Carlos Newton
Tribuna da Imprensa
Reportagem de Márcio Falcão e Erich Decat, na Folha, revela que, em sua primeira manifestação no lançamento do novo partido, a ex-senadora Marina Silva disse que a legenda não será de oposição nem de situação. Assinalou que a ideia de criar o partido não é apenas para se colocar em uma eleição, criticou o “caciquismo” na política e disse que a Rede, como é chamada a legenda, deve se colocar para quebrar a “lógica de partidos a serviço de pessoas”.
Foi um discurso meio complicado, que o jornalista Elio Gaspari certamente atribuiria a uma de suas personagens mais satíricas, a Madame Natascha. “O que está acontecendo aqui é um partido para questionar a si próprio, e tem que ser assim. Não pode ser partido para eleição. Não é o principal. Estamos em uma nova visão de mundo, de sujeito político que não é mais espectador da política, esse sujeito é protagonista”, afirmou a ex-senadora.
Cada vez ficava mais difícil de entender. Marina Silva então disse que a nova legenda está questionando a “incapacidade da política de interferir”. E foi adiante: “Não tem conformação com o modelo anterior. É o questionamento das estruturas verticalizadas. Saímos de um ativismo dirigido pelo sindicato, pela ONG, pelo DCE, com a modernização do ativismo autoral. Você não tem estrutura na frente ou atrás das pessoas, você tem estruturas ao lado”, salientou. “Não tem liderança carismática que possa ser o grande líder, o messias, o condutor do grande grupo”, completou.
Sem anunciar o nome da nova legenda, Marina disse que a ideia é fazer alianças pontuais, mas sem se rotular como governo ou oposição. “Não é mais liderança única, é liderança multicêntrica, não é movimento de arco e flecha. Uma hora sou arco e outra sou flecha, só espero não ser o alvo.”
Caramba! A ex-ministra e ex-senadora falou, falou, falou, mas não disse nada. E fez um verdadeiro contorcionismo político, para ficar bem com todo mundo, poupando particularmente o PT e o PV, seus antigos partidos. Mas se a tal Rede é apenas mais uma legenda para ficar em cima do muro, não seria melhor fazer logo uma coalizão com o PSD de Kassab, euq é especialista em morder e assoprar fisiologicamente, digamos assim.
O discurso de Marina Silva, com toda certeza, necessitava de tradução simultânea. Ficou parecendo aquelas interpretações geniais de Rogério Cardoso no papel de “Rolando Lero”.