domingo, outubro 12, 2014

Mercado de trabalho em setembro deve ser o pior em 14 anos

 Geralda Doca
O Globo

Abertura de postos com carteira assinada seria inferior a 100 mil; dados serão divulgados na semana que vem


BRASÍLIA - O mercado de trabalho deve registrar em setembro um dos piores saldos de criação de empregos para o mês nos últimos 14 anos. Segundo fontes do governo, a geração de postos com carteira assinada não superará 100 mil. Em setembro de 2013, foram abertas 211 mil vagas. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) devem ser divulgados pelo Ministério do Trabalho na próxima semana e ficarão bem abaixo da projeção dos analistas: criação de 144 mil empregos.

Setembro costuma ser favorável a contratações, sobretudo na indústria de transformação, que se prepara para as entregas de fim de ano. Mas o setor vem fechando vagas e registra saldo negativo há cinco meses consecutivos. A estimativa de técnicos do governo é que o resultado da indústria no Caged fique positivo, mas abaixo do obtido em setembro nos últimos três anos: 60 mil postos.

Com a crise no setor automobilístico, que colocou boa parte dos trabalhadores em férias coletivas ou em regime de suspensão temporária dos contratos de trabalho, as contratações na indústria deverão ser puxadas pela produção de alimentos e bebidas. Os setores de serviços e comércio, que ainda vêm sustentando o mercado de trabalho, não devem surpreender positivamente. A agricultura virá com saldo negativo, devido à entressafra. As demissões no setor começaram em agosto e deverão ser aprofundadas em setembro.

NO ANO, EXPECTATIVA DE 700 MIL POSTOS
Para o professor Rodrigo Leandro de Moura, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), um conjunto de fatores ajuda a explicar a desaceleração do mercado de trabalho, como a estagnação da economia por dois trimestres seguidos e a piora nas expectativas, com inflação em alta, pessimismo dos empresários e incertezas geradas pelas eleições.

— O governo não fez os ajustes necessários e o mercado de trabalho reflete a piora no cenário econômico.

A estimativa dos técnicos é que a meta de criar um milhão de empregos neste ano não será alcançada. Deverão ser gerados 700 mil novos postos.