terça-feira, abril 24, 2012

A latrina sul americana

Comentando a Notícia

Quando afirmo que o Brasil deve dar um chute no traseiro seja da Argentina e até do Mercosul, estou defendendo o interesse do Brasil.

E não cometo nenhuma injustiça contra o país vizinho. Não posso concordar com esta posição passiva e covarde do Brasil em relação às retaliações seguidas do governo da senhora Kirchner, nem tampouco é possível  condescender com a quebra de contratos, violação de compromissos tudo em nome de uma política populista, autoritária e retrógrada. 

Quem perde e banca o prejuízo, comumente, tem sido o Brasil, seu povo, seus empregos, sua indústria, e até sua vergonha na cara. 

Qual o problema do governo petista, covarde às últimas consequências, em retaliar e aplicar os mesmos golpes baixos, sujos e canalhas que o Brasil tem recebido do país vizinho? Medo de quê, de que a Argentina mande suas forças armadas invadir-nos? Ou é cumplicidade para ver instaladas meia dúzias de ditaduras botocudas na América do Sul? Ou este governozinho de araque é tão porcaria que se sente inútil em defender o Brasil? Afinal, governam a quem, aos interesses brasileiros, ou seus concubinatos latinos e fedorentos das latrinas latino- americanas?

E se algum pentelho vermelho e de esquerda acha que o comentário é duro e exagerado, confiram a nota a seguir, e depois tentem achar alguma justificativa para a covardia petista em defender o Brasil:

Argentina suga empregos e indústrias do Brasil

Ilimar Franco
O Globo

Nem a Espanha nem a YPF são as únicas vítimas da presidente da Argentina, Cristina Kirchner. O Brasil e empresas aqui instaladas também são. Máquinas agrícolas, calçados, móveis e carne suína produzidos no Brasil, e exportados para a Argentina, estão há cerca de um ano bloqueados na aduana do “país irmão”.

O governo Dilma e o Ministério das Relações Exteriores têm tido uma postura blasé, diante de uma pressão que está gerando desemprego e pode fechar fábricas no Brasil.

A Petrobras está sendo pressionada a investir na Argentina. As empresas de máquinas agrícolas John Deere (RS), AGCO do Brasil (RS) e Case-New Holland (PR) também. Colheitadeiras e tratores destas empresas estão retidos na aduana argentina.

Para liberá-las, segundo o deputado Osmar Terra (PMDB-RS), o governo Kirchner exigiu que elas se instalem na Argentina. A John Deere está investindo US$ 130 milhões numa fábrica em Rosário. A AGCO US$ 150 milhões em Buenos Aires. A Case US$ 150 milhões em Córdoba.

Oposição? Ora, oposição!


Percival Puggina
Zero Hora 

Não, o senador Demóstenes não matou a oposição. Não se mata o que não existe. De tempos para cá, em Brasília, só há governo. As pessoas me param na rua: "Cadê a oposição?". Pois é. A construção da hegemonia chegou ao telhado e já faz os arremates da cumeeira, com o total sumiço da oposição como força política perceptível. O discurso oposicionista é quase confidencial.

Nem durante os governos militares a oposição foi tão reservada. Ao contrário do que os atuais comissários da história querem fazer crer, aquela atividade oposicionista, comparada com a atual, era estrepitosa. Havia interesse e espaço nos meios de comunicação suficientes para que se afirmassem lideranças. Embora a época fosse menos midiática, todos conheciam Tancredo, Brossard, Ulysses, Simon, Montoro, Covas, Teotônio, bem como os cassados - Brizola, Arraes, Juscelino, Lacerda. Eram tratados assim. Um nome só bastava, tal a intimidade. Sabia-se o que pensavam e faziam.

Não se atribua a anomia e a anemia oposicionistas à falta de atrativos da direita, tipo assim: se a direita fosse moça, num baile do tempo antigo, passaria a noite fazendo tricô. Definitivamente não. Quaisquer pesquisas que investiguem opiniões sobre temas específicos revela que os brasileiros se posicionam, majoritariamente, do centro para a direita do arco ideológico. A maioria é a favor da ordem e contra a violência como instrumento da política. Quer um Código Penal severo e que as penas sejam cumpridas. Deseja reduzir a maioridade penal. Defende o direito de propriedade e rejeita invasões. É contra a proibição à posse de armas de defesa. É contra o aborto (as mulheres ainda mais do que os homens). Reconhece o valor da instituição familiar e da religião. Rejeita tipos como Fidel, Chávez e Morales. Quer que seja preservada a vida privada e não admite marcos regulatórios para a mídia. Em outras palavras, recusa de A a Z a agenda do partido do governo. Este, no entanto, usou a cabeça. Primeiro, assumiu o programa econômico que derrotara nas urnas. E, depois, foi ao mercado comprar quase toda a esquerda, quase todo o centro e quase toda a direita. Bastaria isso para esvaziar a oposição. Só não está no governo quem não quer. Bombom tem para todo mundo.

O presidencialismo brasileiro, tão ruim que só fica de pé se bem escorado, fornece ambiente ideal às hegemonias. Ao longo da Primeira República, foi sustentado pela política dos governadores. Quando ela se rompeu, manteve-se pela ditadura de Vargas. Quando ele renunciou, seguiu-se um tempo de balança mas não cai, até cair. Reergueu-se com a política dos generais. E desde 1985 temos isto que agora alcança seu orgasmo: o presidencialismo de coalizão, com longo arco de abrangência e grande capacidade financeira de atrair interesses. Entenda-se: o grupo hegemônico é a fonte do poder, dos privilégios, dos cargos e contratos, e dos maiores favores que se possa conceber. É um poder do qual poucos admitem ficar longe, mormente os bandidos. Nada que não se explique pelo mais elementar conhecimento da natureza humana.

Como resultado, quem quiser saber o que a oposição nacional está pensando ou fazendo terá que acessar os canais de tevê do Congresso e ver - o que é improvável - se algum dos poucos oposicionistas está na tribuna.  Atingimos em Brasília, simultaneamente, o cúmulo da hegemonia, da hipocrisia e da venalidade. Na nossa política só o dinheiro manda e como só o governo tem dinheiro, só existe governo. A oposição, então, que fale baixo e não atrapalhe os negócios.

O PT não inventou a corrupção. Ele apenas banalizou-a para sempre


Marco Elizio de Paiva (*)
Blog Polibio Braga

O PT não inventou a corrupção, ele apenas a banalizou em níveis justificáveis aos olhos da plateia cativa. Esta plateia, hipnotizada pelo sonho da igualdade prometida por Lula, se apega na esperança de ganhar sem trabalhar. Ganhar sem trabalhar sempre foi a bandeira usada pela esquerda para manter cativa a massa alienada.

O petismo é a Igreja Universal da política, assim como a Universal é o petismo da religião. Lula e Edir Macedo são iguais até na falta absoluta de limites. A Terra Prometida por ambos são apenas discursos diante de uma massa de cativos. Os discursos da esperança petista e da esperança universal do Reino de Deus é uma invenção poderosa que consegue desculpar os crimes do presente dominado por eles e nos roubar o futuro que teríamos. Tudo o que eles prometem não existe e só faz bem a eles.

As armas com que lutam Lula e Edir Macedo foram conquistadas a partir dos projetos de tomada do poder, nunca de projetos de políticas públicas. O objetivo do PT é o mesmo da Igreja Universal do Reino de Deus; criar seguidores fiéis que se sentem felizes com o poder de seus líderes.

Os militares, para defenderem a manutenção do passado, deram um golpe com tanques. Lula, para defender a escravização do presente, deu um golpe com urnas. Edir Macedo, para defender o futuro, deu um golpe com a Bíblia. Jamais serei grato a Lula ou a Edir Macedo por eles cobrarem tão caro por aquilo a que temos direito de graça.

Lula é um gênio do domínio das massas. Conseguiu até que a oposição seja sua base de apoio, embora o preço cobrado para isso seja altíssimo. Lula é um prestidigitador eficiente. Conseguiu transformar a política em um jogo sem regras definidas. Em sua política, qualquer conveniência passa a ser uma nova regra do jogo. Até a Igreja Católica passou a ser base de apoio do PT. A Igreja Católica agora dorme com o inimigo. Deixou de ser esposa de Cristo para ser concubina da esquerda.

Lula conseguiu imitar a Igreja Católica em poder ideológico. A Igreja Católica é um enorme armário de celibatários sacerdotais, Brasília foi transformada em um enorme refúgio de malfeitores impunes. Tanto em uma, quanto em outra, a impunidade conta com a indulgência que só pensa na permanência do sistema e sua rede de benesses. Criminalizar um padre pedófilo é tão difícil quanto condenar um político corrupto.

Até os jornalistas mais oposicionistas já minimizam a corrupção com seus adjetivos simplistas. Propina corrupta ou roubo de dinheiro público virou “mensalão”. O mensalão é crime sofrível. É até bonitinho.

Petistas são como evangelizadores das novas seitas cristãs. Estão em todos os lugares e aparelham até apostila de ensino médio. Todas as instituições estão infestadas por seu trabalho fanático. Eles estão transformando o povo em laranjas. O povo é laranja do PT. Quanto mais pobre mais suco rende.

O delírio do PT é controlar o povo. O delírio de Lula é controlar pessoas. Eu não acredito no povo. O "povo" é uma ideologia totalitária petista. Eu acredito em pessoas que não se deixam dominar impunemente.

Devemos ter muito medo do futuro. Foi com as elites intelectuais rendidas a um partido interessado apenas em projetos de poder como este que o nazi-fascismo triunfou na Europa. Hitler, Mussolini, Stalin, Lula, Chaves...

(*) Mestre em História da Arte pela "University of Texas", ex-diretor da Escola de Belas Artes da UFMG e atual coordenador do curso de pós-graduação em História da Arte da PUC-Minas.

Uma onça com fome


Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

É surpreendente: por que uma onça deixaria o território a que está acostumada, com vegetação e bons abrigos, para se enfiar numa cidade grande, cheia de automóveis, ali nas proximidades da Praça dos Três Poderes?

Qualquer zoólogo explica: uma onça só deixa o território que demarcou porque lhe falta água ou caça. Alguém deve ter contado ao bicho que ali, naquela região tão próxima, havia ratos gordos, grandes, nutritivos, abeberando-se numa cachoeira generosa, onde muitos molhavam fartamente mãos e bolsos. Patas à obra, pois. E a decepção: Cachoeira era apenas um apelido, nada de água fresca, nada daquele local de abundância onde animais se reúnem para matar a sede e ficam à disposição de onças famintas, ágeis e rápidas.

Ah, as decepções por que pode passar um predador ingênuo! Pois os ratos, realmente enormes, nutritivos, ali são também predadores, e sua fome parece infinita. Os inimigos naturais só existem na imaginação, no grande teatro político: na hora H, depois de dar entrevistas uns contra os outros, reúnem-se as mais diversas alas, juntas, unidas, felizes, para comer, beber e mamar.

Nada disso seria difícil de resolver para aquele belo exemplar de onça parda que apareceu em Brasília, preparadíssima para os embates da vida, absolutamente apta a lutar pela própria alimentação. 

Mas houve um problema insolúvel, que levou a onça desiludida a voltar para seu território sem almoço e com fome: felinos não comem nada que esteja podre.

A propósito
Na CPI que investiga a corrupção de Carlinhos Cachoeira, entre titulares e suplentes, estão reunidos Fernando Collor, Gim Argello, Protógenes Queiroz, Alfredo Nascimento (o que deixou o Ministério dos Transportes no início daquela derrubada em série de ministros que levou o nome de "faxina ética"). 

Ação nacional
Cláudio Humberto, colunista sempre bem informado, levanta uma hipótese interessante (www.claudiohumberto.com.br): a de que Carlinhos Cachoeira integraria uma aliança nacional de contraventores, seria seu representante na região centro-oeste do país e, digamos, seu embaixador em Brasília. 

Pode ser - e, se for, o caso vai crescer muito. Em São José dos Campos, SP, o radialista João Alckmin, que move campanha contra os caça-níqueis, já sofreu dois atentados a bala - o segundo foi inteiramente filmado por câmeras de segurança e mesmo assim a Polícia não conseguiu chegar ao atirador. E um poderoso contraventor paulista, com ação interestadual, tem ligações familiares com o sócio de uma autoridade, daquelas habituadas a dar informações a repórteres amigos que, em troca, os chamam de "jovens" e "corajosos".

Descobrindo o Brasil
O governador fluminense Sérgio Cabral prometeu auditar os contratos da Delta com o Estado. Prometeu também cancelar os que tiverem irregularidades. 

Pois é. A empreiteira Delta pertence ao empresário Fernando Cavendish, amigo de Cabral, que costuma viajar com ele. São tão amigos que Cabral viajou para Trancoso, na Bahia, para participar da festa de aniversário de Cavendish (foi quando um helicóptero do empresário caiu, matando, entre outros, a namorada do filho do governador). No ano passado, a Delta recebeu do Governo fluminense R$ 127 milhões sem licitação (mais R$ R$ 420 milhões com licitação).

Não é bom saber que, apesar de toda a amizade, os contratos serão auditados?

Grandes e pequenos
E, enquanto a imprensa acompanha os grandes escândalos, os escândalos menores vão ficando esquecidos. Por exemplo, lembra da reforma administrativa do Senado, que o presidente da Casa, José Sarney, tinha encomendado à Fundação Getúlio Vargas, pagando R$ 500 mil? 

Pois ficou para lá. Os 81 senadores continuarão tendo à disposição mais de seis mil funcionários. O projeto do senador Ricardo Ferraço, com base no estudo da FGV, foi rejeitado porque cortava cargos demais. O projeto do senador Benedito de Lira foi rejeitado porque cortava cargos de menos. E Sarney não se manifesta, por estar em tratamento de saúde.

O escândalo aéreo
Uma empresa italiana, pertencente ao irmão do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi (aquele que gostava de garotas de programa que usavam máscaras de Ronaldinho Gaúcho), está operando freneticamente nos aeroportos brasileiros. Embora uma auditoria da própria Infraero mostre irregularidades graves (por exemplo, a empresa oferece seguro sem ter ligação com seguradoras ou corretoras; e ocupa áreas maiores que as alugadas), a empresa continua participando de licitações e ampliando seu campo de atuação.

Dúvida: que irá fazer a Infraero?

Boa notícia
A Vale decidiu investir R$ 30 milhões para construir em São Luís do Maranhão um Museu da Língua Portuguesa, comemorando os 400 anos da cidade. São Luís é tida como a cidade onde melhor se fala o Português no país. 

Será o segundo Museu da Língua: o primeiro foi construído em São Paulo.

carlos@brickmann.com.br
www.brickmann.com.br

Regimes são entraves à prática do jornalismo nas Américas, diz SIP


O Globo
Com Agências Internacionais

Violência contra jornalistas é outro problema; no Brasil foram 27 casos em 6 meses

ORLANDO SIERRA/AFP - 23/04/2012
Morte do apresentador de TV Noel Alexander Valadares em Tegucigalpa, 
em Honduras, onde 19 jornalistas morreram nos últimos 3 anos; 
violência é uma das principais ameaças à liberdade de imprensa nas Américas, segundo SIP

CÁDIZ, Espanha — A ação direta de governos democráticos — mas arbitrários — sobre meios de comunicação independentes, além de agressões e assassinatos, são os principais problemas enfrentados atualmente na prática do jornalismo nas Américas, segundo relatório apresentado nesta segunda-feira pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Realizada na Espanha, a Reunião de Meio de Ano da SIP reuniu 250 representantes de jornais de 25 países em quatro dias de debates.

No relatório sobre o Brasil, foram mencionados o aumento nos casos de assassinatos de profissionais da imprensa. Segundo a SIP, no período de seis meses foram registradas 27 ocorrências violentas, incluindo três homicídios. A censura judicial também foi um dos temas abordados no texto sobre a situação da imprensa brasileira, lembrando que a demora nos julgamentos estimula a impunidade.

Além do Brasil, o Haiti também está no grupo dos países que sofrem com ataques a jornalistas. Já em Honduras, 20 profissionais foram executados nos últimos dois anos, e os crimes ainda não foram esclarecidos. Agressões no México e em Cuba ainda foram lembradas: no primeiro, 29 jornalistas tornaram-se alvos, e dois atentados foram cometidos pelo crime organizado, contabiliza o relatório. Em Cuba, além das restrições à internet, a SIP informa que, apenas em 2012, houve uma média de 600 detenções de jornalistas independentes e blogueiros por mês.

No relatório, Venezuela, Equador, Argentina, Bolívia e Nicarágua foram apontados como países onde a situação da imprensa é crítica, devido a ações de seus governos. No Equador, o presidente Rafael Correa defende que a informação é um serviço público que deve ser administrado pelo Estado. Já na Bolívia, Evo Morales ameaça regulamentar a Lei de Imprensa para regular a mídia de forma mais rigorosa, aponta o relatório.

Em pedido à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), a SIP solicitou que os governos membros da associação não cedam ao pedido do Equador, que quer restringir a atuação da Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão, impedindo-a de buscar fundos fora da OEA. Também foi pedido à Venezuela que forneça acesso às fontes de informação. A falta de transparência da Argentina em questões relativas à informação pública ainda foi criticada no texto final da reunião.

Ética jornalística: uma reflexão permanente


Eurípedes Alcântara 
Diretor de Redação de VEJA

“A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Entrevistar o papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe.”

VEJA nunca permitiu que suas páginas fossem usadas para outro fim que não a busca do interesse público. Sempre que uma denúncia é publicada, alguém ganha e alguém perde. Um ministro cai e outro ministro sobe. Um grupo político é prejudicado e outro grupo político é beneficiado. São consequências normais da divulgação de fatos verdadeiros. Em nosso trabalho cotidiano, essas circunstâncias são tão naturais para nós que nos dispensamos de discuti-las. Mas temos de concordar que as pessoas não diretamente envolvidas em nosso trabalho possam, de boa-fé, não entender completamente a natureza do bom jornalismo que praticamos em VEJA.  Refleti sobre nossos critérios, nossas relações com as fontes de informação, enfim, nossa missão jornalística. O resultado é o texto abaixo.

“O jornalismo é feito com fontes de informação. O jornalista não é pago para saber. É pago para descobrir. Por essa razão, as relações do jornalista com suas fontes merecem uma reflexão permanente.”

O jornalismo é feito com fontes de informação. O jornalista não é pago para saber. É pago para descobrir. Por essa razão, as relações do jornalista com suas fontes merecem uma reflexão permanente. Os profissionais de VEJA seguem as regras escritas da Editora Abril, cujo Código de Conduta estabelece: “O jornalista da Abril não tem relação de trabalho com, nem presta serviço, ainda que eventual, para qualquer pessoa, empresa ou entidade que seja, ou possa a vir a ser, fonte de informação. A Abril jamais paga entrevistados por informação de nenhuma espécie, de forma direta ou indireta. Sempre que possível, o jornalista deve pagar por almoços e jantares com fontes ou seus representantes. Cabe ao profissional e a sua chefia imediata definir as situações em que a aplicação desta regra pode afetar o relacionamento com a fonte.” Posturas Éticas – Guia para Jornalistas e Produtores de Conteúdo do Grupo Abril – Complemento do Código de Conduta.”

Em complemento ao Código de Conduta da Abril, a redação de VEJA em seu Plano Editorial anual reafirma que a “independência” é o maior valor de um jornalista da revista. Por independência, diz o Plano Editorial, entende-se que o repórter não aceita nenhuma barganha editorial com as fontes em troca de informações. Em nosso cotidiano, embora seja uma regra não escrita, sempre avaliamos as informações que recebemos das fontes tendo como único metro o interesse público que se confunde com o interesse jornalístico. Isso significa que as inúmeras informações pitorescas ou de caráter pessoal, comportamental ou sexual de autoridades e governantes que nos chegam na forma de fotos, vídeos e gravações nunca são usadas por serem ofensivas e nada ajudarem na compreensão dos fatos públicos.

“O ensinamento para o bom jornalismo é claro: maus cidadãos podem, em muitos casos, ser portadores de boas informações.”

Os jornalistas de VEJA estabelecem com suas fontes uma relação em que fica claro desde o primeiro momento que não se trata de uma relação de troca. A fonte não terá nenhum outro privilégio por fornecer informações, a não ser a manutenção do sigilo, caso isso seja do interesse dela. As fontes nunca são desinteressadas das reportagens com as quais colaboram fornecendo informações. Um corrupto que passa informações quer se vingar de outro corrupto ou espera atrapalhar o negócio do concorrente com o governo. Nos dois casos, o jornalista precisa ter noção exata do interesse da fonte e usar a informação quando e somente se a vinda dela à luz servir mais ao interesse público do que ao do próprio informante. Um assassino que revela na cadeia um plano para assassinar o presidente da República é possuidor de uma informação de interesse público – e pelo mecanismo da delação premiada ele pode ter sua pena atenuada ao dar uma informação que impeça um crime ainda pior do que o cometido por ele. Portanto, temos aqui uma situação em que a informação é de qualidade e o informante não, por ser um assassino. O ensinamento para o bom jornalismo é claro: maus cidadãos podem, em muitos casos, ser portadores de boas informações.

“Uma informação de qualidade é verificável, relevante, tem interesse público e coíbe a ação de corruptos.”

O repórter que se preza não despreza uma fonte de informação sobre casos de corrupção com base apenas no fato de que o informante é corrupto. Mas como se cativa e se mantém um informante desse tipo sem acenar com alguma vantagem para ele? O jornalista, consciente dos interesses subalternos do informante, deve tentar obter dele o que for relevante para o interesse público – e publicar. O mais provável é que o informante se sentirá gratificado por ter conseguido o objetivo de ver a informação tornada pública e o jornalista também terá cumprido sua missão de trazer à luz fatos que, de outra forma, nunca sofreriam o efeito detergente dos raios solares. Ao jornalista cabe distinguir:

A) se a informação é verificável;

B) se a informação é relevante e de interesse público;

C) se a vinda da informação a público ajudará a diminuir o escopo de ações dos corruptos, entre eles o próprio informante.

Cumpridas as três condições acima, a informação merece ser levada a sério, a despeito, repita-se, da estatura moral do informante.

O bom jornalista não se deixa paralisar estabelecendo como critério só ter como fontes pessoas que passem pelo crivo ético mais elevado. Isso não deve ser confundido de jeito nenhum com a ideia de que vale tudo. O critério de VEJA é claro. As informações precisam ser qualificadas, independentemente da estatura moral do informante. Pessoas de estatura moral questionável podem deter informações de altíssimo padrão de qualidade jornalística. Digamos que a informação trate de uma negociação de pagamento de propina. Quem tem mais condições de contar o que aconteceu? Quem estava lá ou quem não estava lá? A resposta é clara: quem estava lá, ou seja, um dos envolvidos.

Evidentemente, o critério acima não vale para fontes que queiram dar opiniões. Não abrimos espaço para pessoas de baixo padrão moral dar opiniões. No processo de coleta de opiniões, procuramos as mais qualificadas autoridades mundiais para entrevistar, onde quer que estejam. Se uma fonte moralmente discutível testemunhou um fato importante, quer contar o que presenciou e se o que ela narra é verificável por outros meios, consideramos que ela pode ter uma informação que vale a pena ser levada em conta. Se essa mesma fonte quiser dar uma opinião a respeito daqueles mesmos fatos, não aceitamos. A qualidade da informação pode independer da qualidade da fonte. Já a opinião é indissociável de quem a emite. A qualidade de quem opina afeta a qualidade da opinião.

“A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Entrevistar o papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe.”

Esse ponto merece uma análise mais detida. Como o jornalista deve diferenciar sua relação quando uma fonte é, digamos, um economista respeitado e outra fonte é um criminoso? O jornalista deve ter em mente que ambos podem ser detentores de informações da melhor qualidade. O criminoso pode ter sido testemunha de um crime e seu depoimento pode ajudar a desbaratar uma quadrilha perigosa. Não se pode desprezar o que ele tem a dizer. É preciso ouvir, analisar, pesar, checar, contextualizar. Um economista respeitado, caricaturando, pode estar teoricamente equivocado sobre algum fenômeno ou pode estar a serviço de algum especial interesse econômico ou comercial. Enfim, ambos valem pelo teor, qualidade e grau de interesse da informação verdadeira de que são detentores. É preciso atentar para o fato de que, mesmo que a fonte seja um assassino esperando a execução de uma sentença de morte (exemplo verídico transformando no livro O Jornalista e o Assassino pela americana Janet Malcolm), ela merece ser tratada com respeito. Se a fonte não tem ética, isso é problema dela. A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Entrevistar o papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe.

Quando o jornalista lida com uma fonte que tem uma informação verdadeira, verificável e relevante, ele precisa ter consciência dos interesses particulares do informante. Deve avaliar se o interesse público maior supera mesmo o subproduto indesejável de satisfazer o interesse menor e subalterno da fonte. Se o resultado for positivo, a informação se candidata a ser publicada. Por isso, o jornalista não pode ser amigo de fontes. Não pode aceitar presentes, convites para viagens ou quaisquer outros agrados.

VEJA nunca publicou conteúdos de gravações obtidas ilegalmente, portanto o que segue aqui tem o objetivo apenas de refletir sobre certos limites. Quem se favorece conscientemente do produto de furtos, roubos ou outros crimes é potencialmente cúmplice do autor. Por essa razão, o jornalista que eventualmente receber uma gravação obtida ilegalmente e usá-la em uma reportagem pode estar se expondo aos rigores da lei. Desse modo, ele só deve dar esse passo arriscado quando o custo para a sociedade de desprezar o conteúdo da gravação for muito grande. Se o preço pessoal de evitar um crime ou uma sequência de crimes dando publicidade a gravações ilegais for incorrer em uma transgressão menor, o jornalista tem o dever de considerar correr esse risco. Em VEJA, casos assim jamais são decididos individualmente por um jornalista, mas pela direção da revista. O trabalho jornalístico envolve vários riscos. Como qualquer trabalho. Do cirurgião, do advogado. Do engenheiro. Se ele tomar todos os cuidados, os riscos serão minimizados, mas jamais eliminados. A primeira preocupação de VEJA ao ter acesso a uma informação é entender como a informação foi obtida.

Se a publicação do produto do crime tiver relevância para evitar crimes piores, e mesmo que isso ajude a vender revistas, não se incorre em falha ética. Se um jornalista furtar da pasta de uma pessoa, por exemplo, um plano para explodir a represa de Itaipu e se com a publicação do plano ele evitar o ataque terrorista - e ainda vender mais revistas –, a implicação ética lhe será altamente favorável.

“O bom jornalismo é uma atividade de informação mediada. O jornalista não é um mero repassador de declarações. Ele tem o poder discricionário de não publicar uma acusação ou uma ofensa grave.”

As informações obtidas com a garantia de manter o sigilo da fonte trazem desafios adicionais ao jornalista. As informações obtidas de fontes anônimas, que não podem ou não querem se identificar, devem ser usadas preferencialmente como confirmação de dados ou relatos já obtidos de outras fontes. Mas é um erro desprezá-las. Muitas vezes um informante testemunhou fatos relevantes e a única condição que coloca para narrá-los é a manutenção do sigilo sobre sua identidade. A regra básica para errar menos com o uso de fontes anônimas é ter em mente que o leitor pouco ou nada saberá sobre quem deu a informação, portanto o jornalista tem de saber tudo sobre a fonte. VEJA muitas vezes não tem meios de confirmar com outras fontes as informações passadas por uma fonte que pediu OFF.  Digamos que uma discussão entre duas pessoas seja contada em OFF por um dos participantes. VEJA não vai publicá-la se a outra pessoa não confirmar? Talvez sim, talvez não. Depende do conteúdo do diálogo passado. A lição é a de que o bom jornalismo é uma atividade de informação mediada.  O jornalista não é um mero repassador de declarações. Ele tem o poder discricionário de não publicar uma acusação ou uma ofensa grave. Se o custo de não publicar for prejudicial ao interesse público, o jornalista deve pesar os riscos e corrê-los se necessário. 

Uma fita contendo revelações importantes (depois de devidamente periciada e contextualizada) tem valor extraordinariamente maior do que uma frase acusatória, seja em OFF ou em ON. VEJA sempre pericia os diálogos gravados que publicou e guarda esses registros. VEJA já publicou diálogos que lhe foram entregues degravados sem ter tido acesso ao conteúdo original – mas o fez com absoluta segurança da origem do material. Existe uma diferença grande entre uma acusação em OFF e uma fita. A fita, muitas vezes, envolve um diálogo de duas pessoas acusando uma terceira – que pode ser inocente. E ela acaba sendo envolvida num escândalo involuntariamente. Isso raramente acontece na acusação, ainda que em OFF. Por isso, todo o cuidado é pouco com esse tipo de informação.

O documento (depois de periciado e contextualizado) tem valor exponencialmente maior do que uma informação oral, desde que o conteúdo de ambos seja equivalente em relevância. Mas às vezes um documento mente e a informação falada tem mais valor. Exemplo: como forma de mostrar seu distanciamento de uma denúncia de corrupção, o ministro envia um memorando cobrando de seu assessor informações sobre a irregularidade. Esse documento pode ser apresentado pela autoridade como prova de sua inocência. Uma apuração mais aprofundada pode provar que aquele documento não passava de uma armação. Ou seja, cada caso é um caso.

“A regra para lidar com gravações ilegais que registraram atividades de cidadãos ou empresas privadas em seus negócios particulares é: descartar sem ouvir ou assistir – ou, alternativamente, entregá-las às autoridades.”

A fita (periciada, contextualizada) tem muito valor. A perícia ajuda a mostrar se a fita chegou à redação em condições de ser usada como prova. Às vezes, as gravações são inaudíveis ou indecifráveis – ou a fita pode ter sido adulterada com o propósito de mudar o sentido das falas. Nesses casos, ela vai para o lixo.

É crucial enfatizar um ponto da mais alta importância. O que se discute aqui é a publicação de informações que dizem respeito à atuação de autoridades e suas relações com terceiros quando tratam de questões que envolvem dinheiro ou outros bens públicos. A regra para lidar com gravações ilegais que registraram atividades de cidadãos ou empresas privadas em seus negócios particulares é: descartar sem ouvir ou assistir – ou, alternativamente, entregá-las às autoridades.

“As informações são tratadas em VEJA como portas que se abrem para a obtenção de novas informações. Todas elas são checadas.”

Nenhuma reportagem de VEJA – com a exceção óbvia da entrevista das Páginas Amarelas – é feita com base em apenas uma única fonte de informação. As informações são tratadas em VEJA como portas que se abrem para a obtenção de novas informações. Todas elas são checadas, contextualizadas e comparadas, de modo que os eventuais erros que possam ocorrer sejam aqueles que conseguiram escapar de nossos rigorosos mecanismos de filtragem – e nunca resultado de má-fé.

São Paulo, 20 de abril de 2012

Riso causa medo no Sindicato dos Jornalistas de Brasília


Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
Blog do Noblat

Ao ler que o Sindicato dos Jornalistas pediu para a Presidência da República e o Itamaraty proibirem a participação em futuras entrevistas coletivas do grupo de jornalismo humorístico CQC, baseado em um incidente durante a coletiva de Ms. Clinton, fiquei assustada.

Gente, pensei, que será que esses doidos fizeram com a frágil Hillary? A taquicardia provocada pelo susto começou a amainar ao ler que era o Sindicato dos Jornalistas de Brasília. Bem, pensei, meno male. De Brasília? Ora, ora…

E continuei a ler até saber que a grosseria foi oferecer à secretária de Estado uma daquelas máscaras que usamos no carnaval. Ué? Isso lá ofende alguém? Ou o que ofendeu foi o pessoal do Sindicato não ter tido a mesma ideia genial, já que a sutileza não é o forte dos personagens oficiais daquela triste cidade?

Sim, Brasília é uma cidade triste, caturra, estranha. Tem muita autoridade, gente chata, mal humorada ou que só ri quando o vento sopra a seu favor. E não me digam que é implicância ou qualquer coisa no gênero pois em meu coração há lugares especialíssimos para cinco crianças ali nascidas e que eu amo de paixão.

No extraordinário livro O nome da Rosa, Umberto Eco se vale da Poética de Aristóteles e de incontáveis citações para desenvolver uma doutrina a respeito do Riso, repleta de implicações teológicas e culturais.

Seu porta-voz para essa doutrina é o monge bibliotecário Jorge de Burgos que teme o riso por alarmante e espiritualmente perigoso, pois rir afasta o medo e sem o medo, a fé não seria possível. Ou seja, sem o medo do Demônio, não haveria mais necessidade de Deus.

Aparentemente o pessoal do Sindicato dos Jornalistas de Brasília – é bom repetir, de Brasília! – concorda com Jorge de Burgos e teme que o riso leve os brasileiros a raciocinar e a reexaminar com mais rigor aquilo que lhes é dito pela Imprensa Oficial, a que não ri, e que perca a fé no que lhes é dito. Só pode ser isso.

Nas décadas de 60 e 70, um jovem professor de matemática formado em Harvard, Tom Lehrer, excelente compositor, letrista e pianista, fazia shows de imenso sucesso com músicas de sátira política que não perdoavam nada nem ninguém.

Pois bem, corre nos EUA uma lenda urbana contando que quando Henry Kissinger recebeu o Premio Nobel da Paz, em 1973, Lehrer largou a sátira política por achar que o Nobel dado ao ex-secretário de Estado tornava a sátira política obsoleta.

Se é verdade ou não, pouco importa. O fato é que realmente o Nobel da Paz para Kissinger foi um dos mais vivos exemplos de sátira política, comparável talvez à declaração de Ms. Clinton sobre dona Dilma: um “exemplo global de luta pela transparência e contra a corrupção”.

*Razão tinha Billy Blanco

Blogueiro assassinado com 6 tiros no Maranhão


Coluna de Leandro Mazzini 


Foi assassinado há pouco em São Luís, no Maranhão, um dos mais aguerridos e críticos blogueiros políticos do estado, Décio Sá.

Ele estava sozinho no Bar da Marcela, na Av. Litorânea, da capital, onde pediu um prato com caranguejo e foi alvejado por seis tiros – dois deles na cabeça – por um motoqueiro que fugiu , sem deixar pistas.

Décio é conhecido na capital maranhense por denúncias contra setores públicos e políticos.




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Brasil bloqueia projeto da ONU que pretende reduzir número de jornalistas assassinados

Talita Cruz, Observador Político

O governo brasileiro se aliou ao da Índia e do Paquistão para impedir a aprovação imediata de um projeto da ONU que visa diminuir o número de jornalistas mortos no mundo e combater a impunidade no esclarecimento desses casos.

Segundo o CPJ (Comitê para proteção dos Jornalistas), com sede em Nova York, 909 jornalistas foram mortos de 1992 até hoje no mundo. O Brasil ocupa a 11ª posição no ranking, com 21 mortos.

O plano de ação consiste apenas em defender mais a divulgação, acompanhamento e controle dos casos em que os jornalistas são impedidos de exercer suas funções, sobretudo quando são vitimas de violência. Sugere também a adoção de medidas que garantam segurança de profissionais em missões jornalísticas.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, dentre as objeções do governo, está por exemplo a definição mais “detalhada” do que seriam “situações de conflito e não conflito” enfrentadas por jornalistas.

Outra objeção do Brasil foi sobre a expressão “diplomacia silenciosa”, que deverá ser exercida por Estados membros da ONU para incentivar a liberdade de expressão. O governo ainda alega que que a grande maioria de casos verificados no Brasil não guarda relação direta com o exercicio da atividade.

Primeiro, um projeto desse nem seria necessário se os países se preocupassem com os jornalistas. Segundo, esse argumentos usados pelo governo possuem fundamento?



Viva Paulo Freire!


Olavo De Carvalho 
Mídia Sem Máscara

Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais.


Vocês conhecem alguém que tenha sido alfabetizado pelo método Paulo Freire? Alguma dessas raras criaturas, se é que existem, chegou a demonstrar competência em qualquer área de atividade técnica, científica, artística ou humanística? Nem precisam responder. Todo mundo já sabe que, pelo critério de “pelos frutos os conhecereis”, o célebre Paulo Freire é um ilustre desconhecido.

As técnicas que ele inventou foram aplicadas no Brasil, no Chile, na Guiné-Bissau, em Porto Rico e outros lugares. Não produziram nenhuma redução das taxas de analfabetismo em parte alguma.

Produziram, no entanto, um florescimento espetacular de louvores em todos os partidos e movimentos comunistas do mundo. O homem foi celebrado como gênio, santo e profeta.

Isso foi no começo. A passagem das décadas trouxe, a despeito de todos os amortecedores publicitários, corporativos e partidários, o choque de realidade. Eis algumas das conclusões a que chegaram, por experiência, os colaboradores e admiradores do sr. Freire:

“Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.” (John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.)

“Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ ser um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?” (David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.)

“[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundâncias, tautologias, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação.” (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, Abril, 1971.)

“A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’” (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)

“Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como o seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento.” (David Millwood, “Conscientization and What It's All About”, New Internationalist, Junho de 1974.)

“A Pedagogia do Oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral.” (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Educational Studies Associationem Chicago, 23 de Fevereiro de 1972.)

“Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática.” (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review.Vol. 27, No. 3, 1992.)

“Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos.” (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grabowski, ed., Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.)

Outros julgamentos do mesmo teor encontram-se na página de John Ohliger, um dos muitos devotos desiludidos (http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html#I).

Não há ali uma única crítica assinada por direitista ou por pessoa alheia às práticas de Freire. Só julgamentos de quem concedeu anos de vida a seguir os ensinamentos da criatura, e viu com seus próprios olhos que a pedagogia do oprimido não passava, no fim das contas, de uma opressão da pedagogia.

Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “Patrono da Educação Nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve “Getúlio” com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Rousseff, aquela que não conseguia lembrar o título do livro que tanto a havia impressionado na semana anterior, ou o ex-presidente Lula, que não lia livros porque lhe davam dor de cabeça.

Publicado no Diário do Comércio.

CPI: PT dorme no presente e acorda no passado


Josias de Souza


Quente. Muito quente. Deve ser defeito no sistema de refrigeração do Congresso. A sala está um forno. O PT pede à assessoria que ligue para a administração. A resposta chega rápido: nada de errado com o ar-condicionado.

Camisa empapada, o PT ouve o PMDB anunciar: está aberta a sessão da CPI do Cachoeira. Espera um pouquinho. O que estou fazendo aqui? CPI é coisa do ex-PT! Fui dormir no presente e acordei no passado? Que será que andei fazendo?

O PT olha para a direita e enxerga Renan Calheiros. Eu bem que avisei, ele diz. O PT olha para a esquerda e vê Fernando Collor. Estamos juntos, ele solidariza-se. O PT apavora-se. Como é que eu vim parar aqui? Meu Deus!

O PT liga para o Planalto. Alguém tinha que explicar. Ideli, o que estou fazendo aqui? A coordenadora política de Dilma estranha: Hã?!? CPI, Ideli, estou numa CPI! O governo não se mete, vire-se, diz a ministra, batendo o telefone.

Atônito, o PT disca para Lula, que interrompe a sessão de fonoterapia. É isso mesmo, CPI! Esqueceu o que combinamos? A voz rouca ordena: O Marconi, o Demóstenes, a Veja. Pra cima deles! Vamos desmontar a farsa do mensalão!

Com o apoio do DEM, o PSDB anuncia os primeiros requerimentos de quebra de sigilo bancário e fiscal: Agnelo e Delta. A temperatura sobe. O PT corre ao microfone. Não, não, nada disso. O Marconi, o Demóstenes, a Veja.

O PT olha de novo para a direita. Eu disse que esse negócio não acabaria bem, diz Renan. O PT vira-se novamente para a esquerda. O importante é manter a calma, vai por mim. Eu rodei a baiana e deu no que deu, Collor ensina.

Pedro Taques, governista da ala ma non troppo, endossa os requerimentos do PSDB e os do PT. Tem que investigar tudo e todo mundo! Não podemos esquecer de varejar os contratos –da coleta de lixo no DF às obras do PAC.

Levado à CPI por generosidade do DEM, que lhe cedeu uma cadeira de suplente, o pissolRandolfe Rodrigues ecoa Taques. Isso mesmo. Investigação ampla, geral e irrestrita. Acomodado numa cadeira do PSDB, o pemedebê dissidente Jarbas Vasconcelos reforça: Tudo, todos e também o etcétera.

No comando da CPI, o PMDB não percebe o quórum baixo e leva a voto um pedido do PSDB. Aprovado. A assessoria da comissão põe para rodar no sistema de som o áudio captado em reunião de Fernando Cavendish com ex-sócios. A voz do dono da Delta flutua na atmosfera:

“Se eu botar R$ 30 milhões na mão de políticos, eu sou convidado pra coisa pra caralho! Pode ter certeza disso, te garanto. Se eu botasse dez pau que seja na mão de nêgo… Dez pau! Ah… Nem precisava de muito dinheiro não, mas eu ia ganhar negócio. Ôooo…”

O PT entra em pânico. O que estou fazendo aqui? Que diabos andei fazendo? Isso aqui é o inferno? E Renan, à direita: Não, é o purgatório. E Collor, à esquerda: No inferno, o STF julga o processo do mensalão e condena os 38 réus.

Joaquim Barbosa x Peluso, uma questão pessoal


Merval Pereira 
O Globo

Não é a primeira vez nem será a última que ministros do Supremo Tribunal Federal baterão boca em público, embora nunca seja dignificante para a mais alta instância do Poder Judiciário que seus membros se digladiem em público.

Mas o importante, sempre que há um desentendimento deste tipo, é saber se ele foi deflagrado por uma questão de fundo ou se tem origem em questões puramente pessoais. Nada indica que o ambiente do Supremo esteja conflagrado, e muito menos por razões de cunho político.

O que ocorreu foi um desabafo fora de hora do ministro Cezar Peluso, que se antecipou à aposentadoria, que só ocorrerá em setembro, e passou a falar como um não membro do STF, e uma resposta um tom acima do ministro Joaquim Barbosa, um ministro propenso a confrontos, especialmente atingido pela referência a supostos problemas com sua cor de pele.

Diferentemente de um bate-boca anterior, este apresentado ao vivo e em cores pela TV Senado, entre Barbosa e o então presidente Gilmar Mendes, desta vez não havia nenhum debate doutrinário, apenas maneiras diversas de encarar a vida.

Tanto que a única crítica aos procedimentos do STF feita por Peluso em sua entrevista ao Consultor Jurídico, a de que os ministros tendiam a votar de acordo com a opinião pública, não foi rebatida por Barbosa.
Quando Gilmar Mendes o acusou de fazer “populismo judicial”, argumentando que “esse negócio de classe não cola”, Barbosa retrucou que levava em conta “as consequências” de suas decisões.

Ali estava revelado que também no Supremo há um debate entre os “consequencialistas”, que interpretam a lei atentos ao resultado da decisão, contra os “formalistas”, que se atêm à letra da lei — um debate doutrinário sério, que ocorre em vários lugares do mundo.

Mas, no caso presente, nem mesmo esse debate aconteceu, ficando os ataques recíprocos mais no campo pessoal, o que mostra que desta vez não há nenhuma questão de fundo subjacente.

Há quem atribua os constantes atritos entre os juízes do Supremo ao fato de que, nos últimos anos, houve uma renovação de seus membros, fazendo com que hoje haja mais ministros sintonizados com o espírito da Constituição de 1988.

Há também a midiatização dos debates, deflagrada pelo televisionamento direto das reuniões, uma tendência irreversível que dá transparência às decisões, mas transformou os ministros do Supremo em celebridades.

Mas a partidarização do Supremo, no entanto, não parece ser a tônica de sua composição, fenômeno que seria mais tipicamente dos Estados Unidos, onde há o bipartidarismo, do que no Brasil, onde Lula tanto é capaz de nomear o ministro Carlos Alberto Direito, um conservador católico, como Eros Grau, que se diz marxista.

Nomeado por Fernando Henrique Cardoso, Gilmar Mendes mantém um retrato do ex-presidente em sua mesa de trabalho. Já Joaquim Barbosa, escolhido por indicação de Frei Betto, ex-assessor especial de Lula, não pode ser identificado explicitamente com Lula, no máximo com uma ala do PT, tanto que aceitou a denúncia contra os 40 do mensalão.

E o ministro Cezar Peluso também foi nomeado por Lula e também é dado como um voto contra os mensaleiros, tanto que sua aposentadoria, em setembro, entra na conta dos réus como um fator de retardo do julgamento, e sua substituição, como um voto contrário a menos.

Nesse raciocínio que beneficia os réus, se até lá a questão não estiver julgada, o processo seria sustado até que a presidente Dilma indicasse o substituto, o que poderia demorar, ajudando na contagem de tempo para a prescrição.

Há quem aposte, por sinal, que se os dois ministros que se aposentarão este ano — Peluso, em setembro, e Ayres Britto, em novembro — tendessem a votar a favor dos mensaleiros, o PT e a base aliada trabalhariam no Congresso para aprovar a chamada “PEC da Bengala”, passando a idade de aposentadoria para 75 anos.

No entanto, há uma forte tendência entre os estudiosos de identificar um grande teor de personalismo nos julgamentos do Supremo, fazendo com que o tribunal funcione mais como o resultado de posições individuais do que como um colegiado, o que retiraria da série de nomeações de governos ideologicamente alinhados — os governos petistas de Lula e Dilma nomearam 8 dos 11 ministros atuais — a formação de um tribunal à sua imagem e semelhança. Além do mais, o fato de o mandato ser intocável até a aposentadoria, aos 70 anos, dá ao ministro nomeado independência em relação a quem o nomeou.

O que preocupou mais o novo presidente do Supremo, ministro Ayres Britto, foi a declaração de Joaquim Barbosa de que, quando presidente, o ministro Cezar Peluso manipulou sentenças do Supremo.

A acusação é grave, mais ainda porque destituída de qualquer base na realidade. Quando termina um julgamento, o presidente da Corte resume o voto vencedor em voz alta, diante de seus pares e das câmeras de televisão.

Qualquer desvio do resultado, por incompreensão ou erro de interpretação, é imediatamente rebatido pela maioria.

Além disso, quando é feita pelo relator a ementa com a decisão oficial, todos os ministros a recebem antes de ser divulgada, ainda a tempo de corrigir algum eventual erro.

O ministro Joaquim Barbosa referiu-se diretamente ao episódio do voto de minerva proferido por Peluso a favor de Jader Barbalho na decisão sobre se a Lei da Ficha Limpa o impedia de assumir uma vaga no Senado, quando Peluso se recusara a votar duas vezes em outra ocasião.

Na ocasião, porém, explicou que, na primeira sessão de julgamento sobre a chamada “Ficha Limpa”, quando se recusou a desempatar o julgamento, o fez simplesmente porque a maioria dos ministros presentes não concordou com a aplicação da regra regimental.

No caso de Jader, porém, todos os ministros presentes, inclusive os que tinham votado em sentido contrário, decidiram aplicar a regra regimental.

Outro caso polêmico refere-se ao julgamento de Cesare Battisti, quando, logo depois da votação, Peluso, que era o relator e foi voto vencido, disse que não tinha condições intelectuais de redigir a ementa com a decisão do Supremo, ressaltando, com ironia, o que considerava incongruência da decisão de extraditar o italiano, mas permitir que o presidente da República não cumprisse os acordos internacionais firmados pelo país.

O ministro Peluso certamente estava reagindo ao voto da maioria, mas não tentando manipulá-lo.

Supremo reage à acusação de Barbosa de que haveria 'decisões manipuladas'


O Estado de S. Paulo

Presidente da Corte, Ayres Britto rebate Barbosa e afirma que ‘isso é impossível’

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, rebateu nesta sexta-feira, 10, as acusações feitas pelo ministro Joaquim Barbosa de que o ex-presidente da Corte Cezar Peluso manipularia resultados de julgamentos e que colegas o tratassem com preconceito por ser negro.

 “Eu nunca vi e nunca verei um presidente alterar o conteúdo de uma decisão”, afirmou Ayres Britto, em resposta à entrevista de Barbosa publicada na quinta-feira, 9, pelo jornal O Globo. “Proferido o resultado, é impossível manipulá-lo. É uma impossibilidade lógica.”

O presidente do Supremo negou que, em algum momento, ministros tenham sido racistas ou tratado Barbosa de forma preconceituosa. “Eu nunca vi isso aqui. Somos contra o racismo por dever, porque o racismo é proibido pela Constituição e é criminalizado”, afirmou.

As declarações de Barbosa foram uma resposta a uma entrevista de Peluso ao siteConsultor Jurídico. A discussão entre os dois ministros pode ter novo desdobramento na quarta-feira. Integrantes do STF discutiam nesta sexta uma reação em plenário contra as acusações de Barbosa.

Os processos escolhidos para inaugurar a gestão de Ayres Britto - cotas raciais e sociais - podem servir de pretexto para um desagravo. Ministros afirmavam reservadamente que as acusações de Barbosa atingiram o tribunal como um todo.

‘Liberdades’. Barbosa afirmou que “Peluso inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais”. Disse ainda que o ex-presidente do STF é “ridículo”, “brega”, “caipira”, “corporativo”, “desleal”, “tirano” e “pequeno”. Barbosa acrescentou que “alguns brasileiros não negros se acham no direito de tomar certas liberdades com negros”. Foi o que ele disse ter ocorrido no bate-boca que teve com Gilmar Mendes em plenário, quando disse não ser um dos “capangas” do colega.

Ao Consultor Jurídico, Peluso havia dito que Barbosa teria um “comportamento difícil” e que não sabe como será a gestão do colega à frente do Supremo - prevista para novembro, por causa da aposentadoria compulsória de Ayres Britto - em razão desse temperamento. “Ele é uma pessoa insegura, se defende pela insegurança. Dá a impressão que de tudo aquilo que é absolutamente normal em relação a outras pessoas, para ele parece ser uma tentativa de agressão. E aí ele reage violentamente.”

A entrevista foi concedida em março, mas publicada nesta semana, quando Peluso deixou o comando do STF. Peluso reconheceu, depois de publicadas suas declarações, ter cometido um erro ao ter falado do colega. Na quinta-feira, tentou sem sucesso por duas vezes um pedido de desculpas.

Na primeira tentativa, foi ao gabinete de Barbosa, mas a assessoria teria informado que ele não estava na Casa. Depois, Peluso telefonou para o gabinete do colega, mas não foi atendido. Peluso recorreu então a Ayres Britto, que tem bom relacionamento com Barbosa. Na conversa com Britto, Peluso admitiu o erro e pediu que levasse suas desculpas a Barbosa.

No salão contíguo ao plenário, Peluso encontrou Barbosa e pediu desculpas na frente de colegas. Barbosa o cumprimentou, mas já havia informado que daria a entrevista para reagir duramente às declarações do colega.

Estupidez do STJ: 90% do País quer penas duras, mas Código Penal será técnico


Comentando a Notícia

Texto de  Mauricio Tonetto, para o Portal, segue reportagem sobre declarações do senhor Gilson Dipp que talvez esteja se considerando acima da vontade da sociedade a quem ele deveria servir, por ser ela quem lhe paga o salário. Volto depois para comentar:

Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil 
O ministro Gilson Dipp, presidente da comissão de juristas que elabora o novo Código Penal, 
recebeu cerca de 2,5 mil sugestões populares, a maioria cobrando rigor nas punições

Para acabar com a sensação de impunidade no País e fazer do Judiciário uma instituição confiável, 90% dos brasileiros que mandaram sugestões à comissão que elabora o novo Código Penal (CP) defendem que é preciso punir severamente os criminosos. A maioria das 2,5 mil ideias que chegaram à mesa do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp, presidente da comissão, exige prisão perpétua, pena de morte, castração para estupradores, redução da maioridade penal para 10 anos e trabalho forçado aos presos. Mesmo entendendo os "anseios do povo", ele assegura ao Terra que o anteprojeto, que deve ser enviado ao Congresso em até dez dias, será técnico, equilibrado e sem excessos.

"Sabemos os anseios do povo e a sensação de insegurança que a sociedade vive. Claro que a comissão sempre examina e lê as sugestões, mas nós temos aqui um trabalho técnico, que não pode ser dissociado da realidade. Esperamos entregar um projeto razoável, bem feito, equilibrado", adiantou o ministro. Conforme ele, crimes graves devem ser punidos com mais rigor, enquanto os de menor importância serão retirados.

"Crimes violentos, contra a vida, saúde e liberdade e aqueles que tragam grande lesividade social terão um tratamento firme. Outros, como o jogo do bicho, hoje contravenção penal, também serão incluídos no Código Penal, pois com eles há uma série de outros ilícitos", afirmou Dipp. A comissão de reforma do CP foi instalada em novembro de 2011 no Senado. Após a elaboração do anteprojeto pelos juristas, uma outra comissão, de parlamentares, será designada pela Casa, e então o projeto pode se tornar lei.

Terrorismo, eutanásia e aborto
De acordo com Dipp, os ministros estão preparados para as reações aos pontos polêmicos do novo Código Penal, como o aborto e a eutanásia. "Estamos sugerindo a ampliação da possibilidade de aborto e pedindo a liberação da eutanásia, hoje proibida. Já os crimes de terrorismo e de internet - muito complexos -, seguirão tendências internacionais", salientou ele.

Pelo texto, o aborto seria legal até a 12ª semana, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade, e também inclui o aborto em caso de anencefalia ou quando houver anomalias que podem causar a dependência da pessoa. No caso da eutanásia, ela poderá ser praticada com o consentimento de parentes, seguido da liberação de um juiz.

O advogado criminalista Roberto Podval, que defendeu o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados por matarem a menina Isabella Nardoni em 2008, espera que as diferenças ideológicas do Congresso não estraguem a coerência do trabalho jurídico. "O Congresso não é necessariamente técnico, e muitas vezes a modificação pontual de artigos quebra a coerência da própria legislação. O melhor seria, respeitando ideologias, que o Congresso acate as sugestões trazidas pelos técnicos com menos rupturas possíveis", afirmou.

"A coerência não está necessariamente nos anseios sociais. Nós, enquanto sociedade, queremos até uma certa vingança, mas não é por aí, devemos ser técnicos", completou o advogado.

OAB está ao lado dos juristas
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, diz entender a "posição da sociedade e a indignação", mas sustenta que não se deve perder "o equilíbrio e fazer uma legislação que não vá resolver o problema".

"Se lei acabasse com impunidade, nós certamente não teríamos um caso de corrupção no País. A grande questão não é a proliferação ou endurecimento de penas, como a morte e castração química, que a Ordem não concorda, mas a compatibilidade da legislação com nossos dias atuais", defendeu.

Ophir diz que é preciso, além de um novo Código Penal, a reforma do Judiciário. "Temos que buscar mecanismos para dar efetividade à lei, e nisso está a reestruturação do Judiciário. Não será uma lei penal que reduzirá o crime no Brasil", concluiu.

Código Penal tem 70 anos
O Código Penal vigente no País foi criado pelo decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, pelo então presidente Getúlio Vargas durante o período do Estado Novo. Ele só entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 1942 (artigo 361).

A substituição foi tentada em outubro de 1969, durante a ditadura militar, mas as críticas foram tão grandes que o Código acabou modificado em dezembro de 1973. Apesar de vários adiamentos para o começo de sua vigência, ele acabou revogado em outubro de 1978 e permanece o mesmo da época de Getúlio Vargas.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Olha, por tudo aquilo que já se divulgou sobre este tal anteprojeto, e eu aqui já comentei a respeito, o Brasil corre o risco de ver aumentado à enésima potência seus atuais níveis absurdos de violência e criminalidade.

Ora, o senhor Dipp não é dono da verdade. Ele, no fundo, é mero servidor público, que deve prestar um serviço decente à sociedade que paga seus salários. Se esta mesma sociedade exige que o Estado puna com mais rigor seus bandidos, o senhor Dipp não tem que discutir o assunto. Quem escolhe os caminhos do país é seu povo, e não um mero servidor público que se acha dono da verdade absoluta. Ou será que o senhor ministro entende mais de violência, vivendo num belo e confortável gabinete refrigerado, do que o povo que anda nas ruas e que é quem sofre assaltos, estupros, assassinatos, sequestros, agressões físicas de toda a ordem?

Pelo pensamento do senhor Dipp, parece que a violência no país é algo irrelevante. Juntos com seus pares, e todos parecem sofrer de miopia coletiva, querem modernizar o código penal indo contra a maré, querendo tratar os criminosos como seres compreensivos, cidadãos conscientes de seus deveres, que praticam o crime apenas por mero romantismo. Bandido, senhor Dipp, é bandido, aqui e em qualquer lugar. Seus instinto é maldoso sim, sente prazer em praticar violência, em fazer seu semelhante sofrer. São psicopatas, sociopatas, e como bandidos devem ser tratados. E a Justiça neste país, meu caro senhor, há muito tempo o templo da injustiça, do atraso, da omissão, da negligência. Acaso o senhor Dipp já parou para analisar os números da violência no país? Se deu ao trabalho, ao menos, de analisar as causas deste aumento indiscriminado? Onde ele esteve até agora, em que mundo, em que paraíso fiscal ou oceânico? Saia às ruas, senhor ministro, fale com o homem comum, indague-lhe sobre a violência que o assalta diariamente. E tenha um banho de realidade.

Quem sustenta toda esta estrutura ridícula, incompetente, omissa, negligente chamada Estado brasileiro, ao qual se junta o Judiciário com sua estrutura caótica e seus valores distorcidos, não pode agora exigir um mínimo de retorno em seu favor?  Não há canto do setor público brasileiro onde não se roube vergonhosamente, sem que os larápios paguem pelos crimes que cometem! Se fossemos dar trela à bazófia do senhor Dipp, o melhor a fazer seria fechar estas pocilgas públicas,  e declarar um liberou geral. Prá que judiciário, se ele não pune criminosos? Prá que polícia se, quando prende, a justiça solta?  Prá que 38 ministérios, inflados e inchados de incompetentes, que não prestam prá nada? Prá que Congresso nacional cheio de deputados e senadores e toda a corte faustosa e inútil que os acompanha se, além de roubar descaradamente do povo, vive na maior gandaia, não trabalha,  e não consegue votar leis decentes destinadas em beneficiar as pessoas decentes deste país? 

Senhor Dipp, até para ser estúpido há limites. A sociedade brasileira EXIGE, por ser seu direito, que o novo código penal ponha na cadeia, em regime de punição exemplar, os bandidos que infernizam seu dia a dia.  Se vosso saber jurídico é incompetente para entender isto, deixe a missão para quem aprendeu que é a sociedade que escolhe seu destino, apesar de alguns juristas metidos a bestas, se colocarem acima dela.  

Queremos leis que protejam o cidadão comum, que lhe garanta segurança para si, para sua família e para seu patrimônio conquistado com suor e trabalho honesto, e não que passem a mão na cabeça de bandidos e delinquentes. Só no Nordeste, nos últimos seis anos, os níveis de criminalidade se multiplicaram em três vezes. Ora, o que faz a festa da bandidagem é a sensação de impunidade, a falta de leis que os punam de forma exemplar, e de um Judiciário que cumpra com o seu papel, porque a justiça que tarda, já deixou de ser justa há muito tempo. 

Assim, que o senhor Dipp ponha no lixo este seu discurso vazio, e cumpra com aquilo que a sociedade brasileira deseja. Se não pode fazê-lo, se não pode atender aos anseios e necessidades quanto a preservação da segurança pública em favor dos cidadãos, então que entregue o serviço a quem possa fazê-lo. De papo furado o inferno está cheio, mas sempre cabe mais um.

Sem oposição é mais fácil


Carlos Alberto Sardenberg 
O Estado de S. Paulo

Como a presidente Dilma tem avaliação tão positiva se o povo condena os serviços de saúde, segurança, impostos, juros .....

Como a presidente Dilma pode ter popularidade tão elevada se a população desaprova a gestão do governo na maioria dos setores essenciais? É a questão levantada a partir da pesquisa Ibope divulgada neste mês. Nada menos que 77% dos brasileiros (mais de três em cada quatro) aprovam o modo como a presidente Dilma leva o país. O pessoal também considera a presidente melhor que seu governo, este com 56% de ótimo/bom (20 pontos a menos do que avaliação pessoal de Dilma). 

Mas o governo tem aprovação maior que a desaprovação em apenas três áreas. Vai bem no combate ao desemprego (53% positivos), à pobreza (59%) e no controle do meio ambiente (53%). Em outras, é reprovado. Nada menos que 65% dos pesquisados desaprovam o sistema de impostos 63% condenam os serviços de saúde e 61% reprovam a segurança pública. E mais: 50% reprovam o combate á inflação (33% aprovam) e 55% condenam os juros (isso medido antes da ofensiva presidencial pela redução das taxas). 

O que explica isso? 
 A melhor hipótese é simples: falta oposição. Se a população considera ruins os serviços que recebe e, ao mesmo tempo, aprova a presidente amplamente, só pode ser porque não considera Dilma responsável por aqueles problemas. Ora, carimbar a culpa na presidente e no governo é o papel da oposição, em qualquer lugar do mundo. 

No caso brasileiro atual, a oposição nem precisa mostrar que setores essenciais não funcionam – o povo percebe isso. Nem precisa mentir ou fazer uma propaganda enganosa. A responsabilidade é, de fato, do governo federal e da presidente. Por exemplo: juros altos e inflação elevada, isso é política econômica, área exclusiva Ministério da Fazenda e do Banco Central. 

Mas neste departamento, a acusação exige que se apresente a alternativa. Não basta apontar um problema que a população já sente. É preciso convencê-la de que há outro caminho para o que ela quer, juros menores e inflação baixinha. E aqui já se vê por que a oposição fracassa. Qual a proposta do PSDB, do DEM ou do PPS? 

Líderes e associados desses partidos mostram idéias aqui e ali, mas não se vê nada construído em torno do nome forte da oposição, o candidato à presidência. Este, aliás, quem é? A vez é do senador Aécio Neves, mas vá dizer isso a Serra .... 

Além disso, muita gente da oposição até gosta da política econômica de Dilma. O caso do dólar, por exemplo. Nos últimos tempos, ampliou-se muito a classe média que viaja ao exterior, beneficiada pelo dólar barato e pelo crediário farto. Para esse pessoal, ficou quase normal fazer compras em Miami e N.York. Agora, o dólar está subindo - por ação do governo Dilma - e incomodando essa classe média. E não se ouve uma palavra da oposição. 

Nos outros quesitos condenados nas pesquisas – saúde e segurança – e em educação (48% de reprovação), a coisa é ainda mais complicada. Nessas áreas, a responsabilidade não é apenas de Brasília, mas também dos governos estaduais, muitos dos quais em mãos da oposição. Aqui, portanto, não basta um bom discurso, é preciso mostrar serviço, fazer a diferença. 

Por exemplo: as escolas públicas de S.Paulo ou de Minas, os dois mais importantes estados administrados pelo PSDB, há anos, deveriam ser percebidas como muito melhores do que as demais. Idem para polícia, para os hospitais e postos de saúde, mas não é o que se vê. Ou que a população perceba. Não se define uma opção efetiva de gestão diferente e melhor, que possa ser apresentada como o modo tucano (ou democrata) de governar naquelas áreas. 

Nem há consistência partidária. Em S. Paulo, por exemplo, o governador Alckmin abandonou políticas educacionais modernas da anterior gestão tucana. 

No Brasil, no geral, fica tudo muito parecido, inclusive nas boas iniciativas, sempre isoladas, e que se encontram em gestões dos diferentes partidos. 

Tudo considerado, assim como o presidente Lula fazia, sua sucessora consegue capitalizar as coisas boas e escapar das ruins. Capitaliza com intensa propaganda, como no caso do programa Brasil Sem Miséria – nem começou e já é apresentado na mídia como estrondoso sucesso. Já de uma fila do SUS, não há propaganda que salve, mas como não há oposição que condene, a presidente pode fazer o que faz: bom, o problema é de todos ou dos outros. 

Juros? A culpa é dos bancos privados. Dólar? A culpa é do tsunami americano e europeu. 

Até com a corrupção. Lembram-se o que Lula dizia do mensalão? É coisa que todo mundo faz. 

E que tal a CPI do Cachoeira? Parece que vai pelo mesmo caminho: a corrupção é de todos. 

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Juros bancários 
A coluna da semana passada – Guerra aos banqueiros – trouxe algumas imprecisões nos cálculos sobre os componentes do spread bancário, a diferença entre o que os bancos pagam pelo dinheiro e quanto cobram nos juros ao cliente final. 

A base dos cálculos está correta, mas cabem algumas correções, a partir de dados oferecidos por especialistas do setor financeiro. 

Assim, numa taxa de juros de 50% ao ano, para o cliente final, o lucro do banco, a margem líquida, nas condições atuais, ficaria em torno de 13,2%. Ou seja, dos juros pagos pelo cliente, 13,2% vão os donos dos bancos. (Na coluna da semana passada, havíamos calculado um pouco mais, 16,3%). 

As taxas de juros variam de maneira muito ampla, conforme as diversas modalidades. Podem ir de 0,8% (no consignado) para 9% ao mês (no cheque especial, por exemplo). Os spreads, portanto, variam da mesma maneira. 

Mas segundo cálculos do BC, o spread médio em fevereiro passado foi de 28,4%. Nesse caso, a margem líquida dos bancos é de 9,3% - que é mais ou menos o valor informado pelos bancos em seus balanços. 

Outro dado, não uma correção, mas um adendo. O compulsório, dinheiro que os bancos obrigatoriamente deixam depositado no BC, está hoje em torno de 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Nunca foram tão altos. Isso é uma limitação à queda dos juros, claro, pois reduz a capacidade de empréstimo do sistema financeiro como um todo. 

As correções reafirmam o conteúdo de nossa argumentação: que a culpa pelos juros não é só dos bancos, mas também do governo. Impostos e compulsórios elevados limitam a queda dos juros. 

Resolução 72 deixa estados à mercê do governo


Ana Clara Costa
Veja online

Queda nas receitas com importação fará com que governadores dependam cada vez mais da "bondade" do Planalto na hora de liberar repasses

(Jefferson Bernardes/Preview.com) 
Projeto de Resolução nº 72 foi aprovado na CAE e seguirá ao Plenário 

A votação do Projeto de Resolução nº 72 no Senado ocorrerá dentro de uma semana e não deverá apresentar surpresas. Diante da esmagadora maioria de votos na última reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) à favor da matéria que fixa alíquota única interestadual de 4% para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos produtos nacionais e importados, os senadores deverão manter o acordo firmado com o Palácio do Planalto e apoiar a aprovação. A medida, que segue a cartilha governista de tentar desestimular canais de importação, mina a competitividade dos portos de alguns estados que se especializaram em logística e comércio internacional, com consequências desastrosas para as contas públicas estaduais.

O clima entre os governadores dos estados prejudicados é de resignação ante o fato praticamente consumado. "A sensação que fica é de que não há interesse em preservar o equilíbrio federativo", afirma Renato Casagrande (PSB-ES), chefe de governo do Espírito Santo – unidade da Federação que possui metade de seu Produto Interno Bruto (PIB) ligado à área de comércio exterior. Segundo ele, três empresas já expressaram interesse em sair do estado antes que a resolução entre em vigor, em janeiro de 2013. "Vamos tentar negociar com as empresas, mas não há muito que pode ser feito", diz.

Segundo o presidente da CAE, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), a aprovação da resolução não significa que o governo encerrará as discussões com os estados e os deixará à deriva para que resolvam, sozinhos, a queda súbita de arrecadação que a medida implicará. "Eles estão preocupados em ficar na mão. Mas o governo vai insistir em resolver as coisas para evitar uma reação por parte das bancadas. Como esse projeto de resolução só valerá a partir de janeiro, haverá tempo suficiente para fazer ajustes", afirma o senador.

O problema é justamente esse período de "ajustes". Com os estados prejudicados (sobretudo Espírito Santo, Santa Catarina e Goiás) à mercê do governo federal, a independência política e econômica que caracteriza o princípio do federalismo desce pelo ralo. Afinal, qual estado corajoso ousará levar a União ao Supremo Tribunal Federal (STF), contra a Resolução nº 72, se todos terão de estender o chapéu em Brasília para conseguir repasse de verbas para fechar suas contas deterioradas pela queda na arrecadação?

A maior reclamação dos estados é que, até o momento, não foi aprovado um período de transição para que possam replanejar suas contas diante da nova realidade econômica. Em contrapartida, o governo federal anunciou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizará mais crédito para que os prejudicados possam intensificar investimentos em obras de infraestrutura e assim, quem sabe, reduzir o custo Brasil embutido em seus produtos. "Mas até uma obra grande de infraestrutura ficar pronta, muito tempo vai passar. Por isso acreditávamos em uma política de transição", afirma o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (DEM-SC). Segundo ele, o estado arrecada cerca de 950 milhões de reais por ano somente com importações.

O governo também acreditava em transição antes de usar a estratégia de passar um "rolo compressor" sobre o processo. Porém, segundo fontes próximas ao Planalto, o resultado da balança comercial no primeiro trimestre do ano – que mostra uma queda de 23% no superávit do período – fez a Fazenda mudar de ideia do dia para a noite. "Agora os estados estão contando com investimentos em logística vindos do governo, além da antecipação dos royaltiesdo petróleo, que é possível no caso do Espírito Santo", afirma a fonte.

No final, a sutileza da Resolução nº 72 está em aprisionar os estados economicamente – e politicamente – sem que nada possa ser feito. "É a continuidade da política do 'toma lá, dá cá'. Os estados menos desenvolvidos terão de ir até o Planalto pedir clemência. E isso qualifica uma federação fajuta, pois uma atitude como essa impede que os estados trabalhem suas próprias vocações", afirma o advogado tributarista Jorge Henrique Zaninetti, sócio do escritório Siqueira Castro.

Para Zaninetti, o fim da "guerra dos portos" deveria estar inserido em uma reforma tributária estrutural e completa, que reduzisse as amarras fiscais de empresas e governos, sem que fosse necessário o aumento da dependência em relação à União. "Se não há autonomia financeira, não há autonomia política ou administrativa", afirma. É um sério risco para o federalismo brasileiro.