Adelson Elias Vasconcellos
A presidente Dilma chamou de 'golpe' o uso político de depoimentos sobre corrupção. Pois, então, vão aqui duas observações importantes: golpe é roubar dinheiro público para comprar apoio político, como se pode notar pelos depoimentos à Justiça Federal dados por dois operadores do petrolão, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras nos governos Dilma e Lula, e o doleiro Alberto Yousseff. E, a segunda observação importante é, se os papéis fossem invertidos, com o PT na oposição e o PSDB na presidência durante os fatos narrados, duvido que, menos de 24 horas após as declarações, na forma e conteúdo com que se deram, que o PT não protocolasse um pedido de impeachment e não recheasse sua propaganda eleitoral fazendo e dizendo coisas até piores do que a simples informação do acontecido.
Não, presidente, R$ 10 bilhões de uma estatal desviados para comprar apoio político isto não é apenas um simples caso de corrupção, trata-se de um golpe contra a democracia, já que tenta subjugar sob seus pés a independência de um dos poderes mais representativos da sociedade brasileira que deveria, por missão constitucional, fiscalizar os atos do Executivo e, ao contrário, se dobra às vontades e maldades por este cometido graças a uma corrupção deplorável.
Estivessem os papéis invertidos, não seria apenas um pedido de impeachment que seria aberto: o PT trataria de por na rua seu exército de delinquentes não menos comprados, para berrar, promover arruaças, exibir palavras de ordem, promovendo greves e pressionado o Ministério Público para abrir uma ação por crime de responsabilidade e improbidade administrativa contra o presidente da república.
Fazer o que fez Aécio Neves é do jogo político, minha senhora. A oposição, cuja existência e independência é quem consagra e garante a presença da democracia, está dentro do papel que lhe cabe. Pelo menos existe uma investigação já bem documentada de que se montou uma verdadeira organização criminosa dentro da Petrobrás. E os beneficiários dos crimes cometidos não foi a imprensa, nem os reacionários, nem a oposição, e sim o próprio PT, além de PMDB e PP, estes intimamente ligados na base de apoio político de seu governo, senhora Dilma Rousseff.
Apenas para citarmos um exemplo de como age o seu partido, a própria Procuradoria Geral da República já arquivou processo do tal aeroporto construído por Aécio, quando governador, em Cláudio, Minas Gerais. Entretanto, em sua campanha eleitoral a senhora insiste e teima em desqualificar o candidato adversário apontando como um ato desonesto, algo que nem a Justiça reconhece como tal. E o que se dizer sobre as mentiras e difamações inventadas por sua campanha quanto ao governo FHC? Comprou a própria reeleição, diz a presidente. Cadê provas? Não existem, e nada foi apurado. Vendeu empresas estatais a preço de banana. Prove, então, sua afirmação. Não basta acusar, senhora presidente, tem que provar. Acusação sem comprovação não passa de leviandade e desvio de caráter, senhora Dilma. Aliás, o PT teve doze anos para provar algum indício neste sentido. E jamais encontrou uma vírgula que desabonasse as operações e manteve tudo tal como encontrou.
Afirma-se a rodo que FHC quebrou o país três vezes. Mentira, FHC encontrou o país falido, quebrado, com contas públicas em completo desalinho, uma inflação galopante de quatro dígitos, com dívida pública em moratória, sem crédito para comprar um parafuso no exterior. Todas suas afirmações aqui enumeradas não passam de terrorismo eleitoral e golpe à verdade, aos fatos, à própria história.
Tem mais: dizer que a política de FHC provocou desemprego, achatamento de salários e recessão, o que é isso senão brutal inversão dos fatos? Ou, quando menos, golpe à verdade? Quem tem provocado recessão é o seu governo senhora Dilma Rousseff. São milhares de empregos fechando na indústria, crescimento na rabeira dos emergentes, inflação nas nuvens, juros mais altos do planeta, e um detalhe: quando tiver tempo, compare o crescimento de seu governo, sem crises, estabilidade econômica realizada, não apenas com o governo FHC, mas com todos os governos da história republicana. E envergonhe-se desde já: o seu crescimento é o TERCEIRO PIOR DA HISTÓRIA. É pouco? Falemos de achatamento salários. FHC manteve a tabela de isenção do imposto de renda na fonte até 5 salários mínimos. O seu governo cobra imposto na fonte já a partir de 2,5 salários mínimos, o que é isto, senão confisco salarial? E para fechar este bloco de verdades restauradas e repostas no seu devido lugar, saiba que o aumento real de salário mínimo do seu governo é cinco vezes menos do que a praticada por FHC. Debruce-se sobre os números reais, oficias, e pare de mentir ao povo brasileiro.
Quer ganhar eleição? Ok, é seu direito, mas faça-o com dignidade, com seus próprios méritos e não apelando para a baixaria, para mentira e mistificação, tentando colar nos outros os seus próprios erros.
Tivesse um pouco mais de vergonha, senhora Dilma, ao invés de se indispor a um caso gravíssimo de corrupção, ocorrido até mesmo durante seu período de governo, teria mostrado ao menos algum sentimento de indignação e mandado abrir as portas da contabilidade da estatal para apuração de todos os atos vergonhosos. Para quem garganteia na televisão que não admite corrupção, que bate, faz e acontece, sua declaração não só é estúpida e vai contra tudo aquilo que o PT, na oposição, se indispôs e não cansou de denunciar. Mas vai, também, contra seu próprio discurso de intolerância à corrupção. Não cabe à imprensa senão o papel de informar os fatos? Não foi isto que você disse semanas atrás? Então, que não provoque motivos para que a informação aconteça. Se corrupção existe, e ela está sendo investigado com extremo rigor, o povo tem o direito de saber o que se passa no submundo do poder. E, na qualidade de presidente eleita democraticamente, a senhora Dilma Rousseff tem o dever de prestar contas a este mesmo povo, e não tentar no berro e na baixaria abafar a roubalheira.
Assim, senhora presidente, seja mais presidente, coisa que nos últimas meses parece haver esquecido. Faça sua campanha apontando seus méritos e apresentando um projeto de governo coisa que até agora o eleitor desconhece. Não pratique delinquência eleitoral. E não tente, como em tantas outras vezes, jogar o mundo sujo de seu governo para debaixo do tapete, tentando evitar que o povo conheça a podridão que se esconde à sua vista. E não negue, sobretudo, o direito que pertence à oposição de fazer política e condenar os atos criminosos do governo em exercício. Se é para esconder alguma coisa, que ao menos seja a de evitar que a sociedade perceba o mau caráter travestido com faixa presidencial.
Para encerrar: pare de atacar o Ministério Público apenas porque investiga crimes petistas. Trata-se de um dever constitucional, senhora presidente. Procure conhecer um pouco mais a constituição. Se não quer ser investigada, então não dê motivos. Já encheu o saco dos brasileiros a tentativa cafajeste do PT de querer golpear, aparelhar e controlar de forma totalitária as instituições que são do Estado brasileiro, e não propriedades privadas de um partido político. E se o povo resolver eleger Aécio Neves, por favor, senhora presidente, não venha acusar o eleitor de ter dado um golpe no PT ou no país: alternância do poder faz parte da democracia, ou não?
Até porque, convenhamos, apenas em país cuja democracia foi golpeada pelo totalitarismo é que denúncia de corrupção do governo não pode ser revelada. Claro que para o ditador a informação seria um “golpe”, mas à sua honra e moral.
Pode ser que demore muito tempo para o PT aprender a mais sublime das lições que a democracia pode ensinar: a de que a sociedade, os povos em geral, não são propriedade de partido político. Mesmo que vivam sob o jugo de ditadores, cedo ou tarde, brota do peito de todos um instinto muito humano: o amor à liberdade.
A reclamação sem pé nem cabeça
Dilma reclama que o vazamento de parte dos depoimentos e de Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff foram eleitoreiros. Não sei que tipo de água Dilma anda tomando, mas deve ter uma mistura indigesta para confundir o seu raciocínio e faze-la perder o juízo. Acontece que não houve o tal vazamento. A divulgação foi feita pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz o processo Lava-Jato e isto foi confirmado por ele próprio.
Depois, a parte que envolve autoridades com privilégio de foro não veio a público. Somente o STF tomará conhecimento. Assim, não se quebrou regra alguma, aliás se a íntegra não foi divulgada é porque justamente há “regras”.
Assim, se a candidata-presidente tiver alguma queixa, dirija-se à Justiça Federal do Paraná, e não venha a público fazer ilações levianas. Não pega bem acusar o Judiciário de maneira tão torpe, assim como é execrável a acusação que fez ao Ministério Público de estar aparelhado por FHC. Dilma deveria ter a elegância dos bons perdedores. Quem escolheu Aécio foram os eleitores, nada a ver com Judiciário muito menos Ministério Público. Ou será que Dilma vai querer censurar Judiciário e Ministério Público? Isto é coisa para país bananeiro e governante chinfrim!!! Não pratique má fé, senhora Presidente, por favor!!!
.jpg)
.jpg)
.jpg)


.jpg)

.jpg)