Fabio Grecchi, na Tribuna de Imprensa
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De bobas, vossas excelências não têm nada. Jogaram para 2007 a questão do reajuste salarial no Congresso porque perceberam ter ido com sede demais ao pote. Assim, vão esperar as coisas esfriarem, o Brasil entrar em ritmo de carnaval, para voltarem à carga, agora mais perto das eleições para as presidências do Senado e da Câmara.
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A farsa começou na tarde de quarta-feira, quando, contritos, todos fingiram ter abandonado o aumento de 91%. Ficou-se discutindo se haveria a reposição da inflação destes quatro anos ou não haveria nada. Como o prêmio maior já havia escapado, ninguém estava disposto ao de consolação. E bem a propósito não se chegou a consenso.
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No plenário, Aldo Rebelo, para se desincumbir e levar adiante o suposto desejo da Câmara de pedir desculpas pela afronta, resolveu levar a votação o fim das verbas indenizatórias e do 14º e 15º salários. Numa sessão tumultuada, na qual perdeu a paciência algumas vezes, o presidente da Câmara trabalhava com a certeza de que os dois temas seriam retirados da pauta. Como foram. Mas isto não que dizer que estejam mortos e enterrados.
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A desculpa para empurrá-los com a barriga foi a de que, sem a definição do percentual do reajuste, não se podia prever o impacto para os deputados caso os benefícios fossem extintos. Claro que não é isto: apenas vão esperar o melhor momento de reajustar os próprios salários sem abrir mão de coisa alguma. Com a nova legislatura começando em 1º de fevereiro e sendo interrompida logo para o carnaval, a expectativa é a de que o interesse da opinião pública esteja mobilizado para o feriadão.
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Mas não somente isto. Tão logo se instale o novo Congresso, começa a corrida eleitoral de Aldo e de Renan Calheiros. Assim, junto ao (não tão) novo eleitorado, terão melhores condições de tratar do aumento. Afinal, dar agora um cheque em branco é correr o risco de não serem recompensados em março.
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Que dominó...
Efeito dominó uma ova. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) acha que os usuários são bobos quando atribui ainda aos efeitos de uma violenta chuva em São Paulo, 48 horas atrás, a completa desordem nos embarques e desembarques dos aeroportos. Esta balbúrdia estava prevista há meses, desde que eclodiu a crise administrativa dos vôos.
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Na audiência pública na Câmara para tratar do assunto, o ministro Waldir Pires (Defesa), por cuja mesa passa o problema, abriu um parêntese no debate para reclamar do salário. Pela competência com que a questão vem sendo tratada, Waldir está sendo maravilhosamente bem remunerado.
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...que nada
O que exaspera os passageiros não é apenas a espera de três, quatro horas em aeroportos desconfortáveis, mas sobretudo a falta de informação. Ninguém diz coisa com coisa, a Infraero joga a culpa nas empresas, que culpam a Anac, que se manifesta de maneira pífia. Inclusive, a Agência é detentora do monopólio da explicação, pois ninguém, a não ser ela, está autorizada a emitir nota de esclarecimento.
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Há semanas que a Anac, a Infraero, o governo e a Defesa vêm garantindo que neste final de ano tudo estaria normalizado. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) trabalha desde fins de outubro com uma queda em torno de 40% nos pacotes envolvendo vôos. Hoje o turista ou opta pelo carro ou pelo ônibus.
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De bobas, vossas excelências não têm nada. Jogaram para 2007 a questão do reajuste salarial no Congresso porque perceberam ter ido com sede demais ao pote. Assim, vão esperar as coisas esfriarem, o Brasil entrar em ritmo de carnaval, para voltarem à carga, agora mais perto das eleições para as presidências do Senado e da Câmara.
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A farsa começou na tarde de quarta-feira, quando, contritos, todos fingiram ter abandonado o aumento de 91%. Ficou-se discutindo se haveria a reposição da inflação destes quatro anos ou não haveria nada. Como o prêmio maior já havia escapado, ninguém estava disposto ao de consolação. E bem a propósito não se chegou a consenso.
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No plenário, Aldo Rebelo, para se desincumbir e levar adiante o suposto desejo da Câmara de pedir desculpas pela afronta, resolveu levar a votação o fim das verbas indenizatórias e do 14º e 15º salários. Numa sessão tumultuada, na qual perdeu a paciência algumas vezes, o presidente da Câmara trabalhava com a certeza de que os dois temas seriam retirados da pauta. Como foram. Mas isto não que dizer que estejam mortos e enterrados.
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A desculpa para empurrá-los com a barriga foi a de que, sem a definição do percentual do reajuste, não se podia prever o impacto para os deputados caso os benefícios fossem extintos. Claro que não é isto: apenas vão esperar o melhor momento de reajustar os próprios salários sem abrir mão de coisa alguma. Com a nova legislatura começando em 1º de fevereiro e sendo interrompida logo para o carnaval, a expectativa é a de que o interesse da opinião pública esteja mobilizado para o feriadão.
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Mas não somente isto. Tão logo se instale o novo Congresso, começa a corrida eleitoral de Aldo e de Renan Calheiros. Assim, junto ao (não tão) novo eleitorado, terão melhores condições de tratar do aumento. Afinal, dar agora um cheque em branco é correr o risco de não serem recompensados em março.
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Que dominó...
Efeito dominó uma ova. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) acha que os usuários são bobos quando atribui ainda aos efeitos de uma violenta chuva em São Paulo, 48 horas atrás, a completa desordem nos embarques e desembarques dos aeroportos. Esta balbúrdia estava prevista há meses, desde que eclodiu a crise administrativa dos vôos.
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Na audiência pública na Câmara para tratar do assunto, o ministro Waldir Pires (Defesa), por cuja mesa passa o problema, abriu um parêntese no debate para reclamar do salário. Pela competência com que a questão vem sendo tratada, Waldir está sendo maravilhosamente bem remunerado.
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...que nada
O que exaspera os passageiros não é apenas a espera de três, quatro horas em aeroportos desconfortáveis, mas sobretudo a falta de informação. Ninguém diz coisa com coisa, a Infraero joga a culpa nas empresas, que culpam a Anac, que se manifesta de maneira pífia. Inclusive, a Agência é detentora do monopólio da explicação, pois ninguém, a não ser ela, está autorizada a emitir nota de esclarecimento.
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Há semanas que a Anac, a Infraero, o governo e a Defesa vêm garantindo que neste final de ano tudo estaria normalizado. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) trabalha desde fins de outubro com uma queda em torno de 40% nos pacotes envolvendo vôos. Hoje o turista ou opta pelo carro ou pelo ônibus.