Da Redação
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Presidente afirmou, em lançamento do pacote de energia, que Brasil não tem crise no setor e que conta de luz mais cara é 'necessária' para manter emprego
(Evaristo Sá/AFP)
Dilma Rousseff: setor elétrico não está em crise
No ano em que o preço da energia sobe quase 30% devido à falta de capacidade de geração e transmissão de energia, a presidente Dilma Rousseff reafirmou que o Brasil não atravessa nenhuma "crise no setor elétrico". Dilma rechaçou a crise no discurso em que anunciou um pacote de 186 bilhões de reais em investimentos no setor elétrico. "Não temos nenhuma crise no setor elétrico, de maneira alguma", afirmou. Em 'dilmês' castiço, a presidente disse que o país passa por um "período momentâneo de dificuldades".
A razão que justifica a 'não crise', diz Dilma, é o funcionamento das termelétricas, que a presidente disse terem sido construídas nos governos petistas. "Nós construímos termelétricas. Se não tivéssemos construído termoelétricas, teríamos tido um brutal racionamento. Não tivemos racionamento porque quando falta água, a gente liga as térmicas. Nesse sábado passado começamos a desligar as termelétricas. Isso vai produzir uma progressiva diminuição da bandeira vermelha, e, portanto, uma redução no preço da energia", disse a jornalistas. Apesar de os investimentos em térmicas terem sido intensificados nos governos petistas, as termelétricas começaram a ser construídas em 2000, após o período de racionamento no governo Fernando Henrique Cardoso.
Muito diferente do discurso de 2012, em que a presidente afirmou que o preço da conta de luz ficaria mais barato para todos, Dilma tentou explicar por que ´"é preciso" pagar mais, hoje. "Agora, todo mundo sabe de uma coisa: entre faltar energia e ter energia é melhor pagar um pouco mais para ter energia, porque o preço da falta de energia é imenso em emprego, em renda, em dificuldade da empresa. Garantir que haja energia de qualidade, mais limpa, segura e mais barata para o país é fundamental pra todos nós."
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Negar que haja crise no setor elétrico é lamentável. No fundo, só não temos apagões seguidos por conta não de gestão responsável no setor, mas apenas porque o Brasil desacelerou sua economia durante o primeiro mandato de Dilma, o que provocou menor consumo de energia. A título de informação, a soberana conseguiu a proeza de ser pior que Collor na média de crescimento anual do PIB. E isto explica a sua visão distorcida sobre uma crise que ela própria criou mas que não consegue enxergar.
Crescesse o país à média histórica entre 4 a 5% ao ano, e viveríamos às escuras.
Quanto a ser a tarifa "mais cara para manter o emprego" não passa de lorota. A tarifa ficou mais cara por outras razões. Primeiro, que ao intervir de modo catastrófico no setor, Dilma o fez no período de baixa dos reservatórios, obrigando a utilização da capacidade máxima das termelétricas, mais caras e mais caras poluentes. Depois, como a governanta, com seu pacote sinistro, reduziu a rentabilidade das concessionárias, estas tiveram que suportar um rombo bilionário, logo repassado para as tarifas dado que o Tesouro não tinha mais como bancar o desastre. E estes fatores não tinham nada a ver com emprego.
A senhora Rousseff deveria respeitar um pouco mais a inteligência dos brasileiros e parar de mentir em palanques.
Até porque, se não houvesse crise no setor, por que razão seu governo já aplicou um tarifaço descomunal nas tarifas e está em vias de aplicar outro, além de haver adotado as tais "bandeiras tarifárias" as quais, um mês depois de entrarem em vigor, foram reajustadas em 100% ? .
