sábado, julho 07, 2007

Governo Lula: perdulário ao extremo

Programa Brasil Alfabetizado, do governo Lula, joga dinheiro pelo ralo
por Alvaro Magalhães e Josmar Jozino, no Jornal da Tarde
Parte dos milhões de reais destinados ao programa de alfabetização de jovens e adultos mantido pelo Ministério de Educação tem ido pelo ralo. Apenas no primeiro semestre deste ano, o ministério liberou cerca de R$ 20 milhões para entidades que têm sede na capital paulista e são responsáveis por executar o Programa Brasil Alfabetizado, mas admite que não sabe o que é feito do dinheiro.A proposta de erradicar o analfabetismo esbarra em um esquema de desvio de verba que envolve organizações não-governamentais credenciadas pelo MEC. Durante mais de um mês, o Jornal da Tarde analisou as contas do ministério e procurou 130 das 241 turmas montadas pelo Centro de Educação, Cultura e Integração Social de São Paulo - uma dessas ONGs, com sede em Guaianases, Zona Leste de São Paulo. Pelo menos 65 delas são fantasmas. Há, ainda, professores que não receberam salários, educadores contratados para alfabetizar em três lugares ao mesmo tempo e duplicidade de turmas.

As ONGs são pagas para alfabetizar pessoas de 15 anos em diante. Na capital, 12 entidades foram cadastradas - 11 já receberam verbas para cumprir aquela que seria uma das mais importantes metas do ministério: acabar com o analfabetismo. Em São Paulo, parte dos 68 mil alfabetizadores cadastrados atua desde o início do ano. Mas, terminado o primeiro semestre, centenas deles não viram um centavo da verba liberada.

Para ser cadastrada, a ONG precisa ter o seu projeto aprovado pelo MEC. O Centro de Educação, Cultura e Integração Social de São Paulo recebeu sinal verde em 2006.

A ONG paulista ganhou R$ 632.887,20 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para alfabetizar 5.709 pessoas, com 146 alfabetizadores. A verba foi depositada em 3 de abril, na conta 000041493X, agência 1267, do Banco do Brasil. Só pelo grupo de 65 turmas fantasmas, a entidade recebeu pelo menos R$ 98.800,00 e deixou de alfabetizar um mínimo de 650 alunos.

Até sexta-feira, grande parte dos educadores não tinha recebido salário. Na lista, estão Marilza Aparecida Santos, de 34 anos, e Gilmar Dias Souza, de 38. Desde fevereiro, eles alfabetizam quatro turmas em um sala de aula improvisada na garagem. "Estão me devendo pelo menos R$ 800", reclama Souza.O dirigente da ONG, Adaílton Marques Jordão, filiado ao PT , só repassou parte do que deve a Marilza na sexta-feira, quando o JT já havia entrado em contato. Souza não recebeu nada e conhece pelo menos outros 20 alfabetizadores nessa situação.

Terreno baldio
Entre os endereços visitados pelo JT, há terrenos baldios e residências, em vez de salas de aula. Há casos em que o número não existe na rua. A reportagem fez vários contatos com a ONG, mas foi informada de que Jordão e a coordenadora pedagógica, Ilma da Cruz Santos, estavam viajando e não tinham data para retornar.

A alegoria dos macaquinhos

por Percival Puggina, site Diego Casagrande
Diversas matérias da imprensa brasileira, na semana que passou, se detiveram a examinar o relatório divulgado pela ONG Transparência Brasil envolvendo o custo dos parlamentos em 12 países: Estados Unidos, Espanha, Canadá, França, Alemanha, Reino Unido, México, Chile, Portugal, Argentina, Itália e Brasil. No custo per capita só perdemos para os Estados Unidos, mas ganhamos disparados na relação que realmente conta, ou seja, naquela entre o custo de cada parlamentar e o PIB nacional. O orçamento do Congresso brasileiro, servido pelos cofres de um país pobre, é de R$ 6 bilhões e o dos Estados Unidos, país mais rico do planeta, equivale a R$ 8 bilhões. Cada congressista norte-americano custa R$ 15 milhões. Cada deputado federal brasileiro custa R$ 10 milhões. Mas nenhum parlamento do mundo, mesmo em termos absolutos, custa mais do que o nosso Senado Federal: R$ 33 milhões por senador! O relatório completo pode ser lido em http://www.transparencia.org.br/docs/parlamentos.pdf. É preciso, contudo, pôr as coisas no seu devido lugar. Não, não. Se o leitor pensou em "pôr todo mundo na cadeia", errou. Não é tanto assim: só 165 deputados federais (uma terça parte dos membros da Casa) e 37% dos senadores respondem em segunda instância ou nos Tribunais Superiores por crimes contra a administração pública ou o processo eleitoral, ou foram multados pelos Tribunais de Contas quando no exercício de funções executivas. Como se vê, nada que crie constrangimentos num país cuja Corte Suprema jamais condenou um congressista.

Esses dados explicam o que está acontecendo com Renan Calheiros e a virtuosa Comissão de Ética do Senado Federal. Trata-se da mais recente versão dos macaquinhos atravessando o rio sobre um cipó. Cada um, prudentemente, segurando o rabo do outro.

Saiba, porém, leitor: o problema não é o Senado, não é a Câmara dos Deputados, não é o Poder Judiciário nem é o governo federal, cuja figura central deixou bem claro que daria dois dedos para tirar o fraterno amigo Renan da sinuca de bico em que se meteu. São as nossas instituições que produzem esse resultado. É o ordenamento jurídico que criamos. É a república como a concebemos. É a democracia como a estruturamos. É o relativismo que cultivamos. É o apagão mental que se estabelece sempre que necessário relacionar causas e conseqüências. E tudo é o espelho da sociedade que somos. Sei que é pura vitória macabra. No entanto, em junho do ano passado, num artigo com o título "A serviço do inimigo", anunciei que o pleito que se avizinhava realizaria os dois sonhos de Lula: a reeleição e a possibilidade de, a partir de janeiro, compor base de apoio com um Congresso totalmente passado a sujo. Não deu outra.

Um site não recomendado para menores

Cuidado! Proteja seus filhos: existe um “governo Lula para crianças”
Reinaldo Azevedo

O Estadão publicou, no caderno Aliás de domingo, um texto impressionante do historiador Marco Antonio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos. Villa pertence a um reduzidíssimo grupo — eu disse “grupo”, não “bando” — que tem idéias próprias, que não segue a cauda do “companheiro” que está na frente, a exemplo dos bois e das vacas do senador Renan Calheiros. E porque não formam um “bando”, eles não adotam a cartilha petista. Mas também não adotam nenhuma outra. A função de um intelectual é pensar, não fazer proselitismo partidário. Discordo dele às vezes, mas lhe reconheço a independência.

Villa resolveu passear no site da Presidência da República. Há lá uma área destinada às crianças. É a mistificação somada à ignorância em seu estado de arte. Lula gosta de seguir os passos da ditadura do Estado Novo, de Getúlio Vargas. Mas o DIP — Departamento de Imprensa e Propaganda — era, vejam só, menos grosseiro. Leiam o texto do professor.

*O site da Presidência da República é muito curioso. Ao abri-lo, o leitor verá um trem em alta velocidade, inclusive com som, simbolizando o PAC, isso quando há mais de meio século as ferrovias foram consideradas símbolos do atraso e as rodovias a essência da modernidade. Deixando isso de lado, vale a pena clicar no retângulo azul, no alto da página: “Versão para crianças”. Nele o leitor encontrará uma lista dos presidentes da República, de personalidades históricas, fará um passeio virtual (pobre, é verdade) pela sede do governo e ainda lerá um vocabulário, chamado abc.

A lista dos presidentes é muito estranha. Primeiro, na versão para crianças, as fotos foram 'rejuvenescidas', ou seja, o retrato de cada presidente ficou em forma de caricatura e com vários anos a menos, não necessitando, como o atual presidente, de periódicas aplicações de botox. Segundo, não é possível entender por que lá estão presentes as Juntas Militares de 1930 e 1969, que somente ocuparam interinamente a Presidência. E mais: lá está Júlio Prestes, o candidato vencedor das eleições de 1930, mas que não assumiu o cargo, pois um mês antes (outubro) começou a Revolução que levou Getúlio Vargas ao poder.

Quando a criança, para usar o linguajar do pecuarista Renan Calheiros, clicar no “leia mais”, encontrará as fotos dos presidentes. A de Lula, estranhamente, é a única colorida. Todas as outras são em preto e branco e algumas delas mostram informalmente os presidentes.

As biografias de vários presidentes foram redigidas de forma crítica, especialmente os do regime militar. Mas a biografia de Lula, a mais longa, é só recheada de elogios. E ainda há um link para quem quiser também conhecer a palpitante história da primeira-dama. De acordo com a hagiografia, em 1975, Lula “deu uma nova direção ao movimento sindical brasileiro”. As célebres greves de 1968, em Osasco e Contagem, não devem ter ocorrido: “Em maio de 1978, aconteceu a primeira greve de operários metalúrgicos desde 1964, em São Bernardo do Campo, sob a liderança de Luiz Inácio da Silva, Lula” (esta passagem está na biografia reservada a Ernesto Geisel). Em 1979, ele “começou a pensar na criação de um partido”. Cita a prisão, mas omite a generosa aposentadoria que recebe há anos. Ele, sempre ele, “liderou uma mobilização nacional contra a corrupção que acabou no impeachment, processo que afastou Fernando Collor da presidência”. (Não se sabe se isto será mantido, pois hoje Fernando Collor faz parte da base governamental no Senado e foi recebido de forma efusiva, recentemente, no Palácio do Planalto.)
A biografia de Lula é tão importante que “invadiu” a de outros presidentes: Ernesto Geisel, João Figueiredo, José Sarney, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Como se ele fosse um personagem onipresente na história do Brasil dos últimos 30 anos. Ficamos sabendo, na biografia de Lula, claro, que a sua posse “reuniu pela primeira vez na história do país, uma multidão de 150 mil pessoas”.

Depois dessa overdose de Lula, a criança passa para o segundo item: o ABC. É um vocabulário para ensinar o dia-a-dia do governo. Das 26 letras, seis não mereceram nenhuma entrada, algumas até justificáveis (w, k, y). Infelizmente o vocabulário está recheado de erros e aqui serão expostos somente alguns deles. A letra j apresenta uma curiosa definição da palavra justiça, até explicável frente à conjuntura que vivemos: “Antigamente, era função da lei definir o justo e o injusto. Assim, o permitido por lei seria justo. E o que a lei proibisse, injusto. Mas, depois da ascensão do fascismo (Itália, 1922), esse conceito deixou de ser aceito. Os fascistas mostraram ao mundo que era possível criar uma sociedade injusta baseada em leis”. Convenhamos que a explicação é esdrúxula, revelando um absoluto desconhecimento histórico (entre outros, até sobre fascismo: somente em 1926 é que é possível dizer que a Itália é fascista) e uma pobreza analítica de fazer inveja a um senador do Conselho de Ética.

Depois de “explicar” fascismo para uma criança, o vocabulário na letra n resolveu apresentar o significado de Nação. Definiu Nação como um grupo que vive em determinado território, limitado por fronteiras, e que respeita as mesmas instituições (leis, governo) e deu como exemplo (?) os ianomâmi. Em seguida, ficamos sabendo que “o Brasil se tornou uma nação em 1822” (confundindo a noção de Estado e Nação), “quando o país ganhou a sua primeira Constituição.” Aí já é demais: a primeira Constituição é de 1824. Em tempo: não sei se é um ato falho, mas o tema das constituições não é o forte do redator. Ele diz, na introdução da galeria dos presidentes, que a Constituição de 1891 adotou o voto secreto, o que também não é correto (o artigo 47 fala em sufrágio direto).

Mas é na letra p que há o maior número de barbaridades. Logo ficamos sabendo que “o presidente da república é o chefe do Executivo e escolhe quem vai chefiar o Judiciário.” (??!!) Evidentemente que está absolutamente errado: a escolha do presidente do STF é prerrogativa dos 11 ministros que compõem aquela Corte. Na frase posterior, a criança é informada que o “presidente da Câmara dos Deputados é o chefe do Legislativo”. Presume-se que o verbete queria informar sobre o presidente do Congresso Nacional, ou seja, o presidente do Senado Federal. O verbete termina dizendo que os “representantes do povo são eleitos por um período determinado, que pode variar de quatro a seis anos.” Mais uma informação incorreta, pois os senadores têm mandato de oito anos.

Ainda tem o link para as cerimônias. O site cita o hasteamento da bandeira e apresenta 10 fotos, das quais Lula está em seis; e também faz referência às cerimônias de posse, expondo nove fotos, todas de Lula. É como se na história da República somente ele tivesse sido o presidente que tomou posse. A criança, continuando neste passeio pela História do Brasil pelo método confuso, como já fez Mendes Fradique, pode acessar o link das personalidades históricas. Aí, recordando Sérgio Porto, é o samba do crioulo doido (e pior: teve a participação de historiadores). Na biografia de Duque de Caxias, a criança será informada de que ele participou do afastamento de D. Pedro II. O redator do verbete mais uma vez exagerou: Caxias morreu nove anos antes, em 1880, portanto não poderia ter participado, ao menos na forma corpórea, do 15 de novembro de 1889.

Como o governo Lula está preocupado com a educação política das crianças, o mais recomendável seria retirar do ar esse conjunto de desinformações. É um misto de aparelhamento do Estado, de culto da personalidade do presidente, de profundo desconhecimento básico da história do Brasil e de suas instituições: mantê-lo no ar é um desserviço. Em tempo: só para efeito de comparação, convido o leitor a visitar o site da Presidência da República francesa.

A Era da Mediocridade

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

O presidente Juscelino Kubitschek é o que o brasileiro deveria ser. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o que o brasileiro é. Incapaz de folhear uma biografia, sem paciência para estudar a História do Brasil, Lula não sabe exatamente quem foi o antecessor. Mas gosta de comparar-se a JK. Depois de apresentá-lo como exemplo a seguir, não demorou a descobrir-se superior ao modelo. JK morreu antes que o atual chefe de governo tivesse nascido politicamente. Caso o conhecesse, não gostaria de ser comparado a Lula.

Ambos nascidos em famílias pobres, ultrapassaram sem medo as fronteiras impostas ao imenso gueto dos humildes e alcançaram o coração do poder. Esse traço comum abre a diminuta lista de semelhanças, completada pela simpatia pessoal, pelo riso fácil e pelo apreço por viagens aéreas. Bem mais extensa é a relação das diferenças, todas profundas, algumas abissais. O pernambucano de Garanhuns é um bom político. Pensa nas próximas eleições. O mineiro de Diamantina foi um genuíno estadista. Pensava nas próximas gerações.

Lula ama ser presidente, mas viveria em êxtase se pudesse ser dispensado de administrar o país. Bom de conversa e ruim de serviço, detesta reuniões de trabalho ou audiências com ministros das áreas técnicas. E escapa sempre que pode do tedioso expediente no Palácio do Planalto.

JK amava exercer a Presidência - e administrava o país com volúpia e paixão. A chama dos visionários lhe incendiava o olhar quando contemplava canteiros de obras que Lula só visita para discursar de improviso. Lula só trata com prazer de política. JK tratava também de política com prazer.

O país primitivo dos anos 50 pareceu moderno já no dia da posse de JK. Cinco anos depois, ficara mesmo. O otimista incontrolável inventou Brasília, rasgou estradas onde nem trilhas havia, implantou a indústria automobilística, antecipou o futuro. Com JK, o Brasil viveu a Era da Esperança.

O país moderno deste começo de milênio pareceu primitivo no momento em que Lula ganhou a eleição. Quatro anos e meio depois, ficou mesmo. As grandezas prometidas em 2002 seguem estacionadas no PAC. As estradas federais estão em frangalhos. O apagão aéreo vai completando nove meses. A roubalheira federal atingiu dimensões amazônicas. Mas Lula está bem no retrato, informa a mais recente pesquisa de opinião.

Está bem porque a economia tem sido poupada de sacolejos planetários freqüentes em governos anteriores. Está bem por ter inventado o Bolsa Família, que promoveu milhões de miseráveis a dependentes da esmola federal. E está bem sobretudo porque o advento da Era da Mediocridade tornou o país mais jeca, mais brega, menos exigente.

Nos anos 50, o governo e a oposição eram conduzidos pelos melhores e mais brilhantes. O povo que sabia sonhar sabia também escolher. Mereceu um presidente como JK. No Brasil de Lula, mandam os medíocres. O grande rebanho dos conformados tem o pastor que merece.

Cabôco Perguntadô
O Cabôco recita há 10 dias um trecho do discurso de posse de Mangabeira Unger: "O engrandecimento do Brasil soará em todos os recantos da Terra, como o grito de uma criança ao nascer, prometendo um recomeço para o mundo. Presos a seus afazeres, ansiosos para esquecer que morrerão, todos pararão por instantes, perturbados por esperança inesperada. Ouvirão no grito a profecia do casamento da pujança e da ternura".

Continua sem saber se o homem é só meio bobo ou completamente maluco.

Desafinação e desatino
O ministro da Defesa, Waldir Pires, avisou que o apagão aéreo vai durar pelo menos mais um ano. O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, informou que o colapso da aviação civil está quase no fim. Não passa de julho, garantiu. O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, acaba de dar a excelente notícia: "A crise acabou".

"Aos cretinos fundamentais, nem água", advertia Nelson Rodrigues. A era Lula deu a vários deles mais que isso. Ganharam o direito de beber nas fontes do poder.

Todo berço pode embalar bandido
"Eles não são bandidos", comunicou Ludovico Ramalho Bruno, pai de Rubens Arruda, um dos cinco jovens de classe média que espancaram e roubaram a empregada doméstica Sirlei Dias Carvalho Pinto. "Tem que criar outras instâncias para puni-los", reivindica. São bandidos, sim. De boas famílias, mas bandidos. Não merecem instância especial: merecem é cadeia, feita para engaiolar qualquer criminoso. O país ficará menos cafajeste quando o Código Penal valer para todos - pobres ou ricos. Até mesmo para senadores.

Nascidos um para o outro
Quando desfila no bloco dos pecadores companheiros, onde brilha como rainha da bateria, a senadora Ideli Salvatti, do PT catarinense, é um berreiro à procura de uma idéia. Fantasiada de madrinha do cordão dos aliados, Ideli é um sussurro a serviço dos aflitos.

Foi bonito vê-la soprando palavras amáveis aos ouvidos de Renan Calheiros, com escoriações generalizadas no coração e na imagem. Foi bonito ver o senador beijar a mão da parceira.

Ideli e Renan, PT e PMDB. Tudo a ver.

Yolhesman Crisbelles
Vai para o filósofo Renato Janine Ribeiro, pelo sumário de uma pesquisa que bolou:

Trata-se de destilar o que é a cultura social e política de nosso tempo mediante o exame de sua cultura, quer de elite, quer de massas, em especial nos significantes que mais chamam a atenção. Assim, estudaremos Cinderela e Mogli, de Disney, a astrologia, quando se torna junguiana, romances de Agatha Christie, Fellini e o espiritismo, Guimarães Rosa

Nosso dinheiro não é capim!

Ubiratan Iorio, economista , Jornal do Brasil

É evidente que uma avestruz, que pesa de 90 a 150 kg, além de comer de tudo, aboca mais, muito mais, do que uma galinha, com seu 1,3 kg. O governo-avestruz do PT é o campeão absoluto da América Latina em número de ministérios: temos, já contando o novo Ministério da Bola de Cristal confiado ao ininteligível (nas idéias e no sotaque) professor Mangabeira, 37 pastas de primeiro escalão; a ilha do decrépito tirano Fidel ocupa a vice-liderança, com 28; e a Venezuela, do burlesco neoditador Chávez, aparece colada e cheia de inveja, em terceiro, com 27. É a combinação nefanda entre o patrimonialismo, que vê novos ministérios como solução - quando é problema - e a fragilidade institucional que leva, em nosso regime presidencialista sem partidos programáticos, os presidentes, no afã de obterem apoio político, a criarem pastas e mais pastas, para rateá-las entre companheiros e aliados.

O furor ministerial gera pencas de cargos de confiança que, no nível federal, abrangem desde o DAS 1, equivalente, hoje, a um salário de R$ 1.977, até os disputados DAS 5 e 6, que rendem, respectivamente, R$ 8.400 e R$ 10.488 por mês. Lula, que, quando candidato, jurou moralizar a administração pública, acaba de criar mais 626 cargos de confiança, para "atender à demanda gerada pela criação de mais ministérios para contemplar novos segmentos da sociedade" (é dose para avestruz). Na verdade, isto significa apenas aquinhoar os filiados ao PT e, em menor escala, os aliados de outros partidos que vendem apoio, pois os cargos comissionados são de livre provimento, sendo preenchidos por indicações políticas, sem qualquer vínculo com o serviço público e sem concurso. Aos amigos - tanto os fiéis como os de ocasião - tudo...

Em 1999, início do segundo mandato tucano, o total de cargos comissionados (DAS) já era extremamente elevado: 16.306; em 2003, começo do petelhato, havia 18.374 desses cargos e, atualmente, há 22.228. Eis para onde é destinada uma parte do nosso dinheiro, tomado à força pelo leão da Receita, certamente o animal mais eficiente, em sua insaciável voracidade, do zoológico estatal! E olhem que é uma bela parte: do início do período petista até hoje, os gastos anuais com esses cargos experimentaram um crescimento nominal de cerca de 116,3% e um aumento real (descontada a inflação) de 63%, saltando de R$ 4,3 bilhões para R$ 9,3 bilhões, valor que supera o carro-chefe da demagógica caravana dos barbudos, o Programa Bolsa Família, que suga R$ 8,7 bilhões anuais dos impostos que suamos para pagar. Se adicionarmos às sinecuras federais as estaduais e aquelas dos mais de 5.560 municípios, entenderemos a escassez de recursos nas áreas fundamentais da segurança, educação, saúde, justiça e infra-estrutura.

Se somarmos, ainda, as tais "agências reguladoras", que foram transformadas em cabides políticos pelo atual governo federal, bem como as estatais, ou infladas ou ressuscitadas pelo petismo, saberemos claramente por que a economia só cresce de forma sustentada na visão bufa e cínica do ministro da Fazenda, que, sem usar uma gota sequer de teoria econômica, enxergou nas multidões que padecem nos aeroportos um sinal de que a ordem e o progresso são incontestáveis.

Trabalhamos até o dia 26 de maio de cada ano para pagar tributos. Mas, se adicionarmos o que temos de gastar - em duplicidade - com educação, previdência e planos de saúde privados (porque, com justa razão, não confiamos nos serviços públicos), concluiremos com espanto, após ligeiros cálculos, que trabalhamos até meados de agosto para termos acesso digno a direitos nossos, pois nos são cobrados compulsoriamente. O governo, tão eficiente quando se trata de arrecadar, é de uma ineficiência aterradora na hora de gastar. Até quando vamos nos conformar em pagar essa conta? Nosso dinheiro suado não é capim para servir de refeição à avestruz estatal!

Como Mulher de Malandro

Por Adriana Vandoni, site Prosa & Política
A última gracinha do governo federal contra o campo veio através do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) que precisa aumentar a sua “capacidade operacional no sentido de dar ao País um novo ordenamento fundiário”, segundo o presidente Rolf Hackbart. Para tanto o Incra editou a Instrução Normativa (IN) nº. 27 que pretende vistoriar propriedades rurais sujeitas à ratificação de seus títulos de domínio, localizadas na faixa de fronteira. A faixa de fronteira é de 150 km de largura, paralela à linha divisória terrestre do território brasileiro e abrange 570 municípios brasileiros. Só no estado de Mato Grosso 24 municípios serão afetados pela IN nº. 27.

Acontece que o INCRA mudou as regras do jogo. Em 2000 ficou definido que o imóvel rural para ser ratificado deveria ter Grau de Utilização da Terra (GUT) de no mínimo 50% e hoje, pela IN nº. 27, esse Grau de Utilização da Terra passou para 80% e o Grau de Eficiência na Exploração deverá ser de 100%, no mínimo. Caso isso não ocorra, a área terá seu domínio anulado. Ou seja, o proprietário perderá sua área sem ser indenizado.

Ainda bem que o Paraná e outros estados também estão envolvidos, pois isso nos garante a defesa contra mais esse absurdo do governo Lula. Se dependêssemos dos excelentíssimos senadores de Mato Grosso, que pegaram como missão única do mandato nomear o até agora eterno indicado Pagot para o DNIT, o estado poderia ter 13% de sua área confiscada pelo governo federal para fazer politicagem.

Mais um absurdo que se constrói, este agora devido aos anseios enrustidos do presidente do INCRA, que deseja fazer um reordenamento fundiário. Sei!!! Para fazer suas revoluções criam esses monstrengos, iniciando, de preferência contra o setor mais desunido e fácil de ser atingido, o setor rural.Ora, ora, ora!, Claramente o foco do Incra é fazer expropriação para realizar uma reforma agrária às avessa. Há de se fazer aqui uma observação importante: a maioria das propriedades na faixa de fronteira possui de 50 a 100 hectares, e é, portanto, ocupada por agricultores familiares. Isso quer dizer que o INCRA quer tirar as famílias que conseguiram constituir patrimônio, desenvolver atividade produtiva.

Para quê? Para fabricar troféus e material para o próximo programa eleitoral. Fazer cada vez mais assentamentos sem infra-estrutura, com pessoas muitas vezes sem a mínima vocação para a terra. Serão os futuros inscritos no bolsa-família. Não importa para o INCRA a qualidade ou durabilidade do assentamento, não se quer saber se a terra concedida hoje será vendida pouco à frente, ou quem sabe, trocada por umas biritas. O que interessa são os números.Não é de hoje que o setor rural está exposto a todo tipo de adversidade, entendível quando se pensa em fatores climáticos, pragas, catástrofes, mas quando é decorrente do poder público, da falta de ação ou da ingerência desmesurada do estado, é revoltante.

Acompanho os problemas do campo há tempos e a história vem se repetindo, cada vez com maior gravidade. Uma hora é o MST com seu líder que beira à insanidade, outra é a Funai com sua visão “empreendedora” querendo fabricar índios. O câmbio nem é bom falar, parece uma brincadeira de mau gosto. De mau gosto também é a desorientação ambiental. As exigências para a liberação de uma licença mudam do dia pra noite.

O projeto entra na Secretaria de Meio Ambiente e depois de, em média, uns seis meses, inventam uma nova certidão que o produtor precisa arrumar e apresentar à SEMA. Justamente essa secretaria que é fundamental para o estado de Mato Grosso, vive capenga. Os motivos? Aqueles que tantas e tantas vezes já denunciei aqui: a implantação do estado policial que aterroriza os funcionários, o conflito de propósitos. Tudo isso acompanhado permanentemente pela precariedade das vias de escoamento.

Mas o setor sobrevive, e à revelia do estado, o setor progride, se submete a financiamentos exploratórios, a contratos indecentes, a instabilidades ideológicas deste governo louco, enfim, se sujeita a qualquer coisa para produzir, até a falatório politiqueiro de quem se faz representante do setor e não move uma palha para ajudar.

Não sei vocês, mas eu já cansei. Pô, o setor só leva porrada e continua gerando dividendos para o país. Ah, quer saber? A solução está nas mãos de vocês mesmos. É preciso mostrar força e união, no lugar de ficar acreditando em um messias que “enfim é um representante do setor”, que nada fez a não ser entregar os “companheiros” como moeda de troca para seus interesses pessoais, e ainda ouvir de alguns que “ele é o homem!”. O setor não pode agir como mulher de malandro, que quanto mais apanha mais gosta do “seu homem”.Se não mostrar que possuem força, continuarão sendo tratados como mulas de carga a bancar a politicagem de quem está a serviço pessoal, continuarão sendo tratados como mulher de malandro, que dia após dia apanha do “seu homem”, mas quando a coisa fica muito difícil, aceita umas florzinhas para acalmar.A continuar assim, só resta esperar pelas próximas flores.

Adriana Vandoni é economista. Site: www.prosaepolitica.com

Aeroportos à espera de equipamento

Cláudia Dianni, Jornal do Brasil

Os brasileiros vão continuar a passar horas e até a dormir nos principais aeroportos do país, como voltou a acontecer no último fim de semana, cada vez que mudar o clima, caso o governo não invista na compra de equipamentos de última geração que permitam pousos mesmo sob forte nevoeiros. Outra opção é promover uma melhor distribuição do vôos, para descongestionar o tráfego aéreo nos aeroportos de São Paulo, segundo a Infraero.

- A novidade do fim de semana foi que os três aeroportos de São Paulo fecharam por causa do mau tempo. Mas foi uma infeliz coincidência, porque o Aeroporto Internacional de Viracopos nunca fecha, mas o nevoeiro atingiu as três cidades São Paulo, Guarulhos e Campinas - disse o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira.

De acordo com o brigadeiro Pereira, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, pretende adquirir a terceira geração do equipamento ILS (sigla inglês para Sistema de Pouso por Instrumento) para os aeroportos de Guarulhos, Curitiba e Porto Alegre, que têm intenso tráfego aéreo, além de serem regiões freqüentemente afetadas por nevoeiros.

A vantagem do equipamento, utilizado pelos países do hemisfério Norte, é permitir pousos mesmo sem visibilidade nenhuma. Guarulhos opera com o ILS de segunda geração, que permite que o piloto desça até 60 metros mesmo sob forte nevoeiro. A Aeronáutica ainda não recebeu autorização para efetuar a compra.

Segundo Pereira, são equipamentos caros que custam no mínimo US$ 8 milhões.

- O problema não é só o custo da aquisição, mas o de instalação, manutenção e o alto custo de treinamento para o pilotos. As companhias teriam dificuldades para arcar com esses gastos. Além disso, seria preciso fazer investimentos nas pistas que precisariam de iluminação especial - afirma Pereira.

De acordo com o brigadeiro, basta que a temperatura suba cinco graus pela manhã para que um forte nevoeiro ocorra. Com a cada vez mais constante mudança climática, os nevoeiros devem ocorrer com mais freqüência, mas os aeroportos brasileiros não estão capacitados para as mudanças.

Na opinião da presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziela Baggi, além de equipamento, o governo tem que investir na redução da dependência do fluxo aéreo de todo o país dos aeroportos de Guarulhos e Cumbica.

- Viracopos tem capacidade de atender a forte demanda de São Paulo, mas isso não acontece porque não há investimento em transporte modal, ou seja, as companhias não investem para transportar os passageiros de forma prática e econômica de São Paulo a Campinas - afirma.

CPI cobra contrato do negócio

Kayo Iglésias , Jornal do Brasil

A CPI da Varig na Assembléia Legislativa do Rio deu na última sexta-feira mais um passo para esclarecer as circunstâncias da compra da ex-maior companhia aérea do país. O presidente da Gol Linhas Aéreas, Constantino de Oliveira Júnior, terá que mostrar o contrato do negócio fechado em abril aos parlamentares da comissão, presidida pelo deputado Paulo Ramos (PDT).

Os trabalhos vão continuar: Ramos vai enviar os resultados das apurações da CPI às comissões que investigam o apagão aéreo na Câmara e no Senado federal. Com isso, ganham mais respaldo os esforços para quebrar na Justiça o sigilo fiscal e bancário dos envolvidos.

Constantino prestou depoimento diante de cerca de 20 ex-funcionários da Varig, que vestiam camisetas de repúdio à derrocada da companhia. Paulo Ramos suspeita que os empresários Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo, sócios da Volo - controladora da VarigLog, que arrematou a Nova Varig em 20 de julho de 2006 por cerca de US$ 20 milhões - atuaram como intermediários da Gol, que, no segundo leilão, comprou a empresa por US$ 320 milhões.

O presidente da companhia aérea disse não conhecer os empresários. Constantino justificou a diferença de preço entre os dois leilões alegando que houve investimentos feitos durante o período de nove meses em que a Volo atuou como controladora da Varig.

- Na ocasião da nossa compra, a VRG tinha, além da concessão, áreas em aeroportos necessárias para atividade operacional, 16 aeronaves Boeing 737, uma 767 e duas MD-11. Não entramos no primeiro leilão porque estávamos em negociação para assumirmos uma empresa mexicana. A Varig, quando foi vendida para a Volo, tinha apenas duas aeronaves em operação. E esse tipo de reparo não custa pouco.

Questionado a respeito da contratação de funcionários, Constantino disse estar dando preferência a ex-trabalhadores da Varig.

De todas as vagas que estão sendo criadas, 90% estão sendo preenchidas por ex-colaboradores Varig. Estamos mandando correspondência a eles.

Naturalmente, não temos condições de atender a todas as expectativas, devido a nosso processo de seleção.

O advogado das associações de trabalhadores da Varig e procurador da Justiça aposentado Jorge Lobo também prestou depoimento. Emocionado, contou que o Conselho de Administração da Companhia teria que aprovar a venda da Varig antes de a empresa ser arrematada pelos US$ 20 milhões, o que, suspeita, não aconteceu.

Lobo também contou que a empresa de consultoria Deloitte teria ganhado cerca de R$ 12 milhões para realizar a recuperação judicial da Varig. Segundo o deputado Paulo Ramos, é uma quantia muito alta para uma recuperação que, na verdade, não houve.

- Só a marca Varig valia US$ 1 bilhão. A empresa foi vendida pelo preço ridículo de US$ 20 milhões. E o mais incrível: foi vendida a uma empresa que era devedora da Varig - declarou o advogado. - Eu tenho a minha missão, defender os empregados - disse, com a voz embargada.

A penugem da popularidade

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Meio ano do segundo mandato não se comemora, mas vale o registro e a tentativa da interpretação do estilo presidencial na curtição do bis em clima de festa, na cadência do "é hoje só, amanhã não tem mais".

Lula só desperta e entra em campo quando se sente ameaçado. A crise moral que devasta o Congresso e arrasta o Senado na sucessão de escândalos não provocou um gesto ou um vinco na testa presidencial. Mas buliu com a sua tranqüila fruição do cargo, quando bateu à sua porta o risco da defenestração do senador Renan Calheiros, um aliado de mil e uma utilidades da presidência do Senado. Convocou a turma ao seu gabinete e bateu o martelo na escolha do senador Leomar Quintanillha, do obediente PMDB do Tocantins, para presidente do Conselho de Ética. Está resolvida a parada.

O presidente pode voltar à despreocupação: a delegação virtual da responsabilidade pela rotina à ministra Dilma Rousseff, chefe do Gabinete Civil; a generosidade com que cria e distribui cargos de confiança aos cupinchas, a extravagância da criação do Ministério surrealista para prever o futuro, entregue ao seu inimigo de véspera, o mago Mangabeira Unger; compõe o cenário em que se distrai o mais feliz dos brasileiros.

A auto-estima em dose dupla maquia a imagem refletida no espelho do "maior presidente de todos os tempos" que realiza "o maior governo da história deste país" e que recebeu nova injeção de otimismo com os dados da última pesquisa, que confirma a sua popularidade na altura celestial de 64%.

Lula vê o país do alto, nas asas do Aerolula, como milionário em férias, imune a todas as crises que atormentam milhões, como o apagão aéreo, a violência solta nas ruas e invadindo residências; as estradas esburacadas retendo milhares de veículos por dias e semanas; portos abarrotados, com imensas filas para o embarque e desembarque das cargas; hospitais com filas de doentes varando madrugadas à espera da vaga nas macas enfileiradas nos corredores; marchas do MST na invasão e depredação de fazendas produtivas e na ocupação de prédios públicos.

No segundo mandato, sem nova reeleição à vista, tem muitos motivos para desfrutar o momento de vento a favor e céu sem nuvens. Blindou a popularidade com a esperteza e os truques do aprendizado na liderança do movimento sindical, na militância política como fundador e presidente do Partido dos Trabalhadores e em quatro campanhas como candidato à presidente da República.

Sabe que é maior do que o PT e preza a solidariedade da legenda para carimbar a coerência: o partido da desbotada estrela vermelha sobrevive às custas do governo, que invadiu com a sofreguidão da longa espera.

Mas se o PT e os aliados comem na sua mão, o presidente do país das maravilhas deve muito da sua tranqüilidade à inanidade da oposição. Está sozinho no picadeiro, sem adversário que o ameace. Os dois mais fortes pretendentes do anêmico bloco oposicionista - os governadores Aécio Neves, de Minas, e José Serra, de São Paulo - necessitam da ajuda federal para a realização dos projetos de grandes obras públicas.

Programas populares como o Bolsa Família, o Bolsa Escola, a construção de casas populares, o bom desempenho da economia, a inflação sob controle escoram os estáveis índices de popularidade.

Inflado de vaidade, Lula não controla a língua e costuma misturar frases desastradas com provocações que irritam os adversários. Como o misto de arrogância e deboche do auto-elogio, em transcrição fiel: "As coisas estão dando tão certo que eu fico preocupado de gente incomodada procurando pêlo em ovo para poder encontrar um jeito de fazer crítica ao país".

Brasil Falseado

por Maria Lucia Victor Barbosa, Alerta Total

Em todos os tempos e em todas as sociedades existiram e existem controles utilizados pelo poder político, através dos quais os governantes se legitimam e obtêm a obediência de sua sociedade. Basicamente são eles: a violência, a coerção, a indução, a persuasão e a manipulação.

Em um curto artigo não dá para detalhar cada um desses controles e deixando por enquanto de lado a violência e a coerção, prefiro sintetizar conceitualmente a indução, a persuasão e a manipulação que em nosso país reforçam na atualidade o Poder Executivo de forma considerável. Afinal, foi induzindo, persuadindo e manipulando que o PT, na quarta tentativa, chegou à presidência da República através do seu candidato símbolo, Lula da Silva, e ainda conseguiu reelegê-lo. Também são esses controles que ajudam ao presidente manter-se num patamar elevado de aceitação popular, malgrado os escândalos que explodiram entre seus companheiros e compadres mais chegados, além de familiares. Tão-pouco importa se ele tenha deixado de cumprir promessas e virado pelo avesso seus discursos ideológicos, porque importante é o mito, e não a verdade. E o mito é mantido pela indução, pela persuasão e, sobretudo, pela manipulação.

Naturalmente outros fatores ajudam Lula-lá: o apoio não só dos pobres agraciados com as bolsas-família, mas da elite econômica; o enfraquecimento dos Poderes Legislativo e Judiciário cooptados pelo Executivo; a adesão de instituições e grupos de interesse (Exército, centrais sindicais, UNE, etc.,); o cenário econômico internacional favorável; o bom funcionamento até agora do Plano Real que mantém a estabilidade econômica; a falta de oposições, especialmente, a partidária; a desinformação do brasileiro com relação à política. Mas mesmo esses fatores são reforçados pelos controles que fazem submergir realidades pouco agradáveis para fazer vir á tona apenas o Brasil falseado.A bem da clareza pode-se dizer de forma resumida que a indução, no sentido político que desejo dar, é o controle que se faz através de promessas ou a efetivação de promessas, premiações ou recompensas. Isto pode ser observado nos palanques eleitorais quando candidatos procedem como prestidigitadores de ilusões. Prometem tanto, que se postas em prática tais promessas teríamos o paraíso à nossa disposição. Por isso costumam ganhar os mais cativantes e não os mais competentes ou éticos.

Através da persuasão o governante faz com que se acredite ou aceite alguma coisa. Para tanto usa argumentação e explicação. Foi persuadindo que a propaganda fez o brasileiro acreditar na excelência do "Fome Zero", programa para o qual foram carreadas vultosas doações, apesar do mesmo não ter funcionado.Quanto à manipulação é o mais insidioso e sutil dos controles, capaz de conferir imensa força aos governantes. Isso porquê, se obtém prestígio ou anuência sem que o indivíduo, grupos sociais ou quase toda sociedade percebam o engodo ou possam distinguir entre o falso e o verdadeiro.

A manipulação é feita através da propaganda oficial que utiliza largamente a mídia, notadamente a televisão na medida em que vivemos numa sociedade de massas. Note-se que nesse tipo de sociedade o número de pessoas que emitem opinião é muito menor do que o número das que recebem opiniões prontas.A propaganda petista usando a indução a persuasão e a manipulação foi extremamente vitoriosa na elaboração de alguns mitos relativos ao personagem do presidente da República, construindo assim uma imagem ideal: Lula é apenas um pobre operário, sem nenhuma responsabilidade do que ocorre em seu governo e falar contra ele é preconceito imperdoável. Esse pobre operário igual ao seu povo é o salvador dos pobres e oprimidos. O presidente é um cidadão acima de qualquer suspeita.

Nenhuma palavra sobre lucros astronômicos de banqueiros, impostos escorchantes, corrupção em níveis jamais vistos nos Poderes Constituídos, escândalos que atingem muito de perto o personagem que de nada sabe, nada vê. Ele é a vítima que se imola no altar da pátria pelo seu povo humilde. No centro do poder e dos meios de comunicação Lula não cansa de discursar. Tudo está perfeito. Ninguém morre em hospitais por falta de atendimento ou estrutura na área da Saúde. O Brasil ingressou na era do pleno emprego. Nunca tantos foram à escola e à Universidade, o que mostra ao mundo a excelência da educação brasileira, apesar dos alunos, em sua esmagadora maioria, não saberem interpretar ou redigir um texto. A violência foi contida e o Rio de Janeiro vive em paz. O MST é apenas um movimento social e Stédile não espera que a economia desande para seguir rumo ao nosso socialismo do século 21. O apagão aéreo está superado e todos podem viajar sem medo.

Desse modo, um Brasil falseado legitima o governante, enquanto é ocultada uma realidade nada bonita de se ver. Mas quem acredita nessas nossas inconvenientes e desagradáveis profundezas?