Adelson Elias Vasconcellos
Vimos nesta edição que o índice de desemprego foi maior do que o oficial, segundo informou o IBGE. Seria este, talvez, o único bastião sobre o qual se alicerçava a marra de um governo medíocre em todos os sentidos. Sempre que confrontado com os péssimos indicadores de seu governo, a senhora Rousseff, de forma cínica, apontava para o desemprego.
Porém, conforme já demonstramos aqui, nem mesmo o índice superior a 7,0 % pode ser levado a sério. Claro, trata-se de um critério de medição, mas impossível 0s 61 milhões de pessoas que desistiram de procurar emprego.
Sabemos que, pelo menos, 50% da população do país encontra-se em idade economicamente ativa. Isto daria entre 90 a 100 milhões de pessoas. E, no entanto, o número de brasileiros empregados não passa de 24 milhões, ou seja, um quarto da população apta para o trabalho. Também conforme o IBGE, 61 milhões de brasileiros desistiram de procurar emprego. E ainda temos, segundo estimativa, cerca de 1/5 dos jovens entre 18 e 29 anos que simplesmente não trabalham e nem estudam.
Por outro lado, 50 milhões de brasileiros são, de alguma forma, dependentes exclusivos de programas ditos sociais, portanto, ou não tem renda própria ou vivem de bicos.
Assim, vê-se que, numa população de cerca de 200 milhões de pessoas, apenas 12% são trabalhadores. O resto ou depende de programas assistencialistas, ou depende da renda daqueles 12%. E, ainda segundo o IBGE, informa a Folha, mais de 61 milhões de brasileiros não trabalham nem procuram emprego.
Diante deste quadro absurdo, é impossível o país sair do marasmo em que se encontra, bem como não há razões nem para comemorar a falácia do pleno emprego tampouco dar-se algum crédito à mistificação da tal nova classe média.
Assim, caindo por terra o tal baluarte da virtude de que se ufana a senhora Rousseff, o tal pleno emprego, o que resta para esta senhora comemorar em seu governo?
Poderia comemorar alguma coisa no plano econômico? De jeito nenhum é possível localizar uma única área em que este governo consegue ir além da mediocridade. Todos os indicadores econômicos passíveis de mensuração e comparação, bateram recordes negativos históricos de ineficiência. E o quadro só não se mostra pior por conta dos esqueletos empurrados para o prego do Tesouro Nacional, tal como o custo da tal “redução da tarifa de energias elétrica”.
Sobra a agropecuária, coitadinha, tão demonizada pelas esquerdas, MST’s e congêneres, ONGs picaretas – existem milhares -, ambientalistas de todos os matizes e ecoterroristas. E, no entanto, graças a ela o país respira melhor, com comida farta e barata, exportações crescentes, agroindústria gerando emprego e renda. E, apesar de suas virtudes, cada vez mais se quer expulsar os agropecuaristas do campo. Até aqui souberam resistir. Mas por quanto tempo?
Na contramão, contudo, vai a indústria que, nos últimos anos não só fechou muitas portas, como ainda não consegue ver sua produção crescer, no lado do emprego fecharam-se mais 1 milhão de postos de trabalhos, e cada ano esta importante avenida de progresso e desenvolvimento, vê reduzir-se no PIB nacional.
Dentre as estatais, tirando-se as inúteis criadas pelos governos petistas e que só servem para empregar os vagabundos de sua militância política e sindical, o resto é um poço sem fundo de descaminhos, da qual tanto a Eletrobrás quanto a Petrobrás são, quiçá, suas maiores vítimas. A estatal do petróleo, por sinal, e em plena era do pré-sal, lança um programa de demissão voluntária para reduzir sua folha em cerca de 8,5 mil postos de trabalho. O mesmo caminho já havia seguido a Eletrobrás para dispensar cerca de 5 mil trabalhadores.
Não pode um país, cujo governo aumenta seus gastos em termos reais acima da inflação e do crescimento do próprio PIB ao longo de uma década, manter-se na vanguarda do desenvolvimento. Dilma Rousseff pode comemorar ter atravessado seu mandato inteiro com inflação fora de controle e crescimento abaixo da média mundial, incluindo-se aí até países mergulhados em crise profunda.
Portanto, muitas são as perguntas que se podem fazer ao governo da senhora Rousseff, mas muito poucas ou quase nada se pode obter de respostas positivas. Talvez tenhamos sido um dos primeiros a apontar-lhes os erros e um dos poucos que lhe indicou opções a tomar antes mesmo de assumir. Dada a herança maldita herdada de Lula, Dilma teria que escolher entre o projeto de poder de seu partido, e deixar de lado a eficiência, ou esquecer aquele projeto de poder, e dedicar-se a uma correção pesada de rumos, visando tirar o país do seu marasmo eterno.
Olhando-se para os indicadores econômicos de quando Dilma assumiu, e para os que ela vai entregar ao final deste mandato, não há dúvida de que regredimos em todos os aspectos.
Os serviços públicos, por exemplo, não apenas se deterioraram ainda mais, mas nem a maquiagem tentada com o tal “Mais Médicos” foi capaz de encobrir a incompetência generalizada. Aliás, o programa só existe para colorir a propaganda maquiavélica e enganosa e enviar dinheiro do contribuinte brasileiro para financiar a ditadura cubana. No campo da segurança pública, a criminalidade disseminou-se em todas as direções e, a exceção de São Paulo, se mostra crescente principalmente nos estados do Nordeste. Direitos Humanos? É piada, e de muito mau gosto. Apenas os humanos amigos do reino podem ter direitos preservados e garantidos. Os demais são apenas contribuintes tolos, tratados como massa de manobra. O diabo é que se trata da grande maioria da população.
Na infraestrutura, o atraso é brutal. Mas este é um governo que não investe em portos brasileiros, por exemplo, mas abre a carteira do BNDES para financiar um terminal portuário moderno em Cuba e agora mira outro no Uruguai. As estradas estão no estado que todos conhecem, mas este é um governo generoso que financia a construção de uma rodovia na Bolívia, que atravessará a maior região produtora de coca do continente.
É um governo valente para peitar os Estados Unidos, suspendendo até uma visita oficial da presidente aquele país. Mas covarde o suficiente para ser humilhado por Bolívia que nos tomou na mão grande uma refinaria da Petrobrás, sem falar do comércio com a Argentina cuja presidente Cristina Kirchner faz o que bem entende e o governo brasileiro se ajoelha submisso.
Na saúde, coitado de quem precisar de atendimento na rede pública. Muitos só conseguem internação graças a ordens judiciais. Outros morrem na fila a espera da simples marcação de um exame laboratorial. Outros, e não são poucos, morrem em macas improvisadas nos corredores a espera de um milagre.
Como se vê, a senhora Rousseff, que sequer é dona de seu ministério, se encaminha para fechar seu mandato arrastando o Brasil para um poço sem fundo. Não têm respostas para sua incompetência, não tem projeto de governo para encaminhar os destinos do país, não tem sequer autonomia de voo, a não ser sua conhecida grosseria e estupidez.
Seu comportamento patético diante da crise do sistema penitenciário do Maranhão é prova inconteste de sua mediocridade. O país que se lixe desde que a governanta esteja de bem com os aliados, mesmo que o desgoverno destes resulte em barbárie que enxovalham ainda mais a imagem do país.
Não é possível medir por quanto tempo o povo brasileiro continuará vira-latas nas mãos desta gente indecente. Mas o que se pode ter certeza é de que a herança que ficará para a sociedade resolver, demandará muitas gerações para ser corrigida. Se a grande maioria do nosso povo pudesse saber o que se passa atualmente na Argentina e na Venezuela, identificaria na comparação com o Brasil muitas semelhanças, sendo a maior delas a degradação, lenta e gradual, dos valores de uma sociedade livre, democrática e de direito. As instituições, num bloco e noutro, se degradam a olhos vistos, o real interesse público se perde num sistema de vassalagem e corrupção permanente, a consciência crítica do pensamento nacional se torna cada vez mais distante das reais necessidades do país e seu povo.
Identifiquei esta nata política no comando do Brasil como a falange do mal. Ela tem muitas caras, muitos truques, eleva-se na mistificação enquanto o país decai como sociedade civilizada. E corrigir esta rota distorcida requer o trabalho, o esforço e o sacrifício de muitas gerações que, no futuro, não nos perdoarão pelo Brasil que estamos desconstruindo. Em doze anos, criamos um abismo que, para sair, nos custará um século de muita dor e ranger de dentes.
E para encerrar: em doze anos de PT no poder, a prioridade número de qualquer nação em busca de progresso, sempre foi a educação. Pois bem: o PT, e seus programinhas de meia pataca, seu descritério, seus modelos de chavinização do ensino nacional, conseguiu empurrar a qualidade de ensino brasileiro para os últimos lugares do ranking. Temos, no continente sulamericano, o maior contingente de analfabetos. Cerca de 38% de nossos estudantes universitários são analfabetos funcionais. E, nos exame de avaliação internacional, nossa posição é vexatória. Num país em que a educação é tratada com o descaso que se vê, em que o governo aprova o ensino de que, escrever errado está certo, em que livros didáticos foram transformados em não mais dói que panfletos ideológicos partidários, fica realmente impensável livrarmos o Brasil de sua eterna ignorância e desinformação.
Doze de anos de PT no poder serviram não apenas para manter o gigante eternamente adormecido em berço esplêndido. Mas mantê-lo, sobretudo, de costas para seu futuro.
Se diz que a senhora é favorita na corrida eleitoral que elegerá um novo presidente para um mandato de quatro anos a começar em janeiro de 2015. Até pode ser. Mas o certo é que, quanto mais tempo o PT permanecer no poder, maior será a distância do Brasil para chegar à modernidade. Porque , rigorosamente, com eles, estamos mais próximos do século 19 do que propriamente do século 21. E aponto aqui um fato notório do quanto o governo atual é medíocre: uma presidente que sequer é dona do própria nariz para escolher seus ministros, precisa recorrer e pedir licença para nomear ao seu mentor e padrinho, definitivamente, não reúne as virtudes necessários para comandar os destinos de um país como o Brasil. Talvez a Bolívia, mas lá a história é outra...



