quarta-feira, agosto 12, 2015

A insustentável leveza de Dilma sapiens

Adelson Elias Vasconcellos

A cada dia, Dilma sapiens quanto mais afina a silhueta, mais insustentável fica como “presidenta”!!!  


A gente lê e ouve as opiniões e análises dos governistas e, se não tomada   a precaução de se informar melhor, tem-se a impressão de que o Brasil vai bem, obrigado, que a crise econômica é coisinha passageira,  que a crise política é fruto de uma direita raivosa e uma imprensa golpista. Como se tem, ainda, a impressão de que a situação de dificuldades pela qual passa o Brasil  só não melhora por culpa da oposição.

Ora, vamos por as coisas em seus devidos lugares.  O governo do PT está no poder há 12 anos e meio. Assim, a velha desculpa da tal “herança maldita”  – porca e tão verdadeira quanto uma nota de R$ 3,00 – já não cola mais. Na eleição passada, o povo brasileiro escolheu Dilma para presidente e a oposição – vejam que coisa curiosa – justamente para ser oposição..  Não é papel das oposições apresentar soluções para debelar crises que, afinal de contas, ela não contribui para se instalarem. Quem foi reeleita para tanto foi a senhora Rousseff.  Foi eleita para governar o presente, não o passado, e nesta tarefa se inclui resolver crises. Ou ela pensava que nada disso viria com o pacote enrolado na faixa presidencial!?

Da mesma forma, não cabe a um Legislativo independente de um país democrático dizer “amém” para todas as vontades, caprichos, pacotes e projetos do Executivo, muito embora, durante 12 anos esta tenha sido a tônica. Claro que esta subserviência do Legislativo na era petista  foi  bancada a peso de muita corrupção.  Mensalão,  petrolão e  eletrolão  estão aí a demonstrar que a tal base aliada não passava de um arremedo de quadrilha ávida em assaltar os cofres públicos. 

Mas a grande verdade é que a situação do país, sob qualquer ponto de vista, é bastante grave.  Não levar a sério as crises instaladas, não considerar como prioritário o ajuste das contas, não reduzir drasticamente as despesas correntes do governo federal, não reduzir a superestrutura  ministerial tão inútil quanto dispendiosa, é tentar jogar mais combustível na fogueira em chamas bem altas. É condenar, por fim, que o país sofra por longo tempo as dores de uma recessão.

Quando ouvimos a senhora presidente discursar,  é possível perceber que Dilma ainda não se convenceu tanto da gravidade, principalmente da crise econômica, quanto ainda não percebeu que chegamos a tal situação por conta de suas escolhas, de seus erros, de sua incompetência.  O diagnóstico que ela faz é sobre outro país que imagina em suas fantasias existir, mas que dista quilômetros de distância do Brasil real.  Enquanto não reconhecer seus erros e desculpar-se pela campanha esquizofrênica que realizou em 2014, não há a menor chance dela se aproximar de modo franco e simpático da opinião pública que a rejeita em 71%. Sua aprovação desceu abaixo até da inflação que seu governo produziu.

Só esta pesquisa de opinião já seria suficiente para a governanta sapiens refletir sobre si mesma, seus atos e escolhas. Dilma fala em diálogo, chama a base aliada na Câmara, no Senado, tenta se aconchegar  com movimentos (?) sociais, chama governadores, até acena para oposição. Contudo, é a primeira a se fechar em copas e dar ouvidos apenas à própria voz. Não oferece absolutamente nada em troca, nem uma reforminha de sua estrutura presidencial mastodôntica, insistindo e cobrando obediência às suas vontades. 

Projetos de governo?  Esqueçam, ela não os têm, como não os tinha na campanha eleitoral. Dilma sapiens está aferrada apenas em se manter no poder a qualquer preço, e muito embora haja uma constituição e um compêndio de leis  em pleno vigor, instrumentos nos quais ela pode ser enquadrada para responder a um processo de impedimento, qualquer um que fale impeachment é tido e havido como golpista. Golpe, minha senhora, é infringir os postulados legais do país e não querer responder pela infração. 

De outro lado, o discurso de que foi eleita legitimamente não passa de pura retórica. Como lhe respondeu Collor, ele também foi eleito legitimamente, nem por isso deixou de ser enquadrado e deposto pelas vias legais.  Claro que a deposição precisa seguir os ditames legais, mas o mesmo povo que lhe consagrou o voto, hoje a rejeita  como nunca antes outro presidente brasileiro fora rejeitado, pelo menos os eleitos democraticamente. 

Infelizmente, Dilma nada tem a oferecer ao país para que possamos sair da beira do abismo.  Isto está bem evidenciado neste primeiro semestre do segundo reinado. Muito embora a silhueta da senhora Dilma sapiens esteja mais fina, parece que, na medida em que perdeu  alguns quilos, perdeu também a capacidade de raciocínio. Vive confundindo legalidade com legitimidade, autoridade com autoritarismo, desenvolvimento com bagunça nas contas públicas.

No início do ano, entendia que não havia clima político para a deposição da senhora Dilma sapiens, muito embora houvesse indícios de que sua campanha fora abastecida com recursos ilícitos e as pedaladas fiscais houvessem  ultrapassado os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. 

Contudo, sou obrigado a rever aquela posição, por ficar claro que falta à Dilma a liderança capaz   de tirar o Brasil do sufoco, seja pela lado político seja pelo econômico. É imensa a sua dificuldade em fazer concessões, em dialogar e aceitar ideias contrárias,  em rever conceitos, em assumir posições de desprendimento de sua autoridade.  Nenhum governante consegue avançar com este perfil irascível e arrogante, não em política de uma nação democrática.  Falta a senhora Rousseff gabarito para oferecer ao país soluções para seus desafios e dificuldades.

Ou Dilma sapiens desce de seu pedestal e, rente ao chão, começa a se dar conta da realidade que a cerca, ou acabará sendo rendida de seu mandato. E rendida, diga-se bem , seguindo-se sempre os instrumentos legais existentes. Pelo seu jeito de ser, pode até tornar mais leve a silhueta, mas se tornará um peso mórbido para o futuro do país.  Seu raio de ação ficou limitadíssimo, e se nada significativamente mudar este cenário,  não terá ambiente necessário para tirar o Brasil da beira do abismo. Até seu próprio partido não lhe atende mais, o que se esperar então da oposição.  E, como sempre se disse, se a semeadura é livre, a colheita é obrigatória. Dilma sapiens colhe de si mesma a própria herança que construiu. 

Pacote engana trouxa
Em pomposa solenidade no Planalto, Dilma anunciou com aquele ar majestoso que caracteriza os medíocres,  um pacote de investimentos para o setor elétrico. E não deixou por menos, foi logo empurrando goela abaixo da opinião pública a promessa de investimentos de R$ 186 bilhões.  E, é bem provável, a campanha marqueteira do João Santana já deve estar prontinha para sair do forno. 

E por que chamo o programa de pacote engana trouxas? Simples. Trata-se de um elenco de projetos já costurados em pacotes anteriores, os tais PACs com suas múltiplas versões (os quais foram podados em mais de 30%, só em 2015).  Mais: até o final de seu mandato,  Dilma pretende executar R$ 80 bi. O restante está prometido para depois que ela deixar o governo.  Ou seja, o PT não se contenta em desgovernar o Brasil por 16 anos,  quer impor sua agenda até sobre governos de quem nem se sabe ainda quem serão  eleitos. 

Além disto, diz o tal pacote que boa parte dos investimentos será em geração de energia. Ok, já combinaram com os russos? Se fossem projetos novos (e não são), antes mesmo de ser concedida a primeira de três licenças ambientais, o mandato da soberana já terá se esgotado e sem direito a um terceiro mandato. 

Durante o discurso, Dilma Sapiens  afirmou lamentar o reajuste gigantesco aplicado sobre as contas de energia que vem pesando no bolso dos consumidores. Lamentar, senhora presidente?  Cadê sua autocrítica? A senhora primeiro deveria é reconhecer seu erro quando interviu de maneira destrambelhada no setor elétrico, em 2013, para anunciar uma redução eleitoreira que custou ao país e aos brasileiros mais de R$ 60 bilhões.  Uma vez reconhecido sua descomunal derrapada, em cadeia de rádio e televisão deveria era nos pedir desculpas por sua incompetência ter nos custado tão caro.

A cada dia, Dilma sapiens quanto mais afina a silhueta, mais insustentável fica como “presidenta”!!!