Adelson Elias Vasconcellos.
O ex-ministro Márcio Thomaz Bastos perdeu: a tese de caixa 2 foi, FRAGOROSAMENTE, derrotada, e os recursos utilizados eram públicos.
O ex-presidente Luiz Inácio perdeu, porque o Supremo Tribunal Federal decidiu que o MENSALÃO existiu, foi bancado com dinheiro do Banco do Brasil e da Câmara de Deputados, e os protagonistas do esquema foram e são próceres dirigentes do seu partido. Não se trata de nenhum esquema inventado nem pela imprensa tampouco pela oposição.
A imprensa chapa branca bancada com dinheiro público e das estatais perdeu, porque o devido processo legal foi respeitado pela Corte Máxima do Judiciário brasileiro, e ele mandou um recado muito claro: a nenhum servidor público, tenha ele o cargo que tiver, tem o direito de atentar contra as leis do país, contra as instituições, contra os valores mais sagrados da nossa democracia.
Portanto, e muito embora ainda estejamos na parte inicial do julgamento, é possível vislumbrar que ele será perfeitamente técnico, alicerçado nas provas constantes dos autos, colhidas de forma legítima. Julgamento político, até agora, foram apenas os votos proferidos por Lewandovski e Dias Toffoli, os únicos que resolveram absolver João Paulo Cunha, apesar de todas as provas, evidências, indícios, perícias e auditorias, além das mentiras contadas pelo ex-réu, agora condenado por lavagem de dinheiro, peculato e corrupção passiva.
Assim, quem ganha com estes resultados iniciais é o país, são as instituições, é o estado de direito, é a democracia. E o resultado endereça à todos os que manuseiam direta e indiretamente com dinheiro público, que exercem pouca ou muita autoridade na estrutura de Estado do país, que nem tudo lhes é permitido. Há limites que um país civilizado impõe a todos eles, até para ser cafajeste.
Portanto, Senhor Lula, seu governo estará definitivamente marcado pela história, como aquele que promoveu o maior escândalo político da nossa República. E, mesmo que o ex-presidente não tenha sido arrolado como réu, e deveria conforme já ficou aqui provado, esta selado de forma indiscutível: a condenação, a de governo corrupto, talvez tenha sido muito maior do que todas as condenações e punições que a lei prevê para aqueles que ela condena por infringir a lei.
Sua delinquência, aqui, encontra seu ponto final. Doravante, será visto e apontado como o presidente do mensalão, aquele esquema montado e desenvolvido de forma corrupta, para subverter as leis e as instituições, na qual o Congresso foi capitulado de forma criminosa pelo governo petista comandado por Luiz Inácio Lula da Silva. Se conseguiu manter-se longe do tribunal e da devida prestação de seus atos no crime de responsabilidade, a História não lhe perdoará o tamanho desta responsabilidade criminosa. A isto se chama de lei de retorno, porque, senhor Lula, se a semeadura é livre, a colheita, não há como negar nem como fugir, é OBRIGATÓRIA. E é nos registros da História que o senhor Luiz Inácio colherá os frutos do golpe delituoso, delinquente, criminoso, despótico que tentou dar ao regime democrático brasileiro.
Se o Brasil terá aprendido a lição de que uma civilização só sobrevive pela exata submissão por todos ao regime de leis democráticas, isto somente o tempo dirá. Mas o recado foi dado: a sociedade brasileira não admite mais ser governada a qualquer preço, subvertendo seus códigos de leis, suas instituições. Para se ter progresso, acima de tudo, há que se ter ORDEM, ordem legal calcada em legitimidade de valores e de moralidade. Que a classe política não se demore muito no aprendizado e aceite o real papel que lhe cabe representar. Do contrário, acabará sendo julgada e condenada, seja por esta ordem legal, seja pela própria sociedade, seja, em suma, pela nossa história.
Assim, esperamos que o pensamento do ministro Celso Mello, ao proclamar seu voto sobre a primeira parte do julgamento, que culminou com a condenação de João Paulo Cunha, Henrique Pizzolato, Marcos Valério e seus sócios, fique bem registrada na memória de todos:
"Agentes públicos que se deixam corromper são corruptos. Profanadores da República. Delinquentes da ética do poder."

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