terça-feira, outubro 31, 2006

Idéias boçais em tempos medíocres !

Imprensa ameaçada: no dia em que jornalistas apanham de petistas,
presidente do PT critica o... jornalismo!

Por Reinaldo Azevedo

Num post abaixo, vocês têm relatados os ataques de que foram vítimas os jornalistas na frente de Palácio da Alvorada. A questão é grave. Alguns dos agressores são funcionários comissionados do governo federal. A hostilidade dos petistas já começou no aeroporto, em Brasília: “Ou, ou, ou, a Veja de ferrou” e “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.
.
Como já se informou aqui, um jornalista foi agredido com o mastro de uma bandeira do PT. “Tem alguém da Veja por aí?”, perguntavam, como se estivessem caçando pessoas. Na frase mais significativa do dia, afirmou um deles: “A ditadura era melhor do que a imprensa, eles matavam com baionetas, vocês matam com a língua". E pediam o fechamento dos jornais. O PT ficou chocado com isso, certo? Ah, Marco Aurélio Garcia, presidente da legenda, criticou, claro, os atos de violência. Mas gastou a maior parte do tempo atacando a imprensa, que apanhara havia pouco.
.
No meu artigo desta semana na Veja, digo que faz 26 anos que o sistema político tenta civilizar o canibalismo petista. Não adianta. Escrevam: eles vão querer alguma forma de censura. Vão tentar nem que seja a econômica. Vão estimular grupos de pressão a se comportar como horda. O trabalho já começou. Garcia cobra “da imprensa” um desmentido sobre o mensalão. Segundo ele, o PT fez apenas caixa dois. Ele deveria perguntar por que Valdemar da Costa Neto renunciou. Confessou ter recebido R$ 10 milhões do PT. Ok, não foi em parcelas. A compra se fez de uma vez só. E em dinheiro vivo. Ele deveria cobrar ainda uma autocrítica do procurador geral da República.Garcia também quer uma “auto-reflexão” da imprensa sobre o seu comportamento durante as eleições. A sugestão é que prejudicou o PT. Vejam só: o presidente do partido que, até agora, não disse de onde saiu o dinheiro sujo do dossiê fajuto tem a coragem de fazer cobranças ao jornalismo. Não só cobranças. Também intrigas e ameaças.
.
Para Marco Aurélio Garcia, esse sentimento de crítica à mídia “atravessa uma parte dos jornalistas nas redações.” E acrescentou: “Tenho informações disso e sei que existem instituições da sociedade civil preocupadas. Da mesma forma que sei que há movimentos crescentes de consumidores de órgãos de imprensa que estão manifestando a sua inconformidade através do cancelamento de assinaturas”.
.
Certamente ele não está se referindo aos veículos que puxam o saco do governo. Para os petistas, todos os jornais e revistas seriam cartilhas. Cartilhas capitais.
.
Ele chamou esse movimento de “sadio”, sugerindo a sua espontaneidade. Nós sabemos muito bem como essas coisas funcionam no PT. As "instituições da sociedade civil" são as ONGs que o partido cria para patrulhar a sociedade. Por dia, recebo mais de mil e-mails malcriados de militantes. Trata-se de um movimento organizado.
.
PS: Uma equipe da TV Globo teve de se esconder no veículo da emissora com medo de agressões. O Jornal Nacional ignorou o caso. Não sei por quê. Jornalista não é mesmo para ser notícia. A não ser quando apanha de militantes de um partido que cobram o fechamento dos jornais.
.
***************
.
COMENTANDO A NOTICIA: Este é o PT e o seu regime de terror. O apreço que eles tem pela democracia é aquele em que se critica os adversários, se monta e se compra dossiês malditos e fajutos, se censura a política dos outros, se mente e se roubas a obra pronta dos outros, mas eles deve ser amados, venerados, elogiados, até diante do crime mais torpe.
.
Saiba o Sr. Marco Aurélio Garcia, vulgo presidente do Partido de Trambiqueiros ou de Tramóias, que isto aqui ainda não é Cuba que se cala a crítica e os críticos no paredão. A lei, aquela que vocês vulgar e corriqueiramente ignoram, aquela que vocês atropelam e passam por cima apenas para atender interesses espúrios, ordinários e cretinos, é igual para todos, e neste país, quer vocês gostem ou não ainda se vive o estado de direito. Claro que sabemos que a tal da reforma política para mexer nos direitos dos cidadãos, para comprar o silêncio da sociedade e permitir que os larápios ratos do T4esouro Nacional continuem a se divertir ad eternum e impunes.
.
Sua guangue de cafajestes sabemos que não se furtará em agredir a sociedade diuturnamente, nem tampouco de ameaçar a segurança do cidadão, avançando sempre por exemplo não apenas ao direito da livre manifestação, como também na privacidade, no patrimônio e no bolso para satisfação de sua turba de delinqüentes e imorais. Mas é bom que se diga: mesmo seu “exército” de paus mandados não serão suficientes para por à cabresto mais de 180,0 milhões de brasileiros. Não atentem contra a democracia brasileira, seu boçal canastrão. A resposta será mais dura do que você imagina. A vitória de Lula foi para governar o país, não instalar uma republiqueta ao estilo cubano e medíocre tipo circo dos horrores. Não lhe foi concedida nenhuma autoridade para agredir o cidadão em seus direitos fundamentais. Nem tampouco anistia para instalar em nosso país a baderna e a senzala. Se você, que adora a boçalidade e a mediocridade, se apraz de viver abraçado a elas isto é lá problema seu: mas não queira impor teu estilo imbecilóide ao demais moradores deste país. O Brasil não é propriedade nem de PT nem de Lula. Respeite nossa integridade, mas principalmente, respeite o direito mais sagrado de qualquer ser humano: o da liberdade de se expressar e de pensar. Não somos vossas amebas socialistas teleguiadas e sem vontade própria.

Rir é o melhor remédio

O dilema do Anão
.
Dois anões resolvem se divertir e vão para a zona.
.
Depois de uns drinques, eles pegam umas meninas e sobem para os quartos.
.
Mesmo animadinho, um dos anões não consegue ter uma boa ereção. Por mais que se esforçasse, nada conseguia fazer com a prostituta.
.
Fica ainda mais desapontado quando ouve o seu amigo no quarto ao lado:
- Um, dois, três e... jaaaaaá!
.
Novamente o anão tenta se entusiasmar, mas... nada.
.
Passados mais alguns minutos, ele ouve novamente seu amigo gritar:
- Um, dois, três e... jaaaaaaaaaaaá!
.
O anão tenta se animar, encorajado pelos gritos do companheiro no quarto ao lado, mas... nada. Nem sinal de vida!!!
.
Passado mais um tempo, ele volta a ouvir:
- Um, dois, três e... jaaaaaaaaaaaaaaaá!
.
Aí ele pensa:
- "Putz, meu amigo está se divertindo pacas, e eu aqui nesse sufoco sem conseguir nada!"
.
E ouve outra vez:
- Um, dois, três e... jaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá!
.
Passada a hora do programa, os anões se encontram na saída.
.
Vendo o amigo todo suado, descabelado, ofegante, o anão que “falhou” comenta:- Pô! Foi uma droga! Por mais que eu me esforçasse, não consegui ter nenhuma ereção!
.
Ao que o colega responde, rispidamente:
- Ereção!? Pior fui eu, que nem consegui subir na cama...

TOQUEDEPRIMA...

Lula não respeita nem as leis feitas pelos outros
.
Vigarista da obra pronta
.
Além de apresentar como feitos do seu governo obras que nunca saíram do papel, os tucanos denunciam que o candidato Lula da Silva passou a se intitular autor de leis que foram sancionadas em governos anteriores e até redigidas por adversários políticos.
.
No debate realizado na Rede Record, Lula se apropriou indevidamente do mérito de outros políticos em pelo menos quatro ocasiões.
.
Portadores de Deficiência
.
Ao responder a uma questão feita por Geraldo sobre corte de verbas para projetos que facilitariam a vida de deficiente, Lula respondeu que nenhum governo havia cuidado tanto desse segmento da população.
.
"Inclusive com a aprovação da lei da acessibilidade, inclusive com a aprovação da Lei do Cão Guia".
.
Tucanos denunciam que é mentira, pois há duas leis que estabelecem direitos para os deficientes, a 10.048 e a 10.098.
.
As duas foram sancionadas pelo presidente Fernando Henrique, no final de 2000.A primeira estabelece atendimento preferencial.
.
A segunda, "normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida".
.
A Lei do Cão Guia, por sua vez, é um projeto de autoria do senador Romeu Tuma (PFL-SP).
Lula apenas sancionou o texto que foi aprovado pelo Congresso.
.
Estória de Pescadores
.
Lula também tentou se apresentar como responsável pelo seguro-desemprego que é pago aos pescadores durante o período em que a pesca é proibida pelo Ibama."E eu conheço a realidade das quebradeiras de coco de babaçu, eu conheço a realidade dos pescadores, foram 500 mil pescadores cadastrados e garantido a eles o seguro defeso".
.
A lei que criou o seguro-desemprego durante o período de defeso foi sancionada no dia 20 de dezembro de 1991.
.
O governo Lula aprovou uma nova legislação sobre o assunto, que não mudou a essência do projeto assinado por Collor.
.
Seguro-safra
.
Outro exagero do presidente foi em relação ao seguro para agricultores:
.
"O Rio Grande do Sul teve a maior seca dos últimos 70 anos e nós criamos o seguro agrícola que vocês poderiam ter criado há 50 anos atrás e não criaram. Fomos nós que criamos".
.
O seguro-safra, que estabeleceu, na época, uma renda mínima para agricultores do Norte, Nordeste e do norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha em caso de estiagem, foi aprovado em 10 de abril de 2002 pelo presidente FHC, com a sanção da lei 10.420.
.
COMENTANDO A NOTICIA: Lula, vigarista da obra pronta, vai roubar o quê e de quem agora, em seu segundo mandato ? Obras de si mesmo ? Cretino !!!
.
**********
.
A mordida do Leão nos brasileiros é maior
.
O aumento da carga tributária fez com que o valor pago por cada brasileiro à Receita Federal quase dobrasse em cinco anos.
.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que o pagamento anual per capita de imposto de renda saltou de R$ 1.087,07, em 2001, para R$ 1.977,02 em 2005.
.
O valor pago à Previdência subiu de R$ 388,83, em média, para R$ 629,28, no mesmo período.
De cada R$ 100 que a Receita Federal arrecada anualmente, mais de R$ 81 saem de contribuintes dos sete Estados que compõem as regiões Sul e Sudeste.No ano passado, essas regiões contribuíram com 81,48% de toda a arrecadação administrada pela Receita.
.
A triste constatação está no estudo "Arrecadação tributária para a União por Estados e por regiões do país", elaborado pelo IBPT.
.
Esta semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, após ter feito uma "confissão pública" de elevação da carga tributária a uma platéia formada por empresários, voltou atrás e disse que fez a afirmação em tom de brincadeira.
.
Não elevar a carga tributária durante o mandato era uma das principais promessas feitas pelo governo Lula.

TOQUEDEPRIMA...

A bandalheira petista não tem fim!

Problemas na Casa da Moeda
.
A ONG Contas Abertas denuncia que o Tribunal de Contas da União investiga irregularidades encontradas em licitação feita pela Casa da Moeda do Brasil (CMB).Uma das acusações é de que as empresas participantes de um processo licitatório, convidadas pela CMB, têm vínculos entre si.
.
Um documento do TCU mostra que houve prática de preços excessivos dos serviços prestados.
.
De acordo com o relatório elaborado pelo ministro do TCU Ubiratan Aguiar, a CMB convidou as empresas Planear Assessoria e Consultoria Ltda., CG Consultores Associados, Cooperativa de Trabalho de Especialistas Ltda. e o Instituto de Políticas Públicas (Inpp) para participarem da licitação, que foi feita em 2003.
Ligações entre empresas
.
O relatório esclarece o vínculo entre as empresas Planear e Cooperativa de Trabalho: “um dos sócios da Planear, Sr. Fernando Antônio Marinho Pereira, é sócio majoritário da Cooperativa. A outra sócia da Planear, Sra. Magda Moreira Cunha Marinho, é presidente da Cooperativa. Além disso, esta funciona no mesmo endereço da residência dos sócios da Planear”.O documento também explica a relação com a CG Consultores Associados.
.
“A empresa foi responsável pela elaboração do Manual de Campanha Eleitoral do Partido dos Trabalhadores para as eleições de 2004, e que nesse documento, consta como integrante da ‘equipe de base’ da empresa o Sr. Fernando Antônio Marinho Pereira, sócio da Planear e da Cooperativa.”O Instituto de Políticas Públicas nem chegou a apresentar as propostas na licitação, mas, segundo o relatório, Fernando Marinho trabalhou no instituto por três anos.Diante de tais acusações, seria necessário refazer o convite para outras empresas interessadas no processo licitatório, o que não foi feito.
.
O ministro-relator, Ubiratan Aguiar, afirma que isso “reforça a convicção de que a intenção dos responsáveis era a contratação da Planear, como de fato ocorreu”.Irregularidade na Dataprev
.
Relatório publicado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no último dia 11 de outubro relata uma série de irregularidades cometidas pela Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social (Dataprev) na contratação indevida e antieconômica da Cobra Tecnologia S.A..
.
Segundo o TCU, a empresa serviu como mera intermediária na prestação de serviços executados pela Unysis Brasil Ltda, que tem o monopólio do mercado de computadores de grande porte e de sua manutenção.
.
Segundo o relatório do TCU, além de desobedecer as leis n° 8.666/93 e nº 2/2004, o contrato trouxe ônus adicional a Dataprev, já que a Cobra não era capaz de prestar os serviços, tendo que recorrer a Unysis.
Os dispêndios gerados por esse novo contrato foram de R$ 31 milhões e 200 mil reais.
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Não jeito não, a bandalheira petista que assistimos no primeiro mandato, marquem aí: vai se intensificar muito mais no segundo turno. Com um adendo: periga agora muita patifaria lulista sequer vir a público. Como ele mesmo disse que agora conheceram o caminho dqs pedras, provavelmente o aparelhamento do Estado feito pelo PT, começará a podar certas "informações" não agradáveis para a opinião pública. ACORDA, BRASIL. A vigarice vai continuar.
.
***************
.
Clientes da TAM: desrespeito e correria
.
O domínio da TAM no mercado nacional de aviação civil e a falta de punição dos órgãos regulares, como a Agência Nacional de Aviação Civil, continuam gerando situações desagradáveis. Os passageiros do vôo 3566 da TAM que saíram de Brasília para Salvador na quarta-feira (25) passaram maus momentos. Por falta de teto no aeroporto da capital baiana, o piloto teve que pousar em Aracaju. Os cinqüenta passageiros que viajam no Airbus foram colocados na sala de espera até o final da tarde. O avião seguiu para Recife. Após horas de espera na capital sergipana, pousou um Fokker 100. No entanto, havia apenas vinte vagas disponíveis. Como não houve consenso para saber quem iria embarcar o jeito foi cada um pegar as suas bolsas e sacolas e sair correndo pela pista. Quem chegou primeiro na escada do avião conseguiu embarcar. Os demais voltaram para a sala de espera. O jeito foi dormir em Aracaju.
.
Aeroportos podem enfrentar colapso até 2015, prevê ITA
.
Filas nos balcões de check-in, atrasos dos vôos e congestionamento de aeronaves nas pistas e nos pátios. O aumento da procura por passagens aéreas tem feito com que os aeroportos do país operem quase no limite. Estudo do ITA mostra que alguns deles poderão entrar em colapso até 2015
.
***************
.
Arthur Virgílio: cerco se fecha sobre o governo

O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, leu há pouco, na íntegra, da tribuna do Senado, a nota de coluna do Cláudio Humberto, com a informação de que o presidente Lula e outras vinte pessoas, incluindo o ex-ministro Luiz Gushiken (Secom), são réus em ação popular, movida na Justiça Federal por um advogado do Distrito Federal. Para Arthur Virgílio, isto mostra que "algo de estranho se passa no País". É a crise, que para ele se chama Lula: "Vou até sugerir que ele,que já incorporou ao nome o apelido de Lula, que adote também esse, passando a chamar-se Luís Inácio Lula Crise da Silva", ironizou o tucano.

Não adianta, eles não tomam jeito

Acusar "terceiro turno" é parte do mesmo golpe petista que
levou à tramóia do dossiê
.
Por Reinaldo Azevedo
.
Por que tantos no PT atacam FHC? Ontem, o ex-presidente foi alvo de Tarso Genro, ministro das Relações Institucionais, e de Marco Aurélio Garcia, presidente do PT, professor licenciado do Departamento de História da Unicamp. Nesse caso, além dos motivos políticos, é claro que conta também a inveja. MAG, como era conhecido nos tempos da militância, sempre teve ambição de ser reconhecido como um intelectual. Vai entrar para a história, no máximo, como o Leporello do Apedeuta. Coitado! Empresta a sua pouca ciência a uma causa ruim. Quanto a Genro, é bom lembrar, o ataque não vem de agora. No dia 19 de janeiro de 1999, este senhor escreveu um artigo cobrando a renúncia do recém-empossado (segundo mandato) FHC e a convocação de eleições gerais. E o tucano não havia sido escolhido nas urnas sub judice, como Lula. Tarso entende de golpe.
.
A resposta para a pergunta que abre o texto é simples. Atacam FHC porque ele é dos poucos, nas oposições, que têm clareza do que está em curso e alcance teórico para avaliar o que acontece no Brasil. É uma tolice supor — e petistas com miolos sabem disso: eles existem, ainda que os tais miolos não sejam lá grande coisa — que o ex-presidente esteja surpreso com o que está em curso. Posso lhes assegurar com absoluta certeza que não está. Também FHC é do tipo que considera que a história tem uma grande margem de indeterminação, mas sabe que os erros cobram o seu preço.
.
Ontem, o ex-presidente se encarregou de desmentir o boato de que esteja interessado no impeachment de Lula. Como coisa em si, como objetivo, meta, ponto de chegada, ninguém está. Isso é parte da campanha petista para obter do sistema político licença para mais lambança. O PT denuncia a operação “terceiro turno” — expressão roubada de Collor (até isso!) — para que possa, diante da menor contrariedade, sair gritando: “Estão querendo desestabilizar o presidente Lula”. ATENÇÃO: ESSA GRITARIA SOBRE A QUESTÃO LEGAL É PARTE DO GOLPE PETISTA, DE QUE O DOSSIÊ FOI UMA ETAPA.
.
FHC disse a coisa certa. A reeleição, em si, é legítima; traduz a vontade das urnas. E isso não quer dizer condescender com ilegalidades. O raciocínio é simples: se ficar provado que o dinheiro que pagou o dossiê veio do caixa dois da campanha de Lula, sua eleição se torna ilegal. E José Alencar vai junto com ele. Mas os petistas estão tranqüilos quanto a isso. Tudo já foi providenciado para que a coisa não chegue a esse ponto. A versão final já está arrumada: foi caixa dois, sim, mas da campanha de Mercadante. E o senador também não sabia de nada. José Serra e Aécio Neves, governadores eleito e reeleito de São Paulo e Minas, respectivamente, são vozes importantes na oposição. É claro que não poderão assumir com o propósito de liderar a deposição de Lula — ainda que por motivos diferentes... Isso não lhes cabe. Caberá, aí, sim, ao PSDB e ao PFL — e a quantos estiverem na oposição — zelar pelo triunfo da legalidade.Volto ao ex-presidente. Ele evoca a necessidade de o PSDB resgatar seus princípios e sua história. É isso mesmo o que tem de ser feito.
.
Falta de clareza, de coragem, de altitude política fez com que o debate sobre a administração pública e as questões de Estado no Brasil regredissem 20 anos em um mês. Esse debate satanizando as privatizações — no exato momento em que a Vale se torna a segunda ou a primeira siderúrgica do mundo, em que a Embraer é exemplo de eficiência e de competitividade e em que a telefonia se universaliza no Brasil — beira o surrealismo. A delinqüência da indagação petista (onde foi o dinheiro?), como se os petistas não soubessem ou como se ele tivesse sido roubado, joga sobre o processo político um manto de obscurantismo, de atraso, de burrice.
.
Eu ousaria dizer que, em 26 anos de existência, o PT não fez ao país o mal que conseguiu fazer em três semanas. Levará muito tempo até que nos curemos dessa estupidez estatista a que a campanha de Lula conduziu o país. Infelizmente, será preciso, como vai acontecer, que seu modelo comece a fazer água para que, desgastada a imagem do Babalorixá, suas bobagens naufraguem com ele. É claro que o povaréu vai pagar o pato. Antes disso, ele vai fazer muita besteira. A renegociação da dívida dos Estados, com a qual ameaça, é uma das possibilidades.
.
Lula vai tentar ainda outras aventuras. O laboratório das maluquices petistas pode muito bem ser a reforma política. O homem que, em 2002, se comprometeu com a Carta ao Povo Brasileiro, em que jogava no lixo, ainda bem!, 22 anos de militância, desta feita, não quis assinar um documento negando que pretenda fazer a constituinte exclusiva. Não! O objetivo das oposições não pode ser depor Lula — não que faltem motivos; é que Márcio Thomaz Bastos não permitirá o surgimento de provas. O objetivo das oposições tem de ser fazer valer a legalidade, reconquistando a parcela do eleitorado de classe média que voltou para os braços de Lula porque não se sentiu devidamente representada. E, sobretudo, a tarefa de quem quiser apear o PT do poder tem ser a denúncia da infiltração petista em todas as esferas da vida social.
.
PSDB, PFL e quem quer que venha a fazer oposição têm de ter a coragem de ter uma agenda que confronte o petismo. Até quando forem reféns desse estúpido militantismo, serão seus meros caudatários. É preciso fazer a guerra de valores. Que não foi feita ao longo de quatro nos. E criar uma núcleo de Inteligência nas oposições (não à moda Lorenzetti, como já disse). FHC sabe disso. Marco Aurélio e Tarso Genro sabem que ele sabe. Por isso tentam desqualificá-lo. De todo modo, os nossos inimigos e adversários também dizem muito de nossa qualidade, não é mesmo? Assim sendo, FHC está muito bem. Talvez ele ande pensando mais longe do que supõem os petistas. Eu acho que anda.

A Educação de marcha-ré

Falta de pré-escola põe Brasil na 72ª posição em educação

BRASÍLIA - Relatório preparado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) mostra que o Brasil tem de percorrer ainda um bom caminho para atingir as metas do Programa Educação Para Todos. O programa, um compromisso firmado por vários países em Dakar, no ano 2000, é composto por seis metas de educação, que em tese devem ser atingidas até 2015. Dos 125 países avaliados, 47 já atingiram as propostas.

O Brasil está no grupo intermediário, composto por 50 integrantes. E no ranking de desempenho, ocupa a 72ª posição. Bem atrás, por exemplo, do México, 48ª colocado, e da Argentina, que está no 50º lugar. Também está atrás da Indonésia, Venezuela e Panamá. O relatório mostra ainda estagnação do País na área. Em 2003, o País apresentou o mesmo índice de cumprimento de metas.

No documento, divulgado ontem, a Unesco faz um alerta para todos os países: é preciso ampliar de forma significativa a oferta de uma rede de educação para crianças em idade pré-escolar. O levantamento mostra que metade dos países não dispõe atendimento para estas crianças. Tal constatação torna difícil o cumprimento da primeira meta do programa, considerada pelos especialistas como uma das mais importantes do compromisso.

O relatório mostra que o número de crianças brasileiras na pré-escola aumentou. Entre 1999 até 2004, a porcentagem de crianças de 4 a 6 anos assistidas passou de 58% para 68%. O índice melhorou, mas está atrás de países como Argentina, que têm 100% de suas crianças freqüentando cursos pré-escolares.

Integrantes da Unesco estão convictos de que um sistema integral de acompanhamento na idade pré-escolar é passaporte eficaz para garantir boa qualidade de vida para crianças, e, principalmente, uma política de redução de pobreza. Pesquisadores lembram que todos os dias, em países em desenvolvimento, 10 milhões de crianças morrem em conseqüência de doenças para as quais há prevenção. Apesar do impacto positivo em todos os indicadores sociais, poucos são os países que investem na educação pré-escolar.

Ainda de acordo com o estudo, menos de 10% do orçamento público para educação foi destinado à educação pré-escolar em 65 dos 79 países analisados neste quesito. Quase metade dos países aplicava menos de 5%.
Embora o desempenho dos países no cumprimento da primeira meta seja decepcionante, o relatório indica avanços - mesmo que em velocidade abaixo do desejado - na área da educação. Atualmente, 77 milhões de crianças no mundo estão fora da escola. Mas este índice já foi pior. E pelos cálculos da Unesco, vem sofrendo uma redução de 4% ao ano.
.
**********
.
COMENTANDO A NOTICIA: Cristovam Buarque nem no segundo turno concorreu, mas a sua insistência na prioridade que deve dar ao ensino no Brasil, principalmente o fundamental, cada vez mais faz sentido. E vejam, que apesar de todos apregoarem que a educação é o primeiro passo que qualquer governante decente deva dar em seus programas prioritários de governo, a população não cravou mais do que 3,0% no discurso da educação. Mal, muito mal sintoma. Significa dizer que o povo brasileiro não tá nem aí se tem ou não educação. E isto é a maior e mais contundente crítica que se deve fazer ao presidente Lula, e por duas claríssimas e indiscutíveis razões.
.
A primeira, porque criminosamente Lula passou seu primeiro mandato pregando que para vencer na vida não se precisa de estudo. Glamourizou ao máximo a falta dele, a ignorância nunca foi tantas vezes elogiada. Como se faz para incentivar a juventude a estudar com mais afinco e determinação, buscando mais e mais qualidade em sua formação, se o presidente cretinamente se expressa nestes termos ?
.
Segundo, porque continuamos na contra-mão do mundo civilizado, como já demonstramos aqui, recentemente, numa série de quatro artigos específicos sobre educação, ou seja, investimos muito em ensino superior, e muito pouco em ensino fundamental. Os países que experimentaram uma revolução em educação, com total êxito, Coréia do Sul apenas para lembrar, são hoje nações desenvolvidas e de crescimento vertiginoso. Qualidade de vida, tecnologia, progresso, aumento de renda. Tudo o de que precisamos e estamos ainda distantes.E de nada vale os PRO-UNI que nada mais são do que investimento de baixa qualidade, em universidades de menor qualidade e competência ainda. Escola ruim forma alunos ruins.
.
E o resultado acima é demonstrativo de que aqui não se está fazendo discurso vazio. Vazia é a cabeça oca de governantes que por absoluta ignorância, má fé e incompetência, tentam provar ao contrário. A prova provada está no fato de que ano a ano estamos caindo no ranking em que se comparam alunos de diferentes países. Vergonhoso ? Sim, mas e daí, Lula foi eleito com 60% dos votos. E de um eleitorado, pelo que se vê, que não está nem aí para educação. Então, enterre-se o Bolsa Escola, e loas ao Bolsa Família !!!! Patético, para dizer-se o mínimo. Louvemos a mediocridade nacional, cada vez mais medíocre, cada vez mais ignorante. E o cara acha que nestas condições, apenas por um passe de mágica, o Brasil agora deixará de ser emergente para "inserir-se no mundo civilizado"? Trágico país desgovernado por um imbecil destes !!! Ou será que assim fica mais fácil comprar seus votinhos e se manter no poder ? É, a filosofia do “coronel” nordestino parece fazer parte de seu DNA. E tome bolsa esmola, povo pobre ! E todo poder para o marginal delinqüente que se arvora e posa de estadista !!! Pobre povo brasileiro, enganado mais uma vez !

A esperança viaja para 2010

Pedro do Coutto
Publicado na Tribuna da Imprensa


Os resultados das eleições presidenciais deste ano, já consolidados mesmo antes das urnas, garantem a reeleição de Lula por ampla margem de votos e, na realidade, como observa Elena, minha mulher, são praticamente idênticos aos do pleito de 2002. Os jornais de quarta-feira publicaram a mais recente pesquisa do Datafolha apontando 58 para Luís Inácio da Silva e 37 para Geraldo Alckmin. Assim, como também se constata, apenas 5 por cento dos eleitores e eleitoras permanecem indecisos ou dispostos a anular o voto. Uma das menores taxas da história, da redemocratização de 1945 aos dias de hoje. Considerando-se somente os votos válidos, o presidente da República alcança 61 por cento contra 39 pontos do ex-governador de São Paulo.

No segundo turno de quatro anos atrás, Lula derrotou José Serra por 62 a 38. O panorama político, quando à essência do confronto entre a posição assumida por Lula e a que sintetiza o PSDB, que não se livrou de FHC, permanece o mesmo, apesar das tempestades - várias - que desabaram sobre o Palácio do Planalto. Os maremotos afundaram o PT, mas preservaram intacta a imagem eleitoral de Luís Inácio da Silva.

Ele possui uma força intrínseca extraordinária, os fatos tornam isso inegável. O presidente da República superou os desastres chamados José Dirceu, Ricardo Berzoini, José Genoíno, Delúbio Soares, Duda Mendonça, Sílvio Pereira, mais recentemente Freud Godoy e Jorge Lorenzetti. Superou o falso aliado Aloísio Mercadante. Resistiu incólume à bomba lançada contra o governo por Roberto Jefferson. O ex-deputado do PTB até, indiretamente, o ajudou a livrar-se dos falsos amigos, que são eternos.

Lula segue firmíssimo para o novo mandato que conquistará nas urnas de domingo, depois de amanhã. Faltam apenas 48 horas para receber uma nova e maciça confiança popular. Estas eleições, de outro lado, desapontam muitos daqueles que são apresentados na televisão como cientistas políticos.

Previram um número muito grande de votos nulos e brancos.

Não vai acontecer isso. Se fosse alto, acentuaria um grau de desinteresse por parte do povo. Ao contrário, o interesse é muito elevado. Os números das pesquisas, inclusive do Ibope, estão aí. Vários cientistas achavam também que a abstenção seria expressiva. Nada disso. É a mais baixa ao longo do tempo. Foi, em média, de 16 por cento no primeiro turno. Na verdade, significa uma taxa pouco maior que zero. Pois temos que levar em conta - como já escrevi - que o último cadastramento foi efetuado em 1986, portanto há duas décadas. E o índice de mortalidade, de acordo com o IBGE, é de 0,6 por cento ao ano. Entretanto, não podemos esquecer as pessoas hospitalizadas em todo o Ppaís e aqueles acometidos de doenças graves, imobilizantes. A abstenção voluntária quase não existiu no primeiro turno e será das mais reduzidas no segundo.

Em termos eleitorais, Lula mantém forte sintonia com os grupos sociais de menor renda e possui boa penetração nas classes médias e também nas ricas. Estas não pesam quase nada em matéria de botos. Influem muito, isso sim, nas decisões econômicas nacionais. Desconfiavam de Lula, no passado. Hoje, não duvidam mais. O presidente da República é, aí sua maior vantagem, no fundo um conservador, mas é interpretado como reformista. Esta dualidade é fundamental para o seu destino político.

Não apresenta qualquer risco para a riqueza. Não tentou, e difilmente tentará, mudar o perfil da distribuição de renda. É neste ponto que os interesses sociais poderiam se chocar. O não reajuste dos salários, especialmente do funcionalismo público ao nível da inflação, hoje, é a tradução moderna da mais valia marxista do século dezenove.

Não haverá mudanças no que se refere à transferência de renda do capital para o trabalho. As cestas básicas do Bolsa Família são uma transferência do capital estatal para a pobreza. Não do capital privado. A participação do trabalho na forma do PIB - como descobriu o economista Claudio Contador em 89 e Antônio Houaiss e eu colocamos no livro "Brasil, O fracasso do conservadorismo" - permanecerá restrita a um terço. A remuneração do capital vai permanecer na escala de dois terços. O nosso Produto Interno Bruto está em torno de 800 bilhões de dólares.

Nos Estados Unidos, para um PIB de 12 trilhões de dólares, um terço do que se produz e fatura no mundo, a massa salarial pesa 60 por cento, a remuneração do capital 40 por cento. O funcionalismo público federal, estadual, municipal americano recebe a cada doze meses 1 trilhão e 560 bilhões de dólares. É quanto custa a máquina estatal no país do capitalismo. Os salários nos Estados Unidos impulsionam a economia para o alto. No Brasil, conduzem para baixo, reduzindo o consumo. Esta a diferença essencial.

O Produto Interno brasileiro sobe pouco porque os vencimentos perdem para a taxa inflacionária. Sem dúvida, ao que tudo indica, vão continuar perdendo. O conservadorismo conseguiu ocupar o quadro político com bastante intensidade. Triunfou. As urnas de 2006 vão passar com o vento e não mudarão nada. A esperança, pois sem ela não se vive, fica transferida para 2010.

Lula na área de risco

Por Villas-Bôas Corrêa
Publicado em A Voz da Serra

Ao assumir oficiosamente o pódio de presidente reeleito para o segundo mandato, o candidato Lula deu a campanha por encerrada, dispensou o resultado das urnas de domingo e começou a adotar as primeiras medidas, no pleno exercício de vencedor, seja nas comemorações ruidosas do sucesso ou em gestos de reconciliação com o bom senso.
.
Do lado bom do deslumbramento – que é o que necessitamos enxergar para o reencontro com a esperança – destaque para a declaração de Lula anunciando o armistício com a oposição e a suspensão das hostilidades com o seu antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o seu efetivo adversário nos comícios, entrevistas e debates.
.
Pela novidade da mensagem conciliatória, convém reler, na forma original, o recado de Lula na entrevista à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre: “Eu não quero mais ficar comparando com o Fernando Henrique Cardoso, porque nos nossos quatro anos já batemos muito neles. Ou seja: agora eu quero comparar comigo mesmo”.
.
Com a ressalva ao dispensável desdém que macula o aceno de pacificação, Lula curva-se à evidência do novo desafio que se apresenta para os quatro anos da reeleição. A carga de responsável pelos erros e fracassos alivia as costas do antecessor e passa para o agraciado com a consagradora reeleição, por mais de 20 milhões de votos de diferença.
.
Já e já, como prioridade absoluta que relega para segundo plano os contactos com a oposição para o acerto do esquema de governabilidade, o reeleito invade a área de risco das articulações para a remontagem do governo. As elementares características da reeleição facilitam a reforma da equipe ministerial e de seus apêndices cobiçados, como a presidência da Petrobras, que vale por três ministérios na bolsa das apostas.
.
Mas, entre os muitos complicadores a considerar nas obras para o reajuste do time, não deve ser desprezada a inabilidade presidencial na escolha de auxiliares. Basta correr os olhos na lista dos despachados por envolvimento da série de escândalos de corrupção, que rondaram o gabinete do presidente sem que ele de nada soubesse, fosse informado ou sequer suspeitasse no alheamento da angelical boa-fé e no pouco interesse pela rotina tediosa da administração.
.
Se errou feio na escolha de companheiros do PT e não conseguiu conter a invasão em massa aos milhares de postos de sedutora remuneração, sem concurso ou qualquer exigência, as coisas se complicam quando tiver que conciliar as reivindicações dos aliados com a redução da cota dos que se aboletaram na nata açucarada e se organizam para resistir às ordens de despejo.
.
Entre os ex-desafetos e recentes aliados, a fatia do PMDB que apostou na dezena sorteada não deixa a mais remota dúvida quanto às suas pretensões e as cobranças dos compromissos assumidos. E na mistura do joio e do trigo, uma turma da pesada não fará abatimento no acerto de conta.O monstrengo ministerial não agüenta novas divisões de tabiques para a acomodação dos hóspedes que socam a porta. Cortar enxúndias para agilizar a emperrada máquina administrativa está fora de cogitação. Nem será surpresa se mais dois ou três ministérios ou secretarias forem criados para instalar os novos inquilinos.
.
A badalação da vitória, com milionária votação recordista, abafará os ruídos dos esbarrões e cutucadas na briga na zona de risco. E a oposição, abatida pela derrota, desempenhará o seu papel sem entusiasmo e com graves atritos internos.
.
Mas trégua e festa são passageiras. A nuvem política muda a cada vez que se olha o céu.

Melhor, mas pior que os demais

Com reportagem de Cíntia Borsato
Publicado na Revista Veja


O Brasil progrediu muito nos últimos anos, mas seus concorrentes
avançaram ainda mais.

Foram muitos os avanços da economia brasileira nos últimos anos. As exportações dobraram, as reservas internacionais nunca foram tão altas, a dívida externa deixou de ser motivo para dor de cabeça e a inflação recuou a níveis civilizados. Esses avanços afastaram o risco de colapso financeiro criado pelo debate eleitoral de 2002 e hoje permitem ao presidente Lula dizer, com razão, que o país apresenta uma combinação rara de fatores econômicos positivos. O país está melhor. Mas só se o compararmos a ele mesmo – espartilho característico do debate econômico brasileiro. No cotejo internacional, o Brasil está ficando para trás. Nos últimos quatro anos, os países em desenvolvimento progrediram em um ritmo superior a 7% ao ano, enquanto, no Brasil, o PIB não avançou mais do que 3%. O país caminha ainda mais lentamente em questões essenciais a seu desenvolvimento: produtividade, competição e conhecimento. O Brasil perdeu posições nos rankings de competitividade e liberdade econômica (veja quadro), o que se traduz em perspectivas piores para o investimento e o crescimento. A economia brasileira permanece uma das mais fechadas do planeta: sua participação no comércio internacional segue ínfima, em torno de 1% das transações.

Como recuperar posições na corrida global do desenvolvimento? Existe um consenso há muito estabelecido sobre o que precisa ser feito – menos impostos, menos gastos do governo com o conseqüente corte acentuado de juros e atração de investimentos. Essa agenda de formulação simples sempre encontra grossa artilharia política pela frente. Enquanto se marcha para as reformas do Estado, quatro iniciativas emergenciais amenizariam a situação:

• abrir mais a economia e buscar novos acordos comerciais, principalmente com os países ricos e desenvolvidos;
• diminuir a burocracia e oferecer regras claras aos investidores;
• investir em educação de qualidade – e não apenas em quantidade;
• reduzir os gastos de custeio da burocracia.

Para aumentar a fatia no bolo internacional, o país precisará buscar novos tratados comerciais e ampliar ainda mais o valor agregado de seus produtos. Há dez anos, apenas 5% das vendas brasileiras ao exterior eram de produtos de alta tecnologia, e hoje esse índice é de 17%. No entanto, concorrentes diretos do Brasil vendem produtos com muito mais valor agregado. Nas exportações chinesas, 30% são mercadorias de alto conteúdo tecnológico; nas da Coréia do Sul, 33%; e nas de Cingapura, 59%. As exportações brasileiras ainda são dominadas por itens básicos, como minério de ferro e soja em grão. Para mudar isso, é imprescindível um sistema educacional baseado na aferição de resultados e na recompensa ao mérito. Só isso produz e atrai tecnologias e investimentos. Não é o que tem ocorrido. Os investimentos no setor produtivo, que crescem a todo vapor no resto do mundo, despencaram no Brasil. Em 2000, as empresas estrangeiras despejaram 33 bilhões de dólares no país, na aquisição de empresas ou na ampliação de suas subsidiárias. Foram esses recursos que modernizaram a telefonia e popularizaram a internet. Em 2006, no entanto, as estimativas indicam que os investimentos ficarão em torno de 15,5 bilhões de dólares, um quarto do total recebido pela China.

Além de receber menos capital produtivo, o país passou a ser grande exportador de investimentos, uma situação inédita. Em 2006, pela primeira vez, o total investido lá fora pelas empresas brasileiras deverá ser superior ao montante recebido do exterior. Por que as companhias brasileiras acham melhor se expandir no mercado externo e não aqui dentro? A resposta tem diversos componentes. Com o avanço externo, as empresas brasileiras ganham acesso a novos mercados, tornam-se mais competitivas e obtêm receitas em moeda forte, com as quais podem crescer realizando aquisições. Em outras palavras, elas buscam um ambiente de negócios menos adverso que o brasileiro. Diz Álvaro Cyrino, especialista em internacionalização, da Fundação Dom Cabral: "As empresas precisam de escala e acesso a mercados. Se não se lançarem ao exterior, correm o risco de perder espaço e ser compradas por concorrentes" (veja reportagem sobre a Vale do Rio Doce na pág. 88).

Não foi só em busca de escala que as companhias brasileiras se aventuraram no exterior. Elas deixaram o país também para reduzir sua exposição à carga tributária monstruosa, ao baixo crescimento e ao fechamento comercial. Foi o caso da têxtil Coteminas, do vice-presidente José Alencar, que se uniu à americana Springs e estuda abrir fábrica na China. Ou da Gerdau, que já adquiriu diversas siderúrgicas nos Estados Unidos, no Canadá e na América do Sul. Tudo isso seria salutar se o país continuasse recebendo um volume adequado de investimentos estrangeiros. Mas não é o que ocorre. Por esse motivo, torna-se imperioso que o Brasil aprimore o ambiente de negócios, corte a burocracia e reduza os impostos. Nesse quesito, o país tem piorado muito não só com relação ao mundo, mas também a si próprio. Exemplos dessa deterioração são o enfraquecimento e o aparelhamento político das agências reguladoras verificados nos últimos quatro anos.

A história de sucesso dos asiáticos apresenta outra característica negligenciada no Brasil: o investimento em educação. Sem trabalhadores qualificados, ficam limitadas as perspectivas de desenvolvimento. Apesar da melhora no acesso, a qualidade do ensino brasileiro permanece precária. O país investe bem menos que os asiáticos na educação básica, algo que precisa mudar com urgência. Diz o economista Ilan Goldfajn, da PUC-Rio: "Os juros estão em queda, e o Brasil deverá começar a crescer mais rápido nos próximos anos. Quando isso ocorrer, não poderá faltar mão-de-obra qualificada". Por fim, o país não poderá se esquivar da tarefa de fechar as torneiras da gastança pública, sem o que será impossível reduzir os impostos. Para o economista Paulo Leme, do banco americano Goldman Sachs, o problema é que os políticos brasileiros, especialmente os petistas, insistem em defender um Estado "grande", não necessariamente "forte". Conclui Leme: "Eles querem distribuir uma riqueza que ainda nem foi gerada". Ou, como expôs a revista inglesa Economist em sua última edição: "Será difícil curar a síndrome de Estocolmo no Brasil, um Estado que mantém a economia como sua refém".

Votando sem saber no quê

COMENTANDO A NOTÍCIA: Sob o título acima, o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, publicou um editorial dias antes da eleição de segundo turno e que entendemos oportuno reproduzi-lo, mesmo diante do resultado conhecido, para se poder entender o próprio resultado final que reelegeu Lula. No discurso que fez após a proclamação do resultado que lhe garantiu mais quatro anos no poder, Lula afirmou que o país saiu do pleito mais unido do que nunca, e nesta mesma linha, há um artigo publicado pelo Tribuna da Imprensa. Tal afirmação, contudo, não encontra eco na leitura do resultado quando visto de que forma os votos se dividiram entre os eleitores. Há uma clara divisão da sociedade brasileira, sim. Negar isto não apenas se conduz a um engano de análise brutal, como também se vestirá com o manto da hipocresia que há muitos Brasis separados entre si, e que se acentuaram não apenas na campanha movida pelo PT para que tal ocorresse. Mas durante todo o primeiro mandato, o presidente Lula fez questão de manter esta divisão, pois entendia que ela lhe asseguraria a renovação do próprio, como de fato aconteceu.
.
Unir esta sociedade verde-amarela, não será obra nos próximos quatros anos que se verá como esforço central de Lula. Ele ainda sustentara que hegemonia petista somente se consolidará se ele mantiver pobres de um lado ricos de outros. Norte/Nordeste de um lado, Sul/Sudeste de outro. Classe branca burgueza de um lado, classe negra e mestiça da mesma burguesia de outro. Este jogo é perigoso, conforme temos alertado sucessivamente. Como superar este cisma ? Dependerá do que deixarmos de fazer em termos de reformas que estão na agenda do país, e da qual Lula extrairá suas prioridades. Porém, se não buscar o caminho da união, abrirá uma alternativa de poder, que para ocupá-la exigirá das oposições uma enorme capacidade de entendimento do momento socio-político brasileiro e das aspirações que acabarão saltando desta segunda via. O perigo é a oposição achar que bastar acenar umaa rota alternativa para ser saudada pela sociedade. Engano, exigirá clareza, propostas, centrar-se em uma ideologia transparente de liberdade diferente do clientelismo pelego do PT. E mais do que nunca união e organização. Sem isto, o país continuará mergulhado na divisão de seu povo, e em situações semelhantes, a história já nos deu exemplos suficientes de que se ficará a um passo do autoritarismo, do populismo desenfreado, cujo destino é sempre o do atraso, retrocesso mesmo, mediocridade e barbárie. Quanto mais clara e forte soar a alternativa ao PT mais a sociedade se fará receptiva. E aqui, deixe-se de lado as vaidades e ambições pessoais e políticas. O que estará em jogo é abrir o Brasil para o mundo, insiri-lo na modernidade, no progresso cultural acentuado de seu povo, no leque de oportunidades que somente países livres se podem permitir a oferecer.
.
**********
.
Votando sem saber no quê

Editorial em O Estado de São Paulo

A eleição presidencial de hoje - a sétima desde o fim do regime militar, incluídos os segundos turnos - é mais um alicerce sobre o qual se amplia o edifício da democracia brasileira. Apesar de tudo o que há para ser melhorado nessa edificação - a começar da questão pantanosa do financiamento das campanhas, sobretudo no que toca à escolha do chamado supremo mandatário -, não temos do que nos envergonhar diante de nenhum outro país do mundo: a eleição é fiscalizada por um tribunal íntegro e independente, transgressões das regras da propaganda são punidas, o acesso às urnas é universal e desimpedido, as apurações são corretas e os resultados, inquestionáveis. Não é pouca coisa para um país cujo último ciclo ditatorial durou o mesmo tempo que o atual período de pleno funcionamento das instituições democráticas.
.
Mas a sucessão que hoje se decide contém ao mesmo tempo duas características peculiares, das quais não se pode dizer que contribuíram para a purificação do voto popular - definido como o ato de decidir entre os candidatos a partir de critérios objetivos, baseados, por sua vez, em um conhecimento minimamente suficiente de suas propostas para resolver os problemas que desafiarão o vencedor. A primeira característica deste confronto é que, a rigor, confronto foi o que menos se viu nesses meses. É verdade que a reeleição é, sempre e antes de mais nada, um plebiscito sobre o desempenho do incumbente: a escolha posta ao eleitor é entre mais do mesmo ou um novo rumo. Ainda assim, não se esperava que esse padrão se impusesse como se impôs.
.
Já no primeiro turno, com quatro nomes em princípio competitivos e quatro figurantes, se tanto, tudo girou em torno de um só candidato - o presidente Lula. Pode-se afirmar com segurança que a grande maioria dos cerca de 105 milhões de eleitores do 1º de outubro saiu de casa para votar em Lula ou contra ele - e uma parcela substancial dos sufrágios dados a Heloísa Helena e a Cristovam Buarque visava simplesmente a adiar por um mês a decisão, levando-a para o tira-teima de hoje. Agora, é ocioso especular como teria transcorrido a campanha se o candidato de oposição fosse José Serra, mas não é de todo improvável que ela se assemelhasse mais ao segundo turno de 2002, quando o atual componente plebiscitário foi muito menos marcante (embora também naquela eleição a tática petista fosse transformar a eleição em um julgamento do governo Fernando Henrique).
.
Desta vez, Lula partiu para a reeleição tendo três trunfos na mão: a sua personalidade, as suas realizações e os erros dos adversários. Personalidade, no caso, significa mais do que carisma e talento incomum para se comunicar com o povo no comprimento certo de onda. Significa também associar de forma inextricável, na percepção do eleitor, atributos pessoais e biografia. Comício após comício, era como se dissesse: eu sou o que sou porque vim de onde vim. São dezenas de milhões os eleitores que se espelham na sua origem e, ao ouvi-lo, refazem mentalmente a própria trajetória. Com esse formidável patrimônio e plena disposição para pôr a história de ponta-cabeça, Lula levou legiões de brasileiros a crer que as suas realizações econômicas e sociais resultaram da rejeição do que fazia “o governo das elites” - e não da adesão à política fiscal que derrubou a inflação, beneficiando os mais pobres em primeiro lugar.
.
Em eleições, vale o que parece - e, para a maioria do eleitorado, ficou parecendo que a oposição nada tinha a lhe oferecer além do “samba de uma nota só” da moralidade política. O terrorismo de rotular o tucano Geraldo Alckmin como privatista e a sua incapacidade de sair da defensiva fizeram o resto. Complementa o aspecto negativo da sucessão a sua segunda característica, referida no segundo parágrafo deste texto. Os candidatos tiveram todas as oportunidades - entre elas, uma oferta sem precedentes de entrevistas e debates na reta final da campanha - para falar do que mais interessa: os entraves ao crescimento e as decisões impopulares que precisam ser tomadas para removê-los. Lula, por falsear a amarga realidade das finanças do setor público, e Alckmin, por se esquivar do assunto, como que se uniram para produzir a grande fraude da temporada - a interdição, na campanha, do tema do qual tudo mais depende.
.
Em conseqüência, a grande maioria dos eleitores vota hoje sabendo nada ou quase nada do que está para atingi-la amanhã ou depois.

Neoliberal, quem?

por Carlos Alberto Sardenberg
Instituto Millenium

O presidente Lula acusa o tucano Geraldo Alckmin de “privatizador” e espalha por aí que ele pode até vender o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobrás. Alckmin sustenta que isso é uma mentira e uma calúnia.
.
Assim, a privatização entrou no debate eleitoral mais ou menos como satanás em uma igreja. E entretanto, basta dar uma olhada por aí para encontrar fartos argumentos a favor da privatização.
.
Nos escândalos produzidos pelo governo Lula – valerioduto, mensalão, compra do dossiê – sempre aparece o Banco do Brasil. Começou lá atrás, quando a instituição comprou ingressos para um show de arrecadação de fundos para o PT. Depois, o BB apareceu como cliente das agências de Marcos Valério, tendo um de seus diretores, responsável pela propaganda, como destinatário de um pacote de dinheiro vivo. Agora, um outro diretor do banco, Expedito Veloso (e diretor de Gestão de Risco!) , aparece como operador na tentativa de compra do tal dossiê.
.
Expedito estava de férias quando atuou na operação, um outro diz que não sabia de nada e os ingressos se destinavam a clientes vip, mas terminou que todos foram afastados de seus cargos, inquéritos estão abertos. Se não era nada, não precisaria disso, não é mesmo?
.
Essas atuações de dirigentes do PT acomodados em diretorias do maior banco do país levantam uma enorme suspeita. Banco é coisa séria, mexe com o dinheiro dos outros e, no caso, com recursos e interesses públicos. Tem que ser e parecer uma fortaleza de credibilidade. Mas o BB parece estar a serviço do governo Lula e do PT.
.
Se diretores se metem em jogadas tão escandalosas, e primárias, a gente tem o direito de pensar: o que mais estarão fazendo?
.
É verdade que o BB é uma sociedade anônima, tem ações em bolsa, presta conta aos reguladores do mercado. Mas é difícil, praticamente impossível apanhar desvios em gastos com publicidade, como já se viu. Além disso, é possível que a instituição seja levada a fazer operações de risco inaceitável apenas para atender políticas e planos do governo, como emprestar para setores, empresas e pessoas não qualificadas tecnicamente.
.
Dirão que estamos exagerando nas suspeitas. Mas foi exatamente assim que quebraram os bancos estaduais, inclusive o Banespa, deixando uma conta para o contribuinte de mais de R$ 40 bilhões.
.
É ou não um poderoso argumento a favor da privatização? A própria democracia está em jogo se o maior banco do país pode ser utilizado a favor dos governantes do momento.
.
E o caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo, crime praticado pelo mais alto dirigente da Caixa Econômica Federal? De novo, se fizeram isso, algo tão tosco e primário, o que mais estarão fazendo?
.
O PT sempre se opôs às privatizações, assim como, para dar um exemplo do lado tucano, o falecido Mario Covas. O argumento era o mesmo: governantes sérios e honestos colocariam as estatais nos trilhos. Mas a democracia, como temos visto por aqui, não é garantia de que não serão eleitos corruptos, mal intencionados ou apenas incompetentes. E podem se eleger governantes para os quais as estatais estão aí para isso mesmo, para servirem ao programa de seu partido.
.
Não pode ser assim. Deveriam estar a serviço de interesses nacionais, reconhecidos por todos. Difícil definí-los? Mais difícil ainda distinguí-los dos objetivos partidários? Certamente e é por isso mesmo que a privatização é uma boa idéia.
.
Alguns dizem que não é possível fazer política econômica sem controlar grandes bancos. Bobagem. Há países que não têm bancos estatais comerciais e funcionam muito bem, a começar pelos Estados Unidos, onde, aliás, a regulação bancária é mais rigorosa.
.
Mas não, a privatização não emplaca por aqui. É acusação.
.
Sabem por que? É que não se trata de uma plataforma apenas da esquerda. O centro e a direita, criados na cultura de obter tudo do Estado, também precisam de estatais para atender ao interesse de suas clientelas, que vai desde empregar os correligionários até gastar dinheiro e investir ali onde se tem votos, isso para não falar de outras práticas. A novidade do governo Lula foi mostrar que, nisso, a dita esquerda republicana é igualzinha à direita fisiológica.
.
E ainda dizem que isso aqui é neoliberal.