Adelson Elias Vasconcellos
No editorial do Estadão que reproduzimos abaixo, está dito que “...Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, a presidente Dilma Rousseff determinou a cada Ministério um esforço para identificar os pontos de estrangulamento da atividade produtiva”.
Peraí, ô meu: Dilma não participou do governo Lula desde o primeiro minuto ainda no primeiro mandato? Depois que José Dirceu foi expurgado da Casa Civil, não foi ela quem capitaneou o barco, e a tal ponto que o próprio Lula passou o tempo todo tentando vendê-la ao mercado – oooopps, aos eleitores - “como apta e competente” o suficiente para substituí-lo, e de que não havia no país quem melhor conhecesse nossos problemas?
E lembrando ainda da própria campanha eleitoral, o país, graças ao “paizão”, já não estava às portas de ingressar no primeiro mundo?
Então como entender este “pedido” da presidente, sem considerar que ela entrou na campanha sem ter a menor noção do país que iria presidir caso vencesse?
Mas, vá lá, vamos entender que a “encomenda” seja para ouvir o pensamento de seus ministros e, quem sabe, tomar ciência de alguma coisa que desconheça.
O que seria mais diferente destes cinco aspectos:
a.- Elevada carga tributária;
b.- Infraestrutura deficiente;
c.- Elevada cargas de juros internos;
4.- Insegurança jurídica;
5.- Burocracia asfixiante.
Ora, como o próprio editorial refere, a “... A parte mais importante da resposta é conhecida há muito tempo. Esses pontos serão encontrados principalmente fora dos muros das fábricas - ou das cercas dos sítios e fazendas. Estão na infraestrutura, nos impostos, na burocracia pesada e ineficiente, na insegurança jurídica, para mencionar só alguns itens muito importantes.”
Vamos apanhar um a um e ver a doença que cada um desenvolve na competitividade das empresas nacionais.
Carga Tributária – Para que esta carga se reduza a níveis compatíveis com os praticados nos países emergentes, por exemplo, e até alguns de primeiro mundo, seria necessário trazê-la para perto de 25% do PIB. Para que isto fosse possível, o Estado brasileiro precisaria reduzir seu tamanho, já que é justamente ele, consigo mesmo, quem consome a maior carga de tributos que o país arrecada. Há vontade política para tanto? O governo petista se contentará em reduzir, por exemplo, o número excessivo de estatais (muitas das quais, totalmente desnecessárias e inúteis), através das quais ele acomoda seu aparato político e sindical em bocas ricas sem nenhuma função ou utilidade para o país?
Infraestrutura deficiente – É sabido que o governo federal não conta com recursos suficientes para investir o quanto o país necessita para recuperar sua infraestrutura, através da qual seria possível reduzir o gargalo de custos das empresas. Para que os investimentos aconteçam em rodovias, ferrovias, aeroportos, portos, hidrovias, energia elétrica, por exemplo, seria necessário a captação de capitais privados. Estes, sabemos, só se sentem atraídos ao investimentos a partir não apenas de projetos bem montados e regras bem definidas. Quem, na estrutura do Estado brasileiro, seria responsável não apenas por regular os investimentos, fixação de regras de atuação, e estabelecimento de cotas de remuneração para retorno do capital investido? Ora, seriam de um lado, o Congresso Nacional, e de outro, as Agências Reguladoras. O que o governo Lula fez em relação às agências reguladoras? Simplesmente, aparelhou com sua turma de incompetentes, politizou em demasia suas atuações, retirou-lhes a autoridade necessária para cumprirem sua função, tornando-as de tal forma irrelevantes que hoje, praticamente, elas se tornaram meros cabides de emprego.
Pergunta: o governo Dilma vai repor a autoridade e o caráter técnico de atuação das agências reguladoras, destruídas por Lula? Seu partido se permitirá perder espaço e empregos?
Elevada carga de juros – Hoje, o Banco Central precisou elevar a taxa Selic, para 11,25%, mantendo o Brasil na dianteira mundial de juros internos. E o fez para garantir que a inflação não perca o rumo e fuja do controle. E quem, se não o próprio governo, com seus gastos excessivos, está na raiz da inflação ter crescido de 12 meses para cá?
Com a elevação dos juros, mais dólares irão aportar por aqui via mercado financeiro, mais o real se apreciará frente o dólar, mais proibitivas se tornarão nossas exportações de manufaturados e semimanufaturados, mais nossa balança continuará se sustentando, praticamente, apenas com as commodities, que dependem imensamente dos humores do mercado internacional.. Mais as importações irão crescer, e menos superávits da balanças comercial serão obtidos. Em consequência, mais o processo de desindustrialização irá se acentuar.
Insegurança jurídica – A cada semana, mais e mais normas e regulamentos sobre a atividade econômica são criados no país. É uma verdadeira selva, e inóspita. É uma fábula o que as empresas brasileiras precisam consumir de recursos e estrutura interna para tentarem acompanhar as mudanças constantes e se manterem legalizadas. Isto vai mudar?
Burocracia asfixiante – Bem, disto sequer precisamos acrescentar qualquer comentário ao que o país todo está cansado de saber e sofrer nas garras de um Estado paquidérmico, que sufoca a atividade produtiva a um custo que, muitas vezes, conduz muitas empresas para o buraco. Isto vai mudar? E para que o Estado torne mais prática e racional o dia a dia das pessoas e empresas, precisará fazer alguma forma de dieta. Estará disposto a tanto?
Por melhor diagnóstico que os ministros apresentem para Dilma, duvido que alguma coisa útil saia do papel para a prática. Talvez, só para enganar os otários, se pratique uma desoneração aqui, outra ali, só para agradar os aliados econômicos próximos do poder e tornar sua bonança mais auspiciosa. Mas não vá se esperar que estas medidas sejam para beneficiar a TODOS. Nada disso.
Ainda em campanha, e logo após haver assumido, Dilma Rousseff descartou as seguintes medidas e reformas: ajuste fiscal, reforma tributária, reforma trabalhista, reforma previdenciária e reforma política. Todas elas estão intimamente ligadas a perda da capacidade de competir das empresas brasileiras. Que milagre a presidente, fora destas ações mencionadas, pretende produzir para aumentar a nossa competitividade ?
Ou se faz o que é certo e necessário, e isto tem um preço político a ser pago, coisa que Lula não quis assumir, por incompetência e covardia, ou vai se favorecer “grupos econômicos” específicos, muito ligados ao poder, e o garrote sobre todos os demais vai permanecer pesando em demasia.
Exemplo disto, é o recente aumento do salário mínimo, comparado ao aumento imoral de parlamentares, ministros e da própria presidente. E, se tal ainda fosse pouco, tem ainda a decisão cretina do Governo Federal em não reajustar a tabela do imposto de renda na fonte.
Não espero grande coisa desta propalada boa intenção. No fundo quer me parecer que estas “encomendas” não passam de puro jogo de cena, na tentativa de se criar uma imagem da presidente de muito competência. E só.
Como sempre se disse aqui no blog, o que interessa das ações de um governante, são os resultados que estas ações produzem em benefício de toda a sociedade. Fora disto, os discursos, os estudos, as “encomendas”, o anúncio e os lançamentos de programas que mais não são do que meras caras de intenção, nada disto deve ser considerado. Neste sentido, Dilma Rousseff já era para ter um acervo de medidas e ações bem azeitado e pronto para serem adotadas. Algumas já no primeiro dia útil de trabalho.
Por enquanto, apenas está se dando razão para o velho ditado que diz que, mudam as moscas, mas o que fede continua no mesmo lugar. E se a gente não tomar cuidado, a fedentina pode ainda aumentar.




