Adelson Elias Vasconcellos
Há um artigo do Merval Pereira, no Globo (vejam abaixo), em que ele expõem uma explicação dada pelo Governador Eduardo Campos sobre o fato do ministro Fernando Bezerra, da Integração Nacional ter destinado 90% da verba destinada aos desastres naturais unicamente para Pernambuco, a exemplo do que seu antecessor, Geddel Vieira, já aprontara o mesmo mas em relação a Bahia.
A explicação não cola por um fato concreto: em 2011, não foi apenas Pernambuco quem sofreu com enchentes e suas consequências terríveis, como deslizamentos de encostas com vítimas fatais, destruição de pontes, estradas, deixando milhares ao desabrigo. Aliás, as consequências para o estado de Pernambuco, por mais terríveis que tenham sido, não superam os dramas vividos pelo Rio de Janeiro, por exemplo.
O que me parece interessante nesta discussão toda é que até o momento em que o Rio de Janeiro voltou a ficar em estado de alerta diante de novas calamidades e que, por conta disto se descobriu que os milhões enviados para o Estado para sua recuperação – região serrana principalmente – simplesmente sumiram no ralo sem contribuir com um único benefício em favor da população, o volume de recursos enviado para o estado do Ministro Bezerra esteve oculto da opinião pública. E como se tem repetido desde que Dilma assumiu o trono, certas revelações sobre desmandos de alguns ministros, tem muito mais cheiro de fritura vinda dos petistas com o propósito único de ocuparem maior espaço no poder. O que, por outro lado, não invalida que se critique as escolhas feitas pelo ministro que deveria da integração nacional mas que se converteu em integração estadual.
Portanto, a reação contra o ministro Fernando Bezerra é justificável já que o Brasil não se restringe apenas a Pernambuco e muitos outros estados sofreram até muito mais com calamidades do que o estado nordestino, tampouco se justifica que o desvio de milhões que deveriam ser destinados ao povo fluminense e foram para o bolso de quem não precisava, fiquem em segundo plano. Os dois casos são graves e revelam um desvio de rota por parte do governo federal que deveria ser mais prudente na distribuição e mais rigoroso na fiscalização.
O fato dele se justificar informando que a presidente autorizou os repasses também fica no vazio quando a Folha de São Paulo informa o favorecimento dado ao município em que o filho do ministro tem especial interesse político, como também, fica ainda pior quando se lê sobre a prática de fisiologismo. Claro que todos sabem que a repartição de verbas públicas nunca segue um roteiro racional. Regra geral, qualquer ministro procura priorizar seus estados de origem sempre com o olho gordo em futuras eleições. Mas, neste caso específico, o ministro Fernando Bezerra passou da conta. Não se pode usar politicamente verbas públicas destinadas a cobrir calamidades e desastres naturais como os que sofreram o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina em 2011.
Como, também, é injustificável a omissão do governo federal em relação ao investimento em prevenção que, como reportagem publicada nesta edição do site Contas Abertas demonstra, apontando que, em oito anos, o governo federal deixou de investir 2 bilhões em prevenção de desastres. Atenção: não se trata de falta de verbas, é dinheiro destinado em orçamento e que o governo petista simplesmente não aplicou. Se houvesse um programa minimamente elaborado e para o qual faltassem verbas para colocá-lo em ação, ainda vá lá. Mas se trata de verba com destinação específica que, ou deixou de ser aplicada por falta de projeto cuja elaboração é de responsabilidade do governo federal, ou foi simplesmente desviado para outra finalidade que não aquela programada em orçamento.
Como também é injustificável que governadores como Sérgio Cabral se escondam da população de seu Estado diante da grave acusação de desvio de dinheiro (e foram milhões) que o governo Dilma repassou em 2011, para cobrir os prejuízos que a região serrana sofreu com os temporais. Como mais injustificável ainda é o fato de que, nos municípios mais atingidos, praticamente nada tenha sido feito até hoje pelo governo do senhor Cabral.
Há uma enquete na página online da Folha de São Paulo em que se pergunta qual a notícia que gostaríamos de ler dentro de 30 anos. Diante do quadro degradante da ação dos políticos brasileiros, seria, sem dúvida, a de que nossos governantes passaram a governar com real espírito público, direcionando suas ações integralmente em benefício da população brasileira, e não, unicamente, em favor de si mesmos. O caso das prefeituras de região serrana jamais aconteceriam: todos os culpados, além de serem condenados a indenizarem o Estado, estariam presos cumprindo pena. Será que um dia ainda teremos o Brasil levado a sério pela classe política?









