Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa
Em plena Renascença, em Roma, ninguém superava em riqueza e ostentação o empresário, comerciante, importador e contrabandista Agostinho Chigi, conhecido pelos banquetes que oferecia, muitas vezes tendo como comensal o Papa Leão X. Mandava servir às vezes mil romanos com pratos de prata, onze para cada convidado, de acordo com o número de iguarias. Depois, os pratos eram jogados no Tibre, para assegurar que não fossem usados duas vezes. O nababo suplantou-se no dia 28 de Agosto de 1519, quando o Banquete foi servido em pratos de ouro, da mesma forma foram lançados no rio.
O que ele não percebeu foi que seus empregados haviam mergulhado uma rede próxima da margem. Quando a festa acabou, recuperaram aquela imensa fortuna, que venderam no mercado negro.
Essa historinha se conta a propósito da consultoria do ministro Palocci. Até agora pouco se fala nos que o contrataram, desconhecendo-se o nome de suas empresas, até dos cozinheiros do banquete oferecido pelo chefe da Casa Civil. Eles também estenderam sua rede de proteção para salvar os pratos de ouro, quer dizer os conselhos dados por Palocci, que revenderam para outros empresários. Muita gente ganhou mais dinheiro do que o regiamente bem pago ministro utilizando suas informações e seus relacionamentos no governo. Só para concluir, diz a lenda que Chigi morreu pobre...
Maluf rides again
Eleito novamente presidente do PP paulista, Paulo Maluf foi cortejado na convenção estadual do fim de semana por nada menos do que o governador Geraldo Alckmin, o prefeito Gilberto Kassab e o vice-presidente da republica, Michael Temer.
Os três foram abraçá-lo em nome do PSDB, do futuro PSD e do PMDB.
Que se cuido o senador Francisco Dornelles, presidente nacional do PP, porque no fim do ano haverá a convenção nacional destinada a renovar o seu mandato ou a escolher um outro. Imaginem qual, com essa enxurrada de cortesias que os adversários promoveram. Todos de olho na prefeitura paulistana, ano que vem , mais descuidados da eleição para o governo do estado, em 2014.
È sempre bom lembrar que Ademar de Barros, depois de mil vezes derrotado, no fim da vida elegeu-se a governador.
Aproveitando as brechas
A presidente Dilma Rousseff, recebeu o vice Michael Temer para longa conversa, ontem. Votos de lealdade e confiança foram renovados ao infinito, inclusive a respeito do episódio Antônio Palocci. O PMDB mobilizará não só sua tropa de choque, mas o regime inteiro na defesa do chefe da casa Civil. Em hipótese alguma o partido contribuirá para a constituição de CPIs e sucedâneos visando investigar as consultorias de Palocci. É claro que mesmo sem a menor referência, muito menos a apresentação de lista de pedido de nomeação, Temer sinalizou aguardar a contrapartida do apoio explícito ao governo, nessa hora de apreensões.
Terão conversado, também, sobre a esperada votação, hoje, do Código Florestal. Os ambientalistas não terão chance.
Carona na beatificação
Nada mais natural, apesar do sacrifício em termos de saúde, do que a presença da presidente Dilma Rousseff em Salvador, domingo, para a cerimônia de beatificação de Irmã Dulce.
Agora, bicões não faltaram, até dos grandes, tirando carona com a santinha. Alguns tomando chuva.
De autoridade não se abre mão
Tancredo Neves tinha assumido pouco antes o governo de Minas quando a oposição radical, com o PT á frente resolveu testá-lo. As professoras reivindicavam aumento mais do que o justo, mas não havia dinheiro. A greve começava a paralisar o centro de Belo-Horizonte e o governo reuniu, no palácio das Mangabeiras, os secretários de planejamento, Ronaldo Costa Couto, da fazenda, Rogério Mitraux, da Educação, Otávio Elisio, e do trabalho Ronan Tito.
Examinaram o limite do reajuste do qual não poderiam passar, sob o risco de atrasar o pagamento no fim do mês. Foi quando chegou a informação de que as professoras preparavam-se para invadir o prédio da Secretária de Educação. Imaginou-se que Tancredo ficaria ainda mais preocupado, mas aconteceu o contrário. O governador surpreendeu a todos dizendo que a solução havia chegado. Dirigindo-se ao secretário de Educação, que afirmou: ‘’o problema não é mais seu. Mandem chamar o secretário".