segunda-feira, novembro 29, 2010

Após atrasos e cancelamentos, Anac suspende vendas da TAM até sexta

Solange Spigliatti - Central de Notícias/AE

Expectativa é que a situação esteja normalizada até quarta-feira; auditoria será feita em aeroportos para verificar se números encaminhados pela companhia condizem com situação atual


SÃO PAULO - Foi suspensa nesta segunda-feira, 29, a venda de bilhetes da companhia aérea TAM para todas as rotas domésticas com decolagem prevista até a próxima sexta-feira, dia 3 de dezembro. A expectativa é que a situação esteja normalizada até quarta-feira, do contrário, novas medidas serão adotadas.

A punição partiu da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) com a intenção de evitar a ampliação dos problemas para os passageiros, que começou na última sexta-feira, 26. A Anac identificou que a TAM está apresentando atrasos e cancelamentos acima da média do setor.

Inspetores da Anac já foram enviados para o centro de operações da companhia e para aeroportos de São Paulo para iniciar uma auditoria sobre os atrasos e cancelamentos dos últimos dias.

Segundo a Anac, no prazo estimado de uma semana, enquanto não for concluída a auditoria, também ficam suspensos todos os pedidos de acréscimos de voos na malha da TAM.

Desde agosto de 2010, a Anac está acompanhando semanalmente as escalas das tripulações das companhias aéreas, por meio de relatórios enviados pelas empresas. A auditoria na TAM visa verificar se os números encaminhados pela empresa condizem com a situação atual, uma vez que não eram previstos problemas com a carga horária dos tripulantes informada pela companhia.

Cancelamentos. A companhia aérea TAM teve 46 dos seus 364 voos domésticos programados para esta segunda-feira cancelados, informa a Infraero. A companhia também teve pelo menos 79 voos com mais de meia hora de atraso até as 12h de hoje.

Nos voos internacionais, não houve nenhum cancelamento.

Em nota, a TAM aponta as chuvas que ocorreram entre a noite de quinta-feira, 25, e a madrugada de sexta-feira, 26, na região sudeste como causa dos problemas. A empresa diz que os atrasos e cancelamentos são decorrência de remanejamentos na malha aérea.

Recomeçou o inferno: Passageiros da TAM voltam a enfrentar problemas nesta 2ª

Adriana Caitano, Com reportagem de Ana Clara Costa, Veja online

Companhia responde pela maioria dos voos cancelados e atrasados no país

Passageiros que viajariam pela TAM neste domingo enfrentaram cancelamentos
e longas filas no aeroporto de Congonhas
(Silvia Zamboni/Folhapress)

Após um domingo de confusão nos aeroportos provocado pelos atrasos e cancelamentos de voos da companhia aérea TAM, a segunda-feira começa com novos problemas para os passageiros da empresa. Da meia-noite até as 10 horas, 57 voos da companhia tinham atrasos superiores a meia hora. O número corresponde a 62% do total de voos atrasados em todo o país. Já as partidas canceladas chegavam a 28, ou seja, 68% do total de cancelamentos registrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

Por meio de nota oficial divulgada no domingo, a TAM atribuiu os problemas deste fim de semana às chuvas que atingiram o Sudeste na noite de quinta-feira, "o que prejudicou a malha aérea e a escala da tripulação". Nos principais aeroportos do país, passageiros irritaram-se com atrasos e cancelamentos e muitos tiveram que voltar para casa. "Todas as companhias sofreram atrasos pelo efeito meteorológico. Nossa malha, no entanto, é mais complexa, pois temos um número e complexidade de voos internacionais muito maiores do que os de qualquer concorrente, sendo que as malhas internacional e doméstica são muito interligadas. A TAM tem também maiores números de voos domésticos no fim de semana", justificou a assessoria da empresa ao site de VEJA.

De acordo com funcionários do setor, a TAM é uma das empresas com mais problemas nas escalas e na excessiva carga horária de tripulantes. Apesar de a companhia não confirmar, fontes ouvidas pelo site de VEJA afirmam que ela se aproxima de um caos que poderá afetar os voos no período das festas de fim de ano. Há uma semana, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou medidas para evitar novos problemas nos aeroportos em dezembro, quando aumenta o fluxo de passageiros. Uma das ações foi a proibição do overbooking e a exigência de que as empresas aumentassem as contratações.

Paralisação - Ainda que estejam estudando a possibilidade de fazeruma greve ainda este ano, os funcionários não foram os responsáveis pelos voos atrasados, segundo o Sindicato do Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea). A Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), representante de aeroviários (que atuam nos aeroportos, como os atendentes, e os que organizam as bagagens) e aeronautas (que trabalham nos voos, como comissários de bordos, pilotos e co-pilotos), organiza assembleias para esta semana em que a categoria vai decidir sobre a proposta de reajuste salarial apresentada pelas empresas na semana passada.

Na última terça-feira, os funcionários fizeram manifestações em aeroportos de todo o país. Eles reivindicam reajuste de 15% no salário, melhores condições de trabalho e adaptação das jornadas. Na quarta, os sindicatos se reuniram com as companhias, que ofereceram ajuste proporcional à inflação e mudança da data-base (prazo para a reposição das perdas salariais da categoria nos últimos doze meses) de 1º de dezembro deste ano para 1º de abril de 2011. A proposta será analisada nas assembleias.

Cada vez mais cheios, aeroportos de SP têm problemas de refrigeração

Vanessa Correa, Folha de São Paulo


"Aqui já teve gente que desmaiou com o calor", diz a funcionária do restaurante Frontier Bier, no saguão do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, enquanto clientes pediam água para se refrescar.

Ontem à tarde, a sensação no terminal de passageiros era de abafamento, situação que se repete com mais frequência à medida que cresce o movimento dos aeroportos.

O aumento de viajantes deve ser de 20% entre o período de festas de 2009 e 2010, segundo projeção da Associação Brasileira de Agências de Viagem.

Nos maiores aeroportos paulistas, as melhorias na refrigeração não acompanham a temperatura.

Tanto Congonhas quanto Cumbica, o aeroporto internacional de Guarulhos, têm problemas no sistema de ar-condicionado.

No primeiro, falta ar fresco no saguão e na área de desembarque. A Infraero (estatal que administra os aeroportos) diz que a instalação "de um sistema de ar-condicionado está inserida no projeto de reforma e adequação do prédio central".

No segundo, a refrigeração chega às áreas de circulação comum, mas é ruim em lojas distantes do sistema central.

Ainda assim, a Infraero diz que Cumbica possui "unidades resfriadoras modernas dimensionadas para atender aos terminais de passageiros 1 e 2 e demais setores do complexo aeroportuário".

E que, quando há reclamações, a averiguação por medição técnica do ambiente constata que não há problemas de temperatura.

O funcionário de uma loja de material fotográfico, bastante quente na tarde de quinta-feira, diz que não enxerga essa situação de normalidade. A temperatura ali, relata, não costuma cair abaixo de 28ºC.

Remendo áereo

Hugo Marques e Bruna Cavalcanti , Revista IstoÉ

Pacote da Anac para diminuir a confusão prevista para os aeroportos no final de ano pode ter vindo tarde demais. Permanece o fantasma do apagão

DESRESPEITO
Autoridades temem que se repitam os problemas do apagão de 2006

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está sentindo um cheiro de caos no ar. A ameaça de greve de aeronautas e aeroviários e a animação das companhias aéreas com o notável crescimento das vendas de passagens este ano são prenúncio de confusão. Em dezembro de 2006, ano em que a aviação brasileira registrou 102 milhões de passageiros, o País conheceu o que passou a chamar de “apagão aéreo” – multidões se espremendo nos saguões dos aeroportos, gente dormindo pelos cantos, um sem-número de voos cancelados e uma coleção de desrespeitos ao consumidor. De lá para cá, não houve melhorias significativas nos aeroportos do País, mas o movimento aumentou. Este ano, o número de passageiros deve saltar para 153 milhões. Só em dezembro, 14 milhões de pessoas tentarão embarcar nos aeroportos do País. A proximidade das festas de fim de ano e a pressão dos aeronautas fizeram acender o sinal vermelho para a Anac, que começou a se movimentar para evitar a reprise do apagão. A dúvida é se faz isto a tempo.

Na segunda-feira 22, a Anac convocou uma reunião com representantes das empresas aéreas, Polícia Federal, Receita e Departamento de Controle Aéreo, para discutir um plano antiapagão. “Reunimos o setor para que todos estejam preparados e tudo transcorra com tranquilidade”, disse à ISTOÉ a presidente da agência, Solange Vieira. Várias medidas foram anunciadas, entre elas a proibição, entre 17 de dezembro e 3 de janeiro, do overbooking, a prática de comercializar mais bilhetes que o número de assentos. Mas como na vida real boa parte das vendas de passagens para o Natal e o Ano-Novo já ocorreu, não é possível avaliar o alcance da determinação. As empresas também se comprometeram com a Anac a reacomodar os passageiros em caso de cancelamento de voo. “O resultado da reunião foi bastante positivo e estamos preparados para atender à demanda”, promete o diretor de relações institucionais da Gol, Alberto Fajerman. Já o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, José Márcio Mollo, se mostra menos otimista e admite que o maior risco de apagão está nos aeroportos de São Paulo. “Congonhas chegou ao limite, Guarulhos estourou o limite e não estamos vendo a Infraero fazer nada”, critica Mollo. Para piorar este cenário, os 85 mil funcionários do setor ameaçam entrar em greve nas próximas semanas, reivindicando 30% de aumento salarial.



O gargalo nos aeroportos brasileiros não é segredo para ninguém. “A infraestrutura deles é um desastre, uma vergonha” , disse na semana passada o diretor-geral da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), Giovanni Bisignani. Ele está preocupado com a falta de investimentos que ainda pode atrapalhar a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. “Não vejo progressos e o tempo está passando”, afirmou Bisignani. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, minimizou a crítica, que classifica como mera “manifestação do setor comercial”. Segundo Jobim, a “visão terrorista estabelecida pela Iata” é irreal. Os ministros do Esporte, Orlando Silva, e do Turismo, Luiz Barretto, endossaram, porém, as declarações da Iata. “A Infraero terá que mudar completamente sob pena de oferecer constrangimentos durante o Mundial”, disse Orlando Silva. E há mudanças à vista. Uma das primeiras medidas da presidente eleita, Dilma Rousseff, deverá ser a abertura do capital da Infraero. Dilma apostaria na capitalização da estatal como uma forma de obter recursos para a ampliação e modernização dos aeroportos. A tendência é de que Dilma, ao mesmo tempo, retire do Ministério da Defesa toda a parte civil da área de aviação, criando uma secretaria especial subordinada diretamente à Presidência.