*** Lula quase legalizou os bingos, diz Servo
Redação Terra
Preso desde o dia 4 de junho na Operação Xeque-Mate da Polícia Federal, que investigava uma suposta máfia dos caça-níqueis, o empresário Nilton Cezar Servo afirmou ter ligado em 2003 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir a legalização dos bingos no País. Segundo ele, Lula só não regulamentou o jogo porque ocorreu o escândalo Waldomiro Diniz, em 2004.
Diniz, funcionário da Casa Civil, que na época era chefiada por José Dirceu, apareceu em vídeo pedindo propina ao empresário de jogos Carlinhos Cachoeira.
"Lula, senhor presidente da República, se estiver me ouvindo: regulamente definitivamente isso. É o mínimo do jogo, (que) existe no mundo todo", disse, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
De acordo com a PF, Servo é sócio de Dario Morelli Filho, amigo de Lula, em uma casa de caça-níqueis em Ilhabela (SP). Morelli diz que era apenas funcionário.
*** PT vai tentar alterar reforma política para incluir "dízimo'
Folha de S.Paulo
"O PT vai tentar criar uma brecha na proposta de financiamento público, um dos pontos centrais da reforma política, para que seja permitida a continuidade da cobrança do "dízimo" de seus filiados que exercem cargo de confiança no governo. A votação deve ocorrer na semana que vem.
O "dízimo" é um percentual sobre o salário que os petistas no Executivo e Legislativo devem recolher para o partido todo mês por determinação do estatuto, variando de 2% a 10%, conforme os vencimentos.
É, portanto, dinheiro privado, uma vez que sai do salário que já caiu na conta do servidor. Reportagem de ontem da Folha mostrou que, no primeiro governo Lula, cresceu em 545%, em termos reais, a arrecadação do PT com essa contribuição. No ano passado, foram R$ 2,88 milhões a entrar nos cofres do partido nessa rubrica."
*** Juíza da Têmis é investigada
Folha de S.Paulo
Rastreamento feito pelo Ministério Público Federal em processos julgados pela juíza federal Maria Cristina Barongeno, de São Paulo, para reconhecimento de títulos da dívida pública emitidos pela União no início do século passado -os chamados "títulos podres"-, sugere que ela teria avocado indevidamente para si um processo do frigorífico Friboi. O seu pai, Joaquim Barongeno, é um dos advogados do Friboi.
Ela é uma das 43 pessoas investigadas pela Operação Têmis, da Polícia Federal, por suspeita de venda de sentenças.
Dois processos despertaram a atenção pelo perfil dos primeiros litigantes: Nair Coimbra Motta, uma professora aposentada, de 60 anos, do Mato Grosso do Sul, e Ivone Andrade de Deus, uma comerciária paulista de 23 anos. Elas eram portadoras de velhas Apólices da Dívida Pública e, aparentemente, pretendiam lucrar, no futuro, com esses títulos que só têm valor como curiosidade histórica. Ambas eram representadas nessas ações por advogados ligados ao pai da juíza federal.
*** Renan altera funcionamento do Senado
Folha de S.Paulo
Desde que foi atingido por denúncias de corrupção há cerca de um mês, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), dedica praticamente todo o seu tempo a estratégias de defesa, o que alterou o funcionamento da Casa.
A situação se agravou desde a semana passada, quando a autenticidade dos documentos apresentados por sua defesa ao Conselho de Ética do Senado foi questionada.
Principal articulador político para a votação de projetos considerados importantes, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), também foi tragado pela crise, que o absorve por completo. Jucá passa o dia em reuniões para tentar salvar o correligionário.
Em conversas com aliados, o presidente do Senado disse que seu maior erro foi entregar ao Conselho de Ética documentos para tentar provar que recebeu R$ 1,9 milhão, nos últimos quatro anos, provenientes de atividades agropecuárias. Sua avaliação é que forneceu munição contra si mesmo, e que o melhor teria sido insistir em que o ônus da prova é de quem acusa.
*** Envolvidos em escândalos mantêm verbas da União
Folha de S.Paulo
Empresas investigadas pela Polícia Federal em operações desencadeadas há mais de três anos, que chegaram a ter executivos indiciados e mesmo presos pela PF, continuaram fornecedoras da União. Em alguns casos, até ampliaram seus negócios com o governo federal. Os pagamentos da União a esse grupo de dez empresas somaram R$ 514 milhões entre janeiro de 2005 e abril de 2007.
As operações Vampiro (maio de 2004) e Sentinela (dezembro de 2004) estão entre os principais feitos da PF no primeiro mandato do presidente Lula. Na Vampiro, que investigou supostas fraudes na compra de hemoderivados, a PF indiciou o ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PT-PE). Levantou indícios contra um grupo de empresas por suposta formação de cartel. Cinco das maiores empresas do grupo receberam R$ 396,3 milhões da União desde 2005, a maior parte do Ministério da Saúde.
O ministério diz que as investigações atingiram "representações" das empresas, sem evidências de que as matrizes soubessem das irregularidades.
*** Gabeira diz que Calheiros intimidou senadores
O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) afirmou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), intimidou os senadores ameaçando mostrar confidências sobre eles e usou os suplentes, que não temem a pressão popular.
Gabeira disse que acredita que a corrupção não aumentou no país. Ele pensa que os políticos sempre foram "complicados", porém, os métodos de controle teriam avançado muito.
O deputado criticou o PT, que incentivava invasões e greves e agora faz leis contra as greves no serviço público, mesmo tendo simpatizantes dos movimentos sociais na administração petista. No entanto, Gabeira defende o Estado de Direito. "O governo tem de admitir que foi eleito não para fazer uma transição para o socialismo, mas para gerir o capitalismo", afirmou.
O parlamentar disse que são muitas as irregularidades de Calheiros e ele deve sair. "A primeira foi ter uma relação tão confidencial com um lobista, que detinha segredo importante dele, que, como presidente do Congresso, dirige a votação do Orçamento que direciona recursos que interessam à empresa do lobista. A segunda foi que apresentou ao Conselho de Ética uma relação de documentos que foram desmentidos. Mentiu com documentos. A terceira foi fazer reuniões e controlar pelo telefone os debates no conselho que está julgando seu caso - enquanto ele continua na presidência do Senado", concluiu.
*** Gol confirma entrega de cheque a Roriz
A assessoria da companhia aérea Gol afirmou que o presidente do Conselho Administrativo da empresa, Nenê Constantino, entregou um cheque de R$ 2,2 milhões ao senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) que, após compensá-lo no Banco de Brasília (BRB), retirou R$ 300 mil e devolveu o restante ao empresário.Antes, entretanto, a assessoria da Gol havia dito que Constantino desconhecia o cheque. Depois, informou que houve um equívoco na primeira versão sobre o caso. O cheque seria o último pagamento feito pela Agrícola Xingu pela compra de uma fazenda do empresário.