quarta-feira, maio 02, 2007

Escutas telefônicas: ministro do STJ antecipou voto

De acordo com reportagem da TV Globo, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça descobriram que o ministro afastado do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Paulo Medina teria antecipado voto em um julgamento de uma ação e orientado os advogados do réu.
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Em dezembro de 2006, Medina teria negociado com o advogado Paulo Mello um pedido de habeas corpus para o diretor do Minas Tênis Clube, Fernando Furtado Ferreira, acusado de usar uma carteira de policial falsa em Minas Gerais. O ministro também teria pedido mais detalhes sobre e o caso e informado que usaria, no julgamento do hábeas corpus, a tese de que Ferreira portava o documento, mas não teria se apresentado como policial. Ele ainda salientou para Mello a importância da sustentação oral durante a sessão de julgamento no STJ.
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Paulo Medina foi denunciado pelo Ministério Público Federal por suposto envolvimento com a máfia dos caça-níqueis. Seu irmão, o advogado Virgílio Medina, é suspeito de negociar a venda de sentenças judiciais favoráveis a empresários do jogo. Uma delas teria sido concedida ao ministro em troca de R$ 1 milhão.

COMENTANDO A NOTICIA: Pouco a pouco se configura a podridão que se escondeu por anos a fio dentro do Poder Judiciário. Não é o poder, são as pessoas que ocupam cargos e deles se servem para seus mesquinhos menos honestos.

Sempre houve desconfiança em relação a “algumas” estranhas sentenças. Claro, quando indagados, muitos juízes se defendiam com uma falação técnica jurídica longe do entendimento. Na medida em que a falação foi ficando insustentável, foi-se percebendo que deveriam haver outras razões que empurravam a Justiça a uma defesa suspeita em favor de tanto safado que se livrava de responder seus crimes, agora se vê, pela estreita ligação ou do safado ou de seus advogados, com alguns juízes “bonzinhos”.

É bom que estas trapaças venham a público. É bom que os canalhas sejam desmascarados para que saibamos o que se esconde nos porões da República. Pelo menos a gente agora sabe que não estávamos malucos. Eles é que não eram honestos. Mesmo assim, estejam os leitores certos de uma coisa: há muita podridão ainda para ser descoberta. Há muito milionário lavado na corrupção, há muito canalha posando de elite deitado no roubo descarado de recursos públicos, na corrupção impune cometida com o consentimento das elites políticas que se beneficiaram igualmente das falcatruas.