quinta-feira, março 13, 2008

Afinal, Lula, quem era o demônio ?

Adelson Elias Vasconcellos

Luiz Inácio na oposição, demonizava deus e o mundo. E, claro, seu partido de delinqüentes sempre que pode, atazanou todo e qualquer governante. Começava pela lenga-lenga da tal ética que, conforme se verificou depois, a do partido era puro discurso e demagogia.

Ontem, ainda sob o anúncio de prováveis medidas para conter a valorização do real frente ao dólar, apresentamos um diagnóstico preciso da situação cambial: o que levava o país a ter sua moeda valorizada não era a conversa mole do “crescimento das exportações” como tantas vezes o governo quis aplicar. A fartura de dólares no mercado interno se dava pela taxa de juros que o governo atual aplicou desde que assumiu o poder, o que levava que, investidores internos e externos, aplicassem preferencialmente em títulos do governo, em razão do alto ganho financeiro daí proveniente. Como pobre não tem como fazer “altos investimentos financeiros”, o governo de sua excelência priorizou o tempo todo o capital especulativo dos grandes tubarões.

E esta elevação e manutenção da taxa de juros em patamar acima do razoável foi necessária em razão do que Lula e seu partido pregaram durante mais de 20 anos de oposição, inclusive com a moratória das dívidas interna e externa. Foi o risco que o país pagou pela demagogia ordinária que pregava o final dos tempos, ao invés da racionalidade. Um pequeníssimo exemplo desta idiotia foi a CPMF. Quando outro governante quis aprova-la, numa outra ocasião e circunstância, o “provisório” com que foi criada era mais do que imprescindível. Ah, mas Lula e seu partido fecharam a questão e disseram um sonoro “não”. Agora, porque a CPMF, quando o senhor Luiz Inácio já era presidente, por ter sido recusada, vossa excelência vem e acusa de que a “oposição só pensa na eleição de 2010”. Se houver coerência nesta gente, é de supor que, quando Lula e PT disseram “não” à CPMF também só pensavam na eleição e não no país, não é mesmo ?

E assim tem sido ao longo do tempo. Lula e PT na oposição só praticaram cretinices e agiram sempre contra o interesse do país. Por que razão mereceriam agora a consideração que no passado não tiveram com os outros?

Mas voltemos à questão cambial. Reparem nas três medidas anunciadas: IOF sobre investimentos estrangeiros em títulos públicos, a possibilidade dos exportadores manterem 100% de sua receita no exterior e isenção do IOF para os exportadores. Vejam que bela confissão de culpa. Por que onerar o investimento estrangeiro em títulos públicos ? Porque os juros pagos pelo governo são atraentes demais para empanturrar o mercado interno de dólares. Vejam a segunda: os exportadores poderão, eu disse PODERÃO deixar 100% de suas receitas com exportação no exterior. Muito bem: para fazer o que lá fora, se aqui dentro os juros são bem mais atrativos ? E por não serem estrangeiros, as aplicações que fizerem aqui não terão o IOF que se cobrará dos estrangeiros, certo ? Ora, na ponta desta equação está, conforme vimos ontem, os juros elevados e que ainda se manterão no mesmo patamar.

Por que então o governo só se deu conta agora que precisava conter a valorização do real frente ao dólar ? Por conta da queda vertiginosa do saldo da balança comercial. E, no ritmo em que corria, rapidamente o superávit se transformaria em déficit, com graves conseqüências para o equilíbrio das contas. Porém, que fique claro: o prejuízo que esta valorização da nossa moeda já provocou para os exportadores médios e pequenos, demandará muito tempo para ser recuperado, e as empresas que fecharam e os empregos que se perderam já fizeram seu estrago social. Por que então se esperou tanto e se deixou a situação chegar no ponto limite ? Incompetência e insensibilidade de um governo que só pensa em palanque eleitoreiro.

E a situação só não ficou pior por conta do ritmo de crescimento alucinante da China que a obriga a aquisição em quantidades cada vez maiores de comoditties, cuja valorização foi a responsável direta para que nossa balança comercial não se deteriorasse com maior velocidade. Porém, muitos produtos manufaturados da nossa pauta de exportações já não chegam mais aos portos.

Quanto as medidas de hoje, acreditamos que elas sejam insuficientes para que o país seja beneficiado. Onerar o capital especulativo já deveria ter sido feito há muito mais tempo, por exemplo. E por que não se fez ? É simples: o país precisava “zerar” a dívida externa, uma vez que isto dá IBOPE. E ela foi zerada não com pagamentos, mas sim com a troca da dívida que nos cobrava em torno de 4% de juros ao ano, por uma interna, sempre acima de 15% ao ano. Outra não é a razão para que a dívida interna tenha mais do que dobrado sob o comando do governo Lula. Por ser cara, e porque o governo precisa sinalizar ao mercado de que vai honrar o compromisso, precisamos fazer o chamado “superávit primário”, economia praticada para pagar o serviço da dívida. Em 2007, quanto pagamos de juros cobrados sobre a dívida pública ? Mais de 140 bilhões de dólares !!! E esta montanha continuará sendo paga por muitos anos ainda.

Aonde queremos chegar ? É que com a manutenção dos juros internos no níveis praticados pelo governo Lula, de uma lado por culpa dele próprio e de outro para atrair capital especulativo externo para troca uma dívida barata por outra mais cara, a sobra de caixa para investimento mantém-se abaixo das necessidades do país. O orçamento aprovado pelos deputados e senadores prevê que o governo federal terá neste ano uma arrecadação primária de impostos e contribuições de R$ 687,5 bilhões. A proposta orçamentária sai do Congresso com quase 30% a mais de investimentos diretos do governo federal. O Ministério do Planejamento havia proposto que os investimentos ficassem em R$ 28,8 bilhões e agora o valor sobe para R$ 37,3 bilhões, incluindo todas as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Façam, agora, suas contas: quanto, percentualmente, representam 37,3 bilhões em relação aos 687, 5 bilhões de arrecadação primária ? É isto aí: com todas as “grandes” solenidades já feitas de pac pra todo o lado, o governo prevê investir o absurdo de 5, 4 % do que arrecada !!! Se tomarmos por base o PIB de 2007, que foi de 2,6 trilhões de reais, o investimento público não chega sequer a 1% do PIB. Convenhamos que o governo tem é feito muito barulho e discurso cretino para coisa alguma. Se engana quem quer...

Assim, sabemos que não é apenas o câmbio o entrave para nossas exportações. Anotem aí: estradas e portos em estado deplorável, carga tributária que fechou 2007 com mais de 36 % do PIB, falta de mão de obra qualificada, burocracia extremamente asfixiante e em que somos campeões mundiais conforme ranking divulgado hoje, falta de segurança jurídica e juros internos mais altos do mundo. Tudo isso forma o conjunto de entraves que fazem com que o país continue perdendo oportunidades, perdendo mercados por falta de competitividade, não na produção ou qualidade do que sai das fábricas, mas pelo chamado “custo Brasil”, ou em outras palavras, pelo alto e ineficiente custo do poder público sobre a iniciativa privada.

Sem mexer nesta equação, a situação poderá quando muito ser amenizada, porque o que as medidas impactarão seja a manutenção do real nos termos atuais em relação ao dólar, ou seja, nossa moeda tende a manter a atual paridade. Será preciso muito mais para dar aos produtos manufaturados brasileiros condições melhores de poderem competir no mercado internacional em pé de igualdade. Mas, para tanto, a primeira coisa a ser feita será a redução brutal do custo Brasil e aumento de investimentos em infra-estrutura e educação. Mas quem foi que disse que este governo está disposto a reduzir sua suntuosidade ?

Em tempo: conforme informou Josias de Souza em seu blog na Folha de São Paulo, os mentores das medidas anunciadas pelo ministro Mantega que se reuniram secretamente com o Luiz Inácio, foram Luiz Gonzaga Beluzzo e nada menos do que ... Delfim Neto. Quem diria, hein? Na hora de governar a economia as esquerdas brasileiras fazem a opção de seguirem a receita de tudo aquilo que eles deploraram ao longo de tanto tempo ! A menos que Delfim e Beluzzo tenham abraçado o socialismo como ideologias, a receita continua sendo fazer o contrário de todo o discurso esquerdopata. Claro, se o que se deseja é ver o povo, ricos ou pobre, feliz...

Pra encerrar: no discurso palanqueiro do dia, comentando sobre o crescimento do PIB em 2007, o Luiz Inácio tentou fazer aquela ironia cretina de engana bobo. Do alto de sua sapiência, mandou ver: "Se eu fosse aceitar o palpite de todo analista econômico, o Brasil ia acabar", declarou o presidente. Ele afirmou ter a convicção de que a revisão do PIB, que sempre é feita pelo IBGE indicará, em relação ao de 2007, um crescimento ainda maior do que os 5,4%.E acrescentou: "Está cheio de analista de economia dando palpite. Eu vi de forma gostosa o resultado (do PIB)." E disse, ainda: "Queremos trabalhar para que aconteça (esse crescimento) durante muitos anos seguidos, durante 10, 20 anos, para recuperar os últimos 30 anos em que não houve crescimento."

Que beleza hein, parece que estamos no paraíso, não é mesmo ? Primeiro que o índice foi atingido a partir da mudança de metodologia no cálculo do PIB. Tivesse seguido a regra anterior, e sim, os analistas teriam acertado em cheio. Segundo, quando ele diz que o índice ainda será maior após a “revisão do IBGE”, só esperamos que esta revisão não seja a manipulação dos dados para tornar o resultado final melhor ainda. Terceiro se a mesma metodologia for aplicada desde 1985, veremos que o país teve crescimento sim, apesar de toda a instabilidade internacional e os dois governos desastrosos feitos por Sarney e Collor. Quarto, por ter recebido o país com a economia estabilizada, além de encontrar um cenário externo excepcional, o governo Lula não faz favor nenhum obter resultados melhores. É até imperativo que assim seja.

Deste modo, perguntamos: estes 5,4% de crescimento em 2007 é para ser comemorado ou para ser questionado ?

A verdade é a seguinte, conforme artigo da Tribuna da Imprensa: o crescimento médio da economia brasileira de 3,8% nos últimos cinco do governo Luiz Inácio Lula da Silva coloca o Brasil em 35º lugar em desempenho, em um grupo de 39 países emergentes. Neste período, o crescimento médio do conjunto foi de 5,6% ao ano. Neste ranking, elaborado pela Austing Rating, o País fica à frente apenas da Guatemala, México, El Salvador e Haiti. A expansão neste período supera o aumento médio de 2,3% dos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Portanto, Lula continua mentindo e se auto-promovendo a partir de situações que, antes de festejar, deveria fazê-lo preocupar-se em efetivamente governar o país com decência, equilíbrio e competência. Quando ele diz que é mais fácil governar para os pobres, já vemos o porquê: pobre geralmente, por estar desinformado, fica mais acessível e suscetível às mentiras do Luiz Inácio.

O encaroçado angu da autopromoção

Villas-bôas Corrêa, no Jornal do Brasil

No lançamento semi-oficial, com os devidos disfarces da impostura, da campanha de autopromoção com o recheio do virtual lançamento da ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, como a candidata prioritária para sucedê-lo, o presidente Lula bateu todos os seus recordes de contradição no emaranhado de exageros e escorregões propositais ou não da evidência.

Numa tentativa de selecionar os mais evidentes, difícil escolher por onde começar. Talvez pelo menor dos tropeços, na volta do escândalo do cartão corporativo, que empalidece na CPI de tão moderada cautela, com a divulgação do relatório da Controladoria-Geral da União que levantou mais uma trampa, embora sem maior originalidade: por duas vezes, o cartão mágico da ex-ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria de Igualdade Racial, foi usado por outra pessoa, em São Paulo, enquanto a perdulária titular com o dinheiro público desfrutava de viagem ao exterior, nas lonjuras de Dakar, no Senegal.

Ora, Lula atenuou a demissão da ministra com a categórica afirmação de que ela não cometera nenhum crime, mas um simples erro administrativo, por má interpretação do manual dos usuários.

Mas são os descuidos de avalista de coração mole. O caldo engrossa quando sobe ao palanque de campanha de não-candidato em 2010 (e com que pesar...) e arrisca a tacada de visitar três favelas, com a justificável proteção de aparato militar de uma operação de guerra. Ao contrário: a visita de quem descobriu a miséria, o sofrimento e o desamparo da desassistida população de milhões em todo o país, rigorosamente esquecida pelo governo e que só dá o ar de sua graça nas invasões para os confrontos com os traficantes.

Lula dedicou um improviso para cada fatia do eleitorado. No Complexo do Alemão, para uma platéia de cerca de 7 mil moradores, pisou na bola ao tentar chutar um argumento furado: "Foi importante que nós não anunciássemos o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) antes das eleições de 2006, porque senão vocês iriam ler que nós estaríamos lançando um programa puramente eleitoral".

Ora, e por que esperou tanto, desperdiçando dois anos e três meses fundamentais para não embolar as obras com a campanha para a eleição, este ano, de prefeitos e vereadores? Ou o PAC é uma saída de emergência, improvisada na undécima hora para tapar a longa temporada de esquecimento?No vôo mais arriscado do giro nas favelas, o presidente descobriu que os pobres e favelados agora já podem comprar um automóvel com o alongamento do prazo para a compra a crédito de 24 para 72, 82 meses. Ora, o esticão do prazo do financiamento de carros, de TVs, de geladeiras, de móveis é o milagre às avessas que enriquece os vendedores e penduram os compradores na força de uma dívida que incha os juros escorchantes. Um negócio da China para os donos de loja que nadam no mar de horas de um negócio com a carga dobrada do lucro: do preço e filé dos juros.

Na gangorra da retórica, uma hora "o que não pode é a polícia não ser educada para que comece a entrar na favela respeitando as pessoas, não pode entrar batendo em todo o mundo, senão nós partimos do pressuposto de que todo o mundo é bandido até prova em contrário"; noutra, falando à tropa, os policiais são alçados ao pedestal de defensores da lei, da população desprotegida, sempre esquecida por todos os governos na história etc.; até o ingresso no mundo da ventura pelo nordestino que só tem o diploma primário (sic) e um curso do Senai. E se ele chegou à Presidência da República, qualquer um pode chegar. É uma chance para milhões de eleitores...

Em 2008 remunera-se o terrorista de 1968

Elio Gaspari, em O Globo

Em 2008 remunera-se o terrorista de 1968. A vítima, que ficou sem a perna, recebe R$ 571. Diógenes, da turma da bomba, fica com R$ 1.627

Daqui a oito dias completam-se 40 anos de um episódio pouco lembrado e injustamente inconcluso. À primeira hora de 20 de março de 1968, o jovem Orlando Lovecchio Filho, de 22 anos, deixou seu carro numa garagem da avenida Paulista e tomou o caminho de casa. Uma explosão arrebentou-lhe a perna esquerda. Pegara a sobra de um atentado contra o consulado americano, praticado por terroristas da Vanguarda Popular Revolucionária. (Nem todos os militantes da VPR podem ser chamados de terroristas, mas quem punha bomba em lugar público, terrorista era.)

Lovecchio teve a perna amputada abaixo do joelho e a carreira de piloto comercial destruída. O atentado foi conduzido por Diógenes Carvalho Oliveira e pelos arquitetos Sérgio Ferro e Rodrigo Lefèvre, além de Dulce Maia e uma pessoa que não foi identificada.

A bomba do consulado americano explodiu oito dias antes do assassinato de Edson Luís de Lima Souto no restaurante do Calabouço, no Rio de Janeiro, e nove meses antes da imposição ao país do Ato Institucional nº 5. Essas referências cronológicas desamparam a teoria segundo a qual o AI-5 provocou o surgimento da esquerda armada. Até onde é possível fazer afirmações desse tipo, pode-se dizer que sem o AI-5 certamente continuaria a haver terrorismo e sem terrorismo certamente teria havido o AI-5.

O caso de Lovecchio tem outra dimensão. Passados 40 anos, ele recebe da Viúva uma pensão especial de R$ 571 mensais. Nada a ver com o Bolsa Ditadura. Para não estimular o gênero coitadinho, é bom registrar que ele reorganizou sua vida, caminha com uma prótese, é corretor e imóveis e mora em Santos com a mãe e um filho.

A vítima da bomba não teve direito ao Bolsa Ditadura, mas o bombista Diógenes teve. No dia 24 de janeiro passado, o governo concedeu-lhe uma aposentadoria de R$ 1.627 mensais, reconhecendo ainda uma dívida de R$ 400 mil de pagamentos atrasados.

Em 1968, com mestrado cubano em explosivos, Diógenes atacou dois quartéis, participou de quatro assaltos, três atentados a bomba e uma execução. Em menos de um ano, esteve na cena de três mortes, entre as quais a do capitão americano Charles Chandler, abatido quando saía de casa. Tudo isso antes do AI-5.Diógenes foi preso em março de 1969 e um ano depois foi trocado pelo cônsul japonês, seqüestrado em São Paulo. Durante o tempo em que esteve preso, ele foi torturado pelos militares que comandavam a repressão política. Por isso foi uma vítima da ditadura, com direito a ser indenizado pelo que sofreu. Daí a atribuir suas malfeitorias a uma luta pela democracia iria enorme distância. O que ele queria era outra ditadura. Andou por Cuba, Chile, China e Coréia do Norte. Voltou ao Brasil com a anistia e tornou-se o "Diógenes do PT". Apanhado num contubérnio do grão-petismo gaúcho com o jogo do bicho, deixou o partido em 2002.

Lovecchio, que ficou sem a perna, recebe um terço do que é pago ao cidadão que organizou a explosão que o mutilou. (Um projeto que revê o valor de sua pensão, de iniciativa da ex-deputada petista Mariângela Duarte, está adormecido na Câmara.)

Em 1968, antes do AI-5, morreram sete pessoas pela mão do terrorismo de esquerda. Há algo de errado na aritmética das indenizações e na álgebra que faz de Diógenes uma vítima e de Lovecchio um estorvo. Afinal, os terroristas também sonham.

País ainda é um dos últimos entre os emergentes

Tribuna da Imprensa

O crescimento médio da economia brasileira de 3,8% nos últimos cinco do governo Luiz Inácio Lula da Silva coloca o Brasil em 35º lugar em desempenho, em um grupo de 39 países emergentes. Neste período, o crescimento médio do conjunto foi de 5,6% ao ano. Neste ranking, elaborado pela Austing Rating, o País fica à frente apenas da Guatemala, México, El Salvador e Haiti. A expansão neste período supera o aumento médio de 2,3% dos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso.

"A gente tem de considerar que o histórico brasileiro ainda é de baixo nível de investimento e elevada taxa de juros", afirma o economista-chefe da Austin, Alex Agostini. No topo da lista, aparecem a China (crescimento médio de 10,6%), Argentina (8,6%), Índia (8,5%), Venezuela (7,8%) e Ucrânia (7,6%).

Enquanto a taxa de investimentos do Brasil em 2007 foi de 17,6% do PIB, a chinesa tem estado perto dos 40% nos últimos anos. Em outro levantamento, feito pelo economista Reinaldo Gonçalves, do Instituto de Economia da UFRJ, a performance brasileira foi maior apenas do que a dos países desenvolvidos, cujos potenciais de crescimento são naturalmente menores.

Nos últimos cinco anos, os principais países desenvolvidos que integram o G-7 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão) cresceram em média 2,3% ao ano. Na União Européia, o avanço médio foi de 2,5%. Entre 2003 e 2007, a expansão brasileira esteve sempre abaixo da média de nações em desenvolvimento no mundo.

Desde o início da década, apenas em 2000 e 2002 o Brasil superou o avanço médio de outros países emergentes. Especificamente em 2002, quando o Brasil cresceu 2,7%, a média geral (2,3%) foi jogada para baixo pelas variações negativas de -10,9% da economia argentina e de -11% da uruguaia.

No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu de forma mais expressiva (5,4%), taxa abaixo da média de 5,8% estimada pelo FMI para os países em desenvolvimento este ano. Este crescimento, contudo, colocou o País na 23ª colocação no ranking relativo ao ano passado no grupo das 39 economias emergentes pesquisadas pela Austin, uma performance melhor do que a média dos últimos cinco anos.

Agostini analisa que o nível de investimento na China e na Índia explica, em grande parte, a forte expansão dos dois países no período recente. No caso da Argentina, a economia local está se recuperando de anos de baixo crescimento ou mesmo encolhimento, com juros baixos e inflação alta.

Ele também explica que a performance venezuelana está fortemente baseada na escalada das cotações do seu principal produto, o petróleo. No passado, o Brasil já chegou a ter taxas de investimentos que chegaram a 36,7% do PIB, mais precisamente em 1975, pela série antiga do IBGE. A expectativa dos economistas, agora, é que o crescimento dos investimentos brasileiros, que avançou em 2007 na casa de dois dígitos (13,4%) pelo segundo ano consecutivo, deverá aumentar o peso deste componente dentro do PIB.

Governos
Estudo feito pelo professor da UFRJ também mostra que o governo Lula ocupa o 19º lugar no ranking dos 30 mandatos presidenciais que o País teve desde 1890. O desempenho do atual governo, incluindo os quatro anos do primeiro mandato mais o ano de 2007, supera a média do primeiro mandato de Fernando Henrique (2,4%), do segundo mandato de FH (2,1%) e a variação negativa de 1,4% da gestão de Fernando Collor de Mello.

O governo de Itamar Franco aparece na 12ª colocação, com crescimento médio de 5,4%. Na prática, o desempenho da economia do Brasil vem mostrando maior robustez nos últimos quatro anos. Entre 2004 e 2007, o PIB do País avançou 4,5% em média, praticamente o dobro do governo anterior. Esta média exclui o fraco resultado do primeiro ano do governo Lula. Em 2003, ainda sob os efeitos da crise econômica do ano anterior, a economia brasileira cresceu 1,1%.

Pacote cambial terá efeito limitado sobre cotação do dólar, dizem especialistas

O Globo Online

RIO - As medidas anunciadas pelo governo, nesta quarta-feira, para evitar o ''derretimento do dólar', como afirma o ministro da Fazenda, Guido Mantega,' foram vistas como positivas, mas não devem ter grandes efeitos sobre a cotação da moeda americana, na opinião de alguns setores e especialistas. Para o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, as medidas não terão fortes efeitos sobre as exportações brasileiras. Para ele, a redução do custo de exportação com a isenção do IOF sobre as vendas ao exterior, não deverá se traduzir em redução dos preços dos produtos brasileiros para os importadores, o que os tornaria mais atraentes no mercado internacional. Nas contas do ministro Mantega, o custo dos exportadores será reduzido em R$ 2,2 bilhões.

" Na prática, é uma redução de 0,38%. É positiva, mas nosso custo já está tão alto que esta medida não afetará em nada nosso resultado "

- Na prática, é uma redução de 0,38%. É positiva, mas nosso custo já está tão alto que esta medida não afetará em nada nosso resultado. Mesmo sabendo que nossas expectativas estão defasadas, continuamos projetando um superávit comercial de US$ 30 milhões, com exportações de US$ 169 milhões e importações de US$ 139 milhões - afirmou Castro.

O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que as medidas cambiais, que entram em vigor na próxima segunda-feira, não vão criar reviravolta e nem se deve esperar uma recuperação do preço do dólar americano frente ao real.

- Não espero um impacto muito grande, porque essas são medidas de curto prazo, disse ele, acrescentando que as medidas de médio e longo prazos serão divulgadas depois, com o anúncio da nova política industrial.

Internacionalização de dólares
O fim da exigência de internacionalização de dólares para exportadores - outra das medidas anunciadas pelo governo - também não deverá ter efeito sobre o câmbio, na opinião de José Augusto de Castro. Até então, os exportadores só podiam deixar 30% do volume de dólares obtidos com suas transações no exterior e tinham a obrigação de trazer, para o Brasil, os outros 70%.

- O fato é que, para o exportador, vale a pena trazer o dinheiro para o Brasil e ganhar com investimentos em títulos públicos, já que as taxas de juros estão altas no país - avalia.

Para a economista-chefe do Banco Real, Zeina Latif, mesmo com o fim da cobertura cambial, o exportador continuará trazendo seus recursos para o Brasil.

- Hoje em dia, o exportador internaliza o câmbio não apenas para seguir as regras, mas também porque existe um ganho financeiro nisso. E este movimento vai continuar acontecendo porque os juros do Brasil são altos e garantem ganhos maiores sobre aplicações - diz.

Cobrança de IOF
Já a cobrança de IOF sobre investimentos de estrangeiros em títulos públicos, na opinião de Castro, poderá reduzir o volume de dólares que entram no país diariamente, provocando uma queda maior da moeda. Ele, no entanto, não soube quantificar quanto deixaria de entrar no país com a medida.

- Não estamos pleiteando o fim do câmbio livre no país. Precisamos é de custo financeiro menor para as exportações, melhor infra-estrutura portuária e mais facilidades na movimentação de capital. Mas sabemos que não há nada de pontual que possa ser feito para evitar a desvalorização do dólar - afirmou.

" Com a nova medida, o investidor passa a ganhar um pouco menos, mas não deixa de aplicar aqui "

Para o ex-diretor do Banco Central e atual economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, a cobrança do IOF de 1,5% sobre os investimentos estrangeiros em títulos públicos - a terceira medida anunciada - é equivalente à volta da cobrança do Imposto de Renda, eximida em 2006. Na prática, diz, ela irá reduzir a rentabilidade do investidor em cerca de 15%, o que não é suficiente para reduzir o fluxo de investimentos. Em janeiro deste ano, o volume de investimentos estrangeiros em títulos públicos foi de US$ 1,7 bilhão. No ano passado, entraram US$ 20 bilhões no país, quase o dobro dos US$ 11 bilhões registrados em 2006.

- Com a nova medida, o investidor passa a ganhar um pouco menos, mas não deixa de aplicar aqui. Hoje, o Brasil só concorre com a Turquia em termos de rentabilidade, mas ela não tem a nossa capacidade de pagamento. O grande ponto é que introduzir o IOF soa como uma ampliação do leque de medidas anunciadas no início do ano, quando passou a ser cobrado o imposto também para operações de crédito. Já a volta da cobrança do IR seria vista como uma mudança de regras, o que nunca é bom - diz.

Redução da Selic
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, concorda que as medidas terão efeitos limitados. Ele ressaltou que a reversão da cotação do dólar passa pela redução da taxa de juros básicos, a Selic, para diminuir a atratividade do Brasil para o capital estrangeiro, um dos fatores que mais contribuem para a queda da moeda americana.

Posição da CNI
- A CNI apóia as medidas do governo, mas o efeito delas ao final será limitado - sentenciou. -O que seria desejável na condução da política macroeconômica não era mudar a política cambial, mas amenizar a política monetária, porque o que está agravando a apreciação no câmbio é essa enorme diferença que existe entre a taxa de juro interna e a taxa de juro externa - prosseguiu o presidente da CNI.

O presidente da CNI lembrou que a taxa de juros real americana é negativa, porque a taxa nominal, de 3% ao ano, é menor do que a inflação.

- E aqui a taxa de juro real é de 6,5%. Mantido esse diferencial, teremos sempre um afluxo de poupança muito grande, que são os tais ganhos de arbitragem. Ou a gente reduz a diferença entre a taxa de juros interna e a taxa de juros externa ou o dólar não pára de cair - disse Monteiro Neto.

Carga tributária avança mais que PIB no ano

O Globo Online

RIO - A carga tributária avançou, em 2007, mais do que o Produto Interno Bruto, que registrou crescimento de 5,4% no ano passado , o maior índice desde 2004, impulsionado pelo crescimento interno, principalmente das famílias, mostra reportagem do Globo, nesta quinta-feira. A carga tributária chegou a 36,08% do PIB no ano passado, com crescimento de 1,02 ponto percentual em relação a 2006. Descontada a inflação, ficou em 7,2% sobre 2006.
" Enquanto o PIB per capita cresceu 4% em termos reais (acima da inflação), a mordida no bolso do brasileiro aumentou 7,2% "

Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), cada brasileiro pagou, em média, R$ 4.943,15 em impostos, tributos e contribuições para as três esferas de governo, contra uma carga per capita de R$ 4.379,39 no ano anterior. Os dados consideram a nova metodologia do IBGE. Se a forma anterior de cálculo do PIB continuasse valendo, a carga teria chegado a 39,9%.

- Enquanto o PIB per capita cresceu 4% em termos reais (acima da inflação), a mordida no bolso do brasileiro aumentou 7,2% - disse o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral.

Em 2007, foram arrecadados R$ 923,24 bilhões, para um PIB de R$ 2,55 trilhões, com aumento nominal de 12,87% e real de 7,2% sobre 2006. Em termos percentuais, os tributos recolhidos pela União cresceram 14,05% - com destaque para IPI, Imposto de Importação e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Na esfera dos estados, o peso dos impostos aumentou 10,13% e na dos municípios, 12,87%.

Estimativa para 2008
A primeira estimativa para a carga de 2008 aponta para uma queda de cerca de 0,5 ponto percentual, por causa do fim da cobrança da CPMF. Uma vez confirmada, seria a primeira redução nos últimos quatro anos. De 2002 para 2003, a carga caiu de 35,84% para 35,54%.

Ranking mundial
Apesar da expansão do PIB, o Brasil continua como a 10 economia mundial, com US$ 1,24 trilhão, podendo perder o posto para a Rússia em breve. De todos os Brics (emergentes), o Brasil foi o que teve menor percentual de crescimento, atrás de China, Índia e Rússia, além de Argentina, Coréia e Venezuela.

Governo não quer crescimento exagerado
A forte expansão de 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2007 trouxe ao mesmo tempo otimismo e preocupação e levou o presidente Luis Inácio Lula da Silva a pedir uma "euforia comedida" em relação ao resultado. De acordo com os economistas, por um lado, o maior crescimento dos investimentos desde 1996 sugere que a economia continuará aquecida no médio prazo; por outro, o elevado nível de consumo inspira temor de pressão inflacionária no curto prazo.

Carga tributária sobe para 36,08% do PIB em 2007, diz IBPT

Folha Online

A carga tributária atingiu 36,08% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2007, com alta de 1,02 p.p. (ponto percentual) sobre o ano anterior, informou nesta quarta-feira o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou hoje que o PIB de 2007 cresceu 5,4%, a maior taxa constatada desde 2004, quando houve crescimento de 5,7%. Já no último trimestre do ano passado, o PIB cresceu 1,6% frente ao trimestre anterior, e 6,2% em relação ao quarto trimestre de 2006. Em valores, o PIB brasileiro totalizou R$ 2,558 trilhões no ano passado.

Segundo as contas da entidade, os tributos federais foram responsáveis pela maior parte do crescimento dos impostos, com 0,97 p.p. do aumento. Os estaduais contribuíram com 0,04 p.p., e os municipais com 0,01 p.p.

O IBPT lembra que a carga seria ainda maior se a metodologia de cálculo do PIB não tivesse sido alterada, o que ocorreu no início do ano passado. Com a metodologia antiga, a carga tributária seria de 39,92%.

"Apesar da boa notícia do crescimento do PIB em 5,4%, é inadmissível que a carga tributária continue aumentando", diz Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT. Enquanto o PIB per capita, cresceu 4% em termos reais em 2007, o brasileiro pagou 7,2% a mais de tributos no mesmo ano. "Se não houver imediata redução da carga tributária brasileira, o Brasil não terá condições de crescer no ritmo de outros países emergentes."

De acordo com o IBPT, foi arrecadado R$ 1,053 trilhão em impostos no ano passado --sendo R$ 801,9 bilhões de impostos federais, R$ 214,7 bilhões de estaduais e R$ 36,3 bilhões de municipais.

O tributo com maior crescimento foi a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), com alta de 22,61%, para R$ 63,5 bilhões. Em termos absolutos, o Imposto de Renda foi o maior arrecadador, com R$ 229,3 bilhões.

Brasil é campeão mundial em burocracia, revela pesquisa

Felipe Frisch, O Globo

RIO - O Brasil continua a ser o campeão mundial em burocracia e isso afeta o crescimento de empresas de capital fechado, revela o International Business Report (IBR), pesquisa da Grant Thorton International, representada no Brasil pela Terco Grant Thornton. Para 64% dos 150 empresários brasileiros ouvidos na pesquisa, que no total entrevistou 7.800 executivos espalhados por 34 países, a burocracia excessiva é o maior obstáculo para o crescimento. Em 2007, 60% dos brasileiros haviam indicado a burocracia como o maior problema. A resposta do Brasil é mais do que o dobro do total dos outros países para o mesmo item: 31%. Em 2007, o resultado global para burocracia era de 37%.

Para a maioria dos outros países ouvidos na pesquisa, a falta de trabalhadores capacitados é o motivo de maior preocupação para o crescimento de 37% das empresas, contra 34% em 2007. Esta é a primeira vez que as empresas se mostram mais preocupadas em encontrar trabalhadores capacitados, pois, nos últimos cinco anos, desde que o IBR começou a ser feito, a burocracia era sempre citada como o maior obstáculo para o crescimento. Os empresários brasileiros também estão começando a sentir dificuldade para contratar mão-de-obra especializada. Se em 2007 o problema foi citado por 23% dos empresários brasileiros, este ano 37% citaram esse obstáculo.

Os empresários brasileiros deveriam dar peso de 1 a 5 a cada um dos seis itens apresentado na pesquisa. A burocracia foi a campeã, com 64%, seguida de custos de financiamento (43%). Em segundo lugar, os custos de financiamentos (43%), seguida da falta de capital de giro (37%). A seguir, dificuldade para encontrar mão-de-obra (37%). A falta de financiamento de longo prazo por citada por 35% dos pesquisados. E, finalmente, a redução da demanda (24%). Todos os índices subiram em relação à pesquisa feita em 2007, apenas a redução de demanda se manteve idêntica. O item sobre custos do financiamento, por exemplo, passou de 36% para 43%. A falta de capital de giro, de 32% para 40%.

Quando foi solicitado aos brasileiros que pontuassem cada tipo de problema ligado à burocracia e que teve impacto direto sobre o crescimento das empresas de cada um, em primeiro lugar apareceram as leis trabalhistas, com 33% das repostas. Em seguida, leis de planejamento urbano, com 21% - foi o índice mais alto entre todos os países para esta opção. Já as leis ambientais afetaram 11% dos empresários nacionais.

Ao falar sobre as dificuldades das empresas em encontrar funcionários qualificados, Alex MacBeath, líder global de serviços para empresas privadas da Grant Thornton International, lembrou que, apesar da explosão demográfica mundial e de cada vez mais gente ter acesso à educação, o problema de qualificação deve se agravar. "Os resultados da pesquisa mostram que as empresas de capital fechado estão trabalhando arduamente para conquistar e manter funcionários, mas há indícios de que o recrutamento seja um problema crescente."

Com relação à burocracia, além do Brasil, países como Polônia (63%), Tailândia (57%), Grécia (51%) e Itália (50%) também citaram este motivo como o maior problema para o crescimento da empresas. Já os países menos afetados pela burocracia são Canadá (9%), Suécia (10%), Estados Unidos e Grã-Bretanha (ambos com 11%).

Comparação entre 2007 e 2008 - Números do Brasil

  • Burocracia e regulamentações: 64% (2008) - 60% (2007)
  • Custos do financiamento - 43% (2008) - 36% (2007)
  • Falta de capital de giro - 40% (2008) - 32% (2007)
  • Dificuldade para contratar mão-de-obra: 37% (2008) - 23% (2007)
  • Falta de financiamento de longo prazo - 35% (2008) - 34% (2007)
  • Redução da demanda - 24% (2008) - 24% (2007)

Comparação entre 2007 e 2008 - Números globais

  • Dificuldade para contratar mão-de-obra: 37% (2008) - 34% (2007)
  • Burocracia e regulamentações: 31% (2008) - 37% (2007)
  • Redução da demanda - 29% (2008) - 25% (2007)
  • Custos do financiamento - 25% (2008) - 20% (2007)
  • Falta de capital de giro - 24% (2008) - 20% (2007)
  • Falta de financiamento de longo prazo - 20% (2008) - 17% (2007)

A Guerra Do Foro De São Paulo

por Ipojuca Pontes, site Diego Casagrande

Engana-se quem imaginar que a situação de guerra deflagrada na América Latina resulta apenas da ação militar desfechada na fronteira do Equador pelo exército colombiano, ocorrida no último sábado de fevereiro. Depois de exame mais acurado dos documentos encontrados no computador do terrorista Raúl Reys, no santuário fronteiriço das Farc, o governo da Colômbia não teve a menor dificuldade em concluir o que já sabia: Hugo Chávez, escorado nos bilhões de dólares provenientes do petróleo, é o principal financiador da escalada bélica que ameaça tomar conta do continente: só para as escaramuças terroristas das Farc o coronel venezuelano repassou US$ 300 milhões.
Desde que em meados de 1995 ingressou formalmente no Foro de São Paulo, entidade criada por Lula e Fidel Castro para “restabelecer na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu”, Hugo Chávez logo se integrou nos planos estratégicos da organização subversiva. De imediato aceitou, com entusiasmo, representar o papel de aríete dentro do esquema tramado para a implantação do “Socialismo do Século XXI”. Enquanto o barril de petróleo não ultrapassava a faixa dos US$ 30, Chávez limitava-se a exercitar os arreganhos da sanha totalitária em âmbito interno. Nesta fase, perseguiu em larga escala os políticos que lhe ofereciam resistência, tratou de fechar as portas das instituições venezuelanas livres e, o mais criminoso, armar um exército paralelo de bate-paus para massacrar a população adversa aos seus objetivos de ditador.

Mas quando o petróleo bandeou-se para a casa dos alarmantes US$ 100 o barril, o pretenso substituto de Fidel Castro logo recebeu sinal verde da liderança do Foro de São Paulo para atuar a todo vapor na expansão do esquema revolucionário no subcontinente. Em rápida escalada, ele investiu firme na ascensão do cocalero Morales, na Bolívia; impulsionou a subida ao poder de Rafael Correa, no Equador; o retorno de Daniel Ortega à presidência da Nicarágua - não deixando de colaborar, por sua vez, na reeleição do companheiro Lula e aliviar, como 500 milhões de dólares, a situação de insolvência financeira da Argentina do companheiro Kirchner. (Como diria Napoleão, para se fazer a guerra só são necessárias três coisas: dinheiro, dinheiro e dinheiro).

Mais do que isso, percebendo sinais receptivos dos companheiros do Foro, o atrevido coronel, tal como o seu mentor Fidel Castro na Crise dos Mísseis entre EUA e URRS, em outubro de 1962 , acelerou a corrida armamentista na AL. Numa só negociação, comprou por US$ 4 bilhões armas e material bélico sofisticado, de origem russa, entre os quais os Sukhoi Su-30, jatos destinados ao lançamento de mísseis e bombas radioativas.

Depois da morte de Raúl Reys e demais terroristas, mesmo cauteloso quanto à reação do mundo civilizado ante sua aliança com a organização envolvida com narcotráfico, seqüestros e assassinatos em massa, Chávez abriu o verbo contra o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia e, mais realista do que o rei, tratou de enviar tropas para bloquear a fronteira da Venezuela. Pretende com a medida, de pura força, reafirmar sua aliança com o terror das Farc, que tem em conta de “movimento insurgente com um projeto político respeitável” – a mesma visão do governo Lula, por sinal.

De imediato, os governos esquerdistas integrantes do Foro de São Paulo, entre eles Brasil, Cuba, Argentina, Chile, Bolívia, Nicarágua, etc., foram unânimes em condenar a ação militar da Colômbia. Nada mais previsível, pois um dos pontos consagrados da entidade subversiva diz respeito à mútua solidariedade entre os seus membros. Fidel Castro, por exemplo, um dos fundadores do Foro, apoiando a atuação das Farc, apressou-se em entoar as “trombetas da guerra” na América do Sul, sem deixar de apontar o “imperialismo ianque” como responsável pelo conflito que ele mesmo açulou.

O governo brasileiro, por sua vez, na qualidade de principal signatário do Foro de São Paulo, do qual as Farc também faz parte, condenou a atitude do governo Uribe e exigiu pedido de desculpas e o compromisso formal da Colômbia de não mais atacar o exército terrorista caso ele se instala de novo em território equatoriano.

Celso Amorim, o “chanceler vermelho”, assumindo completa parcialidade, afirmou que a “violação de território soberano é muito grave”, esquecendo de condenar as Farc e de esclarecer a denúncia da World-Check, abalizada empresa de consultoria voltada para o monitoramente de transações bélicas. Em seu informe eletrônico, a Worl-Check divulgou (e, depois, confirmou) o envio para a Venezuela de 31,5 toneladas de armas fabricadas no Brasil e transportadas por aviões da TAM para Caracas - quem sabe a serem repassadas por Chávez aos guerrilheiros de Manuel Marulanda, “El Tirofijo”, líder das Farc que, segundo o noticiário internacional, estaria refugiado em algum ponto do território equatoriano.

E na Venezuela? Bem, na Venezuela milhares de pessoas continuam aplaudindo a ação do governo Uribe, ao tempo em que repudiam a intromissão grosseira de Chávez nos negócios internos da Colômbia. Numa atitude de protesto, boa parte da população clama pelo fim dos infindáveis atos de virulência da guerrilha. Em carta endereçada ao Palácio de Nariño, em Bogotá, Peña Esclusa, um dos principais líderes da oposição venezuelana, felicitou o presidente da Colômbia e seu governo pelo êxito da operação militar, “ao abater destacados chefes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia”, responsáveis, também na Venezuela, por dezenas de seqüestros, torturas, assassinatos e crimes de extorsão.

No exame do conflito, depois de 48 horas de discussões acaloradas, a OEA, a organização voltada para negociar questões diplomáticas no âmbito dos Estados americanos, divulgou nota condenando a invasão territorial do Equador, mas não a ação militar da Colômbia, numa clara manifestação de neutralidade. Mas, não se enganem: por baixo do pano a guerra do Foro de São Paulo continua firme, a espera do momento certo para dar o bote em Uribe, último elo do continente com a democracia.

Igualdade na pobreza, desigualdade na riqueza

Carlos Alberto Sardenberg, O Globo

Renda e Bem estar ---

Imagine um país com dois habitantes e renda total de 10 moedas, dividida meio a meio. Desigualdade zero, perfeita distribuição.

Imagine agora um país com dois habitantes, mas com renda total de 30 moedas, sendo que o indivíduo A fica com 20 e o B com 10. A renda do rico é o dobro daquela do pobre, mas este certamente está melhor de vida do que os dois igualmente pobres do primeiro país.

Este é o ponto para ilustrar um debate bem atual, a crescente desigualdade de renda no capitalismo global. Trata-se de um fenômeno que apanha países já ricos, como os EUA, e nações em ascensão, como a China. No ano passado, 177 chineses compraram Ferraris zero km por não menos que US$ 300 mil, e isso em um país no qual um salário de 200 dólares/mês é bastante bom.

Enorme desigualdade - mas toda a população chinesa vive melhor hoje do que há 30 anos, quando, antes das reformas econômicas, havia uma ampla igualdade na pobreza. Desde a introdução do capitalismo, cerca de 600 milhões de chineses deixaram a linha da pobreza, processo que continua. Em outras palavras, a China desigual de hoje é melhor que a China igual do passado. Cuba é um exemplo, hoje, de igualdade na pobreza.

Mas há uma forma melhor ainda de avaliar a qualidade de vida. Trata-se de medir o consumo em vez da renda. Digamos que uma família tenha uma renda mensal de 100 moedas, estável durante alguns anos, enquanto a renda nacional cresce a 5% ao ano. Claro que, a cada ano, essa família torna-se mais pobre em relação à média da população.

Imagine, porém, que alimentos e bens de consumo tenham ficado cada vez mais baratos ao longo dos anos. Ou seja, com as mesmas 100 moedas aquela família pode comprar mais coisas e melhorar sua qualidade de vida. Pela medida da renda, terá piorado. Pela medida do consumo, terá melhorado.

Está aqui o fenômeno mais importante do capitalismo global de hoje. Durante décadas, a produção de alimentos esteve em alta e os preços em queda acentuada – fato que beneficiou diretamente os mais pobres, justamente a parcela da população que gasta parte maior de sua renda com alimentação.

Também aumentou a produção e despencaram os preços de bens de consumo essenciais para a qualidade de vida, como fogão, geladeira, televisão, telefones e, mais recentemente, celulares e computadores. De novo, isso beneficiou diretamente a parte mais pobre da população mundial que não tinha e passou a ter acesso àqueles bens.

Não faz muito tempo, uma linha de telefone não-comercial custava US$ 5 mil no Brasil e era, então, um sinal de desigualdade. Hoje, mais de 100 milhões de brasileiros utilizam celulares igualmente.

Pode haver aí uma desigualdade – o rico utilizando um aparelho de 2 mil dólares e o pobre com um modelinho usado de 50 reais. Há geladeiras de 30 mil reais e outras de menos de mil. Idem para aparelhos de televisão.

Mas ricos e pobres fazem as mesmas coisas, comunicam-se, preservam alimentos e vêem a Globo. Ou seja, a desigualdade maior estava no início do capitalismo, quando a diferença era ter ou não ter aquilo que melhora a vida.

Há desigualdade entre andar de Ferrari e de carro popular usado. Mas é bem menor do que ter ou não ter o carro, este acessível a um número cada vez maior de pessoas, em consequência de uma combinação de preço menor, maior renda e ampliação dos sistemas de financiamento.

A expansão do capitalismo trouxe ao mesmo tempo uma maior desigualdade de renda e uma maior igualdade material e, pois, de qualidade de vida. Claro que o ideal seria combinar as duas igualdades – Ferraris para todos! – mas como dizia Deng Xiaoping, é preciso que alguns enriqueçam. O sistema depende dos empreendedores que sabem ganhar dinheiro produzindo bens e serviços.

Vai daí que restam para o governo duas funções principais. A primeira e mais importante é criar um ambiente de negócios favorável ao empreendedor privado, condição necessária para o enriquecimento de uma nação. A segunda é fornecer educação e saúde básica, mas especialmente boa escola, que é a base da ascensão social e, pois, da redução das desigualdades. E escola boa não é como DVD, que fica cada vez mais barato. É cara – e essa é uma vantagem comparativa dos mais ricos.

Resumo: capitalismo e escola pública de qualidade.

Ministério do Trabalho lidera convênios irregulares, aponta CGU

Folha de São Paulo

Suspeito de privilegiar ONGs ligadas ao partido que preside, o PDT, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) comanda pasta que, proporcionalmente, possui o maior volume de recursos de convênios classificados como "inadimplentes" pelo governo federal, ou seja, com algum tipo de irregularidade na execução.

Levantamento feito pela CGU (Controladoria Geral da União) nos convênios entre ministérios e entidades da sociedade civil de 1999 a 2006 mostra que o Ministério do Trabalho tem R$ 31,8 milhões pendentes de regularização por várias razões, como falta de contrapartida financeira, prestação de contas ou execução do serviços por parte da entidade.

Isso representa 4,2% do orçamento de investimento e custeio gasto pelo ministério em 2007 -quase o dobro do observado nas pastas da Cultura e Meio Ambiente (2,5% cada um), na segunda posição.

O levantamento da CGU tem como data de "corte" o dia 6 de novembro (os valores podem ser outros hoje) e foi feito a pedido da CPI das ONGs. Os convênios com problemas foram feitos sobretudo por três centrais sindicais: Força Sindical, CUT e Associação Nacional dos Sindicatos Social Democratas.

A Força é presidida pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). A CUT teve entre seus presidentes o antecessor de Lupi no ministério, Luiz Marinho. As centrais são apontadas como não tendo efetuado a contrapartida financeira definida nos projetos de qualificação e reinserção do trabalhador no mercado entre 2000 e 2003. Os valores pendentes, disse a CGU, são: R$ 15,5 milhões no caso da Força; R$ 2,4 milhões no da CUT e R$ 12 milhões no da Social Democratas.

Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) em 2003 detectou uma série de irregularidades nos convênios, determinando revisões. Constatou-se, por exemplo, frouxidão na aprovação das contas.

"As centrais não esclareceram como e por que as executoras foram selecionadas, quem são seus responsáveis, se tinham porte compatível com os repasse, se possuíam instalações etc.", diz acórdão aprovado dia 9 de julho de 2003.Em seguida, a pasta nomeou uma comissão para reexaminar as contas. Em agosto de 2005, chegou às mesmas conclusões do TCU: as centrais deveriam ressarcir os cofres públicos. Em julho de 2006, nova investigação foi aberta e concluída já sob a gestão de Lupi. Dessa vez, isentou a Força e a CUT, argumentando que apenas o Social Democratas deve devolver R$ 6,8 milhões aos cofres públicos.

No caso da Força, o ministério aceita o argumento de que ela teria efetuado a contrapartida de R$ 15,5 milhões exigida com base em estimativas do que a central teria gasto com aluguéis e segurança, entre outros. "Após a visita [por amostragem] realizada por essa comissão a alguns sindicatos filiados à Força (...) foi possível constatar que realmente a entidade pode contar com os espaços físicos para a realização dos cursos", diz relatório da pasta.O documento ainda não foi enviado ao TCU, que em 2003 criticou o fato de o ministério ter aprovado as contas das centrais sem base documental.