quarta-feira, maio 02, 2007

Messianismo de longo prazo

Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo

Já dizia Elias Maluco (para a polícia): “Prende, mas não esculacha.” A oposição poderia dizer o mesmo a Lula: “Ganha, mas não esculacha.” Só que Lula, hoje um mito encarnado, resolveu esculachar.

A essa altura, com um país inerte movido pelo vento da bonança internacional, com um governo parado que não consegue montar o segundo escalão no seu quinto mês de funcionamento, com um deserto de idéias disfarçado por um plano desenvolvimentista de mentira, lançar um ministério do Longo Prazo seria um escárnio, um desastre para qualquer presidente normal.

Mas Lula não é normal. E se essa colou, ninguém mais está autorizado a duvidar: Lula pode tudo.

Mesmo assim, fica a dúvida: por que o presidente se expôs dessa forma, bancando essa piada de mau gosto que é a criação de uma Secretaria de Ações de Longo Prazo, com status de ministério, entregue ao folclórico Roberto Mangabeira Unger?

O aspecto mais abordado dessa estranha nomeação até agora é justamente o menos importante. O fato de Mangabeira ter chamado Lula de corrupto e pedido seu impeachment não quer dizer quase nada – pelo menos perto das outras interrogações possíveis. Política é a arte da conveniência, todos lembram o aperto de mão de Luiz Carlos Prestes em Getúlio Vargas, o homem que acabou com a vida de Olga Benário. Hoje mesmo estão aí Lula e Collor de mãos dadas, para mostrar do que a política é capaz.

Tudo bem que a vontade de poder de Mangabeira Unger seja algo mussolinesco, e que o professor de direito mantenha há décadas um Brasil imerso em seu tubo de ensaio em Harvard, de onde volta e meia brota uma fórmula salvadora. Brizola já foi cliente desse nacionalismo providencial (com sotaque), assim como Ciro Gomes. Para políticos do tipo “a revolução sou eu”, Mangabeira é uma mão na roda. Há todo tipo de arroubo voluntarista em sua cartilha – da suspensão unilateral de dívidas aos vários tipos de autoritarismo monetário e cambial.

Um dia Mangabeira Unger cansou de ser eminência parda (ao mesmo tempo que as eminências não-pardas se cansaram dele, o que não é difícil de acontecer). Resolveu então dispensar os intermediários e apresentar-se ele mesmo ao eleitor. Sou feio, manco, sem carisma e falo com sotaque de gringo, mas sou como você, por isso sou a solução, foi mais ou menos o que o Messias de Harvard disse aos cidadãos brasileiros.

Ou seja: Mangabeira disse que não pertence ao mundo dos políticos, o que faz crer que seu brizolismo e seu ciro-gomismo foram só um efeito colateral de sua esquisitice, a qual ele agora finalmente assumiria, como um brado de “gente como a gente”.

Como se vê, a densidade política de Mangabeira Unger não justificaria nem a criação de um ministério das ações pretéritas. Por que então Lula terá colocado esse jabuti em cima da árvore?

Ao longo do primeiro mandato, dizia-se muito que um dos ministros a dar mais solidez política ao governo, na opinião de Lula, era Ciro Gomes. (Para se ver como esse governo é realmente um milagre). O ministério do Longo Prazo seria então uma forma de manter Ciro por perto, quem sabe como um nome para sucedê-lo em 2010.

Pode ser. Mas Mangabeira Unger, o luminar da cátedra internacional, é hoje um aliado do baixo clero evangélico no PRB, partido de José Alencar e Marcelo Crivella, o senador sobrinho do Bispo Macedo. É interessante notar que o messianismo – acadêmico, político ou religioso – sempre converge. É o milagre da igreja universal de Harvard.

Talvez essa “nova” força política brasileira também não justificasse a manobra desse ministério de anedota. Mas é preciso não esquecer que o núcleo mais ou menos duro do Projeto Lula acredita em guerrilha de comunicação, à la dicotomia chavista, no estilo “nós contra eles” (Delúbio já alertava para a conspiração da direita contra o governo popular). Nesse caso, os irmãos do PRB podem significar uma aliança divina com seus tentáculos de fé, rádio e TV.

O mistério permanece. De concreto, sabe-se que o novo ministro do Longo Prazo vai mandar no Ipea – centro de excelência que Dirceu e companhia há muito estão querendo enquadrar ideologicamente.

É tudo realmente muito estranho. Mas sempre há a esperança de que o governo crie o ministério do Curto Prazo e comece a trabalhar.

TOQUEDEPRIMA...

Lula e governadores fazem inchaço no Estado

De acordo com um levantamento realizado pelo site G1, mais da metade dos governadores do Brasil aumentaram significativamente o número de pastas em suas administrações, seguindo o exemplo do presidente Lula, que chegou a triplicar o número de ministros desde o governo Fernando Collor de Mello, quando havia 12 ministérios.
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Em Pernambuco, o governador Eduardo Campos (PSB) criou nove secretarias especiais. Jaques Wagner (PT), da Bahia adicionou mais seis pastas, uma a menos que sua colega de partido Ana Júlia, no Pará, que têm a Secretaria da Pesca, inspirada no ministério de Lula.
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Santa Catarina é o estado com mais secretarias do país. O governo de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) criou seis secretarias, totalizando 53 pastas em seu estado e ainda anunciou que vai fazer mais seis. A justificativa de Luiz Henrique é a descentralização de sua administração.

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INSS: 3 milhões contribuem para nada
Cláudio Humberto

A Previdência ignora quantos aposentados trabalham e recolhem como formal, com carteira assinada, ou como autônomo. Estimam-se 3 milhões de contribuintes que contribuem para nada. Isto no setor privado. São idosos que ganham aposentadorias miseráveis e que, se não trabalharem, terão agravadas as dificuldades. Cerca de 16 milhões dos aposentados e pensionistas ganham um salário mínimo. Do total, 6 milhões são urbanos.

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A palavra é... Trabalho
Sérgio Rodrigues, NoMínimo
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A história da palavra “trabalho” surpreende muita gente: ela é filha do latim tripalium, um instrumento de tortura. Isso mesmo, aquele que “enobrece e dignifica o homem” descende de um outro que foi concebido para função bem diferente: fazer sofrer terrivelmente, aviltar o homem. Chocante? Talvez, mas convém lembrar que a valorização moral do trabalho só chegou ao poder com a burguesia, muito depois de tripalium parir seu filho lusoparlante no século 13.
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O trabalho nasceu traball, traballo, e cresceu ligado à idéia de sofrimento. Era, afinal, reservado a subalternos, de preferência escravos. Coisa de mouros, que “mourejavam”. Esse sentido de tortura a palavra e a idéia de trabalho ainda conservam, embora de forma menos central. Não falamos em trabalho de parto? Em ralação?
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Hoje é praticamente um consenso que a palavra “trabalho” vem daí, mas por muito tempo o pau comeu entre os sábios, que bolaram teorias para todos os gostos. Chegou-se a apelar para um verbo do gaélico, treab, “lavrar” – só faltou esclarecer como ele teria migrado da Irlanda ou da Escócia para a Península Ibérica.Não tenho provas do que vou dizer, mas desconfio que tanta resistência em reconhecer tripalium como pai de trabalho se explica menos por questões filológicas do que pela repulsa que a idéia de tortura associada a atividades geradoras de riqueza provoca numa sensibilidade moderna. Repulsa tão grande que, estabelecida a origem de “trabalho”, muita gente tratou de amenizar a notícia, desconversar.
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Silveira Bueno, que fornece uma descrição detalhada do tripalium (“instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes ainda munidos de pontas de ferro”), de repente tem vergonha dessa infâmia e acrescenta que a coisa não se prestava a estropiar gente e sim “o trigo, as espigas de milho, o linho, para rasgá-los, esfiapá-los”. Antenor Nascentes fala num “aparelho destinado a sujeitar cavalos que não se queriam deixar ferrar” – o que é menos pudico, mas ainda brando perto da tortura de gente a que o trabalho, digo, o tripalium se prestava.
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Chávez vai nacionalizar campos petrolíferos que estavam em mãos estrangeiras

O governo venezuelano deve tomar o controle nesta terça-feira dos últimos campos petrolíferos que estavam em mãos estrangeiras no país. A ação foi chamada de “verdadeira nacionalização” pelo presidente Hugo Chávez.
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De acordo com informações do governo, as companhias remanescentes ChevronTexaco, ExxonMobil, British Petroleum, TotalFinaElf e Satoil, assinaram o acordo de transferência na última quarta-feira. O ministro de Energia e presidente da estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela S/A), Rafael Ramirez, afirmou que a única empresa que não assinou o tratado foi a americana ConocoPhillips, mas logo também passará a ser do Estado venezuelano.

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Lula: TV independente, não

O projeto da "TV do Lula" empacou. Os petistas da área de comunicação do governo se empolgaram com a idéia de uma espécie de BBC brasileira, até que um assessor advertiu o presidente: no Reino Unido ou nos Estados Unidos, o governo paga as contas, mas não controla a programação da BBC nem a PBS. Lula resolveu repensar o assunto: afinal, sua idéia de TV pública passa pelo controle do conteúdo. Principalmente do noticiário.

A única decisão na "TV pública", até agora, é afastar o ministro Hélio Costa (Comunicações) do projeto. Os petistas desconfiam que ele serve à Globo.

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Ana Júlia, nepotista radical

A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), radicalizou: além de fazer o contribuinte pagar salários a seus parentes e aderentes, incluindo ex-marido e o atual namorado, sua cabeleireira e sua esteticista (que só as dispensou após o caso ser revelado nesta coluna), ela mantém no cargo d. Elizabeth Santos como diretora do Instituto Evandro Chagas. Ela é mãe do seu ex-namorado Paulo Santos.

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Cristovam critica centrais e esquerda

O senador e ex-ministro da Educação no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristovam Buarque (PDT-DF), criticou ontem o comportamento das centrais sindicais que, no seu entender, é de acomodação em relação ao governo federal.

Buarque lamentou que esse comportamento se estenda aos próprios partidos de esquerda. "Precisamos avermelhar o 1º de Maio, pois ele está amarelando", ironizou, em entrevista concedida na Praça Campo de Bagatelle, onde participou das comemorações do 1º de Maio promovidas pela Força Sindical. Buarque anunciou vai propor hoje uma greve geral de uma hora em defesa da Educação.

O secretário Estadual de Emprego e Relação do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, também criticou a acomodação das centrais sindicais com o governo Lula. "Temos que ter uma pitada de senso crítico para evitar a idéia de pensamento único, que é muito ruim para o País", argumentou.

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Capítulo dois
Da coluna Painel da Folha de S.Paulo

"No entender do Palácio do Planalto, a novela das hidrelétricas do rio Madeira não terminará com a tão esperada concessão da licença prévia pelo Ibama. Vencida essa etapa, caberá ainda ao instituto, mais adiante, conferir a chamada licença de instalação, a partir da qual poderão ter início as obras de Santo Antônio e Jirau, prioritárias dentro do PAC.

O governo teme que o Ibama, "vencido" em suas resistências a conceder a licença prévia, estabeleça na próxima etapa um conjunto de exigências elevado a ponto de encarecer expressivamente o custo das obras e diminuir a competitividade do leilão."

Urna não é pia batismal

Ricardo Noblat

O Conselho de Ética da Câmara aprovou o arquivamento do processo contra três deputados: dois acusados de envolvimento com o mensalão (Waldemar da Costa Neto e Paulo Rocha) e um de envolvimento na máfia das sanguessugas (João Magalhães).

O três deputados fazem parte da base governista.

Suas Excelências, membros do Conselho de Ética, concordaram com o parecer do relator, que afirma que os três deputados foram reeleitos, portanto absolvidos pelo eleitorado.

E a soberania popular, segundo este argumento, não pode ser cassada pela Câmara.

Lamento muito, mas este argumento não fica em pé. Suas Excelências estão confundindo urna eleitoral com pia batismal. Como se bastasse ser eleito para ser absolvido de todas as malfeitorias.

O sistema eleitoral brasileiro elege deputados federais pelo voto proporcional. Isto significa que o eleitor vota num candidato e pode eleger outro, completamente diferente. Isto porque as coligações distorcem a vontade do eleitor. Sem contar o mecanismo perverso de distribuição das sobras eleitorais.

No limite, o eleitor brasileiro pode votar em alguém da extrema esquerda e seu voto servir para eleger um candidato da extrema direita.

Segundo dados do TSE, dos 513 deputados federais eleitos em outubro de 2006, apenas 39 foram eleitos com seus próprios votos, atingindo o quociente eleitoral de seus estados.

Os restantes 474 deputados foram eleitos com votos de legenda, das coligações e das sobras eleitorais.

Isto mesmo: apenas 39, entre os quais não estão os três deputados cujos processos foram arquivados, foram eleitos com votação própria. Portanto, alegar que as três Excelências foram absolvidas pela vontade do eleitorado é tratar a soberania popular de forma torta e maliciosa.

Se o voto no Brasil fosse distrital, ainda se poderia insistir no argumento, mas com voto proporcional é apenas cinismo.

O papel do eleitor não é condenar ou absolver ninguém. Isto cabe aos organismos políticos, ao Ministério Público, ao Poder Judiciário.

Até porque, segundo a lei brasileira, um cidadão pode ser candidato a qualquer cargo eletivo enquanto não for julgado culpado em última instância.

Por isso é que a atividade política passou a constituir enorme atrativo para acusados de estupro, assassinato, formação de quadrilha, quebra de sigilo bancário de cidadão indefeso, peculato, corrupção. E por aí vai.

Não se deve jogar nas costas da soberania popular uma responsabilidade que não é dela.

Isto tem ar de deboche.

O bagre não tem culpa, presidente

Editorial Jornal do Brasil

Poucas coisas merecem do governo tratamento tão distinto quanto a educação e o meio ambiente. Enquanto destina àquela área um plano sério, ambicioso e de longo prazo, no segundo campo o Planalto investe em um modelo estranho, que fatia o ministério e reduz os poderes da ministra Marina Silva sobre a emissão de licenças para obras físicas. A ministra se irrita, mas a verdade é transparente: Lula quer pressa na construção de usinas hidrelétricas na Bacia Amazônica, para evitar um apagão energético em 2010. A resistência esboçada por Marina foi neutralizada por um golpe de caneta.

Parece suspeito, mas a paralisia em torno dessas decisões jamais protegeu a Amazônia dos predadores. As usinas não saem; só a madeira, os minérios, as plantas medicinais e a própria floresta, trocada por lavouras de soja ou transformada em carvão. Ao criticar o "excesso burocrático" que estaria retardando o licenciamento dos projetos, Lula faz uma simplificação grosseira: a usina parou "por causa de um bagre".

Por conta disso, uma das medidas do PAC da Educação poderia estender ao gabinete presidencial aulas sobre ambiente. Nesse curso, Lula aprenderia que teses simplistas são tão inconsistentes quanto a visão ecoxiita defendida pelo PT anos a fio. Extinta uma espécie de bagre, ocorrem interferências na cadeia alimentar, micro e macroscópica. Também aprenderia que a ciência sabe como evitar esses danos ambientais.

O modelo das hidrelétricas que Marina Silva não quer na Amazônia, na atualidade, é menos agressivo que aquele do qual saíram desastres como Balbina, no Maranhão. Não faz sentido manter imobilizados os projetos no Rio Madeira, por exemplo, diante do despejo de mercúrio pelos garimpos na água.
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A burocracia petista jamais demonstrou o mesmo rigor aplicado na questão das licenças quando o assunto é o desmatamento ou a corrupção que cerca o contrabando de madeiras nobres. A conta acabou sobrando para os grandes bagres.

Gravações da PF apontam plano para eliminar juíza

O Dia

A máfia dos jogos ilegais quer tirar do seu caminho a juíza titular da 6ª Vara Federal Criminal, Ana Paula Vieira de Carvalho, responsável por ouvir a partir de hoje os depoimentos de 24 dos presos na Operação Furacão, da Polícia Federal. Nas gravações da PF, um dos detidos recebe visita de amiga, que afirma que "o negócio é eliminar a Ana Paula de Carvalho". Serão interrogados hoje os bicheiros Antônio Petrus Kallil, o Turcão; Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães; e Aniz Abrahão David, o Anísio.

Nas conversas, a mulher diz saber da fama da juíza e que "ela é terrível". O preso reclama de ter sua vida vasculhada a todo momento e propõe mandar Ana Paula de Carvalho "para Conchinchina". No diálogo, a amiga do preso, que sugere a eliminação da magistrada, troca um dos sobrenomes da juíza, de Vieira por Pereira, mas cita corretamente a vara da qual é titular.

No grampo, o preso se mostra incomodado com a descoberta do pedido de quebra de seu sigilo bancário, feito por Ana Paula, no ano passado. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) teria negado a solicitação porque, segundo o preso, um amigo o ajudou no julgamento. Ele ainda afirma nas conversas que, quando a solicitação chegou ao STJ, imediatamente tomou conhecimento.

Em uma das gravações, o preso reclama que a juíza não tem fundamento para pedir a quebra do sigilo e que tentaria conversar com ela para rever a decisão. Mas em diálogo entre os integrantes da quadrilha, admitem as dificuldades de lidar com Ana Paula, por ela ser a titular da 6ª Vara Federal, e não interina. O posto é ocupado pela juíza há oito anos.

Através de amigos no STJ, um dos presos descobre que já foi pego nas escutas conversando com empresários do ramo dos bingos e se desespera. Mas ele garante a um interlocutor que essas conversas tratam apenas de trabalho.

As gravações ocorreram no fim de outubro, quando o envolvido já havia descoberto que seus telefones haviam sido grampeados. Para fugir das escutas da investigação, o denunciado passou a adotar a estratégia de utilizar o celular de um amigo íntimo.

Capitão Guimarães, que depõe hoje, revelou semana passada à Polícia Federal que sua renda declarada era R$ 360 mil por mês. O presidente da Liesa foi preso no último dia 13 de abril com 24 pessoas.

Ontem, o advogado Nelio Machado entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal (TRF) para a libertação de Capitão Guimarães e seu sobrinho, Júlio Cesar Guimarães Sobreira. No documento, a justificativa é que não haveria mais necessidade da prisão, pois os dois já prestaram depoimento.

Além disso, mandados de busca e apreensão já foram cumpridos em suas residências.

A mesma justificativa foi dada pelo ministro do STF, César Peluzo, quando soltou sábado os desembargadores José Eduardo Carreira Alvim, José Ricardo de Siqueira Regueira e Ernesto da Luz Pinto Dória (do TRT de Campinas, em São Paulo), e o procurador federal João Sérgio Leal Pereira.

O advogado também pediu que Julio e Guimarães não sejam transferidos para o presídio de segurança máxima de Campo Grande, Mato Grosso, pois as famílias dos presos moram no Rio.

Governo quer o dinheiro do bingo

Carlos Sardenberg, Portal G1

A idéia de legalizar os bingos e talvez alguns outros jogos continua na pauta do governo Lula. E sabe por quê? Porque pode dar dinheiro para um governo ávido por aumentar gastos.
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Uma vontade antiga. Na mensagem enviada ao Congresso no início de 2004, o presidente Lula informou aos parlamentares que pretendia enviar naquele ano um projeto de lei regulamentando a atividade dos bingos. Acrescentava que os recursos obtidos pelo governo serviriam para financiar o “esporte social” – não, portanto, os esportes competitivos.
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Não dava mais detalhes, mas depois se soube que o governo se encaminhava para um projeto de estatização do jogo – que passaria a ser administrado pela Caixa Econômica Federal, como as demais loterias.
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Tudo deu errado quando Valdomiro Diniz, assessor de José Dirceu, então ministro da Casa Civil, foi apanhado pedindo propina ao bicheiro Carlinhos Cachoeira.
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Na onda das reações à corrupção gerada pela jogatina, o presidente Lula baixou medida provisória proibindo os bingos, medida essa que depois foi derrubada no Senado, deixando todo o negócio em uma zona cinzenta.
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Ontem, dia 23, em Belo Horizonte, a ministra Dilma Roussef retomou o assunto ao dizer que as atuais investigações podem levar a um novo “modelo institucional para os jogos de azar no Brasil”. Ou seja, o governo pretende tirar lições para preparar uma regulamentação dos jogos.
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Voltaria com a tese da estatização, para ficar com todos os lucros do jogo? Ou regulamentaria a atividade privada, contentando-se com os impostos, que sempre são pesados nesse tipo de negócio?Mas essa é a linha: bingo e outras coisas podem dar dinheiro ao governo, argumento mais importante que as questões morais.

Avanços tímidos

Editorial, Folha de S.Paulo
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O feriado do Dia do Trabalho, que se comemora hoje, é uma ocasião propícia para discutir os temas do emprego e do rendimento dos trabalhadores.Desde 2005, muito embora a economia tenha se mantido em moderada expansão, a taxa de desemprego tem tido redução descontínua e bastante lenta. Os novos dados relativos ao PIB, divulgados pelo IBGE há algumas semanas, revelaram que nos últimos anos o crescimento da economia foi um pouco maior do que se avaliava, mas isso em nada alterou as informações sobre o mercado de trabalho.
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Nesse particular, o que a nova série de dados do PIB suscitou foi uma constatação inquietante: a elevação de um ponto percentual do produto se traduziu num volume de criação de empregos ainda menor do que se estimava.
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As pesquisas disponíveis trazem mais informações, e mais atualizadas, sobre a situação do mercado de trabalho nas maiores metrópoles do país. Nessas regiões, o tempo médio que um trabalhador desempregado leva para encontrar uma nova ocupação continua muito longo -quase um ano- e prossegue especialmente alta a incidência da desocupação entre os jovens, fatores que contribuem para um ambiente em que a criminalidade viceja e se apresenta como alternativa de vida. Os programas oficiais voltados a atacar essa questão estão longe de se revelar eficazes e suficientes.
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A evolução recente do nível dos rendimentos dos trabalhadores tem sido positiva, graças, em boa medida, ao recuo da inflação observado desde 2003. Ainda assim, ressalvas se fazem necessárias. Uma primeira é que, dado o nível baixo já atingido pela inflação, o espaço para recuos adicionais é pequeno, o que limita o fôlego futuro desse mecanismo de recomposição do poder de compra dos trabalhadores.
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Outra ressalva diz respeito ao fato de que, segundo algumas estimativas, em média a remuneração do trabalho nas faixas de renda mais alta ainda se situa abaixo do nível vigente em 1998. Assim, um dos componentes da discreta melhora da distribuição de renda nos últimos anos, captada por alguns levantamentos, é o empobrecimento da classe média, o que configura um indesejável nivelamento "por baixo".
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Aspecto em que tem havido avanço é o da formalização das relações de trabalho. Em contraste com o que se observou na década de 90, nos anos recentes tem aumentado a participação, no universo dos trabalhadores ocupados, daqueles que têm vínculo empregatício formalizado (e que portanto contribuem para a Previdência Social e contam com maiores garantias legais). As causas desse processo de "reformalização" não estão suficientemente esclarecidas, mas a ação fiscalizadora do Ministério do Trabalho parece ter um papel.Não se pode deixar de mencionar, por fim, a questão das condições de trabalho: como mostrou reportagem desta Folha no domingo, no Brasil ainda hoje se observam situações em que o processo laboral se desenvolve de maneira incompatível com a saúde e a dignidade humanas.

A revogação do direito ao sonho

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Negra, pobre e favelada, nascida e criada no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Edna Ezequiel soube desde sempre que, no Brasil dos miseráveis, todos sobrevivem expostos ao risco da morte violenta. Prolongada por metralhadoras ou fuzis a serviço de bandidos e policiais, a mão da tragédia ronda todo o tempo todas as portas. No dia 5 de março, chegou a vez de Edna ouvir as batidas pressagas.
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Soube que Alana, a filha de 12 anos, voltava para casa quando foi surpreendida por tiroteio de praxe e fulminada por uma bala perdida. Na guerra do Rio, são consideradas perdidas balas que matam inocentes. Disso Edna já sabia. Saberia no dia seguinte que, no Brasil dos flagelados, existe vida depois da morte. E só depois da morte, porque antes do drama Edna e Alana não existiram efetivamente.
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Eram não-pessoas, mais duas entre milhões. Mesmo vizinhos ignoravam o passado, não se interessavam pelo presente, nem pelo futuro daquela gente humilde. Para o país que usa os talheres certos pelo menos três vezes por dia, mãe e filha nasceram em 6 de março, paridas pelo noticiário da imprensa. As páginas policiais informaram que Edna tinha 31 anos e, além de Alana, quatro filhos de três pais diferentes. Todos sempre freqüentaram creches e escolas públicas.
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Com que espécie de destino sonhava a garota assassinada?, quis saber da mãe um jornalista. A resposta, terrivelmente sincera, acabou por prolongar a existência de Edna na imprensa - um simulacro de vida governado por diminutos prazos de validade: "Quem mora no morro não tem sonhos, moço", ensinou. Menos de um mês depois de experimentar a dor que não passa, descobriu que o pesadelo no morro é capaz de matar até crenças seculares.
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Um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar, aprendeu Edna neste 14 de abril. No dia seguinte, foi reapresentada ao país a mesma figura franzina, o rosto amarfanhado por rugas precoces, envelhecido por vincos que denunciam o sofrimento constante. Chorava agora a morte de um irmão, o office-boy Hélio José da Silva.
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Ele voltava da maternidade onde visitara a mulher grávida quando o destino resolveu reprisar a tragédia recente. Também no Morro dos Macacos, também surpreendido por uma bala perdida, Hélio confirmou a frase perturbadora da irmã: é proibido sonhar em terras conflagradas. A segunda existência de Edna no mundo da informação foi mais curta.
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Nesta segunda-feira, o repórter Marcello Victor, do Jornal do Brasil, foi à procura dessa mutilada de guerra para saber como é a vida real entre um tiroteio e outro. Uma sala, um quarto e um banheiro compõem a casa acanhadíssima que Edna divide com os filhos Carlos Alexandre (15 anos), Michael (10), Maria Alice (6) e uma menina nascida há dois anos. Sustenta a família com o que consegue como diarista, os R$ 200 da mesada que recebe do pai da filha caçula e os R$ 95 do programa Bolsa Família. Depois da morte de Alana e de Hélio, renunciou aos R$ 50 que ganhava para cuidar de um sobrinho."Não tenho mais cabeça pra cuidar de criança", resumiu para o repórter do JB. Alguém lhe sugeriu reivindicar na Justiça indenizações a que tem direito. Por enquanto, explicou, falta-lhe cabeça também para tratar dessas questões. "E nenhum advogado me procurou", disse. Promete cuidar do assunto assim que receber o laudo da morte da filha, que aguarda há quase dois meses. "Na delegacia, disseram que a papelada ficaria pronta no começo de abril, mas, até agora, nada", contou. "Ainda estou esperando".
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Sabe que os pobres esperam mais que os ricos. E teme esperar pelo que não virá, diz uma voz que não tem o tom de quem se queixa. Tem o tom de quem não sonha.

O hegemonismo da besta triunfante

por Augusto de Franco, Blog Diego Casagrande
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Formou-se a mais poderosa coalizão de forças de nossa história recente em apoio ao governo corrupto de Lula da Silva. O arco de alianças vai desde uma organização política clandestina disfarçada de movimento social (o MST), passando pelas centrais sindicais (agora anexadas como aparelhos do Estado e financiadas com dinheiro público), por organizações totalmente degeneradas que remanesceram da época da luta revolucionária contra o regime militar, até chegar à grande maioria dos partidos (inclusive o PV de Gabeira – vejam só! – faz parte da base do governo...).
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Existem evidências importantes de que parte desse tenebroso ajuntamento tem raízes no crime organizado. E começam a surgir sinais preocupantes da existência de ramificações do submundo do crime no judiciário, no legislativo e em vários governos.
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E tudo isso conta com o apoio de parte significativa do empresariado, em todos os setores da atividade produtiva, mas, em especial, nos bancos.
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Também não são desprezíveis os contingentes de articuladores e analistas políticos que estão passando para o lado do governo. Alguns de forma explícita: o caso inaugural foi o de Ciro, mas – como a caçamba seguindo a corda – veio também o vira-casaca Mangabeira; até o Padilha – campeão das articulações congressuais no governo FHC – passou-se de armas e bagagens para o lado do vencedor. Outros, de modo tácito, trabalham para sustentar o governo "do lado de lá", como é o caso do Aécio (e, agora, ao que tudo indica, do próprio Tasso). Gente de mídia também anda doida para sentar no colo de Lula a partir dos empregos e outras prebendas que serão fornecidos pela TV estatal do "comissário" Franklin Martins.
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Sobrou pouca coisa fora dessa formidável articulação de forças regressivas: uma parte da imprensa, uma parte dos partidos ditos de oposição e um contingente considerável, porém difuso, de cidadãos indignados com o processo de perversão da política e de degeneração das instituições em curso no país a partir de 2003.
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Ora, ninguém monta uma estrutura desse porte – pagando o preço que tiveram que pagar quando vieram à tona os escândalos Waldomiro-Dirceu, Mensalão-Valerioduto, Palocci-Casa dos Prazeres, Falso Dossiê– Entourage de Lula – para abandonar o poder. Sim, eles não pretendem sair do poder em 2010. E não vão mesmo, a menos que façamos alguma coisa. Nós, quem?
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Não é incrível que pessoas tão inteligentes, que dedicaram uma vida inteira à função pública ou à prática da política, não estejam vendo isso? Como se explica essa miopia pandêmica?
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As explicações podem ser várias, mas do ponto de vista político existe uma que é central: a traição da oposição aos votos recebidos nas urnas de 2002 e 2006. Sem quem trave o combate político quotidiano, sem quem interprete e decodifique os atos do governo e do demagogo neopopulista que o chefia, sem quem defenda a democracia brasileira e as instituições republicanas da sanha lulopetista pelo controle do Estado e da sociedade, não há como fazer frente, nem no curto nem no médio prazo, ao hegemonismo da besta triunfante.

Escutas telefônicas: ministro do STJ antecipou voto

De acordo com reportagem da TV Globo, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça descobriram que o ministro afastado do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Paulo Medina teria antecipado voto em um julgamento de uma ação e orientado os advogados do réu.
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Em dezembro de 2006, Medina teria negociado com o advogado Paulo Mello um pedido de habeas corpus para o diretor do Minas Tênis Clube, Fernando Furtado Ferreira, acusado de usar uma carteira de policial falsa em Minas Gerais. O ministro também teria pedido mais detalhes sobre e o caso e informado que usaria, no julgamento do hábeas corpus, a tese de que Ferreira portava o documento, mas não teria se apresentado como policial. Ele ainda salientou para Mello a importância da sustentação oral durante a sessão de julgamento no STJ.
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Paulo Medina foi denunciado pelo Ministério Público Federal por suposto envolvimento com a máfia dos caça-níqueis. Seu irmão, o advogado Virgílio Medina, é suspeito de negociar a venda de sentenças judiciais favoráveis a empresários do jogo. Uma delas teria sido concedida ao ministro em troca de R$ 1 milhão.

COMENTANDO A NOTICIA: Pouco a pouco se configura a podridão que se escondeu por anos a fio dentro do Poder Judiciário. Não é o poder, são as pessoas que ocupam cargos e deles se servem para seus mesquinhos menos honestos.

Sempre houve desconfiança em relação a “algumas” estranhas sentenças. Claro, quando indagados, muitos juízes se defendiam com uma falação técnica jurídica longe do entendimento. Na medida em que a falação foi ficando insustentável, foi-se percebendo que deveriam haver outras razões que empurravam a Justiça a uma defesa suspeita em favor de tanto safado que se livrava de responder seus crimes, agora se vê, pela estreita ligação ou do safado ou de seus advogados, com alguns juízes “bonzinhos”.

É bom que estas trapaças venham a público. É bom que os canalhas sejam desmascarados para que saibamos o que se esconde nos porões da República. Pelo menos a gente agora sabe que não estávamos malucos. Eles é que não eram honestos. Mesmo assim, estejam os leitores certos de uma coisa: há muita podridão ainda para ser descoberta. Há muito milionário lavado na corrupção, há muito canalha posando de elite deitado no roubo descarado de recursos públicos, na corrupção impune cometida com o consentimento das elites políticas que se beneficiaram igualmente das falcatruas.

Centrais sindicais cooptadas

Do Jornal do Brasil

"A chegada das centrais sindicais ao poder, com dois de seus representantes estrategicamente posicionados no comando dos ministérios da Previdência e do Trabalho, acabou por esvaziar a agenda de reivindicações históricas do movimento sindical. Conquistas como a política de valorização do salário mínimo atrelada à correção progressiva da tabela do Imposto de Renda, e a participação no governo ajudaram em uma espécie de "cooptação oficial" das centrais. Por isso, nesse 1º de maio, vão levantar bandeiras que, até pouco tempo atrás, eram preocupação quase exclusiva das entidades patronais.

A mudança de discurso é também sintoma da maior proximidade entre centrais e o Palácio do Planalto. Ao chamar os sindicatos para o debate sobre a formulação das propostas de reforma trabalhista e da Previdência, o governo apaziguou os ânimos do movimento, que adotou postura conveniente a quem é parte da coligação que sustenta o governo Lula. A aceleração da queda na taxa básica de juros, a redução do spread bancário e a reforma tributária - agenda do governo - ganhou eco entre os líderes sindicais. A reforma sindical perdeu prioridade. As centrais defendem que ela seja feita "aos poucos", fora de um pacote com grandes mudanças."

COMENTANDO A NOTÍCIA: Acredito que a nossa posição sobre os sindicalistas já ficou bastante clara: são sujeitos vagabundos, que mais querem distância do trabalho, que se agarraram às tetas de um sindicato ou central sindical para garantirem “estabilidade”, vivem de discursos hipócritas, onde e através deles aprendem a demagogia da política “sindical” e acabam, invariavelmente, descambando para a política, onde sua canalhice terá uma espécie de pós-graduação. Desde cedo, pendurados nos sindicatos aprendem a arte de viverem às custas dos trabalhadores que os sustentam, não por patriotismo, mas por obrigação legal de terem que dividir seu salário com os seus senhores.

Agora, além de darem uma banana para os mais de 40 milhões de trabalhadores sem carteira assinada e sem garantia de espécie alguma, estes bravos ainda se aventuram na jornada de assaltarem o bolso dos prestadores de serviços na defesa cretina do veto à Emenda 3, uma forma de assaltarem outros trabalhadores que em absoluto lhes devem coisa alguma. Querem instituir o regime terrorista de qualquer fiscal merreca se arvorar em juiz para o governo assaltar ainda mais inescrupulosamente o bolso de quem leva o trabalho a sério.

Sobre eles, resta comentar com o que diz o Reinaldo Azevedo:

Se o sindicalismo brasileiro tivesse um mínimo de vergonha na cara, extinguiria o imposto sindical, o que poderia fazer sem nem mesmo uma lei. Bastava devolver o dinheiro. Mas ele não tem. Fica com ele. E, na regulamentação, as centrais ainda vão receber R$ 100 milhões diretamente dos cofres públicos. Metade dos 20% do imposto sindical que fica com o governo vai pra elas.
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Observem que o impasse estabelecido é patético. Uma nova entidade não aceita a regra defendida pelas outras, segundo a qual os sindicatos indicariam as centrais que receberiam a grana. CUT e Força Sindical, as duas maiores, são favoráveis a essa proposta. E Lula tem simpatia por ela porque combateria o sindicalismo de cartório.
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Santo Deus! Como pode alguém debater formas de combater o sindicalismo atrasado quando o assunto em pauta é um IMPOSTO sindical? Mas é isto:
estamos sendo governados pela república sindicalista, e eles fazem o que bem entendem.

"O governo quer a mídia de joelhos"

Reinaldo Azevedo

No dia 15 de outubro de 2003, Octavio Frias de Oliveira concedeu uma entrevista ao jornalista Jorge Feliz, da AOL Notícias, fato que surpreendeu muita gente, já que não costumava falar. Vejam que curioso: à época, o governo não pensava em criar uma rede pública de TV, esta que será implementada pelo ministro Franklin Martins (Comunicação Social). Falava-se de outra coisa: um plano de reestruturação da dívida das empresas de comunicação, com dinheiro do BNDES e juros subsidiados. Era o chamado “Promídia”. E o que Frias achava daquilo? Não teve a menor dúvida: “O que interessa ao governo é a mídia de joelhos. Não uma mídia morta. Uma mídia independente não interessa a governo nenhum. Dentro desse princípio é difícil ver essa questão do BNDES. Por que criar um sistema assistencial, preferencial para os jornais, para mídia? Por quê? Se todo o empresariado está endividado, nunca vi uma situação tão difícil em toda a minha vida e estou apenas com 91 anos. Nunca vi uma situação igual. Mas nós vamos sair dela.”
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Até onde me lembro, o “Promídia” morreu ali. Todos ficaram com vergonha de voltar ao assunto. Tanto estava certo, que, àquela tentativa de controlar a imprensa, outras se sucederam, até que se chegasse ao formato da tal “TV Pública”. Segue, abaixo, a íntegra da entrevista de “Seu Frias”, então com 91 anos.*Ele é o último barão da imprensa. Neste ano de 2003 viu seus congêneres morrerem: os donos de O Globo, O Dia e Jornal do Brasil. O Estado de S. Paulo há muito é administrado por herdeiros. Aos 91 anos, o jornalista Octavio Frias de Oliveira, há mais de 40 anos à frente da Folha de S. Paulo, é o único dos históricos donos de jornais em atuação no país.
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Filho de família rica, descendente dos barões de Itaboraí e Itambi, Octavio Frias de Oliveira teve uma adolescência pobre depois que o pai e um tio quebraram e foi obrigado a empregar-se como office-boy aos 14 anos. Aos 21, no entanto, já era um próspero funcionário público da Receita Federal. Depois, seguiu a tradição da família e fundou um banco, o BNI, mais tarde comprado pelo Bradesco. Foi com o dinheiro de uma aventura, a construção de uma rodoviária em São Paulo, que ele e o sócio Carlos Caldeira compraram a Folha de S.Paulo, em 1962. Com mais de 50 anos, descobriu a carreira de jornalista e transformou seu jornal em um forte concorrente do Estado de S. Paulo, que fazia feroz oposição a seus negócios. De lá para cá, o jornal cresceu, tornou-se um dos mais influentes do país.
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Simples, low-profile, "Seu" Frias, como prefere ser chamado, recebe pouca gente no nono andar do prédio da Rua Barão de Limeira. Quem tem esse privilégio nem precisa usar crachá de visitante ou passar pela catraca. Na ampla sala de reunião, anexa ao seu gabinete, mobiliada com mesa com oito cadeiras, poltronas e decorada com capas históricas da Folha, ele concedeu entrevista à AOL por quase uma hora. Lembrou dos colegas donos de jornais mortos neste ano e disse que assiste à maior crise financeira já enfrentada pela imprensa brasileira.
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Sobre a operação de socorro financeiro criada pelo governo para sanear as empresas de comunicação com dinheiro do BNDES, Frias disse que é contra. Segundo ele, o chamado Promídia – analogia com o Proer, o programa de socorro aos bancos feito no primeira mandato do presidente Fernando Henrique – é uma estratégia do Palácio do Planalto para comprometer os veículos. "O governo quer a mídia de joelhos", afirmou o dono da Folha

O Cinema da Petrobras

por Ipojuca Pontes, Blog Diego Casagrande
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Engana-se redondamente quem imagina que o cinema nacional, custando perto de R$ 800 milhões anuais ao bolso do contribuinte, tem algum compromisso com o desenvolvimento industrial e a auto-sustentação da atividade. Na verdade, o cinema da Era Lula é antes de tudo um fato político para servir de arma contra o capitalismo e a propagação e implantação da “idéia” socialista – que se sabe um horror.
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A proliferação de inúmeras escolas e cursos de cinema nas universidades de todo Brasil não tem outro objetivo: formar (precariamente) magotes de cineastas (“quadros”, na linguagem dos PCs) engajados na “luta transformadora” para moldar, por meio de “filmes conseqüentes”, a criação de um novo “senso comum” – eles formam uma “tropa de choque” na área da “mais importante de todas as artes” (Lenin) para formular uma interpretação crítica da história comprometida com a versão marxista da “nossa realidade”. Como peças instrumentais para a criação de um “novo senso histórico” são manuseadas, em tais cursos, com fé mística, as lições contidas nos “Cadernos de Gramsci” e nas apostilas dos obtusos cursos da Escola de cinema de Cuba.
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Neste segundo período do governo Lula, que está querendo estabelecer um império de mil anos, o cinema tem importante papel a cumprir. Por enquanto, a exemplo do que ocorre com a literatura engajada dos cientistas sociais, a “revisão crítica” da história recente do país é a tarefa que vem sendo “construída” pelos mentores oficiais da atividade cinematográfica. Assim, com os fartos recursos de empresas estatais como a Petrobras e a Eletrobrás, e de bancos como o BNDES, transformados em núcleos de produção a serviço da “causa”, o cinema milionário elegeu como tema a ser explorado o arregaço da ditadura militar de 1964.
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Pelo que consegui contabilizar, desde “Olga” até “Batismo de Sangue”, exemplar mais recente, elevam-se a 12 o número de filmes sobre o assunto, todos de orçamento milionários (também em dólares), alguns com dispendiosas filmagens no exterior. O que nivela tais produções, além do dinheiro grosso investido sem retorno econômico, é o absoluto empenho em mistificar os fatos históricos ocorridos naqueles dias. Em tais filmes, o terrorista de esquerda é tratado como o supremo agente do bem - mocinho empenhado numa luta de vida ou morte para restituir as liberdades democráticas ao país.
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Mas os fatos históricos reais ocorridos no pré-contragolpe de 64 são sonegados ao público, em geral, de modo vergonhoso. Por exemplo, em nenhum deles se menciona que Francisco Julião e Clodomir Moraes, já em 1961, recebiam armas e dinheiro de Fidel Castro, o tirano moribundo, para fomentar com as Ligas Camponesas a “revolução do campo” no Nordeste. Nem tampouco se referem à agitação do Partido Comunista, levada adiante com pronunciado ativismo, nas universidades, nas fábricas, nos sindicatos, associações, quartéis e nos meios de comunicação. Nunca se informa ao espectador que Dante Pelacani, sindicalista corrupto, tratava Jango - o boneco manco das esquerdas organizadas - por “tu” e enfiava o dedo em riste nas ventas do Presidente. Nem que delegações maoístas desembarcavam da China com maletas cheias de dólares para promover a subversão do regime e nem tampouco se mostra que o país, paralisado por greves permanentes, caminhava para uma hiperinflação digna de fazer inveja ao futuro desgoverno de Zé Sarney, o Bengalinha.
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Pelo que sei da história do sacrificado dominicano Tito - personagem do livro “Batismo de Sangue”, de “frei” Beto (vai com um “t” só, pois, no seu caso, dois é demais) - ele representa o típico caso do inocente útil manipulado pelas mãos de comunistas delirantes, tipo Carlos Marighella, que tinha por objetivo erguer no Brasil, sob a bandeira da “defesa das liberdades”, um governo totalitário semelhante ao implantado por Fidel Castro em Cuba. O caso de Tito é, nas devidas proporções, o mesmo do camponês paraibano João Pedro Teixeira, assassinado e, depois, feito mártir pelos comunistas que incensavam no seu limitado ouvido, dia e noite, a cantilena da revolução agrária tendo ele, João Pedro, como “líder histórico” da empreitada.
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(No meu entendimento, acho o que os militares têm a sua parcela de culpa neste processo de lavagem cerebral posto em marcha, a todo vapor, pelo cinema da Era Lula: foram eles que, com a criação da Embrafilme, estatizaram a atividade cinematográfica e, pior que isso, não fizeram da empresa cinematográfica um órgão de denúncia contra a ação contínua da máquina esquerdista - nacional e internacional - sempre envolta em sangue, conchavos, falsificações e mentiras. Pelo contrário: permitiram que a empresa, tendo a frente tipos como Celso Amorim, “O Vermelho”, produzisse filmes contra eles próprios).
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O mundo preconizado por “frei” Beto, o guia espiritual de Lula e similares, está ai diante dos olhos de todos. Em vez de paz e justiça, prevalece nele a maior soma de patifarias, injustiças e violências jamais vividas em qualquer governo “burguês” da nossa história. O próprio “frei” Beto - hoje da “classe dominante” e então assessor direto de Lula da Silva, com sala anexa ao “companheiro” Presidente - foi testemunha omissa da imolação de José Antonio, o ajudante de pedreiro que depois de uma semana de amargura ateou álcool no próprio corpo, como ato de repúdio ao descaso geral, diante do palácio do planalto ocupado pelos petistas e esquerdistas das mais diversas tendências e tonalidades.
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Um fato, no entanto, é consolador em meio da mistificação geral produzida pelo cinema “engajado”: à proporção que os orçamentos de tais filmes aumentam de forma galopante, o público volta-lhe às costas. Em geral, são exibidos para um pequeno gueto de “iniciados” e sequer conseguem pagar as cópias. (Vai ver que é por isso que o preço da gasolina da Petrobras, cada vez mais misturada, só faz subir).

Notícia, só a favor

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

Depois de decidir exilar para algum buraco longínquo a sala de imprensa que fica ao lado do plenário e em seguida a proibir os jornalistas credenciados de se valerem do serviço médico da Casa, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, pretende criar uma estrutura jurídica destinada a defender parlamentares de acusações, críticas e ataques da imprensa.

Se não é má vontade, parece. Afinal, para os excessos da imprensa, existe a lei. Para acioná-la, funciona a procuradoria da Câmara. No fundo dessas iniciativas repousa o viés autoritário que tem marcado a vida do PT, de sua parte interessado em "controlar" os meios de comunicação. Notícia, só a favor. Contra, vira agressão.

A nova idéia é que funcione alguma coisa parecida com a Advocacia Geral da União, hoje a serviço do Executivo, apesar de o termo "União" abarcar os três poderes. Quer o presidente da Câmara constituir um grupo de advogados, procuradores, meirinhos e analistas especializados em processar jornais e jornalistas, sempre que algum deputado ou senador queixar-se de haver sido injustiçado por notícias e comentários. Assim agiam os detentores do poder durante a ditadura. A ordem era intimidar a mídia através de processos por crime de opinião, algo que a Constituição de 1988 parecia ter mandado para o ralo.

Não vem que não tem
Destaca-se o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, pela defesa intransigente dos direitos trabalhistas. Tem declarado não admitir retrocessos ou supressões de prerrogativas do trabalhador e alerta para sutil campanha desenvolvida por certos meios de comunicação interessados em mandar para as costas do trabalhador o peso dos encargos das empresas. É claro que se torna necessário desbastar o monte de tributos pagos pelas empresas, mas compensá-los através do sacrifício dos assalariados, de jeito nenhum.

Se ainda não bateu, Lupi vai bater de frente com a equipe econômica, apesar de o presidente Lula respaldá-lo, ao menos por enquanto. Querem acabar com a multa por demissão imotivada, assim como pretendem dividir o décimo-terceiro salário e as férias remuneradas em 12 parcelas, coisa que os faria desaparecer em poucos anos, dada a rotineira perda do poder aquisitivo salarial.

No Congresso, organiza-se frente contra a reforma trabalhista, formada pelo PDT, partido que o ministro preside, mais o PTB, conforme declarações de seu presidente, Roberto Jefferson, além de PC do B, PV e PSB. Essa aliança não bastará para se opor ao rolo compressor da maioria governamental, especialmente se Lula lavar as mãos e concluir que o problema não é dele, mas do Legislativo. Mesmo assim, está o ministro do Trabalho decidido a resistir.

Maioridade penal
Recente pesquisa realizada pelo Senado dá conta de que 73% dos consultados são favoráveis à redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos. Já na Comissão de Constituição e Justiça, nem tanto. Por 12 votos a dez aprovou-se projeto de redução, mas com a ressalva de valer apenas quando o menor tiver praticado crime hediondo.

O tema é controverso, mas seria bom os senadores prestarem atenção nas tendências populares. A população opinou, também, pela prisão perpétua, no mesmo caso de crimes hediondos. Apoiou a redução de benefícios e prerrogativas para os condenados a penas mais longas. Sinais estão sendo dados pela opinião pública, que não agüenta mais a progressão do crime. Na semana passada mais uma jovem, vítima de bala perdida, foi para o cemitério, atingida dentro de um carro na Avenida Brasil.
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Índia
Lula viaja à Índia, este mês, interessado em ampliar as relações diplomáticas e comerciais com aquele país. Não dá para um visitante oficial ver o que quer. Será monitorado para conhecer o Taj-Mahal. Manterá encontros com empresários e certamente elogiará os avanços tecnológicos que fazem aumentar o número de prestadores de serviço. A Internet mudou as relações de trabalho.

Mas Lula não terá oportunidade de conhecer o outro lado da Índia, dos baixíssimos salários pagos à maioria do bilhão de habitantes, muito menos transitará por ruas onde moram amontoados e desamparados por pertencerem à última das castas sociais e religiosas. Porque na Índia existem castas oficializadas, situação pior do que a brasileira. Seria bom o presidente tomar cuidado para não deixar-se levar pela euforia dessa nova aproximação.

TOQUEDEPRIMA...

Retrocesso não
Maria Inês Dolci, Folha Online

Não será autorizando as lojas a cobrar mais na venda com cartão que se pressionará as operadoras a reduzir as taxas cobradas dos lojistas. Seria um retrocesso a aprovação do projeto do senador Adelmir Santana (DEM-DF) apresentado no último dia 27. Pela interpretação do Código de Defesa do Consumidor os pagamentos com cartões de crédito equivalem aos pagamentos à vista, em dinheiro ou cheques. Pela proposta do senador, os estabelecimentos poderiam fixar preços mais baixos na venda a vista em que o pagamento não fosse com cartão.

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Emendas de parlamentares resultam em fraudes

Segundo informações do jornalista Josias de Souza, uma auditoria feita em 59 convênios da administração federal com as municipais revelou fraudes em emendas de parlamentares no Orçamento da União. As irregularidades desvirtuam projetos da saúde, educação e infra-estrutura.
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Foram detectadas fraudes em todos os estágios do processo, desde a assinatura dos documentos de celebração dos convênios. Na fase das licitações é onde ocorrem mais irregularidades, tais como superfaturamento, pagamentos de obras inacabadas, desembolsos em notas frias, etc. Ao todo, os contratos auditados somam R$ 15,3 milhões liberados pela governo federal.

COMENTANDO A NOTICIA: Quando chegará o dia em que o roubo e a corrupção praticados pelos políticos brasileiros terá ponto final ? Ou, pelo menos, receberão os safados o castigo merecido ? De nada valem ações no campo da segurança pública, se os responsáveis cometem toda a sorte de patifarias ! E eles ainda querem se ofender quando são chamados de “canalhas”!!! Para o que estes safados aprontam, canalha ainda é pouco !!!

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Feriado de juízes patrocinado pelos bancos
Da Folha de S.Paulo

"Um grupo formado por 44 juízes do trabalho e ministros do TST (Tribunal Superior do Trabalho) participam durante o feriado prolongado de 1º de maio de um congresso patrocinado pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), em Natal (RN). O transporte e a hospedagem em um hotel de luxo foram pagos pela entidade.
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Grande parte dos magistrados ainda compareceu ao evento acompanhado das mulheres ou dos maridos. As despesas com a viagem e a hospedagem dos familiares também foi custeada pela Febraban. O pacote, de valor não revelado, inclui ainda alimentação e lazer.

Em entrevista à Folha, o vice-presidente do TST disse não via "nenhuma incompatibilidade" entre a atividade do juiz do trabalho e a participação dele em um evento pago por um de seus maiores interessados, os bancos. "Os médicos vão a congressos patrocinados por grandes laboratórios, mas nem por isso eu acredito que o meu médico vá me receitar um remédio que não seja compatível com o que eu preciso, só para agradar um laboratório", disse."

COMENTANDO A NOTICIA: De novo ???? Será que a canalhice do ano passado não foi suficiente, e os caras querem repetir tudo outra vez ? Será que o Judiciário já não suficientemente em suspeição dado os escândalos revelados pela Operação Furacão ? Será que as vendas de sentenças por telefone já não bastariam para esta gente pelo menos resguardar-se um pouco mais ? Precisam por mais caca no ventilador ? Realmente, no Brasil, a elite institucional representa um covil de canalhas !!!

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Ibama está sem comando
De O Estado de S.Paulo

"As mudanças feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) devem deixar o órgão acéfalo a partir de hoje. Seis dos sete diretores decidiram sair, num gesto de solidariedade a Marcus Barros, cujo afastamento da presidência do órgão foi decidido pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. O único diretor que deve permanecer é o de Fiscalização, Flávio Montiel.
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Medida Provisória editada sexta-feira dividiu o Ibama em dois, com a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade. Como as mudanças foram feitas a toque de caixa, pegaram todo mundo de surpresa e a confusão é grande. Na mesma sexta-feira, em assembléia, os 7 mil servidores do Ibama resolveram decretar estado de greve por tempo indeterminado. Várias manifestações estão programadas para os próximos dias e os servidores não descartam a possibilidade de uma greve geral.."

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Cientista político diz que “Lula sonda o terreno para 2010 com muito cuidado”

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o cientista político Leôncio Martins, professor da USP e da Unicamp, afirmou que “Lula sonda o terreno com muito cuidado para 2010”, quando questionado a respeito das intenções do presidente para a próxima eleição.
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“Quem acompanhar com pouca ingenuidade a atuação presidencial verá que ela está orientada para elevar ainda mais a popularidade de Lula com programas sociais de todo tipo, e no plano partidário, Lula arma um leque de apoio mais do que suficiente para ter suas propostas aprovadas e alterar a Constituição. Devemos acrescentar as sugestões que pulam aqui ou acolá de valorização da democracia direta, a proposta de criação de rede estatal de TV, distribuição de afagos a prefeitos, de empréstimos a aposentados e muitas outras sobre as quais faltaria espaço tentar enumerá-las”, disse Martins.
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Sobre a oposição, o cientista declarou que PSDB e Democratas estão perdidos, não sabem qual bandeira levantar diante da mentalidade brasileira que não consegue perceber que “pragas como o atraso, o autoritarismo e a violência têm índice elevado de relação com a corrupção”. Porém, ele não descartou a possibilidade de os tucanos conseguirem novamente a presidência.O governo de coalizão foi taxado por Martins como “um arco-íris com excesso de cores”. Ele destacou que é cada vez mais difícil a administração da máquina pública com tantos partidos, sem fisionomia programática. O que, segundo ele, não impressiona negativamente o eleitorado.

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Sem-terra: estrago ambiental

"Sem-terra" da Via Campesina, manobrados pelo ongueiro Darci Frigo, invadiram a Fazenda Experimental Syngenta em Santa Tereza do Oeste (PR) e fizeram um senhor estrago ambiental, segundo o deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR), da Comissão de Agricultura da Câmara: destruíram plantações e cortaram árvores para fazer roça em 56 hectares de área de preservação. O governo do Paraná não multa nem prende ninguém.

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A lição não foi aprendida
Da Folha de S.Paulo

"Sete meses depois do pior acidente aéreo da história do país, com 154 mortos, a Aeronáutica ainda não implementou as medidas de segurança previstas internamente para corrigir falhas no sistema de controle de tráfego aéreo e evitar acidentes. A FAB (Força Aérea Brasileira) diz que as medidas, elaboradas depois do acidente, estão "em análise".

Em meios internacionais, contudo, o Brasil sustenta que tomou as precauções necessárias "imediatamente". Em reunião da OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) neste mês na Costa Rica, onde o país enfrenta pressões devido à crise aérea, o Brasil disse que as medidas já foram efetuadas.

"Todas as ações que podiam ser implementadas na esfera brasileira foram lançadas, incluindo a implementação de algumas recomendações preliminares de segurança", conclui o documento oficial apresentado pelo país na OACI.

A Folha teve acesso à lista e às justificativas brasileiras e verificou que as medidas de segurança recomendadas não foram aplicadas, com exceção de mudanças no manual de regras e a aplicação de aulas de inglês aos controladores, planejadas anteriormente."

Números contradizem empregos e desempregos

Pedro do Coutto , Tribuna da Imprensa

"O Globo", Caderno de Economia, edição de 26 de abril, publicou na mesma página - página 30 - duas matérias conflitantes que despertam a curiosidade dos que costumam interpretar estatísticas. As informações são provenientes dos ministérios do Trabalho e da Previdência Social. A primeira diz que em março o número de empregos com carteira assinada registrou acréscimo de 146 mil e que, no primeiro trimestre, as novas contratações alcançaram 399 mil postos de trabalho.

A segunda, a do Ministério da Previdência, assinala que no mesmo período o déficit do INSS duplicou e atingiu 11,2 bilhões de reais. Não pode ser. A culpa não é da repórter Geralda Doca, que assina os textos. É dos autores das informações. Pelo menos, uma das duas está errada, pois se o índice de empregos com vínculo da CLT cresceu, evidentemente a receita do INSS só pode ter avançado e não diminuído. O mesmo se aplica ao Fundo de Garantia. Se as contratações formais cresceram, a arrecadação previdenciária não pode baixar.

As empresas recolhem para o INSS 22 por cento sobre a folha de salários, sem limite. Os empregados na média de 10 por cento sobre o teto de dez salários mínimos. No caso do FGTS, os empregadores recolhem 8 por cento sobre a remuneração dos empregados. Uma coisa está vinculada à outra. O que pode explicar a controvérsia? A meu ver o fato de o ministro Carlos Lupi, aliás boa figura humana, ter divulgado as contratações, não citando as demissões.

Em artigo recente, ao analisarmos o relatório do FGTS relativo a 2006, publicado no Diário Oficial pela Caixa Econômica, nos referimos ao pêndulo que oscila entre as demissões e as admissões. Tanto assim que, no ano passado, registraram-se 16 milhões de demissões sem justa causa e 628 mil aposentadorias, mas nem por isso o índice de desemprego do IBGE revelou uma situação assustadora. Afinal de contas, 16 milhões de demissões correspondem a quase 20 por cento da força de trabalho do País, já que a mão-de-obra ativa é formada por 90 milhões de pessoas, com ou sem vínculo empregatício pela CLT.

A explicação está no fato de que grande número de demissões é acompanhada por um processo natural de reemprego. Basta ver que a última pesquisa do IBGE, realizada em março deste ano, apontou um crescimento do desemprego de 9,3 para 9,9 por cento da força de trabalho nacional. Por aí, a demissão e readmissão, pode se entender por que o desemprego avançou apenas 0,6 por cento este ano. Então o que provavelmente aconteceu no primeiro trimestre de 2007 é que foram praticadas 300 mil admissões, porém as estatísticas do Ministério do Trabalho não registraram as demissões.

Ocorreram admissões em nível expressivo, mas com remuneração mensal menor. Tanto assim que, para o ministro da Previdência, Luiz Marinho, o déficit do INSS teria aumentado. É necessário, ainda, considerar-se a taxa de inflação dos períodos em confronto e os reajustes salariais ocorridos no mesmo espaço de tempo. As reposições perdem para a inflação, mas não são iguais a zero. Representam algo. Exceto quanto aos funcionários públicos federais e do Estado do Rio de Janeiro. Estes estão com seus vencimentos contidos na faixa de zero-reposição. Mas esta não é a regra predominante.

É preciso, de fato, confrontar-se os dois movimentos, o de demissão e o de admissão. O mesmo vale, por exemplo, para o consumo de petróleo. Não basta divulgar números do aumento da produção da Petrobras. Temos que levar em conta os índices de aumento de consumo. Idêntico raciocínio aplica-se à produção de energia elétrica, ao número de passageiros transportados, a tudo, enfim. Só desta maneira poderemos traçar um perfil verdadeiro das situações para as quais se propõe divulgação e análise. Tem que ser por este caminho.

No Rio, por exemplo, cuja situação financeira é preocupante, além das terríveis preocupações com a segurança pública, lendo-se o projeto de lei de Diretrizes Orçamentárias para 2008, enviado à Alerj pelo governador, verifica-se a existência da previsão de um déficit de 900 milhões de reais ao final deste ano, decorrência de a arrecadação dos últimos oito anos não ter acompanhado os índices inflacionários oficiais.

O orçamento deste ano está fixado em 35,4 bilhões de reais. Deste total, 8 bilhões e 800 milhões referem-se ao pagamento do funcionalismo e mais 5,3 bilhões de reais referentes aos aposentados e pensionistas. Somando-se as duas parcelas temos praticamente 40 por cento da lei de meios. Bem abaixo do limite de 55 por cento estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas o próprio governador mostra-se preocupado com o crescimento da folha, na base de 21 por cento sobre o ano de 2005, em face da terceirização. Aí entra a análise.

Se o servidores públicos tiveram reajuste salarial somente de 5 por cento, como a folha total pode ter crescido 21 por cento? Há necessidade de uma explicação mais clara, e sobretudo de uma solução. Não demitir pessoas, mas elevar a receita, terminando com a influência política na escalação das chefias fiscais. Rigor também na cobrança dos aluguéis dos imóveis do Estado alugados. Há locatários que não pagam aluguel há mais de seis anos. A matemática é uma ciência exata. Está sempre presente em tudo, e explica as situações aparentemente inexplicáveis.

O desemprego subiu em seis grandes regiões

Veja online

A taxa de desemprego subiu em seis regiões metropolitanas do país no mês de março: a cifra saltou de 15,9%, em fevereiro, para 16,6%, segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada nesta quarta-feira pela Fundação Seade/Dieese. As regiões pesquisadas são Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo. Segundo a Fundação Seade e o Dieese, tradicionalmente as empresas demitem no mês de março.

Com o aumento, o número de pessoas desempregadas avançou para 3,1 milhões – 119.000 a mais do que em fevereiro. A alta do desemprego se deveu, segundo o estudo, ao fechamento de 181.000 postos de trabalho e à entrada de 119.000 pessoas ao mercado de trabalho.

Todas as seis regiões metropolitanas pesquisadas apresentaram alta do desemprego. O pior resultado foi verificado em Belo Horizonte, com acréscimo de 7%, fazendo a taxa chegar a 16,2% da população economicamente ativa (PEA). Em seguida, vieram o Distrito Federal, com alta de 5,6% (que agora tem 20,6% de desempregados), Porto Alegre, 4,9% (14,9%), São Paulo, 3,9% (16,9%), Recife, 3,4% (21,4%) e Salvador, com elevação de 2,7% (totalizando 24,7% de pessoas sem ocupação).

COMENTANDO A NOTICIA: Notícia bastante ruim essa, hein ? Conforme já demonstramos aqui, esta média elevada tem se mantido na casa dos 10% há muito tempo. O que isto significa ? Reparem que há um indicativo do fenômeno: grande parte daqueles que perderam o empregam se recolocaram. Por um salário menor. E aí está a sacanagem, o que vem confirmar a perda de renda da classe trabalhadora: as empresas demitem, para logo em seguida recontratarem para os mesmos postos gente com salário menor. Isto num país com elevadíssima carga tributária é demonstrativo da miséria e da falência das políticas públicas. É inconcebível imaginar que as baboseiras professadas por Lula e seus asseclas, possam fazer sentido, diante de uma realidade tão dura. As políticas sociais ou assistencialistas reduzem o prejuízo ? Num primeiro momento sim, mas elas tem o dom de tornarem os beneficiados em reféns do Estado. E isto é ruim.

Há saídas ? Sim, de certo. Mas não será com os governantes atuais que se obterá estes caminhos. Pela simples razão de que a ideologia que os move, raiz de tanta dor de cabeça, não irá mudar. E por ela não muda, as políticas em curso, também não mudarão.

A começar pela redução do tamanho do Estado e do custo Brasil. E aqui não se fale apenas do Executivo, não. O Executivo tem muita culpa sim, mas não TODA a culpa. Analisem os demais poderes, Legislativo e Judiciário: no legislativo, é aquela putaria toda dentro do Congresso, convertido em imenso balcão de negócios e negociatas, e aquela profusão de privilégios e mamatas, com um custo imenso para o país. Eles se propõem gastar menos ? De outro lado o Judiciário: gasta em seu corporativismo uma imensidão, com palácios cada vez mais imperiais. E na estrutura ? Nada. E na agilização do serviço que presta, além da acessibilidade da justiça para o grande público ? Nada. Eles se propõem inverterem as prioridades ? De jeito nenhum.

Nesta semana ainda vimos que Lula torrou mais de R$ 1,0 de reais em propaganda. Se vocês perguntarem a ele o que pensa deste absurdo, não esperem ouvir coisas sensatas. Vai jorrar dali uma profusão de enrolações e conversas fiadas, que o melhor é nem perguntar-lhe coisa alguma. Pelo menos, ficaremos só na irritação do desperdício cometido. Também nesta semana, noticiamos que o Legislativo torrou uma refinaria e meia de petróleo equivalentes ao escandaloso consumo de combustíveis pelos ditos representantes do povo.

Este seria o caminho: reduzir o tamanho do estado e seu custo. Como isto não vai ocorrer, o quadro acima tende a se manter. E o país que se prepare: vamos continuar gastando uma enormidade em programas dito sociais de resultado duvidoso. Não porque o dinheiro dado aos beneficiados não seja importante: é porque o governo Lula teima em manter o programa estático e sem oferecer alternativas. Eles ainda não aprenderam qual o significado e os objetivos que programas sociais devem ser usados.

O diagnostico é até impreciso, se poderia acrescentar outras tantas questões. Mas no tamanho e no custo deste paquiderme chamado Estado Brasileiro, acredit6em, se localizam a grande parte das mazelas nacionais. Enquanto não se tomar coragem para mexer neste rebuliço, não haverá saída para um crescimento vertiginoso e sustentado em melhor distribuição de renda e sua valorização uniforme com este crescimento.

O dilema francês

por Carlos Alberto Sardenberg, site Instituto Millenium

Para os adversários do capitalismo liberal, a França é o melhor exemplo: é um país rico, diversos serviços públicos estatais funcionam bem (transportes, hospitais, escolas, energia elétrica), a semana de trabalho é de 35 horas, uma das menores do mundo, o salário mínimo é de US$ 1.700, dos maiores, e há várias companhias francesas líderes multinacionais. O que querem mais?

É o capitalismo europeu levado ao limite, o dirigismo do Estado corrigindo o mercado e protegendo os trabalhadores contra os lucros excessivos - tal é a conclusão orgulhosa do atual presidente Jacques Chirac, um homem da direita que considera o liberalismo pior que o comunismo, outra dessas coisas que só acontecem por lá.

Mas os críticos desse modelo também encontram na França o exemplo perfeito de sua inviabilidade. Entre as nações ricas, a França é a que menos cresce. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que era o sétimo do mundo, caiu para 17o. O desemprego, nos melhores momentos da economia local e mundial, não cai abaixo dos 8%. Na média, fica entre 9% e 10%, o mais alto entre os desenvolvidos. Entre os jovens, o desemprego chega perto de 25%.Entre os imigrantes e descendentes de imigrantes, vai a 50%. Os salários não crescem há anos.

Trata-se claramente de uma economia estagnada, com baixa capacidade de inovação e mínima geração de emprego.

Se as duas descrições estão corretas, o que se pode concluir? Que foi bom enquanto durou. Ou seja, o modelo se esgotou pelas virtudes mais caras a seus admiradores: a intervenção do Estado e o gasto público se tornaram excessivos, um peso para a sociedade.

Para manter todos aqueles serviços, o governo francês gasta hoje o equivalente a 55% do PIB, bem superior à média dos países desenvolvidos (40%) e muito acima dos níveis japoneses e americanos, pouco mais de 35%, e que são bem mais ricos. Em consequência, a carga tributária na França é de 50% do PIB, das mais altas do mundo.

E mesmo recolhendo tantos impostos das pessoas e empresas, o dinheiro não é suficiente. O governo ainda precisa tomar emprestado, fazendo anualmente um déficit superior a 3% do PIB, já tendo acumulado uma dívida equivalente a 65% do PIB, a mais alta e a de maior crescimento entre os 15 mais ricos da União Européia.

Nos últimos 25 anos, a França teve apenas dois presidentes, o socialista François Mitterand e o conservador Jacques Chirac, que se pareceram muitíssimo. Dada a combinação de presidencialismo com parlamentarismo, os dois presidentes tiveram que conviver com primeiros-ministros (e governos) do partido adversário. Mitterand e Chirac se reelegeram, mas os primeiros-ministros sistematicamente perderam as eleições quando tentaram renovar seus mandatos. Sinal da contínua insatisfação do eleitorado.

Nesse período, houve movimentos nos dois sentidos. Foram feitas algumas reformas na direção liberal e algumas privatizações, muitas corrigindo as estatizações iniciais de Mitterand. Mas também foram tomadas várias medidas para reforçar o modelo dirigista, como a semana de 35 horas, implantada por governo socialista sob a presidência Chirac.

No geral, entretanto, as tentativas de reformas pró-mercado fracassaram espetacularmente, em seguida a duros protestos de trabalhadores, estudantes e fazendeiros, todos empregados e/ou desfrutando das vantagens do sistema, como escola gratuita e subsídios agrícolas.

Pode-se dizer, portanto, que os dois candidatos que agora disputam mo segundo turno, o conservador Nicolas Sarkozy, ex-ministro de Chirac, e a socialista Ségolène Royal, também ex-ministra, representam as forças políticas que fracassaram sistematicamente no último quarto de século.

Os dois concordam que houve fracassos, mas por motivos diferentes, claro. Ségolène, por exemplo, acha que o salário mínimo é muito baixo e promete um aumento de 20%. Promete ainda aumentar as aposentadorias mais baixas, eliminar a regra que permite a pequenas empresas contornar as 35 horas e criar milhares de empregos subsidiados pelo governo. Jura que não vai aumentar impostos para pagar isso tudo.

Sarkozy acha que a semana de 35 horas é um grande desastre e promete flexibilizar o sistema para, como diz, “fazer com que a França volte ao trabalho”. Diz que vai reduzir impostos, mas não onde vai cortar gastos, porque isso é comprar encrenca e perder votos.

Já a população acha que o país vai mal, está empobrecendo e não confia nos políticos. Enquanto isso, os jovens, na maioria, aspiram a um seguro emprego no governo – um governo já inchado e deficitário.

Será uma surpresa se o vencedor conseguir tirar o país desse impasse.

O esquerdismo veio para ficar

Olavo de Carvalho, filósofo , Jornal do Brasil

A absolvição de Lula e de seus colaboradores pelo Tribunal Superior Eleitoral no caso do dossiê antitucano confirma, novamente, aquilo que já venho dizendo desde antes mesmo da eleição presidencial (e não me refiro à de 2006, mas à de 2002): o PT não veio para ocupar o governo temporariamente, dentro do rodízio democrático normal. Veio para criar um novo Estado, forjado na medida-padrão da sua vontade de poder.

Aqueles que esperam usar as instituições existentes como freio às ambições petistas são sonhadores semidefuntos que já estão na lata de lixo da História e apenas não são inteligentes nem corajosos o bastante para reconhecer sua situação.

As instituições não são nada. O poder esquerdista é tudo.

O esquema que nos governa não será derrubado por meio judicial; não será derrubado por via eleitoral; não será derrubado por golpe militar ou parlamentar; não será derrubado por pressão estrangeira; e não passará sozinho, como um sonho mau, por decurso de prazo.

O PT só deixará o poder quando sentir que a situação está madura para transmiti-lo diretamente às organizações revolucionárias de massa que até agora consentiram em lhe servir de retaguarda paciente e dócil, aguardando a transmutação chavista prometida e, a rigor, inevitável. Esse momento chegará quando aquelas organizações estiverem fortes o bastante para dominar fisicamente o território, com a ajuda de bandos de narcotraficantes associados à guerrilha colombiana (e, por tabela, ao Foro de São Paulo). Elas já provaram ter o monopólio dos protestos de rua, o domínio quase completo do tráfego rodoviário e a capacidade de paralisar cidades inteiras. Faltava o controle do tráfego aéreo, que está sendo providenciado.

O governo petista tem plena consciência de ser uma etapa de transição para a revolução socialista. Sua duplicidade de línguas, sua incoerência alucinante, suas idas e vindas entre o intervencionismo ousado e a omissão abúlica - tudo isso reflete apenas a índole essencialmente ambígua e mutante da sua função histórica.

O PT só deixará o poder quando puder repassá-lo a algo de incomparavelmente pior.

A única força que poderia, em princípio, deter esse processo é a resistência espontânea do povo brasileiro às mudanças rebuscadas e antinaturais que a elite iluminada pretende lhe impor. O povo é conservador e cristão, não gosta de desarmanento civil, abortismo, gayzismo, neo-racismo, feminismo enragé, proibições politicamente corretas e demais frescuras nas quais o típíco pseudo-intelectual ativista imagina ver o supra-sumo do progresso e da civilização. O apego desse povo a seus valores de sempre é uma energia tremenda, mas dispersa e marginalizada. Não tem canais de expressão política nem um lugar de respeito na cultura dita superior.

Reunir essa energia, dar-lhe consciência de si e transformá-la em ação político-social organizada é trabalho para muitas décadas, que ainda nem começou e que dia a dia se torna mais difícil de começar, graças à traição de um clero vendido ao esquerdismo e dos "direitistas" ansiosos para parecer cada vez mais politicamente corretos.

TOQUEDEPRIMA...

FAT tem 0,5% para qualificar desempregados
De O Estado de S.Paulo

Exaltado por todos os líderes sindicais nos palanques do 1º de Maio como “patrimônio intocável dos trabalhadores”, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) é de fato um grande patrimônio - está batendo nos R$ 130 bilhões -, mas dizer que é intocável não corresponde aos fatos. Inventado há 17 anos com três objetivos, pagar seguro-desemprego e abono salarial e qualificar mão-de-obra, o FAT deixa de receber 20% do valor de sua principal fonte, o PIS-Pasep, devido ao uso da Desvinculação das Receitas da União (DRU). Outros 40% são transferidos, por exigência constitucional, para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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“Abril vermelho” registra 81 invasões do MST

No chamado “abril vermelho”, o MST (Movimento dos Sem-Terra) realizou 81 invasões de fazendas em todo o País. O número é quase o triplo do registrado no ano passado (28), quando o movimento pisou no freio para não prejudicar a campanha de Lula à reeleição, e próximo ao dobro das ações de 2005 (44).
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O termo foi criado em 2004 pelo líder nacional MST, João Pedro Stedile, que prometia “infernizar” o governo Lula com uma série de invasões pelo Brasil. Em abril daquele ano foram realizadas 89 invasões.
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De acordo a coordenadora nacional do MST, Marina dos Santos, o movimento não pretende cortar o diálogo com o governo Lula. “Nunca foi intenção romper com o governo, com o qual temos buscado o diálogo, sem perder a posição crítica e independente. Vamos debater, negociar e continuar exigindo a reforma agrária”, disse.
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No levantamento das ações do mês, não foram incluídas ocupações de prédios públicos, bancos e praças de pedágio. O MST invadiu 17 prédios governamentais, inclusive agências bancárias oficiais, e ocupou 25 praças de pedágio no Paraná. Também promoveu marchas e o fechamento de rodovias.

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Lupi defende CLT em festa da Força Sindical

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT-RJ), manifestou-se contrariamente a flexibilização das leis trabalhistas durante festa da Força Sindical, em São Paulo. "Todo dia eu leio editoriais me chamando de atrasado e de retrógrado porque defendo a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Agora é meu direito defendê-la. Que trabalhador vai abrir mão do seu 13º e das férias remuneradas? Que trabalhadora vai abrir mão da licença maternidade?", afirmou Lupi.
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O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), celebrou o fato de que as discussões a respeito da aprovação da emenda 3, vetada pelo presidente Lula no mês passado, tenham saído do Congresso e disse que o debate agora vai acontecer “num nível melhor, com toda a sociedade, incluindo empresários”.
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A emenda, inserida na lei que criou a Super-Receita, proíbe que auditores fiscais multem e tenham poder para desfazer pessoas jurídicas quando for constatado que a relação de prestação de serviços com uma outra empresa é, na verdade, uma relação trabalhista. Esse poder seria garantido apenas a Justiça do Trabalho. Centrais sindicais organizaram diversos protestos contra a sua aprovação, pois temiam a precarização das relações de trabalho.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Se alguém imaginava que as relações trabalhistas fossem modernizar-se, esqueças: Lupi não moverá uma palha neste sentido. Sua imbecilidade não permite, e o cretino ainda acenou com greves caso o governo decida mexer.

Ora, um ministro de Estado que joga contra o país, incitando greves, merecia o olho da rua. E quanto ao Chinaglia, deste nada mais se precisa dizer, dado o seu papel ridículo e cafajeste que tem desempenhado como presidente da Câmara. Eles ainda não aprenderam as regras básicas de um país moderno democrático. Para eles o cargo público é o caminho mais curto para imporem sua estupidez. Às custas do povo, sua massa de manobra.

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Legalização dará R$ 100 mi para centrais sindicais
De O Estado de S.Paulo

"Está pronta a medida provisória que vai legalizar as centrais sindicais e atender a uma das principais reivindicações de seus líderes: o acesso ao rateio do bolo do imposto sindical que, só no ano passado, arrecadou mais de R$ 1 bilhão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu que as centrais vão ficar com metade da fatia do imposto sindical destinada ao governo.

Ex-sindicalista, Lula pretendia anunciar a boa nova hoje, para marcar o Dia do Trabalho, mas as negociações emperraram na última hora e ele foi obrigado a adiar o envio da MP ao Congresso. Pelo rateio sugerido, metade do total de 20% que cabe ao governo na contribuição cobrada dos trabalhadores ficaria agora com as centrais."

COMENTANDO A NOTÍCIA: Era tudo o que estes vagabundos queriam, serem sustentados pelo Estado, ou seja, pelos trabalhadores. Canalhice ? Safadeza ? Roubo ? É, definitivamente, a sociedade brasileira tem novos cafetões de carteirinha: os sindicalistas, que vivem do trabalho e dinheiro alheios. Eles acabam de rasgar a Lei Áurea: seremos todos os seus escravos.

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Dos países sem inflação, Peru é o que mais cresce na América Latina

Segundo reportagens do Estado de S. Paulo, entre os países sem inflação, a economia peruana é a que mais cresce na América Latina. Em 2006, o PIB do Peru apresentou crescimento de 8%, com inflação de 1,4% e aumento de investimento privado de 20%. O consumo de eletrônicos também elevou-se em torno de 30%.
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O presidente do país, Allan García, afirma que o segredo esteve em não aumentar tarifas. “Agora a economia está estável, acabaram os pacotaços (de aumento de tarifas públicas) e o dólar não sobe”, disse García, que deu continuidade à política econômica do governo Alejandro Toledo.O Peru está cada vez mais abrindo mercado. Tenta fechar acordo de livre comércio com os EUA e há projetos de PPP´s (Parcerias Público-Privadas) com investimentos de mais de R$ 4 bilhões.

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Governo apressa criação de tele nacional
Da Folha de S.Paulo

"O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou à Folha que a entrada da Telefónica espanhola no controle da Telecom Italia, anunciada no final de semana, vai precipitar a discussão no Brasil sobre a fusão da BrT (Brasil Telecom) com a Oi (ex-Telemar) e a necessidade de preservar um grupo nacional no setor.

Costa disse que pretende provocar tal debate a partir de amanhã. Afirmou ainda que a tese de preservação de um grupo nacional no setor conta com a simpatia do presidente Lula e de segmentos do governo. ""As telecomunicações têm impacto muito forte no volume de negócios e nos empregos. Será que não há grupos nacionais que possam se interessar em participar mais decididamente nessa atividade?", questionou."

COMENTANDO A NOTÍCIA: Só espero que este cretino não esteja pensando em criar alguma empresa estatal para intervir no mercado das teles. Seria um retrocesso e tanto ! Imaginem vocês quantos companheiros viveriam pendurados em novos empregos de alta patente e elevados salários, vantagens e cretinices, na mais bela vadiagem do mundo ? Vamos rezar para a “idéia” de Hélio Costa ser apenas um pesadelo de outono .