Roldão Arruda
O Estado de São Paulo
Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira, 17, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República manifestou solidariedade a família de Kaique Augusto dos Santos, gay de 17 anos, cujo corpo foi encontrado pela Polícia Militar de São Paulo no sábado, 11. Chama a atenção no texto a afirmação de que o adolescente foi “brutalmente assassinado”.
Essa não é a linha de investigação da Polícia do Estado de São Paulo. No inquérito policial o caso foi tipificado como suicídio e, segundo informações da assessoria de imprensa da instituição, continua sendo tratado dessa maneira.
O adolescente foi encontrado por volta das 5 horas do sábado, 11, na região central da capital paulista. Desde o início a polícia tratou o caso como suicídio, mas familiares e amigos suspeitam que foi agredido, antes de ser atirado do viaduto. Em entrevista ao R7, uma irmã de Kaíque contou que estava sem dentes e com muitos ferimentos pelo corpo.
Logo após a divulgação do caso, militantes e entidades dedicadas à defesa dos direitos dos homossexuais vêm cobrando explicações, criticando as autoridades e denunciando o aumento da homofobia no País. A polícia paulista e o governo da presidente Dilma Rousseff são os principais alvos das críticas.
Nas redes sociais, militantes lembram que a presidente vetou em 2011 a distribuição de material educativo sobre diversidade sexual em escolas; mandou retirar do ar, em 2012, o vídeo que estimulava o uso de preservativo entre jovens homossexuais; e, em 2013, não mobilizou sua base de apoio para fazer avançar o projeto de lei que criminalizaria a homofobia no País. Segundo os militantes, o governo Dilma teria se tornado refém da bancada evangélica no Congresso.
A nota oficial surgiu em meio a esse debate. O seu texto diz que “as circunstâncias do episódio e as condições do corpo da vítima, segundo relatos dos familiares, indicam que se trata de mais um crime de ódio e intolerância motivado por homofobia”.
O texto também menciona o Relatório de Violência Homofóbica, produzido pela própria Secretaria de Direitos Humanos, no qual se afirma que que houve um aumento de 11% dos assassinatos motivados por homofobia no Brasil entre 2011 e 2012.
A titular da secretaria, ministra Maria do Rosário, designou o coordenador-geral de Promoção dos Direitos de LGBT e presidente do Conselho Nacional de Combate a Discriminação LGBT, Gustavo Bernardes, para acompanhar o caso pessoalmente.
Nesta sexta-feira, 17, Bernardes participou da manifestação de protesto que reuniu centenas de pessoas no centro de São Paulo. Elas se concentraram no Largo do Arouche e foram em marcha até o local onde foi encontrado o corpo.
Outras duas entidades divulgaram notas sobre o caso. A diretoria do Sindicato dos Advogados de São Paulo, por meio de sua Comissão LGBT, também falou em assassinato, “com evidente motivação homofóbica”, e cobrou imediata apuração.
“A sociedade brasileira não pode ficar indiferente a esta situação, deve reagir e exigir mudanças para promover a dignidade e a cidadania de todos e todas”, disse a nota do sindicato.
O Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, repudiou a qualificação do caso como suicídio.
“Há fortemente indícios de que o caso de Kaique seja mais uma violência homofóbica de um jovem e negro, na cidade de São Paulo. Seu corpo foi encontrado no sábado, mutilado, após o jovem ter ido a uma festa na sexta à noite. Sem dentes, com hematomas na cabeça (provavelmente ocasionado por chutes), e com uma barra de ferro atravessando sua perna, com evidentes sinais de tortura física. No atestado de óbito, consta inclusive traumatismo craniano como causa mortis”, assinalou a nota da entidade estudantil.
(A íntegra da nota da nota da Secretaria de Direitos Humanos pode ser lida no site da instituição.)
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O Brasil, graças a política de insegurança pública implementada com sucesso pelos governos petistas, alcançou a incrível marca de 50 mil homicídios/ano. Trata-se de um feito e tanto. E, nem por isso, para os que não são índios, negros e gays, a gente observa a mínima preocupação do poder público. São apenas dados estatísticos. Só isso.
Porém, se a vítima pertencer a algumas das três categorias acima, pronto, o escândalo está armado. Não faltarão ONGs picaretas, entidades de “direitos humanos e sociais” para irem à imprensa protestar. Não que isso seja errado, errado é se calarem diante do “resto” que, por sinal, são maioria.
No caso acima, relatado pelo Estadão, sem que se saiba ao certo os motivos pela morte do rapaz, sem que a polícia tenha concluído o que teria provocado sua morte, não faltou sequer uma nota oficial da Secretaria de Direitos Humanos, comandada pela impoluta Maria do Rosário, para cravar um “brutalmente assassinato”. E, no entanto, para a menina Ana Clara, de 6 anos, queimada viva no Maranhão, nem um pio. Nenhuma nota oficial. Nem um princípio de crítica ao sistema penitenciário. Silêncio completo. E a se registrar: entre uma morte e outra, não transcorreram mais do que duas semanas.
Não tiro da mira que, muitas mortes de gays tenham por causa, a propalada homofobia. Porém, e mais uma vez os fatos desmentem certas veemências, muitas outras causas também provocam tais mortes. Algumas relacionadas ao tráfico de drogas, outras por briga entre companheiros, etc. E, neste aspecto, as mulheres, muito mais do que os gays, são as maiores vítimas da violência doméstica, seguidas pelas crianças.
Aliás, não seria a primeira vez que a irresponsabilidade e a leviandade da senhora Maria do Rosário falasse mais alto do que os fatos. No caso presente, a diferença de comportamento entre uma morte e outra, é que a da menina aconteceu num estado governado por uma aliada do PT. E, no outro, no caso do rapaz gay, mesmo não se conhecendo os motivos que provocaram sua morte, ele teve a “felicidade” de morrer em um estado governado por um partido de oposição ao PT, e que se transformou em política de cretinismo oficial alijar o PSDB do comando do governo paulista, mesmo que para tanto, a mistificação, o desrespeito aos fatos, um chute no traseiro do bom senso precisem ser usados, a qualquer custo.
Fica claro que a política de “direitos humanos” petista é devotada, unicamente, para aqueles que são “nossos”. Os outros, que se lixem, muito embora todos sejam brasileiros e paguem os impostos que sustentam esta cambada toda!
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