Comentando a Notícia
Por Thais Arbex, na VEJA Online. Comentaremos em seguida:
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Condenado por três crimes, João Paulo desiste de candidatura à Prefeitura de Osasco
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participar do mensalão, o deputado João Paulo Cunha comunicou ao PT a decisão de retirar sua candidatura à prefeitura de Osasco, na Grande São Paulo. O vice de sua chapa, Jorge Lapas (PT), ex-secretário municipal de Governo, assumirá a candidatura.
Ainda que predomine a avaliação que a candidatura de Jorge Lapas não terá tempo hábil para ganhar musculatura, os petistas pressionaram o deputado para que ele abandonasse a disputa. A avaliação é que o desgaste pela condenação por corrupção inviabilizou sua permanência nas eleições e que ele seria bombardeado na propaganda de rádio e TV – além, é claro, da incerteza sobre sua possível prisão ao término do julgamento do mensalão.
Além disso, João Paulo foi orientado por dirigentes do PT a se dedicar, a partir de agora, à tentativa de manter seu mandato de deputado federal na Câmara. Ele deverá enfrentar processo de cassação em Brasília tão logo os trâmites judiciários da ação penal acabem, possivelmente só em 2013.
Não será a primeira vez que ele terá de lutar para não ser defenestrado do Congresso: em 2006, livrou-se da cassação por apenas um voto no plenário após sucessivas tentativas de acordo com a oposição.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
No parágrafo final temos a informação de que, em 2006, escapou da cassação na bacia das almas, e, que se registre: não tinha naquele ano o PT bancada tão numerosa quanto a de hoje, tampouco, a base governista no parlamento gozava da maioria atual.
Claro que em 2006, João Cunha ainda era um suposto alvo. Um ano depois, é que a denúncia oferecida pela Procuradoria da República acabou aceita pelo STF e o petista tornou-se réu. Agora, de suposto, de réu, passou a desfrutar da condição de condenado, e por três crimes. Foi considerado culpado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro.
Pergunta-se: haverá condições de, no Congresso, João Paulo Cunha salvar seu mandato? Terá a Câmara de Deputados a pretensão de praticar esta afronta ao Poder Judiciário e também à sociedade, mantendo na casa, um parlamentar condenado e que pode culminar esta condenação em prisão? Claro que o melhor para o petista, e também para a instituição, seria a renúncia ao mandato. Isto pouparia a todos do constrangimento da abertura de um processo de cassação que, muito embora nossos parlamentares sejam muito chegados a uma pizzaria, não acredito que teriam coragem de avançar o sinal.
Portanto, ao invés dos dirigentes petistas aconselharem João Paulo Cunha tentar salvar seu mandato, melhor fariam se o aconselhassem à renúncia. Neste caso, apenas o político João Paulo Cunha perderia, e não o partido, que teria de conviver perante a opinião pública com um parlamentar de sua sigla gozando de um mandato tendo sido condenado pelo STF. Entendo que o prejuízo seria muito menor.
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