terça-feira, abril 24, 2012

Regimes são entraves à prática do jornalismo nas Américas, diz SIP


O Globo
Com Agências Internacionais

Violência contra jornalistas é outro problema; no Brasil foram 27 casos em 6 meses

ORLANDO SIERRA/AFP - 23/04/2012
Morte do apresentador de TV Noel Alexander Valadares em Tegucigalpa, 
em Honduras, onde 19 jornalistas morreram nos últimos 3 anos; 
violência é uma das principais ameaças à liberdade de imprensa nas Américas, segundo SIP

CÁDIZ, Espanha — A ação direta de governos democráticos — mas arbitrários — sobre meios de comunicação independentes, além de agressões e assassinatos, são os principais problemas enfrentados atualmente na prática do jornalismo nas Américas, segundo relatório apresentado nesta segunda-feira pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Realizada na Espanha, a Reunião de Meio de Ano da SIP reuniu 250 representantes de jornais de 25 países em quatro dias de debates.

No relatório sobre o Brasil, foram mencionados o aumento nos casos de assassinatos de profissionais da imprensa. Segundo a SIP, no período de seis meses foram registradas 27 ocorrências violentas, incluindo três homicídios. A censura judicial também foi um dos temas abordados no texto sobre a situação da imprensa brasileira, lembrando que a demora nos julgamentos estimula a impunidade.

Além do Brasil, o Haiti também está no grupo dos países que sofrem com ataques a jornalistas. Já em Honduras, 20 profissionais foram executados nos últimos dois anos, e os crimes ainda não foram esclarecidos. Agressões no México e em Cuba ainda foram lembradas: no primeiro, 29 jornalistas tornaram-se alvos, e dois atentados foram cometidos pelo crime organizado, contabiliza o relatório. Em Cuba, além das restrições à internet, a SIP informa que, apenas em 2012, houve uma média de 600 detenções de jornalistas independentes e blogueiros por mês.

No relatório, Venezuela, Equador, Argentina, Bolívia e Nicarágua foram apontados como países onde a situação da imprensa é crítica, devido a ações de seus governos. No Equador, o presidente Rafael Correa defende que a informação é um serviço público que deve ser administrado pelo Estado. Já na Bolívia, Evo Morales ameaça regulamentar a Lei de Imprensa para regular a mídia de forma mais rigorosa, aponta o relatório.

Em pedido à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), a SIP solicitou que os governos membros da associação não cedam ao pedido do Equador, que quer restringir a atuação da Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão, impedindo-a de buscar fundos fora da OEA. Também foi pedido à Venezuela que forneça acesso às fontes de informação. A falta de transparência da Argentina em questões relativas à informação pública ainda foi criticada no texto final da reunião.