terça-feira, fevereiro 19, 2013

Dilma Rousseff e a bofetada na soberania nacional.


Adelson Elias Vasconcellos

Se a gente for pesquisar o currículo de Dilma Rousseff, iremos encontrar a fase em que esta senhora travou duras batalhas contra o poder no Brasil. Foi guerrilheira, assaltante de bancos e pertenceu a grupos terroristas.  Fosse a ditadura militar (como era) ou mesmo um regime democrático, ainda assim Dilma Rousseff teria pertencido aos mesmos grupos guerrilheiros, dado que seus objetivos eram o de instalar no Brasil um regime aos moldes do que Fidel Castro implantou em Cuba. Não se tratava, como anos depois tentou mentir, de lutar contra a ditadura em si, contra um regime de exceção com propósitos de reconquistar e restaurar a democracia no país. Desejava era a troca pura e simples de um regime ditatorial por outro, a ideologia apenas é diferenciava um regime opressivo de outro.

Lula acenou candidamente para caudilhos latinos e ditadores canalhas espalhados pelo mundo. Sua política externa desceu ao grau de permitir seguidamente que se cuspisse na soberania brasileira. Celso Amorin, seu cão de guarda fiel,  não conseguiu em oito anos ganhar uma única batalha em que se aventurou. Em todas o nome do Brasil foi arrastado na lama. 

Lá no começo do governo Dilma, quando ela acenou com uma crítica a uma cidadã iraniana condenada à morte por apedrejamento pelo regime do Irã, parte da imprensa soltou foguetes por ver ali um sinal de que a política externa brasileira, sob seu comando, voltaria a ter decência e tomar juízo.

Voltem ao arquivo e vocês verão as advertências feitas aqui. Afirmei na época que só acreditaria em “mudança de ares” se ela condenasse publicamente os regimes de Cuba e da Venezuela. Criticar o Irã, a milhares de quilômetros de distância era fácil, ainda mais por conta de que nossa relações eram assim tão sólidas. Queria vê-la ter postura crítica para Fidel, Cristina Kirchner, Hugo Chavez, até porque, mesmo que quisesse, seu partido não lhe daria espaços para tanto.

Dilma foi à Cuba, e não apenas se recusou em criticar o regime e os direitos humanos solapados pelos Castros, como ainda se meteu em ver o comércio bilateral com a Argentina ser ultrajado pelos constantes abusos cometidos pela presidente argentina. Mais: se meteu numa aventura estúpida em relação ao Paraguai, abrindo caminho para o ingresso da Venezuela no Mercosul, contrariando assim todos os dispositivos protocolares para admissão de novos “sócios”.    

Já há algum tempo que se denuncia a presença de guerrilheiros das FARC’s em território brasileiro, mormente em acampamentos do MST, onde dão aulas de terrorismo urbano.  Até hoje, ao que se sabe, a Polícia Federal não prendeu nenhum deles. 

Porém, Dilma Rousseff parece não estar satisfeita com este histórico. Demonstrando sua fiel e cúmplice ligação com o terrorismo praticado na América do Sul pelos regimes de Cuba e da Venezuela, tem permitido que agentes destes países atuem livremente em território brasileiro de forma ilegal e desrespeitosa às nossas instituições. 

A ação ilegal de um diplomata venezuelano, participando de um ato promovido pelo chefe de quadrilha, José Dirceu, condenado à prisão, contra o Poder judiciário e as oposição já, em si, é um ato de total afronta à soberania brasileira. E o que se dizer, então, da presença de espiões cubanos para acompanharem e vigiarem os passos da dissidente cubana Yoani Sánchez?   

É lógico que se tratam de ações atentatórias aos assuntos internos – caso do venezuelano -, e invasão à soberania do país – caso dos espiões cubanos.  No caso dos cubanos a coisa é ainda pior, já que o embaixador cubano manteve reuniões políticas com políticos do Brasil para tratar de assuntos da competência exclusiva de cuba em território brasileiro. É o cúmulo do absurdo.  

Fosse um governo de oposição ao PT a promover esta  vergonha, e a imprensa não esperaria 24 hora para defenestrar   os promotores do ato. Mas como se trata do PT, que com sua mágica manipulação da verdade consegue tornar autêntica a mais deslavada das mentiras.

O caso é grave demais para passar em branco. Não só a imprensa independente mas as instituições democráticas correm sério risco. Toda e qualquer entidade que tiver um pingo de amor ao país devem se levantar em protesto e exigir do governo Dilma não apenas explicações mas, também, que ponha um ponto final nesta tentativa de tornar o Brasil um quintal povoado de urubus e malfeitores.  Que Cuba e Venezuela queiram viver na lama e na opressão é problema com o qual o país não deve intrometer-se. Diferente, contudo, é que venham aqui promover seu obscurantismo e invadir nossa soberania com seu atraso. É bom lembrar que até hoje paira um total silencia sobre os dólares enviados por Cuba, via caixas de rum, para a campanha presidencial de Lula em seu primeiro mandato. 

É claro que Gilberto Carvalho, seu assessor, o Itamaraty e a própria Dilma tentarão minimizar os ocorridos. Porém, tomem ou não providências, terão aberto a porteira para transformar o país no abrigo preferencial de delinquentes, e terão concedido espaço para que qualquer ditador vagabundo se intrometa em palpitar sobre como devemos ser governados. 

Pelo esforço que empreendem, os governos petistas ainda transformarão o Brasil num misto de chiqueiro com covil, verdadeira casa de tolerância no seu pior sentido, principalmente, moral.  

Protesto bucéfalo


Antes de mais nada, em razão dos protestos em sua chegada no Recife e em Salvador, e até da ação cretina de impedir a exibição do filme sobre Yoani Sanchez, fica comprovada a reportagem da Revista VEJA  sobre a tal reunião para a montagem de um esquema anti-Yoani, entre os cubanos e as autoridades brasileiras com representantes do PT. Esta gente demonstra, assim, e mais uma vez, sua total incompatibilidade com o que seja uma democracia. Desprezam completamente um regime de liberdades.

Reparem na foto da turminha que resolveu obedecer cegamente as ordens do PT, para promover protestos contra a cubana Yoani Sanches, em sua chegada em Recife (também houve movimento igual na Bahia).  Nenhum dos fedelhos tem idade para ter vivido no Brasil na ditadura militar. Muitos sequer haviam nascido. E duvido que algum deles, de livre consciência, desejasse ser cidadão comum em Cuba dos Castros. E aí temos toda a diferença: aqui, estão livres para protestar contra a dissidente cubana. Já em Cuba, estariam presos apenas por discordarem da “ideologia” ... 

Como é bom e fácil ser a favor do regime cubano em solo democrático, não é verdade? Quero ver serem contra em Havana!!!

Para encerrar: bem que as oposições poderiam enviar representantes por onde a cubana passar para recepcioná-la. Seria uma forma de dizer quem é e quem não é amante da democracia no Brasil. Petistas e comunistas de diferentes cores, mas com a mesma essência, já sabemos, nunca foram e jamais serão. 

O uso da mentira na exploração da miséria


Adelson Elias Vasconcellos

Já demonstramos aqui, muitas vezes, a adoração que os petistas têm em manipular a verdade, os fatos, as estatísticas, na tentativa canalha de apresentarem um retrato colorido de uma realidade negativa. Trata-se mesmo de um valor que eles carregam em seu DNA. Se não for possível mascarar, então atribuem o que de ruim acontece enquanto estão no poder, ou a um passado remotíssimo ou a inimigos ocultos, que adoram criar.

 Veja-se o caso do salário mínimo. Em tempo algum, nem na ditadura militar, houve tão vergonhoso confisco como o que se está praticando desde 2003. Lá, receberam uma faixa de isenção de imposto na fonte que ia até cinco salários. Hoje, a faixa mal chega a metade disso. Enquanto, de um lado, dizem aplicar aumentos reais, de outro, capam este adicional na forma de imposto.  Outro exemplo? A tal redução da tarifa de energia elétrica. Fazem um enorme estardalhaço por promoveram (às custas da rentabilidade das concessionárias, reduzindo sua capacidade de investimento) uma redução média de 20%. Ok, só esqueceram-se de dizer que, em 2002, a carga tributária que era de 21,6% pulou no período em que estão no poder para incríveis 48,5%.  

Poderia ficar aqui citando inúmeros outros exemplos, como os da reforma agrária, por exemplo, em que Lula cometeu a insanidade de relacionar até os assentamentos do tempo da ditadura militar na década de 70, uns trinta anos antes dele chegar ao Planalto... Ou então a tão decantada autossuficiência do petróleo...

 A mais recente prosopopeia criada agora por Dilma, refere-se aos números da miséria no Brasil. Segundo seus últimos discursos,  a miséria em nosso país tem prazo certo para acabar: será em março/abril deste ano.  Segundo os critérios palacianos, é miserável todo aquele que ganhar menos de R$ 70,00 por mês. Até parece que com R$ 70,00 alguém consegue deixar de ser miserável...

Num país em que classe média foi rebaixada de renda para algo próximo a R$ 300,00 por mês, menos de meio salário mínimo portanto, é possível se aceitar que nossos miseráveis deixarão de existir... por decreto presidencial. É um acinte à inteligência e ao bom senso!!!

E, por mais que se comprove o grave erro estatístico que se está cometendo, nem por isso esta farsa deixará de ser exibida em marquetagem político, embalando o sonho da reeleição. Às vezes, fico imaginando se o fato do nosso país ter esta imensidão continental, mantendo áreas e grotões tão distantes, não é um passe livre para que a mentira prospere de forma tão vagabunda!!!

É evidente que um povo em que 2/3 de sua população é semialfabetizada, em que apenas 10 a 15% podem se considerar informados, estas campanhas mistificadas, devidamente desenhadas pelo marqueteiro para iludir à grande massa, colabora, e muito, para que prosperem a mentira, o engodo, a manipulação, a falsidade.

Historicamente, a cultura presente no seio do povo brasileiro foi a de conceder aos seus governantes a credibilidade que nunca mereceram sequer fizeram força por conquistar. Numa sociedade em que prosperam tantas incríveis carências, qualquer esmola que se atirar para os milhões miseráveis que nela se abrigam, será visto como dádiva divina. E, no entanto, conforme documenta reportagem da Folha reproduzida nesta edição (vejam mais abaixo), nossos políticos são os mais caros do mundo. E, mesmo que não o fossem, ainda assim haveria um enorme débito deste para com o país pelo muito que recebem e pelo pouco que retribuem em favor de quem os elegeu. É incrível sabermos, em plena era toda alta tecnologia, que nos grotões ainda se compram votos com incrível facilidade e desfaçatez...

Os artigos de J.R.Guzzo (Revista Exame), do Elio Gaspari (Jornal O Globo) e a reportagem da Folha de São Paulo sobre os números da miséria brasileira, não deixam dúvidas sobre a imensa capacidade e habilidade do governo petista para explorar a miséria, achando que, por simples campanha mentirosa, conseguirá  esconder a realidade que salta aos nossos olhos por onde que se vá neste imenso país. 

Talvez a reação da imprensa ainda independente, provoque no governo Dilma ligeira mudança de conduta, tentando utilizar outros caminhos e estratégias para dar continuidade à exploração. Mas não se acredite que este mesmo governo abandonará o objetivo de impor esta farsa junto ao eleitorado. Veja-se o caso da tal nova (falsa) classe média, e se tem aí o quanto são capazes de fazerem vingar, a qualquer custo, uma aberração.

É saudável perceber que restam alguns bravos capazes de desmascarar esta gente toda. O diabo é fazer chegar o conhecimento da farsa até o eleitorado mais distante dos grandes centros. Houvesse oposição, com cara e coragem e, por certo,  a missão de mentir seria bem mais complicada para a canalha. 

Cantam e entoam  hosanas em louvor de si mesmos por entenderem que o voto popular os consagram e os libera para a prática de seu cretinismo ideológico, a sua degradação moral e à sua corrupção permanente, como se insanos do tipo Hitler não houvessem, um dia, chegado ao poder pelo mesmo voto popular. O voto, senhores, não é salvo conduto nem para mentira nem para o atraso. Nenhum povo elege para governante alguém com o direito a ser canalha enquanto durar-lhe o mandato!!! Este povo até pode ser crédulo em sua maioria, mas, certamente, e em sua totalidade, não é idiota. 

Bolsinha de R$ 70,00, ou pouco mais do que isso, garantem ao cidadão ao menos sobreviver, mas jamais tirarão quem quer que seja da sua miséria econômico-social. Aliás, chegará a hora em que este mesmo povo exigirá que seus governantes sejam menos miseráveis moralmente.

A herança maldita de Lula da Silva


Maria Lucia Victor Barbosa (*)

Lula da Silva é louvado e exaltado não só no Brasil como no exterior. Sua fama de “pobre trabalhador” que chegou à presidência da República e acabou com a miséria no país fabricando uma “nova classe média”, impressiona. O que a maioria não percebe é que tal falácia indica uma parcela de pessoas com renda familiar per capita entre R$ 291,00 e R$ 1.019,00.

A estapafúrdia classificação de renda é da SAE (Secretaria de Assuntos estratégicos da Presidência da República) e, segundo o órgão, a nova classe média representa 54% da população brasileira. Aparentemente tais indivíduos são tão prósperos que podem comprar o que quiserem: carros zero, roupas de grife, eletrodomésticos de todos os tipos, além, é claro, de usufruir de quantas viagens internacionais desejem. Como se vê, Lula faz mais milagre do que o Padim Padre Cícero ao multiplicar o pouco dinheiro de seus súditos.

A propaganda enganosa está tendo continuidade. Coube à sucessora Rousseff acabar com a pobreza extrema e ela disse que o fará até março. O caridoso programa que objetiva o novo milagre foi apelidado de “Brasil Carinhoso”. Consiste em adicionar R$2,00 à renda per capita de pessoas que vivem com menos de R$ 70,00 por mês. Somando-se os R$ 2,00 a alguns trocados de uma bolsa esmola e a pobreza extrema será extinta no próximo mês. Portanto, senhores leitores, ajudem a presidente a acabar com a desigualdade no Brasil, se encontrarem um remanescente da pobreza sejam generosos, salve-o com R$ 2,00.

O paraíso Brasil, porém, está se desfazendo. E chega de dizer que o fiasco do governo Rousseff se deve apenas a crise externa. Se isto conta, contam mais a herança maldita de Lula da Silva, a inaptidão da presidente, os erros cometidos pelo ministro da Fazenda e pelo obediente presidente do Banco Central. Esta é a realidade do Brasil dos “pibinhos”, lanterninha dos BRICS, campeão de violência urbana e da incompetência nas áreas da Saúde, Educação e infraestrutura.

Hoje não dá para saber se mais pessoas morrem por falta de atendimento hospitalar ou pelas armas dos bandidos. Acrescente-se que Lula inaugurou universidades que não existem, privilegiou a quantidade em detrimento da qualidade em educação, inventou cotas para acirrar o preconceito racial. Recorde-se ainda que seu ex-ministro da Educação, eleito por sua vontade prefeito de São Paulo foi um fracasso em termos do Enem e de orientação pedagógica através de livros que ensinavam que 10 – 7 = 4 ou forçavam a opção sexual de crianças de tenra idade.

Pesquisas mostram, contudo, que a popularidade da presidente sobe cada vez mais. Ela é a faxineira, tão ética que seguindo a orientação do seu mentor recebeu recentemente o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi e o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, ambos por ela defenestrados por conta de esquemas nada edificantes, quer dizer, pura corrupção. Lula disse que os coitadinhos estavam chateados e mereciam um gesto de carinho de Rousseff, ou seja, esquecer a faxina de faz de conta e tratar de trazer o PR e o PDT ao aprisco petista tendo em vista apoios para a eleição presidencial de 2014. Prontamente a presidente obedeceu ao mestre.

A faxineira, sob o comando de Lula, também ajudou eleger Renan Calheiros presidente do Senado e Henrique Alves presidente da Câmara, ambos crivados de processos e notórios protagonistas de escândalos. Vale tudo para o PT se manter no poder, incluindo o espetáculo degradante de Genoino tomando posse como deputado. Nada de cassação para ele e para os outros condenados como João Paulo Cunha (PT), Valdemar da Costa Neto (PR) e Pedro Henry (PP).

Henrique Alves afirmou que não obedeceria ao STF quanto a cassação dos indigitados e logo voltou atrás. Espertamente, porém, enviará o caso para a Comissão de Ética que certamente demorará eticamente o tempo suficiente para que os criminosos terminem seus mandatos. Tudo bem. Afinal, Henrique Alves disse que seus pares foram abençoados pelo voto popular.

Entrementes, são claros os sintomas da herança maldita de Lula da Silva e de sua sucessora. Vejamos alguns:

A produção industrial caiu 2,7%, o pior resultado desde a crise internacional de 2009. O emprego industrial naufraga no ABC e serviços já tem mais de 50% das vagas. O ano de 2012 ficou marcado pela alta da inadimplência que continuará a crescer. A Petrobras, arrebentada pelo PT, tem a primeira queda de produção em oito anos. O Rio São Francisco, maior obra do PAC, está empacado e dando grandes prejuízos. Aliás, as obras do PAC não deslancham conforme persuade a propaganda. E o pior de tudo, a inflação disparou e o governo não está conseguindo deter o processo.

Ainda assim, Lula ou Rousseff estão certos de que poderão ser abençoados pelo voto popular.

(*) Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

Soberania enxovalhada


Reinaldo Azevedo

ESCÂNDALO, BAIXARIA, ILEGALIDADE – Embaixador cubano no Brasil promove conspirata com petistas para difamar dissidente e confessa que agentes do regime atuam ilegalmente por aqui; assessor de Gilberto Carvalho vai a reunião e depois viaja a Cuba para seminário sobre “ciberguerra”. Eis a casa da mãe Dilmona

Vejam este rapaz com arzinho nerd e aparência meio suarenta?


Ele se diz “cientista político” e técnico em telecomunicações. Segundo afirma a respeito de si mesmo, tem 35 anos e gosta de “problematizar as transformações sociais no contexto das novas tecnologias”. Huuummm… Em português, isso quer dizer que ele curte mexer com a Internet. E como!  É assessor do ministro-chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho. E se meteu numa nojeira, que faz sentido. Já chego lá.

Escrevi ontem um post sobre a viagem que a presidente Dilma Rousseff vai fazer à Guiné Equatorial e a fala estúpida de certa senhora do Itamaraty, uma tal Edileuza, que desqualificou qualquer questionamento que se possa fazer sobre a permanente agressão aos direitos humanos praticada naquele país. Tratei, então, da intimidade dos petistas com ditaduras, citando especificamente o caso de Cuba. Pois é… Reportagem publicada na VEJA desta semana traz informações espantosas. Deveria render, nesta ordem, a) a demissão do ministro Gilberto Carvalho (não vai acontecer); b) a demissão de um assessor de Carvalho (não vai acontecer); c) a convocação, por Dilma, do embaixador cubano no Brasil para prestar esclarecimentos (não vai acontecer); d) a reunião imediata da Comissão de Relações Exteriores do Senado para exigir providências do Itamaraty e para ouvir a Polícia Federal e a Abin sobre a atuação ilegal de espiões cubanos no Brasil (não vai acontecer também). Transcrevo, em azul, o primeiro parágrafo da reportagem de VEJA. Volto em seguida:

A blogueira Yoani Sánchez desembarca no Brasil nesta semana para divulgar o livro De Cuba, com Carinho, uma coletânea de seus textos sobre o triste cotidiano do povo cubano sob a ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro. O trabalho rendeu à dissidente uma perseguição implacável. Ela foi sequestrada, torturada e, durante anos, impedida de deixar o país. É rotulada de mercenária pelos comunistas da ilha e acusada de trair os princípios revolucionários. O que Yoani não sabe é que, apesar da distância que separa o Brasil de Cuba — 5 000 quilômetros —, ela não estará livre dos olhos e muito menos dos tentáculos do regime autoritário. Para os sete dias em que permanecerá no Brasil, o governo cubano escalou um grupo de agentes para vigiá-la e recrutou outro com a missão de desqualificá-la a partir de um patético dossiê. Uma conspirata oficial em território estrangeiro contra quem quer que seja é uma monumental afronta à soberania de qualquer nação. Esse caso, porém, envolve uma inquietante parceria. O plano para espionar e constranger Yoani Sánchez foi elaborado pelo governo cubano, mas será executado com o conhecimento e o apoio do PT, de militantes do partido e de pelo menos um funcionário da Presidência da República.

Voltei
No dia 6 de fevereiro, o embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, reuniu um grupo de militantes do PT e do PC do B na embaixada do seu país, em Brasília, para passar um dossiê — e como os petistas gostam disso, não é? — desqualificando Yoani Sánches, acusada de ser “uma mercenária, financiada pelo governo dos Estados Unidos para trabalhar contra a Revolução Cubana, contra o povo, contra os trabalhadores”. Cada um dos convidados recebeu um disquete contendo o material e uma recomendação: o dossiê tinha de circular na Internet, mas sem divulgar a origem das informações. Um deles, dessas almas caridosas, até sugeriu que os “movimentos sociais” fizessem um abaixo-assinado contra a presença da dissidente cubana no Brasil. O embaixador achou que isso levaria muito tempo. Alguns dos presentes consideraram que era sujeira além do aceitável mesmo para os elásticos padrões morais das esquerdas e caíram fora.

No encontro, Rodríguez passou outra informação estupefaciente: segundo ele, agentes cubanos acompanharão cada passo de Yoani no Brasil, vinte e quatro horas por dia. Atenção! Tudo isso constitui uma afronta à soberania brasileira. Representantes diplomáticos não participam de conspiratas políticas em solo estrangeiro, digam elas respeito ou não a seu país de origem. E o que dizer, então, sobre a ação dos espiões?

NOTA – Essa reunião aconteceu no dia 6. Um dia antes, o embaixador da Venezuela no Brasil, Maxililien Sánchez, havia participado de um ato promovido por José Dirceu contra o Poder Judiciário brasileiro e as oposições. O Brasil virou a casa da mãe Dilmona!

Agora o meio suarento
O escândalo poderia parar por aqui. Mas a coisa é muito mais grave. E voltamos lá ao suarento que gosta “de problematizar transformações”. Trata-se de Ricardo Augusto Poppi Martins, militante do PT e assessor direto de Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. É o coordenador-geral de “Novas Mídias e Outras Linguagens de Participação”. A função de Carvalho no governo é “dialogar com os movimentos sociais”, razão por que a página da pasta na Internet lembra uma federação de ONGs. Os nomes, telefones e e-mails de todos os seus coordenadores estão disponíveis. Se você quiser falar com o Ricardo, o telefone é (61) 3411 5897, e seu e-mail, ricardo.martins@presidencia.gov.br. Talvez ele forneça mais detalhes do encontro. Ouviu os planos de conspiração do embaixador, a confissão da ação ilegal de agentes cubanos no Brasil e saiu de lá levando um CD. E tudo durante o expediente.

Mas não adianta tentar falar com o “problematizador” antes de segunda. Sabem onde ele está? Em Cuba! Viajou no dia 7 para participar de um encontro na ilha sobre “ciberguerra” e “novas formas de comunicação de rede e batalhas políticas”. Informa a VEJA que, na semana passada, o manifesto produzido pelo tal encontro já estava na rede. Reproduzo mais um trecho da reportagem (em negrito):

Entre as resoluções finais aprovadas, constam “o apoio às reivindicações de Cuba contra as restrições para acessar serviços de computador e internet, junto a autoridades e empresas nos Estados Unidos”, e “a solidariedade de todos com a Revolução Bolivariana e o presidente Hugo Chávez, diante de campanhas de mídia e da ação desestabilizadora dos inimigos do processo revolucionário na Venezuela”. Poppi, portanto, foi a Cuba em missão oficial, com as despesas pagas pelo contribuinte, para, segundo a pauta disponibilizada pelos próprios organizadores do evento, apoiar ditaduras e aprender a usar a internet para destruir reputações de quem não pensa como ele, exatamente como planejam fazer com a blogueira Yoani Sánchez.

Yoani toma cerveja e come bananas!
O dossiê contra Yoani traz algumas fotos para provar que ela vive uma vida nababesca e evidenciar seus hábitos burgueses, certamente financiados pelos “inimigos da revolução”. Numa delas, ela aparece com amigos tomando cerveja. Em outra, comprando um artigo de luxo chamado “banana”. É isto: no regime liderado pelos assassinos Fidel e Raúl Castro, tomar cerveja e comer banana podem ser privilégios inaceitáveis.



 Leiam a íntegra da reportagem. Não é a primeira vez que os petistas aparecem enrolados com o regime cubano.  Já houve o caso dos dólares para a campanha de Lula em 2002, que teriam chegado em caixas de rum. Em 2007,  o então ministro da Justiça, Tarso Genro — aquele que manobrou para que o terrorista Cesare Battisti ficasse no Brasil — devolveu a Fidel Castro os boxeadores  Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que haviam fugido do regime, desertando durante os Jogos Pan-Americanos.


Carlos Zamora Rodríguez, embaixador de Cuba: 
ele confessou que agentes cubanos atuam ilegalmente no Brasil. 
E a capa de VEJA sobre os dólares cubanos para Lula

Vemos que eles não têm limites e podem ir sempre mais longe. A campanha que o embaixador cubano arquitetou contra Yoani segue o padrão, não custa lembrar, empregado por aqui pela rede de blogs sujos financiada por estatais. Estamos falando com especialistas em destruir a reputação alheia. Ou alguém vai a um seminário, promovido por uma ditadura,  sobre “ciberguerra” e “novas formas de comunicação de rede e batalhas políticas” com bons propósitos?

Com a palavra, a presidente da República.
Com a palavra, o Ministério da Justiça.
Com a palavra, o Senado Federal.
Com a palavra, a Polícia Federal.
Com a palavra, a Abin.
Com a palavra, o Ministério Público Federal.
Com a palavra, os líderes das oposições.

PT distribui dossiê contra a blogueira Yoani Sánchez


Robson Bonin
Veja online

Reportagem em VEJA desta semana mostra o envolvimento de militantes petistas - e até de um funcionário do Palácio do Planalto - numa conspiração do governo cubano para desmoralizar a blogueira durante sua visita ao Brasil

MISÉRIA MORAL - O dossiê contra Yoani Sánchez tem 235 páginas, foi distribuído 
pela Embaixada de Cuba em Brasília a militantes do PT, contém uma compilação de artigos 
publicados sobre a blogueira na ilha comunista, fotos e sórdidas montagens com insinuações 
de que ela teria se rendido ao dinheiro porque bebe cerveja, come banana e vai à praia

A blogueira Yoani Sánchez desembarca no Brasil nesta semana para divulgar o livro De Cuba, com Carinho, uma coletânea de seus textos sobre o triste cotidiano do povo cubano sob a ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro. O trabalho rendeu à dissidente uma perseguição implacável. Ela foi sequestrada, torturada e, durante anos, impedida de deixar o país. É rotulada de mercenária pelos comunistas da ilha e acusada de trair os princípios revolucionários. O que Yoani não sabe é que, apesar da distância que separa o Brasil de Cuba - 5 000 quilômetros -, ela não estará livre dos olhos e muito menos dos tentáculos do regime autoritário. Para os sete dias em que permanecerá no Brasil, o governo cubano escalou um grupo de agentes para vigiá-la e recrutou outro com a missão de desqualificá-la a partir de um patético dossiê. Uma conspirata oficial em território estrangeiro contra quem quer que seja é uma monumental afronta à soberania de qualquer nação. Esse caso, porém, envolve uma inquietante parceria. O plano para espionar e constranger Yoani Sánchez foi elaborado pelo governo cubano, mas será executado com o conhecimento e o apoio do PT, de militantes do partido e de pelo menos um funcionário da Presidência da República.

André Dusek/Estadão Conteúdo
NA SURDINA - Um assessor do ministro Gilberto Carvalho participou 
da reunião na embaixada, recebeu o dossiê e ouviu detalhes do plano de ataque

Perdendo o bonde


Rolf Kuntz
O Estado de SPaulo

O fim da crise global poderá ser o marco de mais um fracasso brasileiro. Enquanto governos mais sérios tentam criar os alicerces de uma nova fase de prosperidade, Brasília continua discutindo a guerra cambial e brigando no Fundo Monetário Internacional (FMI) para adicionar alguns pontos de porcentagem a seu poder de voto. Nenhum país poderoso mudará sua política monetária ou fiscal para evitar reflexos no câmbio, nem a limitada redistribuição de votos afetará os rumos do FMI ou servirá ao desenvolvimento brasileiro. Economias emergentes e em desenvolvimento já têm votos mais que suficientes para exercer um respeitável poder de barganha. Mas só as autoridades brasileiras parecem acreditar num bloco dos Brics ou agem como se houvesse um alinhamento automático de países do Norte e do Sul. Pior para o Brasil. Quando o mundo entrou em recessão, em 2008, o País parecia um time promissor a caminho da primeira divisão. Poderá estar no rumo da terceira, quando o mundo rico voltar a crescer e a China tiver avançado em seus ajustes.

Nesse momento, os emergentes mais dinâmicos e governados com mais seriedade, incluídos alguns latino-americanos, já estarão ocupando seus lugares para a nova etapa de prosperidade. No meio da crise, uma economia mundial mais dinâmica está sendo forjada, com programas de reformas e novos pactos comerciais entre blocos e países de todas as regiões.

A recém-anunciada negociação de um acordo de comércio e investimentos entre Estados Unidos e União Europeia, os dois mercados mais ricos e mais desenvolvidos, é parte desse esforço de remodelação. As conversações entre países desenvolvidos e em desenvolvimento para a criação de uma Parceria Trans-Pacífico são um empreendimento aparentemente menos ambicioso. Mas essa iniciativa se soma a várias outras manobras para integração das economias da Ásia e do lado ocidental das Américas - com riscos evidentes para o comércio brasileiro, já afetado na vizinhança pela forte concorrência da China e de outras potências orientais.

O presidente Barack Obama citou as duas negociações em seu pronunciamento sobre o estado da União. Houve reações divergentes em Brasília. Alguns diplomatas apontaram o projeto comercial de americanos e europeus como um novo estímulo para a busca de acordos relevantes ou, no mínimo, para a conclusão das conversações entre Mercosul e União Europeia. Mas também houve quem menosprezasse a novidade e até duvidasse da formação do megabloco do Atlântico Norte.

Quanto a um ponto, pelo menos, parece haver coincidência de opiniões no governo: qualquer nova iniciativa do Brasil e de seus parceiros regionais dependerá da solução de problemas do Mercosul. Em termos concretos, o Brasil está amarrado aos problemas da Argentina e, portanto, às ambições políticas e às trapalhadas econômicas da presidente Cristina Kirchner. Nenhum acordo de livre-comércio será celebrado pelo bloco, ou por qualquer de seus sócios, enquanto a Casa Rosada estiver comprometida com a ala mais protecionista dos empresários argentinos. Por enquanto, no domínio dos Kirchners, há apenas o aprofundamento das políticas em vigor. As barreiras comerciais permanecem, o controle de preços se amplia (já com problemas de abastecimento interno) e as estatísticas oficiais continuam sendo feitas à moda da casa.

Mas a presidente Dilma Rousseff e seus estrategistas internacionais parecem aceitar como natural, sábia e confortável a vinculação da diplomacia e dos interesses comerciais do Brasil a políticas desse tipo. Aceitaram o golpe contra o Paraguai e apoiaram a admissão da Venezuela no Mercosul pela porta dos fundos. A maior potência industrial da América do Sul depende, para fixar suas metas internacionais, da disposição de um governo vizinho populista, trapalhão e desacreditado internacionalmente. Basta a opinião desse governo, diante da passividade brasileira, para determinar os caminhos e descaminhos do Mercosul. Criado para servir à integração regional e facilitar a inserção de quatro países na economia global, o bloco transformou-se num trambolho, um entrave a qualquer esforço mais sério e mais ambicioso de diplomacia econômica.

O Mercosul limitou-se a acordos com economias em desenvolvimento, nem sempre no alto das prioridades comerciais, e orientados frequentemente por preconceitos ideológicos. Nem os acordos com parceiros sul-americanos, os mais próximos, serviram de forma equilibrada à economia brasileira. Nem mesmo contribuíram para dificultar o ingresso crescente de produtos fabricados na Ásia. Essa invasão tem ocorrido mesmo no interior do bloco, onde o protecionismo argentino tem deslocado produtos brasileiros em favor de mercadorias fabricadas no Oriente.

Com o fracasso da Rodada Doha, o Brasil perdeu sua principal aposta no jogo das negociações. Nada sobrou além de um regionalismo de baixo retorno e de um terceiro-mundismo de centro acadêmico. A América do Sul ainda é o principal destino das exportações brasileiras de manufaturados, mas até nesse terreno o País tem dificuldade para competir.

Sem a rodada global, os governos mais adultos negociam acordos bilaterais e regionais. Esses acordos podem até complicar o sistema multilateral, mas são o jogo disponível neste momento - e o Brasil está fora. Nada mudará enquanto o governo confundir política internacional com passeata e subordinar sua diplomacia a interesses imaginários de blocos inexistentes, a começar pelo Brics. Se olhasse mais para o mundo, esse governo estaria de fato muito mais preocupado com as vantagens e desvantagens comparativas do Brasil e menos empenhado na retórica inútil da guerra cambial.

O papa Bento XVI anunciou a intenção de se isolar depois de abandonar o Vaticano. Dificilmente estará mais distante do mundo num convento do que estaria no Palácio do Planalto.

O fim da miséria?


J. R. Guzzo
Revista EXAME


O governo divulgou no início de fevereiro vitórias importantes contra a miséria e prometeu que a partir do mês que vem não existirá mais pobreza extrema no Brasil. Isso quer dizer que não haverá ninguém, já agora em março, com renda inferior a 70 reais por mês em todo o território nacional. Segundo os critérios oficiais em vigor, geralmente avalizados por organismos internacionais, essa quantia é a marca que define quem é quem na escala social brasileira. O cidadão que tem uma renda mensal de 70 reais, ou menos, é um miserável oficial; quem consegue passar esse limite já não é mais. “Tiramos, entre 2011 e 2012, mais de 19,5 milhões de pessoas da pobreza extrema”, afirmou a presidente Dilma Rousseff. “Até o mês de março vamos zerar o cadastro”. Segundo o governo, há no momento 600.000 famílias nesse registro; não haverá mais ninguém dentro de um mês, salvo um número incerto de cidadãos que estão na miséria, mas não no cadastro. Esses ainda terão de ser encontrados para receber do Tesouro Nacional, a cada mês, os reais que vão salvá-los.

Pode haver erros nessas contas, é claro, mas não se trata de números argentinos: basicamente, retratam a realidade aproximada da fossa social brasileira. A dimensão numérica, portanto, está certa. O problema é que ela também está errada ─ pois leva o governo a concluir que a miséria está acabando no Brasil, quando é mais do que óbvio que ela continua existindo, e existindo à toda. A primeira dificuldade com a postura oficial está na pessoa verbal utilizada pela presidente. “Tiramos” da miséria, disse ela ─ uma apropriação indébita da realidade, pois quem tirou aqueles milhões de brasileiros da linha inferior aos 70 reais não foi ela nem seu governo, e sim o contribuinte brasileiro. Foi ele, e só ele, quem sacou o dinheiro de seu bolso, através dos impostos que paga até para comprar um palito de fósforo, e o entregou às coletorias fiscais; se não fosse assim, não haveria um único tostão a distribuir para pobre nenhum.

Trata-se de um vício incurável nos circuitos neurológicos dos governantes brasileiros. Acreditam na existência de uma coisa que não existe: “dinheiro do governo”. É como acreditar em disco voador. A diferença é que tiram proveito de sua crença; é o que lhes permite dizer “eu fiz” tantas escolas, tantos quilômetros de estrada e por aí afora, como se o dinheiro gasto em tudo isso tivesse saído de sua própria conta no banco.

O problema essencial, porém, está na lógica. Como nos ensina Mark Twain, que elevou o bom senso à categoria de arte em quase tudo o que escreveu, existem três tipos de mentira: a mentira, a desgraçada da mentira e as estatísticas. Esse anúncio do fim da pobreza extrema é um clássico do gênero. A estatística precisa, obrigatoriamente, de um número fixo para definir qualquer coisa que pretende medir, assim como um metro precisa ter 100 centímetros. No caso, o número escolhido, e aceito por organizações imparciais mundo afora, foi 70 reais ─ mas não faz absolutamente nenhum nexo afirmar que uma pessoa que ganhe 71 reais por mês, ou 100, ou 150, tenha saído da miséria. O resumo dessa ópera é claro. Daqui a alguns dias, não haverá mais miseráveis nas estatísticas do Brasil; só haverá miseráveis na vida real. Além disso, seremos provavelmente o único país do mundo em que a miséria teve uma data certa para desaparecer. O governo poderá dizer: “O Brasil acabou com a miséria no dia 15 de março de 2013, às 18 horas, ao fim do expediente na administração federal”.

Praticamente nenhum cidadão brasileiro, ao sair todo dia de casa, leva mais do que 15 minutos para dar de cara com alguma prova física de miséria. Mas, do mês de março em diante, terá de achar que não viu nada. Se procurar alguma autoridade para relatar o fato, ouvirá o seguinte: “O senhor deve estar enganado. Não há mais nenhum miserável no Brasil”. É assim, no fim das contas, que funciona o sistema cerebral do governo. A realidade não é o que se vê. É o que está no cadastro.

Tira, põe, deixa enganar.


Carlos Brickmann
Brickamnn & Associados Comunicação

A conta de luz baixou? Baixou, mas vai subir: para evitar apagões no ano da Copa (e das eleições presidenciais), o Operador Nacional do Sistema, que comanda a produção e distribuição de eletricidade em todo o país, anunciou oficialmente que o Governo decidiu não mais desligar as usinas térmicas, que queimam gás, carvão e óleo. O objetivo é economizar água e manter cheios os lagos das hidrelétricas: não fica bem, numa época de eventos importantes, faltar luz no Brasil. Só que a energia térmica é poluente e mais cara. A conta de luz vai subir.

E a conta mais baixa? OK, antes de subir, a conta vai dar uma descidinha. Mas o abatimento vai cair na conta do Tesouro - ou seja, vai sair dos impostos que pagamos. Funciona mais ou menos assim: imaginemos que o empresário Eike Batista, por exemplo, tenha uma conta de luz bem alta. Sua residência é grande, com ar condicionado central, salas com iluminação especial (onde, lembremos, expõe aquela joia mecânica que é o Mercedes McLaren, um dos poucos que existem no Brasil), adega climatizada, piscina com temperatura controlada, essas coisas. Ele vai economizar na conta de luz, no curto período de baixa. 

E quem paga por ele? Você, caro leitor; ou a moça da favela que lava roupa para fora e que paga impostos ao comprar pão, margarina e sabão. Os impostos de quem compra remédios, ou um par de sandálias de dedo, vão para o Tesouro, e de lá saem para ajudar os milionários a economizar em suas contas de luz.

Ah, não esqueçamos: o gás que move usinas térmicas é importado. Coisa fina!

Lula lá
O procurador Leonardo Augusto Melo, do Ministério Público Federal de Minas Gerais, foi sorteado para analisar o depoimento do empresário Marcos Valério, que acusa o ex-presidente Lula de ter recebido recursos do esquema do Mensalão. Segundo Marcos Valério, condenado pelo Supremo a mais de 40 anos de cadeia por seu papel no Mensalão, Lula sabia de tudo; e usou algo como R$ 100 mil para cobrir despesas pessoais. Importante: não há ainda qualquer processo contra Lula. Caso o procurador Melo encontre indícios de participação do ex-presidente em algo que considere ilegal, formulará uma denúncia que terá de ser aceita por um juiz. Até lá, é apenas análise de um depoimento - e depoimento suspeito, já que é de um condenado, e foi feito após o julgamento do Mensalão. 

Mas prepare-se: este deve ser o tema do debate político de agora em diante.

Dinheiro voando
O Governo tucano de São Paulo aumentou em 26% as verbas de publicidade para 2013. A previsão é gastar R$ 226 milhões para dizer que o governador é bom. Em 2011, o governo paulista gastou R$ 118 milhões em propaganda, um pouco menos da metade de agora. Em 2011, o Governo Alckmin se iniciava. Em 2013, Alckmin já começa a se preocupar com sua reeleição, no ano que vem.

Para que? Para nada
Haverá algum cidadão de baixíssima renda que assista ao horário nobre da Rede Globo e, motivado pela propaganda, decida beneficiar-se do programa Bom Prato, do Governo paulista, que fornece refeições completas a R$ 1,00? Por que, então, a caríssima propaganda? Ao abrir a torneira, o cidadão pode optar entre a água fornecida pela empresa estatal do setor e alguma outra? Não, não pode (e também não pode escolher quem vai tratar seu esgoto). Então, para que o anúncio em rede de TV? Isso não ocorre só em São Paulo: Cuiabá estará tão bem de vida que possa gastar milhões, sem remorsos, no desfile das escolas do Rio?

Seria muita maldade achar que essas verbas compram boa-vontade, não é?

Voa, dinheirinho, voa
Dos 513 deputados federais, 484 fizeram questão de receber o 14º e o 15º salário - a extinção da escandalosa mordomia já foi aprovada, mas sentaram-se em cima do projeto e a tramitação não tem jeito de terminar. Só 29 deputados, em toda a Câmara Federal, se recusaram a receber estes salários injustificáveis (pesquise: estes 29 fazem por merecer seu voto. Os outros só merecem repúdio). Entre os que fizeram questão de receber, estão o presidente da Câmara, Henrique Alves, do PMDB potiguar, e seu vice, André Vargas, do PT do Paraná. 

O presidente do Senado, Renan Calheiros, deu outro tipo de exemplo: pegou seu Carnaval estendido (três ou quatro dias é para os fracos; os espertos vivem na folia) e gastou mais de R$ 22 mil só de diárias num hotel de luxo, em Gramado. 

E, evitando comentários maldosos, foi com sua esposa, dona Verônica.

O que cai do céu
Um asteroide passa razoavelmente perto da Terra (pouco menos de 28 mil km, enquanto a Lua fica a 384 mil km), e manteve a NASA de sobreaviso, até que se tivesse certeza de que não entraria em rota de colisão com nosso planeta. Uma chuva de meteoritos atinge a Rússia, ferindo quase mil pessoas (e obrigando as Forças Armadas a destruir com um certeiro míssil o núcleo do maior deles, para evitar um choque de proporções muito piores). 

O Brasil, ainda bem, se manteve livre desses problemas. E não procedem os rumores de que outro asteroide, que cairia numa importante cidade do país e era possivelmente rico em metais preciosos, tenha sido roubado no espaço.

carlos@brickmann.com.br 
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Governos espetaculares fazem espetáculos


Elio Gaspari
O Globo

Desde o ano passado, o semiárido nordestino atravessa uma grave seca. Na Bahia, em Sergipe, Alagoas e no Maranhão, 75% dos municípios estão em estado de emergência. No Ceará, são 177 em 184. Lá, as chuvas do ano passado ficaram em metade da média habitual e neste ano estão abaixo do terço (55,1 milímetros contra 161,8). Há 136 municípios dependendo de carros-pipa para atender perto de um milhão de pessoas. Em algumas cidades, as escolas dependem do socorro de vizinhos.

Os investimentos feitos na região mostraram-se insuficientes para enfrentar uma calamidade natural que, segundo os meteorologistas, tende a se agravar. Estima-se que as chuvas deste ano serão poucas.

A mais vistosa ação do governo federal tem sido um filme de um minuto que a Secom botou nas televisões da região. Nele, Chambinho do Acordeon, feliz e sorridente, anda pela caatinga informando que “a seca sempre vai existir, mas o sertanejo vai poder se defender cada vez mais dela”. Cantando louvores aos investimentos feitos pelo governo, informa que “o sertanejo é um cabra forte, só precisa de apoio, e vai ter cada vez mais”. 

Os sertanejos que estão sem o abastecimento de carros-pipa não precisam de propaganda. O que lhes falta é água. Esse tipo de marquetagem no meio de uma seca chega a ser deboche. Para falar sério, o aparelho de autoglorificação da doutora Dilma deveria anunciar, ao fim de cada clipe, quanto gastou na marquetagem e quantos carros-pipa ela pagaria.

Durante a seca de 1998, Lula visitou o interior do Ceará acompanhado de José Genoino, cuja família morava em Jaguaruana. Culpou a desatenção dos tucanos e prometeu rios de mel. Nas palavras de Nosso Guia: “O sofrimento do povo nordestino só vai acabar no dia em que a gente tiver políticas de investimento para tornar esta terra produtiva. E essas políticas, o PT tem”.

Qual era? “O Fernando Henrique veio ao Ceará na campanha de 1994 e prometeu transpor as águas do Rio São Francisco. Mas até agora não trouxe sequer um copo de água. Ele foi mentiroso e vai mentir de novo prometendo a obra para ganhar voto”.

Em 2003, eleito, Lula prometeu: “Nesses quatro anos, 24 horas por dia serão dedicadas para fazer aquilo em que acredito: a transposição das águas do Rio São Francisco”. Ficou oito anos, a doutora Dilma juntou mais dois, e depois de dez anos o “copo de água” ainda não apareceu.

A opção preferencial dos governos pela propaganda e pelos espetáculos criou um novo estilo de administração e, nele, o governador do Ceará, Cid Gomes, tem se revelado um talento à altura de Steven Spielberg. No ano passado, a Viúva entrou com boa parte do custo da festa de inauguração de um centro de convenções abrilhantado pelo tenor espanhol Placido Domingo. A tertúlia custou R$ 3,1 milhões e alegrou três mil convidados.

Até aí tudo bem, pois de fato havia um centro de convenções. Em janeiro passado, ele pagou um cachê de R$ 650 mil à cantora Ivete Sangalo para lustrar a inauguração do Hospital Regional Euclides Ferreira Gomes, em Sobral, berço político de sua família desde a proclamação da República.

Cadê o hospital? Houvera o show, o prédio estava pronto, mas não havia funcionários. Até hoje, ele funciona como posto de saúde, só com consultas e raios X. Hospital mesmo, só em maio.

Assim como a Secom poderia investir em carros-pipa o que gasta em propaganda, Cid Gomes poderia ao menos fazer a caridade de só patrocinar shows quanto tiver serviço para entregar.

Programas sociais deixam 2,5 milhões de miseráveis de fora


João Carlos Magalhães
Folha de São Paulo

Os programas sociais do governo federal excluem 2,5 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria e ele não consegue localizar, de acordo com estimativa do próprio Ministério do Desenvolvimento Social.

Encontrar essas pessoas é essencial para a presidente Dilma Rousseff cumprir sua promessa de "erradicar" a extrema pobreza --o que só ocorrerá quando nenhum brasileiro ganhar menos que R$ 70 por mês, segundo o critério fixado pelo governo.

O Ministério do Desenvolvimento Social chegou a essa estimativa depois de comparar dados do Censo de 2010 com as informações do Cadastro Único, a base de dados usada para administrar os programas sociais.

Se essas pessoas não entrarem no sistema, elas jamais serão incluídas em ações como o Bolsa Família, cujas transferências foram ampliadas por Dilma, e, assim, não serão resgatadas da extrema pobreza.

"Pretendemos fazer [o cadastro dessas famílias] até o final do ano. A presidente já nos indicou que o processo tem que ser acelerado", disse o secretário para Superação da Extrema Pobreza do ministério, Tiago Falcão.

Em junho de 2011, quando Dilma lançou o Brasil sem Miséria, o plano com o qual espera cumprir sua promessa, cálculos feitos com dados preliminares do Censo indicavam que existiam 800 mil famílias fora do cadastro.

O governo então mobilizou as prefeituras para localizar e incluir no sistema essas pessoas, em vez de simplesmente esperar que elas aparecessem espontaneamente para se cadastrar. Graças a essa iniciativa, 791 mil famílias foram encontradas.

Em abril do ano passado, o governo teve acesso a dados mais detalhados do Censo e concluiu que o problema era maior --cerca de 2 milhões de famílias miseráveis fora do cadastro, mais que o dobro das 800 mil identificadas anteriormente.

De acordo com as estimativas do ministério, ainda falta localizar 700 mil famílias que estão fora do cadastro do governo --ou cerca de 2,5 milhões de pessoas, considerando uma média de 3,6 pessoas por família.
O Cadastro Único reúne informações obtidas pelas prefeituras dos mais de 5,5 mil municípios do país, que são responsáveis pela localização dos pobres e pelo preenchimento dos formulários que alimentam o sistema.

A dificuldade de cadastrar essas pessoas reside principalmente na falta de informação e no fato de elas estarem em lugares muito distantes de qualquer estrutura estatal --dezenas de lanchas passarão a ser usadas na busca por ribeirinhos miseráveis da região Norte do país.

ANÚNCIO
As falhas do cadastro foram citadas por Dilma no início do mês, quando a presidente disse que até março vai zerar o número dos extremamente pobres constantes no sistema --desde 2011, 19,5 milhões dos 22,1 milhões de miseráveis cadastrados passaram a ganhar ao menos R$ 71.

"Nós não podemos ficar satisfeitos com isso, não, só zerar o cadastro. Nós temos de ir atrás dos que faltam. Sabemos que tanto na cidade como na zona rural, no campo brasileiro, ainda tem famílias abaixo da linha da pobreza não cadastradas."

O governo prepara novas medidas para zerar o número de miseráveis cadastrados e pode anunciá-las em evento na próxima terça-feira.

Cactos vicejam no deserto


Gaudêncio Torquato
O Estado de SPaulo

Lembram-se do Tiririca, o palhaço eleito com a maior votação do pleito de 2010? Desiludido, anuncia que voltará a fazer graça nos palcos porque na política “não dá para fazer muita coisa”. O mote de sua campanha - “pior do que tá não fica” – parece dar razão ao deputado Francisco Everardo Oliveira Silva, que recebeu mais de um milhão de votos do povo paulista.~

Basta ver que mudanças na forma de fazer política ganharam passos muito tímidos nos últimos dois anos. Em algumas frentes, em vez de avançar, o país retrocedeu. Veja-se a seara partidária. A par de 30 partidos existentes, pelo menos mais 31 estão sendo criados, a denotar a proliferação abusiva de siglas e os desastrosos efeitos que acabarão mercantilizando cada vez mais a política e jogando-a na bolsa de negociação eleitoral.

Trata-se de mais uma demonstração da massa amorfa em que se transformou a estrutura partidária no país. Pior é anotar que isso ocorre num momento de intensa crítica social contra práticas e costumes da velha política.

Nunca se viu tanto alvoroço nas malhas da organização partidária como se observa hoje, haja vista o interesse de múltiplos atores em procurar janelas para sair de seus atuais abrigos partidários e, na pista do troca-troca de agremiações, barganhar condições de apoio às candidaturas em 2014, tanto na área federal quanto na esfera dos Estados.

As 500 mil assinaturas exigidas para registro de novas siglas ganham as ruas sob um regime de pressa com prazo de validade. Afinal, para participar do próximo pleito, os novos partidos deverão ser autorizados pelo TSE até outubro deste ano (um ano antes). O que chama a atenção é o foco de atuação das novas siglas. Os nomes sinalizam a especificidade de interesses grupais em detrimento de escopos mais abrangentes e coletivos.

Se levarmos em consideração um espectro partidário com, por exemplo, 6 posições – esquerda, direita, centro, centro-esquerda, centro-direita e extrema-esquerda – chegar-se-á a conclusão de que uma constelação com mais de 60 entidades atenta contra o bom senso. Partido é parte do todo, mas isso não significa inserir no arco do pensamento nacional interesses de corporações, núcleos, movimentos etc.

O rol das novas entidades corrobora a tese de que o corporativismo marca forte presença no espectro social. Um partido da mulher brasileira (PMB), que já conseguiu registro em três Estados, quer apostar na hipótese de segmentação do eleitorado por gênero; um tal de movimento negação da negação (MNN), autodefinido como trotskista, mostra interesse em se fixar na margem extrema com um discurso anulando tudo que emana do establishment; o partido de representação da vontade popular(PRVP), pelo visto, pretende apagar os outros, por não representarem a vontade coletiva; o partido novo(PN), claro, joga os outros no baú da senilidade; o partido cristão(PC) contrapõe-se a outros de viés religioso, como o atual PRB, sob a chancela da Igreja Universal; esboça-se uma ARENA, agregando um grupo de jovens de direita que intentam refundar um ente com o mesmo nome que deu apoio à ditadura militar; um partido militar brasileiro(PMB) elege como escopo a segurança pública e, por aí vai, até se chegar ao partido pirata do Brasil(PPB), cuja proposta é a defesa da pirataria nas redes sociais. Nessa moldura oportunista, a Rede, sigla que a ex-ministra Marina Silva lançou, ontem, em Brasília, ganhará até consistência.

Esvai-se, assim, o ideário voltado para o bem comum, conceito que implica a integração de fatores como a liberdade, a justiça, a paz, a utilidade social, a solidariedade e a igualdade. Não se distingue nessa nova modelagem algo que lembre expressões consagradas como o interesse social, a satisfação das demandas coletivas, enfim, “o bem que a todos apetece", como ensina São Tomás de Aquino.

Partido, mesmo querendo significar parcela social, abarca o conceito de comunidade, a “comum união” de pessoas que possuem a mesma natureza e sonham com um mesmo fim. Nesse caso, contrapõe-se ao interesse de corporações e conjuntos que se desdobram para fazer predominar pequena parte sobre o todo.
A facilidade para criar partidos é fruto de uma legislação extremamente liberal, produzida para se contrapor aos tempos em que a ditadura militar mantinha sob cabresto o bipartidarismo da Arena e do MDB, entre 1966 a 1969. Aliás, nossa vida partidária nunca se pautou pela linearidade.

No período monárquico, os partidos nacionais não agregavam a participação das bases; no primeiro ciclo da era republicana (1889/1930), em função das articulações entre o presidente e os chefes dos Estados membros, os partidos tinham uma identidade regional; entre 1930 e 1946, o autoritarismo restringiu a liberdade partidária.

Só a partir da CF de 1946, os partidos ganharam ares democráticos, passando a exprimir um ideário nacional. A Carta de 1988 abriu as comportas e os partidos se multiplicaram. Poucos, porém, atenderam aos preceitos que os qualificam: catalisar correntes de opinião; formar e selecionar quadros para a política; informar e educar o eleitorado.

Nos últimos anos, os pequenos gargalos foram afrouxados. No final de 2006, o STF derrubou a cláusula de barreira, que assim rezava: “tem direito a funcionamento parlamentar, em todas as Casas Legislativas, para as quais tenha elegido representante, o partido que, em cada eleição para a Câmara dos Deputados, obtenha o apoio de, no mínimo, 5% dos votos apurados, não computados os brancos e os nulos, distribuídos em, pelo menos, um terço dos Estados, com um mínimo de dois por cento do total de cada um deles”.

Nesses tempos de intensa negociação de tempo de propaganda eleitoral (prática usual entre partidos), de coligações proporcionais (que mesclam siglas de visões opostas e elegem figurantes de parcos votos), de bandeiras rotas e assemelhadas, as fontes partidárias secaram. Em seu lugar, descortina-se um deserto, onde a vegetação tem dificuldades para brotar. Ai, apenas os cactos vicejam. Essa é a terra calcinada da qual pretende se afastar o palhaço Tiririca.

É hora de o Brasil escolher seu lado


Ricardo Galuppo  
Brasil Econômico

Um ponto importante do pronunciamento do presidente Barak Obama no discurso que marcou o início do seu segundo mandato, na terça-feira passada, diz respeito diretamente ao Brasil, embora nem de longe o nome do país tenha sido mencionado.

Trata-se da intenção de apressar negociações que podem resultar na criação de uma área de livre comércio entre os Estados Unidos e a Europa.

Não é uma tarefa simples e terá que contar com a aprovação do Congresso americano e dos 27 integrantes da União Européia.

Mas bastou que Obama mencionasse a intenção para que os europeus imediatamente aplaudissem a ideia - que já vem sendo negociada há alguns anos, mas sempre esbarra numa tecnicalidade ou numa firula protecionista. Acontece que, agora, a situação é outra.

A Europa está em crise, os Estados Unidos estão em busca de um novo modelo de desenvolvimento e, nesse cenário, o acordo deixa de ser uma hipótese para se tornar uma necessidade.

O comissário de Comércio Exterior da Europa, Karel De Gucht, chegou a dizer que tudo deve estar pronto dentro de dois anos. Apenas dois anos.

O que isso tem a ver com o Brasil? Tudo. Se a previsão de De Gucht estiver certa, a criação do novo bloco coincidirá com o fim do mandato da presidente Dilma Rousseff - e a posição que o país tomar neste momento terá repercussão sobre as próximas décadas.

Nos últimos anos, o esforço da diplomacia comercial brasileira se enveredou por um caminho que só se explica por razões ideológicas.

O país virou as costas para os Estados Unidos e para a Europa e atrelou todo seu relacionamento comercial com o mundo aos interesses do natimorto Mercosul.

E assim, viu seus negócios bilaterais com o mundo desenvolvido subordinados aos interesses de países que não querem ser parceiros, mas parasitas da maior economia do bloco.

Mesmo assim, o Brasil insistiu no discurso de apoio à Argentina, ao Uruguai e à Venezuela (posto que o Paraguai foi afastado para que o país de Hugo Chávez entrasse no bloco).

Agora é a hora de escolher de que lado o país quer ficar. Virar as costas para a união que se formará no hemisfério norte, num movimento que terá repercussão inclusive sobre a poderosa economia chinesa, pode ser o mesmo que rasgar um convite para o baile de gala mais aguardado do século.

A economia brasileira tem dimensão para fazer parte do bloco dos desenvolvidos - e nessa posição conseguir melhorar a economia a ponto de garantir mais empregos para a população e promover a inclusão social sempre mencionada entre os objetivos do governo.

Acompanhar de perto as negociações e pleitear uma posição de acesso privilegiado ao megabloco é fundamental.

E se ligar a ele, muito mais interessante do que continuar fazendo o papel de mantenedor da Argentina e da Venezuela.

Não em meu nome


Fernando Gabeira
O Estado de S.Paulo

Mais de 1 milhão de pessoas assinaram um manifesto contra Renan Calheiros na presidência do Congresso Nacional. Movimentos como esse têm grande valor simbólico. Equivalem às manifestações modernas em que se protesta contra algo vergonhoso ou sanguinário com cartazes que dizem: "Não em meu nome". São bons para mostrar que o País não é homogêneo e que alguns governantes tomam atitudes francamente rejeitadas por milhares de seus conterrâneos.

Em termos internacionais, isso é a notícia. Calheiros passaria em branco se fosse apenas Calheiros com seu rebanho, notas frias, bela amante e um lobista de empreiteira para pagar suas contas. Mas é um presidente do Congresso rejeitado por milhões. Uso o plural porque o manifesto tem pouco mais de uma semana de vida e muitos que rejeitam a presença dele ainda desconhecem sua existência ou ainda hesitam em manifestar sua rejeição.

O manifesto vai encontrar um poderoso muro de cinismo, com materiais impenetráveis, entre eles a crença da esquerda de que os meios justificam os fins. Essa camada é difícil de atravessar porque se mescla com uma vitimização geral. Na Venezuela, Hugo Chávez tenta convencer as pessoas de que o capitalismo e o imperialismo são uma boa razão histórica para que um ato nobre não coincida com sua legalidade.

Os textos de Lenin autorizam essa interpretação. Não creio que o PMDB precise de alguma teoria, mas Calheiros mencionou os objetivos nacionais, aos quais a ética deve ser subordinada. Estrangularemos e saquearemos, pois, em nome dos objetivos nacionais, que não foram explicitados porque servem melhor assim, numa forma altamente abstrata.

Sarney disse, em seu discurso, que a paixão pela política e pelo bem comum é maior que a paixão pela vida. Em outras palavras, ele seria capaz de morrer pelo bem comum. Imagens fora do lugar. Sarney poderia ter dito isso durante a ditadura militar, quando essa frase altissonante poderia ser posta à prova.

Sarney sabe muito bem que hoje, se quiser discutir questões de vida ou morte, deve falar com os médicos no Instituto do Coração ou outros especialistas que cuidam de sua saúde. Passou o tempo do heroísmo, porque, como dizia Brecht, o País já não necessita de heróis.

Outro componente do cinismo é supor que a maioria eleitoral dá direitos ilimitados aos ungidos pelo voto popular. Daí em diante é seguir em frente com a frase de Disraeli nos lábios: "Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe".

Há um amálgama de Maquiavel, Disraeli, Max Weber mal digerido, pois o sociólogo alemão considerava uma ética totalitária a pura expressão os meios justificam os fins. No fundo mesmo, a substância mais gelatinosa e agregadora da camada de cinismo é o desprezo até pela racionalização. Os fins são a riqueza pessoal, alguns imóveis em Miami, uma fazenda de gado.

Como dizia o poeta, os amigos não avisaram que havia uma revolução. E ela transformou tão radicalmente as relações que frases como a de Disraeli, preferidas como néctar da sabedoria política, se tornam cômicas e ingênuas.

Aos jovens de hoje basta dar alguns toques no computador para saberem, em minutos, tudo o que existe publicado sobre os políticos. Com uma câmera de US$ 400 é possível filmá-los com uma definição quatro vezes maior que o HD de seus televisores. O Congresso, em tempos como o nosso, está na vitrine, como aquelas mulheres do Distrito da Luz Vermelha, em Amsterdã.

Não estou comparando os políticos às prostitutas. Seria injusto para com certos políticos e prostitutas. Digo apenas que ambos estão expostos, elas física, eles virtualmente. Com a bunda de fora, muitos ainda não se deram conta de que estão na vitrine. Não pensam no futuro, na rejeição popular, nos problemas que trazem para suas próprias famílias. Alguns deles, em breve, não poderão frequentar lugares públicos nas metrópoles brasileiras. Terão de viver uma realidade separada. Seus jatinhos decolam e aterrissam discretamente, seus percursos urbanos serão feitos de helicóptero. Tornaram-se pássaros e vão flutuar na atmosfera por algum tempo, até que uma tempestade os jogue no chão enlameado.

Imagino o que pensam: nada disso nos derrota nas eleições, temos maioria . Prosseguiremos assim porque, com raros incidentes, sobrevivemos bem ao longo da década.

O que pode acontecer quando um Congresso se degrada ostensivamente em plena era da informação? A escolha de Calheiros e Alves para a direção das Casas do Congresso abre nova etapa, atenuada pelas festas do carnaval.

Já passamos por fases difíceis. Ouço algumas vozes de desespero. Mas a experiência mostrou que, nesses momentos, o importante é não desesperar, não jogar fora o Brasil com a água do banho. Pelo menos 1 milhão de pessoas pensam como nós sobre a escolha de Renan Calheiros. E elas dizem claramente com a assinatura do manifesto: não em meu nome. Há um Brasil que resiste e nele há espaço e gente suficiente para não nos sentirmos sós e pacientemente encontrarmos uma saída para o impasse.

Alguns novos países, o nosso inclusive, talvez nem tivessem 1 milhão de pessoas quando iniciaram sua trajetória para a independência. Nem havia internet.

Os brasileiros fora do País, que são quase 2 milhões, também podem ser acionados e, de lá, contribuir na campanha contra Renan. Com tantas conexões e a inteligência coletiva em cena, impossível não encontrar os meios de abalar um jovem coronel incrustado no topo de uma instituição nacional. É um problema novo que vai roubar tempo e energia, mas não a esperança. Vamos a ele, sem desânimo e, se possível, com algum humor.

Depois de eleito, Renan aparece numa foto, em Brasília, com uma espada apontada para seu pescoço. É apenas um efeito visual, desses que acontecem em solenidades militares. Do jeito que olhava a espada, imagino que comece a perceber a trapalhada em que se meteu. Precisamos ajudá-lo a compreender.

No tempo em que eu estava lá, fui o mais explícito possível: se entrega, Corisco.

Causa mortis


Olavo De Carvalho
Mídia Sem Máscara

A tal ponto chegou a padronização esquerdista da mídia, da qual falava o meu artigo anterior, que em 2001 O Globo, segundo confessou seu chefe de redação, Luís Garcia, teve de contratar pelo menos um colunista tido como “de direita”, para não dar muito na vista. Esse colunista era eu, mas, assim que se tornou patente a minha insistência em denunciar as atividades do Foro de São Paulo – cuja simples existência o establishment iluminado negava --, fui expelido não somente daquele jornal, mas da Zero Hora, do Jornal da Tarde e da revista Época.

Fui substituído por uma geração de direitistas soft, que se limitam a defender genericamente a economia de mercado e as liberdades democráticas, sem deixar de fazer toda sorte de concessões ao programa sociocultural da esquerda. E tanto se reduziu nesse ínterim a quota de “direitismo” admissível, que mesmo esses, hoje em dia, são rotulados de radicais, extremistas e golpistas, inclusive pela revista do sr. Carta.

A História já comprovou mil vezes que o rebaixamento da cultura a instrumento de um esquema de poder, acompanhado da supressão das vozes discordantes, é o caminho mais curto para a imbecilização geral.

É claro que a mídia, por si, não pode secar a criatividade das melhores inteligências. O que ela pode fazer, e fez, foi baixar o nível do debate geral para ajustá-lo a uma política que festejava o analfabetismo do sr. Lula como prova de suas “raízes populares” (uma ofensa brutal aos pobres estudiosos) e, coerentemente com o mais rasteiro populismo intelectual, entregava o Ministério da Cultura a homens incapazes de escrever três palavras sem errar duas e meia.

Isso começou com o dogma progressista-populista (já comentado no próprio Imbecil Coletivo), de que todo es igual, nada es mejor, de que toda distinção entre o mais alto e o mais baixo é um elitismo fascista, devendo portanto ser extinta a noção mesma de cultura superior e instaurado o cambalache universal que hoje arranca lágrimas de crocodilo do sr. Mino Carta.

Significativamente, o sr. Carta não diz uma palavra sobre a essencial causa mortis da cultura brasileira, a instrumentalização das universidades como centros de formação da militância comunista. Num ambiente de compressiva uniformização doutrinal, intoxicados de slogans, chavões e cacoetes mentais obrigatórios, protegidos de todo desafio intelectual e cientes de que o menor desvio da ortodoxia dominante pode destruir suas carreiras, milhões de jovens entendem hoje a formação universitária como subserviência canina aos mandamentos de seus orientadores, incluindo, entre as demonstrações rituais de fidelidade, as expressões histéricas de ódio às bêtes noires da mitologia professoral -- eu, é claro, em primeiríssimo lugar. Que alta cultura pode sobreviver nessa atmosfera? Não foi decerto coincidência que alunos da maior universidade brasileira, tendo descido da condição de estudiosos acadêmicos para a de ativistas e militantes, tenham caído daí para a de drogados e praticantes do sex lib e em seguida para a de bandidos comuns. Qual será a próxima etapa?

Já que o sr. Carta deplora as diferenças entre a cultura brasileira dos anos 40 ou 50 e a de hoje, por que não diz que, dessas diferenças, a maior foi a passagem de um saudável pluralismo ideológico a uma atmosfera de monopolismo partidário, rancor insano e repressão do pensamento divergente? Será possível imaginar, naquela época remota, um intelectual de boa reputação bloqueando o acesso dos seus adversários à mídia, ou baixando sobre eles uma cortina de silêncio em público ao mesmo tempo que, pelas costas, instigasse contra eles o ódio da juventude universitária? Naquele tempo, o editor José Olympio costumava reunir no fundo da sua livraria os escritores das mais variadas tendências ideológicas, para conversações que hoje seriam impossíveis. Naquele tempo, foram sobretudo os críticos de esquerda que fizeram a fama de Gilberto Freyre, o inverso de um esquerdista. Naquele tempo, o socialista Álvaro Lins abria as portas do jornalismo a Otto Maria Carpeaux, que chegava da Áustria com a fama de doutrinário-mor do regime católico-autoritário do chanceler Dolfuss. Não que inexistissem antagonismos. Existiam e eram feios. Mas ninguém fugia de lidar com eles no campo da palavra, ninguém seguia o preceito leninista de tentar destruir socialmente o adversário em vez de discutir com ele.

Diferença por diferença, pergunto se naqueles tempos áureos algum colunista de mídia seria capaz de falar de um problema já abundantemente denunciado e analisado por outro colunista, e fazê-lo com ares de pioneirismo absoluto, sem dar o menor sinal de ter ouvido falar do antecessor. Se o sr. Carta diverge de mim, que seja homem e fale o português claro. Que pare de camuflar sua covardia por trás de uma afetação de superioridade olímpica.

Os exemplos poderiam multiplicar-se ad infinitum. Não foi só a produção de boas obras que diminuiu. Foi muito mais a estatura moral da classe opinante, hoje mais empenhada em consolidar o poder do PT e beneficiar-se financeiramente dele do que em preservar aquele mínimo de integridade e honradez sem o qual não existe vida intelectual nenhuma.

O sr. Carta imita enfim o mafioso que mandou matar o adversário e depois ainda foi ao enterro perguntar à viúva: “De quê morreu o seu marido, minha senhora?” A dona, não podendo dar nome aos bois, saiu-se com este maravilhoso eufemismo: “Foi de encontro a um projétil que vinha em sentido contrário.” Pois bem, sr. Carta, foi disso que morreu a cultura brasileira: foi de encontro a um bloco de imbecis presunçosos que vinham em sentido contrário.

Publicado no Diário do Comércio.

Yoani chega ao Brasil com protesto pró-ditadura cubana

Veja online
Com agência EFE

Blogueira desembarcou no Recife e foi chamada de agente da CIA por militantes

 (Edmar Melo/EFE)
Yoani Sanchéz, ao lado do cineasta Dado Galvão, 
chega ao Brasil: militantes pró-ditadura no encalço

Após cinco anos e 20 negativas do regime cubano de viajar para o exterior, a dissidente, jornalista e blogueira Yoani Sánchez chegou na madrugada desta segunda-feira ao Brasil, primeira parada de uma viagem de 80 dias que a levará a uma dezena de países da América e da Europa. 

Depois de pegar um voo na Cidade do Panamá, Yaoni, de 37 anos, desembarcou no Aeroporto Internacional Guararapes, no Recife, onde foi recebida por amigos e pelo diretor Dado Galvão, que convidou a cubana para vir ao Brasil participar da exibição do documentário Conexão Cuba-Honduras na noite desta segunda, em Feira de Santana (BA). Yoani é uma das entrevistadas do filme, que trata da falta de liberdade de expressão nos dois países.  

Acostumada a enfrentar a perseguição do regime comunista em seu país natal, onde já foi presa e torturada por escrever sobre as dificuldades do povo cubano provocadas pela ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro, Yoani Sanchéz foi surpreendida no aeroporto por um protesto de um pequeno grupo de militantes em defesa da ditadura castrista e contra sua presença no Brasil.

No saguão, a militância do chamado "Fórum de Entidades de Solidariedade a Cuba" recebeu a blogueira com gritos de "Fora Yoani" e a acusou de ser agente da CIA, o serviço de inteligência dos Estados Unidos. Em um ato grosseiro, um integrante do grupo tentou esfregar notas falsas de dólar no rosto da cubana, que reagiu de modo a valorizar a liberdade de expressão inexistente em Cuba: "Isso é a democracia. Queria que em meu país pudéssemos expressar opiniões e propostas diferentes com esta liberdade".

Nos sete dias em que ficará no Brasil, no entanto, Yoani Sanchéz não está livre das perseguições do regime cubano, como revela reportagem de VEJA desta semana. O governo de Havana escalou um grupo de agentes para vigiá-la e recrutou outro com a missão de desqualificar a ativista por meio de um dossiê com características patéticas – o documento a acusa de ir à praia em Cuba, tomar cerveja e aceitar premiações internacionais concedidas a defensores dos direitos humanos. O plano para espionar e constranger Yoani Sánchez foi elaborado pelo governo cubano, mas será executado com o conhecimento e o apoio do PT, de militantes do partido e de pelo menos um funcionário da Presidência da República.

Turnê – 
Do Recife, Yaoni seguirá inicialmente em avião para Salvador e, de lá, irá de carro até Feira de Santana, cidade de 557.000 habitantes, a 116 quilômetros da capital baiana. A viagem da blogueira, uma das vozes mais críticas da ilha, foi possível devido à reforma migratória vigente desde o dia 14 de janeiro em Cuba.

No ano passado Yaoni tentou visitar o Brasil para participar da apresentação do documentário e, apesar de receber o visto de entrada brasileiro, as autoridades cubanas voltaram a negar-lhe a permissão de saída. A blogueira terá no Brasil uma intensa agenda que inclui sua participação em conferências e debates sobre liberdade de expressão e direitos humanos, e também vai divulgar o livro De Cuba, com Carinho, uma coletânea de seus textos sobre o triste cotidiano do povo cubano.

Na quarta-feira ela fará turismo em Salvador e depois virá a São Paulo, onde tem atividades até sábado. A viagem de Yaoni Sanchéz pelo mundo também inclui México, Peru, Estados Unidos, República Tcheca, Alemanha, Suécia, Suíça, Itália e Espanha, onde entre outros eventos participará na cidade de Burgos de um congresso sobre internet entre 6 e 8 de março. 

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Ao final desta edição comentaremos tantos os protestos bucéfalos quanto a ação criminosa do governo Dilma contra a presença da cubana. Uma ação, diga-se, que enxovalha a democracia e a soberania brasileiras.