Adelson Elias Vasconcellos
Já não bastassem todas as imposturas, mentiras, empulhações, corrupção desabrida, afora as manipulações estatísticas para falsear como competente um governo devotado ao crime e ao cerceamento de direitos, sendo o de expressão o mais atacado, além da propaganda absurdamente enganadora, agora, ao que parece, dona Dilma Rousseff prepara uma campanha eleitoral onde o que não faltará são mais outras tantas mentiras, mistificações, manipulações além da distorção de fatos e da própria história.
Não é de hoje que denunciamos esta compulsão à mentira e à farsa como método de governo do senhor Lula da Silva. Como para ele fazer seu sucessor ou sucessora se torna questão de honra, parece que a candidata Dilma está sendo preparada para seguir os passos do seu mestre.
É de tal forma desesperadora a ganância e o apego ao poder de parte de Lula, petistas e seguidores, sindicalistas entre eles, que escrúpulos é coisa que esta gente realmente sequer sabe o que significa. Para esta gentalha caráter é discurso bocó, porque a manutenção do poder neles mesmo vale quaisquer meios, possíveis ou não, independentemente de sua natureza moral.
E o que é mais doloroso: não se percebe, seja de parte da sociedade através de suas instituições representativas, seja por parte dos partidos de oposição cuja ação apática criou o clima ideal para este estado de coisas, nenhuma contraposição capaz de oferecer as alternativas que existem sim, mas que, pelo menos o que se nota, ninguém parece se importar. Poucos são aqueles que se importam, minimamente, com a defesa dos reais valores de grandeza de um povo, poucos se dão ao trabalho de protestar contra a descompostura que toma conta não apenas da vida política, mas da sociedade brasileira como um todo.
Chega a ser patético alguém afirmar que este país dentre em breve será a quinta potência do mundo ! Talvez do ponto de vista econômico até pode ser, mas isto não significa que deixaremos a civilização de barbárie para trás.
É claro que o Brasil não é obra do que se fez de 2003 para cá: nascemos antes, corrigimos a rota já no processo de redemocratização, na metade da década de 80 do século passado, e, desde então, saímos tateando no escuro em busca dos nossos próprios caminhos.
A partir do governo FHC o país finalmente deu seu grito de liberdade, desvencilhando-se das amarras que o prendiam no atraso. O que se seguiu daí por diante foi mera consequência das raízes fincadas em solo fértil entre 1994-2002.
Poderíamos ter avançado muito mais tivesse Lula dado seguimento aos inúmeros programas nascidos naquele período. Tanto na área de educação e cultura, quanto na área econômica, quanto nos investimentos em infraestrutura, Lula tratou de bloquear tudo, a exceção das conquistas econômicas, em razão dos resultados que não tardaram em surgir. Não que Lula e o PT não quisessem fazê-lo: faltou-lhes, de um lado, coragem para mexer no que estava dando certo, e de outro, faltou-lhes competência para mudar para melhor. Tiveram medo de comprometer sua chegada ao poder. Acharam melhor aliar-se ao que havia de pior para manter o status quo e, neste sentido, quem perderam foram as instituições verdadeiramente democráticas do país.
Mas nas demais áreas, no que puderam agir para fazer terra arrasada, não mediram esforços. Lula, de imediato, tentou inclusive enterrar os programas sociais por não lhes dar muita fé. Sua bandeira, lembram ?, era o seu Fome Zero e o Programa Primeiro Emprego. Em vista do fracasso de ambos, resolveu acolher os programas sociais de FHC, mas dando-lhes uma roupagem nova, ampliando o universo de beneficiários mediante, primeiro, ao aproveitamento do cadastro que encontrou prontinho e, segundo, afastando algumas condicionantes exigidas daqueles que desejavam participar dos programas. Tudo aprumado, junto todos os programas num só, dando-lhe um outro nome, nascendo o Bolsa Família. Com tais "aperfeiçoamentos" saiu batendo no peito de ser o pai da criança sem exibir, contudo, o exame de DNA.
Na área da Educação, o desastre só não é pior porque neste campo o país já havia avançado muito e, também, porque uma das exigências indispensáveis para a permanência no Bolsa Família é a presença e frequência escolar dos filhos menores. Não há propaganda oficial que esconda a condição miserável da qualidade do ensino brasileiro. Já falamos muito disto aqui no blog. Apontamos muitas das principais causas.
Faltou no campo da educação a mesma sobriedade que sobrou na área econômica. Como um país civilizado e desenvolvido não se faz em meia dúzia de anos, a manutenção dos fundamentos econômicos principais do Plano Real de FHC e Pedro Malan deram sustentação para a atual estabilidade que vivemos. Tivesse Lula e os ministros da área educacional se empenhado em prosseguir na manutenção dos programas que encontraram, e certamente o país tería avançado bem mais. Qualquer exame de avaliação de estudantes em nível mundial, feitos nos últimos anos, tem sido demonstrativo da vergonhosa desqualificação permanente do ensino brasileiro. E sem Educação de qualidade, impossível elevar o país para condição de nação desenvolvida.
O mesmo quadro se repete nos campos da saúde e da segurança. A tentativa de Lula de querer refundar o Brasil de forma grosseira e analfabeta não poderia mesmo reverter nosso atraso. Faltou ao ex-operário a grandeza dos verdadeiros estadistas, ou seja, dar continuidade aquilo que produz bons frutos para o país e seu povo, independente de quem tenha sido o precursor na semeadura. Vê-se, assim, que a vaidade e arrogância falaram mais alto do que o interesse do bem estar público. O PAC é bem um sintoma desta picaretagem: ao longo do primeiro mandato inteerrompeu de forma irresponsável todas as obras de infraestrutura que encontrou. Depois, no início do segundo mandato, juntou tudo num pacote, deu-lhe o nome de PAC e saiu para posar de governante empreendedor. Esqueceu de tirar o chapéu alheio...
Neste sentido, é preciso agora utilizar-se de forma desmesurada da máquina pública e destinar vultosas quantias em publicidade para emplacar as mentiras de um governo de faz-de-conta. Deste modo, o saquinho de bondades em ano eleitoral consumirá muita gordura que poderia ser revertida em benefício do próprio país e que, diante do desastre e do descalabro, precisa ser torrada em benefício de alguns maus políticos. Lula tenta comprar o passaporte da candidata e do partido para se manter no podere para se justificar.
Na edição de hoje do Estadão, o ex-ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, atual secretário da Educação do governo Serra, em São Paulo, de forma indiscutível, desmonta mais um edifício de mentiras plantadas pelo governo Lula no campo da educação. O ex-ministro desmistifica o discurso do ensino técnico que Lula não se cansa de repetir nos palanques e que a propaganda tenta a todo curto vender ao país. Como sempre, Lula e seus galhofeiros e pilantras apostam, mais que tudo, na desinformação da maciça maioria do povo brasileiro para plantar suas falsidades.
A leitura do artigo do ex-ministro Paulo Renato vale por uma luz no fim do túnel: vale pelo esclarecimento e, uma vez mais, pela desmistificação de um governo cujas políticas e programas estão focados num único valor, o de se manter no poder, e numa única meta: ganhos eleitoreiros. Se o interesse do país será atendido? Esqueçam: isto nunca passará pela cabeça vira-lata desta gente. Eles só pensam naquilo...
No artigo “O Dever de falar a verdade”, Paulo Renato de Souza já começa por citar um valor que deveria ser algo relevante não apenas na vida pública mas algo permanente na vida de todos nós: falar a verdade. Parece simples, não é mesmo? Mas reparem o quão distante estamos deste valor básico e indispensável da civilização moderna. O texto segue no post abaixo deste. Mais do que ler, recomendamos refletir sobre ele e a mensagem que contém. Talvez alguns, ao menos alguns, se deem conta da picaretagem que governa o Brasil. Quem sabe em outubro a gente consiga mudar o rumo, fazendo escolhas que governem o Brasil para a modernidade, de encontro com a civilização. Mas para tanto, é preciso que a oposição saia de sua apatia e pratique política de verdade, demonstre vontade de voltar a ser governo. Não pode se acovardar diante de ações como vimos dois posts abaixo, quando o governo, ao editar uma mera instrução para recadastramento dos beneficiários do Bolsa Família, aproveitou-se para praticar aquilo em que o PT sempre soube fazer com muito competência: canalhice e terrorismo eleitorais. Mais do que nunca, o Brasil precisa sofrer um processo de depuração e limpeza morais, se é que desejamos nos tornar um país civilizado um dia...

