quarta-feira, maio 25, 2011

Além de Palloci, tem muito mais gente devendo explicações .

Adelson Elias Vasconcellos

A virulência, a chantagem, as ameaças, as trucagens vigaristas, todos foram os instrumentos e recursos empregados pelo governo na votação do Código Florestal, para que o Congresso se agachasse à vontade do Executivo, e aprovasse apenas aquilo que o governo queria. Aqueles conceitos de democracia, de independência dos poderes da República, nada disso foi lembrado ou seguido.

Tudo bem: o texto do deputado Aldo Rebelo foi, finalmente, foi aprovado, junto com algumas emendas que davam melhor acabamento ao novo Código.

Durante a votação, e antes de seu resultado, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vacarezza, tentando constranger a base governista a se submeter à vontade do governo, deu declarações que merecem melhor clareza e, se confirmadas na forma como o deputado as deu a conhecer, exigem uma retratação imediata da presidente Dilma.

Até que se mude a Constituição do país, aqui ainda vigora a democracia. E, neste sentido, não se pode admitir que um/uma presidente se expresse na forma e no conteúdo com o que o deputado Vacarezza afirmou serem declarações da presidente Dilma. Vejam:

• Referindo-se à proposta do PMDB, afirmou: “A presidente Dilma me pediu para dizer que essa proposta é uma vergonha!”;

• Afirmou: “Esta Casa corre risco quando o governo é derrotado

Vamos por partes. Por que, quando o Congresso vota contra o interesse do Executivo, o que é votado e aprovado é “uma vergonha”? Não terá o Congresso independência e prerrogativa constitucional suficiente para contrariar o Executivo? Aonde está escrito que o Congresso deve andar a reboque do Executivo e se submeter aos seus caprichos e leviandades? Vergonha mesmo, e para toda a Nação, são as dezenas de crimes cometidos a partir do Executivo e que o Congresso foi usado para impedir a investigação e apuração. Ou o uso contínuo e abusado das instituições do Estado para a criação de um estado policial. Mais vergonhoso ainda é uma presidente ser descortês e mal educada com seus assessores, para provar a todos que é eficiente. Falta de educação nunca foi sinônimo de competência e capacidade gerencial. Tudo isto é possível sem ofender nem humilhar as pessoas. Quem precisa usar o berro e a falta de educação para se impor, é porque não tem liderança e autoridade moral suficientes para ser obedecida por seus subordinados.

Mas a parte fedorenta mesmo desta história é a segunda afirmação, a de que “Esta Casa corre risco quando o governo é derrotado”. COMO O QUE É???? Risco de que, cara pálida? De ser fechado como no tempo da ditadura militar? Ou os parlamentares que votaram contra o interesse do governo – que era e é contrário ao interesse do país – serão punidos com alguma forma de retaliação e perseguição?

Espero que as duas afirmações, agressivas a mais não poder, principalmente a última, não passem de excessos cometidos pelo deputado Vacarezza, levado que foi pela emoção de se ver derrotado junto aos seus pares. Um discurso truculento, cheio de bravatas sem sentido. Mas ele deve responder por isso e mais: deve ser inquirido se, de fato, o que disse, foi a repetição de palavras proferidas pela presidente Dilma, o que seria indesculpável. Isto é concepção autoritária de Estado, comportamento despótico de quem não sabe se comportar nos limites previstos pela democracia.

É um despropósito e um desrespeito para com aqueles que lá estão via voto do povo, são seus legítimos representantes, são os canais adequados para conduzirem e realizarem as aspirações de toda uma nação. Não foram postos lá para servirem de capacho aos caprichos do governante da hora e, genuflexos, dizerem amém para todas as vontades, mesmos as mais absurdas, que emanarem do Executivo. Podemos não gostar da maioria deles, principalmente, do que fazem quando cuidam apenas de seus interesses pessoais. Quando se locupletam às nossas custas. Mas são nossos representantes legítimos, eleitos por nossa vontade soberana, e não podem ser esculachados e desrespeitados de forma tão vil e mesquinha.

Volto a dizer: espero que as palavras proferidas pelo deputado Vacarezza sejam de sua exclusiva autoria e não tenham partido da presidente Dilma. O país não aceita e não admite mais tiranias, independente que elas venham de homens ou mulheres, pretos ou brancos, trabalhadores de quaisquer natureza e formação.

Lula leva 9 seguranças ao Caribe, e você paga
Será que no Ministério Público só existem covardes? Não haverá por lá ninguém que, tendo respeito à lei, ponha um ex-presidente no seu devido lugar? Ou será que para Lula tudo será permitido, inclusive a de infringir a lei? Reparem bem: primeiro, na sua mudança para S.Bernardo, carregou um crucifixo que é propriedade do Estado, e que estava afixado no gabinete presidencial muito antes dele ali tomar assento. Depois, foi aquela ilegal e farta distribuição de passaportes diplomáticos. Se fez um barulho enorme e, até hoje, tanto quanto se sabe, nem Lula tampouco seus familiares devolveram um documento concedido de forma irregular.

Agora, temos mais esta: Lula fará um novo passeio internacional, durante uma semana, a partir do dia 28, e será protegido por NOVE SEGURANÇAS, TODOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS, CUJAS PASSAGENS E DIÁRIAS VÃO SER PAGAS PELO CONTRIBUINTE. O tour inclui as Bahamas, paraíso caribenho, continua em Caracas (Venezuela), onde Lula subirá no palanque do semiditador Hugo Chávez, e se encerra em Havana (Cuba), dia 5. A viagem dos militares que atuarão como seguranças de Lula foi autorizada pelo chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

Para quem embolsa entre R$ 200 mil e R$ 500 mil por palestra, Lula poderia dispensar o contribuinte de pagar seu novo passeio ao exterior.

Ontem à tarde, reunido com senadores do PT, quando tentava criar um aparato de defesa do ministro Palloci, Lula disse confiar nele e vê na crise uma tentativa de “politização” dos recentes episódios por parte da oposição. Beleza: por que então Lula demitiu Palloci do Ministério da Fazenda se confiava tanto nele? Vai ver o ex-presidente esqueceu do episódio envolvendo a quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo que, aliás, foi confirmada pelo jornalista Paulo Nogueira, ex-diretor das Organizações Globo que disse que o dossiê Francenildo chegou à redação da Revista Época levado diretamente por ... Antonio Palloci.

Reportagem da Folha, informa, ainda, que a Caixa Econômica Federal agora admite que a ação de quebra de sigilo do caseiro partiu do gabinete do então ministro da Fazenda Antonio Palloci, o que vem a ser uma tremenda sacanagem. Por que quando o processo correu no STF, a Caixa deu outra declaração? Não seria o caso dela sofrer ação judicial por obstrução e perjúrio?

Depois não sabem por que cresce a violência no país, quando até ex-presidente, de quem deveria partir o exemplo, age de forma ilegal e mente de forma de forma tão descarada e sem que nada lhe aconteça; vai se esperar o quê dos bandidos...

Pimenta Neves preso: e tem quem ache injusto!
A partir do momento em que foi julgado e condenado, e mais ainda por ser réu confesso, de alguma forma, a lei penal brasileira deveria prever seu encarceramento. Os vinte recursos que a defesa do jornalista apresentou, não buscavam mais “justiça”, mas sim o seu protelamento. Tudo bem que a democracia prevê a tal “presunção de inocência”. Este, contudo, nunca foi o caso do jornalista Pimenta Neves. Então por que postergar o cumprimento da sentença? Neste caso, a justiça brasileira foi injusta com a vítima e seus familiares. Eles é que sofreram a maior condenação, eles é que foram castigados sem nada dever. Justiça tardia sempre será sinônimo de impunidade.

E, após os vinte recursos, mesmo com o jornalista condenado e tendo se declarado culpado, e decorridos mais de 11 anos do crime, a defesa se pronunciou nos seguintes termos, após a decisão definitiva do STF que o mandou cumprir a pena de prisão:

“Meu cliente teve seu direito de defesa cerceado”. É mole? Talvez a advogada apostasse em mais demoras. Faz sentido: quanto mais tempo o caso se arrastasse, maior o faturamento.

De qualquer forma, está na hora do país rever seu código de leis. O exemplo de Pimenta Neves é bem a amostra de que algo na justiça brasileiro está errado e preciso ser revisto com extrema urgência.

E o Ricardo Teixeira, hein?
Sabem tudo aquilo que a gente sempre suspeitou sobre o Ricardo Teixeira, eterno presidente da CBF? Em seu programa Panorama, a Rádio BBC informou algumas ações não muito recomendáveis a pessoas de família. Um Tribunal suíço concluiu que houve pagamento de US$ 100 mi em propinas a dirigentes da entidade e a BBC diz que brasileiros estavam entre os réus, entre eles Ricardo Teixeira, claro.

Não sei se as acusações lá fora terão o dom de fazer desmoronar a blindagem que ele construiu aqui no Brasil para não ser processado, condenado e preso. Ou se terão força para derrubá-lo do comando da CBF.

Seja como for, ileso desta história, por certo, ele não sairá. Pode ser que o caso encoraje a nossa turma do Ministério Público a seguir em frente com alguns processos que ficaram engavetados...É bom que façam isto antes que as obras e alguns contratos, que têm por pano de fundo a Copa do Mundo, comecem a despejar recursos em baús estranhos....

O ministro da Justiça já se explicou sobre as acusações contra a Polícia Federal?
As revistas semanais, Época e IstoÉ, publicaram em suas edições deste final de semana, graves e documentadas acusações contra a Polícia Federal. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a quem a Polícia Federal está subordinada, parece que nos últimos dias tem se dedicado apenas em evitar que o enriquecimento do ministro Antonio Palloci seja investigado. Evidências para isto é que não faltam. Mas o ministro, parece, não tem tido muito tempo para conhecer de perto os assuntos que lhe dizem respeito. O caso Palloci, por exemplo, deve ser conduzido é pelo Ministério Público. Ponto.

Portanto, não seria nada mal que o ministro Eduardo Cardozo viesse a público explicar o que, afinal de contas, anda acontecendo na Polícia Federal? Que história é esta de se terceirizar a segurança de portos, aeroportos e fronteiras? Se o leitor quiser conhecer mais detalhes, clique aqui e aqui.

A vitória do Congresso sobre o autoritarismo do Executivo

Adelson Elias Vasconcellos

Por 410 votos a favor, 63 contrários e uma abstenção, foi aprovado o texto do deputado Aldo Rebelo, do PCdoB, sobre o novo Código Florestal para o Brasil. O  Congresso, depois de tanta submissão ao longo dos anos, deu mostras de sua independência em relação ao Poder Executivo. Soube erguer-se sobre si mesmo e votar de forma consciente aquilo que é do interesse do país e não do governo. Não se curvou, também, ao terrorismo e à chantagem capitaneada por Marina Silva e seus amestrados.

A última vez que o Congresso disse “não obedeço” ao Executivo foi no governo Lula, quando enterrou a famigerada CPMF.

O texto que foi aprovado juntamente com as emendas, vai agora para o Senado, onde a briga tende a ser tão feia quanto foi a da Câmara. Marina Silva não vai desistir de continuar defendendo a tese de conservar 90% dos agricultores do país, entre eles mais de 4 milhões composto de pequenos proprietários – agricultura familiar -, na mais solene ilegalidade. Prefere Marina que se reduzam as colheitas de alimentos no país, que os pequenos se esfarelem, para repor meia dúzia de árvores que não fazem e não farão falta alguma. E faço tal afirmação com muita tranquilidade, até garantido pelos números oficiais: considerando-se as áreas de preservação, o país conserva intactas cerca de 70% de suas florestas. O restante, 30%, é empregado para produção e cidades.

Da leitura do novo código o que se tem é que tudo continuará como dantes. Nada será alterado, não haverá desmatamento além daquele que é permitido atualmente em lei. Se as “exigências” descabidas de dona Marina fossem atendidas teríamos as seguintes consequências: mais de 4 milhões de pequenos agropecuaristas seriam obrigados a interromper suas atuais produções de legumes, hortaliças, leite, frutas, etc. Haveria rápido desabastecimento de alimentos por queda na produção, o que provocaria consequente aumento de preços e perda do controle da inflação que já está no limite. O que o novo Código prevê é que, quem estava produzindo, alguns há muitas décadas, continuará produzindo. Em pequenas propriedades as áreas de preservação serão dimensionadas em outra escala, diferente para as grandes propriedades. Quem, de 2008 para cá, desmatou, terá que repor a área desmatada além de ser penalizado com o pagamento de multa.

Em síntese, todo o drama se dá por coisa nenhuma. Ocorre que o código anterior datava de 1965 e, no correr dos anos, as alterações nele introduzidas foram feitas via Poder Executivo. Nenhuma das alterações seguiu a via legislativa. Elas foram impostas sem discussão com a sociedade. Quando Marina classifica o novo código de retrocesso fala bobagem, porque as alterações sobre o código de 1965 jamais partiram de debates iniciados ou conduzidos de forma pública. Eram normas adotadas no interior de gabinetes de ministros e assessores do Poder Executivo, decisões portanto, autocráticas. Nunca os trabalhadores rurais e entidades de classe foram chamadas a opinar. O próprio CONAMA, de quem Marina fala como se aquele órgão detivesse o máximo da sabedoria sobre o tema e representatividade suficiente para falar pela sociedade é um exemplo do abuso que se cometeu. Apenas para que se registre: o CONAMA conta com 108 conselheiros. Sabem quantos são os representantes dos agropecuaristas? Pasmem, APENAS OITO. E ainda querem falar de “representatividade”! Santo Deus!!!!

Também a destacar a aprovação da emenda 164, de autoria do PMDB, que prevê ser dos Estados o poder de regulamentar o que será plantado nas áreas de preservação. Perfeitamente justo. Cada estado tem características próprias, principalmente as características de cada solo em diferentes microrregiões. Está mais do que na hora de se começar a descentralizar o poder de tudo se decidir em Brasília. Precisamos recuperar um pouco o federalismo que se perdeu ao longo dos anos, e acentuado pela Ditadura Militar.

Portanto, antes de se dizer que o governo perdeu, ou que o congresso ganhou, devemos dizer que os representantes do povo resolveram, até que enfim!, respeitar o trabalho dos milhões de produtores rurais de cujo esforço, o país pode se orgulhar pela mesa farta e barata que seu povo tem a disposição, e de cujos excedentes o Brasil alavancou sua estabilidade econômica.

Ganhou o País como um todo por não se curvar aos interesses escusos e pilantras das ONGs internacionais que fizeram muito barulho aqui, enquanto em seus próprios países se calam e se curvam. Nenhum outro país no mundo tem a dimensão de área de floresta conservada que nós temos. Assim, não há nenhuma razão para o país abrir mão do pouco de território destinado à produção de alimentos.

Como é inadmissível quererem associar o recente desmate no Mato Grosso ao novo código. Mentira das mais patéticas que Marina tentou impor ao pensamento nacional. Há abaixo um excelente editorial do Estadão a cerca deste assunto.

Claro que, no Senado, o texto poderá sofrer alterações, o governo pode tentar impor seus desmandos mais amalucados, mais por birra e maldito orgulho, do que por convicção de  conceitos “superiores”. Se mexerem no texto, ele volta à Câmara e a briga continua.

Até porque, antes da votação, dona Dilma, a Presidente, fez ameaças de vetar parte do texto. Muito bem,  se vetar e daí? É simples: o governo poderá sofrer retumbante derrota no Congresso com a Câmara derrubando o veto presidencial. Dilma quer correr este risco? Além disto, nos pontos com os quais o governo não concorda e ameaça vetar, dona Dilma precisará trazer evidências muito bem fundamentadas, porque só gogó, só na base de querer valer sua autoridade a qualquer custo, mesmo que este custo seja prejudicial ao país, acredito que Dilma não conseguirá se impor.

Por isto que a vitória do Congresso sobre o “eu mando e vocês me obedecem” do Executivo é importante e benéfica para o país. Já disse aqui certa vez que os petistas, principalmente, confundem Estado Forte com Estado Eficiente. Estado Forte é estado autoritário, exemplo perfeito do que o país tem tido nos últimos anos. E isto além de ser custoso é danoso para o país porque leva a ineficiência generalizada a todo o Poder Público, tal qual se vê atualmente no Brasil. É preciso  que o Congresso exerça com maior frequência sua independência, da mesma forma que o Judiciário faça valer a letra fria da lei, e não esta porcaria de adaptar a lei ao gosto do freguês, como alguns ministros do STF dentre outros das demais cortes pretendem impor. Se a lei está ultrapassada ou não atende aos interesses da sociedade a quem deve regular as relações, que ela seja mudada, mas dentro do roteiro e do fórum adequado que a Constituição prevê.

De qualquer maneira, a aprovação do novo Código Florestal beneficia a todos porque repõe algumas verdades que estavam sendo escondidas ou distorcidas para a opinião pública. Quem sabe agora, alguns se dediquem a ler o que realmente o texto prevê e parem de desinformar a sociedade com mentiras e mistificações.

E, para encerrar, dou aqui não um conselho, mas uma sugestão para a presidente Dilma: antes de vetar qualquer coisa, a exemplo do que fez com os detratores do novo Código Florestal, receba em audiência tanto o deputado relator, Aldo Rebelo, como as entidades representativas da classe dos produtores rurais, a grande maioria formada por pequenos produtores, e ouça a sua voz. Uma presidente que se diz democrata, não pode ter o defeito de ouvir apenas um dos lados: precisa ouvir a todos antes de deliberar. No caso presente, Dilma deu um recado muito ruim, a de que o seu governo, em relação ao campo, não tem a mínima noção do que fazer, e o que é pior: só quer estragar uma das atividades mais importantes do país e para a qual nossa vocação é natural e as nossas condições são únicas no mundo. Assim, presidente Dilma, aprenda a ouvir com os dois ouvidos, e não apenas com o do lado esquerdo.

O Código e o desmatamento

O Estado de São Paulo

Nada sustenta a suposição de que a tramitação do novo Código Florestal na Câmara, onde pode ser votado nos próximos dias, tenha acelerado o desmatamento na Amazônia, que aumentou nada menos que 475% no bimestre março-abril, em comparação com o mesmo período de 2010, atingindo 593 quilômetros quadrados, como foi constatado em tempo real por satélites do Inpe. Isso porque uma emenda ao projeto, resultante de acordo entre o governo e as lideranças dos partidos, prevê que o novo Código somente validará as áreas de plantio feitas antes de 22 de julho de 2008. O desmatamento feito depois dessa data estará sujeito a multas e outras sanções. Não é crível que os responsáveis por esse desastre ambiental não tenham conhecimento disso. Tudo indica que elementos inescrupulosos procuram criar "fatos consumados", aproveitando-se de falhas da fiscalização.

O chamado "efeito Código" é empulhação. O presidente da Federação de Agricultura de Mato Grosso, Rui Prado, que condena a prática de crimes contra o meio ambiente, confirma que é conhecida no meio rural a existência de uma data de corte para anistia aos desmatadores. Mas não é isso o que afirmam entidades ambientalistas. O coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, Márcio Astrini, por exemplo, afirmou que, como o avanço do desmatamento não pode ser explicado por fatores econômicos, como a alta das commodities, "o único fato novo é a promessa de anistia aos desmatadores no texto do Código Florestal, que está prestes a ir à votação". O Greenpeace parece não perceber que a verdadeira causa é um fato velho. Ou seja, incentivado por madeireiras com a conivência de agricultores, o corte de árvores aumentará, se não houver fiscalização que não pode ser relaxada, devendo as autoridades agir sempre a tempo e a hora.

Não é o que se tem observado. Embora técnicos do Inpe já indicassem, no início deste mês, o avanço das motosserras em Mato Grosso, como noticiou o Estado (5/5), a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, se disse surpresa ao ser informada desses fatos. Quase duas semanas depois das primeiras constatações da destruição, a ministra anunciou a criação de um gabinete de crise, destacando mais de 500 fiscais só para Mato Grosso, onde se verificaram 80% do abate de árvores no bimestre passado.

Arrombada a porta, reforça-se a vigilância para evitar nova onda de devastação, mas o prejuízo já causado pode ameaçar o cumprimento das metas internacionais de preservação com que o Brasil está comprometido. O Ibama, responsável pela fiscalização das áreas de preservação, identificou 20 pontos de desmatamento nos últimos 30 dias em Mato Grosso. Em uma propriedade de mais mil hectares, usou-se até "correntão", puxado por tratores, para "limpar" as áreas com maior rapidez.

Em face dessas revelações, o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, disse que intensificará também a fiscalização nas áreas mais atingidas. Ele atribuiu a ação devastadora a, no máximo, "uma meia dúzia" de aproveitadores, que não podem colocar em xeque o conceito dos produtores agrícolas de seu Estado. Essa atitude contrasta com posições condescendentes, para dizer o mínimo, assumidas por alguns representantes do setor agropecuário quanto à nova ofensiva de desmatamento na Amazônia, justamente em uma fase em que os esforços dos governos para preservar as florestas da região mostravam sinais animadores. Diante dos dados do Inpe, a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura, declarou que não concordava com os números levantados, que seriam pontuais, devendo o desmatamento ser medido em períodos anuais. "Este mês específico é um mês ainda de forte desmatamento por causa da época - quando termina a chuva e já começa a seca", disse ela (O Globo, 19/5). Como se o que está acontecendo na Amazônia fosse coisa normal.

Não é nem pode ser. O que a sociedade brasileira espera é que, ao contrário do que afirmam os pessimistas, o combate ao desmatamento não esteja fugindo do controle do governo.

Os coelhinhos de Palocci

Sebastião Nery

RIO – Velhas historias costumam tornar-se novíssimas diante de situações igualmente ridículas. Nos primeiros dias de abril de 1964, o Comando Revolucionário mandou a São Paulo, em um fim de semana, os coronéis Martinelli e Igrejas,líderes da chamada“Linha Dura”para exigirem do governador Adhemar de Barros a reforma total do secretariado. Ademar, ainda mais matreiro do que gordo, imaginou sair de banda:

- Quer dizer que é para trocar alguns auxiliares, não é, coronéis?

- Alguns não, governador, todos.

- Mas todos, como? Eles são revolucionários da primeira hora. De quem é mesmo a recomendação?

- É do Alto Comando, governador, E não é recomendação,é ordem.

Ademar
Ademar mudou de tom:

-Quantos os senhores ganham, coronéis? A vida está cara, muito difícil, o Jango inflacionou tudo, os militares estão sacrificados, não é?

- Isto é problema nosso, governador. O assunto é outro.

Ademar puxou uma gaveta, tirou dois envelopes cheinhos de notas de mil cruzeiros e sorriu:

- Posso dar-lhes um presente, coronéis?

Martinelli, vermelho, apoplético, levantou-se aos gritos, indignado, querendo dar um murro no governador. Igrejas segurou-o e caiu numa gargalhada nervosa. Ademar passou a mão na barriga:

- Perdão, senhores, há um equívoco. Não estou querendo comprar ninguém. Será que não se pode mais nem dar um coelhinho de Páscoa?

Era domingo de Páscoa.

Mensalão
A corrupção é como na bela e sabia canção “Cotidiano”, de Chico Buarque. Tudo sempre igual:

- “Todo dia ela faz tudo sempre igual // me sacode às seis horas da manhã // me sorri um sorriso pontual // e me beija com a boca de hortelã”.

Imaginávamos todos que, depois do escândalo tissunâmico de corrupção do Mensalão, com um assalto de R$52 milhões em dinheiro publico roubado e rateado “por uma organização criminosa” cujo “chefe da quadrilha”, segundo o Procurador Geral da Republica, era o poderoso ministro chefe de Casa Civil José Dirceu, para adubar os cofres do partido e sustentar o governo Lula no Congresso, o PT e seus aliados haviam aprendido a lição e não repetiriam a dose no governo Dilma. Doce engano.

Dirceu
Nem cinco meses completou o governo Dilma e o mais ainda poderoso ministro chefe da Casa Civil, ex-deputado Antonio Palocci, o homem da “Casa dos Amores” de Brasília, é apanhado em flagrante faturando no escuro R$20 milhões em dois meses, entre a vitoria e a posse.

Alem de apressado, incontinentemente guloso. Segundo a denuncia do então Procurador Geral Antonio Fernando de Souza, aceita pelo ministro-relator do Supremo Tribunal Joaquim Barbosa, a “quadrilha” do Mensalão (José Dirceu, José Genoino, Delubio Soares, Marcos Valério, João Paulo Cunha e outros) dividia a grana. Não ficou para um só.

Palocci, não. Até agora a Coaf do Banco Central e a Policia Federal

divulgaram que os R$20 milhões de coelhinhos são todos de Palocci,

fora o que ainda há para apurar. Mas o Procurador Geral Gurgel quer saber tudo o que por enquanto está escondido nos turvos cofres da “Projeto”.

Mafia
O governo, o PT, o PMDB e toda a malta de aliados fizeram uma cortina de ferro para tentar impedir que a opinião publica saiba o estrago do escândalo. No Congresso, por enquanto conseguiram evitar a convocação.

Mesmo assim, duas clareiras já estão abertas : descobriu-se, e a imprensa publicou em detalhes, que a empreiteira WTorre, com negócios de mais de R$1,3 bilhão com Fundos de Pensão e a Petrobras, e a Amil de Seguros de Saúde são clientes da empresa de lobby e trafico de influencia de Palocci, que continua negando-se a qualquer esclarecimento, sob o pretexto de que que seus contratos têm “clausula de confidencialidade”.

A Máfia também tem. O nome, lá, é “omertà”. A excelente “Carta Capital”, insuspeita porque é a revista mais ideologicamente ligada ao PT, traz esta semana uma capa brilhante : Palocci, com todo seu cinismo, pergunta : - “Quem, Eu”? – “Sim, ele mesmo, pego em flagrante”.

Erenice

E a Dilma, coitada, precisando desesperadamente de paz para cuidar de sua saúde, é obrigada a engolir tudo calada. Ela disse que faria “um governo das mulheres”. Mas, no primeiro rombo, jogou a Erenice Guerra barranco abaixo. Por que Erenice não podia ser corrupta e Palocci pode?

O código de Palocci

Ateneia Feijó , Blog Noblat

O Código Florestal, uma espécie de patinho feio, que quase ninguém dava muita importância, alçou voo e aterrissou no colo do ministro Antonio Palocci, na Casa Civil. Numa encrenca de muitas polêmicas e acusações, ele (o superministro) passou a atuar como principal articulador do acordo para aprovação do código revisto pelo deputado comunista Aldo Rebelo.

Engajado na preservação da imagem do governo entre os ambientalistas e numa repercussão internacional positiva, Palocci resistiu a algumas mudanças propostas pelo relator. Entre as quais, "anistiar" os produtores rurais das multas por desmatamento ilegal, anteriores a 22 de julho de 2008 (data do decreto assinado por Lula, então presidente).

A verde Marina Silva, contrária a qualquer flexibilização da lei ambiental, suspeita que o ministro da Casa Civil está sendo pressionado. Ou seja, a possibilidade de ser ou não convocado para explicar seu notável enriquecimento estaria condicionada à votação do novo código na Câmara.

Em resumo, segundo as declarações de Marina na mídia, os ruralistas estariam forçando a barra.

O governo não fez por menos. Obteve do Instituto Imazon a informação de que o desmatamento da Amazônia cresceu 27%, reuniu o gabinete de crise e recrutou o Exército. Em seguida, anunciou operações com militares para sufocar os desmatadores.

O que poderia ser um debate promissor está confundindo ainda mais a cabeça dos brasileiros. Pensava-se que a Amazônia estivesse sendo monitorada normalmente, a fim de evitar ações ilegais: de desmatamento, caça, pesca, contrabando de animais e produtos silvestres; garimpo e mineração; invasão de terras indígenas, plantios proibidos, tráfico de drogas etc.

Diga-se de passagem, o crime de desmatamento é o mais visível.

E a emenda que tenta "estadualizar" o Programa de Regularização Ambiental (PRA) para atender a "peculiaridades locais"? Pode-se discordar, mas tem lógica.

As realidades das áreas rurais do Sul e Sudeste, por exemplo, são completamente diferentes das amazônicas: na topografia, geologia, geografia, história, economia... Embora as condições climáticas de uma interfiram na outra (e no planeta inteiro).

O drama envolvendo o novo código se origina no despreparo de políticos e autoridades públicas. Confiar em quem?

No debate fica explícita a ignorância da maioria dos parlamentares sobre a biodiversidade nacional; e a desonestidade de propósitos de alguns. Poucos percebem que nesta votação o que está em jogo é o futuro do Brasil, de sua gente e de seu ecossistema.

Ainda bem que existem saberes regionais empíricos, passados de geração para geração. Quer ver? Em terras de agricultores autênticos, as fontes de água estão sempre protegidas por um pedaço de mata nativa. Não dá para brincar com a lei da sobrevivência. Eles sabem disso.

Quem não sabe são os invasores, rurais e urbanos, de reservas florestais (privadas, municipais, estaduais ou da União) por considerá-las "improdutivas" ou "sem dono". Não basta o código, haja educação ambiental.

A inútil ‘blindagem’ de Palocci

O Globo - Editorial

Em um movimento previsível, executado sempre que alguma autoridade se fragiliza e, por tabela, o próprio governo, o Palácio age para evitar o uso pelo Congresso de qualquer de suas prerrogativas de fiscalização.

À revelação da “Folha de S.Paulo” de que o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, multiplicara por 20 o patrimônio, de 2006 a 2010, período em que exerceu mandato de deputado pelo PT paulista, o governo começou a mover as engrenagens para manter a base parlamentar unida contra a instalação de CPI ou convocação do ministro para depor, como deseja a oposição.

Embora o Planalto não tenha maioria para votar como deseja o Código Florestal, por exemplo, ao menos consegue barrar a instalação de CPI. E mesmo que fosse criada uma comissão de inquérito, o governo poderia torná-la inócua. É só conquistar a maioria de seus votos. Ocorreu assim na CPI da Petrobras, na gestão Lula, e nada foi investigado.

Mas, como em casos semelhantes no passado, muito vai depender da evolução das revelações. Primeiro, soube-se que o então deputado adquiriu, em São Paulo, um apartamento de alto padrão e um escritório, os dois imóveis em pontos privilegiados da cidade, por pouco mais de R$ 7 milhões, pagos cash, ou seja, sem financiamento. O ministro justificou a multiplicação do patrimônio por consultorias prestadas por meio da sua empresa Projeto.

Como a legislação não impede parlamentar de ser consultor de empresa privada — erro a ser corrigido —, Antonio Palocci contava com alguma base de argumentação.

Depois, também pela “Folha”, ficou-se sabendo que, no ano passado, ano de eleição, o ministro faturou R$ 20 milhões em consultorias, dos quais a metade em apenas dois meses, novembro e dezembro, quando Dilma Rousseff já era presidente eleita e Palocci, o futuro ministro-chefe da Casa Civil. A coincidência é de elevada combustão.

De uma posição defensável — quando o caso se resumia aos imóveis —, o ministro passou a ser alvo exposto a acusações de tráfico de influência, e até de ter participado de algum esquema de financiamento ilegal da campanha petista. Seria o reaparecimento dos “recursos não contabilizados”, eufemismo criado por petistas na crise do mensalão para designar caixa dois.

Como também já ocorreu no passado, blindagens no Congresso de autoridades são inúteis se não há explicações convincentes para os supostos malfeitos.

Na sexta-feira, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deu o prazo de 15 dias para Palocci explicar o estonteante aumento de patrimônio. A Casa Civil informa que o ministro deverá fornecer as informações ao procurador ainda nesta semana. Age bem, pois quanto mais cedo der explicações, melhor.

Continuar em silêncio apenas ajuda a tornar tudo ainda mais nebuloso. Para agravar a situação, as suspeições em torno da alta produtividade do escritório do ministro fermentam no ambiente mal iluminado da mistura de negócios com política, característica malévola da vida pública brasileira radicalizada nos últimos oito anos.

Não fosse bastante haver esta indesejada mistura no bilionário braço financeiro-sindical do PT representado por fundos de pensão de estatais, Palocci não é o único político da legenda a transitar no ramo das consultorias. Daí as explicações do ministro precisarem ser convincentes.

O som do silêncio

Carlos Brickmann, Brickmann & Associados Comunicação

É ensurdecedora a mudez da presidente Dilma Rousseff no caso Palocci. Não falou em público nem a favor, nem contra, nem muito pelo contrário.

Retumba o mutismo do próprio Antônio Palocci.

É tonitruante o silêncio da secretária da Comunicação Social do Governo Federal, Helena Chagas.

Reboa o silêncio dos meios de comunicação a respeito da disputa paralela entre os ex-sócios e hoje inimigos Daniel Dantas e Luiz Roberto Demarco, cada um de um lado da briga (a julgar por seus porta-vozes não-oficiais, o grupo de Dantas apóia Palocci e o de Demarco exige a demissão do ministro).

Pelo que dizem deputados e senadores da bancada governista, o caso não existe: os ganhos foram declarados, os impostos pagos, tudo rigorosamente de acordo com a lei. E a receita jorrou abundante, quando se tornou claro que Palocci se tornaria ministro, porque, sabendo que ele deixaria o trabalho, seus clientes se apressaram em antecipar o pagamento do restante do contrato.

Claro: imagine que o caro leitor tenha feito uma assinatura de TV a cabo, para pagamento mensal. Um dia, a empresa de TV a cabo o informa de que não vai mais prestar serviços. O caro leitor imediatamente paga a vista o contrato inteiro, para que o tempo do serviço não-prestado seja também dignamente remunerado.

Se está tudo certo, por que tanta gente do Governo se nega a explicar o caso?

Nem sempre as pessoas falam. Mas às vezes o silêncio fala e conta tudo.

Os amigos que revelam
Há muitos anos, quando este colunista foi cobrir a Assembléia Legislativa de São Paulo, não sabia como resolver um problema: as dezenas de projetos cifrados, que modificam o artigo 4º, parágrafo 3º, inciso V, da Lei 00000, de 0/0/00, incluindo a palavra "talvez". Não há tempo suficiente para examinar lei por lei.
Um experiente repórter, Ricardo Sérgio Mendes, ensinou o caminho das pedras: bastava olhar as assinaturas. Se fossem de gente do bem, sem problemas. Mas, conforme os signatários, valeria a pena olhar o projeto com lupa.

E daí? Bem, veja a lista de políticos que manifestaram confiança em Palocci.

Segurança estúpida
Talvez tenha sido o mais vergonhoso episódio de violência policial em São Paulo desde a invasão da PUC, na ditadura. A manutenção nos cargos do secretário da Segurança e do comandante da Polícia Militar faz com que o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, se transforme em co-responsável pelos desmandos.

Um grupo de idiotas decidiu fazer uma marcha, que tinha sido proibida pela Justiça, em favor da liberação da maconha. Outro grupo de idiotas, neonazistas, teve a idéia imbecil de provocar uma briga com os outros idiotas. E a Polícia Militar interveio com violência, disparando balas de borracha, gastando gás lacrimogêneo à vontade, usando sprays de gás pimenta, agredindo jornalistas e causando tumulto. Até helicópteros foram usados. Ah, se bandidos também fossem perseguidos com tanto equipamento e tanta disposição!

Um dos grupos queria fazer uma marcha proibida, e talvez pudesse ser enquadrado por apologia ao uso de substância ilícita; outro grupo era violento, identificado com tatuagens como nazista e comandado como tropa de combate, e certamente poderia ser enquadrado por uma série de crimes. Houve algum preso? Não. Alguém está sendo processado? Não. Então, para que a PM interveio?

Sem fantasia
Este colunista é contra maconha, contra tabaco, contra cigarro de alface, contra qualquer coisa que, inofensiva ou não, incomode o vizinho do fumante. Também não gosta de violência policial nem de governos que não comandem a PM.

Partido partido
Vale a pena acompanhar a convenção nacional do PSDB neste fim de semana. O partido está tão rachado que o governador Alckmin, para atingir Aécio Neves, chegou ao extremo de até apoiar Serra para um cargo na direção tucana. Aécio, com apoio de Sérgio Guerra (lembre: ele é o presidente do partido faz um tempão), quer afastar o diretório paulista de qualquer cargo importante. Há até possibilidades de que o senador paulista Aloysio Nunes Ferreira dispute a Presidência para marcar posição e definir de vez o "racha"; e de que o grupo de Serra resolva não aparecer na convenção, preparando-se para buscar outros caminhos.

A melhor parte
O fato é que Alckmin é obrigado a cortejar Serra, a quem dificilmente chamaria de amigo. Ao criar o PSD, o prefeito paulistano Gilberto Kassab, que Alckmin nunca perdoou por tê-lo derrotado na eleição de 2008, manteve a seu lado o vice-governador Guilherme Afif. Se Alckmin deixar o Governo para concorrer à Presidência, Afif assume. E não vai esquecer o esforço que Alckmin, no Governo, fez para desalojar os amigos de Kassab - entre eles, principalmente, Serra.

A festa de Guarulhos
As obras de ampliação do aeroporto se arrastam, mas mesmo assim Guarulhos, SP, fechou 2010 com 9,2% a mais de empregos (contra 6,6% em todo o Estado). Guarulhos está entre as 15 cidades que mais empregam no país.

carlos@brickmann.com.br
www.brickmann.com.br

A lista de Dilma

Nelson Motta - O Estado de São Paulo

Uma lista de 120 nomes de companheiros de partido desempregados - porque perderam as eleições ou não sabem fazer nada - para ocupar cargos bem pagos no governo e em estatais não é só uma afronta a 120 profissionais de alto nível, concursados que estudaram, trabalharam, dedicaram sua vida à carreira e se tornaram os melhores em suas áreas. É um prejuízo incalculável ao País.

Os que sabem mais, os mais competentes, que conhecem mais as estruturas e os problemas da área, serão atropelados pela ignorância e voracidade dos dirigentes partidários e preteridos, na melhor hipótese, por incompetentes e, na pior, pelos corruptos de sempre, que apodrecem a máquina estatal por dentro.

Como o partido vai falar em democracia, justiça social, direitos humanos, ética, cidadania, igualdade de oportunidades, sem provocar risos e constrangimentos?

Encurralados pela evidência dos danos morais e materiais que essa política faz à Nação e às instituições, sem argumentos além das "causas" do partido, eles repetem Lula justificando o mensalão: todo mundo faz.

Dizem que Dilma flambou a lista com as labaredas que saíam de sua boca, com adjetivos que não ficavam nada a dever aos piores de Lula. Companheiros, tremei.

É bom demais para ser verdade, ou para durar, mas o suficiente para alegrar os corações democráticos. O provável é que, pressionada, ameaçada e acuada pelo partido, ela acabe cedendo, ao menos em parte, pela governabilidade. Mas já terá sido um avanço para a ética e a eficiência. Dá-lhe Dilmão!

O aparelhamento partidário do Estado na era Lula provocou novos comportamentos oportunistas entre funcionários de carreira, que se filiaram aos partidos na expectativa de se beneficiarem de cargos e promoções.

Assim, quando eles são indicados aos melhores salários e atropelam colegas mais competentes, podem ser apresentados publicamente como funcionários de carreira. Uma mão suja a outra e todos ficam contentes. Só o País perde.

Instituir a meritocracia em todos os níveis da administração pública é muito mais barato e viável, mas muito mais difícil do que acabar com a miséria no Brasil.

A versão cretina de Gilberto de Carvalho para o caso Palloci

Comentando a Notícia

O PT, na ação cretina de se livrar de seus abacaxis e pecadilhos, sempre foi um bando bastante previsível. Sua defesa sempre é feita em ataques aos seus adversários, ataques estes, como vai se ver, nem sempre decentes, mas profundamente levianos e canalhas.

Na falta de um Franklin Martins para atacar a imprensa, vai prá briga alguém com aura de purificado, mas que não passa de mais um petista bestial.

Foi o que aconteceu hoje. O governo destacou o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, para ir à luta. E, vejam vocês, acusou a Prefeitura de São Paulo de ter vazado informações sigilosas contendo dados sobre o faturamento da empresa Projeto, do ministro Antonio Palloci.

Lembram quando disse que, o maior medo dos petistas era que fizessem com eles, o mesmo que eles sempre fizeram com os outros, até lembrando das informações do sigilo fiscal de Serra & Cia que foram parar nas mãos dos petistas da campanha de Dilma Rousseff, no ano passado?

Pois, então, Gilberto Carvalho achou por bem, ou foi orientado para tanto, de acusar a Prefeitura de São Paulo. Claro que as versões que a quadrilha reunida para impedir que se investigue qualquer coisa sobre o enriquecimento rápido do ministro Palloci, vai soltar inúmeras notas e “notícias” na tentativa de transformar a acusação em arma contra os adversários, na tentativa de silenciá-los.

E, muitas destas notas vão acabar batendo no muro que separa a verdade da mistificação. Precisamente este foi o caso. A acusação imbecil, leviana e cretina de Gilberto Carvalho, além de receber pronta resposta da Prefeitura, ainda deu margem para que se fizessem algumas ilações sobre o ocorrido com José Serra na campanha de 2010.

Primeiro, vamos a resposta da Prefeitura, que veio através de uma nota divulgado ao final do dia:

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"NOTA À IMPRENSA

Em relação às reportagens publicadas hoje na imprensa, nas quais o ministro da Secretaria Geral da Presidência Gilberto Carvalho teria acusado a Prefeitura de São Paulo de vazamento de dados da empresa que possui como sócio o ministro Antonio Palocci, a Secretaria de Finanças da Prefeitura de São Paulo informa que todos os acessos ao ambiente da empresa Projeto no sistema da Nota Fiscal Eletrônica de Serviços, realizados no período de 1º de janeiro de 2010 a 17 de maio de 2011, foram realizados pela própria empresa ou por servidores da Secretaria de Finanças, de forma motivada para realização de procedimentos demandados pelo próprio contribuinte (retificação de lançamento e pagamento de tributo).

A Prefeitura de São Paulo não se recusa a prestar qualquer esclarecimento sobre o caso, porém, lamenta que tais declarações tenham sido feitas sem a correspondente comprovação dos fatos."

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Desfeita a falsa conspiração que se tentou criar, vejamos no que se pode deduzir das afirmações de Gilberto Carvalho, principalmente quando afirmou: “...O governo sabe de onde veio. Quando, no ano passado, se denunciavam questões do [relativas ao então candidato à Presidência] Serra, não se focou no conteúdo, só que havia um vazamento. E houve um vazamento agora na Prefeitura de São Paulo”.

Vamos ver se a gente consegue transformar este embrulho em algo com razoável lógica: se, de fato segundo Carvalho, a Prefeitura está por trás do vazamento dos dados sobre a empresa de Palocci e se o episódio de agora nos remete a alguns fatos da campanha quando informações do sigilo fiscal de Serra foi parar nas mãos de petistas, então Carvalho confessa que o governo federal coordenava a quebra ilegal do sigilo do Imposto de Renda de familiares do candidato tucano. Ou seja, Carvalho dá a entender que o suposto vazamento de agora, seria uma espécie vendeta pelo aconteceu na campanha de 2010. Se isto não for uma confissão, o que mais poderá ser?

Além disto, Carvalho tenta nos enrolar com a história de que o governo sabe de onde veio o suposto vazamento. Muito bem, só que a origem, e Carvalho sabe muito bem, parte de gente de seu próprio quintal.

E aguardem que, nos próximos dias e horas, novas “notas” serão espalhadas pela imprensa, com o objetivo de ocupar as pessoas em explicações sobre o que não fizeram, até um fato novo surgir no horizonte e nos fazer esquecer dos estranhos ganhos recebidos por Palloci, tanto na condição de deputado, quanto na condição de ministro nomeado para o governo Dilma. Sim, porque Palocci estava nomeado, ao faturar R$10 milhões.O ministro já estava nomeado para chefiar o chamado governo de transição, após a eleição presidencial, inclusive recebendo salários de R$ 11.179,00, quando sua empresa Projeto faturou R$ 10 milhões, nos últimos dois meses de 2010. A nomeação dos integrantes da equipe de transição foi publicada no Diário Oficial da União. A equipe recebeu verba de R$ 2,8 milhões, prevista em lei.

Claro que as empresas que foram beneficiadas pela “consultoria” prestadas por Palloci não irão se apresentar. Precisaremos de outro caseiro com moral suficiente para desmascarar Antonio Palloci mais uma vez. Como afirmei antes, o ministro até pode continuar no cargo, mas este fato o fez perder muito de sua autoridade.

Código florestal: ação truculenta do governo é um desrespeito aos trabalhador do campo.

Adelson Elias Vasconcellos

Um grupo de ex-ministros do meio-ambiente, comandados pela dona Marina Silva, como querendo ser mais do que são, ex-ministros, adotaram o tom do discurso terrorista para evitar que um novo Código Florestal fosse votado. E sem que precisasse de intérpretes ou leitores labiais, Marina justificando o pedido de “cancelamento da votação no Congresso”, afirmou que o assunto não fora debatido pela sociedade. Como é que é? Em que mundo esta senhora imagina viver, ou viveu nos últimos dois anos, por exemplo? Como que o assunto não foi debatido pela sociedade quando se teve,. apenas no Congresso, devidamente registradas, mais de 80 audiências públicas, sem contar os inúmeros fóruns de discussão que se espalhou pelo país acerca do tema?

Que dona Marina Silva tenha lá suas razões para se indispor contra o novo Código Florestal, que então venha a público, e sem mentir, as exponha para o devido julgamento por parte da sociedade. O que não pode é sair por aí se dizendo contra por razões mentirosas e vigaristas. Isto não!

O mesmo povo a quem ela se apresentou como candidata e lhe assegurou uma expressiva votação de cerca de 20 milhões de votos, também tem competência para julgar e entender correta as alterações que o novo código apresenta, mesmo que estas alterações sejam contrárias às opiniões que Marina defende. Ou será que a “democracia” só existe quando se está de acordo com o seu pensamento? Se assim for, e o comportamento e declarações da senadora dão margem para tanto, ela precisa aprender rapidamente o que de fato é democracia. O que Marina tem demonstrado é uma tirania de pensamento do tipo “ou concordam comigo ou são contra à preservação ambiental”!

Nem tanto ao ar nem tanto à terra. É possível sim, preservar o meio ambiente sem abrir mão da plantação de alimentos, o reduzir as existentes, que era afinal o que aconteceria caso vencesse a tese da ex-ministra. Da forma como o debate está sendo colocado, fica parecendo que plantar alimentos é um pecado mortal que destruirá o planeta.

Além disto, é preciso entender que o atual código florestal, da forma como foi modificado do seu original, colocou 90% dos agricultores, a maioria constituída de pequenos e médios produtores, na ilegalidade. Por quê? Porque ao iniciarem suas atividades, estes agricultores tiveram que obedecer a um regime legal que foi se modificando aos poucos sem lhes permitir alternativas de sobrevivência. Quando se fala em “anistia” não se está pensando em grandes ruralistas, latifundiários e coisas do gênero. Se pensa justamente no pequeno e no médio produtores que, diante das novas exigências, terão que abandonar as terras em que vivem e moram há décadas para viverem da esmola do Poder Público, já que não sabem fazer outra coisa a não ser plantar, mas com extrema competência.

É disto que Marina Silva se esquece. Aldo Rebelo, autor do novo texto, viajou o país inteiro, conversou e ouviu inúmeros agricultores e entidades de classe, conheceu o drama e as dificuldades de cada um. Os dados que coletou lhe permitiu ter um diagnóstico preciso que dona Marina jamais conseguiu traçar. Antes de suas teorias em “defesa da floresta”, ela deveria era ir ver de perto os problemas que, em cada unidade da federação, tem suas características próprias.

Da mesma forma que chega às raias da estupidez, querer que se centralize em Brasília a decisão do que se vai plantar em determinadas áreas. Quem, em Brasília, tem competência para dizer qual cultura se encaixa melhor nas características de cada região, caramba? De quantos biomas diferentes estamos tratando quando se fala de Brasil? Com quantas formações de solo diferenciados estamos lidando num país com a nossa dimensão?

Assim, este centralismo estúpido deve ser varrido e ignorado. Um dos nossos grandes males de natureza política e até de execução de políticas públicas é este centralismo inconsequente que torna Brasília o centro do poder num país de dimensões continentais. Não é por outra razão que os rincões estão jogados ao abandono e esquecimento.

Claro que o tema acaba chegando à opinião pública de maneira distorcida, dada a ação de pura chantagem e terrorismo ideológico e vigarista, com que o tema vem sendo tratado por parte da grande imprensa que sequer leu o texto do deputado Aldo Rebelo, e faz afirmações irresponsáveis e ignorantes, as quais se juntam a de alguns políticos picaretas que não tem a menor ideia do que está em jogo, fazem apenas o jogo de seus líderes de partido na base do “fazer o que o chefe mandou”.Tem também o imenso barulho que as ONGs, maioria estrangeira, bancadas com capital de países interessados em alijar a competência e a produção brasileira de produtos agropecuários do mercado internacional, mas que se utilizam de um idioma terrorista do tipo “o mundo vai acabar com o novo código”.

Assim, é oportuno reproduzir a carta enviada pelo deputado Rebelo à presidente Dilma onde ele coloca cada pingo no seu devido “i”, além de fazer picadinho das estultices disseminadas por dona Marina Silva e seus muambeiros da floresta. É bom sempre lembrar que o Brasil, mesmo com toda a sua exuberante produção agrícola e pecuária, mantém intactos cerca de 70 % de suas matas nativas, o que convenhamos, não apenas serve de exemplo para o mundo, como demonstra que a desgraceira anunciada e preconizada por Marina e seus bestiais está muito longe de acontecer. O que novo código florestal preserva é justamente este índice, sem colocar na ilegalidade os mais de 4 milhões de pequenos agricultores do país, de cujo trabalho árduo provém o alimento farto e barato que ocupa a mesa dos brasileiros e, cujos excedentes excepcionais garantem e sustentam a estabilidade econômica do país. Como não devemos esquecer que os produtores rurais, independente de seu porte, também são trabalhadores e, nesta condição merecem reconhecimento e gratidão, além do respeito que lhe está sendo negado.

Quanto às ameaças de Dilma de vetar o código naquilo com o qual não concorda, é preciso deixar claro duas coisas: primeiro, Dilma fala de uma regulação para a qual JAMAIS se reuniu com o relator, o deputado Aldo Rebelo que, no máximo, tratou do assunto com o ministro Antonio Palloci. Assim, sua opinião sobre o tema é a de alguém que jamais manifestou nem interesse tampouco opinião. Fala sobre algo que desconhece e que se recursou em colaborar ao longo do debate. Ao contrário do próprio Congresso. Em segundo lugar, Dilma não pode fazer ameaças sobre algo que o Poder Legislativo tem plenos poderes de dispor ou não. Seu veto, ou ameaça dele, pode ser derrubado pelo próprio Congresso, e dona Dilma terá que aceitar o que o Congresso determinar.

Abaixo, segue a carta do deputado Aldo Rebelo à presidente Dilma. Por que é importante divulgá-la? Porque nela estão expostas as mentiras que se contou e ainda se contará até a votação se concretizar no Senado. Eles ainda vão fazer muito barulho e chantagem, podem apostar que vão.

*****

Excelentíssima presidente Dilma Rousseff,

Diante da iminente votação do novo Código Florestal, e na condição de relator do projeto na Câmara dos Deputados, sinto-me no dever de prestar breves esclarecimentos sobre o assunto no sentido de ajudá-la na compreensão dos aspectos aparentemente polêmicos da matéria em discussão.

Os adversários da atualização do Código insistem na patranha de que meu relatório "anistia" desmatadores. A verdade é que a "anistia" existente e que está em vigor é a assinada pelo ministro Carlos Minc e pelo presidente Lula em junho de 2008 e renovada em dezembro de 2009, no Decreto 7.029/09.

O presidente e o ministro perceberam que quase 100% dos 5 milhões e 200 mil agricultores, 4 milhões e 300 mil deles pequenos proprietários, não teriam como cumprir a legislação alterada por força de medidas provisórias nunca votadas no Congresso, decretos, portarias, instruções normativas e resoluções absurdas do Conama.

Transcrevo a seguir o Artigo 6º do decreto em vigor e que expira em 11 de junho:
1) O decreto suspende a aplicação das multas relativas a APP e RL

§ 1º. A partir da data de adesão ao "Programa Mais Ambiente", o proprietário ou possuidor não será autuado com base nos arts. 43, 48, 51 e 55 do Decreto nº 6.514, de 2008, desde que a infração tenha sido cometida até o dia anterior à data de publicação deste Decreto e que cumpra as obrigações previstas no Termo de Adesão e Compromisso. Importante destacar que os artigos mencionados tratam dos crimes de destruição e danificação de florestas e vegetação nativa em Área de Preservação Permanente -- APP (43) ou de impedir e dificultar regeneração de vegetação nativa (48), e em Reserva Legal (art. 48, art. 51, art. 55), que não seriam mais autuados ou seja, suspendendo na prática a lei de crimes ambientais.

2) O decreto suspende as multas já lavradas:

§ 2º A adesão ao "Programa Mais Ambiente" suspenderá a cobrança das multas aplicadas em decorrência das infrações aos dispositivos referidos no § 1º, exceto nos casos de processos com julgamento definitivo na esfera administrativa. O Programa Mais Ambiente suspende multas já aplicadas para todos os que a ele aderirem.

3) Cumpridas as exigências do Programa, as multas aplicadas não serão cobradas:

§ 3º Cumprido integralmente o Termo de Adesão e Compromisso nos prazos e condições estabelecidos, as multas aplicadas em decorrência das infrações a que se refere o § 1º serão consideradas como convertidas em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente.

Eis a "anistia" em sua plenitude. As aspas são apenas para contestar o conceito, pois de "anistia" não se trata, uma vez que não há perdão mas apenas permuta entre a infração cometida e compromisso da regularização dos proprietários.

O que proponho em meu relatório tem o exato conteúdo do decreto em vigor:

Art. 33º.
§ 4º. Durante o prazo a que se refere o §2º e enquanto estiver sendo cumprindo o Termo de Adesão e Compromisso, o proprietário ou possuidor não poderá ser autuado e serão suspensas as sanções decorrentes de infrações cometidas antes de 22 de julho de 2008, relativas à supressão irregular de vegetação em áreas de reserva legal, áreas de preservação permanente e áreas de uso restrito, nos termos do regulamento.

§ 5º Cumpridas as obrigações estabelecidas no Programa de Regularização Ambiental ou no termo de compromisso para a regularização ambiental das exigências desta lei, nos prazos e condições neles estabelecidos, as multas, referidas neste artigo, serão consideradas como convertidas em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente, legitimando as áreas que remanesceram ocupadas com atividades agrossivopastoris, regularizando seu uso como área rural consolidada para todos os fins.

Art. 34º. A assinatura de Termo de Adesão e Compromisso para regularização do imóvel ou posse rural junto ao órgão ambiental competente, mencionado no art. 33, suspenderá a punibilidade dos crimes previstos nos arts. 38, 39 e 48 da Lei nº 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, enquanto este estiver sendo cumprido.
§1º A prescrição ficará interrompida durante o período de suspensão da pretensão punitiva.

§2º Extingue-se a punibilidade com a efetiva regularização prevista nesta lei.

É evidente que não há "anistia", mas a interrupção da prescrição das multas até a adequação dos agricultores aos dispositivos da legislação. O que se busca é estimular a regularização ambiental da agricultura em lugar da solução ineficaz das multas e autuações.

Quanto à consolidação das atividades em Áreas de Preservação Permanente é de se destacar tratar-se de cultivos e pastoreio centenários de pequenas propriedades que não podem ser removidos como se erva daninha fossem. A recuperação de APPs, tanto as de topo de morro, encostas ou margem de rio deve considerar a existência do homem, de sua família, de sua sobrevivência, o que parece não estar presente na preocupação do ambientalismo neomalthusiano.

Confio na Vossa sensibilidade de chefe da Nação para arbitrar com equilíbrio e espírito humanitário a necessidade de combinar preservação ambiental e interesses da agricultura e do povo brasileiro. ONGs internacionais para cá despachadas pelos países ricos e sua agricultura subsidiada pressionam para decidir os rumos do nosso País. Eles já quebraram a agricultura africana e mexicana, com as consequências sociais visíveis. Não podemos permitir que o mesmo aconteça no Brasil. Termino relembrando o Padre Vieira quando alertou em um dos seus sermões: "Não vêm cá buscar nosso bem, vêm buscar nossos bens."

Com apreço e admiração

Aldo Rebelo

Momento de decisão

Kátia Abreu (*) , Folha de São Paulo

O Brasil é o segundo maior produtor de alimentos do mundo, usando pouco mais de um terço do seu território

FINALMENTE, após dez anos de espera, a Câmara dos Deputados iniciou a votação do projeto do novo Código Florestal. Em circunstâncias normais, não seria evento suficientemente relevante para ser registrado. Afinal, é da rotina dos parlamentos votar leis. O que torna, no entanto, essa decisão uma verdadeira efeméride é o seguinte fato: há 46 anos o Congresso vem sendo privado de votar importantes normas ambientais.

No Brasil, o privilégio de legislar sobre ambiente tornou-se prerrogativa exclusiva de burocratas anônimos, sem responsabilidade social e sem o dever de tornar transparentes suas razões e seus motivos.

A defesa do ambiente tem de ser esforço coletivo, e de longo prazo, fundada em consensos democráticos. Não pode ser tarefa de pequenas seitas que tentam impor sua visão autoritária sobre os outros. O preço pela proteção da natureza não deve ser o fim da liberdade de escolha, sem a qual a vida humana não tem valor.

Ao lado da grande manifestação de autonomia que o Congresso vem demonstrando nessa questão que afeta a vida de todos, há algo mais na presente votação.

Dada a grande variedade e complexidade das questões submetidas a deliberação, que ultrapassam os limites de conhecimento, mesmo de pessoas altamente preparadas, os parlamentares confiam, quando votam, no exame das matérias pelas assessorias das bancadas e nas recomendações dos líderes.

Na votação do Código Florestal o processo está sendo diferente. A Comissão da Câmara dos Deputados aprovou o relatório do deputado Aldo Rabelo no primeiro semestre de 2010. A partir desse momento, o relator reuniu-se com todas as bancadas, durante meses, discutindo e esmiuçando os detalhes do projeto.

O resultado é que a maioria dos 513 deputados formou opinião bastante sólida a respeito das questões ali tratadas. Isso significa que a decisão que será tomada pela Câmara refletirá, como nunca, a vontade dos parlamentares e de sua base de representação. A isso podemos chamar de real consenso político.

A votação ainda se estenderá por alguns dias. No entanto, a quase totalidade do texto já é objeto de acordo amplo entre partidos da base governamental, da oposição e do próprio governo federal.

De qualquer modo, esse processo político tem sido exemplar e poderia servir de modelo para o trato de questões que, pela sua natureza e pelo seu grau de interesse para a nação, não deveriam submeter-se apenas à lógica partidária. Há momentos, e não são poucos, em que a nação deve prevalecer.

Aprovado o projeto, estaremos servindo ao futuro do país e fazendo justiça aos agricultores brasileiros. Eles são os grandes defensores da natureza e para isso não precisam da coação de leis nem da ameaça das autoridades.

São eles que protegem o ambiente, usando pouco mais de um terço de nosso território para nos colocar como o segundo maior produtor de alimentos do mundo.

Em 1977, o Brasil produziu 47 milhões de toneladas de grãos, utilizando uma área de 37 milhões de hectares. Em 2010, produzimos 154 milhões de toneladas, numa área de 49 milhões de hectares. A produtividade entre um período e outro se elevou em 151%.

Se em 2010 tivéssemos a mesma produtividade de 1977, teria sido necessária, para a mesma produção, uma área total de 122 milhões de hectares, 73 milhões de hectares a mais do que efetivamente usamos.

Essa diferença os brasileiros podem chamar de verdadeira poupança ambiental. O radicalismo verde silencia sobre isso e quer tomar da produção brasileira 80 milhões de hectares de campos produtivos. O que os opositores da reforma do Código Florestal querem é simplesmente isso.

Acontece que uma terra excluída da produção leva consigo as pessoas que nela trabalham. E pessoas não são ervas daninhas que a gente tira e joga fora. Ainda bem que esse perigo, felizmente, parece que está passando.

(*)Senadora, e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil)

Por que Dilma Rousseff se recusa a afastar Palocci, ainda que temporariamente?

Bolívar Lamounier, Exame.com

Eu não prejulgo, mas sou um pouco cético quanto ao desempenho de Dilma Rousseff como presidente da República. Digo isto sem medo de contradizer o comentário bem positivo que fiz anteontem sobre a decisão de privatizar a construção de novos terminais aéreos.

Para este ingrato ofício de analista político, eu me confesso idealista demais. Onde meus colegas só vêem jogo bruto, cargos, grana, essas coisas, eu de repente me pego preocupado com questões de princípio, valores e condições de legitimidade.

Para os cidadãos, a presidência não é só uma posição de mando, é também sua grande referência moral dentro do sistema político. E eles se relacionam com ela como se estivessem se olhando num jogo de espelhos. O símbolo que vier de lá eles devolvem. Se vem coisa boa, ótimo, eles se sentem moralmente bem e agradecem. Se vem coisa não tão boa, eles se olham outra vez no espelho e se fazem certas perguntas. Quem sou eu, afinal? Algum otário? Esta lição Fernando Collor deve ter aprendido.

Decididamente não estamos no melhor dos mundos possíveis. É certo que a sociedade anda meio ébria de tanto consumir, mas isto não quer dizer que esteja relaxada, desatenta ou despreocupada.

Não estou me referindo ao comportamento dos partidos de oposição, hoje sabidamente mais frágeis no Congresso que durante o governo Lula. O que me chama a atenção é o arqui-conhecido fenômeno do rebaixamento dos valores morais do país.

O rebaixamento moral é vez por outra promovido por personalidades que deveriam estar lutando contra ele, em virtude seja das posições de autoridade que ocupam, seja por se contarem entre os apoiadores mais entusiastas do novo governo. Faço aqui uma menção sucinta a dois casos recentes.

Dias atrás a imprensa noticiou a defesa de uma tese de doutorado apresentada na Unicamp pelo senador petista Aloísio Mercadante. Mesmo sem a ter lido, pus-me a pensar se a referida tese seria aprovada se o autor não fosse um senador da República e um destacado integrante do governo que ora se inicia.

Fiz outro dia um comentário negativo a respeito da “reabilitação” de Erenice Guerra na festa da posse. Erenice não foi absolvida, pois a rigor nem foi investigada. E, claro, Dilma tem todo o direito de afagar quem ela quiser; nada a impede de fazer como Lula, adotando São Tomás Bastos como santo de sua devoção. Atrevo-me, porém, a lhe sugerir atenção aos símbolos que a cada passo ela estará tecendo.

Trecho acrescentado em 25.05.11
Chegamos agora ao quinto mês do governo Dilma Rousseff. Causa-me espanto a rapidez com que o capital político por ela amealhado no início do ano está se dissipando.

Na economia, ela está fazendo mais ou menos o que eu pensei que ela fosse fazer: quase nada. No Congresso, quem a imaginou capaz de moderar o apetite por cargos do PMDB e do PT, sorry, enganou-se. Na área educacional, estamos vendo o MEC comprar livros deveras estapafúrdios para distribuição nos níveis fundamental e médio: alguns de flagrante teor ideológico-partidário, outros aconselhando leniência com o português mal falado e pior escrito. Na política externa, especificamente na questão dos direitos humanos, eu aplaudi de pé a posição da “presidenta” em relação ao Irã. Pensei que depois ela ia falar de Cuba, da Venezuela etc, mas até agora, nada.

E eis que de repente, não mais que de repente, a Dra. Rousseff tem sobre a mesa um caso que não comporta tergiversação: o do ministro Antonio Palocci. Não me consta que ele tenha o dom de multiplicar peixes, mas conseguiu o milagre de multiplicar seu patrimônio pessoal por 20 em exíguos 4 anos. Se isso é corrupção, só uma investigação séria poderá dizer. Mas que parece, ah isso parece.

Nesse particular, a presidente foi absolutamente enfática em seu discurso de posse: em seu governo, a corrupção não teria vez. Mas a orientação dada à bancada governista no Congresso sugere o oposto. Trata-se de uma “operação abafa” - uma das mais truculentas que já se viu no parlamento brasileiro – com o evidente propósito de impedir a inquirição do ministro.

Ora, na posição que ocupa, com o poder que tem, com o respaldo de uma enorme maioria governista, por que tanta preocupação em blindar o ministro-chefe da Casa Civil ? Não seria mais sensato prestar logo os esclarecimentos que o Congresso e a sociedade pedem e encerrar o assunto? Se nada houve de ilícito ou imoral no vertiginoso enriquecimento do Sr. Palocci, é óbvio que o “abafa” produzirá o efeito contrário. Será contraproducente. Lançará sobre ele uma densa nuvem de suspeitas, da qual ele não se livrará tão cedo.

Difícil de compreender, sobretudo, é a relutância da presidente em recorrer ao ótimo exemplo do presidente Itamar Franco em relação ao ministro Hargreaves em 1993.

Ao perceber que seu ministro se tornara alvo de denúncias de corrupção, Itamar não pestanejou: afastou-o temporariamente, de modo a facilitar as investigações e também para preservá-lo, na hipótese de nada vir a ser provado contra ele . Constatada a improcedência das denúncias, o presidente reconduziu-o ao posto que ocupava.

Por que Dilma Rousseff não acolhe o bom modelo do presidente Itamar Franco? Por que adota uma linha de conduta absolutamente oposta, confrontando a minoria oposicionista na base da truculência?

Difícil compreender isso, não?

Duvidoso, e daí?

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

O governo está atuando nitidamente em duas frentes para transitar com o mínimo de danos possíveis pelo pantanoso terreno da trajetória financeira da empresa de consultoria do ministro Antônio Palocci: Congresso e imprensa.

É onde identifica que pode haver confusão. Na verdade, mais na imprensa que no Congresso.

Junto ao Legislativo faz o jogo bruto da manipulação dos instrumentos de poder: cobra fidelidade dos aliados, ameaça os infiéis e insinua a todos, correligionários e adversários, aquele tipo de retaliação contida na nota alegadamente involuntária sobre os negócios paralelos de quase 300 parlamentares.

Junto à imprensa faz operação mais sutil nos veículos que lhe parecem ameaçadores, valendo-se das boas amizades, não só do ministro, mas também dos envolvidos no suporte de comunicações que monitora a crise e de pontes anteriormente construídas e solidificadas no trânsito de informações.

Nenhuma ilegalidade ou amoralidade. Apenas um jogo de convencimento.

Antonio Carlos Magalhães dizia que há jornalistas que gostam de dinheiro e jornalistas que gostam de informação. O segredo de uma proveitosa relação, segundo ACM, seria saber distingui-los e principalmente nunca confundi-los.

É uma lição que o poder nunca esquece.

Com o Parlamento controlado e a sociedade anódina, o governo é sensível à evidência de que denúncias hoje só prosperam por meio do trabalho da imprensa, que, no entanto, não pode se substituir a tudo o mais.

Há novas notícias a dar, novos assuntos a serem tratados. Numa situação normal, isso não deveria fazer com que outros setores se mantivessem paralisados, indiferentes a ocorrências ainda não esclarecidas.

Mas, como se esperam sempre "fatos novos", se não há novidades sobre o episódio revelado a tendência é que seja dado como superado por obra e graça da passagem do tempo.

É com isso que Palocci e o Planalto contam: à exceção das que renderam processos, há inúmeros exemplos de denúncias cujo destino foi o esquecimento mediante o arrefecimento do noticiário. Quando não há "fatos novos" nem eleições, o governo faz como aquele notório deputado: se lixa para a opinião pública.

Não havendo agravamento apontado pelos meios de comunicação fica consignada a inexistência de gravidade. Por mais grave que continue sendo o fato original. No momento, a recusa de esclarecimento sobre o cada vez mais suspeito enriquecimento do ministro da Casa Civil.

A deformação não está na ofensiva de defesa do governo. Esta por si só dá nitidez ao quadro: Palocci não pode se defender sozinho pelo método mais simples da comprovação de que não usou de sua condição pública para patrocinar favorecimentos privados. Dele mesmo e de seus clientes.

A distorção reside no conformismo geral diante de uma manifestação de arrogante indiferença por parte do governo e da infantilizada expectativa de que a imprensa assuma o papel de palmatória e faça frente a questões que são da responsabilidade de todos.

Dura Lex.
Por mais que haja algumas incongruências no caso do ataque do ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn à camareira do hotel em Nova York, há o histórico de comportamento abusivo agora relatado por alguns dos "alvos" ao longo dos anos.

Do ponto de vista da política não é isso que chama atenção no caso e sim o sentido de igualdade presente no cotidiano do tão criticado público americano. A gerência do hotel não hesitou em chamar a polícia diante do relato da funcionária nem se intimidou com a estatura profissional da excelência envolvida.

O que por muita gente é tido como excesso decorrente de mentalidade puritana pode também ser visto como obediência ao preceito de que a lei é igual para todos. Nesses casos os poderosos acabam pagando mais caro porque despertam interesse e seus infortúnios viram notícia.

A tese da conspiração peca entre outros por um detalhe: a polícia só localizou DSK no avião pouco antes da decolagem para Paris porque ele telefonou atrás do celular que havia esquecido no hotel, e informou onde estava.

O caseiro do Piauí e a camareira da Guiné

Augusto Nunes, Veja online



Nascido no Piauí, Francenildo Costa era caseiro em Brasília. Em 2006, depois de confirmar que Antonio Palocci frequentava regularmente a mansão que fingia nem conhecer, teve o sigilo bancário estuprado a mando do ministro da Fazenda.

Nascida na Guiné, Nafissatou Diallo mudou-se para Nova York em 1998 e é camareira do Sofitel há três anos. Domingo passado, enquanto arrumava o apartamento em que se hospedava Dominique Strauss-Kahn, sofreu um ataque violento do diretor do FMI e candidato à presidência da França, que tentou estuprá-la.

Consumado o crime em Brasília, a direção da Caixa Econômica Federal absolveu liminarmente o culpado e acusou a vítima de ter-se beneficiado de um estranho depósito no valor de R$ 30 mil. Francenildo explicou que o dinheiro fora enviado pelo pai. Por duvidar da palavra do caseiro, a Polícia Federal resolveu interrogá-lo até admitir, horas mais tarde, que o que disse desde sempre era verdade.

Consumado o crime em Nova York, a direção do hotel chamou a polícia, que ouviu o relato de Nafissatou. Confiantes na palavra da camareira, os agentes da lei descobriram o paradeiro do hóspede suspeito e conseguiram prendê-lo dois minutos antes da decolagem do avião que o levaria para Paris ─ e para a impunidade perpétua.

Até depor na CPI dos Bingos, Francenildo, hoje com 28 anos, não sabia quem era o homem que vira várias vezes chegando de carro à “República de Ribeirão Preto”. Informado de que se tratava do ministro da Fazenda, esperou sem medo a hora de confirmar na Justiça o que dissera no Congresso. Nunca foi chamado para detalhar o que testemunhou. Na sessão do Supremo Tribunal Federal que examinou o caso, ele se ofereceu para falar. Os juízes se dispensaram de ouvi-lo. Decidiram que Palocci não mentiu e que as contundentes provas do estupro eram insuficientes para a aceitação da denúncia.

Depois da captura de Strauss, a camareira foi levada à polícia para fazer o reconhecimento formal do agressor. Só então descobriu que o estuprador é uma celebridade internacional. A irmã que a acompanhava assustou-se. Nafissatou, muçulmana de 32 anos, disse que acreditava na Justiça americana. Sempre jurando que tudo não passara de sexo consensual, o acusado foi soterrado pela montanha de evidências e, depois de trocar o terno pelo uniforme de prisioneiro, recolhido a uma cela.

Nesta quinta-feira, Francenildo completou cinco anos sem emprego fixo. Até agora, ninguém se atreveu a garantir a estabilidade financeira do caseiro que ousou contar um caso como o caso foi. No mesmo dia, Palocci completou cinco dias de silêncio: perdeu a voz no domingo, quando o país soube do milagre da multiplicação do patrimônio. Pela terceira vez em oito anos, está de volta ao noticiário político-policial.

Enquanto se recupera do trauma, a camareira foi confortada por um comunicado da direção do hotel: “Estamos completamente satisfeitos com seu trabalho e seu comportamento”, diz um trecho. Estimuladas pelo exemplo da imigrante africana, outras mulheres confirmaram que a divindade do mundo financeiro é um reincidente impune. Nesta sexta-feira, depois de cinco noites num catre, Strauss pagou a fiança de 1 milhão de dólares para responder ao processo em prisão domiciliar. Até o julgamento, terá de usar uma tornozeleira eletrônica.

Livre de complicações judiciais, Palocci elegeu-se deputado, caiu nas graças de Dilma Rousseff e há quatro meses, na chefia da Casa Civil, faz e desfaz como primeiro-ministro. Atropelado pela descoberta de que andou ganhando pilhas de dinheiro como traficante de influência, tenta manter o emprego. Talvez consiga: desde 2003, não existe pecado do lado de baixo do equador. O Brasil dos delinquentes cinco estrelas é um convite à reincidência.

Enlaçado pelo braço da Justiça, Strauss renunciou à direção do FMI, sepultou o projeto presidencial e é forte candidato a uma longa temporada na gaiola. Descobriu tardiamente que, nos Estados Unidos, todos são iguais perante a lei. Não há diferenças entre o hóspede do apartamento de 3 mil dólares por dia e a imigrante africana incumbida de arrumá-lo.

Altos Companheiros do PT, esse viveiro de gigolôs da miséria, recitam de meia em meia hora que o Grande Satã ianque é o retrato acabado do triunfo dos poderosos sobre os oprimidos. Lugar de pobre que sonha com o paraíso é o Brasil que Lula inventou. Colocados lado a lado, o caseiro do Piauí e a camareira da Guiné gritam o contrário.

Se tentasse fazer lá o que faz aqui, Palocci não teria ido além do primeiro item do prontuário. Se escolhesse o País do Carnaval para fazer o que fez nos Estados Unidos, Strauss só se arriscaria a ser convidado para comandar o Banco Central. O azar de Francenildo foi não ter tentado a vida em Nova York. A sorte de Nassifatou foi ter escapado de viver num Brasil que absolve o criminoso reincidente e castiga quem comete o pecado da honestidade.