Luiz Inácio na oposição, demonizava deus e o mundo. E, claro, seu partido de delinqüentes sempre que pode, atazanou todo e qualquer governante. Começava pela lenga-lenga da tal ética que, conforme se verificou depois, a do partido era puro discurso e demagogia.
Ontem, ainda sob o anúncio de prováveis medidas para conter a valorização do real frente ao dólar, apresentamos um diagnóstico preciso da situação cambial: o que levava o país a ter sua moeda valorizada não era a conversa mole do “crescimento das exportações” como tantas vezes o governo quis aplicar. A fartura de dólares no mercado interno se dava pela taxa de juros que o governo atual aplicou desde que assumiu o poder, o que levava que, investidores internos e externos, aplicassem preferencialmente em títulos do governo, em razão do alto ganho financeiro daí proveniente. Como pobre não tem como fazer “altos investimentos financeiros”, o governo de sua excelência priorizou o tempo todo o capital especulativo dos grandes tubarões.
E esta elevação e manutenção da taxa de juros em patamar acima do razoável foi necessária em razão do que Lula e seu partido pregaram durante mais de 20 anos de oposição, inclusive com a moratória das dívidas interna e externa. Foi o risco que o país pagou pela demagogia ordinária que pregava o final dos tempos, ao invés da racionalidade. Um pequeníssimo exemplo desta idiotia foi a CPMF. Quando outro governante quis aprova-la, numa outra ocasião e circunstância, o “provisório” com que foi criada era mais do que imprescindível. Ah, mas Lula e seu partido fecharam a questão e disseram um sonoro “não”. Agora, porque a CPMF, quando o senhor Luiz Inácio já era presidente, por ter sido recusada, vossa excelência vem e acusa de que a “oposição só pensa na eleição de 2010”. Se houver coerência nesta gente, é de supor que, quando Lula e PT disseram “não” à CPMF também só pensavam na eleição e não no país, não é mesmo ?
E assim tem sido ao longo do tempo. Lula e PT na oposição só praticaram cretinices e agiram sempre contra o interesse do país. Por que razão mereceriam agora a consideração que no passado não tiveram com os outros?
Mas voltemos à questão cambial. Reparem nas três medidas anunciadas: IOF sobre investimentos estrangeiros em títulos públicos, a possibilidade dos exportadores manterem 100% de sua receita no exterior e isenção do IOF para os exportadores. Vejam que bela confissão de culpa. Por que onerar o investimento estrangeiro em títulos públicos ? Porque os juros pagos pelo governo são atraentes demais para empanturrar o mercado interno de dólares. Vejam a segunda: os exportadores poderão, eu disse PODERÃO deixar 100% de suas receitas com exportação no exterior. Muito bem: para fazer o que lá fora, se aqui dentro os juros são bem mais atrativos ? E por não serem estrangeiros, as aplicações que fizerem aqui não terão o IOF que se cobrará dos estrangeiros, certo ? Ora, na ponta desta equação está, conforme vimos ontem, os juros elevados e que ainda se manterão no mesmo patamar.
Por que então o governo só se deu conta agora que precisava conter a valorização do real frente ao dólar ? Por conta da queda vertiginosa do saldo da balança comercial. E, no ritmo em que corria, rapidamente o superávit se transformaria em déficit, com graves conseqüências para o equilíbrio das contas. Porém, que fique claro: o prejuízo que esta valorização da nossa moeda já provocou para os exportadores médios e pequenos, demandará muito tempo para ser recuperado, e as empresas que fecharam e os empregos que se perderam já fizeram seu estrago social. Por que então se esperou tanto e se deixou a situação chegar no ponto limite ? Incompetência e insensibilidade de um governo que só pensa em palanque eleitoreiro.
E a situação só não ficou pior por conta do ritmo de crescimento alucinante da China que a obriga a aquisição em quantidades cada vez maiores de comoditties, cuja valorização foi a responsável direta para que nossa balança comercial não se deteriorasse com maior velocidade. Porém, muitos produtos manufaturados da nossa pauta de exportações já não chegam mais aos portos.
Quanto as medidas de hoje, acreditamos que elas sejam insuficientes para que o país seja beneficiado. Onerar o capital especulativo já deveria ter sido feito há muito mais tempo, por exemplo. E por que não se fez ? É simples: o país precisava “zerar” a dívida externa, uma vez que isto dá IBOPE. E ela foi zerada não com pagamentos, mas sim com a troca da dívida que nos cobrava em torno de 4% de juros ao ano, por uma interna, sempre acima de 15% ao ano. Outra não é a razão para que a dívida interna tenha mais do que dobrado sob o comando do governo Lula. Por ser cara, e porque o governo precisa sinalizar ao mercado de que vai honrar o compromisso, precisamos fazer o chamado “superávit primário”, economia praticada para pagar o serviço da dívida. Em 2007, quanto pagamos de juros cobrados sobre a dívida pública ? Mais de 140 bilhões de dólares !!! E esta montanha continuará sendo paga por muitos anos ainda.
Aonde queremos chegar ? É que com a manutenção dos juros internos no níveis praticados pelo governo Lula, de uma lado por culpa dele próprio e de outro para atrair capital especulativo externo para troca uma dívida barata por outra mais cara, a sobra de caixa para investimento mantém-se abaixo das necessidades do país. O orçamento aprovado pelos deputados e senadores prevê que o governo federal terá neste ano uma arrecadação primária de impostos e contribuições de R$ 687,5 bilhões. A proposta orçamentária sai do Congresso com quase 30% a mais de investimentos diretos do governo federal. O Ministério do Planejamento havia proposto que os investimentos ficassem em R$ 28,8 bilhões e agora o valor sobe para R$ 37,3 bilhões, incluindo todas as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Façam, agora, suas contas: quanto, percentualmente, representam 37,3 bilhões em relação aos 687, 5 bilhões de arrecadação primária ? É isto aí: com todas as “grandes” solenidades já feitas de pac pra todo o lado, o governo prevê investir o absurdo de 5, 4 % do que arrecada !!! Se tomarmos por base o PIB de 2007, que foi de 2,6 trilhões de reais, o investimento público não chega sequer a 1% do PIB. Convenhamos que o governo tem é feito muito barulho e discurso cretino para coisa alguma. Se engana quem quer...
Assim, sabemos que não é apenas o câmbio o entrave para nossas exportações. Anotem aí: estradas e portos em estado deplorável, carga tributária que fechou 2007 com mais de 36 % do PIB, falta de mão de obra qualificada, burocracia extremamente asfixiante e em que somos campeões mundiais conforme ranking divulgado hoje, falta de segurança jurídica e juros internos mais altos do mundo. Tudo isso forma o conjunto de entraves que fazem com que o país continue perdendo oportunidades, perdendo mercados por falta de competitividade, não na produção ou qualidade do que sai das fábricas, mas pelo chamado “custo Brasil”, ou em outras palavras, pelo alto e ineficiente custo do poder público sobre a iniciativa privada.
Sem mexer nesta equação, a situação poderá quando muito ser amenizada, porque o que as medidas impactarão seja a manutenção do real nos termos atuais em relação ao dólar, ou seja, nossa moeda tende a manter a atual paridade. Será preciso muito mais para dar aos produtos manufaturados brasileiros condições melhores de poderem competir no mercado internacional em pé de igualdade. Mas, para tanto, a primeira coisa a ser feita será a redução brutal do custo Brasil e aumento de investimentos em infra-estrutura e educação. Mas quem foi que disse que este governo está disposto a reduzir sua suntuosidade ?
Em tempo: conforme informou Josias de Souza em seu blog na Folha de São Paulo, os mentores das medidas anunciadas pelo ministro Mantega que se reuniram secretamente com o Luiz Inácio, foram Luiz Gonzaga Beluzzo e nada menos do que ... Delfim Neto. Quem diria, hein? Na hora de governar a economia as esquerdas brasileiras fazem a opção de seguirem a receita de tudo aquilo que eles deploraram ao longo de tanto tempo ! A menos que Delfim e Beluzzo tenham abraçado o socialismo como ideologias, a receita continua sendo fazer o contrário de todo o discurso esquerdopata. Claro, se o que se deseja é ver o povo, ricos ou pobre, feliz...
Pra encerrar: no discurso palanqueiro do dia, comentando sobre o crescimento do PIB em 2007, o Luiz Inácio tentou fazer aquela ironia cretina de engana bobo. Do alto de sua sapiência, mandou ver: "Se eu fosse aceitar o palpite de todo analista econômico, o Brasil ia acabar", declarou o presidente. Ele afirmou ter a convicção de que a revisão do PIB, que sempre é feita pelo IBGE indicará, em relação ao de 2007, um crescimento ainda maior do que os 5,4%.E acrescentou: "Está cheio de analista de economia dando palpite. Eu vi de forma gostosa o resultado (do PIB)." E disse, ainda: "Queremos trabalhar para que aconteça (esse crescimento) durante muitos anos seguidos, durante 10, 20 anos, para recuperar os últimos 30 anos em que não houve crescimento."
Que beleza hein, parece que estamos no paraíso, não é mesmo ? Primeiro que o índice foi atingido a partir da mudança de metodologia no cálculo do PIB. Tivesse seguido a regra anterior, e sim, os analistas teriam acertado em cheio. Segundo, quando ele diz que o índice ainda será maior após a “revisão do IBGE”, só esperamos que esta revisão não seja a manipulação dos dados para tornar o resultado final melhor ainda. Terceiro se a mesma metodologia for aplicada desde 1985, veremos que o país teve crescimento sim, apesar de toda a instabilidade internacional e os dois governos desastrosos feitos por Sarney e Collor. Quarto, por ter recebido o país com a economia estabilizada, além de encontrar um cenário externo excepcional, o governo Lula não faz favor nenhum obter resultados melhores. É até imperativo que assim seja.
Deste modo, perguntamos: estes 5,4% de crescimento em 2007 é para ser comemorado ou para ser questionado ?
A verdade é a seguinte, conforme artigo da Tribuna da Imprensa: o crescimento médio da economia brasileira de 3,8% nos últimos cinco do governo Luiz Inácio Lula da Silva coloca o Brasil em 35º lugar em desempenho, em um grupo de 39 países emergentes. Neste período, o crescimento médio do conjunto foi de 5,6% ao ano. Neste ranking, elaborado pela Austing Rating, o País fica à frente apenas da Guatemala, México, El Salvador e Haiti. A expansão neste período supera o aumento médio de 2,3% dos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Portanto, Lula continua mentindo e se auto-promovendo a partir de situações que, antes de festejar, deveria fazê-lo preocupar-se em efetivamente governar o país com decência, equilíbrio e competência. Quando ele diz que é mais fácil governar para os pobres, já vemos o porquê: pobre geralmente, por estar desinformado, fica mais acessível e suscetível às mentiras do Luiz Inácio.