quarta-feira, dezembro 27, 2006

Retrato informal da perversidade

Editorial Jornal do Brasil
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Se o presidente Lula já admitiu não ter a mais pálida idéia de como encontrar a proverbial luz do túnel para repor o país na trilha do desenvolvimento, pode começar a cobrir a seminudez da sua escassez de idéias debruçando-se sobre a pesquisa Síntese dos Indicadores Sociais, do IBGE. Descobrirá uma das conseqüências mais perversas dos problemas estruturais que têm emperrado a produção e o crescimento econômico: a informalidade. Conforme o JB demonstrou na quinta-feira, o estudo informa que mais da metade da população empregada no país não contribui para a Previdência Social.
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Na média nacional, com dados de 2005, cerca de 52% são autônomos ou não têm carteira assinada. Nas regiões Norte e Nordeste, a informalidade é ainda mais alta. Na primeira, 66%. Entre os nordestinos, 70%. No Maranhão, o recordista deste ranking às avessas, oito em cada 10 trabalhadores não pagam o INSS. Por um lado, não contam com a rede de proteção social do Estado. Por outro, sem contribuição previdenciária, reforçam o principal déficit que atormenta as contas públicas do país, que atingirá, no fim do ano, a espantosa marca de R$ 42 bilhões.
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Identificar com precisão os sintomas de uma doença, como se sabe, constitui o primeiro passo para oferecer prognósticos corretos ao paciente. Que fique bem entendido: a informalidade não é mal recente; vem crescendo ano a ano, no mesmo compasso da estupenda elevação da carga tributária. Enquanto isso, o Brasil eternizou uma legislação trabalhista que impõe sobre o salário do trabalhador custos demasiadamente altos. Empregar, por aqui, corresponde a quase duas vezes a média observada nos demais países da América Latina e do Caribe. O resultado é perverso para empresários e trabalhadores. Estimula a informalidade, pressiona para baixo os salários médios e prejudica, em especial, os menos qualificados.
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Eis o recado para o presidente, que promete achar a solução para o reiteradamente prometido "espetáculo do crescimento". Se o peso desses custos fosse reduzido, o impacto sobre o mercado de trabalho seria enorme e rápido. Menos desemprego, maior proporção dos trabalhadores no mercado formal, aumento da renda média dos empregados e diminuição do déficit da Previdência. Com efeito, reduzidas as crateras das contas públicas, ampliam-se os espaços possíveis para maior investimento.
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O Brasil exauriu a capacidade de sustentar o Estado que tem pela via tributária. Chegou ao limite um país que assiste ao poder público sugar quase 40% da riqueza nacional para sustentar o próprio tamanho. Boa parte da indignação popular com a recente tentativa do Congresso de aumentar os próprios salários resulta dessa exaustão.
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Nada avançará no segundo mandato se não levar adiante as reformas previdenciária, trabalhista e tributária, temas difíceis e espinhosos mas imprescindíveis. A desoneração parcial da folha de pagamentos e a redução das exigências trabalhistas têm sido as principais reivindicações do empresariado para dar maior dinamismo ao mercado de trabalho e estimular investimentos privados. No passado, as tentativas de mudanças foram sempre combatidas com sectarismo.

Lamente-se que, a despeito de tais evidências, o presidente emita sinais de que não deseja efetuar cortes de despesas, tampouco promover uma nova reforma da Previdência. No Planalto petista, há a ilusão de que, tendo a certeza sobre os fins pretendidos, acham-se os meios possíveis para alcançá-los. Não deu certo nos primeiros quatro anos. Dará nos próximos?

Jogo de cena no novo mínimo

Por José Paulo Kupfer, Economínimo, blog NoMínimo
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Estão dizendo que a “equipe econômica” foi derrotada na definição do valor do novo salário mínimo. O mais certo, no entanto, é que não houve derrota alguma, assim como não se pode dizer que exista, neste governo, depois de Antonio Palocci, uma “equipe econômica”, pelo menos no figurino daquelas que existiam nos governo militares e com FHC.
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Desde o início, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, desempenhando (mal) o papel de durão, sentou praça num reajuste de 4,8%, para R$ 367, e as centrais sindicais abraçaram a causa de impensáveis R$ 420, já era possível estabelecer a hipótese mais provável: Lula armou o circo para arbitrar o meio do caminho.
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Não deu outra. Os R$ 380 “negociados” entre os ministros do Trabalho e da Previdência e os sindicalistas significam só um pouco menos do que a média aritmética entre os dois pontos. Daí para frente teria sido só mais um pouco de teatro – bem mambembe, diga-se.
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Mantega “resistiu” apenas por meia dúzia de horas e Lula, o personagem principal da peça, mas ainda sem aparecer no palco, bateu o martelo, designando Luiz Marinho, ministro do Trabalho, para capitalizar o anúncio da “vitória”. Por tudo que se viu no episódio, difícil acreditar que o script já não estivesse pronto desde o começo. Tanto que, logo no dia seguinte, lá estava o próprio Lula em pessoa defendendo, publicamente, o novo mínimo. Tudo muito rápido e arrumadinho para não ser um teatro.
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OK, e daí? Daí que, se a hipótese acima for verdadeira, estamos diante de mais um bom indício de que este segundo mandato não será igual ao primeiro. Daí também que o pessoal derrotado nas eleições, mas ainda com esperanças de levar no papo, como levou no primeiro mandato, se já não colocou, deveria pôr as barbas de molho.
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Bom sinal
Ainda que não tenha produzido reflexos negativos nos índices e taxas (o risco-Brasil está em queda e atingiu, no fim da tarde, o nível de 194 pontos, o mais baixo da história), a informação dos analistas é a de que o mercado não gostou do aumento do salário mínimo e da correção na tabela do IR.

BC aperta fiscalização das contas bancárias de autoridades

A decisão do Banco Central fará com que os bancos passem a atualizar os dados cadastrais das ´pessoas politicamente expostas´ num intervalo menor
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Gustavo Freire, Estadão Online
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O Banco Central (BC) determinou que os bancos aumentem, a partir de julho de 2007, os controles sobre as movimentações de recursos de "pessoas politicamente expostas". São consideradas "pessoas politicamente expostas" aquelas que estejam ocupando cargos públicos ou que o fizeram nos últimos cinco anos, tanto no Brasil como no exterior.
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A definição, de acordo com explicações do BC, abrange desde o presidente da República até os presidentes de câmaras municipais das capitais de Estado. O objetivo da decisão é combater crimes de lavagem de dinheiro no sistema financeiro nacional.
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Baseada em recomendação da Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro (Encla), a decisão do BC fará com que os bancos passem a atualizar os dados cadastrais das "pessoas politicamente expostas" num período de tempo menor. "Em vez de ser uma atualização por ano, as atualizações passarão a ser semestrais", explicou uma fonte do BC.
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Com isto, os bancos terão mais segurança para detectar uma movimentação suspeita e comunicá-la ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). "Com os dados cadastrais, os bancos têm como saber qual o patrimônio de seu correntista e, desta forma, detectar qualquer movimentação incompatível com o patrimônio", explicou a fonte.
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Os processos de abertura e renovação de contas bancárias, a partir de julho do próximo ano, das "pessoas politicamente expostas" não poderão ser conduzidos por um simples gerente de agência bancária. "Tudo terá que passar pela alta gerência do banco onde a conta é mantida", comentou a fonte do BC. A idéia, neste caso, é atribuir aos bancos maior responsabilidade pela ocorrência de eventuais crimes de lavagem de dinheiro.
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"É bom lembrar que os bancos podem responder a processo administrativo se não adotarem os mecanismos de controle das contas das pessoas politicamente expostas", ressaltou a fonte do BC. Outra exigência é que os bancos mantenham uma listagem atualizada com os nomes das pessoas que ocupam cargos públicos. "Isto poderá ser obtido por meio da compra destas listagens de empresas especializadas", disse uma fonte.
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Outra determinação do BC é que os bancos procurem saber a origem dos recursos movimentados pelas "pessoas politicamente expostas". "Isto será exigido apenas para as movimentações consideradas suspeitas pelos bancos", disse uma fonte do BC. No caso de estrangeiros, os bancos, de acordo com o BC, poderão pedir a declaração expressa do cliente sobre sua classificação, ou recorrer às informações disponíveis em bases de dados eletrônicos.
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BC vigiará "pessoas politicamente expostas"

O Banco Central (BC) determinou ontem que os bancos aumentem a partir de julho os controles sobre as movimentações de recursos de "pessoas politicamente expostas", ou seja, aquelas que ocupem cargos públicos ou que o fizeram nos últimos cinco anos, no Brasil ou no exterior. A medida visa a inibir escândalos como o da máfia dos sanguessugas e a combater crimes de lavagem de dinheiro.
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A definição, de acordo com o BC, abrange desde o presidente da República até os presidentes de câmaras municipais das capitais de Estado. Baseada em recomendação da Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro (Encla), a decisão do BC fará com que os bancos passem a atualizar os dados cadastrais das "pessoas politicamente expostas" num período de tempo menor.
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"Em vez de uma atualização por ano, as atualizações passarão a ser semestrais", explicou uma fonte do BC. Com isto, os bancos terão mais segurança para detectar qualquer movimentação suspeita e comunicá-la ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). "Com os dados cadastrais, os bancos têm como saber qual o patrimônio de seu correntista e, desta forma, detectar qualquer movimentação incompatível com o patrimônio", explicou a fonte.
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Os processos de abertura e renovação de contas bancárias, a partir de julho, das "pessoas politicamente expostas" não poderão ser conduzidos por gerentes de agências bancárias. "Tudo terá que passar pela alta gerência do banco onde a conta é mantida", comentou a fonte do BC. A idéia, neste caso, é atribuir aos bancos maior responsabilidade pela ocorrência de eventuais crimes de lavagem de dinheiro ilegal. "É bom lembrar que os bancos podem responder a processo administrativo se não adotarem os mecanismos de controle das contas das pessoas politicamente expostas", ressaltou a fonte.
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Outra exigência é que os bancos mantenham uma listagem atualizada com os nomes das pessoas que ocupam cargos públicos. "Isto poderá ser obtido por meio da compra destas listagens de empresas especializadas", disse uma fonte.
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Outra determinação do BC é que os bancos procurem saber a origem dos recursos movimentados pelas "pessoas politicamente expostas". Isto será exigido apenas para as movimentações consideradas suspeitas pelos bancos, segundo o BC.
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No caso de estrangeiros, os bancos poderão pedir a declaração expressa do cliente sobre sua classificação ou recorrerem às informações disponíveis em bases de dados eletrônicos. O aumento dos controles anunciado pelo BC veio após o surgimento de casos de corrupção envolvendo a movimentação de recursos em contas bancárias de políticos da base aliada do governo.

Poder e solidão

Por Felipe Recondo, blog do Noblat
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Em quatro anos, Lula nunca se viu tão solitário como agora. Companheiros de longa data deixaram o governo, boa parte envolvida em denúncias de corrupção ou irregularidades, como José Dirceu, Palocci e Gushiken.
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Desde que assumiu o cargo em 2003, nunca foi ao aniversário de um amigo, ao casamento de alguém ou a um simples almoço ou jantar com pessoas próximas. Por quê?
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- Porque acontece muita futrica - diz Lula.
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Ultimamente, nem mesmo tem promovido os churrascos ou reuniões informais com ministros:
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- Se chamar um, vão perguntar por que não chamei outro. Eu conheço o ser humano. Aí vai ficar com mágoa - reclama.
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Por tudo isso, Lula está se sentindo muito sozinho:
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- Às vezes ficamos eu e a Marisa sozinhos.
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Nesses momentos, Lula não se sente à vontade para ir a restaurantes, cinema ou teatro. Diz que qualquer saída sua mobiliza um batalhão de seguranças e os obriga a vasculharem o teatro ou o restaurante antes de sua chegada:
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- Eu não vou mexer na casa dos outros.
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Solitário, longe dos banquetes, churrascos e almoços de amigos, Lula está mais magro.
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- Assumi com 92 quilos. Cheguei a 98 quilos e hoje estou com 83 quilos. Tenho comido salada com peixe, salada com carne...lasanha de berinjela, fritada de legumes, abobrinha recheada.
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Com cardápio tão light - salvo nos fins de semana onde ele se permite comer pão na chapa com mortadela e torresmo -, só restam a Lula poucos prazeres - alugar dvds, ficar à beira da piscina do Alvorada e pescar nos laguinhos da Granja do Torto.
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Sem ninguém por perto, apenas dona Marisa, Lula se sente à vontade para contar histórias de pescador:
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- Eu tenho um pintado de mais de 12 quilos. Há quatro meses peguei um jaú de 50 quilos.
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E dá-lhe história:
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- Eu peguei uma tilápia que pensei que ia para o Guiness (Book). Mandei para a Embrapa. Eles queriam que eu embalsamasse. Eu disse: Não! Eu vou comer.
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E comeu.

TOQUEDEPRIMA...

Explicações e razões de Lula
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De Lula, em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, sobre o aumento do salário mínimo, a crise aérea e o teto do funcionalismo público:
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Política para salário mínimo
- Todo ano vai ter um pouquinho, todo ano vai ter um pouquinho, todo ano vai ter um pouquinho. Todo ano vai ter um pouquinho enquanto eu for presidente.
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Salário mínimo e crescimento
- Não está colocado esse sofrimento todo (ou aumenta o mínimo ou cresce a economia). Segundo: o salário mínimo é a melhor forma de distribuição de renda que o país faz (...) Eu comecei o café da manhã dizendo que não basta crescer para distribuir renda.
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Destravar o país
- Eu quero crescer mais (que 5%). Não vou me apegar a números (...) A inflação não vai voltar, a estabilidade econômica e a Lei de Responsabilidade Fiscal são compromissos para o segundo mandato. Se brincar em serviço, quebra a cara. Não esperem de mim nenhuma mágica porque não existe. Esperem de mim seriedade.
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Desburocratizar o governo
- Hoje estou mais maduro, mais consciente. Hoje eu sei aonde as coisas emperram. Há coisas travadas por lei, por práticas políticas, por vícios (...) Nós precisamos desburocratizar o sim e o não.
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Adiamento do pacote econômico
- O pacote tem consistência. O motivo que me convenceu a adiar o anúncio é que a cabeça do povo não está em pacote. A cabeça do povo está em Natal, em pacote de Papai Noel.
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Prioridades do segundo mandato
- Não sei se vamos repetir alguma coisa (do primeiro mandato no segundo). No futebol, não há dois jogos iguais. No primeiro mandato estabilizamos a economia (...) A primeira coisa que vamos fazer é trabalhar para que o Brasil tenha, no público e no privado, investimentos em infra-estrutura. Exemplo: dos principais portos até a dragagem vamos ter que fazer com urgência, as principais rodovias, aeroportos, queremos fazer aeroportos industriais, com política fiscal apropriada, temos 4.700 km de gasoduto para fazer (...) A segunda coisa será investimento em educação. Ninguém vai evitar que eu faça em cada cidade pólo uma extensão universitária ou uma escola técnica. Isso não é política de ministério (evita dizer se Fernando Haddad continua na Educação). Isso é política minha.
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Investimentos no Rio de Janeiro
- Está destravada a relação do governo federal com o Rio de Janeiro. Havia 34 projetos da Petrobras travados por conta da secretaria de meio ambiente. O Rio de Janeiro precisa de investimento e agora terá mais facilidade para trabalhar.
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Responsabilidade pelo apagão aéreo
- O atraso que está acontecendo não é mais dos controladores (...) O que eu quero é que o passageiro seja avisado (nos aeroportos do motivo dos atrasos) para o povo quando tiver que xingar, xingar quem de direito.
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Razões da crise aérea
- Eu acho que o número de passageiros cresceu muito. A saída da Varig também deixou uma lacuna muito grande (...) Eu sinto que as conexões nos aeroportos não são cumpridas no horário certo (...) Os controladores estão trabalhando certinho. Tem reivindicações que precisam ser atendidas.
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Falta de informações sobre a crise
- Eu acho que não estava tendo (as explicações verdadeiras para o assunto). Os controladores tiveram responsabilidade num dado momento. Depois, eles assumiram o seu trabalho. Depois houve falha dos instrumentos, que a Aeronáutica assumiu, quebrou a torre em Curitiba (...) A Anac tem a obrigação de ir para a televisão dizer o que aconteceu (...) É muito fácil dizer que deu pane no avião. Na verdade, às vezes nem tem avião. Eu quero que as pessoas tenham tranqüilidade.
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Soluções para a crise aérea
- Não tenho certeza (se desmilitarizar o controle aéreo é o caminho para resolver a crise). Eu tô com pressa. Vamos ter que resolver isso rapidamente. Sessenta dias (desde o início da crise) já é um prazo muito longo.
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Teto do funcionalismo público
- Nós temos um problema para criar o teto. É preciso mudar a Constituição. Isso só será possível se os partidos estiverem de acordo. Isso será tratado junto da reforma política. Eu acho (importante ter um teto).
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Salários do serviço público
- O presidente da República desde 1998 não tem reajuste (...) Eu ainda fiz no ano passado uma reunião dizendo que é preciso encontrar um jeito de ter uma política salarial homogênea para os três poderes. Vamos ter que encontrar um jeito.
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Reforma da Previdência
- As pessoas têm mania de dizer que as soluções para os problemas do Brasil são uma única coisa. A reforma não é para consertar um rombo de agora, é para a próxima geração (...) Mudanças na Previdência não serão traumáticas. Eu vou criar um fórum nacional para discutir a Previdência com o movimento sindical, aposentados, especialistas do Senado e da Câmara. Essas coisas não podem ser apaixonadas. Não tem prazo (para isso sair). A conclusão será encaminhada ao Congresso Nacional.
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Presidência da Câmara
- A disputa ainda não começou. Se eu puder, vou ajudar a base a ter um único candidato. Vou chamar o Aldo para conversar, vou chamar o Arlindo Chinaglia para conversar, vou conversar com os dois juntos (...) Eu só quero chamar as pessoas à realidade. Para que dois candidatos da base? Para que essa disputa?
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Articulação política
- Quero me reunir mais com os presidentes dos partidos e com os líderes da Câmara. Se a gente não conversa com o deputado, como vai pedir voto depois?
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Equipe econômica
- Eu vou fazer o quê com a equipe econômica? Chegamos ao sucesso de agora por causa da equipe econômica. O governo está funcionando.
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Reforma ministerial
- Eu nunca disse que ia mudar ministério (...) Não estou preocupado. Os ministros não precisam nem vir para a posse. Tá todo mundo ministro. Não sei (se vou ter ministério novo) (...) No dia 1º de janeiro, só vamos tomar posse eu e o José Alencar.
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Enxugar o número de ministérios
- Ninguém está molhado. Não vou (diminuir o número de ministérios).
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Ministros demissionários
- Mesmo alguns ministros que disseram que vão sair, só vão sair quando eu quiser que saiam.

TOQUEDEPRIMA...

Ilegal ajudará Imigração nos EUA
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O que a CPI da Imigração no Brasil não descobriu, a Imigração americana talvez encontre: a rede de tráfico humano entre Minas e Estados Unidos. Poderá dar visto especial a Valter Coelho, suspeito no seqüestro do bebê Bryan dos Santos, na Flórida, para que colabore dando nomes e pistas, diz o jornal local News-Press.
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Desiste disso...
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O governo empurrou com a barriga a principal medida destinada a aumentar a concorrência bancária e reduzir os juros aos consumidores.
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Prometida na campanha eleitoral, a nova conta salário – na qual o trabalhador poderá transferir, de forma automática e sem custo, seus rendimentos para o banco de sua preferência – apenas será implementada entre abril de 2007 e o distante ano de 2012.
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A previsão inicial era que entrasse em vigor em janeiro, mas os bancos não chegaram a um acordo sobre o regime de perde e ganha com os depósitos.
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Silas Rondeau
Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa
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O ministro das Minas e Energia, assim que recebeu a intimação do TCU, telefonou 3 vezes para Sarney. Estava no Amapá ou no Maranhão.
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Correria e quase desespero na Petrobras, Ministério de Minas e Energia, Eletrobrás e outras empresas de porte nas duas potências. Motivo: o ultimatum do TCU (Tribunal de Contas da União), que está preocupado com o excesso de irregularidades. Deu 15 dias para envio de contratos, de aditamentos, de muita coisa que foi p-r-o-f-u-n-d-a-m-e-n-t-e investigada. O ministro e o poderoso presidente da Petrobras não sabem o que fazer.
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Silas Rondeau e Sergio Gabrieli estão quase se transformando em técnicos de vôlei ou de basquete "e pedindo tempo". Mas o TCU vai fazer a contagem dos 15 dias, incluindo sábados e domingos.
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Lula quer consenso da base aliada para presidência da Câmara
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (22.12) que vai trabalhar para que a base governista apóie um único candidato na disputa para a escolha do novo presidente da Câmara dos Deputados. "Vou ajudar para construir que a base tenha um único candidato. Vou esperar passar o Natal e o Ano Novo para conversar", avisou.
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O PT já havia lançado o deputado Arlindo Chinaglia (SP), mas o próprio atual presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP), também articula e já avisou a Lula que quer a reeleição. Até mesmo o PMDB, agora oficialmente parte da base aliada, também já mencionou que deve lançar candidato, apesar de não ter definido nome para a disputa.
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"Eu só quero chamar as pessoas à responsabilidade. Vamos conversar com os candidatos da base, eu gosto muito do Aldo e do Chinaglia", comentou Lula. "Todo candidato diz que tem apoio de todo mundo. Uma vez um deputado que concorria à vaga de ministro do Tribunal de Contas da União disse que tinha apoio de 295 deputados e eu perguntei para ele: você acha que todo mundo falou a verdade?", ironizou.
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Governo quer rever contrato que autoriza Banco Postal nos Correios
Da FolhaNews
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O governo federal pretende rever o contrato que permite o uso de agências dos Correios pelo Bradesco para o funcionamento do Banco Postal, cujo prazo termina somente em 2009. Segundo o ministro Hélio Costa (Comunicações), já foram iniciados estudos técnicos para analisar a possibilidade de o governo assumir o projeto e indenizar o banco privado pela antecipação do fim da parceria. ."Estamos estudando uma proposta de fazermos uma indenização do tempo que resta do contrato, [...] levando em conta, inclusive, os resultados positivos do Banco Postal", afirmou Costa. "Feito esse pagamento, os Correios assumiriam esse trabalho", disse o ministro, após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.
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A parceria para a criação do Banco Postal foi firmada no segundo semestre de 2001, após licitação, e envolveu R$ 300 milhões. A partir daí, o Bradesco obteve o direito de utilizar, com exclusividade, agências dos Correios para funcionar como correspondentes bancários, que oferecem produtos e serviços financeiros (saques, depósitos).
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Um dos objetivos foi suprir a falta de agências bancárias em pequenas cidades do interior. Atualmente, segundo Costa, são cerca de cinco milhões de contas bancárias em mais de cinco mil agências dos Correios.
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O ministro disse que não haveria dificuldade para a estatal em assumir o serviço integralmente, em caso de rompimento de parceria. "Desde a época da criação do Banco Postal, há uma verdadeira diretoria de banco instalada nos Correios, com funcionários qualificados na área bancária e que poderão exercer, na realidade, atividade administrativa dentro da proposta que estamos fazendo", declarou o ministro.
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Correção de pontos
Para Costa, alguns pontos do contrato precisam ser 'corrigidos', por isso a necessidade de negociar com a diretoria do banco privado."Há uma série de coisas que precisam ser corrigidas dentro desse contrato. [...] O que não podemos deixar de levar em consideração é que o Banco Postal é um sucesso, mas por causa dos Correios, não necessariamente por causa do contrato", afirmou. .Entre esses pontos, o ministro citou o que prevê a divisão pela metade dos custos de publicidade do Banco Postal entre Correios e Bradesco. Para ele, toda a despesa deveria ser assumida pela instituição que explora o serviço.
Outro artigo contestado é o que estabelece responsabilidade da agência dos Correios caso algum cliente do Banco Postal seja assaltado no local.
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O Bradesco informou, por sua assessoria de imprensa, que desconhece a intenção manifestada pelo ministro Hélio Costa em relação ao fim da parceria no Banco Postal, motivo pelo qual prefere abster-se de comentários.
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Patrimônio suspeito
Colunáveis podem amargar dias difíceis: a Justiça Federal determinou que o Iphan cadastre negociadores de antiguidades, obras de arte, manuscritos e livros raros, para conter a perda do patrimônio cultural, especialmente em Minas Gerais.
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Super Propaganda
Os marketeiros do governo montam um sistema publicitário de fazer inveja ao velho Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo, que foi inspirado no esquema de propaganda nazista de Josef Goebels.
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A Radiobras planeja um programete diário para prestar contas das realizações objetivas do governo
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Radiobrás iria criar uma propaganda de rádio e tevê para prestar contas, diariamente, do que o governo está fazendo.
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O enfoque será popular, e a publicidade seria bancada pelas empresas estatais.Incentivando a mídia amestrada
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O plano faz parte do projeto maior de “Democratização dos Meios de Comunicação”..O governo vai destinar ainda mais verbas de publicidade para novos veículos de informação que ficariam alinhados com a orientação política do Palácio do Planalto.
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As grandes redes de tevê receberão um reforço, ainda maior, dos anúncios da Petrobrás, Caixa, Banco do Brasil e Correios.

O reajuste do salário mínimo

por Luiz Carlos Mendonça de Barros, na Folha de S. Paulo
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Minha carreira profissional levou-me a desenvolver, por necessidade e não por gosto, uma metodologia própria para entender a complexa interação entre o político e o econômico em nosso país macunaímico. A presença do governo na economia brasileira, seja ela direta nos mercados via estatais ou por meio de decisões administrativas, é desproporcional à de outros países. Com isso, sua influência na dinâmica dos negócios é ainda determinante.
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Como sobrevivi por mais de três décadas nesse competitivo universo das finanças, acredito nos princípios que fui construindo ao longo desse período. Um dos mais importantes deles é o de não acreditar em Papai Noel. É preciso perder tempo na construção de uma análise fundamentalista dos valores e da forma de agir das lideranças no governo de plantão. Ao longo de cada ciclo de poder, são esses princípios que vão forjar a política econômica oficial e definir seus efeitos nos mercados.
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As promessas desconectadas desses fundamentos não devem ser levadas a sério. Por isso, durante os últimos quatro anos, com meu irmão José Roberto, organizamos um grupo que se reúne semanalmente para entender esse complexo e contraditório governo Lula. Hoje, temos uma leitura clara de sua dinâmica administrativa e de seus valores políticos. Lula pode enganar muitos de meus colegas de profissão com seu discurso vazio e cheio de contradições, mas não a esse grupo de analistas ao qual pertenço.
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Gostaria de dividir com meu leitor algumas de nossas conclusões. A primeira e a principal é que temos em Brasília um governo populista do modelo clássico. E o que isso representa para nosso processo de análise? A identificação de pelo menos dois princípios básicos: Lula governa para satisfazer os desejos de curto prazo daqueles que o apóiam e não tem nenhum compromisso com o futuro da nossa sociedade como um todo.
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Por isso, não acredito no Lula reformista do capitalismo brasileiro, pois sabemos que a grande maioria das reformas necessárias para colocar nossa economia em rota de crescimento sustentado provoca o que chamamos de curva J, isto é, no, início, geram perdas em certos segmentos da sociedade, para apenas depois de certo tempo trazer benefícios generalizados. Tomemos o exemplo da Previdência Social e seus déficits crescentes.
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Os gastos do governo com aposentados, medidos em relação ao nosso PIB, são desproporcionais em relação a outras sociedades com situações demográficas muito piores que a nossa. Já estamos longe de qualquer parâmetro internacional, e o déficit da Previdência continua a crescer algo como 0,30% do PIB anualmente. Para financiar esse desequilíbrio, o governo retira parcela crescente da renda da sociedade. Isso significa punir os que são produtivos por meio de seu trabalho ou investimento e canalizar tais recursos para aqueles que já terminaram sua vida econômica útil. Os idosos passaram a ser arrimos de família, principalmente em regiões mais pobres, o que demonstra cabalmente o estado desesperador em que nos encontramos. Basta analisar os dados para ver que a renda do trabalho cresce menos -e cai em algumas faixas salariais- do que as aposentadorias. O resultado desse processo é uma redução crescente da eficiência de nossa economia e da sua capacidade de gerar empregos e riquezas no futuro.
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Mas o governo continua a não enfrentar o problema por medo do desgaste político e da perda de apoio de milhões de brasileiros que dependem de aposentadoria e pensões. Pior ainda, tem tomado decisões que amplificam esse problema para o futuro. É o que vai acontecer com o aumento do salário mínimo decidido de forma isolada pelo presidente Lula e seu ministro do Trabalho. Os impactos negativos na Previdência virão não só do reajuste decidido para 2007 mas, também, da definição de uma regra de longo prazo que garante ao salário mínimo um aumento igual ao crescimento do PIB nominal.
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Ora, uma das formas para corrigir o desequilíbrio já existente seria o de reduzir o peso das aposentadorias por meio do crescimento da renda dos brasileiros que realmente, por meio de seu trabalho produtivo, contribuem para a expansão econômica. Com essa decisão, o peso das aposentadorias no PIB estará consolidado no curto prazo e aumentará com a entrada de novos beneficiários no sistema da Previdência. Essa decisão trouxe à dura realidade vários analistas que esperavam um Lula reformista e racional do ponto de vista econômico no seu segundo mandato. Mas o Papai Noel esperado neste final de ano sumiu, e a dura realidade de um populismo irracional tomou conta desses entusiastas de um presidente que não existe.

O Natal chega de repente

Por Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo
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Lula tomou café da manhã com jornalistas nesta sexta-feira e mostrou que a nau Brasil segue a todo vapor, provavelmente movida a champanhe.
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O presidente tinha dito durante a eleição que combate à inflação é um tema inegociável.Uma vez reeleito, animado com as demandas desenvolvimentistas, deu a entender que poderia afrouxar a meta de inflação. Explicou que era preciso apenas discutir qual índice de aumento de preços o governo poderia tolerar.
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Como se sabe, um pouquinho de inflação é a mesma coisa que um pouquinho de gravidez.
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No meio do suspense, Lula anunciou que lançaria ainda em 2006 um pacote econômico. Há muito tempo neste país não se ouvia falar de pacote. O que seria, afinal? Uma guinada na política econômica? Um plano B para a receita atual de estabilidade?
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O país deixou o homem trabalhar, agora precisava de uma resposta do homem para poder trabalhar também. Mas vai ter que esperar.
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No tal café da manhã, Lula avisou que o pacote ficou para o ano que vem. O que teria acontecido para frustrar os planos do comandante da nação?
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“O motivo que me convenceu a adiar o anúncio é que a cabeça do povo não está em pacote. A cabeça do povo está em Natal, em pacote de Papai Noel”, explicou Lula, conforme relato de Ricardo Noblat.
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Ou seja: o presidente foi surpreendido pelo Natal.
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É compreensível. Essa data sorrateira costuma pegar muita gente de calças curtas. Zuenir Ventura sempre cita uma das manchetes jornalísticas mais marcantes em seu meio século de jornalismo: “Quando menos se espera, chega o Natal”.
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Tomara que 2007 não traga surpresas mais desconcertantes para Lula.

A esquerda no divã

Frei Betto (*) (Artigo transcrito do Correio Braziliense)
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Sempre pensei que, entre tantos amigos e amigas, seria um dos poucos a morrer sem ter feito análise. Hélio Pellegrino, de quem fui muito amigo, sugeria que talvez o fato de viver em comunidade, em permanente relação dialógica, onde no passado não faltou nem a confissão auricular, explicasse a minha insistência de coabitar pacificamente com meus anjos e demônios.
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Acresce-se a isso o hábito de escrever e, ao fazê-lo, me revirar pelo avesso. A literatura é um dos mais terapêuticos ofícios, tanto que Freud se viu tentado a preferi-la às ciências da psique. Com ele, entretanto, ganharam as duas, a ciência e a literatura, já que possuía estilo cativante.
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Na entrega do prêmio Brasileiro do Ano, dia 11 de dezembro, o presidente Lula declarou: “Fiquei vinte e tantos anos criticando o Delfim Netto e hoje sou amigo dele. É a evolução da espécie humana. Quem é mais de direita vai ficando mais de centro. Quem é mais de esquerda vai ficando mais social-democrata, menos à esquerda. E as coisas vão confluindo de acordo com a quantidade de cabelos brancos que você vai tendo. Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista é porque ela está com problema. Mas se conhecer uma pessoa muito nova de direita também está com problema. Quando a gente tem 60 anos é a idade do ponto de equilíbrio. A gente se transforma no caminho do meio, aquele que precisa ser seguido pela sociedade”.
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O presidente talvez esteja lendo textos budistas e, tomara, abraçando as virtudes do caminho do meio recomendado por Sidarta. Ou quem sabe prefira santo Tomás de Aquino, que acentuava que “a virtude reside no meio”. Nada de extremos, como frisou o presidente.
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A opção social-democrata do presidente havia se evidenciado no primeiro mandato, quando abraçou uma política econômica neoliberal, reservando cerca de R$ 10 bilhões/ano ao Bolsa Família e R$ 100 bilhões/ano ao Bolsa Fartura dos credores da dívida pública – o que vem entravando o sonhado e prometido desenvolvimento sustentável.
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Atribuir razões psicológicas a quem, acima de 60 anos, é de esquerda, significa remeter ao analista eminentes figuras históricas: Fidel, Ho Chi Minh, Niemeyer, Antonio Candido, dom Pedro Casaldáliga, dom Tomás Balduíno, Florestan Fernandes, Apolônio de Carvalho, Mário Pedrosa, Elza Monerat, João Amazonas, Gregório Bezerra etc. É o que Bush e tantos direitistas pensam: só pode ser louco quem ainda sonha com o fim da desigualdade social ou um “outro mundo possível”.
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Mais preocupante do que associar esquerda e “problema” é considerar um sinal de “evolução da espécie humana” sua recente amizade com Delfim Netto, que assinou o AI-5 e ocupou vários ministérios sob a ditadura militar: Fazenda (1967-1974), Agricultura (1979) e Planejamento (1979-1985). No governo Médici, sonegou os índices de inflação, prejudicando os trabalhadores, o que levou Lula a liderar amplo movimento operário pelos direitos de sua classe.
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Delfim jamais fez autocrítica da conivência com o regime ditatorial que prendeu, torturou, assassinou, baniu, exilou e fez desaparecer centenas de pessoas. Ao contrário, justificou-o em seus escritos. E equivoca-se o presidente ao tentar atenuar a gravidade da ditadura brasileira comparando-a com a do Chile. A dor é irrivalizável.
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Se ser de direita ou de esquerda é questão patológica me parece secundário. Como diz o poeta, de perto ninguém é normal. A questão é mais profunda: como se posicionar diante desse mundo em que 2/3 da população vivem abaixo da linha da pobreza? Segundo a ONU, 4 bilhões de seres humanos sobrevivem com renda mensal per capita inferior a US$ 60. Ou US$ 2 por dia. Aqui sim, só um louco ou um cínico pode afirmar que esse é o melhor dos mundos.
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A questão me parece muito simples: é possível a espécie humana – e não apenas 30% da população mundial – evoluir em tais condições de miséria e pobreza? O que rege a política internacional, os direitos dos povos ou a ganância dos ricos? O lucro das grandes corporações ou o desenvolvimento sustentável de toda a humanidade?
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Num mundo de tamanha desigualdade, não se pode pretender neutralidade. Frente ao impasse da greve metalúrgica de 1980, dom Cláudio Hummes, bispo do ABC, foi convidado pela Fiesp a intermediar as negociações entre empresários e trabalhadores. Respondeu que não poderia fazê-lo, pois não era neutro, estava do lado dos trabalhadores.
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Se o PSDB, repleto de eminentes figuras perseguidas pela ditadura, foi parar nos braços da direita representada pelo PFL, e agora o PT bandeia para a social-democracia, os pobres que se cuidem. Walter Benjamin propôs às vítimas do nazismo “organizar o pessimismo”. Com todo respeito, prefiro deixar o pessimismo para dias melhores. Frente à ditadura do mercado, é hora de organizar a esperança.
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(*) Frei Betto é escritor e autor de Gosto de uva (Garamond), entre outros livros.

Os fatos falarão, mesmo que fiquemos calados

por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, no Blog do Noblat
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"Res loquentur nobis tacentibus" (Sêneca, De Beneficiis 2.11.6). (Os fatos falarão, mesmo que fiquemos calados)
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Desde o dia em que o deputado Inocêncio de Oliveira deitou latim para comemorar o agrado que a Mesa da Câmara fazia aos seus, bradando “Habemus aumento!”, não me sai da cabeça o presente que recebi do Antonio Romane, amigo virtual que devo ao Blog do Noblat. O Romane, que sabe tudo sobre palavras, me forneceu o endereço de uma verdadeira Caverna do Ali Babá em matéria de provérbios e citações em várias línguas. Inclusive latim.
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Daí tirei o título que uso hoje, para comemorar com vocês a volta do parafuso: a prova inconteste que, ao contrário do que certas autoridades andaram comemorando, a opinião pública é forte e não desapareceu sob os escombros políticos dos últimos anos. As notícias correm, se espalham, permeiam a sociedade, naquilo que os americanos chamam de ‘grapevine’, gíria para comunicação boca a boca, rumores que se propagam com o vento. O maior formador de opinião é o próprio povo e disso se esqueceram nossas autoridades. .Quem gosta de História há de se lembrar de uma época gloriosa da História de Portugal: o período da Ínclita Geração, como ficou conhecida a geração dos filhos do rei dom João I e da rainha Felipa de Lencastre, fundadores da Dinastia de Avis. Seis filhos, todos Príncipes Perfeitos, entre os quais o extraordinário Henrique, o Navegador. Pois bem, por um desses acasos do destino, quiseram os céus que em Brasília houvesse, neste momento, um Príncipe da Igreja por nome Dom João Braz de Avis que, na Missa de Natal rezada dentro do Congresso Nacional, disse em seu sermão:
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“Como aceitar que um parlamentar brasileiro receba mais de R$ 800 por dia, quando boa parte das pessoas que representa é obrigada a viver com R$ 12 por dia? Como aceitar que o poder Judiciário legisle em alguns casos a seu favor sem demonstrar sensibilidade para o povo para o qual as leis são feitas e interpretadas? Atitudes como as que temos visto nestes dias matam o espírito de Natal”.
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Os brasileiros, mais uma vez, agradecem à Casa de Avis.
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Não creio que haja muito mais a dizer a respeito dessa imoral tentativa de aumento escorchante que o Congresso quis se conceder. Fica aquela sensação amarga: só o PSOL foi imediatamente contra, essa é que é a verdade! Contudo, ainda bem que outros acordaram a tempo e se rebelaram contra esse ato indigno. Agora, é esperar que eles, ao adiarem a decisão, obrigados pelo clamor da opinião pública, não estejam contando com nossa pouca memória. Não vamos nos esquecer.
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Ainda um lembrete: comparar os subsídios – elegante eufemismo para salários – dos juízes do STF com os do Congresso, só pode ser mais uma tentativa de fazer do cargo de deputado e senador, uma carreira. Não é. São ocupações transitórias, que dependem do voto do eleitor e independem, infelizmente, de qualquer graduação ou conhecimentos. Já os juízes trazem consigo anos de estudo, investem muito em suas carreiras e, além de serem em número reduzido, não podem servir 8 anos e se aposentar com pensões baseadas em encantadores subsídios que receberam por tão pouco tempo.
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A opinião pública, que nada mais é do que a opinião que a sociedade forma a respeito dos mais variados assuntos, está começando a sair da letargia em que ficou. Um de nossos maiores formadores de opinião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gigante dos palanques e dos microfones, se esqueceu de um dado vital: qualquer descuido pode ser fatal, quando se está lidando com multidões. O Congresso Nacional, ao absolver seus mensaleiros e sanguessugas, também desprezou a tal da opinião pública. Pior, deu-a por morta! .Pois sim! Ledo engano. Nossa sociedade vem agüentando poucas e boas em nome da opinião formada justamente ao ouvir o operário, o sindicalista, o candidato e presidente Lula. Descobrir que se enganou, é doloroso. Continua preferindo achar que outros erraram, menos ela. Mas, tomem cuidado, ela começa a acordar.
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Volto à atitude feia do deputado Inocêncio, aliás nome papal. Quem mandou ele misturar a eleição de um papa com aquele ato obsceno da Mesa da Câmara? Pois saiba o deputado que Nuntio vobis gaudium maximum: habemus vox populi! E ele que corra atrás da tradução.

Como educar os jovens?

Raquel Stivelman, escritora, Jornal do Brasil
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Educação é, sobretudo, transmissão de conhecimentos, de valores, de atitudes éticas, de atualização de novos conhecimentos neste nosso mundo tão mutante e acelerado de hoje. A família e a escola têm papéis predominantes nesta tarefa que hoje pode ser considerada quase hercúlea e desafiadora. A família luta para não se desagregar e conseqüentemente poder minimizar os efeitos maléficos sobre a geração em crescimento. Mas os filhos, ainda que muito pequenos, percebem, ou melhor dizendo, sentem intuitivamente que a harmonia e o entendimento entre as pessoas que lhes são muito significativas já desapareceram ou estão em vias de se esfacelar.
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As conseqüências que podem advir são plenamente previsíveis. A escola, com raras exceções no ensino privado e tradicionalista, já se deixou contaminar pelo imediatismo reinante e a superficialidade e pragmatismo do que se transmite aos alunos. E que valores podem estar norteando, ensinando rumos aos jovens em geral que, independentemente das características do momento atual, atravessam normalmente crises e problemas maiores ou menores no seu processo de desenvolvimento e inserção na vida adulta?
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O jovem de hoje - e eu me refiro aos jovens privilegiados de uma classe média alta, com direito e usufruto de muitas benesses - "não está nem aí", repetindo uma expressão comum no seu vocabulário. Eles têm ânsia e pressa de viver, e engolem a vida com voracidade e destempero. Conflitos entre gerações não são novidade alguma. Mas o que se percebe atualmente é uma escancarada e desrespeitosa atitude de afronta e de acinte face às gerações mais velhas.
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É óbvio que este enfoque é generalizado e felizmente existem honrosas e dignas exceções. Há um certo quê de alienação nestes jovens, que talvez denote um descrédito, uma desesperança, um sentimento de frustração em relação aos mais velhos que estão "pintando e bordando" nas altas esferas governamentais, dando péssimos exemplos para os mais jovens.
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Os jovens privilegiados praticam o mandamento do carpe diem, isto é, agarram e usufruem os seus dias, pouco ou quase nada se importando com o que de importante, grave e sério esteja acontecendo ao seu redor. Nem sempre foi assim. Bem recentemente, houve demonstrações de engajamento político de muitos jovens que participaram ativamente de campanhas esperançosas. Tenho a impressão de que eles não sejam totalmente alienados; talvez estejam cansados e desiludidos com o estado de coisas de nosso país. E não é para estar? A lama e o lodaçal em que chafurdam muitos dos nossos políticos só fazem crescer. Educar é transmitir, mas, sobretudo é fornecer exemplos. Que exemplos estão sendo transmitidos pelas ditas altas esferas? Parece que o lodaçal que já formou há muito tempo está se tornando gigantesco, imenso. Não dá tempo para se assimilar com um certo "conforto" tanta sujeira, tanta corrupção jamais vistas.
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Os vícios, os descalabros, a incompetência, o abuso de poder campeiam nas altas esferas e parecem poder contagiar a sociedade em geral que está moralmente contaminada. É o exemplo que vem das camadas superiores que possui muita força de influência e persuasão. Aos poucos, ao mesmo tempo em que a maioria do povo, quando questionada em pesquisa, repudia e repele a corrupção, no seu dia a dia, ela tolera e pratica pequenas "desonestidades". Aí está o perigo, pois de uma pequena infração, parte-se com maior facilidade para as maiores e mais perigosas.
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Persiste o desafio implícito na pergunta que serve de título para este artigo. Como educar as gerações futuras nesta nossa realidade tão turbulenta e enlameada? Tomar plena consciência deste sombrio estado de coisas, discuti-lo com abertura de espírito e principalmente dar e executar diariamente nas atividades e nos contactos mais simples exemplos de correção, justiça e ética, já seria um bom - ou talvez auspicioso, embora modesto - começo.

TOQUEDEPRIMA...

Interesse do Ministro
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Industriais fofoqueiros comentam que o empresário Jorge Gerdau quer ir correndo para o governo Lula porque está interessado em vender ferros para edificações, dentro do programa de investimentos em infra-estrutura e de construção civil.
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Segundo os matracas, a intenção do futuro ministro da Indústria e Comércio é saber, antecipadamente, dos planos do governo, para planejar os investimentos do grupo que ele fingirá largar.
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As más línguas futricam que Gerdau apenas seguirá o belo exemplo do atual ministro Luiz Fernando Furlan, que viabilizou “negócios da China” para a empresa da família dele ficar ainda mais sadia economicamente, no mercado asiático de alimentos.
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Gasto com pessoal no Congresso sobe 52%
Folha de S. Paulo
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Deputados e senadores reclamam do congelamento de seus salários, mas os gastos do Congresso com pessoal e encargos sociais subiram muito acima da inflação nos últimos quatro anos. Desde 2002, o Legislativo elevou em 52,4% suas despesas para pagar funcionários -de R$ 2,92 bilhões para R$ 4,45 bilhões, considerados os dados até o início deste mês.
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Nesse período, de janeiro de 2003 a novembro passado, a inflação medida pelo IPCA foi de 27,59%. Pelo INPC, percentual usado na maioria dos acordos salariais, a inflação registrada ficou em 25,75%.
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Quando se comparam os gastos com salários, aposentadorias e pensões do Congresso com os das 5.562 cidades do país, só o município de São Paulo tem despesas mais altas.
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Em 2005, último dado à disposição do público no Tesouro Nacional, a administração paulistana consumiu R$ 5,17 bilhões com pessoal e encargos sociais. Neste ano, o Congresso gastou R$ 4,41 bilhões para pagar seus funcionários. A cidade de São Paulo tem cerca de 11 milhões de habitantes.
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O Rio de Janeiro, o segundo município com mais gastos com funcionários públicos no país, teve uma despesa de R$ 4,33 bilhões em 2005. Belo Horizonte, terceira colocada, consumiu R$ 1,29 bilhão.
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O Legislativo não foi o que mais aumentou gastos com pessoal e encargos sociais nos últimos quatros anos. O Judiciário ficou bem próximo, com avanço de 52,1% de suas despesas nessa área, de 2002 para 2006 -R$ 9,22 bilhões para R$ 14,02 bilhões. Mas coube ao Ministério Público o maior salto, com alta 63% -saindo de R$ 0,96 bilhão para R$ 1,56 bilhão.
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á o Executivo (só administração direta) registrou a variação mais modesta, embora suas cifras nominais sejam maiores do que a de outros Poderes. Em valores sem atualização monetária, o governo federal saiu de R$ 61,94 bilhões em 2002 para R$ 82,79 bilhões neste ano com despesas de pessoal e encargos sociais -avanço de 33,3%.
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Número de funcionários
Apesar de estar concentrado em Brasília e de ter a menor estrutura dos Três Poderes, o Congresso é o que mais aumenta o seu número de funcionários. De 2002 até o final de 2005 (últimos dados disponíveis), o número de trabalhadores de Câmara, Senado e TCU (Tribunal de Contas da União) pulou de 30.847 para 36.348 -alta equivalente a 17,8%.
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No Judiciário, o número de funcionários saiu de 102.809 para 109.712 (6,7%). No governo federal (administração direta), o aumento foi de 1.722.310 para 1.813.300 (5,3%). Não fica claro nos números oficiais quantos são os funcionários de cada Casa do Congresso e do TCU. A Câmara divulga alguns dados: em 2005, tinha 15,7 mil funcionários na ativa.
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Quilombolas derrubam torre de energia da Vale no Pará
Carlos Mendes, Estadão
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Famílias quilombolas da comunidade de Tracuateua, região de Jambu-Açu, em Moju, no leste do Pará, derrubaram na quarta-feira à noite uma torre de transmissão de energia erguida pela Companhia Vale do Rio Doce. A torre foi construída para garantir o funcionamento do mineroduto de 350 quilômetros construído para transportar bauxita entre os municípios de Paragominas e Barcarena.
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As 32 famílias acusam a Vale de não cumprir um acordo, cujo prazo teria expirado dia 30, para construção da sede da casa familiar rural da comunidade, posto de saúde, duas pontes, 33 quilômetros de estrada e investimentos na produção para geração de renda. O clima é tenso no local. Os quilombolas interditaram a área onde a torre caiu.
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O padre Sérgio Tonetto, ligado à Comissão Pastoral da Terra (CPT), sindicalistas e líderes quilombolas pediram uma reunião de emergência com a direção da Vale para resolver o problema. Para Maria Luiza Fernandes, da CPT, a comunidade de Jambu-Açu estaria sofrendo ´danosas conseqüências socioambientais´ resultantes da construção do mineroduto e das linhas de transmissão de energia.
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Caminhões que transportam equipamentos da Vale derrubaram duas pontes em outubro e elas ainda não foram reparadas. Com isso, os quilombolas são obrigados a caminhar longas distâncias para buscar alimentos. Não há energia elétrica na área e a maioria dos adultos sobrevive com suas famílias colhendo dendê nas plantações da empresa Marbonge.
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Maria Luiza criticou a Vale, dizendo que ela se nega a compensar os prejuízos ambientais impostos a 32 comunidades da região de Moju, enquanto consolida ´de qualquer jeito e a todo custo seus investimentos na extração de minério, colocando-se entre as maiores empresas do mundo´. ´Não há o mínimo de respeito ao modo de vida e à cultura das comunidades tradicionais, obrigadas a conceder seu território sem desfrutar dos benefícios desse tal desenvolvimento, que mais expropria do que partilha riqueza e renda.´
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A assessoria de imprensa da Vale não quis comentar o protesto dos quilombolas. Na quinta à tarde, informou apenas que a empresa ainda estava em busca de detalhes para tomar uma posição.
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Amizade collorida?
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Semana passada, o Agente 171 do Alerta Total registrou que Lula se reuniu com Fernando Collor durante uma hora e meia, extra-oficialmente.
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Lula quer consolidar sua base de apoio do Nordeste, onde Collor comanda as poderosas Organizações Arnon de Mello de comunicação.
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Lula já sabe que não poderá contar com ACM, donatário da também poderosa Rede Bahia, que tem força na Bahia e no interior nordestino.
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Operações da PF terão participação de promotores do MPF
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Depois de muitas críticas de parlamentares e de entidades civis, capitaneadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o governo decidiu incluir a participação do Ministério Público (MP) nas operações da Polícia Federal (PF). Portaria conjunta assinada ontem pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, prevê a presença obrigatória de procuradores nessas operações daqui por diante.
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A medida, conforme o texto, mandado a publicação na edição de hoje do "Diário Oficial" da União (DOU), destina-se "a dar grau máximo de eficácia nas ações de prevenção e combate ao crime", evitando que inquéritos tenham de ser refeitos pelo MP. A PF terá agora de definir com o MP estratégias comuns de planejamento e execução de cada operação. Os dois órgãos federais criarão canais permanentes de comunicação, cooperação e compartilhamento de dados.
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A medida foi comemorada pela OAB, que há mais de dois anos denuncia "prisões arbitrárias, invasões ilegais de escritórios de advocacia, violações de direitos civis e exibicionismo nas ações da PF". Desde 2003, a PF realizou mais de 320 operações de grande porte, nas quais foram presos 4.580 acusados, dezenas deles advogados, até mesmo donos de escritórios conceituados, supostamente envolvidos com as quadrilhas desmanteladas.
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Em manifesto à Nação, o presidente da OAB, Roberto Busato, disse identificar na "truculência reiterada" da PF uma tentativa da administração federal de desviar o foco da crise política gerada pela onda de escândalos. "O que a advocacia exige é o cumprimento da lei e o respeito às suas prerrogativas, que são prerrogativas do cidadão", diz Busato no documento.
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Ele relacionou grandes operações, como a da Daslu e a da Schincariol, muito cercadas de "pirotecnia" e, de acordo com ele, realizadas por policiais "travestidos de Rambo", com as denúncias de escândalos envolvendo integrantes do Poder Executivo, a exemplo do "mensalão" e do dossiê Vedoin. "Parece que a PF faz uma política de Estado para desviar o foco da imoralidade pública para o da imoralidade privada, pois as operações vêm sempre dentro de um calendário difícil para o governo", afirmou.
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Ministério conclui Plano Estratégico para o Centro-Oeste
Roberto Lira, Estadão
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SÃO PAULO - A Secretaria de Desenvolvimento do Centro-Oeste do Ministério da Integração Nacional concluiu o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Centro-Oeste (PED-CO), para o período 2007-2020. O objetivo do Plano é orientar e organizar as iniciativas e ações dos governos federal, estaduais, municipais e da sociedade para a implementação de políticas, programas e projetos de desenvolvimento sustentável da região.
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Segundo o Plano Estratégico, disponível no site do ministério (www.mi.gov.br), será necessário um investimento total público e privado de R$ 147,34 bilhões nos primeiros quatro anos (2007-2010), ou R$ 35,83 bilhões por ano. Apenas para os chamados "vetores estratégicos", os 25 projetos considerados de altíssima prioridade, serão necessários R$ 52 bilhões no mesmo período, equivalentes a R$ 13 bilhões anuais.
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Para a elaboração do plano, o Ministério realizou seis oficinas de trabalho em Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e no Distrito Federal, com a participação de representantes de diversos segmentos da sociedade.
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O PED-CO prevê a construção de rodovias, ferrovias, recuperação do meio ambiente e projetos de educação, entre outros. A origem do recurso será da iniciativa privada e das administrações federal, estaduais e municipais.
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Entre os principais projetos viários estão a pavimentação, asfaltamento e melhoria da BR-364 (124 km em Mato Grosso), BR-163 (1.174 km entre Nova Santa Helena e Santarém), BR-158 (390 km entre Ribeirão Cascalheira e Vila Rica), BR-359 (entre Coxim e Mineiros), BR-050 (52 km entre as divisas de GO, MG e SP), rodovia ligando Mato Grosso e Santa Cruz de la Sierra), MS-040 (240 km com ponte sobre o Rio Paraná), MS-306 (72 km em MS), MT-100 (em Mato Grosso).
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Também estão previstas a duplicação da BR-163 de Cuiabá a ão Paulo e BR-040 e BR-050 (72 km entre Luziânia e Cristalina. Outra obra considerada prioritária é a implantação das rodovias Transoceânica, Anel regional-internacional (Goiânia - Campo Grande - Cuiabá - Santa Cruz - Salta e Assunção) e projetos do IIRSA que viabilizará a integração continental e a saída para o Pacífico.
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Na área de ferrovias, o Plano Estratégico prevê a construção do trecho de 400 km da Ferronorte entre Alto Araguaia (MT) e Cuiabá (MT), a construção do ramal ferroviário entre Cuiabá e Porto Velho e a implantação do trem turístico do Pantanal, com melhoria do trecho de 467 km entre Corumbá e Campo Grande.
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Outros projetos
Entre os outros projetos prioritários estão desenvolvimento da infra-estrutura de turismo, conservação e recuperação de lagos, rios e matas ciliares, industrialização das cadeias produtivas de grãos, encadeamento da produção florestal-madeireira, industrialização da cadeia produtiva da pecuária de corte, infra-estrutura para pesquisa de desenvolvimento na região, diversificação da matriz energética, ampliação da rede transmissão de energia, promoção da agricultura familiar, ampliação do saneamento básico e estímulo ao uso econômico sustentável da biodiversidade.
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O PED-CO tem como metas globais ampliar a rede de abastecimento de água dos atuais 87,3% dos domicílios para 90,8% em 2010, 94,5% em 2015 e 99,36% em 2020. A taxa de esgotamento sanitário na região deve crescer dos atuais 39,4% para 47,9%, 61,2% e 89,9% nos mesmo prazos.
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A meta para a mortalidade infantil é de redução dos 20,7 óbitos a cada mil nascidos vivos de hoje para 5,57/mil em 2020. O objetivo para o índice de pobreza é uma redução das 25,4% da população que hoje estão abaixo da linha para 8,54% no mesmo prazo. Pelas metas globais do Plano, o nível médio de escolaridade deve subir de 7,1 anos médios de estudo para 12,79 anos. A taxa de analfabetismo funcional deve recuar de 22% da população acima de 15 anos para 14,20%.
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Entre as metas econômicas está a elevação do PIB da região dos atuais R$ 136,45 bilhões para US$ 417,47 bilhões em 2020. No período, o objetivo é que o Centro-Oeste passe a representar 9,80% ante os 7,55% verificados hoje. A malha rodoviária em bom estado de conservação dará um salto dos 28,38% verificados hoje para 58,76% ao final do Plano Estratégico. Com o fomento à industrialização pretendido no PED, a participação de bens primários na pauta de exportação dos Estados da região cairá dos 70% de hoje para 58,76% em 2020.

TOQUEDEPRIMA...

INSS vai fazer "recadastramento" de aposentados por invalidez
Da FolhaNews
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No ano que vem, o INSS fará um censo para verificar quantos aposentados por invalidez têm condições de voltar ao trabalho - aqueles aptos a trabalhar terão o benefício cancelado. Segundo o diretor do setor de Benefícios do INSS, Benedito Brunca, 116 mil segurados serão chamados por mês para fazer perícia.
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Ele diz que esse número não deve atrapalhar o trabalho dos peritos. "Serão mais 116 mil exames por mês. Hoje, são feitos 700 mil. É uma questão adaptação", afirmou. O diretor lembrou que, em 2005, o número de perícias chegou ao pico de 931 mil por mês.
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Os segurados com benefício por invalidez, por lei, deveriam fazer um exame de verificação a cada dois anos, mas isso não é cumprido pela Previdência. Agora, o INSS usará a regra para fazer uma varredura nos casos de segurados que poderiam trabalhar, mas ainda recebem um benefício.
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Os médicos peritos, porém, reclamam e dizem que não há como fazer mais perícias. "Os peritos estão com a agenda lotada por conta dos exames marcados pelo telefone 135 e a maioria dos consultórios não tem a estrutura necessária para a avaliação da capacidade de trabalho", disse Eduardo Henrique Almeida, presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos.
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Brunca reconheceu que algumas agências não estão devidamente equipadas. "São 1.200 postos no país. Nem todos estão prontos para fazer os exames. Por isso, estamos aos poucos adequando os consultórios. O censo também não será feito de uma única vez", afirmou.
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O hábito faz o deportado
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O brasileiro Osmair Andrade, 38, nunca pensou que estacionar em vaga de deficiente físico custasse tão caro em New Hampshire (EUA). Imigrante ilegal, foi multado e será mandado de volta.
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Privatização das estradas
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O governo espera dobrar resistências do Tribunal de Contas da União para deslanchar, o mais depressa possível, o projeto de concessões de estradas à iniciativa privada.
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Nas últimas semanas, aconteceram reuniões intensas com as cúpulas das grandes empreiteiras que formarão consórcios para administrar os lucrativos pedágios que serão criados, em troca de estradas mais seguras.
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As grandes construtoras já fizeram um acordo entre elas, em parceria com empreiteiras estrangeiras, para que todas ocupem seus espaços econômicos, assim que forem lançados os editais de licitação.
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As “capitanias hereditárias” serão reeditadas, sob o comando das poderosas Carioca, OAS, Mendes Júnior e companhia limitada.
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Amante traída
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Ter amante não é motivo para anulação de casamento
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O fato de o marido já ter um relacionamento extra antes de casar e continuar com a amante não é motivo para anular o casamento. O entendimento é da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Para os desembargadores, o comportamento do marido não gera a anulação do casamento e sim a separação judicial por violação dos deveres do matrimônio, conforme o artigo 5º, da Lei do Divórcio. A informação é do site Espaço Vital.
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No caso concreto, a ex-mulher ajuizou recurso no TJ gaúcho contra entendimento de primeira instância que acolheu parcialmente a ação de anulação de casamento, cumulada com alimentos e indenização. Para tanto, alegou que os juízes deixaram de reconhecer a existência de danos materiais e morais.
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Alegou, também, “que logo após a celebração do casamento, o homem modificou incompreensivelmente e abruptamente seu comportamento, demonstrando uma personalidade distinta da que deixara transparecer antes da união, culminando tal mudança com uma série de atitudes que lhe fez sentir traída, humilhada e temerosa pela própria vida”. Os argumentos não foram aceitos.
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Os desembargadores destacaram que “é comportamento comum do homem, antes de casar relacionar-se com outra mulher ou com outras mulheres, especialmente nos tempos atuais em que há uma liberação de costumes”. Assim, mantiveram apenas a separação de corpos, já determinado na instância anterior.
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Afirmaram, no entanto, que “continuar o relacionamento extra, após o casamento se constitui em violação do dever de fidelidade, podendo a mulher intentar ação para separação do casal”. Desta forma, o casamento não foi considerado anulável, mas o vínculo conjugal poderá ser dissolvido em ação própria.
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Revista Consultor Jurídico
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Jato de ministros decolou sem autorização
Redação Terra
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O jato da Força Aérea Brasileira que transportava os ministros Tarso Genro (Relações Institucionais) e Fernando Haddad (Educação) decolou sem autorização na noite de quinta-feira do aeroporto de Bagé, rumo a Porto Alegre (RS). Antecipado em 17 minutos sem avisar as autoridades, o vôo colocou em risco outros aviões no espaço aéreo da região Sul, onde ocorria controle de fluxo.
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De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, não houve incidente grave, mas o Cindacta-2 registrou o ocorrido e uma infração interna será encaminhada à Aeronáutica. A assessoria do ministro Tarso Genro afirmou que os passageiros não tiveram conhecimento da situação e que a pista de decolagens em Bagé aparentava normalidade.
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O problema não foi a decolagem em si, mas a etapa seguinte, quando o vôo entrou em espaço aéreo controlado sem autorização -no caso, o Cindacta-2 que cuida de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e metade de São Paulo.
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Ao contrário da normalização do Cindacta-1, a escala apertada do Cindacta-2 dos últimos dois dias acarretou controle de fluxo nas decolagens por causa dos problemas em vários aeroportos, especialmente em São Paulo.
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Baseado em Curitiba, o controle aéreo foi surpreendido com a chegada do FAB 2524 nas telas de radar na noite de quinta. Imediatamente, questionou a torre do aeroporto de Bagé. A resposta foi que o piloto recebeu autorização para decolar às 19h35, mas decolou antes.
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O vôo dos ministros foi acomodado pelos controladores. A categoria freqüentemente se queixa da "desobediência" de vôos da FAB com autoridades. Em novembro houve um caso em que um Learjet passou raspando em um vôo comercial.
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Vôos da FAB têm preferência nos aeroportos quando são designados como Vocom (Vôo de Circulação de Operação Militar), ou seja, missões de defesa nacional. A Aeronáutica afirma que o transporte de autoridades não usa essa prerrogativa. Procurada, a Aeronáutica não se manifestou sobre este caso.

Retrato informal da perversidade

Editorial Jornal do Brasil
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Se o presidente Lula já admitiu não ter a mais pálida idéia de como encontrar a proverbial luz do túnel para repor o país na trilha do desenvolvimento, pode começar a cobrir a seminudez da sua escassez de idéias debruçando-se sobre a pesquisa Síntese dos Indicadores Sociais, do IBGE. Descobrirá uma das conseqüências mais perversas dos problemas estruturais que têm emperrado a produção e o crescimento econômico: a informalidade. Conforme o JB demonstrou na quinta-feira, o estudo informa que mais da metade da população empregada no país não contribui para a Previdência Social.
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Na média nacional, com dados de 2005, cerca de 52% são autônomos ou não têm carteira assinada. Nas regiões Norte e Nordeste, a informalidade é ainda mais alta. Na primeira, 66%. Entre os nordestinos, 70%. No Maranhão, o recordista deste ranking às avessas, oito em cada 10 trabalhadores não pagam o INSS. Por um lado, não contam com a rede de proteção social do Estado. Por outro, sem contribuição previdenciária, reforçam o principal déficit que atormenta as contas públicas do país, que atingirá, no fim do ano, a espantosa marca de R$ 42 bilhões.
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Identificar com precisão os sintomas de uma doença, como se sabe, constitui o primeiro passo para oferecer prognósticos corretos ao paciente. Que fique bem entendido: a informalidade não é mal recente; vem crescendo ano a ano, no mesmo compasso da estupenda elevação da carga tributária. Enquanto isso, o Brasil eternizou uma legislação trabalhista que impõe sobre o salário do trabalhador custos demasiadamente altos. Empregar, por aqui, corresponde a quase duas vezes a média observada nos demais países da América Latina e do Caribe. O resultado é perverso para empresários e trabalhadores. Estimula a informalidade, pressiona para baixo os salários médios e prejudica, em especial, os menos qualificados.
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Eis o recado para o presidente, que promete achar a solução para o reiteradamente prometido "espetáculo do crescimento". Se o peso desses custos fosse reduzido, o impacto sobre o mercado de trabalho seria enorme e rápido. Menos desemprego, maior proporção dos trabalhadores no mercado formal, aumento da renda média dos empregados e diminuição do déficit da Previdência. Com efeito, reduzidas as crateras das contas públicas, ampliam-se os espaços possíveis para maior investimento.
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O Brasil exauriu a capacidade de sustentar o Estado que tem pela via tributária. Chegou ao limite um país que assiste ao poder público sugar quase 40% da riqueza nacional para sustentar o próprio tamanho. Boa parte da indignação popular com a recente tentativa do Congresso de aumentar os próprios salários resulta dessa exaustão.
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Nada avançará no segundo mandato se não levar adiante as reformas previdenciária, trabalhista e tributária, temas difíceis e espinhosos mas imprescindíveis. A desoneração parcial da folha de pagamentos e a redução das exigências trabalhistas têm sido as principais reivindicações do empresariado para dar maior dinamismo ao mercado de trabalho e estimular investimentos privados. No passado, as tentativas de mudanças foram sempre combatidas com sectarismo.
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Lamente-se que, a despeito de tais evidências, o presidente emita sinais de que não deseja efetuar cortes de despesas, tampouco promover uma nova reforma da Previdência. No Planalto petista, há a ilusão de que, tendo a certeza sobre os fins pretendidos, acham-se os meios possíveis para alcançá-los. Não deu certo nos primeiros quatro anos. Dará nos próximos?

Jogo de cena no novo mínimo

Por José Paulo Kupfer, Economínimo, blog NoMínimo
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Estão dizendo que a “equipe econômica” foi derrotada na definição do valor do novo salário mínimo. O mais certo, no entanto, é que não houve derrota alguma, assim como não se pode dizer que exista, neste governo, depois de Antonio Palocci, uma “equipe econômica”, pelo menos no figurino daquelas que existiam nos governo militares e com FHC.
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Desde o início, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, desempenhando (mal) o papel de durão, sentou praça num reajuste de 4,8%, para R$ 367, e as centrais sindicais abraçaram a causa de impensáveis R$ 420, já era possível estabelecer a hipótese mais provável: Lula armou o circo para arbitrar o meio do caminho.
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Não deu outra. Os R$ 380 “negociados” entre os ministros do Trabalho e da Previdência e os sindicalistas significam só um pouco menos do que a média aritmética entre os dois pontos. Daí para frente teria sido só mais um pouco de teatro – bem mambembe, diga-se.
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Mantega “resistiu” apenas por meia dúzia de horas e Lula, o personagem principal da peça, mas ainda sem aparecer no palco, bateu o martelo, designando Luiz Marinho, ministro do Trabalho, para capitalizar o anúncio da “vitória”. Por tudo que se viu no episódio, difícil acreditar que o script já não estivesse pronto desde o começo. Tanto que, logo no dia seguinte, lá estava o próprio Lula em pessoa defendendo, publicamente, o novo mínimo. Tudo muito rápido e arrumadinho para não ser um teatro.
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OK, e daí? Daí que, se a hipótese acima for verdadeira, estamos diante de mais um bom indício de que este segundo mandato não será igual ao primeiro. Daí também que o pessoal derrotado nas eleições, mas ainda com esperanças de levar no papo, como levou no primeiro mandato, se já não colocou, deveria pôr as barbas de molho.
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Bom sinal
Ainda que não tenha produzido reflexos negativos nos índices e taxas (o risco-Brasil está em queda e atingiu, no fim da tarde, o nível de 194 pontos, o mais baixo da história), a informação dos analistas é a de que o mercado não gostou do aumento do salário mínimo e da correção na tabela do IR.

BC aperta fiscalização das contas bancárias de autoridades

Gustavo Freire, Estadão Online
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O Banco Central (BC) determinou que os bancos aumentem, a partir de julho de 2007, os controles sobre as movimentações de recursos de "pessoas politicamente expostas". São consideradas "pessoas politicamente expostas" aquelas que estejam ocupando cargos públicos ou que o fizeram nos últimos cinco anos, tanto no Brasil como no exterior.
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A definição, de acordo com explicações do BC, abrange desde o presidente da República até os presidentes de câmaras municipais das capitais de Estado. O objetivo da decisão é combater crimes de lavagem de dinheiro no sistema financeiro nacional.
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Baseada em recomendação da Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro (Encla), a decisão do BC fará com que os bancos passem a atualizar os dados cadastrais das "pessoas politicamente expostas" num período de tempo menor. "Em vez de ser uma atualização por ano, as atualizações passarão a ser semestrais", explicou uma fonte do BC.
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Com isto, os bancos terão mais segurança para detectar uma movimentação suspeita e comunicá-la ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). "Com os dados cadastrais, os bancos têm como saber qual o patrimônio de seu correntista e, desta forma, detectar qualquer movimentação incompatível com o patrimônio", explicou a fonte.
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Os processos de abertura e renovação de contas bancárias, a partir de julho do próximo ano, das "pessoas politicamente expostas" não poderão ser conduzidos por um simples gerente de agência bancária. "Tudo terá que passar pela alta gerência do banco onde a conta é mantida", comentou a fonte do BC. A idéia, neste caso, é atribuir aos bancos maior responsabilidade pela ocorrência de eventuais crimes de lavagem de dinheiro.
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"É bom lembrar que os bancos podem responder a processo administrativo se não adotarem os mecanismos de controle das contas das pessoas politicamente expostas", ressaltou a fonte do BC. Outra exigência é que os bancos mantenham uma listagem atualizada com os nomes das pessoas que ocupam cargos públicos. "Isto poderá ser obtido por meio da compra destas listagens de empresas especializadas", disse uma fonte.
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Outra determinação do BC é que os bancos procurem saber a origem dos recursos movimentados pelas "pessoas politicamente expostas". "Isto será exigido apenas para as movimentações consideradas suspeitas pelos bancos", disse uma fonte do BC. No caso de estrangeiros, os bancos, de acordo com o BC, poderão pedir a declaração expressa do cliente sobre sua classificação, ou recorrer às informações disponíveis em bases de dados eletrônicos.
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BC vigiará "pessoas politicamente expostas"
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O Banco Central (BC) determinou ontem que os bancos aumentem a partir de julho os controles sobre as movimentações de recursos de "pessoas politicamente expostas", ou seja, aquelas que ocupem cargos públicos ou que o fizeram nos últimos cinco anos, no Brasil ou no exterior. A medida visa a inibir escândalos como o da máfia dos sanguessugas e a combater crimes de lavagem de dinheiro.
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A definição, de acordo com o BC, abrange desde o presidente da República até os presidentes de câmaras municipais das capitais de Estado. Baseada em recomendação da Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro (Encla), a decisão do BC fará com que os bancos passem a atualizar os dados cadastrais das "pessoas politicamente expostas" num período de tempo menor.
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"Em vez de uma atualização por ano, as atualizações passarão a ser semestrais", explicou uma fonte do BC. Com isto, os bancos terão mais segurança para detectar qualquer movimentação suspeita e comunicá-la ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). "Com os dados cadastrais, os bancos têm como saber qual o patrimônio de seu correntista e, desta forma, detectar qualquer movimentação incompatível com o patrimônio", explicou a fonte.
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Os processos de abertura e renovação de contas bancárias, a partir de julho, das "pessoas politicamente expostas" não poderão ser conduzidos por gerentes de agências bancárias. "Tudo terá que passar pela alta gerência do banco onde a conta é mantida", comentou a fonte do BC. A idéia, neste caso, é atribuir aos bancos maior responsabilidade pela ocorrência de eventuais crimes de lavagem de dinheiro ilegal. "É bom lembrar que os bancos podem responder a processo administrativo se não adotarem os mecanismos de controle das contas das pessoas politicamente expostas", ressaltou a fonte.
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Outra exigência é que os bancos mantenham uma listagem atualizada com os nomes das pessoas que ocupam cargos públicos. "Isto poderá ser obtido por meio da compra destas listagens de empresas especializadas", disse uma fonte.
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Outra determinação do BC é que os bancos procurem saber a origem dos recursos movimentados pelas "pessoas politicamente expostas". Isto será exigido apenas para as movimentações consideradas suspeitas pelos bancos, segundo o BC.
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No caso de estrangeiros, os bancos poderão pedir a declaração expressa do cliente sobre sua classificação ou recorrerem às informações disponíveis em bases de dados eletrônicos. O aumento dos controles anunciado pelo BC veio após o surgimento de casos de corrupção envolvendo a movimentação de recursos em contas bancárias de políticos da base aliada do governo.

Poder e solidão

Por Felipe Recondo, blog do Noblat
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Em quatro anos, Lula nunca se viu tão solitário como agora. Companheiros de longa data deixaram o governo, boa parte envolvida em denúncias de corrupção ou irregularidades, como José Dirceu, Palocci e Gushiken.
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Desde que assumiu o cargo em 2003, nunca foi ao aniversário de um amigo, ao casamento de alguém ou a um simples almoço ou jantar com pessoas próximas. Por quê?
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- Porque acontece muita futrica - diz Lula.
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Ultimamente, nem mesmo tem promovido os churrascos ou reuniões informais com ministros:
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- Se chamar um, vão perguntar por que não chamei outro. Eu conheço o ser humano. Aí vai ficar com mágoa - reclama.
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Por tudo isso, Lula está se sentindo muito sozinho:
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- Às vezes ficamos eu e a Marisa sozinhos.
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Nesses momentos, Lula não se sente à vontade para ir a restaurantes, cinema ou teatro. Diz que qualquer saída sua mobiliza um batalhão de seguranças e os obriga a vasculharem o teatro ou o restaurante antes de sua chegada:
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- Eu não vou mexer na casa dos outros.
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Solitário, longe dos banquetes, churrascos e almoços de amigos, Lula está mais magro.
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- Assumi com 92 quilos. Cheguei a 98 quilos e hoje estou com 83 quilos. Tenho comido salada com peixe, salada com carne...lasanha de berinjela, fritada de legumes, abobrinha recheada.
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Com cardápio tão light - salvo nos fins de semana onde ele se permite comer pão na chapa com mortadela e torresmo -, só restam a Lula poucos prazeres - alugar dvds, ficar à beira da piscina do Alvorada e pescar nos laguinhos da Granja do Torto.
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Sem ninguém por perto, apenas dona Marisa, Lula se sente à vontade para contar histórias de pescador:
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- Eu tenho um pintado de mais de 12 quilos. Há quatro meses peguei um jaú de 50 quilos.
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E dá-lhe história:
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- Eu peguei uma tilápia que pensei que ia para o Guiness (Book). Mandei para a Embrapa. Eles queriam que eu embalsamasse. Eu disse: Não! Eu vou comer.
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E comeu.

TOQUEDEPRIMA...

Explicações e razões de Lula
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De Lula, em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, sobre o aumento do salário mínimo, a crise aérea e o teto do funcionalismo público:
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Política para salário mínimo
- Todo ano vai ter um pouquinho, todo ano vai ter um pouquinho, todo ano vai ter um pouquinho. Todo ano vai ter um pouquinho enquanto eu for presidente.
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Salário mínimo e crescimento
- Não está colocado esse sofrimento todo (ou aumenta o mínimo ou cresce a economia). Segundo: o salário mínimo é a melhor forma de distribuição de renda que o país faz (...) Eu comecei o café da manhã dizendo que não basta crescer para distribuir renda.
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Destravar o país
- Eu quero crescer mais (que 5%). Não vou me apegar a números (...) A inflação não vai voltar, a estabilidade econômica e a Lei de Responsabilidade Fiscal são compromissos para o segundo mandato. Se brincar em serviço, quebra a cara. Não esperem de mim nenhuma mágica porque não existe. Esperem de mim seriedade.
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Desburocratizar o governo
- Hoje estou mais maduro, mais consciente. Hoje eu sei aonde as coisas emperram. Há coisas travadas por lei, por práticas políticas, por vícios (...) Nós precisamos desburocratizar o sim e o não.
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Adiamento do pacote econômico
- O pacote tem consistência. O motivo que me convenceu a adiar o anúncio é que a cabeça do povo não está em pacote. A cabeça do povo está em Natal, em pacote de Papai Noel.
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Prioridades do segundo mandato
- Não sei se vamos repetir alguma coisa (do primeiro mandato no segundo). No futebol, não há dois jogos iguais. No primeiro mandato estabilizamos a economia (...) A primeira coisa que vamos fazer é trabalhar para que o Brasil tenha, no público e no privado, investimentos em infra-estrutura. Exemplo: dos principais portos até a dragagem vamos ter que fazer com urgência, as principais rodovias, aeroportos, queremos fazer aeroportos industriais, com política fiscal apropriada, temos 4.700 km de gasoduto para fazer (...) A segunda coisa será investimento em educação. Ninguém vai evitar que eu faça em cada cidade pólo uma extensão universitária ou uma escola técnica. Isso não é política de ministério (evita dizer se Fernando Haddad continua na Educação). Isso é política minha.
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Investimentos no Rio de Janeiro
- Está destravada a relação do governo federal com o Rio de Janeiro. Havia 34 projetos da Petrobras travados por conta da secretaria de meio ambiente. O Rio de Janeiro precisa de investimento e agora terá mais facilidade para trabalhar.
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Responsabilidade pelo apagão aéreo
- O atraso que está acontecendo não é mais dos controladores (...) O que eu quero é que o passageiro seja avisado (nos aeroportos do motivo dos atrasos) para o povo quando tiver que xingar, xingar quem de direito.
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Razões da crise aérea
- Eu acho que o número de passageiros cresceu muito. A saída da Varig também deixou uma lacuna muito grande (...) Eu sinto que as conexões nos aeroportos não são cumpridas no horário certo (...) Os controladores estão trabalhando certinho. Tem reivindicações que precisam ser atendidas.
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Falta de informações sobre a crise
- Eu acho que não estava tendo (as explicações verdadeiras para o assunto). Os controladores tiveram responsabilidade num dado momento. Depois, eles assumiram o seu trabalho. Depois houve falha dos instrumentos, que a Aeronáutica assumiu, quebrou a torre em Curitiba (...) A Anac tem a obrigação de ir para a televisão dizer o que aconteceu (...) É muito fácil dizer que deu pane no avião. Na verdade, às vezes nem tem avião. Eu quero que as pessoas tenham tranqüilidade.
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Soluções para a crise aérea
- Não tenho certeza (se desmilitarizar o controle aéreo é o caminho para resolver a crise). Eu tô com pressa. Vamos ter que resolver isso rapidamente. Sessenta dias (desde o início da crise) já é um prazo muito longo.
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Teto do funcionalismo público
- Nós temos um problema para criar o teto. É preciso mudar a Constituição. Isso só será possível se os partidos estiverem de acordo. Isso será tratado junto da reforma política. Eu acho (importante ter um teto).
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Salários do serviço público
- O presidente da República desde 1998 não tem reajuste (...) Eu ainda fiz no ano passado uma reunião dizendo que é preciso encontrar um jeito de ter uma política salarial homogênea para os três poderes. Vamos ter que encontrar um jeito.
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Reforma da Previdência
- As pessoas têm mania de dizer que as soluções para os problemas do Brasil são uma única coisa. A reforma não é para consertar um rombo de agora, é para a próxima geração (...) Mudanças na Previdência não serão traumáticas. Eu vou criar um fórum nacional para discutir a Previdência com o movimento sindical, aposentados, especialistas do Senado e da Câmara. Essas coisas não podem ser apaixonadas. Não tem prazo (para isso sair). A conclusão será encaminhada ao Congresso Nacional.
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Lula com a mão na massa
De Lula, em café de manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, sobre a disputa pela presidência da Câmara e sua relação com os deputados:
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Presidência da Câmara
- A disputa ainda não começou. Se eu puder, vou ajudar a base a ter um único candidato. Vou chamar o Aldo para conversar, vou chamar o Arlindo Chinaglia para conversar, vou conversar com os dois juntos (...) Eu só quero chamar as pessoas à realidade. Para que dois candidatos da base? Para que essa disputa?
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Articulação política
- Quero me reunir mais com os presidentes dos partidos e com os líderes da Câmara. Se a gente não conversa com o deputado, como vai pedir voto depois?
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Equipe econômica
- Eu vou fazer o quê com a equipe econômica? Chegamos ao sucesso de agora por causa da equipe econômica. O governo está funcionando.
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Reforma ministerial
- Eu nunca disse que ia mudar ministério (...) Não estou preocupado. Os ministros não precisam nem vir para a posse. Tá todo mundo ministro. Não sei (se vou ter ministério novo) (...) No dia 1º de janeiro, só vamos tomar posse eu e o José Alencar.
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Enxugar o número de ministérios
- Ninguém está molhado. Não vou (diminuir o número de ministérios).
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Ministros demissionários
- Mesmo alguns ministros que disseram que vão sair, só vão sair quando eu quiser que saiam.

TOQUEDEPRIMA...

Ilegal ajudará Imigração nos EUA
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O que a CPI da Imigração no Brasil não descobriu, a Imigração americana talvez encontre: a rede de tráfico humano entre Minas e Estados Unidos. Poderá dar visto especial a Valter Coelho, suspeito no seqüestro do bebê Bryan dos Santos, na Flórida, para que colabore dando nomes e pistas, diz o jornal local News-Press.
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Desiste disso...
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O governo empurrou com a barriga a principal medida destinada a aumentar a concorrência bancária e reduzir os juros aos consumidores.
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Prometida na campanha eleitoral, a nova conta salário – na qual o trabalhador poderá transferir, de forma automática e sem custo, seus rendimentos para o banco de sua preferência – apenas será implementada entre abril de 2007 e o distante ano de 2012.
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A previsão inicial era que entrasse em vigor em janeiro, mas os bancos não chegaram a um acordo sobre o regime de perde e ganha com os depósitos.
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Silas Rondeau
Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa
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O ministro das Minas e Energia, assim que recebeu a intimação do TCU, telefonou 3 vezes para Sarney. Estava no Amapá ou no Maranhão.
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Correria e quase desespero na Petrobras, Ministério de Minas e Energia, Eletrobrás e outras empresas de porte nas duas potências. Motivo: o ultimatum do TCU (Tribunal de Contas da União), que está preocupado com o excesso de irregularidades. Deu 15 dias para envio de contratos, de aditamentos, de muita coisa que foi p-r-o-f-u-n-d-a-m-e-n-t-e investigada. O ministro e o poderoso presidente da Petrobras não sabem o que fazer.
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Silas Rondeau e Sergio Gabrieli estão quase se transformando em técnicos de vôlei ou de basquete "e pedindo tempo". Mas o TCU vai fazer a contagem dos 15 dias, incluindo sábados e domingos.
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Lula quer consenso da base aliada para presidência da Câmara
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (22.12) que vai trabalhar para que a base governista apóie um único candidato na disputa para a escolha do novo presidente da Câmara dos Deputados. "Vou ajudar para construir que a base tenha um único candidato. Vou esperar passar o Natal e o Ano Novo para conversar", avisou.
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O PT já havia lançado o deputado Arlindo Chinaglia (SP), mas o próprio atual presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC do B-SP), também articula e já avisou a Lula que quer a reeleição. Até mesmo o PMDB, agora oficialmente parte da base aliada, também já mencionou que deve lançar candidato, apesar de não ter definido nome para a disputa.
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"Eu só quero chamar as pessoas à responsabilidade. Vamos conversar com os candidatos da base, eu gosto muito do Aldo e do Chinaglia", comentou Lula. "Todo candidato diz que tem apoio de todo mundo. Uma vez um deputado que concorria à vaga de ministro do Tribunal de Contas da União disse que tinha apoio de 295 deputados e eu perguntei para ele: você acha que todo mundo falou a verdade?", ironizou.
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Governo quer rever contrato que autoriza Banco Postal nos Correios
Da FolhaNews
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O governo federal pretende rever o contrato que permite o uso de agências dos Correios pelo Bradesco para o funcionamento do Banco Postal, cujo prazo termina somente em 2009. Segundo o ministro Hélio Costa (Comunicações), já foram iniciados estudos técnicos para analisar a possibilidade de o governo assumir o projeto e indenizar o banco privado pela antecipação do fim da parceria. "Estamos estudando uma proposta de fazermos uma indenização do tempo que resta do contrato, [...] levando em conta, inclusive, os resultados positivos do Banco Postal", afirmou Costa. "Feito esse pagamento, os Correios assumiriam esse trabalho", disse o ministro, após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.
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A parceria para a criação do Banco Postal foi firmada no segundo semestre de 2001, após licitação, e envolveu R$ 300 milhões. A partir daí, o Bradesco obteve o direito de utilizar, com exclusividade, agências dos Correios para funcionar como correspondentes bancários, que oferecem produtos e serviços financeiros (saques, depósitos).
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Um dos objetivos foi suprir a falta de agências bancárias em pequenas cidades do interior. Atualmente, segundo Costa, são cerca de cinco milhões de contas bancárias em mais de cinco mil agências dos Correios.
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O ministro disse que não haveria dificuldade para a estatal em assumir o serviço integralmente, em caso de rompimento de parceria. "Desde a época da criação do Banco Postal, há uma verdadeira diretoria de banco instalada nos Correios, com funcionários qualificados na área bancária e que poderão exercer, na realidade, atividade administrativa dentro da proposta que estamos fazendo", declarou o ministro.
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Correção de pontos
Para Costa, alguns pontos do contrato precisam ser 'corrigidos', por isso a necessidade de negociar com a diretoria do banco privado."Há uma série de coisas que precisam ser corrigidas dentro desse contrato. [...] O que não podemos deixar de levar em consideração é que o Banco Postal é um sucesso, mas por causa dos Correios, não necessariamente por causa do contrato", afirmou. Entre esses pontos, o ministro citou o que prevê a divisão pela metade dos custos de publicidade do Banco Postal entre Correios e Bradesco. Para ele, toda a despesa deveria ser assumida pela instituição que explora o serviço.
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Outro artigo contestado é o que estabelece responsabilidade da agência dos Correios caso algum cliente do Banco Postal seja assaltado no local.
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O Bradesco informou, por sua assessoria de imprensa, que desconhece a intenção manifestada pelo ministro Hélio Costa em relação ao fim da parceria no Banco Postal, motivo pelo qual prefere abster-se de comentários.
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Patrimônio suspeito
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Colunáveis podem amargar dias difíceis: a Justiça Federal determinou que o Iphan cadastre negociadores de antiguidades, obras de arte, manuscritos e livros raros, para conter a perda do patrimônio cultural, especialmente em Minas Gerais.
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Super Propaganda
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Os marketeiros do governo montam um sistema publicitário de fazer inveja ao velho Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo, que foi inspirado no esquema de propaganda nazista de Josef Goebels.
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A Radiobras planeja um programete diário para prestar contas das realizações objetivas do governo
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Baixar impostos sobre eletrodomésticos e eletroeletrônicos.
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Radiobrás iria criar uma propaganda de rádio e tevê para prestar contas, diariamente, do que o governo está fazendo.
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O enfoque será popular, e a publicidade seria bancada pelas empresas estatais.Incentivando a mídia amestrada
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O plano faz parte do projeto maior de “Democratização dos Meios de Comunicação”.O governo vai destinar ainda mais verbas de publicidade para novos veículos de informação que ficariam alinhados com a orientação política do Palácio do Planalto.As grandes redes de tevê receberão um reforço, ainda maior, dos anúncios da Petrobrás, Caixa, Banco do Brasil e Correios.

O banquete da inconseqüência

Por Carlos Chagas, na Tribuna da Imprensa
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Motivos, todos possuem para dar o dito pelo não dito, mas, convenhamos, assim está demais. Não mudou nada. O desempenho do governo é o mesmo dos últimos quatro anos. Hesitações, promessas não cumpridas, cabeças batendo a todo instante. Não era o que foi anunciado logo após a reeleição do presidente, aliás, pelo próprio.
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Esta semana, depois de sucessivas proclamações no sentido de destravar o Brasil, o Palácio do Planalto voltou atrás mais uma vez, divulgando ter ficado para o próximo ano o pacote econômico da retomada do crescimento. Há mais de um mês que a equipe econômica se reúne com o chefe do governo, sob o controle austero da chefe da Casa Civil. A última notícia era de que hoje, sexta-feira, o País tomaria conhecimento das renúncias fiscais, do auxílio às empresas, da diminuição de impostos e toda uma parafernália otimista.
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Continua tudo como estava
Ficou acertado até mesmo que, ontem, o recém-criado Conselho Político tomaria conhecimento do pacote, mesmo impedidos os presidentes de partidos de dar sugestões antecipadas. Pois bem. A reunião do Conselho Político ficou para depois das calendas e o pacote, aqui chamado de "Conceição", aquele que se subiu, ninguém sabe, ninguém viu, continua nas profundezas.
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O novo ministério era para ser conhecido em dezembro. Isso às segundas, quartas e sextas-feiras, porque às terças, quintas e sábados o presidente dizia não ter pressa. Agora o ministro demissionário da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, recebeu apelo para ficar até 31 de janeiro. Um ou outro colega estaria sendo sondado para continuar. Outros não recebem qualquer sinal.
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Continua tudo como estava: perplexidades, tiros dados a esmo, fogo amigo atingindo o governo e a sociedade na ignorância do que serão os próximos quatro anos. Serão iguaizinhos aos que se encerram, propícios a pressões fisiológicas dos partidos aliados ávidos de participar do banquete da inconseqüência...
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Data marcada
O que significaram os debates parlamentares deste meio de semana, depois que a opinião púbica insurgiu-se contra o abusivo aumento de 91% dos vencimentos de deputados e senadores? Apenas, cortinas-de-fumaça. Enrolações para que, a partir de fevereiro, já tendo a população esquecido a própria indignação, venha a ser placidamente aprovado o aumento de R$ 12 mil para 24 mil para cada parlamentar, mantendo-se, é claro, todas as demais benesses e privilégios com que se aquinhoaram há anos. Trata-se de um golpe explícito, com data marcada. Não há nada que resista às festas de Natal, de Ano Novo e às férias de janeiro para amolecer o coração dos povos.
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Não apenas o baixo clero, mas até as lideranças dos principais partidos chegarão para abrir a nova legislatura, em fevereiro, dispostos a equiparar seus subsídios aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Que de tabela também verão aprovado o projeto destinado a elevar os vencimentos dos Meritíssimos, obviamente logo depois seguidos pelos vencimentos parlamentares.
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Só falta mesmo cuidar do Poder Executivo, e ninguém duvide de que em agradecimento às vagas abertas no futuro ministério não faltarão dirigentes partidários decididos a estender também ao presidente, aos ministros e principais funcionários federais os vencimentos de R$ 24 mil. Até a próxima indignação popular, muita água barrenta passará sob a ponte.
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Apoio de Lula
Importa começar com a premissa de que em sua vida pública o deputado Aldo Rebelo conquista, entre os 512 colegas, a pole-position. Poucos parlamentares terão apresentado folha de trabalho tão profícua quanto a desse comunista que, além de acreditar, vive invocando Deus. O diabo, para ficar nos contrários, é que Aldo se viu envolvido em manobras que até agora não havia praticado.
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Pretendendo, com muita justiça, continuar na presidência da Câmara, deixou-se levar pelo canto da sereia do baixo clero. Aderiu ao inexplicável aumento de 91% para os companheiros e até se viu apoiado no pincel, quando Renan Calheiros levou-lhe a escada. Tudo indica que Aldo será reconduzido ao cargo que ocupa.
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Mas ninguém se iluda quando explosões de júbilo se registrarem no Planalto, a pretexto de ter sido o apoio de Lula o principal fator da reeleição. O responsável pela vitória será o presidente da Câmara. Desafortunadamente, respaldado pelos que pretendem ter aumentados abusivamente os salários.