Adelson Elias Vasconcellos
No discurso que fez logo a proclamação do resultado do primeiro turno, Marina deu a entender que daria apoio à Aécio Neves por ter percebido que as unas votaram por mudança ao que está aí, e o que está aí é o governo Dilma e toda a ruindade que ela produziu em todas as áreas.
Houve até jornalista que discorreu sobre a elegância da ex-senadora. Preventivamente, resolvi esperar. Em 2010 Marina resolveu ficar em cima do muro e isto pegou mal para ela. Agora, praticamente todos os partidos de sua coligação declararam apoio ao tucano. Marina resolveu marcar para quinta-feira, uma declaração em que iria dizer para que lado balança seu coração. E, inesperadamente, resolveu cancelar o encontro. Em lugar disto, mandou uma carta fazendo algumas colocações no mínimo absurdas.
Suas exigências parecem muito mais partir de alguém que ganhou do que alguém que perdeu. Algumas até podem ser negociadas, mas exigirão negociação junto ao Congresso. Por exemplo, o fim da reeleição. Isto não pode ser imposto, já que atingirá outros executivos como governadores e prefeitos. Há, também, uma certa aprovação por parte da população que não vê mal algum em reeleger bons gestores públicos. E isto acontece com frequência.
Outra “exigência” é que Aécio retire e abandone projeto do senador Aloysio Nunes Ferreira de se reduzir, em determinados casos, a maioridade penal de 18 para 16 anos, e ainda assim sob aprovação do Ministério Público da Infância e Juventude. E creio que também boa parte da população é simpática ao projeto. Mas também não é coisa que se imponha, precisa ser discutida no Congresso e amplamente com a sociedade.
Marina vai mais longe. Quer que se desista da ideia de conceder ao Congresso Nacional a palavra final sobre demarcação de terras indígenas. Questões ligadas ao território brasileiro são importantes e estratégicas demais para ficar sob a tutela de meia dúzia de fanáticos ideológicos. Aí, dona Marina, é uma questão de interesse do país, e não apenas circunscritas a interesses de ong’s, a maioria estrangeira.
Outra questão, da mesma gravidade, é que Aécio se comprometa com as metas do MST. Hãããããã!!!??? Como é que é, dona Marina? Querer submeter programas de governo a metas de uma entidade que, rigorosamente nem existe juridicamente, que age por meio de laranjas, que invade, destrói e depreda propriedade privadas produtivas, equivale a proposta estúpida de Dilma na ONU de que o mundo dialogue com o Estado Islâmico!!!
Quem apresenta um rol de exigências como esta, não está interessada em mudanças coisa nenhuma, como também não está interessada em apoiar quem quer seja, nem Dilma, nem Aécio, nem ninguém . Marina apoia apenas a ela mesma e ponto. Tenta fazer ibope pessoal a custa de coisa alguma. Quer apenas mais alguns minutinhos de fama.
Ora, majoritariamente, os votos de oposição foram dados a Aécio Neves, Foi o programa e as propostas que ele apresentou na campanha, que foi escolhido para se defrontar com o governo atual, e não as de Marina Silva. Sei não, mas alguém precisa avisar Marina Silva que ela perdeu a eleição. Que na corrida estão Aécio e Dilma. Suas exigências vão exatamente no sentido contrário a um projeto de mudanças para se abraçarem ao que já existe. Ora ela quer mudar o quê afinal? Ao alinhar-se com as mesmas políticas mantidas por Dilma, Marina demonstra que em seu coração ainda bate mais forte um coração petista. Marina deveria envergonhar-se em apresentar tal lista de cobranças. Fica claro que ela quer manter o mesmo comportamento vazio de 2010, e para não repetir o mesmo papel ridículo de antes, quer ter uma desculpa para não apoiar ninguém… Politicamente, Marina escolheu o limbo, lugar onde não nasce nada nem se produz nada. Há apenas um imenso vazio. Pena. Sua nova política é a não política e não existe democracia no mundo que sobreviva sem isto, por pior que ela seja praticada.
Na carta divulgada neste sábado, através da qual Aécio se aproxima em ideias às tais exigências apresentadas por Marina Silva, o que vai ali é exatamente o mesmo entendimento que vai acima. A simples leitura ressalta, contudo, que o programa de Aécio em nada abrirá mão de suas convicções, ele apenas demonstra que seu programa tem mais pontos de convergência do que supõe a ex-senadora, mostrando ainda que algumas propostas dependem muito mais do Congresso do que do presidente. Vamos ver que posição Marina assumirá. Seu partido, a família Campos e os partidos de sua coligação já manifestaram apoio ao tucano. Desejará Marina querer ficar sozinha em cima do muro? Que condição, no futuro, ela terá para pedir apoio de quem quer que seja? Espera-se que o bom senso fale mais alto do que a prepotência.
.jpg)