domingo, outubro 12, 2014

Falsa tentativa de dividir o país

Carlos Chagas
Tribuna da Internet

Antes mesmo do início da propaganda gratuita, quinta-feira, a presidente Dilma praticou a primeira baixaria de sua campanha. Foi na quarta-feira, no Piauí, onde pedia votos. A companheira-candidata abriu um confronto perigoso, desnecessário e profundamente injusto ao sustentar que os tucanos menosprezam o Nordeste. Acusou os adversários de dizer “que os votos da região são de pessoas de menos compreensão e que não sabem votar”. Criticou “a visão elitista dos que diminuem a opinião dos nordestinos”.

Estaria Dilma, para se reeleger, disposta a estimular a secessão no país? A dividir-nos geograficamente, atribuindo-se o papel de defensora dos pobres e oprimidos do Nordeste pelo fato de o Sul e o Sudeste concentrarem mais riqueza?

Seria bom que a presidente interrompesse essa estratégia, capaz de acirrar os ânimos. Deveria, durante seus quatro anos de governo, ter atendido com mais ênfase as carências do Nordeste (e do Norte), acima e além da distribuição do bolsa-família, que efetivamente beneficia mais os desprotegidos da região do que no restante do Brasil. Por uma questão evidente, dado o abandono com que governos anteriores, desde o Descobrimento, atuaram em favor do Sul e do Sudeste.

Dilma atribuiu essa falsa noção de integridade nacional “àqueles que nunca estiveram, no Nordeste e desconhecem a qualidade de seu povo”. Precisava ter meditado antes de embarcar na falsa tentativa de dividir o país. E lembrado que o Lula é nordestino, nascido em Pernambuco, projetado em São Paulo. Concordaria o ex-presidente com tamanho despautério?

Resta saber se Aécio Neves cairá na armadilha. Sua votação no Nordeste foi pífia, por isso ele prepara viagens à região. Mas se chegar lá defendendo-se, estará dando razão à adversária.

TEMORES
Cresce no PT e adjacências o temor de que venham a vazar antes do dia 26 os depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef feitos nos últimos dias à Polícia Federal e ao Ministério Público. Pelo que se sabe, eles tem revelado muita sujeira praticada junto à Petrobras, inclusive com nomes de políticos, parlamentares, governadores, ministros e penduricalhos. Uma lista inicial foi conhecida há semanas, mas o grosso da tropa ainda permanece em cone de sombra. Muitos foram reeleitos no último domingo, pelo que se sabe integrantes do PT, do PMDB e do PP. Não dá mais para cassar-lhes o registro. Só os mandatos…

QUANTOS MILHARES DE VOTOS VOARAM?
Conhecida parte da delação dos ladrões da Petrobras, José Roberto Costa e Alberto Youssef, na tarde de quinta-feira, a pergunta que varre o país de Norte a Sul refere-se a quantos milhares ou até milhões de votos terá perdido a presidente Dilma Rousseff?

Quem quiser que faça as contas, mas se inusitados não acontecerem até o dia 26, Aécio Neves está eleito presidente da República. Não dá para livrar a cara de Dilma, bem como do Lula, muito menos do PT, diante do escândalo agora denunciado. O partido dos companheiros levava 3% de todos os contratos superfaturados das empreiteiras com a Petrobras. PP e PMDB também participavam da lambança. Será possível que a presidente e o ex-presidente nada soubessem, com tanta gente envolvida? Por onde andou a Abin, encarregada de informar a chefe do governo? E o ministro da Justiça? Precisou a Polícia Federal investigar.

Vem muito mais chumbo grosso por aí. Quando o Supremo Tribunal Federal começar o julgamento dos políticos envolvidos na tramoia, assistiremos deputados, senadores governadores e ministros serem transformados em réus. Os que tiverem sido reeleitos perderão os mandatos. Quanto aos empreiteiros, serão expostos, junto com outros diretores da Petrobras. Serão abertas as portas da caverna do Ali Babá.

É impossível que essa monumental roubalheira não se reflita nas eleições presidenciais. É claro que Dilma não participou da coleta, mas o que dizer de líderes e integrantes do PT, PMDB e PP? Tivessem as denúncias sido conhecidas antes do primeiro turno das eleições e muito provavelmente o segundo turno estaria acontecendo entre Marina Silva e Aécio Neves.

Em suma, fica a indagação: quantos milhares ou milhões de votos a presidente terá perdido?