segunda-feira, outubro 23, 2006

O Brasil pós-29 de outubro !

Num artigo que escrevi há quase um ano atrás, demonstrei que um dos problemas brasileiros era a falta de acesso universal à informação, que se observa em quase 85,0% de sua população.
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E aqui, quando falo de informação é no sentido mais amplo do termo. Certa feita alguém me criticou dizendo que quase 100% dos brasileiros possuem televisão em seus lares, e que minha conta estava errada. Cortei-lhe a crítica com a seguinte interrogação: quais os índices de audiência em números de domicílios dos principais telejornais da televisão brasileira ? Não se pode tomar apenas isto como “acesso universal”. Informação não é apenas televisão, até porque alguns telejornais são tão parciais ou superficiais que fica difícil afirmar-se que seja apenas informação o que transmitem.
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Depois, perguntei-lhe simplesmente quantos no Brasil lêem jornais, qual o montante da tiragem diária de jornais diários em circulação no Brasil. Este seria o número de “informados”. Porque quem lê jornal, busca aprofundar-se em algum assunto ou matéria de seu interesse que, os telejornais, pelo tempo, muito pouco aprofundam e atingem o interesse individual deste ou daquele indivíduo, nesta ou naquela matéria.
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Partindo portanto deste dado, fica fácil chegarmos a uma conclusão mais “compreensível” da vantagem de Lula nesta campanha eleitoral. De um lado, e historicamente falando, a população brasileira tende sempre a manter no poder quem ali já se encontra. E, a menos que o candidato tenha sido pego matando alguém, os demais crimes serão sempre desculpáveis ou perdoados. Há inúmeros casos que corroboram esta afirmativa. E, à exceção dos sanguessugas, quando se fez uma pesquisa a respeito (25% afirmaram haver ouvido falar ou tomado conhecimento do escândalo), nos demais escândalos promovidos no governo Lula, boa parcela da população (e eu diria que a maior parte dela até), sequer tomou conhecimento deles, e dentre os que souberam, uma quantidade menor ainda se preocupou em saber mais e em conhecer quem cometeu o quê !
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Ora, não se pode culpar o povo de reeleger Palocci, João Paulo Cunha, Jader Barbalho, Paulo Maluff. O que se pode é condenar o poder público em manter a maior parte do povo brasileiro na ignorância total ao longo do tempo. E já se vê, pela reeleição de tantos corruptos, quais são as razões para isto.
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Mesmo Lula pratica esta ação criminosa e conveniente. Conforme já demonstramos nesta semana, na educação brasileira se investe maciçamente muito mais em ensino superior do que em ensino fundamental, ao contrário do que se pratica no restante do mundo. No caso de agora, com aceno de mais “faculdades” para o jovem, Lula ele está atraindo o eleitorado que vota. Se alguém for avaliar dentro de 5 anos estas “faculdades” que Lula insiste em serem necessárias, e não são, conforme já comprovamos, verá que elas ou fecharam por falta de público e em razão da baixa qualidade, ou as encontrarão abertas mas oferecendo coisa alguma por estarem totalmente dissociadas das reais necessidades do país. Claro, Lula nunca estudou além de quatro ou cinco anos de ensino fundamental. Para ele fica difícil entender o que seja qualidade de ensino, ou criar nas faculdades já existentes, incentivos a se produzirem cursos concatenados com as necessidades do mercado de trabalho . Veja-se o caso da EMBRAER, que precisa criar um programa de formação de engenheiros aeronáuticos porque nossas faculdades não suprem a quantidade que o mercado demanda. Em contrapartida, dê-lhe faculdades de direito, das quais o país já conta com mais de 1.000, e nem por isso temos advogados melhores hoje do que ontem quando haviam menos. Já referimos aqui que os Estados Unidos com igual território e uma população muito maior, sendo a maior potência do planeta, não tem mais do que 200 faculdades de direito. E acredito que os advogados de lá ganham muito mais do que os daqui.
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Esta burra visão do governo Lula de achar que a quantidade maior fará a diferença, é um engodo duplo. Primeiro, porque não terá força para melhorar o nível dos nossos profissionais, e o que acontece com os números crescentes de “reprovados” nos exames da OAB representam bem isso. Segundo, porque maior o número de profissionais num mercado estagnado, menor a valorização dos profissionais daquela área. É a famosa lei de mercado, da oferta e da procura. Havendo menor valoração da atividade, o profissional se sentirá frustrado e talvez até trate de recomeçar tudo de novo em outra área. Não estou dizendo que se deva restringir a abertura de novos cursos de ensino superior. Mas que isto seja feito com critérios técnicos mais adequados, facilitando a abertura de cursos para áreas em que o mercado de trabalho exige maior número de formandos, e qualificando melhor aqueles cursos já existentes, para formar profissionais mais bem preparados.
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Por isso, esta febre de Lula de abrir faculdades a torto e direito, levantando esta bandeira como conquista e realização de governo, deveria ser vista pela sociedade com maior rigor do que a que se vê, e não se ter medo de dar nome aos bois: trata-se de demagogia barata no discurso, e a um custo alto seja pelo que se gasta na abertura destes novos cursos, seja pela frustração na formação de baixa qualidade de profissionais que atuarão em atividades já saturadas de profissionais.
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Portanto, a falta de informação no caso dos escândalos do governo Lula, promove esta distorção dele ser favorito apesar de tudo. Assim como a falta de informação distorce seu discurso que fica parecendo ter ele feito um governo como “nunca dantez”, vê-se na questão das “novas faculdades” a mesma visão embaralhada. Claro que a oposição facilita as coisas para o petista. Como se viu recentemente quando o clima de terrorismo eleitoral desencadeado por Lula e seus asseclas na questão das privatizações. Claro que Lula vai apresentar os números que lhe convém, mas alguém deveria lembrá-lo que os bilhões torrados pela presidência mais cara da nossa história republicana advém justamente dos investimentos de bilhões que se consumaram nas empresas que foram privatizadas. Que também parte dos milhões de empregos que ele mente no exagero ter gerado, também são oriundos destas atividades. Apenas para recordar, vale lembrar que a EMBRAER, em estado falimentar antes da privatização, além de tornar-se uma das mais competitivas empresas do mundo em sua área, tinha 4.000 funcionários antes, e hoje tem 12.000, além dos bilhões que gera com exportações e pagamento de impostos.
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Tivesse a população brasileira, em sua maioria, acesso universal à informação, Lula por certo não se reelegeria com a mesma facilidade que as pesquisas estão a apontar. E muito do seu discurso cairia no ridículo. Como quando fala de um projeto de “concertação” caso seja reeleito. O que seria tal projeto ? Seria colocar todos em volta de uma mesa de negociação, para traçar um projeto de entendimento e união nacional para a montagem de uma agenda de projetos e aprovação de reformas necessárias ao progresso do país. O discurso é bonito e motivacional, mas por que isto agora e só no segundo mandato ? Por que não tratou de fazer isto em 2003 ou 2004, quando ainda contava com a aprovação de 53,0 milhões de votos e sem escândalos de corrupção, tinha no restante da população uma expectativa maior de reconstrução do país ? Neste sentido, muitos lembram os casos do Chile e da Espanha em que se tentou projetos semelhantes e o êxito foi total.
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Vamos abrir um pouco o leque e ver qual a real intenção do Lula. Primeiro, que Chile e Espanha viviam situações diferentes das que vive o Brasil atualmente. Havia uma total insegurança institucional, e somente o caminho do entendimento nacional seria capaz de devolver a estabilidade necessária para o país andar. Não é que temos hoje no país. Mesmo que sujeitas a reformas necessárias, mesmos que vez por outra pipoquem alguns problemas localizados, nossas instituições democráticas vão bem obrigado. Além disto, vale lembrar o Lula de ontem. Em 1992, quando Collor foi varrido do Planalto, assumiu Itamar Franco, que era seu Vice-Presidente. Ali, viveu-se uma certa inquietação e turbulência nas instituições. Era um caso inédito na nossa história. Portanto, um projeto como o que Lula ora acena, tinha ampla necessidade de ser implantado. E foi o que Itamar tentou. Chamou Lula e o PT a participarem, já que haviam sido os aríetes da queda de Collor. E qual foi a resposta ? Sonoramente, ouviu-se um “NÃO”. Em 1988, após 21 anos de ditadura militar, o Brasil promulgava sua constituição, que Ulysses Guimarães alcunhou de “constituição cidadã”. Tirando-se os exageros nela contidos, mas nada que a macule, Lula e PT negaram-se em assiná-la. Já com FHC no governo, precisando aprovar reformas extremamente urgentes para colocar o país de volta à normalidade econômica, várias foram as vezes que o PT foi chamado ao entendimento. Não apenas negou-se em trabalhar em favor do país, como também votou contra todas as reformas, tendo Lula e seus “companheiros” afirmado que o Plano Real não daria certo. E, ironicamente, é justamente a estabilidade do Plano Real que lhe dá sustentação neste primeiro mandato.
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Além do mais, por que Lula não tentou este entendimento no primeiro mandato, e quando havia clima propício para tanto ? Claro, porque ele contava em chegar às eleições de 2006 como o inventor da pólvora. Não tinha em mente que os escândalos que viriam estourar em seu governo minariam sua força política junto à oposição. Contudo, seja qual for o resultado desta eleição, e mesmo que Lula ganhe, ele sai dela chamuscado, e com um enorme ponto de interrogação sobre sua cabeça, em razão das investigações em curso dos atos de seu governo. Mas não apenas isto: em razão das vitórias de Aécio e Serra em primeiro turno em seus estados, Minas e São Paulo, e dada a importância eleitoral deste dois amplos colégios eleitorais, ambos se habilitam como nunca a um projeto de oposição à Lula, e são candidatos naturais do PSDB à sucessão em 2.010.
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Ora, se sabe, e não é de hoje, que Lula criará um cenário para manter-se no poder em 2010 também. Mesmo que a reeleição seja abolida, isto valerá somente a partir de 2010, o que não impediria Lula de tentar ficar mais um mandato. Já se trabalha neste sentido, mesmo que nos subterrâneos, mas há um movimento neste sentido.
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Portanto, o projeto de entendimento com que Lula acena para a oposição, nada mais é do que coonestar seus adversários a jogarem em seu favor, e em seu próprio campo. Até porque, não custa lembrar, Lula não se cansa de falar de uma reforma política através de uma constituinte, projeto que foi engavetado, mas não foi rasgado. O mesmo se diga quanto à sua tentativa de querer “regulamentar” os meios de comunicação mas que, no fundo, esconde o desejo de frear o direito à livre manifestação, e assim, controlar a “mídia” nacional. Que, aliás, já é feita de modo sub-reptício hoje, mas sem uma regulamentação específica neste sentido.
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Mesmo que não houvesse esta “segunda” intenção no projeto de “concertação”, ainda assim Lula não tem moral para mediar este entendimento, pela simples razão de que, quando chamado pelos presidentes que o antecederam, ele e seu PT disseram “não”, e torpedearam o quanto puderam para prejudicar a governabilidade do país. Por que razão a oposição agora deveria seguir em sentido inverso ao usado pelo PT ? E aqui não se venha querer dizer que a oposição deveria ter grandeza verde – amarela. Uma ova ! À oposição cabe o papel de fiscalizar e de fazer o que em qualquer democracia deste planeta é feito: oposição. Não aquela irresponsável que o PT de forma xiita fez ao longo de 20 anos. Se Lula quer governar que o faça com aquilo que diz ter e com os programas que diz pretender implantar. O próprio PSDB e PFL aprovaram a PEC da reforma da Previdência apresentada pelo governo Lula, que aliás, era uma cópia grosseira daquela que Fernando Henrique apresentara e que o PT se negou em aprovar. Além do mais, existem ilegitimidades numa reeleição de Lula. Além dos crimes eleitorais (e são muitos) que cometeu com a máquina e recursos públicos, ao abrir-se a campanha do segundo turno, Lula colocou em prática um terrorismo eleitoral injustificado, com mentiras e desfaçatez. Estender mão amiga depois de eleito ? Só se for para trair e apunhalar como tem feito ao longo da história. .
Não se está aqui dizendo que PSDB e PFL devam partir para guerra. O relacionamento deve ser institucional. Mas não mais do que isso. Nem Lula e nem tampouco o PT merecem, e se o TSE, Ministério Público ou STF entenderem que houve crime eleitoral ou de responsabilidade cometido por Lula, que sejam julgados e se, condenados, que sofram o rigor da lei. Isto faz parte do Estado de Direito. Golpe seria, ao contrário do que apregoam os governistas, colocar-se a lei de lado, e numa legítima política de compadrio, abençoar-se os criminosos apenas com base nas urnas. Porque se deve ter em mente que os crimes praticados por Lula antecederam às urnas, assim, pelo rigor da lei, sequer deveriam ter seus registros de candidaturas sido mantidos. E, afinal, numa democracia, a ninguém é dado o privilégio de colocar-se acima da lei vigente. Ou ela subordina a todos, independente de quem quer seja, inclusive o presidente, ou que se tem é um estado animalesco de selvageria e de caos. Se o que se quer é construir uma nação livre, democrática, progressista e decente, respeitemos e façamos cumprir a lei, e fazer com que todos a ela sejam subordinados.

TOQUEDEPRIMA...

Reinaldo Azevedo e sua definição mais que exata:



"Marta Thereza Smith de Vasconcellos Suplicy – no momento, Favre também - , sinhazinha do Brasil, disse que votar em Alckmin é aprofundar a diferença entre ricos e pobres. A tia da Casa Grande olha com generosidade para a senzala. Duvido que ela saiba o nome de todos os seus empregados..."
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COMENTANDO A NOTICIA: Mais não se precisa dizer, a não ser parabenizar tanto o Reinaldo quanto ao Prosa & Política de onde recolhemos a pérola acima.
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Slogan roubado
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Leonel de Moura Brizola me envia uma mensagem psicografada do Além, para fazer uma reclamação contra o slogan da campanha do presidente Lula e contra o nome da coligação dos três partidos (PT, PRB e PC do B) que o apóia:"Francamente, a rigor, este sapo barbudo e sua turma estão usurpando nosso slogan da campanha presidencial de 1989. Todo mundo sabe que quem era "A Força do Povo" era Leonel Brizola".
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A reclamação do velho caudilho será passada aos marketeiros baianos de Lula."Brizola é a Força do Povo"
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Um trecho da música de campanha de Brizola, na campanha de 89/90, de autoria de Reginaldo Bessa, o mestre dos jingles, deixa tudo bem claro:
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"No brilho dos olhos da gente/ Uma chama acende e reluz? Brizola é a Força do Povo/Unidos começar de novo"...
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E o slogan de campanha do candidato Brizola era mesmo "A Força do Povo".
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Logo, lá no Além, Brizola tem todo direito de se sentir roubado pelos marketeiros do PT.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Sempre mantivemos a adjetivação de que Lula é o vigarista da obra pronta. “Roubou” os programas de seu antecessor, e os batizou como se seus fossem, os méritos da estabilidade econômica, o plano de benefícios sociais, e não satisfeito, o gatuno roubou até o slogan de Brizola para a sua campanha. Se em política o vigarista e piratas tivessem que pagar “direitos autorais” Lula precisaria empenhar suas gordas aposentadorias pelo resto da vida !
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Planalto custa mais que quatro ministérios
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A manutenção da Presidência da República custou, de 2002 até agora, R$ 9,4 bilhões, mas foi no ano de 2004 que a era Lula bateu o recorde em gastos: R$ 2,6 bilhões. No início de setembro de 2006, a conta da Presidência já chegava a R$ 1,4 bilhão, despesa superior ao total desembolsado, este ano, pelos Ministérios da Cultura, do Esporte, do Turismo e do Meio Ambiente juntos (R$ 1,2 bilhão). A informação é da ONG Contas Abertas.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Nenhuma outra presidência da república ao longo da história custou ao país tão caro como a de Lula. Aliás, quando se analisa esta “torração” irresponsável de dinheiro público pelo mérito das despesas individualmente, impossível não se perguntar prá quê tanta luxúria ? Da mesma forma, como não fica um presidente constrangido em gastar o que gasta, governando um povo pobre com tantas carências básicas, em que a fome ainda visita a casa (?) de mais de 15 milhões de pessoas ? Como não entender como crueldade praticada por Lula gastar o que gasta quando o Estado não oferece serviços mínimos decentes e dignos para 180.0 milhões de pessoas ? E ele quer ser o pai dos pobres ? Degradante, senhor Lula, muito degradante o seu papel e sua atuação !
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Lula prometeu (por escrito) não usar MPs
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Na campanha presidencial de 1998, o candidato Lula fez questão de assinar um documento, e deixá-lo nas mãos do então presidente nacional da OAB, Reginaldo de Castro, garantindo que, se fosse eleito, não utilizaria as medidas provisórias para governar, como fizeram os seus antecessores. "Somente irei usar o expediente das medidas provisórias em casos previstos na Constituição Federal, ou seja, em situações de urgência e relevância", diz o documento assinado pelo atual presidente Lula, recordista absoluto na utilização da medida provisória - que tem força de lei (como os decretos-lei da ditadura militar) até que o Congresso o rejeite, o que é raro tendo em vista a maioria que o governo mantém no Legislativo.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: E tem gente que ainda acha que o “distinto” é democrático !!!??? Não é por outra razão que adora ser comparado a Getúlio Vargas. O espírito autoritário estava presente num e noutro. A diferença é que Vargas nunca precisou “clonar” programas dos outros. Pelo menos tinha competência para criar os seus próprios programas. Ao contrário de Lula que se tornou o vigarista da obra pronta.
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Após usar a OAB, Lula ignora a entidade
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Ao contrário do que fazia com freqüência, quando disputou a presidência da República nas eleições anteriores, o presidente Lula não esteve uma única vez na sede do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) desde que assumiu, em janeiro de 2003. A última vez que Lula esteve na sede da OAB foi em dezembro de 2002, já como presidente eleito, para anunciar o advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos como ministro da Justiça. Durante a campanha de 1998, Lula aceitou o convite da OAB e falou dos seus planos de governo. O então presidente Fernando Henrique Cardoso, que disputava a reeleição, também aceitou o convite para falar aos advogados. Nenhum dos candidatos convidados pela OAB fugiu do debate com os advogados, este ano.
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Uma questão de caráter

(Do Blog Marvada Pinga)


Tem gente que perde uma perna e vai a luta.


E tem outros que perdem um dedinho e se aposentam por invalidez !


COMENTANDO A NOTÍCIA: Tem gente que nasce pobre, estuda, trabalha e se esforça e pode até ficar rico. Outros ficam apenas se lamentando e continuam pobres. Por outro lado, quando se nasce sem caráter, acreditem, não há dossiê que dê jeito !!!!

O mordomo é o gasto.

Por Fernando Canzian (*)
Folha Online




Não existe nenhum mistério ou maldição por trás do assassinato do crescimento brasileiro e da persistente precariedade de nossa economia.
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Os dois quadros disponíveis nesta página (publicados na edição de domingo da Folha) representam a melhor explicação para a "doença" do baixo crescimento que se instalou no país.
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Eles mostram que é enganoso afirmar que a carga tributária elevada e o maior juro real do mundo sejam "causa" do baixo crescimento. Na verdade, eles são mera conseqüência de o Estado brasileiro não caber mais no PIB.
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Os dois quadros mostram uma aberrante contradição: ao mesmo tempo em que o Brasil praticamente dobrou o tamanho dos gastos do governo federal nos últimos anos, o país também trucidou, proporcionalmente, os valores destinados a investimentos em infra-estrutura.
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Em uma analogia, o investimento público é como a locomotiva de um comboio que puxa investidores privados a embarcarem nos vagões. Quanto mais investimento, mais firme e rápido sobre os trilhos.
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No início da década de 80, essa locomotiva chegou a ter 21% de todos os recursos que o governo federal arrecadava voltados para o investimento. No ano passado, foram 3%.
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Praticamente todo o espaço para investimentos foi "comido" ao longo dos anos pelo inchaço da máquina pública. Foram novos gastos, funcionários e despesas crescentes associadas à Previdência e a benefícios sociais indexados ao salário mínimo --além de outros novos, como o Bolsa Família.
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O "cano de abastecimento" do gasto é a carga tributária. O juro alto, o reflexo de o governo não caber no PIB. Para se financiar, o Estado precisa tomar emprestado e remunerar sua dívida --quanto maior o descontrole, maior o juro.
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O que os especialistas em contas públicas recomendam não é muito. Como nenhum país acaba da noite para o dia, a sugestão é que simplesmente o Brasil pare de aumentar os gastos em termos reais, ou seja, acima da inflação de cada ano. Ao longo do tempo, como algum crescimento sempre vai existir, as despesas acabarão caindo como proporção do PIB (hoje são 18,6%).
Note-se que não se trata de não repor a inflação passada. O que se propõe é que aposentados e beneficiários do Bolsa Família tenham a exata reposição da inflação todos os anos, mantendo seu poder de compra.
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O problema é que é politicamente insustentável impingir essa regra à população beneficiada pela Previdência ou pelos programas sociais quando os próprios administradores públicos são o mau exemplo.
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Nos últimos dez anos, áreas como os Poderes Legislativo e Judiciário aumentaram seus próprios gastos em 63% e 133%, respectivamente, acima da inflação. Na semana passada, "líderes" parlamentares defenderam um novo aumento real para o salário de R$ 12,8 mil dos deputados.
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Em 2003, o rendimento era de R$ 8 mil e foi reajustado em 60%.
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Já o Executivo também deu seu mau exemplo no governo Lula, acrescentando mais 23 mil servidores à folha e abrindo outras milhares de vagas.
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O diagnóstico, conseqüências e o remédio sugeridos pelos estudiosos do assunto são esses. A outra opção é continuarmos apontando impostos e juros como culpados de tudo e a reclamar da vida.
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PS.: Se as pesquisas estiverem certas, a pergunta de US$ 1 milhão pós-eleição é: terá a oposição peito e fôlego para levar um "terceiro turno" adiante com uma diferença de 20 milhões de votos pró-Lula?
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(*) Fernando Canzian, 39, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Escreve semanalmente, às segundas-feiras, para a Folha Online.