Adelson Elias Vasconcellos
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A senhora Rousseff, em verdadeiro desespero de causa, dada a queda nas pesquisas, parece estar apelando para afirmações um tanto esdrúxulas, quando não externando o pensamento chulo que a caracteriza. Nesta terça, tentando responder aos críticos sobre o andamento das obras de seu governo, tentou desqualificá-los. Afirmou a presidente que “quem nunca fez obra, cobra de quem faz”. A gente até poderia indagar a senhora Rousseff quais obras ela fez em seu governo.
Por exemplo, a gente vê nesta edição um quadro pavoroso sobre as obras da copa mundo, balanço feito pela Folha de São Paulo. O mesmo jornal, também nos traz à lembrança a lambança que tem sido a tal transposição do São Francisco. No site do Contas Abertas, o leitor pode localizar facilmente a imensa diferença entre as promessas e as realizações efetivas que a senhora Rousseff tem para apresentar.
A afirmação acima, portanto, de quem não faz, cobra, é no mínimo leviana, irresponsável e patética. Até porque, é bom lembrar, quem está cobrando nem é a oposição, é a própria população cansada de ouvir promessas que, passado algum tempo, caem no limbo.
De certa forma, a senhora presidente tenta atingir os seus adversários, tentando mostrar aos eleitores que eles, quando puderam fazer, não fizeram nada. Fosse assim, nem Aécio tampouco Eduardo Campos teriam saído dos governos de Minas e Pernambuco com os índices de aprovação que apresentaram. Há alguns dias atrás, a senhora Rousseff também fez referências desairosas em relação ao governo FHC no que toca às rodovias.
Vamos fazer, então, um exercício de bom senso. Imaginemos que, no período de 1995 a 2002, FHC não tivesse investido um centavo em rodovias (o que não é verdade, mas consideraremos, por ora, tal possibilidade). Muito bem: há quantos anos o PT está no poder? São onze anos e meio, certo? Apenas pelo tempo de governo, já seria possível que os petistas pudessem produzir mais do que os oito do tucano. Mas não é apenas isto que faz a diferença. Acontece que FHC, ao assumir, encontrou um país quebrado, sem crédito, fruto dos governos irresponsáveis de Sarney e Collor, ambos hoje aliados da primeira hora dos petistas. Assim, além de encontrar o Brasil falido, encontrou as contas públicas em completo descalabro, uma inflação galopante e, durante o período que governou, o mundo enfrentou cinco graves crises mundiais. Além disso, a média de crescimento da economia mundial não foi além de 2 % ao ano.
Assim, que condições teria FHC para investir em rodovias com os cofres completamente raspados? FHC fez o que lhe competia: colocou a economia nos trilhos, o que assegurou que Lula pudesse navegar em mares tranquilos durante o período em que a economia mundial cresceu na média de 5% ao ano e sem crises. E, ora vejam, se compararmos os investimentos públicos entre os governos de FHC, que foram oito anos, e os doze do período petista, verificaremos que nunca foi além de 18% do PIB. E tal constatação desfaz o discurso cretino de que os petistas fizeram mais. Pelo contrário. Encontraram uma economia estabilizada, uma arrecadação crescente de impostos, , uma economia mundial sem crises e em franco crescimento, e não conseguiram avançar no investimento público muito além do que FHC realizou.
Mais: Lula e Dilma lançaram repetidas versões de pacs disto e PAC daquilo. Na primeira versão, que tinha por objetivo investimentos em infraestrutura, 90% das obras previstas, eram meras continuações de obras que Lula encontrou em andamento e que interrompeu, de forma irresponsável no primeiro mandato. O exemplo clássico desta vigarice, já apontamos aqui, foi a ferrovia Norte-Sul iniciada quando José Sarney foi presidente. Mas no PAC de Lula versão 1.0, a obra aparece como sendo criação do gênio da raça.
Além disto, se a gente for analisar as obras da Copa, seja em infraestrutura seja em mobilidade urbana, o país vai entregar menos da metade do projeto prometido. O resto, nem Deus sabe quando será realizado. E, ainda assim, do que está sendo entregue, o que não falta é mistificação, como se vê em alguns aeroportos, estádios e obras de mobilidade urbana. Perguntem ao prefeito de Porto Alegre o que o governo Dilma lhe fez. Incentivou-o a transformar a capital em um canteiro de 55 obras viárias, com a promessa de lhe repassar um empréstimo de R$ 500 milhões, que jamais lhe foi entregue. Noventa por cento destas obras acabou interrompida, infernizando a vida dos habitantes da cidade.
Quer falar de realizações, senhora Rousseff? Então não critique quem ao menos, com menos recursos e em piores condições, começou e terminou alguma coisa. Já seu governo continua investindo no gogó, na impostura, na mentira, sem mostrar um mínimo de realizações que justificasse o voto que lhe foi dado pelos eleitores em 2010. Onde estão suas centenas de UPAs, creches, aeroportos regionais? Não basta lançar programas disto e daquilo, e depois segurar a grana para pagar a dívida contraída fruto do descalabro de gastos inúteis praticado por um governo medíocre como o seu.
Se sua popularidade está em baixa não se deve à “campanha negativa da imprensa e das elites”. Se deve, sempre, a um governo que podendo fazer muito, fez pouco ou quase nada. Estes índices baixos de aprovação são dados não pelos jornalistas nem pelas elites, e sim pelo povo trabalhador que paga impostos e vê seu salário corroído tanto pela inflação crescente e contínua, como pelo confisco inescrupuloso sobre os salários via imposto na fonte.
E um exemplo bem característico de um governo sem eira nem beira, é o imposto sobre bebidas, elevado para cobrir o rombo provocado pelo desarranjo provocado por uma medida eleitoreira de redução de tarifas. Primeiro, fixou em pouco mais de 1% o aumento. Dias depois, a Receita reviu o cálculo e concluiu ser insuficiente: aumentou para mais de 2%. Falta de sensibilidade: o aumento se verificaria em plena copa do mundo. Diante da pressão da indústria e do comércio, agora o seu governo adiou o aumento para entrar em vigor a partir de setembro, muito embora a copa termine em julho. Mas a conta das distribuidoras continuará pendurada até lá, e um dia precisará ser paga. Isto representa dizer que a grana para cobrir os empréstimos das distribuidoras, precisará sair de algum outro lugar para ser compensada. Assim, o governo nem resolve seus problemas atuais, tratando de empurrá-los com a barriga, por sua falta de critério, e ainda acaba por gerar problemas novos que irão estourar ainda mais a delicada situação das contas públicas logo ali adiante.
Além disso, tanto nos dois mandatos de Lula quanto neste da senhora Rousseff, os governos petistas tem sido pródigos em lançamento de programas, que irão ilustrar a propaganda eleitoral. Porém, quando vamos observar o que de concreto tais programas realizaram, o saldo é zero vezes zero.
Portanto, seria bom para o país que a senhora presidente fosse menos leviana, se preocupasse menos em desqualificar o passado, e realizasse mais. Não foi eleita para governar o passado e, sim, para administrar e resolver no presente obras, programas e políticas públicas que melhorem a qualidade de vida do povo brasileiro, povo este que se cansou do eterno discurso cínico e demagógico do por que não foi feito. Ele quer que seja feito sem rodeios, sem desculpas, o que é preciso aqui e agora. Dizer que os estádios e os aeroportos estão prontos para a Copa é de uma deslavada mentira que nem cabe comentar, como também seria aconselhável que a presidente parasse de prometer meia dúzia de vezes a mesma verba para a mesma obra. Pega mal tanta promessa fajuta. Chega, portanto, de leviandades e de se empurrar os problemas com a barriga, tentando justificar com o passado o que se deixou de realizar no presente. E, guarde isto: não é com terrorismo eleitoral, pura cretinice dos incompetentes e fascistas, que se constrói um pais melhor.
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