Villas-Bôas Corrêa, Coisas da Política, Jornal do Brasil
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Antes de pensar em retaliar o Supremo Tribunal Federal (STF) pela irretocável decisão unânime que derrubou o imoralíssimo aumento de 90,7% dos subsídios parlamentares, aprovado pelas mesas diretoras do Senado e da Câmara, com o amém do colégio de líderes, o Congresso devia inspirar-se nos versos de Chico Buarque, erguer as mãos para o céu e agradecer.
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Pois é de uma evidência que chega a ofuscar os olhos que o Legislativo entrara num beco sem saída com a inqualificável manobra para dobrar os subsídios parlamentares, no salto acrobático de R$ 12.847 para os R$ 24.500 da equiparação com os vencimentos dos ministros da mais alta Corte. No fervor da gratidão, os escabreados e insaciáveis mágicos que transformaram o mandato popular num dos melhores empregos do mundo, devem incluir o povão, que reagiu em surto instantâneo de indignação.
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No descalabro moral em que se afunda o mais democrático dos poderes - recordista de escândalos na sucessão escabrosa de denúncias de corrupção, apuradas por CPIs, pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pela Corregedoria-Geral da República - a autoconcessão pretendida de R$ 24.500 colocou na rua o protesto da população ofendida. O bom senso do STF abriu uma trilha na capoeira. De lambuja, aliviou a guarda para o oportuno rateio das responsabilidades. A começar pela bagunça e falta de critério na fixação da remuneração dos que exercem atividades similares nos três poderes.
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Pela fresta, os presidentes da Câmara e do Senado, com o jeito desenxabido de criança pilhada desviando sorvete da geladeira, enfiaram a cabeça, os ombros, o busto e saltaram do outro lado para a alegre corrigenda da fórmula decente, inquestionável, que arquiva o sonho milionário dos subsídios de R$ 24.500 para R$ 16.500 do reajuste que corresponde à correção da taxa de inflação dos últimos quatro anos da duração do mandato. Reposição do subsídio não é aumento, mas a correta reposição do seu valor. O espetáculo de arrependimento dos parlamentares foi de cortar o coração. A virtual unanimidade saudou a proposta articulada pelo presidente, deputado Aldo Rebelo, com o alívio de quem escapou do risco da perda do mandato. Não se encontra um único defensor da equiparação ao teto dos privilegiados servidores da Justiça.
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O presidente-reeleito Lula segue à risca o conselho ladino e jamais sugeriu o aumento da ninharia do que ganha em comparação com os marajás do Judiciário e do Legislativo: pingam na sua conta a cada fim de mês R$ 8.885,48, noves fora os descontos, que comem um bom pedaço do bolo. Os vencimentos dos ministros baixam para o degrau de R$ 8.580. Não há nenhum argumento que justifique tal disparidade, além das esmolambadas desculpas de que a equiparação arrombaria o Orçamento.
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E vamos arrancar as máscaras da hipocrisia. Cabe ao STF, durante a presidência do dublê de jurista e político Nélson Jobim a criação dos reajustes duplos e triplos. A precavida presidente ministra Ellen Gracie, desde julho, encaminhou ao Congresso projeto de lei que aumenta os vencimentos dos ministros do STF para R$ 25.725 para recuperar os 5% corroídos pela inflação.
Mas o Congresso exagerou. E, para ser tratado com a seriedade perdida, a faxina precisa invadir os esconsos das mordomias, vantagens, benefícios, da madraçaria da semana de dois a três dias úteis à tramóia da verba indenizatória de R$ 15 mil, disfarce de salário indireto.
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E, uma pergunta que não cala: por que os senadores e deputados não moram onde deviam trabalhar e a viúva paga o luxo de quatro passagens semanais para suas excelências desfrutarem o ócio de fim de semana de quatro dias nos lençóis domésticos?
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Antes de pensar em retaliar o Supremo Tribunal Federal (STF) pela irretocável decisão unânime que derrubou o imoralíssimo aumento de 90,7% dos subsídios parlamentares, aprovado pelas mesas diretoras do Senado e da Câmara, com o amém do colégio de líderes, o Congresso devia inspirar-se nos versos de Chico Buarque, erguer as mãos para o céu e agradecer.
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Pois é de uma evidência que chega a ofuscar os olhos que o Legislativo entrara num beco sem saída com a inqualificável manobra para dobrar os subsídios parlamentares, no salto acrobático de R$ 12.847 para os R$ 24.500 da equiparação com os vencimentos dos ministros da mais alta Corte. No fervor da gratidão, os escabreados e insaciáveis mágicos que transformaram o mandato popular num dos melhores empregos do mundo, devem incluir o povão, que reagiu em surto instantâneo de indignação.
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No descalabro moral em que se afunda o mais democrático dos poderes - recordista de escândalos na sucessão escabrosa de denúncias de corrupção, apuradas por CPIs, pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pela Corregedoria-Geral da República - a autoconcessão pretendida de R$ 24.500 colocou na rua o protesto da população ofendida. O bom senso do STF abriu uma trilha na capoeira. De lambuja, aliviou a guarda para o oportuno rateio das responsabilidades. A começar pela bagunça e falta de critério na fixação da remuneração dos que exercem atividades similares nos três poderes.
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Pela fresta, os presidentes da Câmara e do Senado, com o jeito desenxabido de criança pilhada desviando sorvete da geladeira, enfiaram a cabeça, os ombros, o busto e saltaram do outro lado para a alegre corrigenda da fórmula decente, inquestionável, que arquiva o sonho milionário dos subsídios de R$ 24.500 para R$ 16.500 do reajuste que corresponde à correção da taxa de inflação dos últimos quatro anos da duração do mandato. Reposição do subsídio não é aumento, mas a correta reposição do seu valor. O espetáculo de arrependimento dos parlamentares foi de cortar o coração. A virtual unanimidade saudou a proposta articulada pelo presidente, deputado Aldo Rebelo, com o alívio de quem escapou do risco da perda do mandato. Não se encontra um único defensor da equiparação ao teto dos privilegiados servidores da Justiça.
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O presidente-reeleito Lula segue à risca o conselho ladino e jamais sugeriu o aumento da ninharia do que ganha em comparação com os marajás do Judiciário e do Legislativo: pingam na sua conta a cada fim de mês R$ 8.885,48, noves fora os descontos, que comem um bom pedaço do bolo. Os vencimentos dos ministros baixam para o degrau de R$ 8.580. Não há nenhum argumento que justifique tal disparidade, além das esmolambadas desculpas de que a equiparação arrombaria o Orçamento.
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E vamos arrancar as máscaras da hipocrisia. Cabe ao STF, durante a presidência do dublê de jurista e político Nélson Jobim a criação dos reajustes duplos e triplos. A precavida presidente ministra Ellen Gracie, desde julho, encaminhou ao Congresso projeto de lei que aumenta os vencimentos dos ministros do STF para R$ 25.725 para recuperar os 5% corroídos pela inflação.
Mas o Congresso exagerou. E, para ser tratado com a seriedade perdida, a faxina precisa invadir os esconsos das mordomias, vantagens, benefícios, da madraçaria da semana de dois a três dias úteis à tramóia da verba indenizatória de R$ 15 mil, disfarce de salário indireto.
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E, uma pergunta que não cala: por que os senadores e deputados não moram onde deviam trabalhar e a viúva paga o luxo de quatro passagens semanais para suas excelências desfrutarem o ócio de fim de semana de quatro dias nos lençóis domésticos?