Adelson Elias Vasconcellos
A cada dia, Dilma sapiens quanto mais afina a silhueta, mais insustentável fica como “presidenta”!!!
A gente lê e ouve as opiniões e análises dos governistas e, se não tomada a precaução de se informar melhor, tem-se a impressão de que o Brasil vai bem, obrigado, que a crise econômica é coisinha passageira, que a crise política é fruto de uma direita raivosa e uma imprensa golpista. Como se tem, ainda, a impressão de que a situação de dificuldades pela qual passa o Brasil só não melhora por culpa da oposição.
Ora, vamos por as coisas em seus devidos lugares. O governo do PT está no poder há 12 anos e meio. Assim, a velha desculpa da tal “herança maldita” – porca e tão verdadeira quanto uma nota de R$ 3,00 – já não cola mais. Na eleição passada, o povo brasileiro escolheu Dilma para presidente e a oposição – vejam que coisa curiosa – justamente para ser oposição.. Não é papel das oposições apresentar soluções para debelar crises que, afinal de contas, ela não contribui para se instalarem. Quem foi reeleita para tanto foi a senhora Rousseff. Foi eleita para governar o presente, não o passado, e nesta tarefa se inclui resolver crises. Ou ela pensava que nada disso viria com o pacote enrolado na faixa presidencial!?
Da mesma forma, não cabe a um Legislativo independente de um país democrático dizer “amém” para todas as vontades, caprichos, pacotes e projetos do Executivo, muito embora, durante 12 anos esta tenha sido a tônica. Claro que esta subserviência do Legislativo na era petista foi bancada a peso de muita corrupção. Mensalão, petrolão e eletrolão estão aí a demonstrar que a tal base aliada não passava de um arremedo de quadrilha ávida em assaltar os cofres públicos.
Mas a grande verdade é que a situação do país, sob qualquer ponto de vista, é bastante grave. Não levar a sério as crises instaladas, não considerar como prioritário o ajuste das contas, não reduzir drasticamente as despesas correntes do governo federal, não reduzir a superestrutura ministerial tão inútil quanto dispendiosa, é tentar jogar mais combustível na fogueira em chamas bem altas. É condenar, por fim, que o país sofra por longo tempo as dores de uma recessão.
Quando ouvimos a senhora presidente discursar, é possível perceber que Dilma ainda não se convenceu tanto da gravidade, principalmente da crise econômica, quanto ainda não percebeu que chegamos a tal situação por conta de suas escolhas, de seus erros, de sua incompetência. O diagnóstico que ela faz é sobre outro país que imagina em suas fantasias existir, mas que dista quilômetros de distância do Brasil real. Enquanto não reconhecer seus erros e desculpar-se pela campanha esquizofrênica que realizou em 2014, não há a menor chance dela se aproximar de modo franco e simpático da opinião pública que a rejeita em 71%. Sua aprovação desceu abaixo até da inflação que seu governo produziu.
Só esta pesquisa de opinião já seria suficiente para a governanta sapiens refletir sobre si mesma, seus atos e escolhas. Dilma fala em diálogo, chama a base aliada na Câmara, no Senado, tenta se aconchegar com movimentos (?) sociais, chama governadores, até acena para oposição. Contudo, é a primeira a se fechar em copas e dar ouvidos apenas à própria voz. Não oferece absolutamente nada em troca, nem uma reforminha de sua estrutura presidencial mastodôntica, insistindo e cobrando obediência às suas vontades.
Projetos de governo? Esqueçam, ela não os têm, como não os tinha na campanha eleitoral. Dilma sapiens está aferrada apenas em se manter no poder a qualquer preço, e muito embora haja uma constituição e um compêndio de leis em pleno vigor, instrumentos nos quais ela pode ser enquadrada para responder a um processo de impedimento, qualquer um que fale impeachment é tido e havido como golpista. Golpe, minha senhora, é infringir os postulados legais do país e não querer responder pela infração.
De outro lado, o discurso de que foi eleita legitimamente não passa de pura retórica. Como lhe respondeu Collor, ele também foi eleito legitimamente, nem por isso deixou de ser enquadrado e deposto pelas vias legais. Claro que a deposição precisa seguir os ditames legais, mas o mesmo povo que lhe consagrou o voto, hoje a rejeita como nunca antes outro presidente brasileiro fora rejeitado, pelo menos os eleitos democraticamente.
Infelizmente, Dilma nada tem a oferecer ao país para que possamos sair da beira do abismo. Isto está bem evidenciado neste primeiro semestre do segundo reinado. Muito embora a silhueta da senhora Dilma sapiens esteja mais fina, parece que, na medida em que perdeu alguns quilos, perdeu também a capacidade de raciocínio. Vive confundindo legalidade com legitimidade, autoridade com autoritarismo, desenvolvimento com bagunça nas contas públicas.
No início do ano, entendia que não havia clima político para a deposição da senhora Dilma sapiens, muito embora houvesse indícios de que sua campanha fora abastecida com recursos ilícitos e as pedaladas fiscais houvessem ultrapassado os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Contudo, sou obrigado a rever aquela posição, por ficar claro que falta à Dilma a liderança capaz de tirar o Brasil do sufoco, seja pela lado político seja pelo econômico. É imensa a sua dificuldade em fazer concessões, em dialogar e aceitar ideias contrárias, em rever conceitos, em assumir posições de desprendimento de sua autoridade. Nenhum governante consegue avançar com este perfil irascível e arrogante, não em política de uma nação democrática. Falta a senhora Rousseff gabarito para oferecer ao país soluções para seus desafios e dificuldades.
Ou Dilma sapiens desce de seu pedestal e, rente ao chão, começa a se dar conta da realidade que a cerca, ou acabará sendo rendida de seu mandato. E rendida, diga-se bem , seguindo-se sempre os instrumentos legais existentes. Pelo seu jeito de ser, pode até tornar mais leve a silhueta, mas se tornará um peso mórbido para o futuro do país. Seu raio de ação ficou limitadíssimo, e se nada significativamente mudar este cenário, não terá ambiente necessário para tirar o Brasil da beira do abismo. Até seu próprio partido não lhe atende mais, o que se esperar então da oposição. E, como sempre se disse, se a semeadura é livre, a colheita é obrigatória. Dilma sapiens colhe de si mesma a própria herança que construiu.
Pacote engana trouxa
Em pomposa solenidade no Planalto, Dilma anunciou com aquele ar majestoso que caracteriza os medíocres, um pacote de investimentos para o setor elétrico. E não deixou por menos, foi logo empurrando goela abaixo da opinião pública a promessa de investimentos de R$ 186 bilhões. E, é bem provável, a campanha marqueteira do João Santana já deve estar prontinha para sair do forno.
E por que chamo o programa de pacote engana trouxas? Simples. Trata-se de um elenco de projetos já costurados em pacotes anteriores, os tais PACs com suas múltiplas versões (os quais foram podados em mais de 30%, só em 2015). Mais: até o final de seu mandato, Dilma pretende executar R$ 80 bi. O restante está prometido para depois que ela deixar o governo. Ou seja, o PT não se contenta em desgovernar o Brasil por 16 anos, quer impor sua agenda até sobre governos de quem nem se sabe ainda quem serão eleitos.
Além disto, diz o tal pacote que boa parte dos investimentos será em geração de energia. Ok, já combinaram com os russos? Se fossem projetos novos (e não são), antes mesmo de ser concedida a primeira de três licenças ambientais, o mandato da soberana já terá se esgotado e sem direito a um terceiro mandato.
Durante o discurso, Dilma Sapiens afirmou lamentar o reajuste gigantesco aplicado sobre as contas de energia que vem pesando no bolso dos consumidores. Lamentar, senhora presidente? Cadê sua autocrítica? A senhora primeiro deveria é reconhecer seu erro quando interviu de maneira destrambelhada no setor elétrico, em 2013, para anunciar uma redução eleitoreira que custou ao país e aos brasileiros mais de R$ 60 bilhões. Uma vez reconhecido sua descomunal derrapada, em cadeia de rádio e televisão deveria era nos pedir desculpas por sua incompetência ter nos custado tão caro.
A cada dia, Dilma sapiens quanto mais afina a silhueta, mais insustentável fica como “presidenta”!!!







