticação dos negócios", apesar de ter caído dois pontos de 2011 para 2012, ainda é positivo: o Brasil ficou em 33º lugar.

Pontos fracos – 
Do outro lado, os níveis de "confiança nos políticos" e "eficiência das políticas de governo" colocam o país em 121ª e 111ª posição, respectivamente. O Brasil também fica mal posicionado na avaliação da "qualidade da infraestrutura de transportes" (79ª posição), da "qualidade da educação" (116ª posição) e do "volume de taxação como limitador ao trabalho e investimentos" (144ª posição).

No pilar "inovação", o Brasil caiu da 44ª para 49ª posição. O resultado, avalia Arruda, está ligado à falta de mão de obra qualificada.

O relatório é feito com dados estatísticos nacionais e internacionais, além de pesquisa de opinião feita com executivos. Em 2012, o estudo analisou a competitividade de 144 países.